segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Novo mapa com dados da Voyager 2 detalha a estranha lua Tritão

A espaçonave Voyager 2 da NASA deu a humanidade a primeira visão em close de Netuno e da sua grande lua, Tritão, em 1989. Como se faz com um filme antigo, as imagens históricas da lua Tritão foram processadas, restauradas e usadas para construir o melhor mapa já realizado desta estranha lua. O mapa foi produzido por Paul Schenk, cientista do Instituto Lunar e Planetário em Houston, EUA. O novo mapa de Tritão tem uma resolução de 600 metros por pixel. No processamento o contraste foi fortalecido mas as cores representam boa aproximação das cores naturais de Tritão. Os “olhos” da Voyager enxergam cores ligeiramente diferentes das do olho humano. Este mapa foi produzido usando imagens capturadas através dos filtros laranja, verde e azul. Durante o sobrevôo de 1989, a maior parte do hemisfério norte estava na escuridão e por isso não foi observado pela Voyager. Devido à rápida velocidade da visita da sonda e da lenta rotação de Tritão, apenas um hemisfério foi visto claramente em curtas distâncias. O resto da superfície ou estava na escuridão ou foi visto de maneira desfocada. Esta produção de um novo mapa de Tritão foi inspirada como uma antevisão do encontro da sonda New Horizons da NASA com Plutão e suas luas, em 2015. Entre as melhorias introduzidas do mapa estão as atualizações que aguçaram as características locais, o aperfeiçoamento na definição dos detalhes superficiais ao remover alguns dos defeitos causados pela falta de foco da câmera e um melhor processamento das cores. Embora Tritão seja uma lua e Plutão um planeta anão, Tritão serve como uma espécie de previsão para o encontro com Plutão. Embora ambos os corpos tenham origem no Sistema Solar exterior, Tritão foi capturado por Netuno e passou por uma fase térmica radicalmente diferente da de Plutão. O aquecimento de marés provocado pela interação gravitacional com Netuno provavelmente derreteu o interior de Tritão, produzindo os vulcões, fraturas e outras características geológicas que a Voyager viu na sua superfície gelada. Não é provável que Plutão seja uma cópia de Tritão, mas algumas características similares podem estar presentes. Tritão é ligeiramente maior que Plutão, mas tem uma densidade interna e composição muito semelhantes. Ambos têm os mesmos elementos voláteis e baixa temperatura nas superfícies geladas. A composição da superfície de ambos consiste do monóxido de carbono, dióxido de carbono, metano e nitrogênio congelado. A Voyager também descobriu plumas atmosféricas em Tritão, o que a faz mais um dos corpos ativos conhecidos do Sistema Solar exterior, além das luas Io (Júpiter) e Enceladus (Saturno). Os cientistas vão observar se Plutão vai se juntar a esta lista. Vão também comparar os contrastes entre Plutão e Tritão, para descobrir como suas histórias diferentes moldaram as superfícies que vemos. O encontro da New Horizons com Plutão será um rápido vôo rasante, previsto para o dia 14 de Julho de 2015. Contudo, este rendez-vous não será uma repetição do “flyby” da Voyager em Tritão. Na verdade, este sobrevôo será uma espécie de sequência e um “reboot”, agora com uma sonda robótica espacial tecnologicamente muito mais avançada. O mais importante é que teremos um novo elenco de personagens. Essas personagens são Plutão e a sua família de cinco luas conhecidas, todas as quais serão observadas de perto pela primeira vez no próximo ano. Tritão pode não ser uma pré-visualização perfeita das próximas atrações que virão, mas serve como um trailer para o “blockbuster” cósmico esperado pelo encontro da New Horizons com Plutão em 2015. Em mais um marco histórico da missão Voyager, o dia 25 de Agosto assinalou o segundo aniversário da entrada da espaçonave Voyager 1 no espaço interestelar.


