quarta-feira, 30 de julho de 2014

Cientistas encontram evidência do objeto que gerou nossa Lua

Há anos os cientistas buscam evidências de Theia, um misterioso objeto do tamanho de Marte que faz parte de uma teoria sobre a geração de nossa lua. Segundo a hipótese, Theia teria impactado com a Terra cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, enviando uma nuvem de detritos para o espaço que mais tarde formou nosso satélite. A maioria dos modelos de computador prevê que entre 70 e 90% da lua é Theia que, como quase todos os planetas do sistema solar, deve ter uma composição isotópica única. Se a Lua realmente se formou principalmente de Theia, os cientistas afirmam que ela teria uma composição química um pouco diferente da Terra. No entanto, até agora, a Lua tem se revelado muito parecida com nosso planeta em sua composição. Por conta disso, hipóteses alternativas ditam que a lua se formou a partir de materiais do nosso próprio mundo. Agora, finalmente pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, dizem ter encontrado impressões digitais químicas de Theia na Lua. “Nós desenvolvemos uma técnica que garante a separação perfeita de isótopos de oxigênio de outros gases”, disse o principal pesquisador do estudo, Daniel Herwartz. Ele e sua equipe analisaram vários meteoritos lunares e três amostras de rocha de basalto trazidas pelas equipes das missões Apollo 11, Apollo 12 e Apollo 16 da NASA, que aconteceram entre 1969 e 1972. Com base na concentração ligeiramente maior de isótopos de oxigênio nas amostras lunares, a mistura real de Theia e da Terra na Lua pode estar mais perto de 50-50%. De acordo com os pesquisadores, isso ainda tem que ser confirmado. O artigo foi publicado na revista Science. Outras equipes de cientistas têm estudado elementos da Lua como titânio, silício, cromo, tungstênio e outros, e até agora essas amostras não apresentam diferenças detectáveis em amostras da Terra. “Este trabalho é o primeiro a reclamar essa diferença”, disse a cientista planetária Robin Canup, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado (EUA). “A diferença relatada entre a Terra e a Lua é extremamente pequena – pequena o suficiente para haver debate sobre se é real ou fruto da interpretação dos dados”, acrescentou. A equipe alemã planeja agora analisar antigas rochas da Terra para descobrir que material foi adicionado ao planeta após a formação da Lua, a fim de ver se isso explica a pequena variação em isótopos de oxigênio encontrada no estudo.

Fonte: Hypescience

Kepler-421b: David Kipping apresenta um mundo em trânsito detectado além da Linha de Neve

Encontrar um “Netuno Quente” é 9.000 vezes mais fácil que achar um exoplaneta tipo Netuno após a “linha de neve”, a região circunvizinha de uma estrela fria o suficiente para que grãos de gelo se formem em um sistema solar. Agora, David Kipping (Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics), nos apresenta o exoplaneta Kepler-421b. Trata-se de um mundo interessante sobre o qual Kipping tem enviado provocativas mensagens através do tweeter nos últimos dias. Kepler-421b chama a atenção da comunidade astronômica porque seu período orbital é longo, da ordem de 704 dias [terrestres]. Isto faz dele o exoplaneta detectado pela técnica do trânsito como a órbita mais distante de sua estrela hospedeira. Este intrigante novo mundo reside a 1.000 anos luz de distância da Terra na direção da constelação de Lira. O método de trânsito trabalha na detecção da redução do brilho estelar quando um exoplaneta se move em frente de sua estrela na direção visual a partir da Terra. O que é incomum em relação ao Kepler-421b é que este exoplaneta se moveu apenas duas vezes desde que o Observatório Espacial Kepler passou a monitorar o sistema Kepler 421. Conforme Kipping explica na página da CfA, quanto mais longe o exoplaneta orbita de sua estrela menor a probabilidade de que o mesmo passe em frente da estrela e seja visto a partir da Terra. De acordo com os cálculos de Kipping, há uma minúscula chance de 0,3% de um exoplaneta como Kepler-421b ser observado em trânsito. Nós devemos ficar felizes por esta descoberta ao considerarmos o quão difícil é encontramos mundos como este através das técnicas de trânsito exoplanetário. Também conhecida com a “linha de congelamento”, a “linha de neve” em nosso Sistema Solar é o divisor entre os planetas rochosos do Sistema Solar Interior, que vai até Marte, e o Sistema Solar Exterior que abrange os gigantes gasosos, de Júpiter até Netuno. O resultado é que o tipo de planeta que se forma depende de que parte ele pertence durante a fase primordial da formação planetária, isto é, se ele nasceu dentro ou fora da “linha de neve”. De acordo com a teoria básica de formação planetária, em geral, os gigantes gasosos se formam além da “linha de congelamento”, onde as temperaturas são frias o suficiente para condensar a água em grãos de gelo que se agrupam para criar mundos muito ricos em gelo e água. Estas descobertas têm implicações importantes, uma vez que temos descoberto um grande número de “Júpiteres quentes” e “Netunos quentes” que orbitam bem no interior dos seus respectivos sistemas, longe da “linha de neve”. Tal reforça os cenários de migrações de planetas onde os gigantes gasosos se formam além da “linha de neve” e se move para o interior do seu sistema solar como resultado de interações gravitacionais com outros corpos. Entretanto, no caso em questão, Kepler-421b, orbita sua estrela anã laranja classe K em uma distância de 177 milhões de quilômetros, sendo um gigante gasoso que talvez nunca tenha migrado, e o primeiro exemplo de um exoplaneta nesta situação a ser descoberto usando o método do trânsito. A “linha de neve” se move ao longo do tempo à medida que o sistema planetário jovem se desenvolve. Cálculos do time liderado por Kipping mostram que quando o sistema Kepler-421 tinha cerca de 3 milhões de anos de idade, no início da era da formação planetária, a “linha de neve” deste sistema deveria residir aproximadamente na distância atual onde Kepler-421b atualmente orbita. Este exoplaneta tem praticamente o tamanho de Urano, cerca de 4 vezes o tamanho da Terra. Isto é um indício que Kepler 421b se formou tardiamente, em um momento onde não havia material suficiente para permitir que este mundo crescesse até ficar tão grande quanto Júpiter. Mas, será mesmo que Kepler-421b é verdadeiramente um gigante gelado ou este mundo poderia ser um grande exoplaneta rochoso? As evidências atuais sugerem a primeira opção. Embora calcular cenários detalhados da formação planetária de Kepler-421b esteja fora do escopo do presente trabalho, argumentos simples sugerem que Kepler-421b é um planeta congelado que se formou além da “linha de neve”. Com um raio aproximado de 4 R⊕ e uma densidade de pelo menos 5 g/cm3, se Kepler-421b fosse um planeta rochoso então teria que ter uma massa de pelo menos 60 M⊕. Para um massivo planeta crescer até esta massa o disco protoplanetário teria que abrigar esta massa na faixa dos 1 a 2 UA. Pelo que sabemos, discos protoplanetários tão massivos como este são relativamente raros. Então, um Kepler-421b rochoso nos soa improvável. Para o caso do Kepler-421b, a formação in situ é uma alternativa razoável para a formação e migração a partir dos semieixos principais. Comparando com resultados de cálculos previamente publicados, a escala de tempo para produzir um planeta com 10-20 M⊕ é comparável ou maior ao tempo de vida médio de vida do disco protoplanetário. Assim, a formação de planetesimais gelados é bastante provável. Se uma migração significativa através do gás e dos planetesimais que sobraram pode ser evitada, Kepler-421b permaneceu perto da ‘zona de alimentação “, no qual se formou. Vamos colocar este exoplaneta no contexto: consideremos que Marte orbita o Sol a cada 780 dias [terrestres] em comparação com os 704 dias da órbita de Kepler-421b (em volta, como mencionado acima, de uma estrela menor anã-laranja da Classe K, mais fria e menos massiva que o Sol). Os cálculos dos cientistas indicam uma temperatura na superfície da ordem de -93,15ºC. Em artigos recentes, citados por Kipping e sua equipe, sugerem que planetas próximos ao limiar da linha de neve podem ser comuns, mas encontrá-los por métodos de trânsito vai ser bem difícil por causa da probabilidade baixa do trânsito. Quanto à detecção através da técnica de velocidade radial, o planeta representa o que o artigo chama de “um desafio significativo para as instalações observacionais atuais”. No entanto, mas a determinação da massa de mundos como este poderia nos ajudar a entender a relação entre massa e raio à medida que avançamos para mais longe da estrela mãe.

Fonte: Astronomia On-line

Uma tempestade solar que poderia acabar com a civilização moderna quase nos atingiu em 2012

Como você deve ter percebido, o mundo não acabou em 2012, mas foi por pouco. Segundo a NASA, uma tempestade solar grande o suficiente para “levar a civilização moderna de volta para o século XVIII” passou raspando pela Terra naquele ano. O clima espacial extremo atravessou a órbita do nosso planeta em 23 de julho de 2012 e era o mais poderoso em 150 anos, de acordo com um comunicado publicado no site da agência espacial dos EUA. No entanto, poucos terráqueos tinham idéia do que estava acontecendo na época. “Se a erupção tivesse ocorrido apenas uma semana antes, a Terra teria sido pega na linha de fogo”, aponta Daniel Baker, professor de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, nos EUA. Em vez disso, a nuvem de tempestade atingiu a nave espacial STEREO-A, um observatório solar que é “quase idealmente equipado para medir os parâmetros de um evento como esse”, de acordo com a NASA. Os cientistas analisaram a grande quantidade de dados coletados e concluíram que, caso atingisse a Terra, a tempestade teria sido comparável à maior tempestade espacial registrada, que aconteceu em 1859 e ficou conhecida como o evento Carrington. Ela também teria sido duas vezes pior do que a tempestade solar registrada em 1989, que atingiu com força Quebec, no Canadá. “Analisando nossos estudos recentes, estou mais convencido do que nunca de que a Terra e os seus habitantes tiveram uma sorte incrível que essa erupção em 2012 aconteceu quando aconteceu”, comemora Baker. A Academia Nacional de Ciências dos EUA afirma que o impacto econômico de uma tempestade como a que aconteceu em 1859 poderia custar à economia moderna mais de dois trilhões de dólares e causar danos que levariam anos para ser reparados. Especialistas explicam que as tempestades solares podem causar blecautes generalizados e a desativação de tudo entre o rádio até o GPS, passando pelo abastecimento de água, que geralmente conta com bombas elétricas. Tais tempestades começam com uma explosão na superfície do Sol, conhecida como labareda solar, enviando raios-X e radiação UV extremos em direção à Terra à velocidade da luz. Partículas energéticas como elétrons e prótons vêm em nossa direção horas mais tarde, podendo eletrificar satélites e danificar aparelhos eletrônicos. Em seguida, aparecem as ejeções de massa coronal, nuvens de bilhões de toneladas de plasma magnetizado que levam um dia ou mais para atravessar o espaço entre o Sol e a Terra. Elas são muitas vezes desviadas pelos escudos magnéticos da Terra, mas um golpe direto poderia ser devastador. Há uma chance de 12% de uma “super” tempestade solar, do tamanho do evento Carrington, atingir a Terra nos próximos 10 anos, segundo o físico Pete Riley, que publicou um artigo na revista Space Weather no início deste ano sobre o tema. Sua pesquisa foi baseada em uma análise de registros de tempestades solares nos últimos 50 anos. “Inicialmente, fiquei bastante surpreso que as chances eram tão altas, mas as estatísticas parecem estar corretas”, indica Riley.

