segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Telescópio Hubble resolve uma crise de identidade galáctica para galáxias Seyfert

Um novo estudo da Universidade da Califórnia em Santa Barbara (EUA) resolveu uma polêmica astronômica de décadas: se as galáxias Seyfert existiam em dois tipos, ou apenas um.
Galáxias Seyfert são galáxias espirais com núcleos extremamente pequenos e muito luminosos, muito semelhantes a quasares.
Quasares são núcleos galácticos cuja luz brilhante é alimentada por buracos negros supermassivos. Quão brilhantes? Digamos que algo equivalente a 600 trilhões de sóis.
Já faz vinte anos que os pesquisadores querem resolver uma crise de identidade para as Seyfert: segundo observações astronômicas, pareciam haver dois tipos desta galáxia. O tipo 1 produziria picos de luz adicionais, enquanto o tipo 2 não.
Os cientistas resolveram observar uma galáxia Seyfert chamada NGC 3147, que parecia se encaixar nos dois tipos, usando o telescópio espacial Hubble.
O que eles descobriram foi que as galáxias na verdade não são divididas em dois tipos; são os mesmos objetos vistos de perspectivas diferentes.
Por exemplo, em determinadas observações, um anel de poeira pode obscurecer a parte interna do que era considerada uma galáxia Seyfert tipo 2. Ao olhar para o centro do núcleo com o Hubble, os pesquisadores conseguiram encontrar os picos de luz que “faltavam” ao tipo 1.
Os pesquisadores continuarão observando a NGC 3147 para confirmar suas observações.

