quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Primeiro mapa geológico da maior lua do Sistema Solar

Mais de 400 anos após a sua descoberta pelo astrônomo Galileu Galilei, a maior lua do Sistema Solar - a lua de Júpiter, Ganimedes - finalmente reivindicou um lugar no mapa. Um grupo de cientistas liderados por Geoffrey Collins de Wheaton College produziu o primeiro mapa geológico global de Ganimedes, a sétima lua de Júpiter. O mapa combina as melhores imagens obtidas durantes passagens rasantes das sondas Voyager 1 e 2 (1979) e da sonda Galileu (entre 1995 e 2003) e foi agora publicado pelo USGS (U. S. Geological Survey) como um mapa global. Ilustra tecnicamente o caráter geológico variado da superfície de Ganimedes e é o primeiro mapa global geológico desta lua gelada. "Este mapa ilustra a incrível variedade de recursos geológicos em Ganimedes e ajuda a fazer ordem a partir do caos aparente da sua complexa superfície," afirma Robert Pappalardo do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Este mapa ajuda os cientistas planetários a decifrar a evolução deste mundo gelado e ajudará nas observações de futuras sondas espaciais." Prevê-se que a missão JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer) da ESA orbite Ganimedes em meados de 2032. A NASA está a contribuir com um instrumento e a ajudar na construção de outros dois para a missão. Desde a sua descoberta em Janeiro de 1610, Ganimedes tem sido o foco de observações repetidas, primeiro por telescópios terrestres, mais tarde por missões passageiras e outras em órbita de Júpiter. Estes estudos mostram um complexo mundo gelado cuja superfície é caracterizada pelo forte contraste entre os seus dois tipos principais de terreno: as regiões escuras, muito antigas e altamente crateradas, e as regiões mais claras e um pouco mais jovens (mas ainda muito antigas) marcadas com uma extensa série de sulcos e cumes. De acordo com os cientistas que construíram este mapa, foram identificados três grandes períodos geológicos que envolvem o domínio de crateras de impacto, seguido de convulsão tectônica e finalmente por um declínio na atividade geológica. O mapa, que ilustra características da superfície, como sulcos, ranhuras e crateras de impacto, permite aos cientistas decifrar pela primeira vez períodos geológicos distintos num objeto do Sistema Solar exterior. "O mapa colorido, altamente detalhado, confirmou um número de hipóteses científicas acerca da história geológica de Ganimedes, e também refutou outras," realça Baerbel Luchitta, cientista emérita do USGS em Flagstaff, no Arizona, que esteve envolvida no mapeamento geológico de Ganimedes desde 1980. "Por exemplo, as imagens mais detalhadas da Galileu mostraram que o criovulcanismo, ou a criação de vulcões que expelem água e gelo, é muito raro em Ganimedes." O mapa geológico global de Ganimedes vai permitir aos cientistas comparar o caráter geológico de outras luas geladas, porque quase qualquer outro tipo de característica aí encontrada existe também em Ganimedes. "A superfície de Ganimedes corresponde a mais de metade da área com terra no nosso planeta, de modo que há uma grande diversidade de locais para escolher," acrescenta Collins. "Ganimedes também mostra características antigas ao lado de características mais jovens, acrescentando diversidade histórica além de diversidade geográfica." Os astrônomos amadores podem observar Ganimedes (com binóculos ou telescópio) durante estas noites, Júpiter está em oposição e é facilmente visível.

Créditos: Astronomia On-line

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

VST fotografa a missão Gaia a caminho de um bilhão de estrelas

Estas novas imagens obtidas pelo Telescópio de Rastreio do VLT (VST) do ESO, mostram a sonda Gaia da ESA situada a cerca de 1,5 milhões de quilômetros além da órbita da Terra. Lançada na manhã de quinta-feira, 19 de dezembro de 2013, a sonda tem por objetivo construir um mapa em três dimensões da nossa Galáxia durante os próximos cinco anos. Mapear o céu tem sido uma das demandas da humanidade desde o início dos tempos e Gaia levará a compreensão da nossa vizinhança estelar a um novo nível. A sonda medirá com extrema precisão as posições e os movimentos de cerca de um bilhão de estrelas na nossa Galáxia, explorando a composição, formação e evolução da Via Láctea. Estas novas observações são o resultado de uma estreita colaboração entre a ESA e o ESO, que visa monitorar o satélite a partir do solo. Gaia é o instrumento astrométrico mais preciso já construído, mas de modo a que as suas observações sejam úteis é necessário saber com perfeita exatidão a sua posição. A única maneira de saber a velocidade e posição da sonda com extrema precisão consiste em observá-la diariamente a partir do solo – com o auxílio de telescópios incluindo o VST do ESO numa campanha conhecida por Ground-Based Optical Tracking (GBOT). O VST é um telescópio de vanguarda de 2,6 metros equipado com a OmegaCAM, uma enorme câmara CCD de 268 milhões de pixels, com um campo de visão quatro vezes a área da Lua Cheia. O VST obteve estas imagens com o auxílio da OmegaCAM a 23 de janeiro de 2014, com uma diferença de 6,5 minutos uma da outra. Gaia vê-se claramente como um pequeno ponto que se desloca sobre o fundo imóvel das estrelas. A sua localização está indicada em vermelho. Nestas imagens a sonda é cerca de um milhão de vezes mais tênue do que o que pode ser detectado a olho nu.

Créditos: Cienctec

Cruzando a Dingo Gap em Marte

Um importante marco em Marte acabou de ser cruzado. Depois de chegar em Marte em meados de 2012, o rover Curiosity da NASA está buscando por pistas de se a vida pôde ter existido em algum momento no Planeta Vermelho. Descobertas recentes do Curiosity, incluem evidências para um antigo (mas agora seco) lago de água doce, e a não detecção de biomarcadores de metano na atmosfera marciana. Para continuar sua investigação, o rover, que tem o tamanho de um carro, está em uma expedição a caminho do Monte Sharp, o pico central da grande cratera onde o Curiosity pousou. A vida pode ter tido uma preferência para a água que uma vez escorreu da montanha marciana. Duas semanas atrás, para evitar um perigoso e rochoso terreno, o Cuuriosity foi direcionado para seguir através de uma duna de areia de um metro de altura que bloqueava uma entrada útil para o Monte Sharp. Logo depois da sua curta jornada sobre a região chamada de Dingo Gap, o rover robótico fez a imagem acima mostrando o já atravessado monte de areia coberto com o rastro de suas rodas.

