domingo, 30 de novembro de 2014

Onde diabos pousou o Philae?

Já passaram duas semanas desde que o módulo Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mas a ESA ainda não sabe se conseguiu perfurar com sucesso a superfície do astro. Nem sequer ainda se sabe o seu local de aterragem final. Entretanto, a companheira Rosetta continua a sua missão. As leituras do CONSERT, um instrumento de radar que ligou o Philae com a Rosetta antes do "lander" ter ficado sem energia, reduziram os potenciais pontos de aterragem até uma faixa de 350 por 30 metros na cabeça do cometa. A determinação da zona de aterragem está dependente do modelo da forma do cometa, razão pela qual existem duas regiões candidatas. Os cientistas da ESA estão agora à procura do Philae em imagens capturadas pelas câmaras da Rosetta, mas se este se encontra em zonas à sombra é apenas suscetível de aparecer quando a luz for refletida pelos seus painéis solares. Quanto à broca do Philae, foi um dos últimos instrumentos a ser ativado antes do módulo ter ficado sem energia. Os gestores da missão sabem que a broca funcionou como o esperado, mas tendo em conta que o "lander" aterrou numa posição inclinada, não sabem se entregou amostras ao instrumento COSAC. Este foi desenhado para estudar moléculas do cometa ao aquecer material num forno e ao medir os gases resultantes. Os dados do COSAC são inconclusivos. Pode não ter havido uma amostra, ou a amostra pode ter sido muito seca, ou seja, apenas podem ter sido libertadas pequeníssimas quantidades de gás. "Teria gostado de ver um sinal claro de uma amostra," afirma Fred Goesmann, líder da equipe do COSAC. "A minha opinião pessimista é que nunca saberemos." Tal resultado pode permanecer mesmo que a ESA consiga contactar novamente com o Philae, caso este consiga acordar quando mais luz incidir nos seus painéis solares. A broca do módulo não tem nenhuma maneira direta de confirmar se obteve uma amostra e não existe nenhuma câmera no forno que recebe a amostra. Goesmann diz que os cientistas discutiram outros sensores para confirmar uma amostra durante o planejamento da missão, mas que descartaram a idéia por causa dos rigorosos limites de peso do módulo Philae. Não são esperados mais dados do Philae, a não ser que acorde em 2015, mas depois de libertar o "lander", a Rosetta está agora a dedicar-se exclusivamente à sua missão científica. A ESA colocou a sonda novamente numa órbita mais elevada, 30 km acima do cometa, mas vai descer até aos 20 km no dia 3 de Dezembro e durante 10 dias para recolher dados sobre o aumento de poeira e gás expelidos pelo cometa à medida que este se aproxima do Sol. O plano é ficar o mais próximo possível do cometa sem colocar a sonda em risco devido à atividade crescente do 67P/C-G.

Fonte: Astronomia On-line

Astronautas da Estação Espacial encontram vida no vácuo

Traços de plâncton e outros micro-organismos foram encontrados vivendo no exterior da Estação Espacial Internacional, de acordo com autoridades espaciais russas. A questão é: como eles foram parar lá? Ou, melhor, como eles sobreviveram ao passeio? Segundo os especialistas, o plâncton não foi dar uma voltinha no espaço no lançamento da nave, pois simplesmente não existem plânctons de onde os módulos russos da estação foram lançados – a teoria mais forte até agora é que eles tenham sido soprados por correntes de ar na Terra. Incrivelmente, os minúsculos organismos foram capazes de sobreviver no vácuo do espaço, apesar das baixas temperaturas, da falta de oxigênio e da radiação cósmica. A descoberta foi feita durante uma caminhada espacial de rotina pelos cosmonautas russos Olek Artemyez e Alexander Skvortsov, que estavam lançando nanosatélites no espaço. Após os lançamentos, eles usaram lenços para polir a superfície das janelas – também conhecidas como iluminadores – no segmento russo da estação quando decidiram analisar a sujeira que estava lá. Surpreendentemente, encontraram a presença de plâncton e outros micro-organismos usando equipamentos de alta precisão. “Os resultados são absolutamente únicos”, afirma o chefe da missão orbital russa, Vladimir Solovyev. “Nós encontramos vestígios de plâncton marinho e partículas microscópicas na superfície do iluminador. Isso deve ser estudado”, sugere. O plâncton não é natural de Baikonur, no Cazaquistão, de onde os módulos russos da estação decolaram. Solovyev não está absolutamente certo como essas partículas microscópicas podem ter aparecido na superfície da estação espacial. Ele acha que eles podem ter sido “elevados” até a estação, a uma altitude de 420 quilômetros. “Plâncton nestes estágios de desenvolvimento podem ser encontrados na superfície dos oceanos. Isso não é típico de Baikonur. Isso significa que existem algumas correntes de ar que chegam à estação e se instalam em sua superfície”, sugere. A Nasa ainda não comentou se resultados semelhantes foram encontrados no passado.


Fonte: Hypescience

Sais de Marte tocam o gelo e produzem água líquida

Não importa a temperatura congelante de Marte: pequenas quantidades de água líquida podem se formar no planeta vermelho. É o que comprova uma pesquisa coordenada pelo brasileiro Nilton Rennó, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, depois de simulações em câmaras que imitam as condições de Marte. A água líquida é um ingrediente essencial para a vida como a conhecemos e Marte é um dos poucos lugares no sistema solar onde os cientistas viram sinais promissores da sua existência. As experiências são as primeiras a testar teorias sobre a formação de água em um clima tão frio como o de Marte - até agora, ninguém detectou diretamente água líquida em nenhum lugar além da Terra. Os pesquisadores descobriram que um tipo de sal presente no solo marciano pode, em questão de minutos, derreter o gelo com o qual entra em contato - exatamente o mesmo efeito dos sais usados para descongelar estradas e ruas durante o inverno em locais frios. Alguns cientistas sugerem que este sal marciano forme água líquida sugando o vapor do ar, através de um processo chamado deliquescência. Em 2008, Nilton Rennó foi o primeiro a notar estranhos glóbulos nas fotos enviadas pela Phoenix. Por várias semanas, os glóbulos pareciam crescer e se aglutinar. Enquanto ele acreditava que eram gotículas de água e sugeria que sais na superfície de planetas poderiam formá-la, muitos de seus colegas discordaram. Afinal, sais ainda não haviam sido encontrados em Marte. Entre os sais que a Phoenix detectou estava o perclorato de cálcio, uma mistura de cálcio, cloro e oxigênio, que se encontra em lugares áridos como o Deserto do Atacama, no Chile. Anos mais tarde, o robô Curiosity encontrou o mesmo material em outro lugar de Marte, em uma região tropical. Agora os cientistas acreditam que este e outros sais estão espalhados em toda a superfície do planeta. Erik Fischer ajusta a Câmara Atmosférica de Marte, usando nitrogênio líquido para resfriá-la. O que a equipe de Rennó fez agora foi recriar em laboratório as condições locais de aterragem da Phoenix, utilizando cilindros metálicos, com 60 centímetros de altura e 1,5 metro de comprimento. As temperaturas nas câmaras variam de -120 a -20º C, como no fim da primavera e início do verão em Marte. A umidade relativa do ar variou, mas durante a maioria dos experimentos, foi ajustada em 100%. Foram testados dois cenários: perclorato isoladamente e perclorato sobre água congelada. Nos experimentos somente com perclorato, foram colocadas camadas com uma espessura de um milímetro de sal, em um prato com a temperatura equivalente à do solo de Marte. Mesmo depois de três horas, não se formou água líquida, mostrando que a deliquescência não estava ocorrendo e é provável que não seja um processo significativo em Marte. Contudo, quando os pesquisadores colocaram perclorato de cálcio ou solo salgado diretamente na camada de gelo, de 3 milímetros de espessura, as gotas de água líquida formaram-se em poucos minutos, assim que as câmaras alcançaram -73º C. Esta simulação representou bem as condições observadas no local de aterragem da Phoenix. "O que é mais emocionante para mim é saber que agora posso compreender como as gotas de água se formaram na perna da espaçonave," disse Nilton Rennó, referindo-se a gotículas flagradas nas pernas da sonda Phoenix, da NASA. Ele acredita que o impacto do pouso da sonda no solo marciano expôs o gelo, derreteu-o e formou aquela salmoura que espirrou na perna da nave, que aterrissou na região polar norte. Os sais permitiram que as gotas permanecessem líquidas. Rennó diz que sua existência e estabilidade mostraram aos cientistas um ciclo, que não necessariamente precisa da ajuda de uma espaçonave terrestre, podendo ocorrer por outros processos. Os resultados sugerem que pequenas quantidades de água líquida podem existir em uma grande área da superfície de Marte e em uma subsuperfície rasa, das regiões polares até regiões com latitudes médias, durante várias horas do dia na primavera e no início do verão. Tal ciclo poderia formar correntes de água, diz Rennó, que fluem, congelam, descongelam e fluem de novo - a água pode se formar somente abaixo da superfície. Rennó afirma que a água não precisa necessariamente ficar líquida indefinidamente para que possa suportar a vida microbiana no presente ou no passado. "Marte é o planeta do nosso sistema solar mais semelhante à Terra. Estudos sugerem que Marte era ainda mais parecido com a Terra no passado, com água fluindo em sua superfície. Ao estudar a formação de água líquida em Marte, podemos saber mais sobre as possibilidades de vida fora da Terra e procurar recursos para missões futuras," acrescentou Erik Fischer, principal autor do trabalho.