Créditos: Eternos Aprendizes

Telescópios da NASA encontram céus claros e vapor d’água em exoplaneta

Astrônomos usando dados de três telescópios espaciais da NASA – Hubble, Spitzer e Kepler – descobriram céus limpos e vapor d’água fumegante em um planeta gasoso fora do Sistema Solar. O planeta tem aproximadamente o tamanho de Netuno, fazendo dele o menor onde partículas de qualquer tipo tenham sido detectadas. “Essa descoberta é um marco no caminho para eventualmente se analisar a composição atmosférica de planetas menores e rochosos, mais parecidos com a Terra”, disse John Grunsfeld, administrador assistente do Science Mission Directorate da NASA em Washington. “Essas realizações só são possíveis hoje utilizando de forma combinada a capacidade desses poderosos e únicos observatórios”. Nuvens nas atmosferas de planetas podem bloquear a visão das moléculas subjacentes que revelam informações sobre a composição e a história do planeta. Encontrar céus limpos em um planeta do tamanho de Netuno é um bom sinal que planetas menores podem ter uma boa visibilidade. “Quando os astrônomos começam uma noite de observação, eles dizem céus limpos, como um significado de boa sorte”, diz Joanathan Fraine da Universidade de Maryland em College Park, principal autor do novo estudo que foi publicado na revista Nature. “Nesse caso, nós encontramos céus limpos em um planeta distante. Isso é muito bom para nós, porque isso significa que não existem nuvens cobrindo a nossa visão das moléculas de água”. O planeta , HAT-P-11b, é também chamado de exo-Netuno – um planeta do tamanho de Netuno que orbita outra estrela. Ele está localizado a cerca de 120 anos-luz de distância da Terra na constelação de Cygnus. Diferente do nosso Netuno, esse planeta tem uma órbita mais próxima da sua estrela, completando uma volta ao redor dela a cada cinco dias. Esse é um mundo quente onde acredita-se exista um núcleo rochoso e uma atmosfera gasosa. Não se sabe muito mais sobre a composição do planeta, ou sobre outro exo-Netunos como ele até agora. Parte do desafio em analisar a atmosfera de planetas como esse é o seu tamanho. Planetas maiores, como planetas do tamanho de Júpiter são mais fáceis de serem vistos graças ao seu tamanho e a sua atmosfera. De fato, os pesquisadores já tinham sido capazes de detectar vapor de água nesses planetas. Planetas menores são mais difíceis de serem pesquisados, e além disso, todos observados até o momento pareciam ser mundos cobertos de nuvens. No novo estudo, os astrônomos se focaram na observação da atmosfera do HAT-P-11b, não sabendo se iriam encontrar nuvens ou não. Eles usaram a Wide Field Camera 3 do Hubble, e uma técnica chamada de espectroscopia de transmissão, onde o planeta é observado enquanto cruza a frente da sua estrela. A luz da estrela é filtrada através do anel da atmosfera do planeta. Se moléculas como as de vapor d’água estão presentes, elas absorvem parte da luz da estrela, deixando uma assinatura típica na luz que chega até aos telescópios na Terra. Usando essa estratégia, o Hubble foi capaz de detectar vapor d’água no HAT-P-11b. Essa técnica indica que o planeta não tem nuvens bloqueando a visão e dá uma esperança que mais planetas sem nuvens podem ser localizados e analisados no futuro. Mas antes da equipe poder celebrar os céus limpos no exo-Netuno, eles tiveram que mostrar que manchas estelares – “sardas” mais frias nas faces das estrelas – não eram as fontes reais de vapor d’água. Manchas estelares frias na estrela mãe podem conter vapor d’água que podem erroneamente parecer ser do planeta. Eles conseguiram mostrar isso quando apontaram o Kepler e o Spitzer para a estrela e para o exoplaneta. O Kepler tem observado um pedaço do céu por anos, e o HAT-P-11b localiza-se nesse campo de visão. Seus dados na luz visível foram combinados com as observações realizadas pelo Spitzer nos comprimentos de infravermelho. Comparando essas observações, os astrônomos descobriram que as manchas estelares eram muito quentes para ter qualquer tipo de vapor. Nesse ponto a equipe poderia celebrar que havia conseguido detectar vapor d’água em um mundo diferente do nosso Sistema Solar. “Nós acreditamos que os exo-Netunos podem ter diversas composições, que refletem suas histórias de formação”, disse Heather Knuston do Instituto de Tecnolgia da Califórnia, em Pasadena, co-autor do estudo. “Agora, com dados como esses, nós podemos começar a juntar as peças para contar uma história narrativa para a origem desses mundos distantes”. Os resultados de todos os três telescópios demonstram que o HAT-P-11b é coberto com vapor d’água, gás hidrogênio, e provavelmente outro tipo de moléculas que ainda serão identificadas. Os teóricos desenvolverão novos modelos para explicar a origem e a formação do planeta. “Nós estamos trabalhando na linha dos Júpiteres quentes até os exo-Netunos”, disse Drake Deming, um co-autor do estudo também da Universidade de Maryland em College Park. “Nós queremos expandir nosso conhecimento para um grande número de exoplanetas”. Os astrônomos planejam examinar mais exo-Netunos no futuro, e esperam aplicar o mesmo método para exoplanetas menores como as super-Terras – os primos massivos rochoso do nosso mundo com uma massa 10 vezes maior. Nosso Sistema Solar não tem uma super-Terra, mas a missão Kepler está encontrando esse tipo de planeta ao redor de outras estrelas. O Telescópio Espacial James Webb da NASA, programado para ser lançado em 2018, pesquisará as super-Terras por sinais de vapor d’água e outras moléculas, contudo, encontrar sinais de oceanos e mundos possivelmente habitáveis é provavelmente algo impossível. “O trabalho que estamos fazendo agora é importante para estudos futuros das super-Terras e até mesmo de planetas menores, pois nós queremos ser capazes de identificarmos com antecedência planetas com atmosferas limpas que nos levarão a detectar moléculas”, disse Knutson.