Créditos: APOD

Ele está vivo! China retoma contato com jipe na superfície da Lua

Após um complicado período de hibernação, a agência espacial chinesa conseguiu reestabelecer contato com o jipe-robô Yutu e espera agora corrigir os problemas que praticamente deram a missão por encerrada. Para os engenheiros, há grandes chances de o jipe voltar a operar normalmente. "Yutu voltou à vida", exclamou Pei Zhaoyu, um dos responsáveis pela missão Chang'e 3, assim que recebeu a informação de telemetria enviada pelo jipe ao módulo de pouso. Os dados confirmavam que os novos comandos e a instrução de reset enviada ao computador de bordo haviam surtido efeito e o jipe estava novamente pronto para receber as novas instruções. Apesar de ser uma boa notícia, os engenheiros chineses ainda não conseguiram fazer o explorador operar da mesma forma que antes do período de hibernação, já que o jipe-robô parece não estar executando fielmente as ordens solicitadas. Apesar disso, embora seja uma recuperação parcial, o fato do robô estar em contato com o centro de controle da missão e recebendo as instruções enviadas mostra que existem boas chances de recuperação e prosseguimento da missão, programada para durar três meses. Uma noite na Lua dura 14 dias terrestres e nesse período a temperatura cai a cerca de 180 graus Celsius negativos. De modo a sobreviver, uma série de operações automáticas ocorre um dia antes da hibernação. O painel solar se volta em direção ao lado onde o Sol nasce. Em seguida, o mastro com as câmeras e a antena de alto-ganho se dobra sobre o deck, isolando o interior e as câmeras que são mantidos aquecidos pela ação da unidade de radioisótopos. Yutu pousou na Lua em 14 de dezembro de 2013 e entrou no primeiro período de hibernação em 26 de dezembro. Em 11 de janeiro "acordou" e continuou a explorar a Lua até 26 de janeiro, quando entrou no segundo período de dormência. O problema é que alguma coisa na sequência automática não aconteceu da maneira esperada e os passos não foram executados por completo. Os comandos enviados ao jipe passaram a não surtir efeito e por pouco a missão não foi dada por encerrada. Agora, com a retomada das comunicações, há uma nova chance de Yutu prosseguir a exploração chinesa, coletando valiosas informações que serão usadas na próxima missão completa, quando rochas lunares deverão ser colhidas e trazidas à Terra.

Créditos: Apolo 11

NASA soluciona o mistério da pedra marciana que apareceu “do nada”

O mistério de Pinnacle Island foi resolvido! Falando assim parece algum caso de detetive, e é mais ou menos, só que não há nenhum crime envolvido. Pinnacle Island é o nome que foi dado à misteriosa pedra que apareceu “do nada” na frente do rover Opportunity, em janeiro deste ano. Para quem está perdido, em 8 de janeiro, a sonda fez uma fotografia de uma parte do terreno e descobriu um pedaço de pedra esbranquiçada que não estava ali antes, quando havia feito uma foto do mesmo local em 26 de dezembro de 2013. A explicação poderia ser algo tão prosaico como uma pedra que o rover tivesse deslocado ao manobrar (ele não ficou parado durante aqueles dias) ou então algo tão espetacular quanto um pedaço de um meteorito ou uma pedra deslocada por um meteorito que veio parar ali. No meio da especulação que se seguiu, houve até quem tentasse processar a NASA para “obrigá-la” a admitir que se tratava de um fungo, um cogumelo, exigindo que o mesmo fosse analisado com mais atenção. Querelas judiciais à parte, os engenheiros e cientistas da agência espacial norte-americana levaram a sério seu trabalho e partiram para descobrir do que se tratava aquele objeto. O primeiro passo foi se afastar um pouco da cena do crime e dar uma olhada nela. Seguindo as trilhas do robô, eles notaram que, um pouco acima de onde estava “Pinnacle Island” (nome dado à pedra) havia uma rocha com aspecto semelhante e mesma composição. Ficou claro, então, o que havia acontecido – o robô havia arrancado um pedaço da rocha ao manobrar ao lado dela, pedaço que rolou um pouco adiante. Fim do mistério? Em parte. A rocha em si é muito interessante. O espectrômetro do robô revelou altos níveis de manganês e enxofre, sugerindo que estes compostos foram concentrados na rocha pela ação da água. Mais ainda – esta ação parece ter ocorrido recentemente, logo abaixo da superfície, ou então pode ter acontecido em uma camada mais profunda que foi revelada pela erosão, em mais um caso de serendipidade. Mais um mistério marciano para resolver.

Créditos: Hypescience

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Céus vermelhos descobertos em anã marrom extrema

Um exemplo peculiar de corpo celeste, conhecido como anã marrom, com céus excepcionalmente vermelhos foi descoberto por uma equipe de astrônomos do Centro para Pesquisa de Astrofísica da Universidade de Hertfordshire. Os cientistas publicaram os seus resultados na revista "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society". As anãs marrons situam-se na linha entre as estrelas e os planetas. São demasiado grandes para serem consideradas planetas; e não têm material suficiente para fundir hidrogênio nos seus núcleos e desenvolverem-se como estrelas. São objetos de massa intermédia entre estrelas, como o nosso Sol, e os planetas gigantes, como Júpiter e Saturno. Por vezes descritas como estrelas falhadas, não têm uma fonte de energia interna - por isso são frias e muito tênues, e continuam a arrefecer com o passar do tempo. A anã marrom, de nome ULAS J222711-004547, chamou a atenção dos cientistas devido à sua aparência extremamente avermelhada em comparação com anãs marrons "normais". Observações subsequentes com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e o uso de uma técnica inovadora de análise de dados mostraram que a razão para a sua peculiaridade é a presença de uma camada muito espessa de nuvens na sua atmosfera superior. Federico Marocco, que liderou a equipe de pesquisa da Universidade de Hertfordshire, afirma: "Estes não são os tipos de nuvens que vemos na Terra. As nuvens espessas nesta anã marrom em particular são principalmente constituídas por poeira mineral, como enstatite e corindo. "Não só fomos capazes de inferir a sua presença, como também conseguimos estimar o tamanho dos grãos de poeira nas nuvens." O tamanho dos grãos de poeira influencia a cor do céu. Um céu avermelhado numa anã marrom sugere uma atmosfera repleta de partículas de poeira e umidade. Se os nossos céus da manhã são avermelhados, é porque o céu limpo a Leste permite com que o Sol ilumine a parte inferior de nuvens que vêm de Oeste. Por outro lado, a fim de ver nuvens vermelhas ao anoitecer, a luz do Sol deve ter um caminho livre a Oeste de modo a iluminar as nuvens a Leste. No entanto, a anã marrom recentemente descoberta (ULAS J222711-004547) tem uma atmosfera muito diferente, onde o céu é sempre vermelho. Os planetas gigantes do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, mostram várias camadas de nuvens, incluindo amônia e sulfeto de hidrogênio bem como vapor de água. A atmosfera observada nesta anã marrom em específico é mais quente - com vapor de água, metano e provavelmente alguma amônia mas, invulgarmente, é dominada por partículas minerais argilosas. Uma boa compreensão de como uma atmosfera tão extrema funciona nos ajudará a melhor entender a gama de atmosferas que podem existir. Avril Day-Jones, do mesmo instituto universitário, que contribuiu para a descoberta e análise, realça: "ULAS J222711-004547 é uma das anãs marrons mais vermelhas já observadas, o que a torna num alvo ideal para múltiplas observações em ordem a compreender o clima numa atmosfera tão extrema." "Ao estudar a composição e variabilidade na luminosidade e cores de objetos como este, podemos compreender como o clima funciona nas anãs marrons e como se relaciona com outros planetas gigantes."

