sexta-feira, 31 de maio de 2013

Na caça por exoplanetas que orbitam anãs marrons

As anãs marrons são objetos que nos fascinam, porque elas são a mais recente adição ao zoológico celestial. Na verdade, as anãs marrons são objetos exóticos sobre as quais sabemos muito pouco. As evidências sugerem que as anãs marrons podem hospedar planetas, mas até agora nós só encontramos poucas evidências. Podemos citar duas detecções significativas que foram realizadas através da técnica das microlentes gravitacionais em estrelas de baixa massa. A primeira foi o objeto com 3,2 vezes a massa da Terra em órbita de uma estrela primária com massa de 0,084 vezes a do Sol, que coloca esta estrela no território limítrofe entre as anãs marrons e estrelas. No segundo caso, o famoso Gliese 1214b, foi o projeto MEarth que descobriu um planeta com 6,6 vezes a massa da Terra orbitando uma estrela de massa 0,16 a massa do Sol. Agora, uma nova proposta de se utilizar o Telescópio Espacial Spitzer de infravermelho para caçar planetas anões marrons foi aventada. Tal idéia aprofunda o que descobrimos até agora, com referência às descobertas acima citadas: Considerando as probabilidades, essas detecções indicam a presença de uma grande, na maior parte inexplorada, população de planetas de massa baixa em torno de estrelas de também de muito baixa massa (conforme Dressing e Charbonneau, 2013). Sem dúvida, a descoberta mais interessante é que o “objeto de interesse” Kepler 961, uma estrela com 13% da massa do Sol, orbitada por 3 planetas com 0,7, 0,8 e 0,6 vezes o raio da Terra, em períodos inferiores a dois dias. Além deste há o sistema KOI-961, que, curiosamente, aparece como uma versão ampliada do sistema de satélites de Júpiter. Isto é precisamente o que estamos procurando. O plano é usar o dispositivo de infravermelho do Spitzer para descobrir planetas rochosos que orbitam anãs marrons nas proximidades do Sol. Indo mais além, estas descobertas irão alimentar a próxima missão do Telescópio Espacial James Webb (JWST) que assim terá uma lista de alvos adequados para que o JWST possa ser colocado para trabalhar na inspeção das atmosferas de exoplanetas. Uma campanha exploratória de 5.400 horas tem como objetivo detectar um pequeno número de sistemas planetários com planetas tão pequenos quanto Marte. O interessante é que a equipe está defendendo uma rápida liberação de todos os dados da pesquisa além de compilar um banco de dados para estudos posteriores das anãs marrons. As anãs marrons podem vir a ser excelentes alvos enquanto tentamos aprender mais sobre os planetas rochosos em torno de outras estrelas. Estudar os fótons emitidos por uma atmosfera durante uma ocultação requer alvos relativamente próximos das estrela hospedeira, e, como o artigo publicado aponta, quanto mais fraca a radiação emanada pelas estrela principal, melhor o contraste entre o objeto central e seu exoplaneta. E mais, em torno de anãs marrons podemos esperar trânsitos profundos que nos permitam detectar objetos ao tamanho de Marte agora através do equipamento do Spitzer. O artigo também observa que anãs marrons com mais de meio bilhão de anos de idade apresentam um raio praticamente constante sobre a sua faixa de massa. Isto torna estes pequenos sistemas lugares onde será mais fácil de estimar o tamanho dos planetas detectados. O observatório espacial Spitzer é a única unidade que pode levantar um número suficiente de anãs marrons, no tempo suficiente, com a precisão e a estabilidade necessária para ser capaz de detectar planetas rochosos do tamanho de Marte, em tempo para uso do novo e poderoso telescópio espacial James Webb. Nós estimamos que cerca de 8 meses de observações serão necessárias para concluir a campanha. Uma vez que os candidatos são detectados, grandes instalações de telescópios terrestres irão confirmar os trânsitos, encontrar os períodos (se apenas um evento foi capturado por Spitzer) e verificar a presença de companheiros adicionais. Este programa irá avançar rapidamente na busca por planetas potencialmente habitáveis ​​na vizinhança solar e transmitir ao JWST um punhado de exo​planetas rochosos como alvos a pesquisar. Esta é uma pesquisa que não apenas faz a sondagem de uma espécie fascinante de objeto, mas que deve oferecer o que o artigo chama de “a rota mais rápida e mais conveniente para a detecção e para o estudo das atmosferas dos planetas extra-solares similares a Terra.” O artigo foi publicado no momento em que 76 novas anãs marrons foram descobertas pela UKIRT Infrared Deep Sky Survey, incluindo dois sistemas “de referência” (benchmarks) potencialmente úteis. Os autores da proposta de uso do Spitzer argumentam que observar as atmosferas de mundos em trânsito do tamanho da Terra em anãs vermelhas com o JWST será bem mais desafiador do que o trabalho equivalente usando as anãs marrons, assumindo já comecemos agora a trabalhar para identificar os melhores alvos.

Fonte: Eternos Aprendizes

Kappa Coronae Borealis – sistemas planetários orbitando uma estrela subgigante

Nossos métodos de detecção de exoplanetas têm seus limites. A técnica de velocidade radial apresenta excelentes resultados nas regiões internas dos sistemas planetários, mas torna-se ineficiente à medida que observamos regiões mais afastadas da estrela central. Por outro lado, a técnica de imagem direta é o reverso – é bem mais fácil ver um exoplaneta se este é grande e está afastado da sua estrela primária. Assim, é natural que nós necessitamos aproveitar as melhores informações fornecidas por cada método disponível para caracterizar um sistema planetário. O problema é que as imagens diretas de exoplanetas ainda são raras e algumas classes de estrelas, particularmente as estrelas da classe A, tornam difícil o uso da técnica de velocidade radial por causa do jitter e outros problemas inerentes a estes objetos. Se você quer ter uma visão mais apurada de uma estrela de massa intermediária para buscar exoplanetas ou um disco de escombros, um método interessante a usar parece ser o estudo de estrelas “aposentadas”, que se encontram no ramo das subgigantes no diagrama de taxonomia estelar de Hertzsprung-Russell. As subgigantes são estrelas que reduziram significativamente ou cessaram definitivamente de processar a nucleossíntese do hidrogênio em seus núcleos. Devido a este recesso o seu núcleo se contrai e sua temperatura interna se eleva enormemente, a ponto de permitir a fusão do hidrogênio em uma camada que envolve seu núcleo. Além disso, as camadas externas da estrela “aposentada” se expandem fazendo-a atingir um tamanho gigante. O grupo liderado por Amy Bonsor (Institute de Planétologie et d’Astrophysique de Grenoble) tem observado a estrela κ Coronae Borealis (κ CrB), também conhecida como HD 142091, usando dados coletados pelo poderoso observatório espacial de infravermelho Herschel da Agência Espacial Européia (ESA). A subgigante κ CrB é um caso incomum que nos oferece a presença de um disco de poeira em volta de uma subgigante e consiste “… em um raro exemplo de uma estrela de massa intermediária, onde tanto exoplanetas e discos planetesimais foram detectados”. O artigo menciona que a presença do disco de escombros e dos exoplanetas pode nos dizer algo sobre como funciona o processo de formação planetária em tais estrelas. Ainda há muito a aprender – alguns estudos sugerem que há mais planetas gigantes em estrelas de maior massa que em menores – e gostaríamos de refinar os modelos existentes nesta área. κ Coronae Borealis é uma estrela com cerca de 1,51 vezes a massa do Sol em uma distância de 101,5 anos-luz, com a idade de 2,5 bilhões de anos. Além disso, um estudo anterior usando o telescópio Keck através do método de velocidade radial revelou a presença de um exoplaneta gigante gasoso com 1,8 vezes a massa de Júpiter orbitando a uma distância similar ao do nosso cinturão de asteróides do Sistema Solar (2,8 UA). Além disso, descoberta anterior forneceu evidências de um segundo objeto cuja massa não estava clara para os astrônomos na ocasião. Estas observações indicam várias possíveis configurações para discos de poeira e escombros além de exoplanetas, tais como: Há um único e contínuo cinturão de poeira se estendendo entre 20 e 200 UA, com um exoplaneta esculpindo a borda externa do disco. O disco de escombros pode estar dividido em dois cinturões mais finos, centrados a 40 UA e 165 UA, respectivamente. Os astrônomos julgam que o exoplaneta externo se trata na verdade de uma anã marrom. O terceiro cenário indica que o disco está a ser agitado por dois exoplanetas de modo que a taxa de produção de pó atinge o pico a 80 UA da estrela central.
Bonsor indaga: Trata-se de um sistema estelar intrigante e misterioso: há um ou dois exoplanetas esculpindo o disco mais largo ou esta estrela possui uma companheira anã marrom que dividiu o disco de escombros em dois cinturões de poeira? Os cientistas escreveram no artigo: Como o primeiro exemplo conhecido de um sistema planetário a orbitar uma estrela subgigante, uma população de casos similares é necessária para determinar se o cenário observado em κ CrB is é incomum ou não. No entanto, este estudo sugere que κ CrB não sofreu uma instabilidade dinâmica que tenha afetado seu sistema planetário, similar ao Bombardeamento Pesado Tardio. Trata-se do primeiro exemplo de uma estrela de mais de 1,4M⊙ com um exoplaneta gigante orbitando a menos de 8 UA de distância, onde temos uma imagem resolvida de um disco de poeira. κ CrB nos fornece um notável exemplo partir do qual aumentamos nossa compreensão dos sistemas planetários em torno de estrelas de massa intermediária.