Créditos: Hypescience

Exoplaneta rochoso e do tamho da Terra não tem atmosfera

Um novo estudo usando dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA fornece um raro vislumbre das condições à superfície de um planeta rochoso que orbita uma outra estrela que não o Sol. O estudo, publicado esta semana na revista Nature, mostra que a superfície do planeta poderá ser semelhante à da Lua ou à de Mercúrio: o planeta provavelmente tem pouca ou nenhuma atmosfera e pode estar coberto pelo mesmo material vulcânico refrigerado encontrado nas áreas escuras da superfície da Lua, chamadas mares.
Descoberto em 2018 pela missão TESS (Transiting Exoplanet Satellite Survey) da NASA, o planeta LHS 3844b está localizado a 48,6 anos-luz da Terra e tem 1,3 vezes o raio da Terra. Orbita uma estrela pequena e fria, chamada anã M - especialmente interessante porque, dado que é o tipo estelar mais comum e duradouro da Via Láctea, as anãs M podem albergar uma alta percentagem do número total de planetas da nossa Galáxia.
O TESS encontrou o planeta através do método de trânsito, que envolve a detecção de quando a luz observada de uma estrela-mãe escurece por causa de um planeta que orbita entre a estrela e a Terra. A detecção da luz vinda diretamente da superfície do planeta - outro método - é difícil porque a estrela é muito mais brilhante e abafa a luz do planeta.
Mas durante observações de acompanhamento, o Spitzer foi capaz de detectar a luz da superfície de LHS 3844b. O planeta completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira em apenas 11 horas. Com uma órbita tão íntima, LHS 3844b tem muito provavelmente "bloqueio de marés", ou seja, um lado do planeta está permanentemente virado para a estrela. O lado diurno tem uma temperatura de aproximadamente 170º C. Sendo extremamente quente, o planeta irradia muita luz infravermelha e o Spitzer é um telescópio infravermelho. A estrela-mãe do planeta é relativamente fria (embora ainda seja muito mais quente do que o planeta), o que faz com que a observação direta do lado diurno de LHS 3844b seja possível.
Esta observação assinala a primeira vez que os dados do Spitzer foram capazes de fornecer informações sobre a atmosfera de um mundo terrestre em torno de uma anã M.
Ao medir as diferenças de temperatura entre o lado quente e o lado frio do planeta, a equipe descobriu que existe uma quantidade insignificante de calor sendo transferido entre os dois. Se existisse uma atmosfera, o ar quente do lado diurno expandir-se-ia naturalmente, produzindo ventos que transferiam calor em redor do planeta. Num mundo rochoso com pouca ou nenhuma atmosfera, como a Lua, não existe ar para transferir calor.
"O contraste de temperatura neste planeta é quase tão grande quanto possível," disse Laura Kreidberg, investigadora do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts, autora principal do novo estudo. "Isto combina maravilhosamente com o nosso modelo de um planeta rochoso sem atmosfera."
A compreensão dos fatores que podem preservar ou destruir atmosferas planetárias é parte de como os cientistas planejam procurar ambientes habitáveis para lá do nosso Sistema Solar. A atmosfera da Terra é a razão pela qual a água líquida pode existir à superfície, permitindo que a vida prospere. Por outro lado, a pressão atmosférica de Marte é agora inferior a 1% a da Terra e os oceanos e rios que outrora polvilharam a superfície do Planeta Vermelho desapareceram.
"Nós temos muitas teorias sobre o comportamento das atmosferas planetárias em torno de anãs M, mas não temos conseguido estudá-las empiricamente," disse Kreidberg. "Agora, com LHS 3844b, temos um planeta terrestre fora do nosso Sistema Solar onde, pela primeira vez, podemos determinar observacionalmente que uma atmosfera não está presente."
Em comparação com estrelas parecidas com o Sol, as anãs M emitem altos níveis de radiação ultravioleta (embora menos luz no geral), o que é prejudicial à vida e pode erodir a atmosfera de um planeta. São particularmente violentas na sua juventude, expelindo um grande número de proeminências, ou surtos de radiação e partículas que podem arrancar as atmosferas planetárias em desenvolvimento.
As observações do Spitzer descartam uma atmosfera com mais de 10 vezes a pressão da da Terra (medida em bares, a pressão atmosférica da Terra, ao nível do mar, ronda 1 bar). Uma atmosfera entre 1 e 10 bares, em LHS 3844b, foi também quase totalmente descartada, embora os autores notem que poderá haver uma pequena chance de existir caso algumas propriedades estelares e planetárias satisfaçam determinados critérios muito específicos e improváveis. Eles também argumentam que, com o planeta tão perto da estrela, uma atmosfera fina seria arrancada pela intensa radiação e pelo fluxo da estrela (frequentemente chamado "vento estelar").
"Ainda estou esperançosa que outros planetas em torno de anãs M consigam segurar as suas atmosferas," disse Kreidberg. "Os planetas terrestres no nosso Sistema Solar são extremamente diversos e espero que o mesmo seja verdadeiro para os sistemas exoplanetários."
O Spitzer e o Telescópio Espacial Hubble já reuniram informações sobre as atmosferas de vários planetas gasosos, mas LHS 3844b parece ser o menor para o qual os cientistas usaram a luz vinda da sua superfície para aprender mais sobre a sua atmosfera (ou falta dela). O Spitzer usou anteriormente o método de trânsito para estudar os sete mundos rochosos em torno da estrela TRAPPIST-1 (também uma anã M) e para aprender mais sobre a sua possível composição geral; por exemplo, alguns provavelmente contêm água gelada.
Os autores do novo estudo deram um passo em frente, usando o albedo da superfície de LHS 3844b (a sua refletividade) para tentar inferir a sua composição.
O estudo publicado na Nature mostra que LHS 3844b é "bastante escuro", de acordo com o coautor Renyu Hu, cientista do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, que administra o Telescópio Espacial Spitzer. Ele e os seus coautores pensam que o planeta está coberto por basalto, um tipo de rocha vulcânica. "Sabemos que os mares da Lua são formados por vulcanismo antigo," explicou Hu, "e postulamos que isso pode ter sido o que aconteceu neste planeta."

Créditos: Astronomia On-line

Afinal, qual é a origem do oxigênio no universo?

O Sol não libera somente o calor necessário à vida, como também produz a maior parte do oxigênio existente no universo juntamente com as estrelas. Ao fim dessa frase, parece que o mistério já está resolvido, mas não engane-se: o buraco é muito mais embaixo. Esse elemento é criado através de uma série de reações termonucleares, pouco compreendidas pela ciência. Portanto, até então, temos o “onde” sem o “como”.
"O trabalho de um físico é entender o mundo e, no momento, não compreendemos exatamente de onde vem o oxigênio do universo e como ele e o carbono são produzidos.", declarou Richard Milner, professor de física da Universidade de Washington.
Para solucionar o mistério, Milner e sua equipe do Laboratório de Ciência Nuclear do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) vão investigar o que chamam de “taxa de reação nuclear de captura radioativa” de uma estrela. Os cientistas já sabem que quando uma estrela morre lentamente, ela se “contrai”. Com isso, rápidas colisões ocorrem entre os núcleos de carbono-12 e hélio. Nesse processo, os núcleos de carbono ultrapassam os de hélio, irradiando energia em forma de fóton. Além do fóton produzido, ainda restam os chamados núcleos de oxigênio 16. A partir da decomposição deste núcleo, surge o O2 como o conhecemos: presente nos ventos solares e também em 99,76% da atmosfera terrestre.
Para estudar mais a fundo esse fenômeno, o grupo de cientistas deseja utilizar um acelerador de partículas — que já está em construção. A equipe fará o caminho inverso dos pesquisadores que já tentaram estudar o mesmo assunto e falharam. Para tanto, o grupo planeja dividir o núcleo do gás de oxigênio para derivá-lo em um núcleo de hélio (ou partícula alfa) e em um de carbono-12. Por meio dessa estratégia, eles ficarão mais próximos de uma taxa de reação precisa, que pode aprofundar nossa compreensão sobre a morte das estrelas.