Créditos: Astronomia On-line

Sinais de rádio indicam que módulo chinês saiu da hibernação

Duas reproduções dos receptores de rádio feitas por um grupo de radioamadores mostram que o módulo lunar Chang'e-3 saiu do período de hibernação. Apesar da boa notícia, não há qualquer informação sobre o estado do jipe-robô, que não responde a comandos terrestres. As reproduções mostradas não são oficiais e foram divulgadas pelo grupo independente UHF-satcom, que detectou o sinal enviado pelo módulo chinês na frequência de 8496 MHz. O grupo também captou o sinal de uplink em 7209 MHz enviado pela agência espacial chinesa, que ao bater na Lua foi refletido de volta à Terra. De acordo com o UHF-satcom, não há registro de qualquer sinal enviado pelo jipe-robô, o que vem a confirmar a possível perda de contato entre o explorador. O módulo de pouso e o jipe-robótico entraram em hibernação no dia 25 de janeiro por um período programado de 14 dias, mas informações divulgadas pelo ministério da ciência, tecnologia e defesa da China - SASTIND - davam conta que uma anomalia havia ocorrido com o explorador. A nota era breve e informava que a pane ocorrera em decorrência de um "complicado ambiente na superfície lunar", sem, no entanto, dar maiores detalhes. Segundo informações da agência espacial chinesa, os cientistas estavam trabalhando para identificar o problema, mas até agora nada foi informado. Uma noite na Lua dura 14 dias terrestres e nesse período a temperatura cai a cerca de 180 graus Celsius negativos. De modo a sobreviver, uma série de operações automáticas ocorre um dia antes da hibernação. O painel solar se volta em direção ao lado onde o Sol nasce. Em seguida, o mastro com as câmeras e a antena de alto-ganho se dobra sobre o deck, isolando o interior e as câmeras que são mantidos aquecidos pela ação da unidade de radioisótopos.

Créditos: Apolo 11

Incrível imagem de superburaco negro que impediu a formação de trilhões de estrelas

Imagine um grupo de galáxias tão imenso, que sua massa se compare a um quadrilhão de vezes a massa do nosso sol — um grupo tão massivo que brilha intensamente na faixa do raio-X. Imagine que este grupo esteja dentro de uma nuvem de gás tão quente que emite luz na faixa do ultravioleta. E imagine uma imensa galáxia elíptica no centro do aglomerado, contendo um buraco negro tão imenso e tão poderoso que impede a formação de um trilhão de estrelas. Pare de imaginar. É esta imagem que você tem acima. Em púrpura, a enorme bolha de gás. As partes escuras são os buracos criados pelo buraco negro, com cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro — o tamanho da nossa Via Láctea. Estes buracos emitem ondas de choque poderosas, que podem estar impedindo a formação de novas estrelas. O nome do grupo de galáxias na foto é RX J1532.9+3021 (mas pode chamar de RX J1532), e está a cerca de 3,9 bilhões de anos da Terra. A imagem é uma combinação de fotos do telescópio de raio-X Chandra, mostrando o gás quente em púrpura, e uma foto feita pelo Telescópio Espacial Hubble, mostrando as galáxias em amarelo. Agora, o mistério. O gás deveria esfriar com o tempo, e a região central, mais densa, deveria esfriar mais rapidamente e ser incorporada pela galáxia, formando novas estrelas, trilhões delas. Mas não é isto que está acontecendo. Mesmo em outros aglomerados de galáxias, como o aglomerado Fênix, a formação de novas estrelas é intensa. O que está parando RX J1532? Enormes disparos de rádio criaram buracos na nuvem de gás, empurrando-o para os lados. As ondas de choque causadas pela expansão das cavidades reverberam por toda a nuvem e impedem que a mesma esfrie, e forme novas estrelas. Com tanta coisa acontecendo, os astrônomos criaram uma hipótese para explicar tudo – o buraco negro não é apenas supermassivo, é ultramassivo, ou seja, tem uma massa superior a 10 bilhões de massas solares. Um buraco negro tão imenso é capaz de produzir jatos altamente energéticos usando bem pouca matéria. Outra hipótese é que o buraco negro nem é tão imenso assim – teria cerca de um bilhão de massas solares, mas estaria girando extremamente rápido. Mesmo assim, seria um buraco negro extremamente massivo. E os mistérios ainda não acabaram. Há um buraco na nuvem de gás que está desalinhado com os pólos do buraco negro. Por quê? Os astrônomos acham que a nuvem de gás pode ter um movimento próprio em torno do buraco negro, ou então o buraco negro a está “balançando” como um pião.