Fonte: Eternos Aprendizes

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Radar da NASA revela que asteróide 1998 QE2 que passará “perto” da Terra nesse fim de semana tem sua própria lua

Uma sequência de imagens de radar do asteróide 1998 QE2 foi obtida na noite do dia 29 de Maio de 2013, pelos cientistas da NASA usando a antena de 70 metros do projeto Deep Space Network em Goldstone, na Califórnia, quando o asteróide estava a aproximadamente 6 milhões de quilômetros da Terra, algo equivalente a 15.6 distâncias lunares. As imagens de radar revelaram que o 1998 QE2 é um asteróide binário. Na população de objetos próximos da Terra, aproximadamente 16% dos asteróides têm 200 metros ou mais e são sistemas binários ou triplos. As imagens de radar sugerem que o corpo principal, ou primário, com aproximadamente 2.7 quilômetros de diâmetro e tem um período de rotação de menos de quatro horas. As imagens de radar do 1998 QE2 também revelaram algumas feições superficiais escuras que sugerem grande concavidades. A estimativa preliminar para o tamanho do satélite do asteróide, ou lua, tem aproximadamente 600 metros de largura. As imagens do radar cobre um período não muito maior que de duas horas. As observações de radar foram lideradas pela cientista Marina Brozovic, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasadena, na Califórnia. A maior aproximação do asteróide ocorrerá no dia 31 de Maio de 2013, às 17:59, hora de Brasília, quando o asteróide estará a uma distância aproximada de 5.8 milhões de quilômetros, ou algo em torno de 15 vezes a distância entre a Terra e a Lua. Essa é a maior aproximação que um asteróide estará da Terra no mínimo pelos próximos dois séculos. O asteróide 1998 QE2 foi descoberto em 19 de Agosto de 1998, pelo programa Lincoln Near Asteroid Research (LINEAR) do Massachussetts Institute of Technology perto de Socorro, no Novo México. A resolução dessas imagens iniciais do 1998 QE2 é de aproximadamente 75 metros por pixel. Espera-se que a resolução aumente nos dias seguintes quando mais dados tornaram disponíveis. Entre os dias 30 de Maio e 9 de Junho de 2013, os astrônomos de radar usando a antena de 70 metros do Deep Space Network da NASA em Goldstone, na Califórnia, e do Observatório de Arecibo em Porto Rico, realizarão uma extensa campanha de observação do asteróide 1998 QE2. Os dois telescópios têm capacidades de imageamento complementares que permitirão que os astrônomos possam aprender o máximo sobre o asteróide durante a sua breve visita perto da Terra.
Mais informações sobre os asteroides e sobre os objetos próximos da Terra podem ser encontradas em: http://neo.jpl.nasa.gov/ ,http://www.jpl.nasa.gov/asteroidwatch
Mais informações sobre a pesquisa de asteróides por meio de radar podem ser encontradas em: http://echo.jpl.nasa.gov/
Mais informações sobre o Deep Space Network pode ser encontrada em: http://deepspace.jpl.nasa.gov/dsn 

Dieta pobre em sódio é a chave para as estrelas viverem mais

Os astrônomos esperam que as estrelas como o Sol, percam a maior parte das suas atmosferas para o espaço no final das suas vidas. No entanto, novas observações de um enorme aglomerado estelar, obtidas com o Very Large Telescope do ESO, mostraram contra todas as expectativas que a maioria das estrelas estudadas simplesmente não chegam a esta fase de sua evolução. Uma equipe internacional descobriu que a quantidade de sódio presente nas estrelas permite prever de modo muito preciso como é que estes objetos terminarão as suas vidas. O modo como as estrelas evoluem e terminam suas vidas foi durante muitos anos um processo considerado bem compreendido. Modelos computacionais detalhados prevêem que estrelas com massa semelhante à do Sol passem por uma fase no final das suas vidas, o chamado ramo assintótico das gigantes ou AGB (sigla do inglês para asymptotic giant branch). Nesta fase ocorre uma queima final de combustível nuclear, e grande parte da massa das estrelas é perdida na forma de gás e poeira. Este material expelido é depois utilizado para formar uma nova geração de estrelas, sendo este ciclo de perda de massa e renascimento vital para explicar a evolução química do Universo. Este processo fornece também o material necessário à formação de planetas – e contém ainda os ingredientes necessários à vida orgânica. No entanto, o australiano Simon Campbell (Monash University Centre for Astrophysics, Melbourne, Austrália), especialista em teorias estelares, descobriu em artigos científicos antigos indícios importantes de que algumas estrelas poderiam de algum modo não seguir estas regras, pulando completamente a fase AGB. Simon explica melhor: “Para um cientista de modelos estelares, estas hipóteses pareciam loucas! Todas as estrelas passam pela fase AGB, de acordo com os nossos modelos. Eu verifiquei e tornei a verificar todos os estudos antigos sobre o assunto, e acabei por concluir que este fato não tinha sido estudado com o rigor necessário. Por isso decidi eu mesmo investigar o assunto, apesar de ter pouca experiência observacional”. Campbell e a sua equipe utilizaram o Very Large Telescope do ESO (VLT) para estudar com muito cuidado a radiação emitida pelas estrelas do aglomerado estelar globular NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão. Esta enorme bola de estrelas antigas contém uma primeira geração de estrelas e uma segunda formada pouco tempo depois. As duas gerações conseguem distinguir-se pela quantidade de sódio que contêm – algo que pode ser medido graças à qualidade extremamente elevada dos dados do VLT. “O FLAMES, o espectrógrafo multi-objeto de alta resolução montado no VLT, era o único instrumento capaz de obter dados de 130 estrelas ao mesmo tempo, e com a qualidade suficiente. Com este instrumento pudemos também observar uma grande parte do aglomerado globular de uma só vez”, acrescenta Campbell. Os resultados revelaram-se surpreendentes. Todas as estrelas AGB do estudo eram da primeira geração, com níveis de sódio baixos, e nenhuma das estrelas da segunda geração, com níveis mais altos de sódio, tinha se tornado numa AGB. Um total de 70% das estrelas não estavam nesta fase final de queima nuclear com consequente perda de massa. “Parece que as estrelas precisam de uma “dieta” pobre em sódio para que possam atingir a fase AGB no final das suas vidas. Esta observação é importante por várias razões. Estas estrelas são as mais brilhantes nos aglomerados globulares – por isso haverá 70% menos destas estrelas tão brilhantes do que a teoria prevê. O que significa também que os nossos modelos estelares estão incompletos e devem ser corrigidos!”, conclui Campbell. A equipe espera que sejam encontrados resultados semelhantes para outros aglomerados estelares e está planejando mais observações.


Fonte: Cienctec

Curiosity indica que astronautas suportariam radiação até Marte

Cientistas usaram dados de um instrumento da sonda espacial Curiosity para medir a quantidade de radiação recebida pelo equipamento durante sua viagem até Marte. Segundo os cientistas, o nível registrado está dentro dos limites estabelecidos por agências espaciais para astronautas. O próximo passo, afirmam os cientistas, é descobrir se o corpo humano suportaria os raios na superfície da quarta rocha do Sistema Solar. "Os dados do nosso estudo são diferentes (de outros anteriores) porque o detector que usamos, o Detector de Avaliação de Radiação, ou RAD, estava sob um pouco de blindagem. Portanto, nossa medição é a primeira de seu tipo", explica Cary Zeitlin, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste (EUA). A radiação é perigosa para o homem em duas circunstâncias: ao receber uma grande dose ou pequenas doses ao longo de determinado período. Em uma viagem espacial, os astronautas podem ser expostos a uma grande emissão de partículas do Sol e também aos constantes raios cósmicos galácticos (GCRs, na sigla em inglês). A exposição à radiação é medida em Sievert (Sv) ou miliSievert. Para se ter idéia, estudos indicam que uma exposição a 1 Sv (o limite imposto pelas agências espaciais para os astronautas) aumenta em 5% o risco de se desenvolver câncer. "Os dados do RAD mostram uma dose média equivalente de GCR de 1,8 miliSieverts por dia em cruzeiro. O total durante as fases de trânsito de uma missão a Marte seria de aproximadamente 0,66 Sv para uma viagem com os atuais sistemas de propulsão", diz Zeitlin. Os cientistas afirmam, contudo, que a medição foi feita durante um período de tranquilidade na atividade solar - o que foi inesperado, já que, de acordo com o ciclo solar, a estrela deveria estar bem mais ativa. Por causa disso, e do escudo de proteção, apenas 5% da radiação foi proveniente do Sol. A exposição de uma tripulação em direção ao planeta vermelho dependeria do tipo de proteção utilizada e das imprevisíveis erupções solares. Para os cientistas, os resultados representam a segurança de uma missão a Marte durante um período de atividade baixa a moderada da nossa estrela. Os pesquisadores pretendem agora calcular a quantidade de radiação na superfície marciana, também com medições da Curiosity. E essa exposição pode ser significantemente maior se comparada com a da viagem, já que alguns planos da Nasa propõem que os astronautas permaneçam até 500 dias no planeta.