Créditos: Cienctec

Nosso novo endereço cósmico: a Via Láctea pertence ao superaglomerado Laniakea

Astrônomos usando o GBT (Green Bank Telescope) da NSF (National Science Foundation) e outros radiotelescópios determinaram que a nossa Via Láctea faz parte de um enorme e recém-identificado superaglomerado de galáxias, batizado como “Laniakea”, que significa “imenso céu” em Havaiano. Esta descoberta esclarece sobre os limites da nossa vizinhança galáctica e estabelece ligações anteriormente não conhecidas entre os diversos aglomerados de galáxias do Universo local. R. Bent Tully, astrônomo da Universidade do Havaí em Manoa, líder da equipe, falou: Nós finalmente estabelecemos os contornos que definem o superaglomerado de galáxias ao qual podemos chamar de lar. É como descobrir pela primeira vez que a nossa cidade na verdade faz parte de um ‘país’ muito maior e que este faz fronteira com outros ‘países’. Os superaglomerados estão entre as maiores estruturas do Universo conhecido. Os superaglomerados são constituídos por grupos de aglomerados de galáxias, como o nosso Grupo Local, que contêm dúzias de galáxias junto com aglomerados gigantescos que contêm centenas de galáxias, todas interligadas numa rede de filamentos. Embora estas estruturas estejam interligadas, têm limites mal definidos. Para melhor refinar esta cartografia cósmica, os cientistas sugerem uma nova maneira de avaliar estas estruturas galácticas em larga-escala para examinar o seu impacto nos movimentos das galáxias. Uma galáxia entre estruturas será apanhada em uma batalha gravitacional onde o equilíbrio das forças da gravidade das estruturas de larga-escala ao redor determina o movimento da galáxia. Ao utilizar o GBT e outros radiotelescópios para mapear as velocidades de galáxias em todo o nosso Universo local, a equipe foi capaz de definir a região do espaço dominada por cada superaglomerado. Tully comentou: As observações do GBT desempenharam um papel importante na pesquisa que levou a esta nova compreensão dos limites e relações entre um número de superaglomerados. A Via Láctea reside na periferia de um destes superaglomerados, cuja extensão foi cuidadosamente mapeada pela primeira vez usando estas novas técnicas. Este assim chamado Superaglomerado Laniakea mede 500 milhões de anos-luz em diâmetro e contém a massa de cem trilhões de sóis espalhados por 100.000 galáxias. Este estudo também esclarece o papel do Grande Atrator, um ponto focal gravitacional no espaço intergaláctico que influencia o movimento do nosso Grupo Local de galáxias e de outros aglomerados galácticos próximos. Dentro dos limites do Superaglomerado Laniakea, os movimentos das galáxias são direcionados para dentro, do mesmo modo que o percurso de um rio desce uma montanha em direção a um vale. A região do Grande Atrator é um grande vale gravitacional com uma esfera de atração que se estende por todo o Superaglomerado Laniakea. O nome Laniakea foi sugerido por Nawa‘a Napoleon, professor associado de Língua Havaiana e presidente do Departamento de Línguas, Linguística e Literatura da Kapiolani Community College, parte do sistema da Universidade do Hawaí. O nome homenageia os navegadores polinésios que usaram o conhecimento dos céus para viajar através da imensidão do oceano Pacífico.