Créditos: Hypescience

Descoberta estrela mais antiga que se conhece

Astrônomos australianos descobriram aquela que é a mais velha estrela que se conhece. E ela não está nos confins do Universo, mas aqui nas vizinhanças, dentro da Via Láctea, a pouco mais de 6.000 anos-luz da Terra. Sendo tão velha, ela se formou antes que própria Via Láctea, integrando-se à multidão de estrelas que formam nossa galáxia por algum processo de aglomeração posterior. Stefan Keller e seus colegas da Universidade Nacional Australiana e de várias outras instituições calculam que essa estrela ancestral tenha 13,6 bilhões de anos de idade. O "problema" é que o último cálculo sobre a idade do Universo estabelece que o Big Bang teria acontecido 13,82 bilhões de anos atrás. E, para atender às teorias, nesses poucos mais de 200 milhões de anos tem que ter havido tempo suficiente para a criação e destruição das chamadas estrelas primordiais, gigantes azuis que explodiram rapidamente como supernovas, e que teriam sido responsáveis pela criação dos outros elementos da Tabela Periódica - o Big Bang só teria produzido hélio, hidrogênio e lítio. Para calcular a idade da estrela-vovó - que atende pelo nome codificado de SMSS J031300.36-670839.3 - os astrônomos usaram a quantidade de ferro em sua composição. "A luz das estrelas escapa das reações de fusão de hidrogênio que ocorrem no seu interior e, à medida que a luz passa através das camadas exteriores, os átomos dos elementos químicos presentes absorvem a luz em comprimentos de onda específicos," explica o Dr. Keller. "O espectro da luz das estrelas traz impresso assim uma impressão digital química única, expressa em linhas de absorção que nos dizem quais elementos estão presentes nelas, e qual a sua abundância," conta ele. No caso do Sol, há milhões de linhas de absorção, revelando a presença de todos os elementos e suas combinações. A estrela recém-descoberta, porém, só mostra sinais de hidrogênio, carbono, magnésio e cálcio - virtualmente nenhum ferro, que deveria ter sido produzido conforme as reações de fusão da estrela vão produzindo elementos cada vez mais pesados. "O teor de ferro do Universo aumenta com o tempo, conforme sucessivas gerações de estrelas se formam e morrem. [Assim,] podemos usar a abundância de ferro de uma estrela como um 'relógio' qualitativo que nos diz quando a estrela foi formada," explica Keller. O cálculo resulta em 13,6 bilhões de anos. Por que essa estrela nunca foi destruída nas "sucessivas gerações de estrelas" é algo ainda a ser explicado. O fato é que ela tem realmente algo de especial, uma vez que os astrônomos afirmam ter analisado - computacionalmente, é claro - nada menos do que 60 milhões de estrelas para encontrar somente essa com tais características. Por sorte, devido à proximidade que a estrela está da Terra, será possível tirar a prova das teorias procurando por planetas ao seu redor - se ela for mesmo tão velha, e pertencente à segunda geração de estrelas do Universo, nada sólido deverá ser encontrado em sua órbita, já que o disco estelar original da qual ela se formou não tinha elementos pesados. Outra hipótese é que o cálculo da idade da Universo talvez não esteja correto. Já se conhece pelo menos uma estrela cuja idade aparenta ser maior do que os 13,82 bilhões do Big Bang. Mais recentemente, assim que foi inaugurado, o telescópio ALMA mostrou descobertas questionadoras sobre a linha do tempo da formação estelar estabelecida pela teoria padrão, mostrando que talvez o Universo possa estar escondendo sua idade verdadeira.

Créditos: Inovação Tecnológica

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Empresa privada pretende lançar espaçonave em 2016

A Sierra Nevada Corporation (SNC) anunciou que sua nave espacial será lançada em 1º de novembro de 2016, mas sem tripulantes. O primeiro lançamento tripulado está planejado para 2017. As informações são do site Mashable. A empresa fez um acordo com a United Launch Alliance, uma companhia que presta serviços de lançamentos espaciais para o governo americano. A nave da SNC será lançada por um foguete Atlas V de Cabo Canaveral. A SNC está entre as três empresas que receberam US$ 1,1 bilhão há dois anos da Nasa para desenvolver espaçonaves para levar astronautas ao espaço. Atualmente, os Estados Unidos têm que recorrer à Rússia para levar ao espaço seus homens (pagando mais de US$ 70 milhões por assento), já que o programa dos ônibus espaciais chegou ao fim. As outras companhias que receberam a verba são a Boeing e SpaceX (sendo que esta já leva cargas para a Estação Espacial Internacional). O programa da Nasa está entrando em sua fase final, que resultará em um contrato com a companhia vencedora para levar os astronautas à Estação Espacial.

Créditos: Terra

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rover Curiosity da NASA faz imagem colorida de sua possível rota por pequeno vale em Marte

A equipe que opera o rover Curiosity da NASA em Marte, provavelmente irá guiar o rover na direção sobre uma duna e cruzará um vale com poucas rochas afiadas e que representam ameaças para as rodas do rover do que outros caminhos alternativos. Uma decisão final se o rover passará através desse vale ou não será tomada durante uma “caminhada” de avaliação planejada para acontecer essa semana em direção ao topo da duna, que localiza-se através do Dingo Gap. A duna tem cerca de 1 metro de altura no seu centro, e é cercada em ambos os lados por duas escarpas baixas. Uma imagem colorida, adquirida pela Mast Camera, ou Mastcam, do Curiosity, no lado leste da duna, mostra detalhes do vale que o rover poderá cruzar nesse mês de Fevereiro de 2014. O Mars Science Laboratory Project da NASA está usando o rover Curiosity para acessar antigos ambientes habitáveis e as grandes mudanças ocorridas nas condições ambientais marcianas. O JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, construiu o rover e gerencia o projeto para o Science Mission Directorate da NASA em Washington.

Créditos: Cienctec

Rover Curiosity da NASA faz imagem da Terra e da Lua no céu de Marte

A imagem acima mostra a visão do rover Curiosity da NASA em Marte de seu planeta mãe, a Terra, e com a Lua logo abaixo dela. As imagens foram feitas, cerca de 80 minutos depois do pôr-do-Sol, durante o 529º dia de trabalho do Cuuriosity em Marte, que correspondeu ao dia 31 de Janeiro de 2014. Essas imagens estão disponíveis em http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA17936 para uma cena completa do céu noturno e em http://photojournal.jpl.nasa.gov/catalog/PIA17935 para uma visão mais detalhada e que mostra a Terra e a Lua. O Mars Science Laboratory Project da NASA está usando o rover Curiosity para acessar os antigos ambientes habitáveis e as maiores mudanças que ocorreram nas condições ambientais marcianas. O JPL, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, construiu o rover e gerencia o projeto para o Science Mission Directorate da NASA em Washington.

Créditos: Cienctec

NGC 2683

A galáxia espiral NGC 2683 tem uma barra cruzando o seu centro? Como ela é muito parecida com a nossa Via Láctea, que é uma galáxia barrada, podemos apostar que sim. Porém, estando quase que totalmente de lado para nós, é difícil dizer. De qualquer jeito, essa maravilhosa ilha do universo, catalogada como NGC 2683, localiza-se a 20 milhões de anos-luz de distância da Terra na constelação do céu do norte da Terra, do Gato (Lynx). A NGC 2683 é vista quase de lado nessa imagem que combina dados e imagens do telescópio terrestre Subaru e do Telescópio Espacial Hubble. Galáxias mais distantes são vistas espalhadas em segundo plano na imagem. Misturando a luz de uma grande população de estrelas velhas amareladas, ocorre a formação do brilhante núcleo galáctico. A luz das estrelas marca a silhueta das linhas de poeira ao longo dos espalhados braços espirais, pontuados com o brilho azul dos jovens aglomerados de estrelas jovens nas regiões de formação de estrelas da galáxia.