Fonte: Inovação Tecnológica

Rover Curiosity estuda em detalhe rochas da base do Monte Sharp

A imagem acima foi feita pela Mast Camera, ou MastCam, do rover Curiosity da NASA em Marte e mostra um conjunto de rochas do embasamento chamadas de Alexander Hills, que o rover se aproximou para uma inspeção detalhada de alvos selecionados. O mosaico constituído de seis frames da MastCam cobre uma área de 2 metros de diâmetro. Ele mostra detalhes dentro de uma área de trabalho acessível para o braço robótico do rover que pode atuar desde a posição onde o rover se encontra. As exposições foram feitas no dia 23 de Novembro de 2014, durante o dia de trabalho em Marte número 817, ou sol. As cores foram balanceadas para se assemelhar ao máximo às cores que seriam observadas durante o dia na Terra. Essa versão anotada mostra o local de três alvos selecionados para o estudo – Aztec, Agate Hill e Cajon – e uma barra de escala de 50 centímetros. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, gerencia o Mars Science Laboratory Project para o Science Mission Directorate da NASA, em Washington. O JPL desenhou e construiu o rover Curiosity do projeto. A empresa Malin Space Sciences em San Diego, construiu e opera a MastCam do rover.

Fonte: Cienctec

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Por que tudo gira no universo?

Essa é uma questão que não pode ser respondida sem que voltemos ao início de tudo. Antes do nosso universo ser preenchido com matéria, antimatéria e radiação, estava em um estado de rápida expansão, onde a única energia encontrada no espaço-tempo era a energia intrínseca ao próprio espaço. Este foi o período de inflação cósmica que deu origem ao Big Bang que identificamos com o nascimento do que chamamos de nosso universo. Durante este tempo, tanto quanto podemos dizer, flutuações quânticas foram produzidas, mas não podiam interagir umas com as outras, já que a expansão do espaço era demasiado rápida. Ela também era a mesma em todos os lugares e em todas as direções, sem eixo preferencial de qualquer tipo. Quando a inflação acabou, a energia intrínseca do espaço foi convertida em matéria, antimatéria e radiação, e essas flutuações quânticas deram origem a regiões superdensas ou pouco densas no universo em rápida expansão. Isto é o que nós chamamos de Big Bang. Desde o início, todas as partículas fundamentais nascem com um momento angular intrínseco: uma propriedade conhecida como spin (em português, algo como “giro” ou “rotação”) que não pode ser separada da própria partícula (somente o bóson de Higgs, de todas as partículas fundamentais, tem um spin que é intrinsecamente zero). Quando estas partículas são criadas, não fazem isso orbitando qualquer outra, porque não tiveram a oportunidade de interagir com outras ainda. Mas elas já nascem com energias cinéticas intrínsecas e em locais com densidades variáveis. No começo do universo, conforme as partículas que nasciam colidiam e interagiam gravitacionalmente, as regiões mais densas atraíam mais e mais matéria e energia, enquanto as menos densas ficavam ainda mais escassas. Com isso, as diferenças gravitacionais entre elas foram aumentando cada vez mais. A menos que duas dessas fontes gravitacionais sejam ambas perfeitamente esféricas e se movam em uma velocidade ao longo da linha imaginária que as liga (o que é extremamente improvável), elas vão exercer um certo tipo de força sobre a outra: a força de maré. Cada porção de matéria e energia que se move relativamente não alinhada com qualquer outra porção de matéria e energia provoca uma interação gravitacional que cria um “torque” – um momento angular, uma grandeza vetorial da física que afeta cada pedaço de matéria que conhecemos. Conforme o tempo passa e o colapso gravitacional acontece, estas pequenas quantidades de momento angular – 50% das quais devem ser no sentido horário e 50% no anti-horário – são suficientes para causar aglomerados imensos de matéria a rodar muito lentamente. E eles continuam rodando, por causa do que chamamos de quantidades conservadas. Você provavelmente está familiarizado com a conservação de energia: a afirmação de que a energia não pode ser criada ou destruída. O momento angular também é uma dessas quantidades (que você pode observar na prática olhando uma patinadora puxando seus braços e pernas para perto de seu corpo). Ao mudar o que é conhecido como o momento de inércia (trazendo sua distribuição de massa mais perto de seu eixo de rotação), a conservação do momento angular determina que sua velocidade angular (ou velocidade de rotação) deve aumentar para compensar: Estrelas, planetas, luas e mesmo galáxias – todo sistema conhecido no universo – têm experimentado essas forças de maré, e tem uma quantidade diferente de zero do momento angular em relação a outros objetos no universo. Em resumo, gravitação, torques e a conservação do momento angular são os motivos pelos quais tudo gira no universo.

Fonte: Hypescience

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Galáxia enigmática desafia astrônomos

Quando olham para o espaço, os astrônomos geralmente fazem uma associação entre distância e tempo - quanto mais longe estiver um corpo celeste, mais antigo ele é. Isto porque a teoria do Big Bang estabelece uma idade do Universo. Ora, se a luz do objeto demorou uma determinada quantidade de anos para chegar até nós, então essa distância é usada para calcular quantos anos aquele objeto tinha, contados a partir do Big Bang, quando emitiu essa luz. É por isso que os astrônomos falam em "galáxias primordiais", criadas apenas alguns milhões de anos após o Big Bang. Contudo, esta nova imagem captada pelo telescópio Hubble mostra uma galáxia que parece oferecer uma exceção a essa regra. A peculiar DDO 68, também conhecida como UGC 5340, parece-se em tudo com uma galáxia primordial, formada pouco tempo após o Big Bang. Ocorre que ela está muito próxima de nós, ou seja, sua luz saiu de lá há muito pouco tempo, o que indica que ela é uma galáxia jovem. A DDO 68 fica a cerca de 39 milhões de anos-luz de distância da Terra. Embora essa distância pareça enorme, ela é cerca de 50 vezes mais perto do que as distâncias habituais para galáxias recém-formadas, geralmente fotografadas pelo Hubble a vários bilhões de anos-luz. Isto é uma pedra no sapato dos teóricos porque o oposto também já aconteceu, ou seja, astrônomos já localizaram galáxias distantes demais, mas muito "evoluídas" para serem tão antigas. Galáxias mais velhas tendem a ser maiores, graças a colisões e fusões com outras galáxias, e são repletas de uma variedade de diferentes tipos de estrelas - incluindo estrelas velhas, jovens, grandes e pequenas. Sua composição química também é diferente. As galáxias recém-formadas têm uma composição rica em hidrogênio, hélio e um pouco de lítio, enquanto as galáxias mais antigas têm elementos mais pesados, forjados ao longo de várias gerações de estrelas. A DDO 68, contudo, questiona esses modelos, apresentando todas as características de uma galáxia primordial no universo local. Intrigados, os astrônomos planejam novos conjuntos de observações para tentar decifrar o mistério.