Créditos: Eternos Aprendizes

domingo, 28 de setembro de 2014

Hubble descobre menor galáxia que contém buraco negro supermassivo

Astrônomos usando o Telescópio Hubble da NASA e observatórios terrestres descobriram um objeto improvável num local improvável - um buraco negro monstruoso escondido dentro de uma das galáxias menores já descobertas. O buraco negro tem cinco vezes a massa do buraco negro no centro da nossa Via Láctea. Está situado dentro de uma das galáxias mais densas conhecidas - a galáxia anã M60-UCD1 que alberga 140 milhões de estrelas e com um diâmetro de aproximadamente 300 anos-luz, apenas 1/500 do diâmetro da nossa Galáxia. Se vivêssemos dentro desta galáxia anã, o céu noturno era deslumbrante e seriam visíveis a olho nu, pelo menos, um milhão de estrelas. O nosso céu noturno, visto a partir da superfície da Terra (a olho nu), mostra cerca de 4.000 estrelas. A descoberta implica que existem muitas outras galáxias compactas no Universo que contêm buracos negros supermassivos. A observação também sugere que as galáxias anãs podem ser na realidade os restos despojados de galáxias maiores que foram dilaceradas durante colisões com outras galáxias, em vez de pequenas ilhas de estrelas nascidas em isolamento. "Nós não conhecemos qualquer outra forma que um buraco negro assim tão grande possa existir dentro de um objeto assim tão pequeno," afirma Anil Seth, da Universidade do Utah, EUA e autor principal do estudo internacional sobre a galáxia anã publicado na revista Nature. A equipe científica de Seth usou o Telescópio Espacial Hubble, o telescópio de 8 metros Gemini Norte e o telescópio infravermelho em Mauna Kea, Hawaii para observar M60-UCD1 e medir a massa do buraco negro. As imagens nítidas do Hubble fornecem informações sobre o diâmetro da galáxia e densidade estelar. O Gemini mede os movimentos estelares à medida que são afetados pela força de atração do buraco negro. Estes dados são usados para calcular a massa do buraco negro. Os buracos negros são objetos ultracompactos, gravitacionalmente colapsados, que têm uma força gravitacional tão forte que nem a luz lhes consegue escapar. Pensa-se que os buracos negros supermassivos - aqueles com a massa de pelo menos um milhão de estrelas como o nosso Sol - estejam no centro de muitas galáxias. O buraco negro no centro da nossa Via Láctea tem a massa de 4 milhões de sóis. Mesmo com esta massa, corresponde a menos de 0,01% da massa total da Via Láctea. Em comparação, o buraco negro supermassivo no centro de M60-UCD1, que tem uma massa equivalente a 21 milhões de sóis, corresponde a uns incríveis 15% da massa total da pequena galáxia. "Isto é bastante surpreendente, tendo em conta que a Via Láctea é 500 vezes maior e mais de 1.000 vezes mais massiva que a galáxia anã M60-UCD1," comenta Seth. Uma explicação é que M60-UCD1 já foi uma grande galáxia que continha 10 bilhões de estrelas, mas que passou muito perto do centro de uma galáxia ainda maior, M60, e que no processo todas as estrelas e matéria escura na parte externa da galáxia foram arrancadas e tornaram-se parte de M60. A equipe acredita que M60-UCD1 pode, eventualmente, vir a fundir-se totalmente com M60, que tem o seu próprio buraco negro supermassivo com uma massa colossal de 4,5 bilhões de massas solares, ou mais de 1.000 vezes mais massivo que o buraco negro da nossa Via Láctea. Quando isso acontecer, os buracos negros das duas galáxias irão provavelmente fundir-se. Ambas as galáxias estão a 50 milhões de anos-luz de distância.