Créditos: APOD

Kepler descobre um planeta muito oscilante

Imagine viver num planeta com estações tão erráticas que dificilmente conseguíamos saber o que vestir, se calções ou casaco. É o que se passa num estranho mundo descoberto pelo telescópio espacial Kepler da NASA. O planeta, designado Kepler-413b, precessa (ou oscila) descontroladamente no seu eixo de rotação. A inclinação do eixo de rotação do planeta pode variar até 30 graus ao longo de 11 anos, levando a mudanças rápidas e irregulares nas estações. Em contraste, a precessão da Terra é de 23,5 graus ao longo de mais de 26.000 anos. Os investigadores estão espantados que este planeta distante precesse numa escala de tempo humana. Kepler-413b está localizado a 2.300 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne. Orbita um par de anãs laranja e vermelha a cada 66 dias. A órbita do planeta em torno do sistema binário também parece oscilar, porque o plano da sua órbita está inclinado 2,5 graus em relação ao plano da órbita do par estelar. Vista a partir da Terra, a órbita oscilante move-se para cima e para baixo continuamente. O Kepler descobre planetas ao examinar diminuições de brilho numa estrela ou estrelas quando um planeta transita, ou passa em frente delas. Normalmente, os trânsitos planetários funcionam como um relógio. Os astrônomos descobriram a oscilação quando descobriram um padrão invulgar no trânsito de Kepler-413b. "Olhando para os dados do Kepler ao longo de 1.500 dias, vimos três trânsitos nos primeiros 180 dias - um trânsito a cada 66 dias - e depois tivemos 800 dias sem trânsitos. Seguidamente, vimos mais cinco trânsitos," realça Veselin Kostov, investigador principal da observação. Kostov está ligado ao STScI (Space Telescope Science Institute) e à Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado americano de Maryland. O próximo trânsito visível a partir da perspectiva da Terra só está previsto para 2020. Isto porque a órbita move-se para cima e para baixo, um resultado da oscilação que faz com que por vezes não transite as estrelas quando visto da Terra. Os astrônomos estão ainda tentando explicar o porquê deste planeta estar desalinhado com as suas estrelas. Podem existir outros corpos planetários no sistema que inclinaram a órbita. Ou pode até existir uma terceira estrela vizinha, uma companheira visual que está ligada gravitacionalmente ao sistema e que exerce influência sobre ele. "Presumivelmente, existem por aí planetas como este que não vemos porque encontramo-nos num período desfavorável," realça Peter McCullough, membro da equipe, também do STScI e da Universidade Johns Hopkins. "E isso é uma das coisas que Veselin investiga: será que existe uma maioria silenciosa que não estamos vendo?" Mesmo com as suas mudanças de estação, Kepler-413b é demasiado quente para a vida como a conhecemos. Dado que orbita muito perto das estrelas, as suas temperaturas são demasiado elevadas para a água existir no estado líquido à sua superfície, o que o torna inabitável. É também um "super Netuno" - um gigante gasoso com uma massa cerca de 65 vezes superior à da Terra - portanto, não existe uma superfície que a possa suportar.

Créditos: Astronomia On-line

A espetacular explosão azul de Marte

Estamos tão acostumados a ver a ferrugem do planeta vermelho que é difícil de reconhecer que esta é a superfície de Marte. Esta cratera de impacto causou uma explosão tão grande que arrancou material sob a superfície espalhando-o a uma distância de até 15 km, apesar da cratera ter cerca de 30m de diâmetro. A foto foi feita em 2012 pela sonda MRO, da Nasa, que orbita o planeta a 2.500km de altitude. Ela teve suas câmeras inauguradas em 2006 e ainda está funcional. Estima-se que o impacto na superfície marciana ocorreu em 2010.

Créditos: Hypescience

Asteróide é formado por materiais de diferentes densidades

Asteróides não são pedregulhos sem graça e homogêneos como se acreditava - na verdade, pelo menos um deles tem uma estrutura interna bastante variada. Astrônomos descobriram que partes diferentes do asteróide Itokawa têm densidades diferentes. O Itokawa foi o asteróide visitado pela sonda japonesa Hayabusa, pousando sobre ele em Novembro de 2005. Descobrir o que se encontra no interior dos asteróides, além de revelar segredos sobre a sua formação, pode dar informações sobre a formação dos planetas e luas. Com o auxílio de observações muito precisas obtidas com um telescópio do ESO, no Chile, Stephen Lowry e seus colegas da Universidade de Kent mediram agora a velocidade na qual o asteróide Itokawa gira e como essa taxa de rotação varia com o tempo. Combinando estas observações com um trabalho teórico sobre como os asteróides irradiam calor e com o formato de amendoim do Itokawa, eles traçaram um mapa de densidade do asteróide. Os resultados mostram que densidade do interior do asteróide varia de 1.750 a 2.850 quilogramas por metro cúbico (kg/m3) - para comparação, o granito tem uma densidade de 2.750 kg/m3, enquanto um solo comum tem uma densidade que varia entre 1.000 e 1.500 kg/m3. Se os cálculos estiverem corretos, o asteróide Itokawa deve ter sido formado pela junção de dois corpos - esta é a explicação encampada pelos cientistas -, ou era um objeto maior que está sendo desgastado durante sua vida, o que parece razoável pela sua aparência de uma pedra que parece estar perdendo uma cobertura similar a um cascalho. "Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteróide", explica Lowry. "Podemos ver que o Itokawa tem uma estrutura extremamente variada - esta descoberta é um importante passo na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar". A rotação de um asteróide e de outros pequenos corpos no espaço pode ser afetada pela luz solar, irradiada de volta como calor. Quando a forma do asteróide é muito irregular, o calor não é irradiado de modo homogêneo, o que cria no corpo um torque, pequeno mas contínuo, que muda a sua taxa de rotação - esse efeito é conhecido como YORP (iniciais dos autores da teoria: Yarkovsky-O'Keefe-Radzievskii-Paddack). Os dados mostram que a rotação do Itokawa está acelerando 0,045 segundo por ano. Este resultado é muito diferente do esperado e a única explicação que os astrônomos encontraram é que as duas partes do Itokawa têm densidades diferentes. "Descobrir que os asteróides não têm interiores homogêneos tem implicações importantes, particularmente para os modelos de formação de asteróides binários. Este resultado poderá igualmente ser aplicado em trabalhos que visam diminuir as colisões de asteróides com a Terra ou em planos para futuras viagens a estes corpos rochosos," concluiu Lowry.

Créditos: Inovação Tecnológica

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Depois do fogo

Os pontos amarelos que se destacam contra as planícies de refletância menor nessa imagem, são na verdade uma série de aberturas piroclásticas que se espalham aproximadamente de -60º de latitude, dentro da cratera Hesiod, até aproximadamente -51º. Essas aberturas, acredita-se, tenha sido originadas de erupções explosivas, guiadas por gases vulcânicos. Apesar de serem encontradas por todo o planeta Mercúrio, essa região contém um dos maiores agrupamentos de aberturas em todo o planeta.