Fonte: Hypescience

Épsilon de Auriga: o misterioso piscar de uma estrela gigante

Desde o século 19, um misterioso fenômeno acontece na constelação de Auriga, sem que os cientistas saibam exatamente por que. Ali, a cada 27 anos, a gigantesca estrela Épsilon perde metade de seu brilho e permanece assim por dois anos, até que lentamente se fortalece novamente. Afinal, o que acontece em Épsilon de Auriga? Situada a cerca de 2 mil anos-luz da Terra e medindo quase 6 bilhões de quilômetros de raio, Épsilon de Auriga é a mais forte candidata ao posto de maior estrela conhecida. É tão grande que se fosse colocada no centro do Sistema Solar chegaria até a órbita de Urano, o penúltimo planeta a partir do Sol. O último "apagão" de Épsilon de Auriga começou em agosto de 2009 e em dezembro do mesmo ano atingiu seu ponto de menor brilho, provavelmente eclipsada por um escuro objeto. A natureza desse objeto - provavelmente uma estrela - ainda é motivo de acalorados debates por parte dos pesquisadores, uma vez que suas características ainda não foram observadas diretamente. Em 2011 a estrela voltou a brilhar até retornar ao seu brilho máximo, condição que se mantêm até agora. Um modelo apresentado em 2008 e que ganhou bastante popularidade mostra que esse objeto companheiro seria um sistema estelar binário, rodeado por um disco de poeira maciço e opaco de poeira, mas recentes observações feitas pelo telescópio espacial Spitzer mostram que Épsilon de Auriga é eclipsada por uma única estrela envolta em um disco de poeira de 600 milhões de quilômetros de raio e 75 milhões de quilômetros de espessura. As teorias que afirmavam que o objeto seria uma estrela grande e semitransparente ou até mesmo um buraco negro já foram descartadas.

Fonte: Apolo 11

Órbita de galáxias contradiz modelo cosmológico

Uma análise de cerca de 380 grandes galáxias mostrou que as pequenas galáxias satélites que as rodeiam organizam-se em discos girando ao redor das galáxias líderes. Isto contradiz o modelo cosmológico atual, que afirma que as galáxias satélites deveriam seguir órbitas aleatórias. O Universo possui um número incalculável de galáxias - "bilhões delas", por assim dizer. Algumas são imensas, como a nossa Via Láctea, contendo centenas de bilhões de estrelas. Mas a maioria das galáxias que podemos observar são "galáxias anãs", muito menores do que a Via Láctea, e contendo alguns poucos bilhões de estrelas. Seguindo a Modelo Cosmológico Padrão, as galáxias-anãs deveriam se mover em todas as direções. Mas não é isso que os dados mostram. Os astrônomos já haviam percebido que as pequenas galáxias que circundam a Via Láctea e nossa vizinha Andrômeda não seguem padrões aleatórios. Mas, como isso contradiz a teoria mais aceita, os cientistas assumiram que a Via Láctea e Andrômeda eram uma exceção à regra. Contudo, com a observação de 380 grandes galáxias, agora não está dando mais para fugir do problema. "Este é um grande problema que contradiz nosso modelo cosmológico padrão. Ele desafia nossa compreensão de como o Universo funciona, incluindo a natureza da matéria escura," explicou o professor Geraint Lewis, da Universidade de Sidney, na Austrália. "Para todo lado que olhamos, vemos esse movimento estranhamente coordenado das galáxias anãs. Disto podemos extrapolar que esses planos circulares são universais, vistos em cerca de 50 por cento das galáxias," completou o pesquisador. Pelo modelo padrão, a formação das galáxias anãs está conectada aos filamentos de matéria escura que se acredita permear todo o Universo. Mas então seria necessário explicar por que esses grandes enxames de galáxias anãs circulam ao redor das suas galáxias principais em discos que são muito mais finos do que os filamentos que lhes teriam dado origem. Segundo os pesquisadores, a descoberta pode significar que todas as simulações cósmicas - e as teorias que lhes dão embasamento - precisam ser completamente revistas. Para eles, tudo parece indicar que o modelo padrão fornece uma representação adequada das observações em escalas maiores, "mas não estamos enxergando algo fundamental em escalas menores".

Fonte: Inovação Tecnológica

Descoberto um novo tipo de planeta: uma "mega-Terra"

Astrônomos anunciaram a descoberta de um novo tipo de planeta, um exoplaneta rochoso pesando 17 vezes mais do que a Terra. Eles acreditavam que seria impossível a formação de um planeta como esse porque qualquer coisa que começasse a se tornar tão pesado deveria capturar o gás hidrogênio conforme crescia e se tornar um gigante gasoso, como Júpiter. Contudo, o novo planeta é bem sólido e muito maior do que as "super-Terras" anteriormente descobertas, inaugurando a nova classe das "mega-Terras". A mega-Terra, chamada Kepler-10c, circunda uma estrela similar ao Sol uma vez a cada 45 dias, muito aquém da zona habitável. O exoplaneta está localizado a cerca de 560 anos-luz da Terra, na constelação do Dragão. O sistema também contém um planeta de lava, o Kepler-10b, com a mesma massa da Terra, mas ainda mais tórrido, orbitando a estrela uma vez a cada 20 horas. A mega-Terra Kepler-10c tem um diâmetro de cerca de 29.000 km - 2,3 vezes maior do que a Terra - e há indícios de que o exoplaneta possua uma densa atmosfera gasosa. O astrônomo Lars Buchave, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, a mesma instituição da equipe que descobriu a mega-Terra, calculou que há uma correlação entre o período de um planeta - o tempo que ele leva para orbitar sua estrela - e o tamanho em que um planeta passa de rochoso para gasoso. Isto sugere que mais mega-Terras serão encontradas conforme os caçadores de planetas estendam suas buscas para órbitas de períodos mais longos.

Fonte: Inovação Tecnológica

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Confira imagem de um incrível projeto de espaçonave de dobra espacial

Não, a imagem acima não é uma das – muitas – vazadas das filmagens do novo “Star Wars”. Muito pelo contrário, aliás. Esta majestosa nave branca pode ser o futuro das viagens espaciais. Em 2012, o físico da NASA Harold White revelou que ele e uma equipe estavam trabalhando em um projeto para uma espaçonave mais rápida do que a luz. Agora, ele e um artista se uniram para criar um design próximo do que este tipo de veículo realmente pode vir a se parecer. Você deve estar se perguntando como diabos alguém vai se mover mais rápido do que a luz. A resposta, mais uma vez, nos remete à uma obra de ficção científica, desta vez Star Trek: dobra espacial. Se uma nave espacial pode ser concebida de tal maneira que cria um bolha de dobra, em seguida, o espaço em frente à nave pode ser comprimido e o espaço atrás se expande. Isso resultaria no espaço-tempo se movendo ao redor do objeto, reposicionando a nave sem que ela realmente se mova. “Lembre-se, nada localmente excede a velocidade da luz, mas o espaço pode se expandir e contrair em qualquer velocidade,” explica White. Acho que isso soa um pouco futurista? A equipe de White tem utilizado um instrumento de teste – chamado de Interferômetro White-Juday de Dobra de Campo – a fim de tentar gerar e detectar casos microscópicos de bolhas de dobra. Se eles conseguirem isso, então a tecnologia pode avançar muito rápido. “Talvez uma experiência de ‘Jornada nas Estrelas’ na nossa vida não seja uma possibilidade tão remota”, arrisca White. Quanto ao quão realista este projeto é, fica difícil para nós, leigos, avaliarmos. Essencialmente, White propõe algumas modificações para o conceito de dobra espacial de uma pesquisa prévia, de Miguel Alcubierre, o que criaria uma zona do espaço-tempo deformada na frente e atrás da nave espacial para que ela comece a mover-se rapidamente.

Fonte: Hypescience

A Nebulosa da Cabeça do Cavalo de azul ao infravermelho

Uma das nebulosas mais fáceis de se identificar no céu, a Nebulosa da Cabeça do Cavalo em Órion, é parte de uma grande e escura nuvem molecular. Também conhecida como Barnard 33, a sua forma incomum foi descoberta pela primeira vez numa chapa fotográfica dos anos 1800. O brilho avermelhado se origina do gás hidrogênio predominante por trás da nebulosa, que é ionizado pela estrela Sigma Orionis. A escuridão da Cabeça de Cavalo é causada pela poeira espessa, embora a parte mais inferior do pescoço da Cabeça do Cavalo gera uma sombra para a esquerda. Correntes de gás deixando a nebulosa são afuniladas por um forte campo magnético. Pontos brilhantes na base da Cabeça do Cavalo são estrelas jovens ainda em seu processo de formação. A luz leva cerca de 1500 anos para sair da Nebulosa da Cabeça do Cavalo e nos atingir aqui na Terra. A imagem acima é uma combinação digital de imagens feitas em luzes azul, verde, vermelho e hidrogênio-alfa a partir da Argentina e uma imagem feita na luz infravermelha pelo Telescópio Espacial Hubble.