Fonte: Inovação Tecnológica

Observando o coração da estrela Mira A e de sua parceira

Estudar as estrelas gigantes vermelhas diz aos astrônomos sobre o futuro do Sol – e sobre como as gerações prévias de estrelas espalham os elementos necessários para a vida através do universo. Uma das estrelas gigantes vermelhas mais famosas no céu, é chamada de Mira A, que é parte do sistema binário Mira, que localiza-se a cerca de 400 anos-luz de distância da Terra. Na imagem acima a vida secreta da Mira é revelada pelo ALMA. Mira A é uma estrela velha, que já começou a expelir os produtos do trabalho da sua vida no espaço para que sejam reciclados. A companheira da Mira A, conhecida como Mira B, a orbita a uma distância, equivalente a duas vezes a distância entre o Sol e Netuno. A Mira A é conhecida por ter um vento lento que gentilmente molda o material ao redor. O ALMA tem agora confirmado que a companheira da Mira é um tipo muito diferente de estrela, com um vento muito diferente. A Mira B é uma estrela do tipo anã branca, quente e densa com um forte e violente vento estelar. Novas observações mostram como os ventos dessas duas estrelas têm criado uma fascinante, maravilhosa e complexa nebulosa. A forma bem definida de coração da bolha no centro é criada pelo vento energético da Mira B dentro da Mira A. O coração que se formou em algum momento nos últimos 400 anos, e o resto do gás ao redor do par mostra que elas têm construído esse estranho e belo ambiente de forma conjunta. Observando estrelas como a Mira A e a Mira B faz com que os cientistas tenham a esperança de descobrir como as estrelas duplas da nossa galáxia se diferem das estrelas simples e como elas criaram o ecossistema estelar da Via Láctea. Apesar da distância entre elas, a Mira A e sua companheira têm tido um forte efeito uma na outra e demonstram como as estrelas duplas podem influenciar seus ambientes e como elas podem deixar pistas para que os cientistas possam decifrar. Outras estrelas moribundas e velhas também possuem arredores bizarros, como os astrônomos têm visto, usando o ALMA e outros telescópios. Mas não é sempre que fica claro se as estrelas são simples, como o Sol, ou duplas como a Mira. A Mira A, sua misteriosa parceira e a bolha em forma de coração são todos elementos que fazem parte dessa história.

Fonte: Cienctec

Japão pronto para lançar robô que pousará em asteróide

Depois do feito da sonda européia Rosetta e do seu robô Philae, que pousou sobre um cometa, a agência espacial japonesa (JAXA) prepara-se para repetir o feito, só que pousando sobre um asteróide. A sonda espacial Hayabusa 2 será lançada do Centro Espacial Tanegashima no próximo dia 30 de Novembro. A Hayabusa 1 teve um sucesso relativo, muito similar ao do Philae: ela tocou o asteróide Itokawa em novembro de 2005 e não conseguiu capturar as amostras do solo no volume esperado porque não conseguiu um contato firme com ele. A diferença da missão é que a Hayabusa trouxe de volta as amostras para a Terra. Embora tenham chegado apenas pequenos grânulos de poeira do asteróide, eles foram suficientes para identificar um mineral que não existe na Terra. Esse "quase sucesso absoluto" fez com que a agência espacial japonesa rapidamente começasse a construir a Hayabusa 2, que deverá chegar em Junho de 2018 ao asteróide 1999 JU3, uma rocha de cerca de 1 km de diâmetro que orbita o Sol. A sonda ficará seis meses estudando o asteróide, devendo começar a viagem de volta em dezembro daquele ano, chegando à Terra com as tão esperadas amostras em 2020. A parte mais esperada da missão será o pouso no asteróide. A própria Hayabusa, a exemplo da sua versão anterior, deve tocar o asteróide para estudá-lo, usando um coletor que sugará amostras para dentro da cápsula de retorno. Além disso, ela liberará o pequeno robô Mascot (Mobile Asteroid Surface Scout, explorador móvel da superfície do asteróide, em tradução livre). O robô é uma colaboração das agências espaciais francesa e alemã à missão. Além de estudar a superfície e coletar amostras, o robô Mascot tem o diferencial de poder saltar - de forma controlada - para diferentes locais, estudando a geologia do asteróide de forma mais ampla. Outro experimento que viajará a bordo da Hayabusa 2 é o SCI (Small Carry-on Impactor, pequeno projétil portátil, em tradução livre). Ele irá disparar uma pequena carga explosiva na superfície do asteróide, permitindo que os instrumentos da sonda espacial analisem o que o asteróide esconde abaixo de sua superfície.


Fonte: Inovação Tecnológica

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Análise de imagens antigas revela características ocultas de Urano

O hemisfério sul de Urano parece ser o lar de uma enxurrada de fenômenos atmosféricos anteriormente desconhecidos. A descoberta foi feita pelo astrônomo Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona (EUA), que reanalisou imagens tiradas do planeta há 28 anos pela sonda Voyager 2, da NASA. Segundo ele, há recursos ocultos na atmosfera de Urano que revelam um padrão de rotação inesperado e apontam para a possível existência de uma característica incomum no interior do planeta. Na época, pelas imagens que a agência espacial norte-americana tinha, a metade sul do hemisfério sul de Urano parecia ser a região mais suave do sistema solar exterior. Ao trazer à tona diferenças sutis das informações contidas nas imagens da Voyager, Karkoschka descobriu características inéditas na atmosfera de Urano, revelando que seu hemisfério sul gira de maneira diferente de qualquer outra já observada nos planetas gasosos gigantes antes. O cientista experimentou com diferentes técnicas de processamento e software de reconhecimento até que características inéditas apareceram no planeta. Quando ele empilhou 1.600 imagens em cima umas das outras, dezenas de características tornaram-se visíveis onde antes apenas uma era conhecida. “Algumas destas características são provavelmente nuvens convectivas causadas por correntes ascendentes e condensação”, disse Karkoschka. “Algumas das características mais brilhantes parecem nuvens que se estendem por centenas de quilômetros”. As nuvens apresentam ventos com movimentos principalmente a leste ou a oeste, a uma velocidade de acordo com a latitude. “Uma vez que sabemos a velocidade do vento ou período de rotação em cada latitude, sabemos a circulação da atmosfera do planeta”. Em 1665, Giovanni Cassini realizou a primeira medição de rotação de um planeta gigante, quando acompanhou a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Ao longo dos últimos três séculos e meio, os astrônomos entenderam a circulação completa de Júpiter e Saturno, mas somente cerca de 75% da de Urano e Netuno. O novo trabalho de Karkoschka preenche os 25% restantes para Urano. “Todas as observações anteriores dos planetas gigantes indicaram que eles giravam de forma regular, ou seja, as taxas de rotação em suas respectivas latitudes norte e sul eram as mesmas”, disse Karkoschka. “Minha análise sugere que as taxas de rotação nas altas latitudes de Urano são altamente assimétricas, com algumas latitudes do sul, possivelmente, girando em torno de 15% mais rápido do que suas contrapartes do norte”. A hipótese do pesquisador é que a rotação incomum de altas latitudes do sul de Urano é provavelmente devido a uma característica incomum no interior do planeta. Os astrônomos têm tentado encontrar pistas sobre o interior dos planetas gigantes há muito tempo, mas pouco se sabe até agora. Medições detalhadas da rotação de Urano podem ajudar a determinar a estrutura interior do planeta com bastante precisão, eliminando alguns dos modelos propostos por enquanto. Como a maioria dos mais de mil planetas descobertos em torno de outras estrelas fora do nosso sistema solar são semelhantes em tamanho a Urano, mas estão muito longe de nós para sermos capaz de medir seus perfis de rotação no futuro previsível, um melhor conhecimento de Urano ajudará os cientistas a tirar conclusões sobre a estrutura interior desses exoplanetas também.

Fonte: Hypescience

Todos os outros planetas do sistema solar caberiam no espaço entre a Terra e a Lua

Aqui está um fato interessante que você talvez nunca imaginou ou parou para pensar: dá para colocar todos os 7 outros planetas do sistema solar no espaço que há entre a Terra e a Lua. A distância máxima entre a Terra e seu satélite é de 405.500 km. O diâmetro equatorial de Mercúrio é 4.879 km, Vênus tem 12.104 km, Marte 6.792 km, Júpiter 142.984 km, Saturno 120.536 km, Urano 51.118 km e Netuno 49.528 km. Somando tudo, dá 387.941 km. Claro que esta conta só funciona perto do apogeu lunar porque, em média, a distância entre a Terra e a Lua é de 384.400 km. No perigeu, a Lua está a “meros” 363.300 km. Aposto que você não sabia que cabia tanta coisa entre a Lua e a Terra.