Fonte: Terra

Primeiro a caminhar no espaço, cosmonauta russo completa 78 anos

O russo Alexei Leonov, primeiro astronauta a realizar uma caminhada espacial, completa 78 anos nesta quinta-feira. Ele fez sozinho em 1965 o primeiro passeio espacial fora do veículo que o transportava. O pioneirismo, é claro, não veio sem riscos: no retorno para a cápsula, a diferença de pressão entre o ar da nave e o vácuo do espaço inflou seu traje, impedindo parcialmente os movimentos e estendendo a operação para além do previsto. O retorno à Terra também não foi sem empecilhos, e os cosmonautas - além de Leonov, participava da missão o comandante Pavel Belyayev - tiveram de ser resgatados a quase mil quilômetros de distância do local esperado. Alexei Arkhipovich Leonov nasceu na União Soviética em 30 de maio de 1934. Poucos anos depois de se formar na escola soviética de pilotos, ele se tornou um dos primeiros 20 cosmonautas escolhidos pelo programas espacial russo. Seu primeiro vôo ao espaço foi com a missão Voskhod 2, em 18 de março de 1965. O vôo durou ao todo 26 horas e, 90 minutos após o lançamento, Leonov se tornou a primeira pessoa a caminhar no espaço. flutuando livremente fora da cápsula por mais de 10 minutos. Quando Leonov tentou retornar à nave, porém, ele encontrou dificuldades. A diferença de pressão entre o ar em seu traje espacial e o vácuo externo causou a expansão da vestimenta, tornando-a tão rígida que ele não conseguia mais mexer os dedos. Ele acabou deixando escapar um pouco do ar e assim conseguiu fechar a escotilha no retorno à Voskhod 2. No total, a primeira caminhada espacial durou mais de 20 minutos. No procedimento de volta à Terra, o computador interno registrou problemas e a cápsula aterrissou a aproximadamente 965 quilômetros fora da rota prevista, em uma área remota dos montes Urais. Depois de dois dias e uma noite na região selvagem, os cosmonautas foram finalmente resgatados. Leonov recebeu a medalha de herói da União Soviética graças ao feito e se tornou comandante da equipe de cosmonautas, se focando no ensino de como realizar atividades extraveiculares. Dez anos depois da primeira caminhada espacial, ele voltou a deixar a Terra em 1975 como comandante da missão Soyuz 19 - o primeiro projeto espacial conjunta de Estados Unidos e União Soviética. Seu treinamento incluiu aulas de inglês e visitas a centros espaciais americanos, e suas realizações contribuíram para mudar a percepção ocidental a respeito dos cosmonautas. A cratera Leonov, no lado oculto da Lua, foi nomeada em sua homenagem.

Fonte: Terra

Medição precisa de distância resolve grande mistério astronômico

Os astrônomos resolveram um grande problema na sua compreensão de uma classe de estrelas que sofrem erupções regulares, medindo com precisão a distância de um famoso exemplo do gênero. Os cientistas usaram o VLBA (Very Long Baseline Array) do NSF (National Science Foundation) e a EVN (European VLBI Network) para localizar com precisão um sistemas variáveis dos mais observados do céu - uma estrela dupla chamada SS Cygni - a 370 anos-luz da Terra. Esta nova medição da distância significa que a explicação para as explosões regulares deste gênero de objeto, que se aplica para pares semelhantes, também se aplica para SS Cygni. "Este é um dos sistemas mais bem estudados do seu tipo, mas de acordo com a nossa compreensão de como funcionam, não devia ter surtos explosivos," afirma James Miller-Jones, do Centro Internacional para Pesquisa em Radioastronomia de Perth, Austrália, ligado à Universidade Curtin. SS Cygni, na constelação de Cisne, é uma anã branca densa numa órbita íntima com uma anã vermelha menos massiva. A forte gravidade da anã branca puxa material da sua companheira para um disco giratório. As duas estrelas orbitam-se uma à outra em apenas 6,6 horas. Em média, uma vez a cada 49 dias, uma poderosa explosão ilumina o sistema. Este tipo de sistema tem o nome de nova anã (ou estrela variável do tipo U Geminorum) e, com base noutros exemplos, os cientistas propuseram que as erupções resultam de alterações no ritmo a que a matéria se move através do disco para a anã branca. Em mais altas taxas de transferência desde a anã vermelha, o disco rotativo mantém-se estável, mas quando a taxa é inferior, o disco torna-se instável e é submetido a uma erupção. Este mecanismo parecia funcionar para todas as novas anãs à exceção de SS Cygni, com base nas estimativas anteriores da sua distância. Dados recolhidos com o Telescópio Hubble em 1999 e 2004 colocaram SS Cygni a uma distância de cerca de 520 anos-luz. "Isto foi um problema. A essa distância, SS Cygni teria sido a nova anã mais brilhante do céu, e deveria ter massa suficiente, movendo-se no disco, para manter-se estável sem erupções," afirma Miller-Jones. A distância mais próxima medida com radiotelescópios significa que o sistema é intrinsecamente menos brilhante, e agora adapta-se às características descritas na explicação padrão para as erupções em novas anãs. Os astrônomos fizeram a nova medição da distância usando o VLBA e a EVN, sendo que ambos usam radiotelescópios amplamente separados que trabalham como um único telescópio extremamente preciso. Estes sistemas são capazes de fazer as medições mais precisas de posições no céu, disponíveis na Astronomia. Ao observar SS Cygni quando a Terra está em lados opostos da sua órbita em torno do Sol, os astrônomos podem medir a sutil mudança na posição aparente do objeto no céu, em relação aos objetos de fundo mais distantes. Este efeito, chamado paralaxe, permite aos cientistas medir diretamente a distância de um objeto através da aplicação de simples trigonometria a nível do ensino secundário. Os radioastrônomos sabem que SS Cygni emite ondas de rádio durante as suas explosões, por isso fizeram as suas observações após receberem relatos de astrônomos amadores de que uma erupção estava a ocorrer. Observaram o objcto durante estes eventos e entre 2010 e 2012. A diferença nas medições da distância no visível com o Hubble e no rádio pode ter várias causas, dizem os cientistas. As observações no rádio foram feitas contra um fundo de objetos bem para lá da nossa própria Via Láctea, enquanto as observações do Hubble usaram estrelas da nossa Galáxia como pontos de referência. Os objetos mais distantes proporcionam uma melhor e mais estável referência. As observações no rádio, acrescentam, são também imunes a outras possíveis fontes de erro. Descoberto em 1896, SS Cygni é um sistema binário popular entre os astrônomos amadores. De acordo com a Associação Americana de Observadores de Estrelas Variáveis, desde a sua descoberta nunca nenhuma erupção deixou de ser observada. Já foram registada quase meio milhão de vezes, e as variações no seu brilho cuidadosamente seguidas, o que o torna num dos objetos mais intensamente estudados do século passado.

Fonte: Astronomia On-line

Asteróide passará próximo a Terra no fim de maio

Em 31 de maio deste ano, o asteróide 1998 QE2 vai navegar serenamente pelo nosso planeta, chegando mais perto do que cerca de 5,8 milhões de quilômetros, ou 15 vezes a distância entre a Terra e a Lua. Corremos risco de morte? Não. O 1998 QE2 não é de muito interesse para os astrônomos e cientistas que estudam e procuram asteróides perigosos a nós, mas é de grande interesse para os que se envolvem com astronomia de radar e tem um telescópio de radar de 70 metros ou maior à sua disposição. 1998 QE2 foi descoberto em 19 de agosto de 1998 pelo programa LINEAR do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos EUA. A maior aproximação do asteroóide da Terra ocorrerá no dia 31 de maio às 13:59, horário do Pacífico. Esta será sua maior aproximação por pelo menos os próximos dois séculos, ou seja, uma chance única para os pesquisadores. “1998 QE2 será um excelente alvo para imagens de radar e esperamos obter uma série de fotografias de alta resolução que poderiam revelar uma riqueza de características de sua superfície”, explica o astrônomo de radar Lance Benner, principal pesquisador do observatório Goldstone, da NASA, em Pasadena, Califórnia (EUA). “Sempre que um asteróide se aproxima tanto da Terra, fornece uma importante oportunidade científica para estudá-lo em detalhes a fim de compreender seu tamanho, forma, rotação, características da superfície, e para nos dizer sobre sua origem. Também vamos utilizar as novas medidas de radar da distância e velocidade do asteróide para melhorar nosso cálculo de sua órbita e avaliar o seu movimento no futuro”, diz Benner. A proximidade de 1998 QE2 promete – além de monitorar possíveis ameaças, o estudo de asteróides e cometas permite uma valiosa ocasião de aprender mais sobre as origens do nosso sistema solar, da fonte de água na Terra, e até mesmo a origem das moléculas orgânicas que levam ao desenvolvimento da vida. O asteróide parece ter cerca de 2,7 quilômetros de tamanho. As imagens de radar poderiam resolver características do objeto até 3,75 metros de diâmetro, mesmo a quase 6 milhões de quilômetros de distância. Asteróides, que estão sempre expostos ao Sol, podem ter quase qualquer forma. Aqueles que já foram anteriormente “fotografados” por radar e sonda tinham formato de osso de cão, pinos de boliche, esferóides, diamantes, muffins e batatas. Para descobrir com o quê 1998 QE2 se parece, fique atento. Entre 30 de maio e 9 de junho, os astrônomos que utilizam os radares de Goldstone e do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, estão planejando uma extensa campanha de observações. Os dois telescópios têm capacidades de imagem complementares que permitirão aos cientistas aprender tanto quanto possível sobre o asteróide durante sua breve visita próxima à Terra. A NASA considera uma alta prioridade o monitoramento de asteróides para proteger o nosso planeta natal. Na verdade, os EUA têm o levantamento mais robusto e produtivo de detecção de objetos próximos à Terra (OPT). Até hoje, a NASA já descobriu mais de 98% dos OPTs conhecidos. Além do programa de detecção, NEO na sigla em inglês, a NASA faz parceria com outros órgãos governamentais dos EUA, astrônomos de universidades e institutos de ciência espacial em todo o país para controlar e entender melhor esses objetos. Em 2016, a agência vai lançar uma sonda robótica para um dos mais potencialmente perigosos OPT conhecidos. A missão OSIRIS-REx para o asteróide Bennu deve, futuramente, realizar reconhecimento em todos os objetos descobertos que ameacem a Terra. A NASA também anunciou recentemente o desenvolvimento de uma missão inédita para identificar, capturar e mudar o curso de um asteróide. Esta missão marcaria um avanço tecnológico sem precedentes, que superaria tudo o que os seres humanos podem fazer no espaço hoje. Capturar e redirecionar um asteróide irá integrar o melhor da ciência, da tecnologia e das capacidades de exploração humana, atingindo um dos grandes objetivos da ciência espacial atualmente, que é proteger nosso planeta. Afinal, de nada adianta detectar objetos perigosos a nós se não pudermos pará-los, não é mesmo?