Fonte: APOD

MESSENGER mais próxima de Mercúrio como nunca antes

Essa imagem é uma das imagens de mais alta resolução já feitas pela sonda MESSENGER até o momento. Ela mostra um campo de crateras secundárias nas planícies suaves do hemisfério norte de Mercúrio. Crateras secundárias são formadas pelo re-impacto de detritos expelidos no momento de formação de uma grande cratera. As maiores crateras secundárias na imagem acima têm algumas centenas de metros de diâmetro. Se você olhar cuidadosamente, você pode ver algumas crateras pequenas com apenas dezenas de metros de diâmetro. Todas essas crateras são crateras simples. A imagem acima foi adquirida como parte da campanha de imageamento de baixa altitude do equipamento MDIS. Durante a segunda missão estendida da sonda MESSENGER, a nave realizou uma aproximação progressivamente maior da superfície de Mercúrio, permitindo a aquisição de dados de alta resolução espacial. Para as altitudes da sonda abaixo dos 350 quilômetros, as imagens obtidas com a câmera NAC possuem uma escala de pixel que varia de 20 metros a 2 metros. No dia 25 de Julho de 2014, a sonda MESSENGER se moveu para o ponto mais próximo da superfície de Mercúrio do que em qualquer outro momento de sua trajetória, chegando a uma altitude de apenas 100 quilômetros acima da superfície do planeta. No dia 19 de Agosto de 2014, a altitude mínima será cortada pela metade e a sonda chegará a 50 quilômetros acima da superfície do planeta. A MESSENGER executará mais três manobras de correção de órbita com o objetivo de postergar o final da missão para o final do mês de Março de 2015.

Fonte: MESSENGER

Sondas marcianas preparam-se para encontro com cometa

A NASA está a tomar medidas para proteger as suas sondas marcianas e ao mesmo tempo a conservar oportunidades para recolher dados científicos valiosos, enquanto o Cometa C/2013 A1 Siding Spring viaja em direção a uma passagem rasante por Marte no dia 19 de Outubro. O núcleo do cometa vai passar por Marte a cerca de 132.000 quilômetros, largando material a mais ou menos 56 km/s (velocidade relativa a Marte e às sondas em órbita). A esta velocidade, até as partículas menores - com um tamanho estimado em cerca de meio milímetro - podem causar danos significativos a uma nave espacial. A NASA opera atualmente duas sondas espaciais em Marte, com uma terceira a caminho e com chegada prevista a órbita marciana apenas um mês antes do "flyby" do cometa. Durante a passagem mais provável do Siding Spring, as equipes que operam as sondas pretendem tê-las posicionadas no lado oposto do Planeta Vermelho. "Três equipes de especialistas modelaram este cometa para a NASA e forneceram previsões para a sua passagem por Marte," explicou Rich Zurek, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "O perigo não é o impacto do núcleo cometário, mas o rastro de detritos daí proveniente. Usando restrições delineadas por observações terrestres, os resultados da modelagem indicam que o perigo não é tão grande quanto o originalmente antecipado. Marte estará mesmo no limite da nuvem de detritos, de modo que pode encontrar algumas das partículas - ou talvez não." Durante os dias do evento, a menor distância entre o núcleo de Siding Spring e Marte será inferior a um-décimo da distância de qualquer outra passagem rasante de um cometa pela Terra (17 vezes menor que a distância do Cometa Lexell à Terra em 1770). O período de maior risco para as sondas espaciais terá início cerca de 90 minutos depois e durará cerca de 20 minutos, quando Marte estiver o mais próximo do centro da cauda de poeira. A MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA fez uma manobra de ajuste dia 2 de Julho, como parte do processo de reposicionamento da sonda para o evento de 19 de Outubro. Para dia 27 de Agosto está planejada uma manobra adicional. A equipe que opera a Mars Odyssey da NASA planeija uma manobra similar para 5 de Agosto, que colocará também a sonda num percurso para a posição ideal e altura ideal. A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA está a caminho do Planeta Vermelho e vai entrar em órbita dia 21 de Setembro. A equipe científica planeja levar a cabo uma manobra de precaução dia 9 de Outubro, antes do início da fase de missão principal em Novembro. Nos dias que antecedem e sucedem a passagem do cometa, a NASA quer estudá-lo aproveitando a proximidade de Marte. Os investigadores planejam usar vários instrumentos a bordo das sondas marcianas para estudar o núcleo, a cabeleira que rodeia o núcleo e cauda do Siding Spring, bem como outros possíveis efeitos sobre a atmosfera marciana. Este cometa em particular nunca visitou o Sistema Solar interior, por isso vai proporcionar uma nova fonte de pistas para os primeiros dias do nosso Sistema Solar. A MAVEN vai estudar os gases que saem do núcleo do cometa para a sua cabeleira à medida que é aquecido pelo Sol. Também vai procurar quaisquer efeitos que a passagem do cometa possa ter sobre a atmosfera superior do planeta e observar o Siding Spring enquanto viaja pelo vento solar. A Mars Odyssey vai estudar as propriedades térmicas e espectrais da cabeleira e cauda do cometa. A MRO vai monitorizar a atmosfera de Marte em busca de possíveis aumentos de temperatura e formação de nuvens, bem como mudanças na densidade de elétrons a grandes altitudes. A equipe da MRO também planeja estudar os gases na cabeleira do cometa. Juntamente com outras observações da MRO, a equipe antecipa que este evento produza vistas detalhadas do núcleo do cometa e potencialmente revele a sua velocidade de rotação e características à superfície. A atmosfera de Marte, embora muito mais fina que a da Terra, é suficientemente espessa para a NASA não antecipar qualquer perigo para os rovers Opportunity e Curiosity à superfície, mesmo que as partículas de poeira do cometa atinjam a atmosfera e formem meteoros. As câmeras dos rovers poderão ser usadas para observar o cometa antes da passagem rasante e para monitorizar a atmosfera em busca de meteoros enquanto o rastro de poeira do cometa está mais próximo do planeta.

Fonte: Astronomia On-line

Planetas gigantes podem estar escondidos além de Plutão

Parece que a vingança de Plutão por ter sido excluído do clubinho dos planetas é mostrar aos cientistas o que eles estão deixando passar. Pouco tempo depois de astrônomos terem anunciado de que havia possibilidade de um gigante “Planeta X” estar escondido além de Plutão, uma equipe da Espanha diz que, na verdade, pode haver dois planetas imensos ainda não descobertos nos confins do nosso sistema solar. Quando o potencial planeta anão 2012 VP113 foi descoberto em março, ele se juntou a um monte de objetos rochosos incomuns que já sabíamos existir além da órbita de Plutão. Esses pequenos objetos têm órbitas alinhadas curiosamente, o que sugere que um planeta invisível ainda mais afastado está influenciando seu comportamento. Os cientistas calcularam que este mundo teria cerca de 10 vezes a massa da Terra e orbitaria a aproximadamente 250 vezes a distância da Terra ao Sol. Agora Carlos e Raul de la Fuente Marcos, da Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, fizeram novas observações. Além de confirmar o seu alinhamento orbital bizarro, a dupla encontrou outros padrões intrigantes. Pequenos grupos de objetos têm órbitas muito similares e, como eles não são grandes o suficiente para estarem puxando um ao outro, os pesquisadores acreditam que os objetos estão sendo “guiados” por um objeto maior, em um padrão conhecido como ressonância orbital. Por exemplo, nós sabemos que Netuno e Plutão estão em ressonância orbital – a cada duas órbitas que Plutão faz em torno do Sol, Netuno faz três. Da mesma forma, um grupo destes pequenos objetos parece estar em sintonia com um planeta muito mais distante e invisível. Este “Planeta X” teria uma massa entre a de Marte e Saturno e ficaria a cerca de 200 vezes a distância da Terra ao Sol. É incomum para um grande planeta orbitar tão perto de outros corpos, a menos que esteja dinamicamente vinculado a alguma outra coisa. Por isso, os pesquisadores sugerem que o próprio planeta está em ressonância com outro, com uma massa ainda maior e ainda mais longe. Observar esses supostos planetas vai ser complicado. Os corpos menores estão em órbitas muito elípticas e só foram vistos quando se aventuraram mais próximos do Sol. Porém, os grandes planetas teriam órbitas aproximadamente circulares e seriam lentos e sombrios, tornando a sua obervação difícil nos telescópios atuais. “Não é nem um pouco surpreendente que eles não tenham sido encontrados até o momento”, diz Carlos. “Como há apenas alguns desses objetos extremamente distantes conhecidos, é difícil dizer algo definitivo sobre o número ou a localização de quaisquer planetas distantes”, explica Scott Sheppard, na Instituição Carnegie para a Ciência, na cidade de Washington, um dos descobridores do 2012 VP113. “No entanto, no futuro próximo, devemos ter mais objetos para trabalhar para nos ajudar a determinar a estrutura do sistema solar exterior”.

Fonte: Hypescience

sábado, 26 de julho de 2014

NGC 3293: aglomerado estelar nos revela a vida e morte de estrelas irmãs

Na imagem obtida no Observatório de La Silla do ESO, estrelas jovens agrupam-se sobre um fundo de nuvens de gás resplandecente e zonas de poeira. O aglomerado estelar NGC 3293 era apenas uma nuvem de gás e poeira há cerca de dez milhões de anos atrás, mas à medida que as estrelas começaram a se formar, o aglomerado transformou-se no brilhante grupo de estrelas que aqui vemos. Aglomerados como este são laboratórios celestes que permitem aos astrônomos compreender o processo de formação e evolução das estrelas. Este belíssimo aglomerado estelar, NGC 3293, situa-se a cerca de 8.000 anos-luz da Terra na direção da constelação de Carina (A Quilha). Este aglomerado foi observado pela primeira vez pelo astrônomo francês Nicolas-Louis de Lacaille em 1751, quando residia onde agora situa-se a África do Sul, com o auxílio de um pequeno telescópio com uma abertura de apenas 12 milímetros. É um dos aglomerados mais brilhantes do hemisfério sul e pode ser facilmente visto a olho nu em uma noite escura e límpida. Os aglomerados estelares como o NGC 3293 contêm estrelas que se formam todas praticamente ao mesmo tempo, situadas à mesma distância da Terra, da mesma nuvem de gás e poeira, o que lhes dá a mesma composição química. Consequentemente, este tipo de aglomerado é o laboratório ideal para testar teorias de evolução estelar. A maioria das estrelas que aqui vemos são muito jovens e o aglomerado propriamente dito tem menos de 10 milhões de anos, um bebê na escala cósmica se considerarmos que o Sol tem 4,6 bilhões de anos e ainda está a meio da sua vida. Existem muitas estrelas jovens azuis e brilhantes em aglomerados abertos como o NGC 3293, como por exemplo, no mais famoso aglomerado da Caixa de Jóias, ou NGC 4755. Estes aglomerados estelares formam-se a partir de uma enorme nuvem de gás molecular e as estrelas mantêm-se juntas pela ação das forças gravitacionais mútuas. No entanto, estas forças não são suficientes para manter o aglomerado coeso face ao encontro com outros aglomerados e nuvens de gás, à medida que o gás e poeira do aglomerado se dissipam. É por isso que os aglomerados abertos duram apenas algumas centenas de milhões de anos, ao contrário dos seus vizinhos maiores, os aglomerados globulares, que sobrevivem durante bilhões de anos e agrupam muito mais estrelas. Apesar de algumas evidências que sugerem que a formação estelar ainda está acontecendo no NGC 3293, pensa-se que a maioria, senão todas, as cerca de cinquenta estrelas deste aglomerado nasceram de uma única fornada. Embora estas estrelas tenham todas a mesma idade, elas não têm, no entanto, todas a mesma aparência caraterística de uma estrela recém formada; algumas parecem claramente velhas, o que dá aos astrônomos a possibilidade de estudar como e por que é que as estrelas evoluem a velocidades diferentes. Um exemplo disto é a estrela brilhante cor de laranja situada embaixo à direita no aglomerado. Esta estrela enorme, uma gigante vermelha, terá nascido como uma das maiores e mais luminosas estrelas da sua ninhada, no entanto as estrelas brilhantes queimam o seu material muito depressa. À medida que a estrela consome todo o material no seu núcleo, a sua dinâmica interna muda e a estrela começa a expandir-se e esfriar, transformando-se assim na gigante vermelha que observamos atualmente. Enquanto as gigantes vermelhas se aproximam do final das suas vidas, as suas irmãs menores permanecem ainda na fase conhecida como pré-sequência principal, o período que antecede o longo período estável que se situa no meio da vida de uma estrela. Vemos estas estrelas no pico da sua vida como estrelas brancas quentes e brilhantes, contra o fundo vermelho e poeirento. Esta imagem foi obtida pelo dispositivo Wide Field Imager (WFI) instalado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatório de La Silla, no norte do Chile.