Fonte: Hypescience

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Philae detecta moléculas orgânicas no cometa 67P

O Philae, pequeno robô que pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, experimentou seus contratempos, que começaram com o pouso turbulento. Em vez de não quicar, ele acabou quicando duas vezes, e foi descansar em uma ravina, com pouco Sol. Ficar em uma ravina com pouco Sol implicava que o bravo robozinho tinha que fazer o máximo de experimentos enquanto durasse a carga de suas baterias, que não teriam recarga. E assim foi. Dando uma chance para cada um dos dez instrumentos, o Philae trabalhou até o fim das baterias, deixando a última reserva delas para transmitir à sonda Rosetta o seu legado científico. E que legado! Nas 64 horas de sua curta vida, o Philae fotografou, cheirou, furou e testou o cometa de todas as formas possíveis. Entre os instrumentos que ele tinha, estava o COSAC, de análise de gases. E é deste instrumento que veio o resultado de que o cometa possui moléculas orgânicas, embora ainda não se tenha certeza se elas se tratam de aminoácidos, que são a base das proteínas. Além das moléculas orgânicas, outro resultado chama a atenção, o do sensor MUPUS. O plano original era perfurar 40 centímetros do chão do cometa, mas a superfície do objeto tinha dureza semelhante à do gelo, maior que o esperado, e ele deve ter conseguido penetrar somente entre 10 e 20 cm. Além da dureza do solo cometário, o MUPUS também mediu a temperatura baixa do 67P/Churyumov-Gerasimenko, de cerca de -243°C. Logo depois do pouso, o MUPUS sentiu uma queda de 10°C na temperatura, mas ainda não se sabe qual o motivo. O SESAME, que faz experimentos elétricos, sísmicos e acústicos, confirmou a dureza do cometa. Além disso, confirmou a presença de bastante água. A mais incrível foi a medição do CONSERT. Nessa experiência, a nave Rosetta enviou um sinal de rádio através do cometa para o Philae, e o Philae então transmitiu um segundo sinal também através do cometa para a Rosetta. Este processo foi repetido 7.500 vezes para cada órbita da sonda Rosetta em torno do cometa, e vai servir para construir uma imagem 3D do 67P/C-G, quase uma “tomografia”. A primeira descoberta é que, no seu interior, o cometa é bem mais poroso. O último experimento parece que não pôde ser executado com sucesso. O SD2 deveria coletar amostras do solo do cometa e passá-las para o COSAC e o PTOLEMY, onde seriam analisadas. Os cientistas têm certeza que a coleta foi feita, mas as amostras não foram passadas para os instrumentos. De qualquer forma, o COSAC foi capaz de sentir o cheiro de vários compostos orgânicos na tênue atmosfera cometária. Por enquanto, a sonda Rosetta está analisando as leituras para determinar se são compostos simples como amônia e metanol, ou alguma coisa mais complexa, como aminoácidos. Os técnicos da ESA (Agência Espacial Européia) esperam contatar novamente o Philae ano que vem, quando o ângulo do Sol sobre o cometa vai iluminá-lo. Uma das vantagens do ponto em que ele se encontra é que vai demorar mais para o Philae superaquecer quando o cometa ficar mais próximo do Sol.


Fonte: Hypescience

Dados do VLT Mostram Alinhamento Assustador de Quasares em Distâncias de Bilhões de Anos-Luz

Novas observações feitas com o Very Large Telescope do ESO no Chile tem revelado alinhamentos sobre as maiores estruturas já descobertas no universo. Uma equipe de pesquisadores europeus encontrou que os eixos de rotação dos buracos negros supermassivos centrais em uma amostra de quasares são paralelos entre sim em distâncias de bilhões de anos-luz. A equipe também descobriu que os eixos de rotação desses quasares tendem a se alinhar com estruturas vastas na teia cósmica onde eles residem. Os quasares são galáxias com buracos negros supermassivos muito ativos em seus centros. Esses buracos negros são circundados por discos de rotação de material extremamente quente que é frequentemente expelido em longos jatos ao longo dos eixos de rotação. Os quasares podem brilhar mais intensamente do que todas as estrelas no resto de suas galáxias hospedeiras somadas. Uma equipe liderada por Damien Hutsemékers da Universidade de Liège na Bélgica usou o instrumento FORS no VLT para estudar 93 quasares que são conhecidos por formarem grandes grupos espalhados por bilhões de anos-luz, vistos num tempo em que o universo tinha cerca de um terço da sua idade atual. “A primeira coisa estranha que nós notamos foi que alguns dos eixos de rotação dos quasares estavam alinhados entre si – apesar do fato desses quasares estarem separados por bilhões de anos-luz”, disse Hutsemékers. A equipe então foi mais a fundo e procurou se os eixos de rotação estavam linkados, não somente entre si, mas também com a estrutura do Universo em grande escala no mesmo tempo. Quando os astrônomos observaram a distribuição das galáxias em escalas de bilhões de anos-luz eles descobriram que eles não estavam distribuídos de maneira aleatória. Eles formavam uma teia cósmica de filamentos e aglomerados ao redor de imensos vazios onde as galáxias eram escarças. Esse alinhamento estranho e belo de material é conhecido como estrutura de grande escala. Os novos resultados do VLT indicam que os eixos de rotação dos quasares tendem a ser paralelos nas estruturas de grande escala onde eles próprios são encontrados. Assim, se os quasares estão num longo filamento então a rotação dos buracos negros centrais apontará ao longo do filamento. Os pesquisadores estimam que a probabilidade desses filamentos serem simplesmente o resultado de coincidência é de menos de 1%. “Uma correlação entre a orientação dos quasares e a estrutura que eles pertencem é uma importante previsão dos modelos numéricos da evolução do nosso universo. Nossos dados fornecem a primeira confirmação observacional desse efeito, em escalas muito maiores do que tem sido observado em dados de galáxias ditas normais”, adiciona Sominique Sluse do Argelander-Institut für Astronomie em Bonn, Alemanha e Universidade de Liège. Essa equipe poderia não ter visto os eixos de rotação ou os jatos dos quasares diretamente. Ao invés disso eles poderiam medir a polarização da luz de cada quasar e, para 19 deles, encontrar um sinal significantemente polarizado. A direção dessa polarização, combinada com outras informações, poderiam ser usada para deduzir o ângulo do disco de acreção e então a direção do eixo de rotação do quasar. Os alinhamentos nos novos dados, em escalas maiores do que as previstas atualmente pelas simulações, podem ser uma posta de que existe um ingrediente faltante nos nossos modelos do cosmos”, concluiu Dominique Sluse.


Fonte: Cienctec

Mapa da NASA mostra impactos de asteróides na Terra

Os pontos em laranja são eventos registrados durante o dia, enquanto os pontos azuis são eventos registrados à noite.
A NASA divulgou um mapa mostrando o impacto de asteróides na Terra. A quase totalidade deles era de pequeno porte, entre 1 e 20 metros de diâmetro, desintegrando-se ao entrar em contato com a atmosfera, gerando apenas um meteoro (o fenômeno luminoso, também conhecido como estrela cadente) sem que nenhum meteorito chegasse ao solo. O mapa contém os dados disponíveis de 1994 a 2013, somando 556 eventos - o mapa não cobre todos os impactos de asteróides contra a atmosfera da Terra, mas apenas aqueles detectados pelos sistemas de rastreamento. Os dados revelam que os impactos distribuem-se aleatoriamente ao redor de todo o globo, com poucas áreas menos atingidas - como o Brasil. Os pontos em laranja são eventos registrados durante o dia, enquanto os pontos azuis são eventos registrados à noite. Em cada um dos casos a dimensão do ponto é proporcional ao brilho do meteoro, a energia óptica irradiada, medida em bilhões de Joules, que é então convertida em energia total do impacto. Por exemplo, o menor ponto representado no mapa equivale a 1 bilhão de Joules (1 GJ), que pode ser expressa em termos de uma energia de impacto de 5 toneladas de dinamite. Da mesma forma, os pontos representando 100, 10.000 e 100.000 GJ correspondem a energias de impacto de 300, 18.000 e 1.000.000 de toneladas de dinamite, respectivamente. O maior evento registrado em todo o período corresponde ao meteoro de Chelyabinsk, que explodiu sobre a Rússia em 15 de Fevereiro de 2013, com uma energia calculada entre 440.000 e 500.000 toneladas de dinamite - calcula-se que o asteróide tinha cerca de 20 metros de diâmetro, sendo o maior registrado no mapa.