Créditos: Megacurioso

domingo, 25 de agosto de 2019

Telescópio espacial pode transformar a Terra em uma lente de aumento gigante

Quando terminar em algum momento da próxima década, o Europe’s Extremely Large Telescope será o maior do mundo, com um espelho de quase 40 metros de altura. Mas um astrônomo propôs um telescópio espacial ainda mais poderoso – um com o equivalente a um espelho de 150 metros – que usaria a própria atmosfera da Terra como uma lente natural para reunir e focar a luz. O astrônomo David Kipping, da Universidade de Colúmbia, descobriu que um telescópio espacial de 1 metro, posicionado além da Lua, poderia usar o poder de focagem do anel da atmosfera, que é observado ao redor da borda do planeta, para amplificar o brilho de objetos escuros por dezenas de milhares de vezes.
A atmosfera é muito variável para um Terrascópio, como diz Kipping, para produzir belas imagens para rivalizar com as do Telescópio Espacial Hubble. Mas poderia descobrir objetos muito mais fracos do que agora é possível, incluindo pequenos exoplanetas ou asteroides que ameaçam a Terra. Kipping reconhece que mais trabalho é necessário para provar a ideia, mas a tecnologia necessária já existe.
Os astrônomos que leram o paper que Kipping publicou na semana passada no arXiv ficaram encantados e cautelosos. Matt Kenworthy, da Universidade de Leiden, na Holanda, diz que ficou “deslumbrado com o quanto de trabalho e pensamento ele tinha colocado nele”, mas quer mais evidências de que ele funcionará. “Eu gostaria de sentar e fazer um modelo mais realista”, diz ele. Bruce Macintosh, da Universidade Stanford, em Palo Alto, Califórnia, acrescenta: “É um experimento mental interessante, mas há muitos detalhes para se pensar”.
Kipping é bem conhecido por liderar pesquisas por luas em outros sistemas planetários e revelou um forte candidato à primeira exolua no ano passado. Ele diz que o germe da ideia do Terrascópio veio 13 anos atrás, quando ele estava estudando um raro fenômeno atmosférico chamado green flash (flash verde, em português), que aparece exatamente quando o Sol se põe abaixo do horizonte, quando a refração e a dispersão na atmosfera trabalham juntas para selecionar momentaneamente o verde da luz do Sol. Ele percebeu que, do ponto de vista do espaço, você poderia ver um anel verde inteiro, quando o Sol passasse por trás da Terra e sua luz fosse refratada pelo anel de ar em torno da circunferência do planeta.
Kipping também se inspirou na ideia de que o próprio Sol poderia ser usado como uma lente, com sua gravidade focalizando a luz em direção a um detector baseado no espaço. Essa lente solar ampliaria a luz 1 milhão de bilhão de vezes, potencialmente trazendo as superfícies de exoplanetas em vista. A ideia levou à missão Fast Outgoing Cyclopean Astronomical Lens, proposta pela Agência Espacial Europeia em 1993. Mas nunca ganhou força porque o detector teria de ser posicionado 550 vezes a distância entre a Terra e o Sol no espaço, quase 20 vezes mais distante do que Netuno – uma distância que exigiria um século para uma nave espacial alcançar.
Mas o Terrascópio poderia estar muito mais perto de casa, diz Kipping. Ele calculou que a luz superficial de um objeto diretamente atrás da Terra é desviada para um foco de 85% da distância até a lua. É provável que a luz que atinge esse ponto focal encontre nuvens e muita turbulência ao passar pela atmosfera inferior. Mas mova o detector a 1,5 milhão de quilômetros de distância, para um foco quatro vezes mais distante do que a lua, e ele experimentaria a luz que passou pela estratosfera muito mais calma e livre de nuvens a uma altitude de 13,7 quilômetros.
Um telescópio de 1 metro a essa distância, observando por uma noite inteira, veria um objeto impulsionado para 22.500 vezes seu brilho original, ele calcula – o equivalente ao uso de um telescópio de 150 metros. A poderosa amplificação do Terrascópio significa que ele se sobressairia na detecção de objetos muito tênues ou em mudanças mínimas no brilho, diz Kipping, permitindo que ele escaneie o céu em busca de asteroides muito pequenos e escuros ou meça as pequenas quedas de brilho à medida que pequenos exoplanetas passam na frente de estrelas brilhantes.
Para evitar que seja ofuscado pelo disco brilhante da Terra, o telescópio precisaria de uma máscara, conhecida como coronógrafo, para bloqueá-lo. Kipping também diz que ele ainda não levou em conta o impacto do “airglow”, uma luz fraca emitida na atmosfera superior por luminescência e outros processos. Mas ele observa que o brilho poderia ser removido com filtros ou digitalmente, aproveitando o fato de que é constante, enquanto objetos de interesse estão mudando constantemente. O conceito do Terrascópio poderia ser testado, diz ele, com uma missão CubeSat.
Kenworthy diz que a variabilidade da atmosfera poderia degradar seriamente a qualidade da imagem do Terrascópio. Para avaliar o impacto, ele diz: “O próximo passo seria traçar raios com um modelo realista da atmosfera da Terra”. Idealmente, a lente gigante deveria focar a luz em um ponto. “Na realidade, você provavelmente teria um padrão de bolhas”.
Macintosh concorda. “A atmosfera da Terra é uma lente bonita, mas não é a ideal, porque produz imagens muito borradas”, diz ele. Mas ele poderia encontrar uma função ao estudar mudanças de brilho em objetos muito tênues, ao explorar sua função como um enorme “balde de luz”.
De qualquer forma, Kipping tem astrônomos falando sobre a ideia. “Eu não lançaria um satélite com base apenas nesse paper”, diz Kenworthy. “Mas é um excelente primeiro passo”.