Fonte: Eternos Aprendizes

Fermi encontra um pulsar "metamórfico"

No final de Junho de 2013, um binário excepcional contendo uma estrela de nêutrons veloz e rodopiante sofreu uma mudança dramática de comportamento, mudança esta nunca antes observada. De acordo com o Telescópio Espacial Fermi da NASA, o "farol" de rádio do pulsar desapareceu e, ao mesmo tempo, o sistema aumentou cinco vezes de brilho em raios-gama, a forma mais poderosa de radiação eletromagnética. "É quase como se alguém tivesse carregado num botão, transformando o sistema de um estado de baixa energia para um de maior energia," afirma Benjamin Stappers, astrofísico da Universidade de Manchester, Inglaterra, que liderou o esforço internacional com o objetivo de compreender esta impressionante transformação. "A mudança parece refletir uma interação errática entre o pulsar e a sua companheira, o que nos dá uma oportunidade para explorar uma fase de transição rara na vida deste binário." Este sistema em particular, conhecido como AY Sextantis, está localizado a cerca de 4000 anos-luz na direção da constelação de Sextante. O par é constituído por um pulsar de 1,7 milissegundos, chamado PSR J1023+0038 - ou J1023 - e por uma estrela que contém aproximadamente um-quinto da massa do Sol. As estrelas completam uma órbita em apenas 4,8 horas, o que as coloca tão próximas que o pulsar está gradualmente evaporando a sua companheira. Quando uma estrela maciça colapsa e explode como supernova, o seu núcleo esmagado pode sobreviver como um remanescente compacto chamado estrela de nêutrons ou pulsar, um objeto que "aperta" mais massa que o Sol numa esfera não muito maior que uma grande cidade. Estrelas de nêutrons jovens e isoladas rodam dezenas de vezes por segundo e geram feixes de rádio, luz visível, raios-X e raios-gama que os astrônomos observam como pulsos sempre que estes feixes ficam apontados para a Terra. Os pulsares também criam fluxos poderosos, ou "ventos", de partículas altamente energéticas que se movimentam quase à velocidade da luz. Todo este poder vem do campo magnético do pulsar, que gira muito rapidamente. Com o passar do tempo, à medida que os pulsares se "acalmam", estas emissões desvanecem. Há mais de 30 anos atrás, os astrônomos descobriram outro tipo de pulsar, que roda em 10 milissegundos ou menos, atingindo velocidades de rotação até 43.000 rpm. Enquanto os pulsares jovens normalmente aparecem isolados, mais de metade dos pulsares de milissegundo são encontrados em sistemas binários, o que sugere uma explicação para a sua rápida rotação. "Os astrônomos já suspeitavam que os pulsares de milissegundo eram alimentados pela transferência e acumulação de matéria das suas estrelas companheiras, por isso muitas vezes são chamados de pulsares reciclados," explica Anne Archibald, investigadora pós-doutorada do Instituto Holandês de Radioastronomia (ASTRON) em Dwingeloo, que descobriu J1023 em 2007. Durante a fase inicial de transferência de massa, o sistema poderia ser considerado um binário de raios-X com baixa massa, em que uma estrela de nêutrons mais lenta emite pulsos de raios-X à medida que o gás quente se desloca para a sua superfície. Bilhões de anos mais tarde, quando o fluxo de matéria chega ao fim, o sistema seria classificado como um pulsar de milissegundo acelerado e com emissões de rádio alimentadas por um campo magnético de rápida rotação. Para melhor compreender a rotação e evolução orbital de J1023, o sistema tem sido monitorizado regularmente no rádio, usando o Telescópio Lovell no Reino Unido e o WSRT (Westerbork Synthesis Radio Telescope) na Holanda. Estas observações revelaram que o sinal de rádio do pulsar foi desligado e isso desencadeou a busca por uma mudança associada nas suas propriedades de raios-gama. Apesar de J1023 ter alcançado energias muito mais altas e estar consideravelmente perto, ambos os binários são muito parecidos. O que está acontecer, dizem os astrônomos, são os últimos suspiros caóticos dos processos de rotação destes pulsares. Em J1023, as estrelas estão muito mais próximas uma da outra, assim que uma corrente de gás flui da estrela companheira para o pulsar. A rápida rotação do pulsar e o seu intenso campo magnético são os responsáveis tanto do feixe de rádio como do poderoso vento pulsar. Quando o feixe de rádio é detectável, o vento pulsar retém a corrente de gás da companheira, impedindo-a de se aproximar. Mas de vez em quando a corrente ganha, aproximando-se do pulsar e estabelecendo um disco de acreção. O gás no disco torna-se comprimido e quente, atingindo temperaturas suficientemente altas para emitir raios-X. De seguida, o material ao longo da orla interior do disco perde energia rapidamente e cai em direção ao pulsar. Quando atinge uma altitude de aproximadamente 80 km, os processos que envolvem a criação do feixe de rádio ou são desligados ou, mais provavelmente, obscurecidos. A borda interna do disco provavelmente flutua consideravelmente a esta altitude. Certas partes podem acelerar para fora quase à velocidade da luz, formando jatos duplos de partículas disparados em direções opostas - um fenômeno mais tipicamente associado com a acreção de buracos negros. As ondas de choque dentro e ao longo da periferia destes jatos são provavelmente a fonte da brilhante emissão de raios-gama detectada pelo Fermi. A equipe relata que J1023 é o primeiro exemplo, já observado, de um binário de raios-gama de baixa massa, compacto e transeunte. Os investigadores esperam que o sistema sirva como um laboratório único para a compreensão de como os pulsares de milissegundo se formam e para estudar os detalhes de como a acreção ocorre em estrelas de nêutrons. "Até agora, o Fermi aumentou o número de pulsares de raios-gama conhecidos por cerca de 20 vezes e duplicou o número de pulsares de milissegundo dentro da nossa Galáxia," afirma Julie McEnery, cientista do projeto para a missão, do Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "O Fermi continua a ser um motor incrível de descobertas de pulsares."


Fonte: Astronomia On-line

Estrelas parecidas com o Sol tem suas idades reveladas em nova pesquisa do CfA

Definir o que faz uma estrela se “parecida com o Sol” é tão difícil quanto se definir o que constitui um planeta “tipo-Terra”. Uma estrela gêmea do Sol deve ter temperatura, massa e tipo espectral semelhantes à nossa estrela. Também seria de esperar que tivesse aproximadamente uma idade similar, com cerca de 4,5 bilhões de anos. Entretanto, é particularmente difícil medir a idade efetiva de uma estrela e por essa razão os astrônomos costumam ignorar a idade ao decidir se uma estrela conta ou não como uma “tipo-Sol”. No entanto, uma nova técnica para medir a idade de uma estrela usando a sua rotação (girocronologia) está sendo desenvolvida. Os astrônomos apresentaram recentemente as idades girocronológicas de 22 estrelas “tipo-Sol. Antes desta pesquisa, apenas haviam sido medidas a rotação e a idade de apenas duas estrelas “tipo-Sol”. José dias do Nascimento, membro do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) e autor principal do artigo científico, comentou: "Nós descobrimos estrelas com propriedades próximas o suficiente das do Sol que nós podemos chama-las de ‘gêmeas solares’. Com as gêmeas solares, podemos estudar o passado, presente e futuro de estrelas parecidas com o nosso Sol. Consequentemente poderemos prever como os sistemas planetários como o nosso Sistema Solar serão afetados pela evolução das suas estrelas centrais." Para medir a rotação de uma estrela, os astrônomos procuram mudanças no seu brilho provocadas pelas manchas estelares, regiões escuras que cruzam a superfície de uma estrela. Ao olhar quanto tempo as manchas demoram para cruzar a estrela, desaparecer e ressurgir do outro lado, os astrônomos conseguem determinar a velocidade de rotação da estrela. A variação na luminosidade de uma estrela devido às manchas estelares é muito pequena, tipicamente uma pequena porcentagem do brilho total estelar. O Observatório Espacial Kepler da NASA é excelente para medir as variações na luminosidade estelar. Com este telescópio, José Dias do Nascimento e sua equipe descobriram que as estrelas tipo-Sol no seu estudo completam, em média, uma rotação a cada 21 dias [terrestres], em comparação com o período de rotação de 25 dias [terrestres] do nosso Sol no seu equador. Estrelas mais jovens giram mais rapidamente do que estrelas mais antigas porque as estrelas têm sua rotação diminuída à medida que envelhecem. Como resultado, a medida da rotação de uma estrela pode ser usada como um relógio para estimar a sua idade. Como a maioria das estrelas que a equipe estudou apresenta rotação ligeiramente mais rápida que o nosso Sol, os astrônomos concluíram estas são também mais jovens que o Sol. Este trabalho expande as investigações prévias feitas pelo astrônomo Soren Meibom, membro do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e coautor deste novo estudo. No estudo anterior, Meibom e equipe mediram as rotações de uma amostra de estrelas do aglomerado estelar NGC 6811, com 1 bilhão de anos de idade. Como as estrelas tinham a idade conhecida, ditada pela idade do aglomerado, os astrônomos puderam usá-las para calibrar o “relógio” de girocronologia. Agora, esta nova pesquisa, liderada por Nascimento, examinou estrelas livres, ou seja, corpos que não pertencem a aglomerados estelares. Uma vez que as estrelas e os planetas se formam ao mesmo tempo, aprender a idade de uma estrela implica em conhecer idade dos seus planetas. Como é necessário um espaço de tempo para a vida se desenvolver e evoluir, a determinação das idades de estrelas que hospedam planetas pode ajudar a discernir os melhores alvos para a busca de sinais de vida alienígena. Embora nenhuma das 22 estrelas deste novo estudo possuírem planetas detectados, este trabalho representa um passo importante na busca de estrelas semelhantes ao Sol que possam hospedar planetas “tipo-Terra”.