Fonte: Hypescience

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Previsões meteorológicas pata Titã: Clima selvagem

Se dois novos modelos estiverem corretos, a lua de Saturno, Titã, poderá passar por alguns fenômenos climáticos selvagens à medida que chega a Primavera e o Verão. Os cientistas pensam que à medida que as estações mudam no hemisfério norte de Titã, possam haver ondulações nos mares de hidrocarbonetos da lua, e que também poderão originar furacões nessas áreas. O modelo que prevê ondas tenta explicar dados da lua obtidos até agora pela sonda Cassini da NASA. Ambos os modelos ajudam os membros da equipe a planear quando e onde procurar por perturbações atmosféricas invulgares à medida que o Verão se aproxima de Titã. "Se acha que é difícil prever o tempo aqui na Terra, é ainda mais complicado em Titã," afirma Scott Edgington, cientista do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Sabemos que existem processos meteorológicos semelhantes aos da Terra neste mundo estranho, mas com diferenças devido à presença de líquidos estranhos como o metano. Estamos ansiosos que a Cassini nos diga se as nossas previsões meteorológicas estão corretas, à medida que continua a sua viagem pela Primavera de Titã até ao Verão no hemisfério Norte." A região polar norte de Titã, adornada por vastos mares e lagos de hidrocarbonetos, estava escura quando a Cassini chegou ao sistema saturniano em 2004. Mas a luz foi subindo no hemisfério norte de Titã desde Agosto de 2009, quando o Sol atravessou o plano equatorial no equinócio. Cada estação em Titã dura cerca de 7 anos terrestres. Em 2017, no final da missão da Cassini, Titã vai estar perto do solstício a norte, no auge do Verão. Desde que a Cassini observou dunas esculpidas por ventos em Titã, que os cientistas querem saber porque é que não viram ainda ondas nos lagos e mares. Uma equipe liderada por Alex Hayes, membro da equipe de radar da Cassini, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, começou por determinar quanto vento seria necessário para gerar ondas. O novo modelo, publicado na revista Icarus, aperfeiçoa os anteriores ao ter em conta a gravidade de Titã, a viscosidade e tensão superficial do líquido de hidrocarbonetos nos lagos, e o rácio de densidade entre o ar e o líquido. "Sabemos agora que as velocidades de vento previstas quando a Cassini observou Titã ficaram abaixo das necessárias para gerar ondas," afirma Hayes. "O que é interessante, porém, é que os ventos previstos durante a Primavera e Verão no hemisfério norte aproximam-se das velocidades necessárias para gerar ondas em etano e/ou metano líquido. Poderá ser possível em breve avistar ondas num dos locais mais exóticos do Sistema Solar." O novo modelo descobriu que são necessárias velocidades entre 2 e 3 km/h para gerar ondas nos lagos de Titã, uma velocidade que ainda não foi alcançada durante o período calmo de Titã. Mas à medida que a Primavera e o Verão se aproximam no hemisfério norte de Titã, outros modelos mostram que os ventos podem atingir 3 km/h ou mais. Dependendo da composição dos lagos, ventos daquela velocidade podem ser suficientes para produzir ondas com 0,15 metros de altura. O segundo modelo, recentemente publicado na Icarus, prevê que o aquecimento no hemisfério norte pode também originar furacões, também conhecidos como ciclones tropicais. Os ciclones tropicais na Terra ganham a sua energia a partir da acumulação de calor da evaporação da água do mar e versões em miniatura já foram observadas em grandes lagos aqui na Terra. O novo trabalho, liderado por Tetsuya Tokano da Universidade de Colónia, Alemanha, mostra que os mesmos processos podem existir também em Titã, só que em vez de água, é metano que evapora dos mares. A estação mais provável para a ocorrência destes furacões será durante o solstício de verão no norte de Titã, quando a superfície do mar fica mais quente e o fluxo de ar perto da superfície torna-se mais turbulento. O ar úmido formaria redemoinhos que rodam num sentido anti-horário por cima da superfície dos mares mais a norte e aumentaria a velocidade do vento acima dos mares até possivelmente 70 km/h. "Para estes furacões se desenvolverem em Titã, é necessário haver uma combinação certa de hidrocarbonetos nestes mares, e nós ainda não sabemos a sua composição exata," afirma Tokano. "Se observarmos furacões, isso seria um bom indicador de que há metano suficiente nestes lagos para suportar este gênero de fenômeno. Até agora, os cientistas ainda não foram capazes de detectar metano diretamente."

Fonte: Astronomia On-line

Rara fusão revela segredos de evolução galática

Um encontro raro entre duas galáxias ricas em gás, avistado pelo observatório espacial Herchel da ESA, indica uma solução para um problema pendente: como é que as galáxias grandes se formaram no início do Universo? A maioria das grandes galáxias enquadram-se numa de duas categorias principais: espirais como a nossa Via Láctea, repletas de gás e ativamente formando estrelas, ou elípticas, pobres em gás, habitadas por antigas estrelas vermelhas e que mostram poucos sinais de formação estelar em curso. Assumiu-se durante muito tempo que as grandes galáxias elípticas vistas no Universo hoje em dia foram construídas gradualmente ao longo do tempo através da aquisição gravitacional de muitas galáxias menores ou anãs. A teoria considera que o gás nessas galáxias seria gradualmente transformado em estrelas mais frias e de baixa massa, de modo que hoje teriam esgotado todos os seus materiais de formação estelar, deixando-as 'vermelhas e mortas.' Por isso a descoberta, na última década, de que muitas galáxias elípticas gigantes conseguiram formar-se durante os primeiros 3-4 bilhões de anos da história da Universo, coloca uma espécie de enigma. De alguma forma, em curtas escalas de tempo cosmológico, essas galáxias haviam reunido rapidamente vastas quantidades de estrelas e, em seguida, 'desligaram-se'. Uma idéia é que duas galáxias espirais podem colidir e fundir-se para produzir uma grande galáxia elíptica, com a colisão despoletando uma tal intensa formação estelar que rapidamente esgotaria o reservatório de gás. Num novo estudo que usa dados do Herschel, os astrônomos captaram o início deste processo entre duas galáxias massivas, visto quando o Universo tinha apenas 3 bilhões de anos. O par de galáxias foi inicialmente identificado nos dados do Herschel como uma única fonte luminosa, com o nome HXMM01. Novas observações mostraram que na verdade eram duas galáxias, cada uma ostentando uma massa estelar igual a cerca de 100 bilhões de Sóis e uma quantidade equivalente de gás. As galáxias estão ligadas por uma ponte de gás, o que indica que se estão a fundir. "Este monstruoso sistema de galáxias em interação é a fábrica de estrelas mais eficiente já descoberta no Universo jovem, quando tinha apenas 3 bilhões de anos," afirma Hai Fu da Universidade da Califórnia, em Irvine, EUA, que liderou o estudo publicado na revista Nature. "O sistema HXMM01 é invulgar, não só devido à sua elevada massa e intensa formação estelar, mas também porque expõe um passo crucial e intermédio do processo de fusão, fornecendo informações valiosas que irão ajudar-nos a restringir os modelos para a formação e evolução de galáxias," acrescenta o co-autor Asantha Cooray, da mesma universidade. O início de fusão provocou um frenesim de formação estelar, fabricando estrelas a uma fenomenal taxa equivalente a 2.000 estrelas como o Sol por ano. Em comparação, uma galáxia como a Via Láctea hoje em dia só consegue produzir o equivalente a uma estrela tipo-Sol por ano. Além disso, a eficiência com que o gás é convertido em estrelas é cerca de dez vezes maior do que a observada em galáxias mais normais, que formam estrelas a taxas muito mais lentas. No entanto, tal taxa de formação estelar não é sustentável, pois o reservatório de gás no sistema HXMM01 esgota-se rapidamente, extinguindo ainda mais a formação de estrelas e levando ao envelhecimento da população de estrelas de baixa massa, frias e vermelhas. A equipe do Dr. Fu estima que a galáxia vai levar 200 milhões de anos a converter todo o gás em estrelas, e que o processo de fusão esteja concluído em 1 bilhão de anos. O produto final será uma enorme galáxia elíptica, 'vermelha e morta', com cerca de 400 bilhões de vezes a massa do Sol. "Tivemos muita sorte em descobrir este sistema extremo numa fase de transição tão crítica. Isto mostra que a fusão do gás em galáxias ativas é um mecanismo possível para a formação da maioria das gigantes elípticas que observamos no Universo jovem," afirma Seb Oliver da Universidade de Sussex, no Reino Unido, e investigador principal do Programa HerMES, o programa que recolheu os dados. "Esta descoberta destaca a importância das pesquisas completadas com o Herschel. Neste caso, foi revelada a excepcional fonte HXMM01, que pode apontar para uma solução do enigma de como as galáxias muito massivas se formaram e evoluíram quando o Universo era ainda jovem," conclui Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA.