Créditos: Astronomia On-line

Sonda Curiosity encontra uma estranha bola em Marte

Se há uma coisa que podemos dizer sobre a missão da Curiosity em Marte até agora, é que ela não tem sido nada chata. A sonda espacial já capturou milhares de fotografias de rochas marcianas e a rica diversidade da paisagem do planeta vizinho tem proporcionado muitos belos exemplos de geologia planetária – e outros tantos exemplos de esquisitices. A última que veio a público foi que em uma das fotos tiradas em território marciano, aparece uma bola estranha. Não há nada estranho em uma esfera, em si. O estranho é ela estar lá em Marte. Veja este exemplo recente da câmera fotográfica do Laboratório de Ciência de Marte, que foi enviado para o arquivo de fotos da missão em 11 de setembro. Ao compilar um mosaico de imagens da paisagem circundante, a sonda espacial Curiosity capturou essa bola, que é uma forma bastante peculiar para o solo rochoso de Marte. Como você pode ver, há uma esfera perfeita lindamente assentada sobre uma superfície de pedra plana. O solo é empoeirado, mas, pela foto, parece que a bola é mais escura do que a rocha circundante. À primeira vista, parece uma bola de canhão ou, talvez, uma bola de golfe bem suja. Mas se a gente considerar que Marte não é muito conhecido por colecionar troféus nesse esporte, provavelmente há uma outra resposta para o aparecimento dessa forma estranha. É claro que não é nada esculpido à mão (por um humano ou alienígena), apesar de essa possibilidade estar louca para entrar na sua lista. Na verdade, é apenas mais um tipo de rocha fascinante de Marte. Sim, é uma rocha esférica. Segundo os cientistas da NASA, a bola não é tão grande quanto parece – ela tem cerca de um centímetro de largura. A explicação mais provável é que tenha acontecido um fenômeno conhecido como “concreção” (em tradução livre). Outros exemplos de “concreções” já foram encontrados na superfície marciana antes, como pequenas concreções de hematita, observadas durante a missão Opportunity, em 2004. Essas foram criadas durante a formação de uma rocha sedimentar quando Marte tinha uma quantidade abundante de água no estado líquido, milhões de anos atrás. Até agora, todos sabemos que Marte costumava ser muito mais úmido do que é agora. A própria Curiosity já explorou lugares que os cientistas entendem que eram lagos – justamente porque são territórios marcados por camadas de rochas sedimentares. Mas como eles sabem que a rocha sedimentar é típica de um lugar que tem (ou tinha) água? Bom, na Terra, a rocha sedimentar é formada através da interação entre água no estado líquido e material de depósito, que se acumula no fundo do solo – por isso, as camadas são típicas desse tipo de rocha. O mesmo processo ocorreu também em Marte. No recém-formado solo de rochas sedimentares, poros são inevitavelmente criados e os minerais se infiltram nesses poros, construindo gradualmente uma massa resistente à erosão. Ao longo do tempo, como a rocha sedimentar mole sofre erosão, a concretização vai acontecendo e ficando nas camadas mais baixas. Esta pequena esfera é um exemplo de rocha que surgiu a partir da rocha sedimentar subjacente que foi corroída ou, talvez, que rolou de algum outro lugar ao longo do tempo. Agora que a Curiosity atingiu a base do Aeolis Mons (também conhecido como Monte Sharp), os cientistas estão animados para a próxima rodada de operações de perfuração nas formações rochosas. Amostras em pó serão analisadas para que possamos ter uma idéia sobre o quão habitável o Planeta Vermelho foi ao longo de sua história antiga, e se ele foi ou não capaz de suportar vida microbiana.