Fonte: Eternos Aprendizes

Perdido no espaço: reentrada de satélite russo é imprevisível

A agência espacial russa Roscosmos confirmou que o satélite robótico Foton-M4, de 6.8 toneladas, não alcançou a órbita planejada e também não está respondendo aos comandos de engenharia. Sem controle, não é possível prever o que acontecerá durante o retorno à Terra. O Foton-M4 foi lançado ao espaço no dia 19 de julho através de um foguete do tipo Soyuz-2-1a, a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A nave tem massa total de 6840 quilos e sua missão é realizar diversos experimentos em microgravidade, entre eles pesquisas biológicas e estudos relacionados à produção de semicondutores. Ao que tudo indica, os problemas com o Foton-M4 começaram algumas órbitas após o lançamento, quando o fabricante do equipamento, a TsSKB Progress, informou que o satélite não estava respondendo aos comandos enviados pelas estações terrestres, embora os sinais de telemetria estivessem sendo recebidos normalmente e informavam que tudo transcorria conforme o planejado. Posteriormente, dados de radar do sistema de vigilância espacial dos EUA, USSTRATCOM, indicaram que as coisas não estavam indo tão bem como informado. Os elementos orbitais divulgados pelo órgão de defesa mostravam que o Foton-M4 apresentava uma órbita elíptica com perigeu de 252 km e apogeu de 550 km de altitude, diferente da orbita circular programada de 575 km. O erro na altura e shape da órbita provavelmente foi causado por uma falha no acionamento do terceiro estágio do foguete Soyuz-2-1a, que deveria elevar o Foton-M4 até uma orbita estável, onde os experimentos seriam conduzidos de forma semi-automática. A baixa altitude de perigeu e o fato das estações de controle não poderem enviar sinais de comando ao satélite poderão ter consequências imprevisíveis nos próximos dias. Em condições normais, o Foton-M4 deveria retornar à Terra no dia 16 de setembro, após dois meses no espaço. A nave conta com um escudo térmico e um sistema de paraquedas capazes de trazer a carga útil de volta em total segurança. O local do pouso seria a região de Orenburg, no sul da Rússia. No entanto, com a impossibilidade de comunicação com a nave e a menos que os foguetes de correção possam ser disparados no momento certo, o Foton-M4 pode cair em qualquer local da Terra entre as latitudes 65 graus ao norte ou sul do equador. Segundo a Roscosmos, a nave tem capacidades automáticas de orientação e controle de altitude, mas não sabe como esse sistema deve se comportar com o perigeu extremamente baixo. Além disso, uma reentrada controlada sem interferência de comandos terrestres é uma operação bastante delicada, que dependerá de uma série de fatores para os quais ainda não há respostas. A análise dos parâmetros orbitais dos próximos dias, em especial a altitude do perigeu poderá revelar se os sistemas de bordo estão ou não atuando na elevação e correção da órbita e o que podemos esperar em relação à reentrada da nave, que pesa 6.5 toneladas e não será consumida na atmosfera.

Fonte: Apolo 11

A medição mais precisa do tamanho de um exoplaneta

Graças aos telescópios Kepler e Spitzer da NASA, cientistas fizeram a medição mais precisa, até agora, do raio de um planeta para lá do nosso Sistema Solar. O tamanho do exoplaneta, chamado Kepler-93b, é agora conhecido com uma incerteza de apenas 119 km para cada lado do corpo planetário. As conclusões confirmam que Kepler-93b é uma "super-Terra" com cerca de 1,5 vezes o tamanho do nosso planeta. Embora as super-Terras sejam comuns na Galáxia, não existe nenhuma no nosso Sistema Solar. Exoplanetas como Kepler-93b são, portanto, os únicos laboratórios em que podemos estudar esta classe importante de planeta. Com bons limites para os tamanhos e massas das super-Terras, os cientistas podem finalmente começar a teorizar acerca da composição destes mundos estranhos. Medições anteriores, pelo Observatório Keck no Hawaii, colocavam a massa de Kepler-93b em cerca de 3,8 vezes a da Terra. A densidade de Kepler-93b, derivada da sua massa e raio recentemente obtido, indica que o planeta é de fato muito provavelmente constituído por ferro e rocha, tal como a Terra. "Com o Kepler e o Spitzer, obtivemos a medição mais precisa, até à data, do tamanho de um planeta extrasolar, que é fundamental para compreendermos estes mundos longínquos," afirma Sarah Ballard, da Universidade de Washington em Seattle, EUA, autora principal do artigo sobre a descobertas, publicado na revista The Astrophysical Journal. "A medição é tão precisa que pode ser literalmente comparada a sermos capazes de medir a altura de uma pessoa com 1,8 metros até uma precisão de 1,9 centímetros - se essa pessoa estivesse em Júpiter," afirma Ballard. Kepler-93b orbita uma estrela localizada a cerca de 300 anos-luz de distância, com cerca de 90% da massa e raio do Sol. A distância orbital do exoplaneta - apenas cerca de um-sexto da distância de Mercúrio ao Sol - implica uma temperatura escaldante à superfície que ronda os 760 graus Celsius. Apesar das recém-descobertas parecenças com a Terra, Kepler-93b é demasiado quente para a vida. Para fazer a nova medição do raio deste exoplaneta "quentinho", ambos os telescópios Kepler e Spitzer observaram a passagem, ou trânsito, de Kepler-93b pelo disco da sua estrela-mãe, eclipsando uma pequena fração da luz estelar. O olhar firme do Kepler também acompanhou simultaneamente a diminuição do brilho da estrela provocado por ondas sísmicas que se deslocam no seu interior. Estas leituras codificam informações precisas acerca do interior da estrela. A equipe alavancou-as para avaliar minuciosamente o raio da estrela, o que é crucial para medir o raio do planeta. O Spitzer, por sua vez, confirmou que o trânsito exoplanetário parecia o mesmo em infravermelho do que no visível pelo Kepler. Estes dados corroborantes do Spitzer - alguns dos quais foram recolhidos através de um novo método de observação precisa - descartaram a possibilidade da detecção do Kepler ser falsa, o que chamamos de falso positivo. Conjuntamente, os dados apresentam um erro de apenas 1% no raio de Kepler-93b. A medição significa que o planeta, com um diâmetro estimado em 18.000 quilômetros, pode ser cerca de 240 km maior ou menor. O Spitzer acumulou um total de sete trânsitos de Kepler-93b entre 2010 e 2011. Três dos trânsitos foram capturados usando uma técnica observacional que chamam "peak-up". Em 2011, os engenheiros do Spitzer reaproveitaram a câmara "peak-up" do telescópio, usada para apontar o telescópio com precisão, para controlar onde a luz aterra nos pixéis individuais dentro da câmara infravermelha do Spitzer. O resultado desta manobra: Ballard e colegas foram capazes de reduzir por metade o intervalo de incerteza das medições do raio do exoplaneta pelo Spitzer, melhorando a concordância entre as medições do Spitzer e do Kepler. "Ballard e a sua equipe fizeram um grande avanço científico, demonstrando o poder da nova abordagem do Spitzer para as observações de exoplanetas," afirma Michael Werner, cientista do projeto Spitzer do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Fonte: Astronomia On-line

A misteriosa “ilha mágica” apareceu em Titã, a maior lua de Saturno

O universo não é uma partida de futebol, mas também é uma caixinha de surpresas. A novidade da vez é um misterioso objeto luminoso que apareceu em Titã, a maior lua do planeta Saturno. Esse objeto foi visto por astrônomos que participaram da missão Cassini, mas infelizmente desapareceu antes que eles pudessem olhar duas vezes e tirar maiores conclusões. O negócio é que a lua Titã tem um geografia estranha mesmo, então isso poderia ser um grande “nada”. A mancha, carinhosamente apelidada de “Ilha da Magia”, foi vista no ano passado, durante um sobrevôo de rotina da nave espacial Cassini, e despertou o interesse dos astrônomos que perceberam que tinha alguma coisa diferente ali. Só que quando a nave passou pelo local pela segunda vez, a “Ilha da Magia” já não estava mais ali. Desapareceu, como em um passe de mágica. Ela foi observada em Ligeia Mare, o segundo maior mar de Titã. Ao contrário dos mares que a gente conhece (os nossos aqui da Terra, no caso) que são preenchidos por água líquida, os mares da lua Titã são compostos de metano e etano líquidos, e são aproximadamente do tamanho dos Grandes Lagos da América do Norte. Como a Terra, Titã tem uma atmosfera substancial (composta por nitrogênio-metano) e um ciclo sazonal. Na verdade, porque a lua está em uma transição de primavera para o verão (que vai completar em 2017), a mudança das estações poderia muito bem ter algo a ver com isso. Sendo assim, mais energia solar está sendo canalizada para o hemisfério norte dessa lua, resultando em tempo dinâmico e condições geológicas não observadas anteriormente. “Esta descoberta nos diz que os líquidos no hemisfério norte de Titã não são simplesmente estagnados e imutáveis, mas sim que as mudanças acontecem”, observou Jason Hofgartner, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. “Nós não sabemos exatamente o que causou o aparecimento dessa ‘ilha mágica’, mas nós gostaríamos de estudá-la mais”. E já que não tem como ter certeza do que ela se trata, os pesquisadores elaboraram algumas hipóteses interessantes. Antes dessa observação, esta região particular de Ligeia Mare tinha sido completamente desprovida de quaisquer recursos, incluindo ondas. Mas, como os astrônomos descobriram no início deste ano, Titã parece ser capaz de produzir ondas – ou pelo menos ondulações – em seus mares. Neste caso, os ventos no hemisfério norte da lua poderiam chegar a Ligeia Mare e, assim, acabariam formando ondas. O sistema de imagens de radar da Cassini pode ter registrado essas ondas bem na hora que elas formaram uma espécie de ilha “fantasma”. Mas, dado o quão pequenas essas ondas são, essa pode ser a mais improvável das explicações. Outra teoria é que a espaçonave Cassini tenha capturado imagens de gás metano borbulhando até a superfície, saindo de um oceano subterrâneo e chegando até a superfície. Essa teoria se sustenta pelo fato de o metano ser muito abundante na superfície de Titã. Mas como sua molécula só pode existir por um curto período de tempo antes de ser destruída por raios UV, ele deve ser reabastecido constantemente. Essa hipótese, portanto, faz bastante sentido, não acha? Mas a listinha de idéias dos pesquisadores não para por aí. Outra teoria que eles consideram é que a tal da “ilha da magia” poderia ser um objeto sólido que estava na boa flutuando pela superfície da lua – algo como um iceberg. Quando a primavera chega em Titã, sólidos submersos formados pelo congelamento do inverno podem se tornar flutuantes. Mas estes objetos não são feitos de gelo/água. Se fossem, afundariam em um mar de hidrocarboneto líquido. Em vez disso, os icebergues flutuantes de Titã seriam compostos de uma mistura congelada de metano e etano. Por último, é concebível também que Ligeia Mare tenha sólidos suspensos, que não são nem afundados nem flutuantes, mas agem como uma espécie de lodo em águas terrestres. “Provavelmente, vários processos diferentes – como vento, chuva e marés – podem afetar o metano e etano presentes no lagos de Titã”, observou Hofgartner. “Queremos ver as semelhanças e diferenças entre os processos geológicos que ocorrem aqui na Terra. Em última análise, vai nos ajudar a compreender melhor os nossos próprios ambientes líquidos aqui”. Provavelmente há mais coisas por vir com a chegada do verão na lua Titã. As estações da lua irão mudar em uma escala de tempo mais longa do que vivemos aqui na Terra. A transição do equinócio da primavera aconteceu no hemisfério norte da lua em agosto de 2009 e vai mudar para o solstício de verão só em maio 2017. “Nós sugerimos que as nossas observações são um vislumbre inicial de processos dinâmicos que estão começando nos lagos e mares do norte de Titã conforme o verão se aproxima”, concluem os autores do estudo.