Créditos: Universo Racionalista

Análise de mudança climática de Marte enche pesquisadores de esperança sobre vida passada

Nós já sabemos que houve água em Marte, no passado distante, que formou rios e lagos na superfície do planeta. Mas não há consenso sobre se o Planeta Vermelho teria sido sempre tão frio como agora.
Uma nova pesquisa, baseada na suposição que o clima de Marte poderia ter sido tão quente, que permitiria a queda de chuvas e que rios corressem, aumenta a possibilidade de ter existido vida no Planeta Vermelho.
"Nós sabemos que houve períodos em que a superfície de Marte esteve congelada, nós sabemos que houve períodos em que a água fluía livremente. Mas nós não sabemos exatamente quando foram estes períodos e por quanto tempo duraram", disse a professora Briony Horgan, da Universidade Purdue, em Indiana, durante a apresentação dos resultados na conferência de geoquímica em Barcelona na terça-feira (20).
A equipe de cientistas liderada por Briony Horgan estudou os dados sobre depósitos de minerais em Marte usando o rover Curiosity e o espectrômetro CRISM da NASA, que detecta minerais na superfície que podem indicar a existência de água liquida no passado.
Depois os cientistas compararam os dados com a informação de vários lugares da Terra para entender se haveria quaisquer semelhanças entre Marte antigo e a Terra antiga.
"Nossa pesquisa do intemperismo em condições climáticas totalmente diferentes, tais como o Oregon, Havaí, Islândia e outros lugares na Terra, pode nos mostrar como o clima afeta os padrões de depósitos minerais tal como os vemos em Marte", disse a professora Horgan.
Segundo ela, as descobertas indicam uma "tendência geral lenta" do clima quente ao frio em Marte entre três e quatro bilhões anos atrás. Aproximadamente o mesmo tempo em que a vida apareceu na Terra.
"Se é assim, então isso é importante na busca por uma possível vida em Marte", adiciona ela.
Professora Horgan é copesquisadora na missão Mars 2020, que vai coletar amostras minerais em Marte e levá-las para Terra para buscar evidências de ambientes habitáveis e de vida no passado do planeta.