Créditos: MESSENGER

Encontrado colossal “rio” de hidrogênio correndo pelo espaço

Usando o telescópio Robert C. Byrd Green Bank Telescope (GBT), da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, o astrônomo D. J. Pisano da Universidade de West Virginia descobriu o que poderia ser um “rio” de hidrogênio nunca antes visto. Este filamento muito tênue de gás flui no espaço para a galáxia próxima NGC 6946, e pode ajudar a explicar como certas galáxias espirais possuem um ritmo constante de formação de estrelas. “Sabíamos que o combustível para a formação de estrelas tinha que vir de algum lugar. No entanto, só havíamos detectado cerca de 10% do que seria necessário para explicar o que observamos em muitas galáxias”, explicou Pisano. “A principal teoria era de que os rios de hidrogênio – conhecidos como fluxos frios – podiam transportar hidrogênio através do espaço intergaláctico, clandestinamente alimentando a formação de estrelas. Esse tênue hidrogênio tinha sido simplesmente demasiado difuso para se detectar, até agora”. As galáxias espirais como a nossa Via Láctea normalmente mantêm um ritmo bastante tranquilo e constante de formação de estrelas. Outras, como a NGC 6946, localizada a aproximadamente 22 milhões de anos-luz da Terra, na fronteira das constelações de Cefeu e do Cisne, são muito mais ativas, embora menos do que galáxias de explosões estelares mais extremas. Isso levanta a questão do que está alimentando a formação de estrelas em NGC 6946 e galáxias espirais similares. Estudos anteriores da vizinhança galáctica em torno NGC 6946 com o telescópio de rádio Westerbork Synthesis (WSRT), nos Países Baixos, revelaram uma auréola prolongada de hidrogênio. Essa característica é comum em galáxias espirais. A auréola pode ser formada por hidrogênio ejetado do disco da galáxia pela intensa formação de estrelas e explosões de supernovas. Um fluxo frio, no entanto, seria formado por hidrogênio vindo de uma fonte completamente diferente: gás do espaço intergaláctico que nunca foi aquecido a temperaturas extremas por processos de nascimento ou morte de estrelas em uma galáxia. Usando o GBT, um telescópio muito mais sensível, Pisano foi capaz de detectar o brilho emitido pelo gás hidrogênio que conecta NGC 6946 a seus vizinhos cósmicos. Astrônomos teorizam há muito tempo que galáxias maiores poderiam receber um fluxo constante de hidrogênio frio ao puxarem o gás de outras companheiras menos maciças. Ao olhar para NGC 6946, o GBT detectou exatamente o tipo de estrutura filamentar que estaria presente em um fluxo frio, embora haja outra explicação provável para o que foi observado. Também é possível que, em algum momento no passado, esta galáxia teve um encontro próximo e passou por seus vizinhos, deixando uma “fita” de hidrogênio atômico neutro em seu rastro. Se for esse o caso, no entanto, deve haver uma população pequena, mas perceptível de estrelas nos filamentos. Mais estudos ajudarão a confirmar a natureza desta observação, e o possível papel que os fluxos frios desempenham na evolução das galáxias.

Créditos: Hypescience

Cientistas descobrem nova classe de estrelas hipervelozes fugindo da Via Láctea

Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt (EUA) descobriu uma nova classe de estrelas de hipervelocidade, que está viajando para fora da Via Láctea. Diferente da maioria das outras estrelas de hipervelocidade conhecidas, as 20 estrelas recentemente encontradas não saíram em sua rota superveloz depois de interagir com o buraco negro no centro da nossa galáxia, um corpo maciço cuja influência gravitacional normalmente fornece o pontapé necessário para a viagem. “Essas novas estrelas de hipervelocidade são muito diferentes das que foram descobertas anteriormente. As originais são estrelas azuis grandes, e parecem ter se originado a partir do centro da galáxia. Nossas novas estrelas são relativamente pequenas – do tamanho do sol – e a parte surpreendente é que nenhuma delas parece ter vindo do núcleo galáctico”, explica a autora principal do estudo, Lauren Palladino. As potenciais novas estrelas foram descobertas através do Sloan Digital Sky Survey, um levantamento que mapeia o caminho de corpos como o Sol na Via Láctea. Deixar a galáxia exige uma quantidade fenomenal de energia. Estrelas precisam atingir velocidades 1,6 milhões km/h mais rápidas do que a velocidade de 970.000 km/h que objetos já se movem em torno da Via Láctea. A maioria das estrelas de hipervelocidade fazem parte de um par binário que chegou muito perto do buraco negro supermassivo no centro da sua galáxia. Conforme uma delas é sugada em direção ao buraco negro, a outra é arremessada rápido o suficiente para deixar a galáxia. Estrelas ejetadas por buracos negros têm uma composição diferente das estrelas descobertas. As 20 novas estrelas têm a mesma composição de discos estelares normais, então a equipe não pensa que elas vieram do núcleo ou halo da galáxia. “Nenhuma destas estrelas de hipervelocidade vêm a partir do centro, o que implica que há uma nova classe inesperada de estrela hipervelozes. Uma com um mecanismo de ejeção diferente”, pondera Palladino. E qual a possibilidade da equipe do estudo estar errada sobre as observações? De acordo com os pesquisadores, cálculos precisos requerem medições realizadas ao longo de décadas, por isso, algumas das estrelas podem não estar de fato viajando tão rápido quanto aparentam. Para minimizar os erros, eles realizaram diversos testes estatísticos. “Apesar de alguns dos nossos candidatos poderem ser observações falsas, a maioria é real”, explica Palladino. “A grande questão é, o que impulsionou essas estrelas até suas velocidades extremas?”, pergunta outra pesquisadora do estudo, Kelly Holley-Bockelman. “Estamos trabalhando nisso agora”.

Créditos: Hypescience

Procurando vida nos locais errados

Os cientistas há muito que focam a sua busca por vida extraterrestre em planetas semelhantes à Terra - mas de acordo com um cientista da Universidade McMaster no Canadá, isso pode ser um erro. O astrofísico René Heller do Instituto Origins da Universidade McMaster diz que o nosso planeta pode não ser o lugar mais ideal para a vida e que os cientistas precisam também de considerar planetas diferentes da Terra, os chamados planetas "superhabitáveis". Estes planetas têm provavelmente o dobro ou o triplo da massa da Terra e são muito menos montanhosos. São também provavelmente mais velhos. "A Terra apenas raspa a orla interna da zona habitável do Sistema Solar - a área onde as temperaturas permitem com que planetas como a Terra tenham água líquida à superfície," realça Heller. "Então, a partir desta perspectiva, a Terra é apenas marginalmente habitável. Isto levou-nos a pensar: será que existe algum ambiente mais hospitaleiro para a vida em planetas terrestres?" Heller e o co-autor John Armstrong da Universidade Estatal Weber descrevem os planetas superhabitáveis num artigo publicado no início de Janeiro na revista Astrobiology. Aí, descrevem algumas das características destes potenciais planetas. Têm muitos corpos de água pouco profundos (em vez de um pequeno número de grandes oceanos), um "termostato" global mais confiável que impede eras glaciais e um escudo magnético para proteger o planeta da radiação cósmica. Heller diz que a teoria significa que os astrônomos devem apontar os seus telescópios para planetas que até agora não atraíram muita atenção na busca por vida extraterrestre. "Propomos uma mudança de foco," afirma. "Queremos priorizar pesquisas futuras para planetas habitados. Estamos dizendo: 'não se concentrem apenas em planetas tipo-Terra se realmente querem encontrar vida.'" Mas será que vale a pena ter a discussão sobre quais planetas observar? Qual a probabilidade de encontrarmos vida noutro planeta? "Estatisticamente falando, eu diria que é muito pouco provável que não exista nada lá fora," realça Heller. "Pela primeira vez na história, temos a capacidade - tanto técnica como intelectual - para encontrar e classificar planetas potencialmente habitados. É apenas uma questão de como gastar o nosso tempo de observação." Heller espera que o artigo sirva como um ponto de partida para o debate sobre a superhabitabilidade. Ele acrescenta que poderá levar algum tempo até a comunidade científica ter outra opinião. "Quando seguimos um certo padrão durante décadas, pode ser difícil mudar de idéias."