Fonte: Hypescience

Hubble descobre que três exoplanetas são surpreendentemente secos

Astrônomos, usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, procuraram vapor de água nas atmosferas de três planetas em órbita de estrelas parecidas com o Sol - e descobriram-nos quase secos. Os três planetas, conhecidos como HD 189733b, HD 209458b e WASP-12b, estão entre 60 e 900 anos-luz de distância da Terra e pensa-se serem candidatos ideais para detectar vapor de água nas suas atmosferas devido às suas altas temperaturas onde a água se transforma em vapor mensurável. Estes chamados "Júpiteres quentes" estão tão perto das suas estrelas que têm temperaturas entre os 800 e 2200 graus Celsius. No entanto, descobriu-se que têm apenas entre um décimo e um milésimo da quantidade de água prevista pelas teorias de formação planetária. "A nossa medição de água num dos planetas, HD 209458b, é a medição mais precisa de qualquer composto químico num planeta para lá do nosso Sistema Solar, e podemos agora dizer, com muito mais certeza que nunca, que encontramos água num exoplaneta," afirma Nikku Madhusudhan do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, Inglaterra. "No entanto, a baixa abundância que encontramos até agora é surpreendente." Madhusudhan, que liderou a investigação, disse que esta descoberta representa um grande desafio para a teoria exoplanetária. "Basicamente abre inúmeros problemas na formação planetária. Nós esperávamos que todos estes planetas tivessem muita água. Temos que rever os modelos de formação e migração dos planetas gigantes, especialmente dos 'Júpiteres quentes', e investigar como são formados." Ele enfatiza que estes resultados podem ter implicações importantes para a busca de água em exoplanetas potencialmente habitáveis do tamanho da Terra. Os instrumentos dos futuros telescópios espaciais poderão ter que ser desenhados com uma maior sensibilidade caso os alvos planetários sejam mais secos do que o previsto. "Devemos estar preparados para abundâncias de água muito mais baixas do que o previsto quando olharmos para as super-Terras (planetas rochosos com várias vezes a massa da Terra)," comenta Madhusudhan. Usando espectros próximo do infravermelho para os planetas observados com o Hubble, Madhusudhan e colaboradores estimaram a quantidade de vapor de água, em cada uma das atmosferas planetárias, que explica os dados. Os três planetas foram selecionados porque orbitam estrelas relativamente brilhantes que fornecem radiação suficiente para a recolha de um espectro infravermelho. As características de absorção do vapor de água na atmosfera do planeta são detectáveis porque são sobrepostas sobre a pequena quantidade de luz estelar que é refletida pela atmosfera do planeta. A detecção de água é quase impossível para planetas em trânsito a partir da Terra porque a nossa atmosfera contém uma grande quantidade de água, o que contamina a observação. "Nós realmente precisamos do Hubble para fazer as observações," afirma Nicolas Crouzet do Instituto Dunlap da Universidade de Toronto e co-autor do estudo. A teoria atualmente aceita para a formação dos planetas gigantes no nosso Sistema Solar, conhecida como acreção, afirma que um planeta é formado em torno de uma estrela jovem num disco protoplanetário constituído principalmente por hidrogênio, hélio e partículas de gelos e poeiras compostas por outros elementos químicos. As partículas de poeira aderem umas às outras, eventualmente formando grãos cada vez maiores. As forças gravitacionais do disco atraem estes grãos e partículas maiores até que é formado um núcleo sólido. Isto leva então à acreção de ambos os sólidos e gases para, eventualmente, formar um planeta gigante. Esta teoria prevê que as proporções dos diferentes elementos no planeta são melhorados relativamente às da sua estrela, especialmente o oxigênio, que é suposto ser o mais melhorado. Assim que o planeta gigante se forma, espera-se que o seu oxigênio atmosférico seja largamente englobado dentro de moléculas de água. Os níveis muito baixos de vapor de água encontrados neste estudo levantam uma série de perguntas sobre os ingredientes que levam à formação de planetas. "Existem tantas coisas que ainda não sabemos sobre os exoplanetas, e por isso isto abre um novo capítulo na compreensão de como os planetas e sistemas solares se formam," afirma Drake Deming da Universidade de Maryland, que liderou um dos estudos percursores. "O problema é que estamos supondo que a água é tão abundante nos outros sistemas como no nosso. O que o nosso estudo nos mostra é que as características da água podem ser muito mais fracas do que as nossas expectativas."

Fonte: Astronomia On-line

sexta-feira, 25 de julho de 2014

NASA detecta sinal misterioso a 240 milhões de anos-luz de distância

Um sinal de raios-X misterioso foi encontrado em um aglomerado de galáxias, e cientistas estudam a possibilidade intrigante de que tenha sido produzido pela decomposição de neutrinos estéreis, um tipo de partícula que tem sido proposta como um candidato para a matéria escura. Os astrônomos pensam que a matéria escura constitui 85% da matéria do universo, mas como ela não emite nem absorve luz como a matéria “normal” (prótons, nêutrons e elétrons), os cientistas devem usar métodos indiretos para procurar pistas dela. A observação do sinal foi feita com informações de 17 dias coletas pelo Observatório de Raios-X Chandra da NASA e o XMM-Newton da Agência Espacial Européia (ESA). Apesar do potencial dos resultados, eles devem ser confirmados com dados adicionais para descartar outras explicações e determinar se é plausível que a matéria escura foi de fato observada. Os cientistas encontram uma “linha” de emissão de raios-X não identificada, ou seja, um aumento de intensidade em um comprimento de onda muito específico de luz de raios-X, no aglomerado de galáxias Perseus, a 240 milhões de anos-luz de nós, um dos objetos de maior massa conhecidos do universo. Ele abriga milhares de galáxias imersas em uma vasta nuvem de gás. Os cientistas também detectaram a linha em um estudo combinado de 73 outros aglomerados de galáxias, feito com o XMM-Newton. Os pesquisadores sugerem que esta linha de emissão pode ser uma assinatura do decaimento de um “neutrino estéril”. Neutrinos estéreis são um tipo hipotético de neutrino previsto para interagir com a matéria normal apenas via gravidade. Alguns estudiosos já propuseram que os neutrinos estéreis podem explicar, pelo menos em parte, a matéria escura. “Nós sabemos que a explicação da matéria escura é um tiro no escuro, mas seria emocionante se fosse isso”, disse Esra Bulbul, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica em Cambridge, Massachusetts (EUA), que liderou o estudo. “Então, nós vamos continuar a testar esta interpretação e ver onde isso nos leva”. Um problema é que a detecção desta linha de emissão está no limite das capacidades dos dois observatórios em termos de sensibilidade. Além disso, podem existir outras explicações além de que esse sinal vem de neutrinos estéreis. Existem maneiras pelas quais a matéria normal poderia ter produzido a linha, embora todas elas envolvam mudanças improváveis na nossa compreensão das condições físicas do aglomerado de galáxias ou detalhes da física atômica de gases extremamente quentes. De acordo com o estudo atual, mesmo que a interpretação do neutrino estéril estiver correta, a sua detecção não implica necessariamente que toda a matéria escura é composta por estas partículas. Também, outros pesquisadores já sugeriram que diferentes candidatos a partículas de matéria escura, como o axion, podem explicar melhor o sinal. “Nosso próximo passo é combinar dados de observações de um grande número de aglomerados de galáxias para ver se encontramos o mesmo sinal de raios-X”, disse o coautor do estudo Adam Foster, também do Centro Harvard-Smithsonian. “Há um monte de idéias por aí sobre o que estes dados poderiam representar. Podemos não saber ao certo até lançarmos um novo tipo de detector de raios-X, que será capaz de medir a linha com mais precisão do que atualmente é possível”.

Fonte: Hypescience

A Estação Espacial Internacional tem quase o mesmo tamanho que um campo de futebol

Em homenagem a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a agência espacial norte-americana, a NASA, compartilhou um gráfico que compara o tamanho relativo da Estação Espacial Internacional (EEI) com um campo de futebol. De acordo com as regras da Federação Internacional de Futebol (FIFA), os campos devem ter dimensões que variam entre 90 metros e 120 metros na linha lateral, e entre 45 metros e 90 metros na linha de fundo, sendo que a lateral deve sempre ser maior que a linha de fundo. Em jogos internacionais, as dimensões devem ficar entre 100 metros e 110 metros para a lateral e 64 metros e 75 metros para a linha de fundo. A EEI, por sua vez, possui uma estrutura de suporte de 108,4 metros de comprimento, com módulos de 74 metros. Como é possível ver na figura acima, ela toma quase todo o espaço de um campo de futebol, incluindo seus grandes painéis solares. A estação pesa cerca de 419.000 quilogramas, e seu complexo agora tem mais espaço habitável do que uma casa convencional de seis quartos, além de dois banheiros, uma academia e uma janela com visão de 360 graus. A EEI orbita a Terra a uma altitude de aproximadamente 360 quilômetros, num período de cerca de 92 minutos.