Fonte: Astronomia On-line

domingo, 26 de maio de 2013

Rover Curiosity da NASA perfura segundo alvo

O rover Curiosity da NASA usou a broca no seu braço robótico para recolher uma amostra de pó a partir do interior de uma rocha chamada "Cumberland." Está planeada a entrega de amostras nos próximos dias para instrumentos de laboratório dentro do rover. Esta é apenas a segunda vez que uma amostra foi recolhida a partir do interior de uma rocha em Marte. A primeira foi num alvo apelidado de "John Klein" há três meses. Cumberland parece-se com John Klein e está situada 2,75 metros para Oeste. Ambas encontram-se dentro de uma depressão rasa chamada "Yellowknife Bay". O buraco em Cumberland foi perfurado pelo Curiosity dia 19 de Maio e mede cerca de 1,6 cm em diâmetro e cerca de 6,6 cm de profundidade. A equipe de cientistas espera usar a análise do material de Cumberland para verificar os achados de John Klein. Os resultados preliminares das análises das amostras de John Klein, feitas pelo laboratório a bordo do Curiosity, indicam que o local há muito tempo teve condições ambientais favoráveis à vida microbiana. As condições favoráveis incluíram os principais ingredientes para a vida, um gradiente de energia que pode ser explorado por micróbios, e água que não foi muito ácida ou salgada. O Projecto MSL (Mars Science Laboratory) da NASA está usando o Curiosity para avaliar a história das condições ambientais habitáveis dentro da Cratera Gale. Depois de mais algumas observações prioritárias pelo rover dentro e perto de Yellowknife Bay, a equipe do rover espera começar uma longa viagem de meses até à base do Monte Sharp, no meio da cratera.

Fonte: Astronomia On-line

O mistério por trás do extinto campo magnético da Lua

A Lua é o único satélite natural da Terra, e gerava um campo magnético surpreendentemente intenso. Esse campo permaneceu por, pelo menos, 3,5 bilhões de anos, de acordo com novo estudo, o que representa 160 milhões de anos a mais do que se imaginava. A ilustração mostra um mecanismo sugerido para a criação de um campo magnético antigo na Lua. Neste cenário, o campo magnético afetaria as rochas espaciais lunares criando instabilidade no núcleo da Lua, o que resultaria em um dínamo que criaria e manteria esse campo magnético. Com os resultados que se obteve através desta nova pesquisa, seria possível compreender melhor não apenas o campo magnético da Lua, que hoje é extremamente fraco, mas também os de asteróides e outros planetas distantes, segundo afirmam os pesquisadores. O campo magnético da Terra, por exemplo, é criado por seu dínamo interno, que por sua vez, é gerado pelos movimentos do núcleo de metal derretido da Terra. Em 2012, os cientistas revelaram que o dínamo lunar esteve presente em seu núcleo por mais tempo do que se imaginava. Além disso, há uma teoria que dá conta de explicar porque o dínamo permaneceu no interior da Lua durante tanto tempo. De acordo com os pesquisadores, não existe uma só explicação. Pode-se considerar pelo menos duas: a primeira seria que com os impactos cósmicos gigantes a Lua balançou o suficiente para conduzir e manter o seu dínamo. O que sustenta essa teoria é o fato de que o satélite já tenha experimentado diversas colisões maciças até cerca de 3,7 bilhões de anos atrás, o que ocasionou as mais distintas crateras existentes em sua superfície. A segunda explicação seria o fato de que a Lua produz oscilações por conta da forma como o seu núcleo gira em torno de um eixo diferente do seu entorno. Esse processo poderia interferir drasticamente em seu núcleo. “A Lua é como um laboratório gigante onde podemos testar nossas teorias sobre como os planetas se formam e evoluem”, disse Clément Suavet, geocientistaao LiveScience. As descobertas da pesquisa foram detalhadas na revista online Proceedings of National Academy of Sciences.

Fonte: Jornal Ciência

sábado, 25 de maio de 2013

Com menos de 1 mês, 1º satélite equatoriano bate em foguete soviético

O primeiro satélite equatoriano, que entrou em órbita em 25 de abril, se chocou contra restos de um foguete Tsyklon-3, lançado em julho de 1985 e que orbitava em meio a uma nuvem de partículas, anunciou nesta quinta-feira a Agência Espacial Civil Equatoriana (EXA). O satélite "sobreviveu" ao choque, mas está desgovernado e sem comunicação. Em nota, a agência afirma que o NEE-01 Pegaso se chocou com um objeto conhecido como SCC-15890, última etapa do foguete soviético lançado nos anos 80. A colisão ocorreu à 0h38. A blindagem antirradiação do satélite e os painéis solares, que contêm titânio em sua composição, contribuíram para a "sobrevivência" do equipamento. O satélite perdeu a orientação e gira violentamente, o que o impede de receber ou transmitir dados. O satélite argentino CubeBug-1, lançado junto com o equatoriano, teve sorte maior: também foi atingido (por pelo menos uma partícula), mas sem maiores problemas. A agência estuda agora se é possível recuperar a funcionalidade do satélite.

Fonte: Terra

Alinhamento planetário promete show celestial no fim de semana

Vênus e Júpiter, os dois planetas mais brilhantes do céu neste mês, receberão a companhia do pequeno Mercúrio para um espetáculo celestial raro neste fim de semana. Normalmente, Vênus, o segundo planeta mais próximo do Sol, e Júpiter, que orbita após Marte, estão a dezenas de milhões de quilômetros de distância. Mas, para quem vê da Terra, eles têm orbitado juntos, enquanto se movem cada vez mais perto um do outro neste mês, junto a Mercúrio. O auge do show celestial será no domingo, quando o trio irá aparecer como um triângulo de luz brilhante no céu do Ocidente cerca de 30 minutos depois do pôr do Sol. Conjunções triplas são relativamente raras, segundo a Nasa. A última foi em maio de 2011 e a próxima não ocorrerá antes de outubro de 2015. "Essa (conjunção) tripla é especialmente boa porque envolve os três planetas mais brilhantes do céu escuro em maio", afirmou a agência espacial dos Estados Unidos em sua página na Internet. A formação deve ser visível mesmo em locais com cidades bastante iluminadas. Astrônomos sugerem aos observadores do céu que deixem Vênus e Júpiter serem o seu guia. Quando o céu escurecer, os planetas serão visíveis a olho nu. "Eles realmente brilham tão intensamente que você pode confundi-los com um ou dois aviões se aproximando com as suas luzes de pouso ligadas", escreveu a revista StarDate, da Universidade do Texas, em seu site. No domingo, o Mercúrio formará o topo do triângulo. Na segunda-feira, Vênus e Júpiter vão estar lado a lado, a menos de 1 grau de distância. "Depois disso, Vênus e Mercúrio vão continuar subindo mais alto no céu escuro, enquanto Júpiter cai em direção ao Sol", disse a StarDate.

Fonte: Terra

Descobertas estrelas com fragmentos de planetas extintos que podem ser a visão do futuro do Sistema Solar

Uma equipe de pesquisadores liderada por Jay Farihi, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, descobriu duas estrelas mortas, localizadas a 150 anos-luz da Terra, contaminadas com detritos que podem formar novos mundos. O material pode ter sido capturado de planetas extintos. “Nós identificamos evidências químicas para os blocos de construção dos planetas rochosos”, disse Farihi. A descoberta foi feita através do Telescópio Espacial Hubble, da NASA/ESA. Os cientistas estudaram duas estrelas anãs brancas mortas no aglomerado de Hyades, um agrupamento de estrelas com 625 milhões de anos de idade, na constelação de Touro. Eles buscaram sinais de formação de planetas neste tipo de estrelas, e Farihi afirma: “Quando essas estrelas nasceram, elas construíram os planetas, e há uma boa chance de que atualmente elas retenham alguns fragmentos. O material que estamos vendo é uma prova disso”. “Normalmente, as anãs brancas são como pedaços de papel em branco, contendo apenas elementos leves, como hidrogênio e hélio”, explica o pesquisador. Ele ainda ressalta que as atmosferas das anãs brancas são normalmente bastante “limpas”, com elementos mais pesados aglomerados no núcleo. O que eles descobriram com as observações do Hubble é que o silício – elemento de bastante destaque no material rochoso que formou a Terra – foi encontrado na atmosfera de duas anãs brancas. “O silício pode ter vindo de asteróides que foram fragmentados pela gravidade das anãs brancas, quando passou muito perto das estrelas mortas”, acrescenta Fahiri. Os pesquisadores também identificaram baixos níveis de carbono, que ajuda a determinar as propriedades e origem de fragmentos planetários, e geralmente está esgotado ou ausente em material parecido com a Terra. O material pode ser proveniente dos restos de planetas rochosos que se formaram quando essas estrelas nasceram. Após as estrelas reduzirem-se em anãs brancas, elas podem ter capturado de volta parte desses detritos, os mantendo em órbita ou fazendo-os colidir com sua atmosfera, uma vez que sua força gravitacional se tornou maior. A nova descoberta sugere que a formação de planetas em aglomerados estelares pode ser mais comum do que se acreditava anteriormente, por isso a equipe de Fahiri pretende analisar mais anãs brancas mais usando a mesma técnica.

Fonte: Hypescience

Núcleo da Terra é tão quente quanto a superfície do Sol?