Créditos: Astronomia On-line

Água em poeira cósmica sugere que vida é universal

Jogar um punhado de poeira de estrelas sobre um planeta pode ter um efeito tão mágico quanto parece. O efeito, por exemplo, de semear a vida no planeta. Isso porque os grãos de poeira que flutuam através do nosso sistema solar contêm minúsculas bolsas de água, formadas quando os grãos de poeira são atingidos por rajadas de vento solar, que é carregado eletricamente. A reação química que faz isso acontecer já tinha sido replicada em laboratório, mas esta é a primeira vez que foi encontrada água presa dentro de poeira estelar real. Combinados com achados anteriores de compostos orgânicos em asteróides e em poeira interplanetária, os resultados sugerem estes grãos podem conter os ingredientes básicos necessários para o surgimento da vida. Como grãos de poeira semelhantes devem existir em todos os sistemas planetários pelo universo, este é um bom indício da existência de vida em todo o cosmos. De fato, os sistemas planetários estão cheios de poeira, resultante de muitos processos, incluindo o esfacelamento de cometas. "As implicações são potencialmente enormes," disse Hope Ishii, da Universidade do Havaí, participante do estudo. "É uma possibilidade particularmente emocionante que este afluxo de poeira sobre as superfícies dos corpos dos sistemas planetários tenha funcionado como uma chuva contínua de pequenos reatores contendo tanto a água quanto os compostos orgânicos necessários para a eventual origem da vida." A pesquisadora se baseia também em outros estudos de laboratório, que mostram que minúsculas gotas de água são reatores muito mais propícios às reações químicas do que a água em grandes quantidades, em lagos e rios, por exemplo. O grupo de pesquisadores encontrou a água inspecionando a camada externa de partículas de poeira interplanetária coletadas na estratosfera da Terra. Microscópios de última geração permitiram analisar grãos de poeira de 5 a 25 micrômetros de diâmetro, o que revelou inclusões fluidas, minúsculas bolsas de água presa logo abaixo da superfície da poeira interestelar. O processo pelo qual a água pode se formar no interior desses grânulos minúsculos, por sua vez, parece ser bem compreendido. A poeira é composta principalmente de silicatos, que contêm oxigênio. Conforme viaja através do espaço, ela recebe o impacto do vento solar, uma corrente de partículas carregadas eletricamente - incluindo íons de hidrogênio de alta energia - que é ejetada da atmosfera do Sol. Quando os dois se chocam, hidrogênio e oxigênio combinam-se para formar água. Como a poeira interplanetária deve "chover" sobre a Terra desde os seus primórdios, é possível que o material tenha trazido água para o nosso planeta, embora seja difícil conceber como esse processo poderia explicar os milhões de quilômetros cúbicos de água que cobrem a Terra hoje. "De forma nenhuma sugerimos que isso tenha sido suficiente para formar oceanos," reconhece Ishii, bem mais realista do que colegas seus, que já falaram em "oceanos de água" em disco planetário. De qualquer forma, pode ser uma bela irrigação de vida em um planeta com precondições propícias para a vida.

Créditos: Inovação Tecnológica

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Hubble ajuda a resolver o mistério das galáxias ultra compactas

Astrônomos combinando o poder do Telescópio Espacial Hubble, e dos telescópios infravermelhos Spitzer e Herschel, com telescópios baseados na superfície da Terra, conseguiram montar uma imagem coerente da história de formação das estrelas mais massivas no universo, desde a explosão inicial da formação violenta de estrelas, passando pela sua aparência como núcleos galácticos com alta densidade estelar e finalizando com o seu destino final como gigantes elípticas. Isso resolve um mistério que dura décadas sobre como as galáxias compactas de forma elípticas que existiam quando o universo tinha somente 3 bilhões de anos de vida, ou seja, um quarto da idade atual do universo de 13.8 bilhões de anos, já tinham completado sua formação estelar. Essas elípticas compactas têm sido agora definitivamente integradas diretamente com uma população anterior de galáxias de explosão de estrelas empoeiradas que vorazmente usaram o gás disponível para gerar estrelas de forma bem rápida. Então elas cresceram lentamente por meio de fusão à medida que a formação de estrelas nelas diminuía, e elas eventualmente tornaram-se galáxias elípticas gigantes. “Essa é a primeira vez que alguém agrupa uma amostra espectroscópica representativa de galáxias ultra compactas, com a alta qualidade de imageamento infravermelho do Hubble”, disse Sune Toft do Dark Cosmology Center no Niels Bohr Institute em Copenhagen. “Nós mostramos como essas galáxias compactas podem se formar, como isso aconteceu e quando isso aconteceu”, disse Toft. “Essa é basicamente a peça que faltava no entendimento sobre como as galáxias mais massivas se formaram, e como elas se desenvolveram tornando-se as gigantescas galáxias elípticas que observamos hoje. Esse tem sido um grande mistério por muitos anos pois apenas 3 bilhões de anos depois do Big Bang nós observamos que a maior parte das galáxias já haviam completado a sua formação de estrelas”. Ainda mais surpreendente, disse Toft, essas galáxias massivas, uma vez foram extremamente compactas, se comparadas com as galáxias elípticas similares vistas hoje no universo próximo. Isso significa que as estrelas foram amontoadas de 10 a 100 vezes mais densas do que o que é observado nas galáxias atualmente. “Essa é uma densidade comparada à densidade de estrelas em aglomerados globulares, mas numa escala muito maior, de uma galáxia”, disse Toft. Ao tentar criar uma sequência evolucionária conjunta para essas galáxias massivas compactas, Toft identificou seus progenitores como as galáxias altamente obscurecidas pela poeira submetidas a uma rápida formação de estrelas em taxas que são milhares de vezes mais rápidas do que na nossa Via Láctea. Explosões de estrelas nessas galáxias são provavelmente disparadas quando duas galáxias ricas em gás colidem. Essas galáxias são tão empoeiradas que elas são quase invisíveis em comprimentos de onda óticos, mas são brilhantes em comprimentos de onda submilimétricos, onde elas foram identificadas, aproximadamente há duas décadas atrás pela câmera SCUBA (Submillimeter Common-User Balometer Array) acoplada ao Telescópio James Clerk Maxwell no Havaí. A equipe de Toft, pela primeira vez agrupou amostras representativas de duas populações de galáxias usando o rico conjunto de dados no programa COSMOS (Cosmic Evolution Survey) do Hubble. Eles construíram a primeira amostra representativa das galáxias compactas com distâncias e tamanhos precisos (desvio para o vermelho espectroscópico) medidos dos programas CANDELS (Cosmic Assembly Near-Infrared Deep Extragalactic Legacy Survey) e 3D-HST do Hubble. O 3D-HST é uma pesquisa espectroscópica no infravermelho próximo feita pelo Hubble para estudar os processos físicos que formaram as galáxias no universo distante. Os astrônomos combinaram esses dados com observações do Telescópio Subaru no Havaí e com dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Isso permitiu que os astrônomos conseguissem estimar de forma precisa a idade das estrelas, de onde eles concluíram que as galáxias se formaram em intensas explosões de estrelas entre 1 bilhão a 2 bilhões de anos antes, no universo bem recente. A equipe então fez a primeira amostra representativa das galáxias mais distantes submilimnétricas usando os ricos dados do COSMOS do Hubble, Spitzer, e do Herscehl, e de telescópios com base em solo terrestre como o Subaru, o James Clerk Maxwell e o Submillimeter Array. Essa informação multi-espectral, desde a luz ótica até os comprimentos de onda submilimétricos forneceu um conjunto completo de informações sobre os tamanhos, as massas estelares, as taxas de formação de estrelas, o conteúdo de poeira, e as distâncias precisas das galáxias escondidas na poeira presentes no início do universo. Quando a equipe de Toft comparou as amostras dessas duas populações galácticas, eles descobriram um elo entre as galáxias compactas elípticas e as galáxias submilimétricas observadas entre 1 bilhão e 2 bilhões de anos antes. Essas observações mostram que a atividade violenta de formação de estrelas nas galáxias anteriores tinham as mesmas características que tinham sido previstas para as progenitoras das galáxias elípticas compactas. A equipe também calculou que a intensa atividade de explosão de estrelas durou cerca de 40 milhões de anos antes que o suprimento de gás interestelar se exaurisse.