Créditos: Sputnik

Alguns exoplanetas têm "maiores chances de abrigar vida" do que a Terra: entenda

A Terra parece um planeta feito para a vida sob medida: a temperatura, a presença de água e a atmosfera fazem dela o local ideal para abrigar seres vivos. Mas, durante o congresso de geoquímica Goldschmidt, que ocorreu na capital da Espanha neste mês, cientistas apresentaram um estudo afirmando que talvez planetas fora do Sistema Solar tenham condições ainda melhores para a existência da vida.
“ É uma conclusão surpreendente”, disse a cientista Stephanie Olson, que participou do estudo. “As condições em alguns exoplanetas com padrões de circulação oceânica favorável podem ser melhores para permitir vida que é mais abundante e mais ativa do que a da Terra.”
Para determinar quais mundos tinham melhores chances de abrigar vida, os pesquisadores investigaram os climas e os oceanos dos exoplanetas usando o ROCKE-3D , um software feito pelo Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da NASA.
Os oceanos são muito importantes na regulação dos sinais de vida em outros planetas habitáveis. Marte, inclusive, pode ter um reservatório de água congelada e, há bilhões de anos, teria regiões com água corrente. Porém, quando se trata de oceanos em exoplanetas, o conhecimento que temos ainda é muito rudimentar.
“Quanto mais afloramento [subida das águas ricas em nutrientes], mais suprimento de nutrientes. Isso significa que há mais atividade biológica”, explicou Olson. “É isso que devemos procurar nos exoplanetas.”
Mas há ainda outros fatores relevantes, como a densidade atmosférica maior, rotação mais lenta e a presença de continentes — critérios que também aumentam as chances de habitação nos exoplanetas. “A Terra pode não ser otimamente habitável e a vida em outro local pode usufruir de um planeta que é ainda mais hospitaleiro do que o nosso”, contou a pesquisadora.
Agora, o novo estudo poderá ser usado para o desenvolvimento do design de telescópios que serão usados em futuras missões da NASA, como a do observatório espacial Large UV Optical Infrared Surveyor ( LUVOIR) e do Habitable Exoplanet Observatory (HabEx), que planeja, pela primeira vez, registrar uma imagem de um exoplaneta parecido com a Terra.

Créditos: Galileu

Rochas no asteróide Ryugu são semelhantes com as da Terra

Cientistas descobriram que o asteróide Ryugu, que está sendo explorado pela sonda espacial japonesa Hayabusa-2, é composto por rochas que são parecidas com os meteoritos encontrados na Terra. A descoberta é importante porque um asteróide contém material dos primeiros dias do nosso sistema solar, então a semelhança com a Terra poderia ajudar na compreensão do passado do nosso planeta.
O estudo publicado na revista Science diz que algumas das rochas lembram meteoritos de condritos carbonáticos, um dos tipos mais antigos de rochas conhecidas no Sistema Solar. No entanto, não é possível saber exatamente qual é a forma original dessas estruturas, já que as amostras presentes na Terra foram alteradas quando passaram pela atmosfera.
"O que descobrimos dessas imagens é realmente saber como as rochas e o material estão distribuídos na superfície desse asteróide, qual é a história de intemperismo dessas coisas e o contexto geológico", afirmou Rolf Jaumann, do Centro Aeroespacial Alemão.

Créditos: Galileu

Cientista revela plano para desviar asteroide gigante que ameaça a Terra

A próxima missão espacial pode ser crucial para salvar nosso planeta, pois seu objetivo é preparar a Terra para evitar uma ameaça real de um asteróide, afirmou Brian May.
O astrofísico e guitarrista explicou como a NASA e a ESA estariam se preparando para enfrentar a hipotética ameaça.
As agências devem testar a capacidade de desviar o Didymos 65803, um asteróide potencialmente perigoso de 775 metros, orbitado por uma "lua" de 160 metros, informalmente chamada de "Didymoon".
"Apenas esta lua, aparentemente minúscula, já seria grande o suficiente para destruir uma cidade se ela colidisse com a Terra. Mas vamos descobrir se será possível desviá-la. Isso será muito, muito difícil", ressaltou May.
Primeiramente, a NASA vai atingir o asteróide menor com sua espaçonave impactadora DART (sigla para Teste de Redirecionamento de Asteróides Binários), a uma velocidade de seis quilômetros por segundo (21.600 km/h), informou May.
Logo após, a sonda HERA, da ESA, entrará para mapear a cratera resultante do impacto e medir a massa do asteróide, enquanto um par de CubeSats (satélites miniaturizados) examinará a rocha espacial a uma distância mais próxima, ou até mesmo, pousando nela.
"A escala desta experiência é muito grande, algum dia esses resultados poderão ser cruciais para salvar nosso planeta. A observação cuidadosa da sonda HERA após o impacto da DART ajudará a provar se os asteróides podem ou não ser desviados, bem como se essa será uma técnica de defesa eficaz ou não [...]", completou May.

Créditos: Sputnik

terça-feira, 20 de agosto de 2019

NASA se prepara para asteróide 'Deus do Caos' que pode colidir com Terra em 10 anos