Fonte: Inovação Tecnológica

Júpiter tem uma colossal queimadura solar

Ao combinar observações da sonda Cassini da NASA com experimentos de laboratório, astrônomos afirmam que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é basicamente uma queimadura solar. Essa cor avermelhada seria um produto de substâncias químicas simples sendo quebradas pela luz solar na atmosfera superior do planeta. Tão amplo quanto duas Terras, o famoso local é uma característica antiga e semelhante a um ciclone, localizada na atmosfera de Júpiter. Três camadas de nuvens principais ocupam altitudes específicas nos céus de Júpiter: da mais alta para a mais baixa, são elas: de amônia, de hidrossulfeto de amônio e de água. Uma das principais teorias para cores marcantes do local argumenta que os produtos químicos avermelhados estão vindo de debaixo de todas essas nuvens. De acordo com essa teoria, a Grande Mancha Vermelha seria um rubor, ao invés de uma queimadura solar. Contudo, uma equipe liderada por Kevin Baines, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, estava decidida a determinar se a cor da mancha poderia derivar da quebra do hidrossulfeto de amônio (a camada de nuvens do meio) induzida pelo Sol, mas eles rapidamente descobriram que, em vez de uma cor vermelha, os produtos de sua experiência de laboratório tinha um tom verde vibrante. Então, a equipe decidiu explodir amônia (a camada de nuvens superior) e gases acetilenos – hidrocarbonetos comuns nas altitudes elevadas de Júpiter – com luz ultravioleta. Isso simula os efeitos do Sol em alturas extremas de nuvens na Grande Mancha Vermelha. O resultado foi um material avermelhado, que a equipe, em seguida, comparou com as observações do Espectômetro de Mapeamente Visível e de Infravermelho (VIMS) da Cassini durante seu vôo de dezembro 2000 sobre Júpiter. As propriedades de dispersão da luz de sua mistura vermelha encontrada no laboratório se encaixavam muito bem com um modelo do local no qual o material de cor vermelha se limita aos alcances superiores. “Nossos modelos sugerem que a maior parte da Grande Mancha Vermelha é de uma cor bastante sem graça, abaixo da camada de nuvem superior de material avermelhado”, disse Baines em um comunicado à imprensa. “Sob a ‘queimadura’ avermelhada as nuvens são provavelmente esbranquiçadas ou acinzentadas”. Considerar que o agente de coloração está confinado ao topo das nuvens contradiz a teoria prevalecente, que diz que a cor vermelha se deve à ressurgência de químicos formados profundamente abaixo das camadas de nuvens visíveis. Se o material vermelho estivesse vindo de baixo, ele deveria estar presente em outras altitudes, explicam os cientistas, o que tornaria a mancha ainda mais vermelha. Segundo a equipe, altitude explica porque o vermelho intenso só é visto no local (e talvez em alguns outros pontos menores). “A Grande Mancha Vermelha é extremamente alta”, conta Baines. “Ela atinge altitudes muito maiores do que nuvens em outros lugares de Júpiter”. A grande altitude do local permite (e aumenta) a vermelhidão. Seus ventos transportam partículas de gelo de amônia para o alto da atmosfera, onde elas estão expostas a muito mais luz ultravioleta do Sol e a natureza de vórtice do local evita que as partículas escapem das nuvens superiores. Os laranjas e marrons são graças a nuvens altas e finas, através das quais nós conseguimos ver as profundezas da atmosfera onde existem substâncias mais coloridas.

Fonte: Hypescience

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O Universo pode ser mais velho do que parece

Quando os astrônomos calcularam pela primeira vez a idade da estrela HD 140283, que fica a uns meros 190 anos-luz da Terra, na constelação de Libra, eles ficaram confusos. Esta estrela rara parece ser tão antiga que foi rapidamente apelidada de estrela Matusalém. É uma sub-gigante pobre em metais, com uma magnitude aparente de 7,2. A estrela é conhecida há cerca de um século como uma estrela de alta velocidade, mas a sua presença em nossa vizinhança solar e sua composição estavam em desacordo com as teorias. Além disso, a HD 140283 não era apenas uma esquisitice do início do Universo, formada pouco tempo depois do Big Bang. Na verdade, ela parece ter 14,460 bilhões de anos de idade - o que a torna mais velha do que o próprio Universo, atualmente estimado em seus 13,817 bilhões de anos (idade estimada a partir da radiação cósmica de fundo de micro-ondas). É claro que, em última análise, revelou-se que as margens de erro na estimativa da idade da estrela Matusalém são maiores do que a pesquisa original sugeriu - os astrônomos adicionaram uma margem de erro de 800 milhões de anos. As barras de erro podem torná-la muito mais jovem, o que faz com que esteja entre os objetos estelares mais antigos conhecidos no Universo, mas, certamente, dentro dos limites de tempo desde o Big Bang. Mas, o que dizer desse igualmente possível limite superior de idade? Existe a possibilidade de que esta estrela possa de alguma forma ser tão antiga quanto as medidas originais sugeriram, mas ainda estar "deste lado do Big Bang"? Birol Kilkis, da Universidade Baskent, na Turquia, acredita que sim. Em 2004, Kilkis introduziu um novo modelo para o Universo - o Modelo do Universo Irradiante (RUM: Radiating Universe Model). Este conceito intrigante sugere que a "exergia", a energia que está disponível para fazer o trabalho e o primeiro foco da teoria termodinâmica no século 19, flui desde o Big Bang para o que Kilkis chama de "dissipador térmico de tamanho infinito no zero absoluto" (0 Kelvin), muito, muito distante no futuro. Usando seu modelo RUM, Kilkis calculou a idade do Universo em 14,885 ± 0,040 bilhões de anos, o que é ligeiramente mais velho do que a estimativa a partir das micro-ondas de fundo, mas acomoda facilmente a idade original da estrela HD 140283. As chamadas "constantes fundamentais" da natureza costumam mudar de vez em quando, conforme as medições se tornam mais precisas. Curiosamente, a teoria de Kilkis dá um novo valor dinâmico para a constante de Hubble e sugere que a expansão do universo está se acelerando desde 4,4 bilhões de anos após o Big Bang, o que pode muito bem acomodar a noção de energia escura. Além disso, esse ritmo acelerado de expansão está ele próprio se desacelerando, o que pode ser explicado pela matéria escura. Energia escura e matéria escura são, como já se discutiu amplamente, os fenômenos físicos polêmicos para os quais não temos absolutamente nenhuma explicação, mas temos indícios observacionais que sugerem que eles são reais. Além disso, a teoria RUM sugere que a constante de Planck não é uma constante pura, mas uma variável cosmológica, um ponto para o qual foi apresentado algum fundamento em 2013 por dois físicos indianos. "A questão ainda sem resposta é para onde o Universo observável está se expandindo. Se o universo em expansão tem uma massa e um volume, qualquer que seja a sua forma, ele deve se expandir para outro meio", diz Kilkis. Esse "meio" teria tamanho infinito e estaria no zero absoluto, agindo assim como um ralo térmico para o Universo, que seria uma fonte de radiação térmica dentro da pia.