Fonte: Hypescience

Cientistas encontram galáxia com três buracos negros gigantes

Um buraco negro já incomoda muita gente. Dois, então, nem se fala. Mas já imaginou uma galáxia com três buracos negros, um do lado do outro, sugando tudo que encontram pela frente? Pois foi isso que um grupo de cientistas acabou de descobrir. Uma galáxia distante com não um, mas três buracos negros supermassivos em seu núcleo. A nova descoberta sugere que grupos muito unidos de buracos negros gigantes são muito mais comuns do que se pensava e, potencialmente, revela uma nova forma de detectá-los facilmente. Especula-se que buracos negros supermassivos com milhões a bilhões de vezes a massa do Sol se escondem nos corações de praticamente todas as grandes galáxias no universo. A maioria das galáxias tem apenas um buraco negro supermassivo em seu centro. No entanto, galáxias evoluem através da fusão, e esse processo às vezes pode resultar em galáxias com vários buracos negros supermassivos. Os astrônomos observaram uma galáxia cujo nome é a sopa de letrinhas e números SDSS J150243.09 111.557,3, que, suspeitava-se, poderia ter um par de buracos negros supermassivos. Ela fica a cerca de 4,2 bilhões de anos-luz de distância da Terra, a cerca de “um terço do caminho através do universo”, brinca o autor chefe do estudo Roger Deane, um radioastrônomo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. Porém, usando uma técnica que permite uma visualização 50 vezes maior de detalhes do que o telescópio Hubble, os astrônomos descobriram, inesperadamente, que a galáxia era na verdade o lar de três buracos negros supermassivos. Dois deste trio são muito próximos um do outro, o que fazia parecer que eles eram um só. “Todos os três buracos negros têm massas em torno de 100 milhões de vezes maior do que o Sol”, mensura Deane. Os cientistas já conheciam quatro sistemas de buracos negros triplos. No entanto, os buracos negros mais próximos uns dos outros nestes sistemas estão cerca de 7.825 anos-luz de distância um do outro. No trio recém-descoberto, o par mais próximo dos buracos negros está a apenas cerca de 455 anos-luz de distância – o segundo mais próximo par de buracos negros supermassivos conhecidos. Os pesquisadores descobriram este “par apertado” de buracos negros depois de procurar apenas em seis galáxias. Isto sugere que os pares apertados de buracos negros supermassivos são muito mais comuns do que observações anteriores haviam apontado, sugere Deane. Embora pares apertados de buracos negros supermassivos possam ter sido anteriormente difíceis de distinguir, os pesquisadores descobriram que o par que viram deixou um padrão helicoidal – no formato saca-rolhas – nos grandes jatos de ondas de rádio que eles emitem. Isto sugere que os jatos torcidos podem servir como maneiras fáceis de encontrar pares próximos, sem a necessidade de observações telescópicas de extrema alta resolução. Buracos negros que orbitam próximos uns dos outros supostamente geram ondulações no tecido do espaço e do tempo, conhecidas como ondas gravitacionais, teoricamente detectáveis mesmo do outro lado do universo. Ao encontrar pares mais apertados de buracos negros, os cientistas podem estimar melhor a quantidade de radiação gravitacional que esses pares geram. “O objetivo final é uma compreensão autoconsistente de como dois buracos negros separados, que se encontram em duas galáxias que interagem entre si, lentamente se aproximam um do outro, causam impacto em suas galáxias, emitem ondas gravitacionais e, eventualmente, fundem-se para se tornar um, no que, presume-se, seja um evento violento”, aponta Deane.

Fonte: Hypescience

Sonda pousará em cometa duplo

A sonda espacial Roseta está prestes a fazer história ao pousar sobre um cometa. E a tarefa pode ser ainda mais difícil do que se imaginava. Imagens captadas conforme a sonda se aproxima do cometa 67P/Churymov-Gerasimenko - ela deverá alcançá-lo em Agosto - revelaram que o cometa possui uma forma extraordinariamente irregular. São dois componentes bem distintos, com um segmento alongado e outro mais arredondado. Objetos duplos como este são conhecidos como "binários de contato", e não são tão incomuns - o asteróide Itokawa, por exemplo, visitado pela missão Hayabusa, da Agência Espacial Japonesa, possui duas seções com densidades muito diferentes. Mas isso coloca desafios adicionais para a aproximação e o lançamento do módulo de pouso. O módulo que deverá pousar no cometa mede um metro de comprimento por 80 centímetros de altura. A sonda leva 21 experimentos no total, sendo 10 no módulo de pouso e 11 no módulo orbital. As fotos - uma sequência de 36 imagens captadas com intervalos de 20 minutos - foram tiradas a uma distância de 12 mil quilômetros. Isso exigiu uma série de tratamentos em computador para gerar uma melhor visualização. A técnica utilizada, chamada "sub-amostragem por interpolação", remove a pixelização e produz uma imagem mais uniforme. É importante notar que a superfície do cometa não deverá ser tão suave como essa imagem tratada sugere. A textura da superfície ainda não está otimizada porque a sonda espacial ainda está muito longe do cometa. Nesta fase inicial, as regiões aparentemente mais brilhantes ou mais escuras na imagem podem ser falsas interpretações do processo de tratamento de imagem. O nome da sonda, Rosetta, vem da famosa Pedra de Roseta, a partir da qual se conseguiu decifrar os hieróglifos egípcios, cerca de 200 anos atrás. Da mesma forma, os astrônomos esperam que a sonda Rosetta consiga lançar uma luz sobre os mistérios que envolvem a formação do nosso Sistema Solar - os cometas são de grande interesse porque se acredita que sua composição reflita como o Sistema Solar era em seu nascimento, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.

Fonte: Inovação Tecnológica

terça-feira, 22 de julho de 2014

Astrônomos encontram estrutura incomum que parece um colar de pérolas no céu

O Telescópio Espacial Hubble, da agência espacial norte-americana NASA, fotografou uma estrutura incomum no céu, com 100.000 anos-luz de comprimento, que se assemelha a um colar de pérolas em forma de saca-rolhas. A estrutura pode melhorar nosso conhecimento sobre a formação de superaglomerados estelares, que resultam da fusão de galáxias, bem como da dinâmica dos gases neste processo. “Ficamos surpresos ao encontrar esta morfologia deslumbrante. Já há muito tempo que o fenômeno é visto nos braços de galáxias espirais e em pontes entre galáxias que interagem. Entretanto, este arranjo em particular nunca foi visto antes em fusões de galáxias elípticas”, disse Grant Tremblay, do Observatório Europeu do Sul em Garching, Alemanha. Superaglomerados de estrelas jovens azuis são uniformemente espaçados ao longo de uma cadeia através das galáxias, a cada 3.000 anos-luz. Esses aglomerados de estrelas estão dentro de um par de galáxias elípticas, que por sua vez estão dentro de um aglomerado de galáxias denso conhecido como SDSS J1531 3414. A poderosa gravidade do aglomerado deforma as imagens de galáxias em listras azuis e arcos, uma ilusão causada por um efeito conhecido como lente gravitacional. No início, os astrônomos pensaram que o “colar de pérolas” era na verdade uma imagem dessas, mas suas recentes observações com o Nordic Optical Telescope, em Santa Cruz de Tenerife, Espanha, descartaram essa hipótese. A equipe de Tremblay descobriu a sequência bizarra de superaglomerados estelares por acaso, ao rever algumas imagens do Hubble. Os pesquisadores ficaram surpresos com a natureza única da fonte, que impulsionou a equipe a fazer observações de acompanhamento. Os processos físicos subjacentes que dão origem à estrutura do “colar de pérolas” estão relacionados com a “instabilidade de Jeans”, um fenômeno físico que ocorre quando a pressão interna de uma nuvem de gás interestelar não é forte o suficiente para evitar o colapso gravitacional de uma região preenchida com matéria, resultando na formação de estrelas. Atualmente, os cientistas estão trabalhando em uma melhor compreensão da origem dessa cadeia de formação de estrelas. Uma possibilidade é que o gás molecular frio que alimenta a explosão de formação de estrelas pode ter sido nativo das duas galáxias em fusão. Outra possibilidade é o chamado “fluxo de arrefecimento”, em que o gás arrefece a partir da atmosfera ultraquente de plasma que circunda as galáxias, formando piscinas de gás molecular frio que começam a formar estrelas. A terceira possibilidade é que o gás frio alimentando a cadeia de formação de estrelas se origina de uma onda de choque de alta temperatura criada quando as duas galáxias elípticas gigantes colidem. Esta colisão comprime o gás e cria uma folha de plasma densa de arrefecimento. “Seja qual for a origem deste gás de formação de estrelas, o resultado é incrível. É muito emocionante. Não é possível encontrar uma explicação mundana para isso”, disse Tremblay.

Fonte: Hypescience

Descoberto exoplaneta de trânsito com o ano mais longo conhecido

Astrônomos descobriram um exoplaneta em trânsito com o ano mais longo conhecido. Kepler-421b orbita a sua estrela a cada 704 dias. Em comparação, Marte orbita o nosso Sol a cada 780 dias. A maioria dos mais de 1800 planetas extrasolares descobertos até à data estão muito mais perto das suas estrelas e têm períodos orbitais muito mais curtos. "A descoberta de Kepler-421b foi um golpe de sorte," afirma David Kipping, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA), autor principal do artigo que relata o achado. "Quanto mais longe um planeta está da sua estrela, menor a probabilidade de passar à sua frente a partir do ponto de vista da Terra. Tem que estar precisamente alinhado." Kepler-421b orbita uma estrela laranja da classe K, mais fria e tênue que o nosso Sol, a uma distância de aproximadamente 177 milhões de quilômetros. Como resultado, este planeta com o tamanho de Urano tem uma temperatura gelada de -93 graus Celsius. Como o nome implica, Kepler-421b foi descoberto usando dados do telescópio Kepler da NASA. O Kepler foi especialmente desenhado para fazer descobertas deste gênero. Estudou a mesma área do céu durante 4 anos, observando a diminuição de brilho de estrelas, diminuição esta que assinalava o trânsito de planetas. Apesar da sua paciência, o Kepler detectou apenas dois trânsitos de Kepler-421b devido ao seu período orbital extremamente longo. A órbita do planeta coloca-o para lá da "linha de neve" - a linha divisória entre os planetas rochosos e gasosos. Para fora da linha de neve, a água condensa em grãos de gelo que ficam juntos para construir planetas gigantes de gás. "A linha de neve é uma distância crucial na teoria de formação planetária. Nós achamos que todos os gigantes de gás devem ter-se formado para lá desta distância," explica Kipping. Tendo em conta que os gigantes gasosos podem ser encontrados muito perto das suas estrelas, em órbitas de dias ou até mesmo horas, os teóricos acreditam que muitos exoplanetas migram para o interior algum tempo depois da sua formação. Kepler-421b mostra que essa migração não é necessária. Pode ter-se formado exatamente onde o vemos agora. "Este é o primeiro exemplo de um gigante gasoso potencialmente não-migratório, encontrado num sistema de trânsito," comenta Kipping. A estrela hospedeira, Kepler-421, está localizada a cerca de 1000 anos-luz da Terra na direção da constelação de Lira.