Daqui a uma década, um enorme asteróide potencialmente perigoso, que recebeu o nome de uma divindade maligna e destruidora do Antigo Egito, vai passar perto da Terra, voando como uma bala.
A probabilidade deste asteróide colidir com o nosso planeta é de uma em 45.000.
A NASA já começou a se preparar para a "chegada" iminente do asteróide 99942 Apophis, também conhecido como "Deus do Caos", que passará perto da Terra a uma distância de 31.000 quilômetros em 13 de abril de 2029.
Este corpo celeste, dono de um diâmetro de 340 metros, é considerado potencialmente perigoso, sendo um dos maiores asteróides a passar muito perto da superfície do nosso planeta, com uma probabilidade de atingi-lo, escreve tablóide britânico Express.
Se a colisão acontecer mesmo, danos à humanidade serão devastadores, dada a sua velocidade de 40.233 km/h.
Enquanto pesquisadores da NASA estão se preparando para analisar a rocha gigantesca quando ela passar pela Terra, Elon Musk, presidente-executivo da Tesla e SpaceX, não se mostra nem um pouco perturbado com a aproximação potencialmente perigosa, chegando até mesmo a escrever no Twitter que "uma grande rocha vai colidir com a Terra eventualmente e agora não temos defesa nenhuma".

Créditos: Sputnik

Astrônomos descobrem novo planeta orbitando estrela da Via Láctea

A Beta Pictoris é uma estrela jovem da Via Láctea que está cercada por um disco de poeira, conforme a revista Nature.
"Falamos de um planeta enorme, aproximadamente 3.000 vezes maior que a Terra, localizado 2,7 vezes mais longe de sua estrela que a Terra do Sol", afirmou à AFP Anne-Marie Lagrange, principal autora do estudo.
O novo planeta, chamado de Beta Pictoris C, possui uma massa nove vezes maior que a de Júpiter e leva 1.200 dias para completar sua órbita, assim como o Beta Pictoris B, que é o primeiro exoplaneta deste sistema, descoberto em 2009. Contudo, o Beta Pictoris C está aproximadamente três vezes mais próximo da estrela que ambos orbitam.
A presença do novo corpo celeste foi determinada depois de analisar mais de dez anos de dados obtidos através do espectógrafo de alta precisão HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), instalado no telescópio europeu ESO do Observatório Astronômico La Silla, no Chile.
Além disso, o estudo indica que serão necessários mais dados para que seja possível alcançar estimativas mais precisas sobre as características do Beta Pictoris C, bem como sobre a dinâmica do sistema.
Os cientistas esperam obter novas informações sobre o planeta a partir dos dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Européia de astrometria, assim como a partir do futuro Telescópio Extremamente Grande, que está sendo construído.
A Beta Pictoris fascina os astrônomos durante os últimos trinta anos, pois permite observar um sistema planetário durante o seu processo de desenvolvimento ao redor de uma estrela.
"Para compreender melhor a fase inicial de formação e evolução, este provavelmente é o melhor sistema planetário que conhecemos", afirmou Lagrange.

Créditos: Sputnik

ANIQUILAÇÃO TOTAL PARA ESTRELAS SUPERMASSIVAS

Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrônomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de supernova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe - não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrônomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.
O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a supernova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspetivas cruciais sobre a distância e a composição do objeto.
"Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da supernova do que qualquer outra das nossas observações," disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipe de investigação. "Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo."
Chris Davis, diretor de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: "Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento."
Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogênio na posição da supernova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. "Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de supernovas," retomou Berger, "esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos supernovas que são invulgares num único aspeto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis."
SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados - para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronômica.
"Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reação foi 'Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'" disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de agosto da revista The Astrophysical Journal.
A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol - tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrônomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como supernovas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.
A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de nêutrons ou buraco negro. Mas as supernovas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e antipartículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.
Os modelos de supernovas por instabilidade de pares prevêem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronômico para elementos mais pesados do que o hidrogênio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial - e a investigação da equipe descobriu exatamente isso. O evento ocorreu a uma distância de 1 bilhão de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. "Esta é a primeira supernova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos," disse Gomez.
Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.
"Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério," acrescentou Gomez. "Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas." A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipe avança a idéia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou supernova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.
"A maioria das supernovas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos," acrescentou Gomez. "A idéia das supernovas por instabilidade de pares existe há décadas," disse Berger. "Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente."
Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas supermassivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afetar o desenvolvimento do Universo inicial. "O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo," disse Gomez, "pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua 'idade das trevas' - quando não ocorreu formação estelar - para formar o esplêndido Universo que vemos hoje."