Créditos: Inovação Tecnológica

Metade das estrelas pode estar fora das galáxias

Astrônomos acreditam ter encontrado indícios de que metade das estrelas do Universo não faz parte de galáxias, vagando isoladas pelo enorme espaço intergaláctico. Há muito se debate a origem da "Luz de Fundo Extragaláctica" (LFE) - as galáxias conhecidas não emitem luz suficiente para explicar todo o brilho que é captado quando observamos o céu - essa radiação fica na faixa infravermelha do espectro. Há cerca de 10 anos, uma equipe usou dados do telescópio espacial Spitzer para concluir que esse brilho de fundo tinha sido emitido pelas galáxias primordiais, há muito tempo destruídas ou fundidas para formar a atual população de galáxias conhecidas. Agora, usando telescópios especiais a bordo de dois foguetes de sondagem da NASA, Michael Zemcov e seus colegas verificaram que a luz de fundo extragaláctica é azul demais para poder ser atribuída às galáxias muito antigas - nesse caso, o desvio para o vermelho deveria ser muito maior. Segundo eles, a melhor explicação para os novos dados é que esse brilho se origina de estrelas que foram arrancadas de suas galáxias originais por colisões e fusões, e agora flutuam soltas pelo espaço intergaláctico. Essas estrelas não são diretamente observáveis porque estrelas são muito pequenas em comparação com as galáxias que povoam o céu. Apesar disso, "a luz total produzida por essas estrelas desgarradas é mais ou menos igual à luz de fundo que obtemos contando as galáxias individualmente," disse o professor Jamie Bock, membro da equipe. Em outras palavras, se você calcular a luz produzida individualmente por todas as galáxias conhecidas, a soma será menor do que a luz de fundo extragaláctica. Com base nessa intensidade do brilho captado, a equipe conclui que há tantas estrelas desgarradas quanto estrelas reunidas em galáxias. A idéia não é totalmente estranha, uma vez que já se conhecem vários planetas sem estrelas, vagando soltos pelas galáxias, assim como estrelas hipervelozes ejetadas da Via Láctea. E isto sem levar em conta o processo de fusões e choques entre galáxias, que podem deixar muitas estrelas órfãs. "As descobertas redefinem o que os cientistas imaginam ser galáxias. Galáxias podem não ter um conjunto delimitado de estrelas, mas em vez disso se espalharem por grandes distâncias, formando um vasto mar interconectado de estrelas," disse a NASA em comunicado. O experimento CIBER (Cosmic Infrared Background Experiment) consistiu em lançar telescópios com enorme campo de visão - várias vezes a área coberta pela Lua cheia - para observar diferentes partes do céu em diferentes momentos, o que permitiu eliminar a influência da luz zodiacal, o reflexo do brilho do Sol sobre partículas de poeira espalhadas pelo Sistema Solar. Como o processamento dos dados foi extremamente delicado e trabalhoso, envolvendo identificar e remover outras fontes, como as geradas pelo próprio instrumento, pelo Sistema Solar, pelas estrelas, pela Via Láctea e por todas as demais galáxias, vários astrônomos não envolvidos no estudo receberam os resultados com cautela, talvez escaldados pelos casos recentes dos neutrinos superluminais e pela detecção de ondas gravitacionais. Mas muitos concordam que há um problema com os dados observacionais - as galáxias conhecidas não geram a quantidade de radiação detectada - e a equipe forneceu uma explicação possível. "Embora tenhamos projetado nosso experimento para procurar pela emissão das primeiras estrelas e galáxias, essa explicação não se encaixa muito bem nos nossos dados. A melhor interpretação é que estamos vendo a luz de estrelas fora das galáxias, mas nos mesmos halos de matéria escura. As estrelas foram arrancadas das suas galáxias-mãe por interações gravitacionais - que sabemos acontecer a partir de imagens de galáxias interagindo - e arremessadas a grandes distâncias," defende Zemcov.


Créditos: Inovação Tecnológica

Imagem revolucionária feita pelo ALMA revela a gênese planetária

Essa nova imagem do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, revela detalhes extraordinários que nunca foram vistos antes de um disco de formação planetária ao redor de uma jovem estrela. Essas são as primeiras observações que têm usado o ALMA em sua configuração próxima da final e são as imagens mais nítidas já feitas no comprimento de ondas submilimétrico. Os novos resultados representam um gigantesco passo na direção da observação de como os discos protoplanetários se desenvolvem, e consequentemente de como os planetas se formam. Para essa primeira observação do ALMA no seu mais novo e poderoso modo, os pesquisadores apontaram as antenas na direção da HL Tauri – uma jovem estrela, localizada a cerca de 450 anos-luz de distância, que é circundada por um disco empoeirado. A imagem resultante excede todas as expectativas e revela detalhes inesperadamente finos no disco de material deixado para trás depois do nascimento da estrela. A imagem mostra uma série de anéis brilhantes e concêntricos, separados por regiões vazias. “Essas feições são quase que certamente o resultado de corpos jovens parecidos com planetas que estão sendo formados no disco. Isso é surpreendente já que não se espera em jovens estrelas grandes corpos planetários capazes de produzir estruturas como nós estamos vendo na imagem”, disse Stuartt Corder, diretor do ALMA. “Quando nós observamos essa imagem pela primeira vez nós ficamos espantados com o nível espetacular de detalhes. A estrela HL Tauri não tem mais que um milhão de anos de vida, e seu disco já aparece cheio de planetas se formando. Essa é uma imagem que sozinha irá revolucionar as teorias da formação de planetas”, explicou Catherine Vlahakis, cientista do programa ALMA e líder científica do programa para o ALMA Long Baseline Campaign. O disco da HL Tauri aparece muito mais desenvolvido do que se esperaria para uma estrela dessa idade. Assim, a imagem do ALMA também sugere que o processo de formação de planetas pode ser mais rápido do que se pensava anteriormente. Essa alta resolução pode ser alcançada com a capacidade da longa linha de base do ALMA e fornece aos astrônomos novas informações que são impossíveis de serem coletadas com outras instalações, e até mesmo com o Telescópio Espacial Hubble. “A logística e a infraestrutura necessária para colocar as antenas em locais distantes necessitou de um esforço coordenado sem precedentes realizado por uma equipe de especialistas de engenheiros e de cientistas internacional”, disse o diretor do ALMA Pierre Cox. “Essas longas linhas de base representam um dos maiores objetivos do ALMA e marcam um impressionante marco tecnológico, científico e de engenharia”. Estrelas jovens como a HL Tauri nascem em nuvens de gás e poeira fina, em regiões que se colapsaram sob o efeito da gravitação, formando densos núcleos quentes, que eventualmente dão início ao processo de formação de novas estrelas. Essas jovens estrelas vivem inicialmente em casulos de gás e poeira remanescente de sua nuvem, que eventualmente formam discos, conhecidos como disco protoplanetário. Através de muitas colisões as partículas de poeira se aglomeram, crescendo e criando concreções do tamanho de grãos de areia e de cascalho. Finalmente, asteróides, cometas, e até mesmo planetas, podem se formar no disco. Planetas jovens irão corromper o disco e criar anéis, espaços vazios e buracos como esses vistos nas estruturas agora observadas pelo ALMA. A investigação desses discos protoplanetários é essencial para o nosso entendimento sobre como a Terra se formou no Sistema Solar. Observando os primeiros estágios de formação de planetas ao redor da estrela HL Tauri, podemos ter uma idéia de como o nosso sistema planetário se parecia a mais de quatro bilhões de anos atrás, quando ele se formou. “Muito do que nós sabemos hoje sobre a formação de planetas é baseado na teoria. Imagens com esse nível de detalhe faz com que possamos abandonar as simulações computacionais e as impressões artísticas. Essa imagem de alta resolução da HL Tauri demonstra o que o ALMA pode realizar quando estiver operando na sua maior configuração e inicia uma nova era na nossa exploração sobre a formação de estrelas e planetas”, disse Tim Seeuw, Diretor Geral do ESO.