Créditos: Cienctec

Rover chinês pode ter sido vítima da poeira lunar

Um "coelho" valente na Lua pode ter tido um fim prematuro. A agência de notícias do estado chinês sugere que o rover Yutu - ou "coelho de Jade" - parou de funcionar apenas seis semanas após o início da sua missão de três meses. O "lander" chinês Chang'e-3 aterrou na Lua no passado dia 14 de Dezembro e libertou o rover Yutu cerca de 7 horas depois. Ambas as máquinas entraram com sucesso no modo de hibernação durante a sua primeira noite lunar. Na Lua, as noites duram metade de um mês terrestre e as temperaturas à superfície descem de mais ou menos 90º C para -180º C. A segunda noite lunar chegou no Sábado, e embora o "lander" esteja novamente hibernando, o Yutu parece ter falhado. A agência Xinhua anunciou que o rover sofreu uma falha de controle mecânico devido à "complicada superfície lunar". A Administração Estatal da China para a Ciência, Tecnologia e Indústria não forneceu detalhes adicionais. Durante a noite lunar, as partes móveis mais críticas do Yutu são o seu mastro e os painéis solares. Quando as temperaturas mergulham, o mastro está desenhado para dobrar para baixo e proteger instrumentos delicados, que podem então ser aquecidos por uma fonte radioativa de calor. O Yutu também precisa de colocar o painel solar num ângulo direcionado para um ponto onde o Sol nasce e sobe em ordem a manter os níveis de energia. Uma falha mecânica nestes sistemas pode deixar o rover exposto ao frio e à escuridão. Quanto ao que provocou o mau funcionamento, o suspeito principal é a abrasiva poeira lunar. O solo lunar é triturado por impactos de micrometeoróides num pó vítreo que pode ficar carregado à medida que é bombardeado por partículas solares. Durante o programa Apollo estes grãos afiados desgastaram as roupas dos astronautas, arranharam espelhos usados para as experiências laser e sobreaqueceram os "jipes" lunares. Os engenheiros da equipe podem tomar medidas para evitar a entrada de poeira dentro destes sistemas importantes. A poeira lunar pode ser carregada eletrostaticamente e pode agarrar-se a partes sensíveis. A mudança brusca de temperatura quando a Lua passa do dia para a noite pode também colocar um enorme stress sobre os sistemas mecânicos e pode danificar as peças móveis do rover. Não é possível comunicar com o rover durante a noite lunar, por isso os controladores da missão terão que esperar até 8 de Fevereiro para determinar a extensão dos danos.

Créditos: Astronomia On-line

Grande mancha solar ressurge e já tem novo nome: AR1967

26 dias após surgir no limbo leste do Sol e criar expectativas, a gigantesca mancha solar AR1944 está de volta. Trazida de volta ao campo visual devido à rotação da estrela, a mancha foi rebatizada como AR 1967 e já pode ser vista no limbo leste do disco fulgurante. Com praticamente metade do tamanho original, a região ativa AR 1967 perdeu as características magnéticas originais de configuração beta-gama-delta e neste momento apresenta configuração bipolar menos intrincada do tipo beta-gama. Esse tipo de configuração magnética é suficientemente complexo a ponto de ser impossível traçar uma linha contínua entre os pontos de polaridades opostas e podem ser responsáveis por emissões de flares solares de intensidade moderada. Nas últimas 48 horas esta região emitiu diversos flares de raios-x, entre eles um de classe M4.9 responsável por ejeção de massa coronal não dirigida à Terra. Da mesma forma que AR1944, nos próximos dias esse grupo de manchas estará novamente voltado para a Terra e deverá ser monitorado com mais atenção. Toda vez que um grupo de manchas solares (uma região ativa) é detectado lhe é atribuído um número sequencial. Essa numeração teve início em 5 de janeiro de 1972 e desde então a NOAA, Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, dos EUA, ficou responsável por essa função. O nome do grupo de manchas é composto da inicial "AR", que significa Active Region, seguida de um bloco de quatro números. Em 14 de junho de 2002 a NOAA chegou ao número 10.000 e para manter a compatibilidade com o padrão adotado, resolveu-se suprimir o quinto dígito. Assim, a mancha solar AR1967 é na realidade AR11967. Isso significa que desde 1972 já foram observadas quase 12 mil regiões ativas na superfície do Sol.

Créditos: Apolo 11