Segundo um novo estudo francês, o núcleo interno da Terra é 1.000 graus Celsius mais quente do que pensávamos anteriormente. As novas medições revelam que a temperatura do núcleo interno da Terra é de 6.000 graus Celsius, tão quente quanto a superfície do Sol. Esse número corresponde a outras estimativas que sugerem uma diferença de temperatura entre o núcleo sólido e o manto de pelo menos 1.500 graus Celsius, fator que contribui para a presença de um campo magnético na Terra. A diferença de temperatura entre o núcleo e o manto poderia explicar como a Terra gera o campo magnético. O planeta tem um núcleo interior sólido rodeado por uma cápsula externa de líquido, o qual, por sua vez, possui o manto sólido, mas flutuante, acima. É preciso haver uma diferença de 1.500 graus Celsius entre o núcleo e o manto para estimular “movimentos térmicos” que, juntamente com a rotação da Terra, criam o campo magnético. A temperatura do núcleo medida anteriormente não demonstrava um diferencial suficiente, o que intrigou pesquisadores por duas décadas. Estimativas anteriores baseadas na medição da fusão de ferro colocavam a temperatura do núcleo em 5.000 graus Celsius. A nova técnica utilizou rápida difração de raios-X, e permitiu aos pesquisadores sondar pequenas amostras de partículas de ferro a pressões intensas para obter uma melhor noção de como o ferro forma cristais e derrete. Um desafio para os pesquisadores foi o de replicar as pressões monumentais na fronteira do núcleo – um milhão de vezes maior do que ao nível do mar. Para conseguir isso, eles usaram um dispositivo chamado bigorna de diamante estática aquecida a laser. Com esta ferramenta, os cientistas foram capazes de pegar uma pequena amostra de ferro e colocá-la entre os pontos de dois diamantes sintéticos. O ferro foi posto sob alta pressão e atingido por lasers. Em seguida, os pesquisadores analisaram a forma como os raios-X ricochetearam os núcleos dos átomos de ferro. Conforme o ferro mudou de sólido para líquido, os cientistas observaram alterações nos padrões de difração, que por sua vez forneceram os dados necessários para medir estados parcialmente fundidos de ferro. Os pesquisadores descobriram que o ferro tem um ponto de fusão de 4.800 graus Celsius em 2,2 milhões de atmosferas de pressão (até 200 GPa). Extrapolando para 3,3 milhões de atmosferas (a estimativa da pressão entre o núcleo líquido e sólido), os cientistas chegaram ao valor de 6.000 graus Celsius. O estudo foi conduzido por Agnes Dewaele da agência de pesquisa francesa CEA, juntamente com membros do Centro Nacional Francês para Pesquisa Científica (CNRS) e do Laboratório Europeu de Radiação Síncroton (ESRF) em Grenoble (França).

Fonte: Hypescience

Como surgiram os primeiros buracos negros supermassivos

No centro da Via Láctea (e de outras galáxias), há um buraco negro gigantesco que teve um papel fundamental na maneira como estrelas e planetas surgiram e se organizaram. Em alguns casos, buracos como esse são quase tão antigos quanto o próprio universo – e, graças a estudo recente, agora temos uma idéia mais clara de como eles se formaram. Por meio de simulações feitas em um supercomputador, uma equipe de pesquisadores liderada pelo astrônomo Stelios Kazantzidis, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), mostrou em detalhes como buracos negros supermassivos se formaram graças a colisões entre as primeiras galáxias (surgidas nos primeiros bilhões de anos após o Big Bang). A teoria mais aceita entre astrônomos a respeito da formação de galáxias é a de que elas foram crescendo gradualmente, graças a forças gravitacionais que agregaram partículas até formar planetas e estrelas (“crescimento hierárquico”). “Junto com outras descobertas, nossos resultados mostram que grandes estruturas – tanto galáxias como buracos negros massivos – se formaram rapidamente na história do universo”, explica Kazantzidis. A princípio, soa paradoxal. De acordo com o astrônomo, contudo, a contradição se resolve quando se considera que matéria escura cresce hierarquicamente, e matéria normal, não.“A matéria normal, que compõe galáxias visíveis e buracos negros supermassivos, entra em colapso de modo eficiente, e isso ocorria já quando o universo era jovem, dando origem a formações anti-hierárquicas de galáxias e buracos negros”, diz. A equipe iniciou sua simulação com duas galáxias primordiais gigantes, muito maiores do que a Via Láctea – acredita-se que, no início do universo, as estrelas eram em geral bem maiores do que as que existem hoje, com 300 vezes mais massa do que o Sol. Graças ao poder de processamento do computador, Kazantzidis e seus colegas puderam simular o processo com detalhes. Basicamente, de acordo com os cálculos e com a simulação, três coisas ocorreram quando essas galáxias se chocaram: gás e poeira de seus centros se condensaram e formaram um disco; o disco se tornou instável, o material se contraiu novamente e se tornou um buraco negro supermassivo. Contrariando a idéia de que o buraco negro no centro de uma galáxia cresce em um ritmo similar ao da própria galáxia, a simulação mostrou que ele se expande mais rápido do que ela. “É possível que o buraco negro não seja regulado pelo crescimento da galáxia”, aponta Kazantzidis. “É possível que a galáxia seja regulada pelo crescimento do buraco negro”.

Fonte: Hypescience

Robô lunar soviético volta a fazer ciência depois de 43 anos

O Lunokhod-1, o primeiro robô espacial controlado remotamente, enviado pelos soviéticos à Lua em 1970, "falou" novamente - ou, pelo menos, repetiu o que recebeu. Várias equipes de cientistas ao redor do mundo rastrearam o robô inúmeras vezes, interessados em uma carga extremamente preciosa que ele levava a bordo - um refletor de laser que é um elemento essencial para pesquisas sobre a Teoria da Relatividade de Einstein e para uma melhor compreensão da Lua. Finalmente, em 2010, o robô lunar soviético foi encontrado. O Lunokhod-1, pesando 756 quilogramas, viajou 10,54 quilômetros na superfície da Lua entre 17 de novembro de 1970 e 29 de setembro de 1971, enviando para a Terra cerca de 25.000 imagens, incluindo 211 panorâmicas. Agora, cientistas franceses conseguiram usar seu "refletor de canto", um aparelho simples, que se encontra do lado de fora do Lunokhod-1 e reflete qualquer radiação eletromagnética que recebe. Ao contrário de um espelho, contudo, o refletor devolve o raio do mesmo ponto onde ele foi recebido. O aparelho é composto por 14 refletores triangulares, medindo no total 44 centímetros de comprimento por 19 centímetros de largura. O trabalho para fazer o robô soviético voltar à vida também parece simples: basta mirar um laser em seu refletor e monitorar quanto tempo ele leva para voltar. O problema é acertar um objeto de alguns centímetros de diâmetro localizado na Lua. Dois anos depois de saber onde estava o Lunokhod-1, Jean-Marie Torre e seus colegas do Observatório Côte d'Azur conseguiu o intento, e agora se preparam para tirar proveito científico de sua mira espacial. Os astrofísicos procuram por desvios na teoria da relatividade geral de Einstein medindo o formato da órbita lunar com uma precisão muito grande. Isto vem sendo feito medindo o tempo que leva para que a luz de um laser disparado da superfície da Terra reflita-se em quatro refletores ópticos deixados na Lua pelos astronautas da missão Apollo. Mas há duas vantagens enormes em contar com o refletor do robô espacial soviético. São necessários três refletores para determinar a orientação da Lua. Um quarto acrescenta informações sobre a distorção imposta pelas marés, e um quinto - o refletor do robô Lunokhod-1 - vai dar informações precisas sobre o ponto no espaço equivalente ao centro da Lua. O ponto central da Lua é de suma importância para mapear sua órbita com precisão suficiente para testar a teoria da relatividade. A segunda vantagem é que o Lunokhod-1 está em uma posição invejável, bem na borda visível da Lua. Apesar de a Lua estar sempre com a mesma face virada para a Terra, esse lado visível oscila ligeiramente. Os parâmetros desse balanço dependem, entre outros, da distribuição e da estrutura das rochas no interior do nosso satélite. Como o Lunokhod-1 está mais perto da borda do disco visível da Lua do que os outros refletores, ele se torna o instrumento ideal para estudar esse fenômeno. Dados das medições a laser indicam que a Lua se afasta da Terra cerca de 38 milímetros por ano, mas não há uma teoria definitiva para explicar a razão desse afastamento - uma das hipóteses mais aceitas propõe que a massa da Lua diminui em virtude de ela perder atmosfera, o que diminui a força de atração da Terra. Talvez o recém-ressuscitado Lunokhod-1 possa trazer alguma informação nova.

Fonte: Hypescience

A maior explosão já vista na Lua

Se o homem regressar algum dia à Lua, terá que tomar cuidado com o que cai do céu no nosso satélite. A NASA registrou o exato momento em que a Lua foi atingida por um meteoróide que provocou a maior explosão já observada na superfície lunar até o momento. O choque foi tão intenso que foi possível observá-lo a olho nu. Aliás, quem será que foram os sortudos que estavam observando a lua neste exato momento? A agência espacial norte-americana começou a monitorar os choques de meteoróides com a Lua há oito anos. Nesse período, astrônomos perceberam que a Lua é atingida por corpos celestes o tempo todo – centenas de impactos são registrados todos os anos. O que diferencia esse fragmento rochoso que chocou-se contra o satélite é a grandeza do impacto. A luz resultante do encontro foi dez vezes mais brilhante do que qualquer detecção anterior. A partir da observação terrestre, a luz teria a intensidade de uma estrela de magnitude 4. Estima-se que o meteoróide tinha cerca de 40 quilos e media entre 30 e 40 centímetros de largura. Apesar de ser relativamente pequena, a rocha viajava a 90.123 km/h no momento do choque, sem atmosfera para desacelerar a descida. Isso resultou numa explosão equivalente a cinco toneladas de dinamite.