Créditos: Cienctec

Astrônomos encontram evidências de nuvens de vapor d’água na atmosfera da anã marrom WISE J0855-0714

Uma equipe de pesquisadores, liderada pelo cientista espacial Jacqueline Faherty, encontrou evidências da presença de nuvens de água na atmosfera de uma anã marrom situada a apenas 7,3 anos-luz de distância da Terra. Em seu artigo a equipe descreve como eles encontraram as evidências da descoberta e os próximos passos da pesquisa. WISE J0855-0714 (resumido: W0855) é uma anã marrom detectada pela primeira vez pelo astrônomo Kevin Luhman, quando ele estudou as fotografias tiradas pelo telescópio WISE, da NASA, durante o período de 2010 a 2011. Uma anã marrom é uma estrela falhada, isto é, um objeto que não conseguiu progredir a um ponto em que pudesse sustentar reações termonucleares em seu núcleo. Depois de formados, esses corpos tendem a esfriar ao longo do tempo, reduzindo seu brilho no infravermelho. Os cientistas estimam que a atmosfera da WISE J0855-0714 (W0855) apresenta temperaturas um pouco abaixo do ponto de congelamento da água. Desde a descoberta da primeira anã marrom, os cientistas têm estudado estes corpos para aprender mais sobre aspectos característicos. As anãs marrons são mais fáceis de estudar que os exoplanetas, porque elas, em vários casos, não têm uma estrela nas proximidades para perturbar as medições astronômicas com suas fortes emissões de radiação. Neste último trabalho, os pesquisadores se debruçaram sobre imagens infravermelhas tiradas pelo telescópio Magellan Baade do Chile ao longo de três noites em maio de 2014. Cores observadas nas imagens correspondem ao observado em modelos desenvolvidos para mostrar como uma anã marrom ficaria se possuísse nuvens de água na sua atmosfera. Se mais uma prova confirmar conclusivamente que a descoberta é realmente de nuvens de água, tal marcaria o primeiro desses casos em um corpo fora do nosso sistema solar. WISE J0855-0714 é aproximadamente do tamanho de Júpiter, mas tem três vezes a sua massa. W0855 é também a mais fria anã marrom conhecida. As imagens infravermelhas também indicam que é apenas parcialmente nublado, o que é um fenômeno inédito, pelo menos do ponto de vista conhecido. Tal cenário oferece astrônomos uma oportunidade única para estudar esta situação em outros corpos celestes. Em nosso sistema solar, apenas a Terra e Marte têm nuvens de água. Embora alguns exoplanetas tenham também apresentado assinatura de vapor de água nas suas atmosferas, nenhum deles continha nuvens de água. Os cientistas espaciais não saberão com certeza se as evidências das imagens infravermelhas realmente mostram nuvens de água até o dia em que os pesquisadores, no futuro, usando o telescópio espacial James Webb, conseguirão dar uma boa olhada no WISE J0855-0714 e confirmar as pesquisas.


Créditos: Eternos Aprendizes

Observatório de Raios-X Chandra encontra planeta que faz sua estrela parecer mais velha do que é