Créditos: Cienctec

Astrônomos desvendam misterioso objeto no centro da Via Láctea

Por anos, os astrônomos quebraram a cabeça para resolver um grande enigma espacial no centro da nossa Via Láctea: um estranho objeto, que se acreditava ser uma nuvem de gás hidrogênio, parecia se mover em direção ao enorme buraco negro da nossa galáxia. Astrônomos da Universidade da Califórnia (UCLA), nos EUA, afirmam ter resolvido o enigma do objeto conhecido como G2 depois de estudar a sua maior aproximação ao buraco negro neste verão. Uma equipe liderada por Andrea Ghez, professora de física e astronomia na UCLA, determinou que o G2 provavelmente é um par de estrelas binárias que orbitava o buraco negro em conjunto e que eventualmente se uniu em uma única estrela extremamente grande, envolta em gás e pó, com seus movimentos coreografados pelo poderoso campo gravitacional do buraco negro. Os astrônomos perceberam que se o G2 fosse uma nuvem de hidrogênio, poderia ter sido dilacerada, e que os fogos de artifício celestes resultantes teriam mudado drasticamente o estado do buraco negro. “O G2 sobreviveu e continua feliz em sua órbita; uma nuvem de gás não teria feito isso”, compara Ghez. “Ele basicamente não foi afetado pelo buraco negro. Não houve fogos de artifício”. Os buracos negros, que se formam do colapso da matéria, têm uma densidade tão alta que nada pode escapar de sua atração gravitacional – nem mesmo a luz. Eles não podem ser vistos diretamente, mas sua influência sobre estrelas próximas é visível e fornece uma espécie de assinatura. Ghez, que estuda milhares de estrelas na vizinhança do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, afirma que o G2 parece ser apenas uma de uma classe emergente de estrelas que estão perto do buraco negro, criadas por causa da poderosa gravidade no local, que impulsiona estrelas binárias a se fundirem em uma só. Ela também observa que, em nossa galáxia, estrelas massivas vêm principalmente em pares. Ela diz que a estrela sofreu um “arranhão” na sua camada exterior, mas, fora isso, vai ficar bem. Ghez e seus colegas, entre eles Gunther Witzel, um estudioso de pós-doutorado da UCLA, Mark Morris e Eric Becklin, professores de física e astronomia da UCLA, conduziram a pesquisa no observatório WM Keck, no Havaí, que abriga os dois maiores telescópios óticos e infravermelhos do mundo. Quando duas estrelas perto do buraco negro se fundem numa só, a estrela se expande por mais de 1 milhão de anos antes de retroceder. “Isso pode estar acontecendo mais do que pensávamos. As estrelas no centro da galáxia são enormes e principalmente binárias. É possível que muitas das estrelas que temos visto e não entendemos podem ser o produto final de fusões que estão calmas agora”, imagina Ghez. Os pesquisadores também determinaram que o G2 parece estar nessa fase inflada agora. O enigma espacial da estrela dupla tem fascinado muitos astrônomos nos últimos anos, particularmente durante o ano que antecedeu a sua abordagem em relação ao buraco negro. Ghez diz que o G2 agora está passando pelo que ela chama de “espaguetificação”, um fenômeno comum perto de buracos negros em que grandes objetos tornam-se alongados. Ao mesmo tempo, o gás na superfície do G2 é aquecido por estrelas em torno dele, criando uma enorme nuvem de gás e poeira que recobre a maior parte da massa da estrela. Estas novas descobertas estão acontecendo em grande parte pela tecnologia dos telescópios havaianos. “Estamos vendo os fenômenos a respeito dos buracos negros que não podem ser vistos de qualquer outro lugar no universo”, acrescenta Ghez. “Estamos começando a compreender a física de buracos negros de uma forma que nunca foi possível antes”.

Créditos: Hypescience

domingo, 9 de novembro de 2014

Curiosity encontra minerais que confirmam observações prévias realizadas desde a órbita de Marte

Rocha avermelhada pulverizada da primeira perfuração realizada numa montanha marciana pelo rover Curiosity da NASA é a primeira confirmação de um mineral já mapeado da órbita do planeta. “Isso nos conecta com as identificações de minerais realizadas da órbita, o que pode nos ajudar a guiar nossas investigações à medida que nós vamos escalar o talude e testar as hipóteses derivadas do mapeamento orbital”, disse John Grotzinger, Cientista do Projeto Curiosity, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. O rover Curiosity coletou rocha pulverizada, perfurando um afloramento na base do Monte Sharp, no final do mês de Setembro de 2014. O braço robótico recolheu um punhado dessa amostra e entregou ao instrumento conhecido como Chemistry and Mineralogy (CheMin), localizado no interior do rover. Essa amostra, do alvo denominado Confidence Hills, dentro do afloramento Pahrump Hills, contém muito mais hematita do que qualquer rocha ou outra amostra de solo previamente analisada pelo CheMin durante os dois anos da missão. Hematita é um mineral de óxido de ferro que nos dá pistas sobre as antigas condições ambientais de quando ele se formou. Em observações relatadas em 2010, antes de se escolher o local de pouso do Curiosity, um instrumento de mapeamento mineral a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, forneceu evidências da hematita numa unidade geológica que inclui o afloramento Pahrump Hills. O local de pouso do rover foi escolhido como sendo dentro da Cratera Gale, uma bacia de impacto de 154 quilômetros de diâmetro com o Monte Sharp exibindo suas camadas e se erguendo a cerca de 5 quilômetros de altura, bem no centro da cratera. “Nós alcançamos a parte da cratera onde nós temos a informação mineralógica que foi importante na seleção da Cratera Gale como local de pouso”, disse Ralph Milliken da Universidade Brown, em Providence, Rhode Island. Ele é um membro da equipe de ciência do Curiosity e foi o principal autor do artigo em 2010 que identificava os minerais com base nas observações feitas da parte inferior do Monte Sharp, pelo instrumento conhecido como Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars, ou CRISM. Nós estamos agora no caminho onde os dados orbitais podem nos ajudar a prever que tipo de mineral nós encontraremos e assim, nos ajudar a fazer boas escolhas sobre onde devemos perfurar o Planeta Marte. Análises como essa nos ajudarão a colocar as observações na escala do robô na história geológica muito mais vasta da Cratera Gale que nós observamos desde a órbita”. Boa parte do primeiro ano da missão do rover Curiosity foi gasto investigando afloramentos na parte baixa da cratera Gale, chamada de Baía Yellowknife, perto de onde o rover pousou. O rover encontrou ali um antigo leito de lago. As rochas ali preservaram as evidências de que ali foi um ambiente úmido há bilhões de anos atrás e que ofereceu os ingredientes e uma fonte de energia favorável para a vida microbiana, se Marte um dia teve micróbios. Minerais argilosos de interesse nessas rochas na Baía Yellowknife não foram detectados da órbita, possivelmente devido à cobertura de poeira que interfere na obtenção de dados pelo CRISM. O rover gastou boa parte do segundo ano de sua missão se dirigindo da Baía Yellowknife até a base do Monte Sharp. A hematita encontrada na primeira amostra da montanha nos diz sobre condições ambientais diferentes daquelas registradas nas rochas da Baía Yellowknife. O material rochoso interagiu com a água e com a atmosfera para tornar-se mais oxidado. As rochas analisadas anteriormente também contêm minerais de óxido de ferro, na sua maior parte magnetita. Uma maneira de se formar hematita é colocar a magnetita nas condições oxidantes. A última amostra tem cerca de oito por cento de hematita e quatro por cento de magnetita. As rochas perfuradas na Bía Yellowknife e no caminho para o Monte Sharp contém cerca de um por cento de hematita e muito mais concentrações de magnetita. “Se tem mais oxidação envolvida na nova amostra”, disse o pesquisador principal do CheMin, David Vaniman do Instituto de Ciência Planetária em Tucson, Arizona. A amostra somente parcialmente oxidada, e a preservação da magnetita e da olivina indica uma gradação nos níveis de oxidação. Essa gradação poderia fornecer uma fonte de energia química para os micróbios. O afloramento de Pahrump Hills inclui múltiplas camadas acima das camadas mais inferiores onde a
amostra de Confidence Hills foi perfurada. As camadas variam em textura e podem também variar em concentrações de hematita e outros minerais. A equipe do rover está agora usando o Curiosity para pesquisar os afloramentos e acessar os possíveis alvos para uma inspeção mais cuidadosa e para futuras perfurações. A missão pode gastar semanas ou até meses no Pahrump Hills, antes de seguir em frente para o empilhamento de camadas geológicas que formam o Monte Sharp. Essas camadas mais elevadas incluem uma faixa de rocha resistente à erosão mais elevada no Monte Sharp com uma forte assinatura orbital de hematita, que é chamada de Cadeia de Hematita. O alvo perfurado em Pahrump Hills é muito mais suave e mais profundamente erodido do que a Cadeia de Hematita. Outro rover da NASA, o Opportunity, fez uma descoberta chave de esférulas ricas em hematita em diferentes partes de Marte em 2004. Essa descoberta foi importante como uma evidência da história da presença de água que produziu essas concreções minerais. A forma da hematita em Pahrump Hills é diferente e é mais importante como uma pista sobre as condições de oxidação. Outras evidências na Cratera Gale têm comprovado a existência de água no passado.

Créditos: Cienctec

UR116: Asteróide recém-descoberto pode mesmo atingir a Terra?