Fonte: Hypescience

Pesquisadores brasileiros descobrem estrela gêmea do sol que pode revelar seu futuro

Essa descoberta científica veio de casa: pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) encontraram uma “estrela gêmea” do nosso sol, nomeada “CoRot Sol 1”, que possui massa e composição química equivalentes às do nosso astro rei. Por ser mais velha, a CoRot Sol 1 poderia ajudar a prever o futuro próximo da estrela central do nosso sistema solar, além de dar aos astrônomos a oportunidade de testar as atuais teorias da evolução estelar e solar. Os pesquisadores encontraram a estrela através de dados registrados pelo satélite CoRoT, lançado em 2006 e operado a partir do Havaí. O satélite CoRoT forneceu informações sobre mais de 250.000 estrelas aos pesquisadores. A partir desse material, eles criaram métodos de seleção até reduzir o número de candidatas a gêmeas solares a quatro. Por fim, apenas uma, a CoRot Sol 1, foi escolhida. O número 1 indica que os pesquisadores esperam encontrar mais astros semelhantes ao Sol. “Temos uma lista de 100 boas candidatas, além de trinta que foram descritas no artigo”, explica José Dias do Nascimento, professor do departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN, e principal autor do estudo. Observações feitas com o uso do telescópio Subaru, operado pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), indicam que CoRot Sol 1 tem cerca de 6,7 bilhões de anos, contra aproximadamente 4,5 bilhões do Sol – ou seja, ela é cerca de 2 bilhões de anos mais velha. CoRot Sol 1 tem um período de rotação de aproximadamente 29 dias, mais ou menos 5 dias, enquanto o período de rotação do Sol é estimado em 27 dias, mais ou menos 2 dias. Ao contrário das outras gêmeas solares, que são relativamente brilhantes, a CoRoT Sol 1 tem um brilho 200 vezes mais fraco do que o do Sol. Ela se localiza na constelação de Unicórnio, a 2.700 anos-luz de distância da Terra. Ela é a gêmea solar mais madura e distante da Via Láctea já encontrada. Uma vez que o Sol é a estrela mais próxima da Terra, tem sido extensivamente estudada em uma variedade de maneiras. Apesar dos esforços consideráveis dos astrônomos, no entanto, nós não sabemos ainda quão típica é nossa estrela. Exceto para as estrelas mais jovens, a verdadeira rotação daquelas semelhantes ao Sol é desconhecida, e existem poucos estudos de gêmeos solares maduros ou mais evoluídos. A descoberta de uma estrela mais velha com composição parecida com a do Sol pode ajudar cientistas a estudar o futuro do nosso astro, já que a massa e composição química de uma estrela são as características principais que determinam a sua evolução. “Em dois bilhões de anos, quando o Sol tiver a idade atual da CoRot Sol 1, a radiação emitida por ele deve aumentar e tornar a superfície da Terra tão quente que não haverá mais água no estado líquido”, conta Nascimento. A equipe planeja usar o telescópio Subaru para continuar a investigação sobre novas estrelas similares ao Sol. Além de Nascimento, a equipe de cientistas responsável pela descoberta é composta Jefferson Soares Costa e Matthieu Castro, também da UFRN, Yochi Takeda, do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ), Gustavo Porto de Mello, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Jorge Melendéz, da Universidade de São Paulo (USP). A descoberta foi descrita em um artigo intitulado “The Future of the Sun: An Evolved Solar Twin Revealed by CoRoT”, aceito para publicação no periódico Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Inovação Tecnológica

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O asteróide Ida e sua lua

Essa imagem colorida foi montada a partir de imagens feitas pelas câmeras da sonda Galileo aproximadamente 14 minutos antes de sua aproximação mais próxima do asteróide 243 Ida, em 28 de Agosto de 1993. A distância da nave era de aproximadamente 10.500 quilômetros. As imagens usadas são de uma sequência onde a lua de Ida foi originalmente descoberta, a lua pode ser visível à direita do asteróide. Essa imagem foi feita a partir de outras imagens obtidas através do filtro de 4100 angstrom (violeta), 7560 A (infravermelho) e do 9680 A (infravermelho). A cor é realçada no senso de que a câmera CCD é sensível aos comprimentos de onda do infravermelho próximo da luz que vai além da visão humana, uma imagem em cor natural do asteróide apareceria cinza em sua maior parte. As tonalidades nessa imagem indicam mudanças no ângulo de iluminação de muitos taludes íngremes da superfície irregular do corpo, bem como as sutis variações de cores devido às diferenças no estado físico e na composição do solo, o regolito. Existem áreas mais brilhantes, que aparecem mais azuladas nessa imagem, ao redor das crateras na parte superior esquerda do Ida, ao redor da pequena cratera brilhante perto do centro do asteróide, e perto da borda superior direita (limbo). Essa é uma combinação da luz azul mais refletida e a maior absorção da luz do infravermelho próximo, sugerindo uma diferença na abundância ou na composição de minerais de ferro nessas áreas. A lua de Id também tem uma profunda absorção no infravermelho próximo e uma diferente coloração no violeta do que qualquer área desse lado de Ida. A lua não é idêntica em propriedades espectrais a qualquer área de Ida na imagem aqui, apesar de sua similaridade geral em refletância e no tipo espectral geral sugerindo que ele é feito basicamente do mesmo tipo de rocha. Esses dados, combinados com estudos posteriores e dados de imagens posteriores e de espectros mais detalhados obtidos pelo Near Infrared Mapping Spectrometer , pode permitir os cientistas determinarem se o grande corpo do qual Ida, sua lua e alguns outros asteróides são fragmentos de um objeto diferenciado e aquecido, ou de material condrítico primitivo e relativamente não alterado.

Fonte: Cienctec

NGC 6240: uma colossal nuvem de gás que envlopa galáxias em colisão

Cientistas usaram o Chandra para fazer um estudo detalhado de uma enorme nuvem de gás quente que está envelopando duas grandes galáxias em colisão. Esse reservatório de gás contém massa equivalente a 10 bilhões de Sóis, se espalha por 300.000 anos-luz e irradia numa temperatura de mais de 7 milhões de graus Kelvin. Essa gigante nuvem de gás, que os cientistas chamam de halo está localizada no sistema chamado de NGC 6240. Os astrônomos têm por muito tempo conhecido o NGC 6240 como um local de fusão de duas grandes galáxias espirais parecidas com a Via Láctea. Cada galáxia contém um buraco negro supermassivo em seu centro. Os buracos negros estão espiralando um direção ao outro e podem eventualmente se fundirem formando um buraco negro ainda maior. Outra consequência da colisão entre as galáxias é que o gás contido em cada uma delas está sendo arrancado de forma violenta. Isso causa uma verdadeira explosão de surgimento de novas estrelas quem tem durado no mínimo 200 milhões de anos. Durante essa explosão de nascimento estelar, algumas das estrelas mais massivas aceleraram sua evolução e explodiram relativamente rápidas em supernovas. Os cientistas desenvolveram com esse estudo argumentos de que essa rápida explosão de supernovas dispersou uma quantidade relativamente alta de importantes elementos como o oxigênio, o neônio, o magnésio e o silício no gás quente das galáxias recentemente combinadas. De acordo com os pesquisadores, os dados sugerem que esse gás enriquecido tem se expandido e se misturado com o gás mais frio que já estava ali. Durante a explosão de novas estrelas, curtas explosões de formação estelar ocorreram. Por exemplo, a mais recente explosão de formação de estrelas durou cerca de cinco milhões de anos e ocorreu a aproximadamente 20 milhões de anos atrás. Contudo, os autores não acham que o gás quente tenha sido produzido apenas por essa curta explosão. O que esperar de futuras observações do sistema NGC 6240? Muito,provavelmente as duas galáxias espirais irão formar uma jovem galáxia elíptica no decorrer dos próximos milhões de anos. Não é claro ainda, contudo, quanto do gás quente pode ser retido por essa galáxia que será criada, e quanto será perdido para o espaço. Apesar disso, a colisão fornecerá a oportunidade de se testemunhar uma versão relativamente próxima de um evento que foi muito comum quando o universo era mais jovem quando as galáxias eram muito mais próximas e se fundiam com muito maior frequência Nessa nova imagem composta do sistema NGC 6240, os raios-X obtidos pelo Chandra, que revelam a nuvem de gás quente são coloridos em roxo. Esses dados foram combinados com dados ópticos obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble, que mostra longas caudas de maré das galáxias em fusão, se estendendo para a direita e para a parte inferior da imagem. Um artigo descrevendo esses novos resultados para o sistema NGC 6240 está disponível online e aparece na edição de 10 de Março de 2013 do The Astrophysical Journal. Os autores desse estudo são Emanuele Nardini do CfA, Junfeng Wang, do CfA, Pepi Fabbiano, do CfA, Martin Elvis, Silvia Pellegrini, da Universidade de Bolonha, Guido Risalti, do Observatorio Astrofísico di Arcetri, Margarita Karovska, do CfA e Andreas Zezas da Universidade de Creta.

Fonte: Cienctec

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Herschel encontra gás quente no menu do buraco negro da Via Láctea