Créditos: Astronomia On-line

Modelo 3D da Via Láctea confirma: nossa galáxia é deformada e distorcida

Uma pesquisa publicada na revista Science apresentou um belíssimo modelo 3D da população de estrelas conhecidas como Cefeidas, que são estrelas jovens pulsantes, massivas, que brilham mais do que o Sol em nossa galáxia. Usando dados do Optical Gravitational Lensing Experiment (OGLE), os pesquisadores da Universidade de Varsóvia realizaram um levantamento a partir do Observatório Las Campanas no Chile, conseguindo selecionar 2.431 cefeidas através do gás e poeira da Via Láctea e utilizaram para fazer um mapa da galáxia.
Dorota Skowron, principal autora do estudo e astrônoma da Universidade Wroclaw, afirmou que o projeto OGLE realizou observações do disco galáctico da Via Láctea durante seis anos, coletando 206.726 imagens do, céu contendo 1.055.030.021 estrelas. No interior, eles encontraram a população de cefeidas, que são particularmente úteis para traçar o mapa pois seu brilho flutua com o tempo, o que permite os cientistas observarem quão brilhante a estrela é, de fato, e o quão brilhante ela se parece para nós na Terra. Essa diferença permite identificar a distância que uma estrela se encontra do Sol, por exemplo.
A equipe produziu um modelo 3D da galáxia, confirmando pesquisas que demonstraram anteriormente que a galáxia é distorcida em suas bordas. Eles também foram capazes de determinar a idade da população de cefeidas, com estrelas jovens localizadas mais próximas do centro do disco galáctico e estrelas mais velhas posicionadas mais longe, perto da borda.
Ao simular a formação de estrelas no início da Via Láctea, a equipe mostrou como a galáxia pode ter evoluído nos últimos 175 milhões de anos, com explosões de formação estelar nos braços espirais, resultando na distribuição atual de cefeidas variando entre 20 milhões e 260 milhões de anos.
“Esperamos que o nosso trabalho seja um excelente ponto de partida para uma modelagem mais sofisticada do passado da Galáxia”, diz Skowron. “Nossas cefeidas são um ótimo teste para verificar a confiabilidade de tais modelos”.
A nova pesquisa segue um estudo da Nature Astronomy, publicado em fevereiro, que analisou 1.339 cefeidas e também criou um dos mapas 3D mais abrangentes da Via Láctea, que mostrou que a nossa galáxia é torcida em suas bordas. Os dois estudos mostram resultados muito semelhantes, especialmente no que diz respeito à natureza estranha das bordas distorcidas da Via Láctea. No entanto, ainda há dúvidas sobre esse fenômeno.
“Nosso mapa mostra que o disco da Via Láctea não é plano. É deformado e torcido longe do centro galáctico”, disse o coautor Przemek Mroz. “Esta é a primeira vez que podemos usar objetos individuais para mostrar isso em três dimensões”. A causa da curvatura ainda é desconhecida.

Créditos: Universo Racionalista

Robô humanóide será lançado ao espaço nesta semana


A agência espacial russa Roscosmos vai enviar um robô humanóide até a Estação Espacial Internacional (ISS) na próxima quinta-feira, (22). Chamado de Skybot F-850, o andróide irá voar junto da nave Soyuz MS-14 e passará mais de duas semanas no espaço, com retorno marcado para o dia 7 de setembro.
Segundo a Roscosmos, o robô será transferido para a parte russa da ISS, onde será conduzido pelo astronauta Alexander Skvortsov. “Será um vôo único pois, pela primeira vez, um robô irá sentar no assento do comandante, e não no compartimento de carga”, escreveu a agência espacial russa, em comunicado.
O humanóide eletrônico é uma versão aprimorada de outro equipamento criado em 2016, no projeto Final Experimental Demonstration Object Research (FEDOR). Em 2017, foi divulgado um vídeo do robô praticando tiro ao alvo e até mesmo dirigindo um carro.
O diretor geral na Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse na época que eles não estavam “criando um exterminador, mas uma inteligência artificial que será de grande significado em vários campos”. Um dos objetivos do robô será fazer testes antes de novas missões tripuladas à Lua.
O equipamento poderá ainda gravar o lançamento e sua estada na ISS. Além de ter equilíbrio e conseguir fazer tarefas motoras, movendo objetos, o robô pode funcionar em “modo avatar”, o que permite que ele seja comandado por um operador para fins científicos. “Esse lançamento será a primeira fase do trabalho com sistemas antropomórficos, permitindo-nos investigar mais longe no espaço”, disse Skvortsov.

Créditos: Galileu

domingo, 18 de agosto de 2019

Vídeo gravado por sonda espacial exibe cometa sendo 'devorado' pelo Sol


O cometa mostrado no vídeo atingiu o Sol mesmo no centro, acabando por se evaporar completamente devido às temperaturas extremas da estrela.
Cometas desta classe passam muito perto da superfície do Sol e são frequentemente destruídos.
Na quinta-feira (15), o telescópio espacial da sonda SOHO gravou o vídeo impressionante de um cometa mergulhando diretamente no Sol.
Na gravação se pode observar inúmeros corpos celestes, incluindo um Vênus brilhante localizada muito perto do Sol (a imagem do Sol foi tapada com um disco opaco para aumentar a visibilidade) e um cometa rasante Kreutz, ou Kreutz sungrazer, mergulhando quase diretamente no centro do Sol.
Os cometas Kreutz são uma família de cometas rasantes que têm suas órbitas extremamente próximas do Sol.
Este não é o primeiro evento deste tipo gravado neste verão pela sonda SOHO. Em 20 de junho, o observatório detectou dois cometas – um Kreutz sungrazer e um Meyer sunskirter – se aproximando do Sol.