Fonte: Astronomia On-line

Cientistas dizem que 80% da luz do universo está desaparecida

De acordo com observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, 80% da luz do universo está desaparecida. Os astrônomos estão completamente perplexos. “Nós ainda não sabemos ao certo o que isso significa, mas pelo menos uma coisa que pensávamos que sabíamos sobre o universo não é verdade”, diz um dos autores do novo estudo, David Weinberg, da Universidade Estadual de Ohio (EUA). O telescópio mostrou que os fios de hidrogênio que formam pontes entre as galáxias estão se iluminando muito, mas não podemos ver nem essa luz, nem a fontes de onde ela provém. Quando estes átomos de hidrogênio são atingidos por luz ultravioleta altamente energética, são transformados de eletricamente neutros em carregados com íons. Os astrônomos ficaram surpresos quando descobriram muito mais íons de hidrogênio do que poderia ser explicado pela luz ultravioleta conhecida no universo, que vem principalmente de quasares. A diferença é de deslumbrantes 400%. Os astrofísicos não sabem o que é responsável pelos efeitos observados. Eles só sabem que isso não corresponde a nossa compreensão do hidrogênio no universo, muito menos se encaixa com nossas simulações atuais. O mistério fica ainda mais estranho quando comparamos esses resultados no universo próximo e distante: esse descompasso só aparece nas partes do espaço mais perto de nós, o chamado universo próximo, relativamente bem estudado. Quando telescópios se concentram em galáxias a bilhões de anos-luz de distância (o que mostra aos astrônomos o que estava acontecendo quando o universo era jovem), a conta parece se equilibrar. O fato de que a contabilidade de luz necessária para ionizar o hidrogênio era correta no início do universo, mas cai muito no “presente”, intriga os cientistas. “Se contarmos as fontes conhecidas de fótons ionizantes, temos até cinco vezes menos do que precisamos. Faltam 80% dos fótons ionizantes”, diz outro coautor do estudo, da Universidade de Colorado (EUA), Benjamin Oppenheimer. A questão é: onde eles estão? De onde estão vindo, que não os estamos encontrando? “A possibilidade mais fascinante é que uma nova fonte exótica, que não quasares ou galáxias, é responsável pelos fótons que faltam”, sugere. Esta matéria exótica pode inclusive ser a misteriosa matéria escura, substância que mantém as galáxias juntas, mas que nunca foi vista diretamente. A luz faltando pode ser um produto desta matéria escura deteriorando ao longo do tempo.

Fonte: Hypescience

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O antigo aglomerado na Nuvem

A imagem acima mostra o NGC 121, um aglomerado estelar globular, localizado na constelação de Tucana (O Tucano). Aglomerados globulares são grandes bolas de estrelas velhas que orbitam o centro de suas galáxias como satélites, a Via Láctea, por exemplo, tem cerca de 150. O NGC 121 pertence a uma galáxia vizinha da Via Láctea, a Pequena Nuvem de Magalhães. Ele foi descoberto em 1835 pelo astrônomo inglês John Herschel, e nos anos recente ele tem sido estudado em detalhe pelos astrônomos que desejam aprender mais sobre como as estrelas se formam e se desenvolvem. As estrelas não vivem para sempre – elas se desenvolvem diferentemente dependendo da sua massa. Em muitos aglomerados, todas as estrelas parecem ter se formado no mesmo tempo, embora em outros nós podemos ver distintas populações de estrelas com diferentes idades. Estudando as velhas populações estelares nos aglomerados globulares, os astrônomos podem efetivamente usá-las como marcadores para as populações estelares de suas galáxias hospedeiras. Com um objeto como o NGC 121, que se localiza perto da Via Láctea, o Hubble é capaz de resolver as estrelas individuais e ter uma idéia bem detalhada de como um aglomerado globular é por dentro. O NGC 121 tem cerca de 10 bilhões de anos, fazendo dele o aglomerado mais velho nessa galáxia, todos os aglomerados globulares da Pequena Nuvem de Magalhães são 8 bilhões de anos mais velhos ou mais jovens. Contudo, o NGC 121 ainda é alguns bilhões de anos mais jovem do que seus parceiros na Via Láctea e em outras galáxias próximas da Via Láctea como a Grande Nuvem de Magalhães. A razão para essa diferença de idade não é completamente claro, mas ele poderia indicar que a formação do aglomerado foi iniciada tardiamente por alguma razão na Pequena Nuvem de Magalhães, ou que o NGC 121 é um sobrevivente de um grupo mais velho de aglomerados estelares.

Fonte: Space Telescope

Uma ponte azul de estrelas entre aglomerados de galáxias

Por que existe uma ponte azul de estrelas através do centro desse aglomerado de galáxias? Antes de mais nada o aglomerado, designado como SDSS J1531+3414, contém muitas galáxias elípticas amarelas. O centro do aglomerado, como mostrado acima pelo Telescópio Espacial Hubble, é circundado por muitos filamentos azuis incomuns, finos e curvos, que são na verdade galáxias muito mais distantes, que têm suas imagens ampliadas e alongadas pelo efeito de lente gravitacional do aglomerado massivo. Mais incomum, contudo, é um filamneto azul, localizado perto das duas grandes galáxias elípticas no centro do aglomerado. Uma inspeção cuidadosa do filamento indica que ele é provavelemnte uma ponte criada pelos efeitos de maré entre as duas galáxias elípticas centrais em fusão, do que uma galáxia em segundo plano com uma imagem distorcida pelo efeito de lente gravitacional. Os nós na ponte são regiões condensaçőes que brilham em azul devido à luz emitida por estrelas jovens e massivas. A região central do aglomerado, continuará provavelemnte sendo já que ela é um interessante laboratório para se entender as formações de estrelas.

Fonte: Cienctec

Cruithne: a Terra teria mesmo duas luas como dizem por aí?

A descoberta de um asteróide de cerca de 5 km de comprimento em 1986, despertou a atenção dos astrônomos e do público em geral. O objeto tinha uma órbita tão incomum que quando visto da Terra dava a impressão que orbitava nosso planeta e muitos chegaram a chama-lo de segunda Lua. Batizado de 3753 Cruithne, o objeto é mais um dos milhares de asteróides que repentinamente cruzam a órbita da Terra. Normalmente, essas rochas passam pelo nosso planeta e seguem sua jornada ao redor do Sol, mas no caso de Cruithne uma rara interação gravitacional o colocou em uma órbita do tipo ferradura, produzindo um padrão orbital bastante estranho. Se você pudesse observar órbita de Cruithne de fora do nosso Sistema Solar, não teria qualquer dúvida que o asteróide orbita o Sol, mas de forma um pouco diferente das elipses comuns. O motivo é que Cruithne é fortemente afetado pela gravidade terrestre, que achata o padrão orbital e produz uma visão que é no mínimo interessante aos observadores na Terra. Devido à essa interação, ambos os objetos retornam todos os anos na mesma posição dentro das respectivas órbitas, o que causa a falsa impressão que Cruithne gira ao redor do nosso planeta e não do Sol. De acordo com os cálculos, a atual órbita deverá se manter assim por pelo menos 5 mil anos até que algo inusitado poderá acontecer. Apesar da falsa impressão, modelos astronômicos indicam que a órbita atual de Cruithne não é estável. Simulações indicam que Cruithne poderá realmente ser capturado pela gravidade da Terra e tornar-se uma verdadeira Lua. Os modelos mostram que essa órbita também não será estável e deverá durar mais ou menos 3 mil anos, até que 3753 Cruithne entre novamente na órbita solar.

Fonte:Apolo 11

Campos magnéticos anulam gravidade de buracos negros

Os buracos negros dominam completamente seus arredores devido à sua força gravitacional extremamente poderosa, da qual "nem a luz escapa", como normalmente se diz. No entanto, outras forças, incluindo o magnetismo, que são geralmente consideradas fracas nesses ambientes, também estão atuando nas imediações desses corpos celestes. A novidade é que novos cálculos indicam que a intensidade dos campos magnéticos pode ser tão forte quanto a gravidade na vizinhança dos buracos negros. A conclusão é de uma equipe de astrônomos do Instituto Max Planck de Radioastronomia (Alemanha) e do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (EUA). Quando o gás nas cercanias é sugado pela gravidade e se projeta em direção ao buraco negro ao longo de um campo magnético, então a influência deste campo magnético torna-se tão forte perto do buraco negro que é gerado uma espécie de equilíbrio com a gravidade, explica Alexander Tchekhovskoy, membro do grupo. Isso muda fundamentalmente o comportamento do gás nas proximidades do buraco negro. Os dados para fazer uma simulação de todo o processo foram obtidos pela observação sistemática dos jatos emitidos pelos buracos negros centrais de mais de 100 galáxias, feita pelo programa Mojave (sigla em inglês para monitoramento de jatos de núcleos galácticos ativos com experimentos VLBA). Com base nas teorias atuais, que tratam os buracos negros como uma espécie de ímã giratório, a força do campo magnético também controla a luminosidade dos jatos emitidos no comprimento de onda de rádio, ou seja, os jatos de rádio extremamente brilhantes no centro das galáxias ativas emanam especialmente daqueles buracos negros onde os campos magnéticos têm forças comparáveis à da gravidade. "Se as nossas idéias se mantiverem após uma análise mais aprofundada, então teríamos que repensar as nossas suposições sobre as propriedades dos buracos negros e seus efeitos sobre seu ambiente," disse Eric Clausen-Brown, coautor do estudo. Surpreendentemente, a intensidade do campo magnético nessas situações de equilíbrio com a gravidade é comparável à gerada por um equipamento bem conhecido aqui na Terra: um aparelho de ressonância magnética. Tanto os buracos negros supermassivos quanto os escâneres de ressonância magnética geram campos magnéticos que são cerca de 10.000 vezes mais fortes do que o campo magnético do nosso planeta.


Fonte: Inovação Tecnológica