O observatório espacial Herschel, da ESA, fez as observações mais detalhadas até hoje de uma nuvem molecular de gás surpreendentemente quente que pode estar orbitando ou caindo em direção a um buraco negro supermassivo que se localiza no centro da Via Láctea. Nosso buraco negro local está localizado na região conhecida como Sagittarius A*, ou somente Sgr A*, perto de uma fonte de rádio. Ele tem uma massa de aproximadamente quatro milhões de vezes a massa do Sol e localiza-se a aproximadamente 26.000 anos-luz de distância do Sistema Solar. Mesmo a essa distância ele é algumas centenas de vezes mais perto de nós do que qualquer galáxia com um buraco negro ativo em seu centro, fazendo dele um laboratório ideal para se poder estudar o ambiente ao redor desses enigmáticos objetos. Grandes quantidades de poeira localizam-se no plano da Via Láctea entre aqui e o centro, obscurecendo a nossa visão nos comprimentos de onda da luz visível. Mas nos comprimentos de onda do infravermelho distante, é possível espiar através da poeira, dando ao cientistas do Herschel a chance de estudar a turbulenta região interna da nossa galáxia em grande detalhe. O Herschel detectou uma grande quantidade de moléculas simples no coração da Via Láctea, incluindo monóxido de carbono, vapor d’água e cianeto de hidrogênio. Analisando a assinatura dessas moléculas, os astrônomos foram capazes de pesquisar algumas das propriedades fundamentais do gás interestelar que circunda o buraco negro. “O Herschel tem resolvido a emissão do infravermelho distante a uma distância de apenas 1 ano-luz do buraco negro, fazendo possível pela primeira vez nesses comprimentos de onda, separar a emissão devido à cavidade central daquela do disco molecular denso ao redor”, disse Javier Goicoechea, do Centro de Astrobiología, na Espanha, e principal autor do artigo que relata esses resultados. A grande surpresa foi descobrir quão quente o gás molecular localizado nas regiões mais internas da galáxia fica. No mínimo o gás tem uma temperatura por volta dos 1.000 graus Celsius, muito mais quente do que a temperatura das típicas nuvens interestelares que normalmente têm uma temperatura algumas dezenas de graus acima do zero absoluto, ou seja, acima dos -273 graus Celsius. Ao mesmo que o calor é baixo para explicar a radiação ultravioleta emitida de um aglomerado de estrelas massivas que vivem muito perto do centro galáctico, ele não é suficiente para explicar por si só as altas temperaturas. Em adição à radiação estelar, a equipe do Dr. Coicoechea hipotetizou que a emissão das fortes ondas de choque em um gás altamente magnetizado na região pode contribuir de forma significante para as altas temperaturas. Essas ondas de choque podem ser geradas nas colisões entre as nuvens de gás, ou no material fluindo às altas velocidades de estrelas e protoestrelas. “As observações são também consistentes com os fluxos de gás quente acelerando em direção a Sgr A*, caindo em direção ao centro da Galáxia”, disse o Dr. Goicoechea. “O buraco negro da nossa galáxia pode estar cozinhando seu jantar bem em frente aos olhos do Herschel”. Pouco antes do material cair no buraco negro, ele é aquecido e pode gerar raios-X de alta energia, e explosões de raios-gamma. Enquanto que a SGR A* atualmente mostra pouco sinal dessa atividade isso poderia mudar em breve. Usando observações do infravermelho próximo, outros astrônomos têm detectado uma nuvem de gás compacta e separada com apenas algumas poucas vezes a massa da Terra espiralando em direção ao buraco negro. Localizada muito mais perto do buraco negro do que o reservatório de material estudado pelo Herschel em seu trabalho, ela pode finalmente ser engolida mais para o final desse ano. Sondas incluindo o XMM-Newton da ESA e o Integral estarão esperando para registrar qualquer alta energia que possa ser emitida pelo buraco negro no momento em que ele estiver se alimentando. “O centro da Via Láctea é um região complexa, mas com essas observações do Herschel, nós estamos dando um importante passo na direção de melhorar o nosso entendimento sobre a vizinhança do buraco negro supermassivo, que ajudará e muito em melhorar a nossa imagem sobre a evolução da galáxia”, disse Göran Pilbratt, cientista de projeto do Herschel da ESA.

Fonte: Cienctec

Astrônomos flagram erupção recorde de raios gama

Astrônomos de todo o mundo ficariam extasiados com a maior explosão de energia já detectada até hoje. O fenômeno, classificado como uma erupção de raios gama (GRB 130427A), produziu a radiação de mais alta energia já detectada. "Nós esperamos muito tempo por uma explosão de raios gama tão chocante, tão brilhante, de encher os olhos," disse Julie McEnery, cientista-chefe do telescópio espacial Fermi, da NASA, que há poucos dias quase foi destruído em uma colisão com um lixo espacial. "A erupção de raios gama durou tanto que um número recorde de telescópios no solo foi capaz de capturá-la, enquanto as observações com os telescópios espaciais ainda continuam", disse McEnery. O fenômeno ocorreu às 04h47 da madrugada do dia 27 de Abril, gerando uma energia de pelo menos 94 bilhões de elétron-volts, mais de 35 bilhões de vezes a energia da luz visível. A erupção de raios gama não apenas foi três vezes mais forte do que o recorde anterior, como também durou horas, permitindo sua observação detalhada por vários telescópios. Com observações na faixa dos raios gama, infravermelho, radiofrequências e luz visível, o fenômeno deverá gerar uma série de artigos científicos, que serão publicados nos próximos meses. As erupções de raios gama são as explosões mais brilhantes do Universo. Os astrônomos acreditam que a maioria delas ocorre quando estrelas muito grandes ficam sem combustível nuclear e colapsam sob seu próprio peso. Conforme o núcleo colapsa em um buraco negro, jatos de material são arremessados para o espaço quase à velocidade da luz. Ao viajar pelo espaço, o material interage com o gás arremessado previamente pela estrela, emitindo um brilho intenso, que decai com o tempo. Se a erupção de raios gama ocorrer perto de nós o suficiente, os astrônomos costumam encontrar uma supernova no local uma semana ou menos após a explosão. Como esta não foi tão perto, espera-se que a supernova seja encontrada até meados de Maio.

Fonte: Inovação Tecnológica

sábado, 4 de maio de 2013

Hubble flagra cometa do século a caminho

Esta imagem feita pelo telescópio espacial Hubble mostra o cometa ISON - também conhecido como C/2012 S1 - a uma distância de 621 milhões de quilômetros do Sol (634 milhões de quilômetros da Terra). Quando foi descoberto, em Setembro de 2012, o ISON passou a ser chamado de "cometa do século" porque há chances de que ele se torne o maior cometa já visto da Terra. Se ele vai mesmo brilhar tanto quanto a Lua Cheia, ou se será um mero pontinho no céu, só será possível afirmar com mais certeza quando sua trajetória for determinada com mais precisão. Contudo, mesmo estando ainda tão longe, a imagem captada pelo Hubble mostra que o cometa já está ativo conforme a luz solar começa a aquecer sua superfície, fazendo seu miolo congelado começar a sublimar. A análise detalhada do envoltório de poeira em torno do núcleo sólido gelado revela um forte jato de partículas de poeira emergindo do lado do cometa voltado para o Sol. As medições preliminares sugerem que o núcleo do ISON tem entre 5 e 6,5 quilômetros de diâmetro. Segundo os pesquisadores, ele é pequeno demais para o alto nível de atividade observado até agora. Os astrônomos estão usando esses dados para avaliar o nível de atividade do cometa a fim de prever seu tamanho aparente no céu quando ele chegar a pouco mais de 1 milhão de quilômetros da superfície do Sol, em 28 de dezembro. ISON significa International Scientific Optical Network, um grupo de observatórios em dez países que se organizaram para detectar, monitorar e rastrear objetos no espaço.

Fonte: Inovação Tecnológica

Astrônomos brasileiros encontram 50 arcos gravitacionais

O projeto SOGRAS (SOAR GRavitational Arc Survey), iniciado em 2007 por um grupo de astrônomos de instituições de pesquisa brasileiras interessados na busca sistemática e análise de arcos gravitacionais, acaba de publicar seus primeiros resultados científicos. Na semana passada, um artigo na prestigiosa revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society divulgou um estudo realizado com cerca de 50 aglomerados de galáxias, mostrando fortes evidências de arcos gravitacionais em pelo menos seis deles. Arcos gravitacionais são imagens deformadas de galáxias distantes quando sua luz atravessa um intenso campo gravitacional, como aquele causado por aglomerados de galáxias, contendo, às vezes, milhares de galáxias num volume cósmico relativamente pequeno. Esse efeito, também conhecido como lenteamento gravitacional, ocorre porque a trajetória da luz se curva na presença da gravidade muito intensa do aglomerado, que então funciona como se fosse uma lente. Tendo sido previsto pela teoria da relatividade geral, proposta pelo físico Albert Einstein, o fenômeno que explica os arcos gravitacionais - o desvio da luz pela gravidade - foi comprovado experimentalmente em 1919, durante um eclipse total do Sol observado na cidade de Sobral (Ceará) e na Ilha de Príncipe. Na ocasião, foi possível medir o desvio da trajetória da luz de estrelas distantes causada pelo Sol. De grande utilidade para pesquisas em astrofísica e cosmologia, os arcos gravitacionais permitem mapear a distribuição total de matéria em galáxias e aglomerados e, portanto, "avaliar" a matéria escura, que não interage com a luz e que representa a maior parte da massa desses objetos. Além disso, como a luz das galáxias lenteadas percorre distâncias cosmológicas, estudos com arcos permitem estudar o cosmos em grandes escalas e, inclusive, entender melhor o que é outro componente desconhecido do Universo, a chamada energia escura. No Brasil, pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP) e Observatório Nacional (ON) - participantes do Laboratório Inter-institucional de e-Astronomia (LIneA) - juntaram-se a cientistas do Laboratório Nacional Fermi (Fermilab), nos Estados Unidos, para buscar arcos gravitacionais em aglomerados de galáxias. Há meia centena de aglomerados estudados pelo projeto foi selecionada a partir de dados obtidos pelo Sloan Digital Sky Survey (SDSS) - projeto responsável pelo mapeamento de uma grande área da esfera celeste e pela confecção da maior imagem já feita do Universo. Para cada um desses aglomerados foram obtidas imagens em alta resolução pelo telescópio SOAR, que possui um espelho de 4 metros e está localizado no Chile, na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de 2.700 metros, em um dos melhores sítios astronômicos do planeta. A participação brasileira no SOAR, construído em parceria pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, e Inovação (MCTI), U.S. National Optical Astronomy Observatory, Universidade da Carolina do Norte e Universidade do Estado de Michigan, é coordenada pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). De acordo com Martín Makler, pesquisador do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e membro do Projeto SOGRAS, o futuro das pesquisas com arcos gravitacionais deve seguir a mesma filosofia de selecionar sistemas em imagens de grande área para um estudo mais detalhado com telescópios de maior resolução. Por isso, afirma, serão utilizados dados do Dark Energy Survey (DES), provavelmente o maior levantamento óptico para a cosmologia desta década, para identificar os sistemas. O DES entrou em operação no ano passado e conta com uma forte participação brasileira, coordenada pelo LineA (Laboratório Inter-institucional de e-Astronomia). O acompanhamento mais detalhado será novamente feito com o Gemini e SOAR, além de telescópios do Observatório Europeu Austral (ESO), mas desta vez utilizando um recurso inovador, conhecido com "óptica adaptativa", que permite melhorar em muito a resolução das imagens, conclui Martín.

Fonte: Inovação Tecnológica