Um novo asteróide classificado como potencialmente perigoso está causando bastante apreensão. O objeto tem cerca 360 metros de comprimento e segundo alguns sites pode se chocar contra a Europa nos próximos anos. Será que isso é verdade? Batizado de 2014 UR116, o objeto foi descoberto em 27 de outubro de 2014 por um dos telescópios robóticos da rede Master, Mobile Astronomical System of the TElescope Robots, mantido pela Universidade de Ural, na Rússia. Assim que foi descoberto, 2014 UR116 teve o eixo maior de sua órbita calculado em cerca de 311 milhões de km, com distância mínima de aproximação solar de 83 milhões de km, cruzando portanto as orbitas de Vênus, Terra e Marte. Asteróides com essas características são classificados como "Apollo" e por cruzarem o caminho da Terra, "potencialmente perigosos". Imediatamente após a notícia da descoberta, diversos sites e blogs começaram a repercutir uma possível chance de impacto, além de comparar as dimensões da rocha à do asteróide Chelyabinsk, que rompeu a atmosfera da Sibéria em fevereiro de 2013. Alguns sites foram ainda mais além e afirmaram que a rocha poderia atingir a Europa, mas não nos próximos quatro anos. Naturalmente, por cruzar a órbita da Terra, 2014 UR116 tem chances de atingir o nosso planeta, assim como outras centenas de asteróides do tipo Apollo. No entanto, em nenhum momento a afirmação de choque partiu de algum cientista. 2014 UR116 foi descoberto há alguns dias e a quantidade de observações ainda é muito pequena para se desenhar com precisão o shape de sua órbita e sem esse conhecimento é impossível afirmar se poderá ou não haver um impacto em algum momento. Pelo mesmo motivo, especular sobre o possível local de impacto é apenas um exercício de futurologia. O período de translação de 2014 UR116 é de 9164 dias e em 21 de outubro deste ano (2014) se aproximou a 12.8 milhões de km do nosso planeta. Apesar das poucas observações, alguns cálculos feitos pelo Apolo11.com mostram que não há risco de impacto contra a Terra, Marte ou Vênus nos próximos 120 anos. Para períodos maiores a precisão começa a ficar bastante deteriorada e será preciso aguardar os cálculos do Minnor Planet Center, MPC e do Solar System Dynamics, da Nasa, que conseguem realizar modelagens orbitais de longo período. Ao que tudo indica, ainda não chegou a hora.

Créditos: Apolo 11

Hubble vê a luz fantasma de galáxias mortas

A uma distância de 4 bilhões de anos-luz existe um superaglomerado de galáxias, chamado de “Aglomerado de Pandora”, ou Abell 2744, com uma massa tremenda. No meio dele, ficam os restos de galáxias mortas. Examinando este grupo, o Hubble registrou a luz fraca de estrelas expulsas de antigas galáxias que foram feitas em pedaços por forças de maré gravitacional alguns bilhões de anos atrás. São estrelas que não fazem parte de nenhuma galáxia atualmente, mas os exames feitos sugerem que elas pertenceram a pelo menos seis galáxias que se aproximaram demais do centro do aglomerado, e foram despedaçadas pelas intensas forças de maré no local, durante um período de 6 bilhões de anos. Algumas das galáxias que foram destruídas eram tão grandes quanto a nossa Via Láctea. Os astrônomos já suspeitavam da existência destas estrelas e esperavam encontrar a luz delas, mas como se tratam apenas de estrelas em um grupo de galáxias brilhantes, elas são ofuscadas pelo brilho das galáxias, e muito difíceis de identificar. Entretanto, a luz destas estrelas tem uma característica única: brilha muito no infravermelho próximo, e o Hubble é bastante sensível a luz infravermelho mesmo extraordinariamente fraca. Desta forma, os astrônomos conseguiram identificar esta luz e obter algumas propriedades das estrelas a partir destas medições. A medição da luz das estrelas fantasmas mostrou que elas são ricas em elementos mais pesados como oxigênio, carbono e nitrogênio, o que indica que são estrelas de segunda ou terceira geração. Uma estrela de segunda ou terceira geração se forma a partir de uma nebulosa molecular que contém elementos mais pesados, com mais prótons que o hidrogênio, e são o resultado de uma supernova. O aglomerado Abel 2744 faz parte de um programa chamado Frontier Fields, que tem a intenção de fazer com que o Hubble e outros telescópios vejam mais longe usando a gravidade de superaglomerados para “dar um zoom” em partes mais distantes do universo, através do efeito de lente gravitacional. Além do Pandora Box, que tem massa equivalente a 4 trilhões de sóis, existem outros cinco aglomerados supermassivos, e a equipe pretende examinar todos para encontrar esta mesma “luz fantasma” – os restos de galáxias mortas há muito tempo, o legado que elas deixaram vagando solitárias no frio vazio do espaço.

Créditos: Hypescience

Adeus "J", olá Agilkia

O local onde o módulo Philae da Rosetta tem aterragem prevista no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, no próximo dia 12 de Novembro, agora tem um nome: Agilkia. O local de pouso, conhecido anteriormente como "Local J", tem o nome da Ilha de Agilkia, uma ilha no Rio Nilo no sul do Egito. Muitos edifícios egípcios antigos, incluindo o famoso Templo de Isis, foram transferidos para Agilkia desde a ilha de Philae, quando esta última foi inundada durante a construção das barragens Aswan no século passado. O nome foi selecionado por um júri composto por membros do Comitê de Navegação do Lander Philae como parte de um concurso público que decorreu entre os dias 16 e 22 de Outubro pela ESA e pelas agências espaciais alemã, francesa e italiana. Agilkia foi uma das escolhas mais populares - foi proposta por mais de 150 participantes. O comitê selecionou Alexandre Brouste da França como o grande vencedor. Como prêmio, o sr. Brouste será convidado a visitar o Centro de Controle de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, Alemanha, para acompanhar a aterragem ao vivo. Embora talvez não tão complicada como navegar a Rosetta e o Philae em direção ao cometa, a tarefa de escolher um nome não foi simples. Foram recebidas em apenas uma semana mais de 8.000 inscrições de 135 países, demonstrando grande criatividade e diversidade cultural. "A decisão foi muito difícil," afirma o prof. Felix Huber do Centro Aeroespacial DLR alemão, presidente do Comitê de Navegação. "Recebemos muitas sugestões boas para o nome do Local J e ficamos encantados com uma resposta tão entusiástica de todo o mundo. Queremos agradecer a todos os participantes que partilharam as suas grandes idéias conosco." Os participantes propuseram nomes numa variedade de línguas, tanto antigas como modernas. Havia também algumas siglas interessantes, sequências curiosas de dígitos e palavras onomatopéicas. As entradas abrangeram uma gama enorme de temas, desde conceitos abstratos até nomes de lugares na Terra. Tal como o nome vencedor, muitas sugestões ecoaram as origens egípcias da Rosetta e Philae, nomeadas em reconhecimento dos marcos de descodificação hieroglífica, o sistema de escrita sagrada do antigo Egito. Muitos nomes marcaram a história da exploração do nosso planeta, pois aquelas viagens para o desconhecido são os antepassados naturais da Rosetta e do Philae. Também foram propostos nomes mitológicos de todo o mundo, incluindo deuses e deusas da água, fertilidade, vida e criação, relacionados intimamente com os temas fundamentais investigados pela missão. Outros nomes foram inspirados pela história antiga e pela pré-história, enquanto outros recordam marcos na história da ciência, particularmente a história da nossa compreensão dos cometas. O progresso da Era Espacial foi também homenageado por muitas entradas. Havia muitas referências à ficção científica, celebrando as obras de Júlio Verne, Arthur C. Clarke e Douglas Adams, entre outros. Também foram propostos personagens imaginários de filmes, séries de televisão, de obras literárias e musicais. Alguns até se referiram aos astronautas virtuais do Kerbal Space Program, um popular videojogo de exploração espacial. Várias entradas reconheceram a missão Rosetta como um esforço alcançado através da cooperação de muitos países europeus, enquanto outras assinalavam as suas inovadoras conquistas técnicas e científicas. E, claro, não houve escassez de entradas mais humorísticas, muitas referindo-se à semelhança do núcleo do cometa com um pato de borracha, uma batata ou até mesmo ao cão dos desenhos animados, Snoopy. Mas a escolha final é Agilkia, que é como o local de aterragem será designado doravante pela ESA e pelos parceiros da missão. "E não podia ser um nome mais apropriado," comenta Fred Jansen, gerente da missão Rosetta da ESA. "A mudança dos templos da Ilha de Philae para a Ilha de Agilkia foi um esforço técnico ambicioso realizado nas décadas de 1960 e 1970 para preservar um registo arqueológico da nossa história." "Daqui a poucos dias, o Philae será libertado da sonda até Agilkia. No dia 12 de Novembro, vamos tentar uma aterragem num cometa, um empreendimento ainda mais ambicioso para desvendar os segredos das nossas origens mais remotas."

Créditos: Astronomia On-line