Um novo estudo usando dados do Observatório de Raios-X Chandra da NASA tem mostrado que um planeta está fazendo a estrela que orbita agir, ou parecer mais velha do que ela realmente é. A ilustração artística acima mostra na parte principal do gráfico, a estrela, WASP-18 e seu planeta, WASP-18b. O WASP-18b é Júpiter quente, ou seja, um exoplaneta gigantesco que orbita sua estrela a uma distância bem próxima, e que está localizado a cerca de 330 anos-luz da Terra. Especificamente, a massa do WASP-18b é estimada em cerca de 10 vezes a massa do planeta Júpiter, e a sua órbita ao redor da sua estrela mãe leva cerca de 23 horas, ou seja, menos de um dia. Em comparação, Júpiter leva cerca de 12 anos para dar uma volta ao redor do Sol. Os novos dados do Chandra do sistema WASP-18 mostram que esse imenso planeta está tão perto de sua estrela que ele está causando uma diminuição no campo magnético da estrela. À medida que as estrelas envelhecem, sua atividade na emissão de raios-X e sua atividade magnética diminui. Os astrônomos determinaram que a WASP-18 tem uma idade entre 500 milhões e 2 bilhões de anos, uma estrela considerada relativamente jovem. Com essa idade, os astrônomos esperavam que a WASP-18 emitisse muito mais raios-X do que ela realmente emite. Surpreendentemente, as longas observações do Chandra revelam que nenhuma quantidade raios-X está sendo emitido pela WASP-18. Usando relações estabelecidas entre a atividade magnética e a emissão de raios-X das estrelas nas suas idades, os pesquisadores concluíram que a WASP-18 é cerca de 100 vezes menos ativa do que ela deveria ser na sua idade estimada. A baixa quantidade de atividade magnética da WASP-18 é mostrada na ilustração artística pela ausência de manchas solares e fortes flares na superfície da estrela. A fraca emissão de raios-X da estrela tem relativamente pouco efeito na atmosfera externa do planeta próximo, dando a ele uma aparência simétrica. Forças de maré da atração gravitacional do massivo planeta – similar àquela que a Lua tem nas marés da Terra, mas numa escala bem maior – podem ser responsáveis por corromper o campo magnético da estrela. A intensidade do campo magnético na estrela, depende da quantidade de convecção, o processo com o qual o gás quente se move ao redor do interior estelar. A gravidade do planeta pode gerar movimentos de gás dentro da estrela que enfraquecem a convecção. Pelo fato da WASP-18 ter uma zona de convecção mais estreita do que a maior parte das estrelas, ela é mais vulnerável ao impacto das forças de maré que a puxam. O efeito das forças de maré do planeta pode também explicar uma incomum alta quantidade de lítio encontrada em estudos ópticos anteriores da WASP-18. O lítio é normalmente abundante em estrelas mais jovens, mas com o passar do tempo a convecção leva o lítio para as regiões mais quentes e internas da estrela, onde ele é destruído pelas reações nucleares. Se existir menos convecção, o lítio não circula no interior da estrela, permitindo que ele sobreviva.


Créditos: Cienctec

MOM entra com sucesso em órbita de Marte

A sonda MOM (Mars Orbiter Mission) ou Mangalyaan da Índia entrou com sucesso em órbita do planeta Marte no passado dia 24 de Setembro, depois de disparar o seu motor principal e outros oito motores menores. A operação durou 1388,67 segundos, o que mudou a velocidade da nave espacial por 1099 m/s. Com esta operação, a sonda entrou numa órbita elíptica em torno de Marte. Os eventos relacionados com a inserção orbital evoluiram satisfatoriamente e a performance da sonda esteve dentro do normal. Está agora numa órbita cujo ponto mais próximo de Marte encontra-se a 421,7 km e o mais distante a 76.993,6 km. A inclinação da órbita em relação ao plano equatorial de Marte é de 150 graus, como se pretendia. Nesta órbita, a sonda demora 72 horas e 51 minutos e 51 segundos a completar uma volta a Marte. A Mangalyaan foi lançada a bordo do veículo de lançamento indiano PSLV no dia 5 de Novembro de 2013, onde ficou estacionada em órbita terrestre até dia 1 de Dezembro. Seguiu-se uma manobra de injeção e a sonda escapou da órbita da Terra e seguiu um percurso que permitiu encontrar-se com o Planeta Vermelho a 24 de Setembro de 2014. Com o sucesso da operação de inserção orbital, a ISRO (Indian Space Research Organization) torna-se na quarta agência espacial a enviar com sucesso uma nave espacial para a órbita de Marte e é a primeira nação a alcançar Marte logo à primeira tentativa. Nas próximas semanas, a sonda será testada exaustivamente e seguidamente terá início a campanha de observação sistemática do planeta com os seus cinco instrumentos. A sonda indiana vai estudar o clima de Marte, fotografar a superfície e mapear os minerais do planeta, e poderá ser capaz de determinar de onde é que surgiu o metano detectado por sondas anteriores. A MOM é a segunda sonda a chegar a Marte no espaço de uma semana - a sonda MAVEN da NASA chegou a Marte no passado dia 21 de Setembro. Curiosamente, o custo da missão total da MOM é de aproximadamente 74 milhões de dólares, uma fração dos 670 milhões de dólares que a NASA gastou com a MAVEN.

Créditos: Astronomia On-line