Créditos: Sputnik News e Space.com

Astrônomos descobrem 39 galáxias antigas movendo-se tão rápido que nem mesmo o Hubble consegue vê-las

Astrônomos da Universidade de Tóquio (Japão) conseguiram detectar 39 galáxias muito antigas, do início do nosso universo, utilizando dados do espectro infravermelho de telescópios submilimétricos.
A luz destas estrelas viajou nada menos que 11 bilhões de anos para chegar à Terra, o que significa que são galáxias muito distantes que se formaram quando o universo tinha apenas 2 bilhões de anos.
Essa luz antiga se aproxima de nós tão alterada que nem mesmo o poderoso telescópio espacial Hubble – capaz de enxergar luz ultravioleta, visível e infravermelha próxima – é capaz de enxergá-la.
Você já deve ter ouvido falar da expansão do universo. Esse fenômeno faz com que as galáxias se movam para longe de nós, a taxas cada vez mais velozes.
Por consequência, galáxias superdistantes se afastam tão rápido que a luz ultravioleta e visível que emitem mudam completamente no decorrer deste caminho para um comprimento de onda muito mais longo, “submilimétrico”, que nem o Hubble consegue identificar.
Para esta pesquisa, a equipe de cientistas usou uma série de telescópios submilimétricos para detectar as 39 galáxias superantigas e ainda inéditas aos nossos olhos.
“Foi difícil convencer nossos colegas de que essas galáxias eram tão antigas quanto suspeitávamos que fossem. Nossas suspeitas iniciais sobre sua existência vieram dos dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer. Mas o Atacama Large Millimeter Array no Chile tem olhos aguçados e revelou detalhes em comprimentos de onda submilimétricos, o melhor comprimento de onda para espreitar através da poeira presente no universo primitivo. Mesmo assim, foram necessários mais dados do Telescópio Muito Grande, no Chile, para realmente provar que estávamos vendo antigas galáxias maciças onde nenhuma delas havia sido vista antes”, esclareceu Tao Wang, principal autor do estudo e astrônomo da Universidade de Tóquio, em um comunicado à imprensa.
Ok, então encontramos 39 galáxias muito antigas e massivas que são nossa chance de criar uma espécie de “modelo” para o universo inicial. Com base nos novos dados, como era o universo 11 bilhões de anos atrás?
De acordo com os pesquisadores, uma abundância de galáxias massivas e cheias de poeira como estas no universo primitivo desafia nossa compreensão da formação desse tipo de objeto. Modelos atuais previam uma densidade menor de galáxias massivas nessa época. Com a descoberta, mudanças provavelmente precisarão ser feitas.
As galáxias recém-identificadas provavelmente faziam parte de um grupo que deu origem às modernas galáxias massivas, como a nossa própria Via Láctea.
Pintando uma imagem do que seria esse universo nos seus primeiros bilhões de anos, Wang disse no mesmo comunicado: “O céu noturno pareceria muito mais majestoso. A maior densidade de estrelas significa que haveria muito mais estrelas próximas, aparecendo maiores e mais brilhantes. Mas, inversamente, a grande quantidade de poeira significa que estrelas mais distantes seriam muito menos visíveis, então o fundo para essas estrelas brilhantes pode ser um vasto vazio escuro”.

Créditos: Hypescience

Astrofísicos fazem descoberta pioneira de planeta em formação

Astrofísicos da Universidade Monash, usando o telescópio ALMA, no Chile, fizeram uma das primeiras descobertas mundiais de um segundo planeta “bebê” (duas a três vezes mais pesado que Júpiter) dentro de uma lacuna de gás e poeira.
A equipe responsável pela pesquisa foi a primeira a descobrir um novo planeta dentro de um disco protoplanetário. Estas descobertas foram publicadas no ano passado nas Astrophysical Journal Letters.
Usando os mesmos métodos, os cientistas descobriram agora um novo planeta no meio de uma lacuna dentro do disco circundante.
O autor principal do estudo, Dr. Christophe Pinte, futuro Fellow na Universidade Monash, disse em 2015 que o telescópio ALMA observou primeiro o interior de um ‘disco protoplanetário’ – o local de nascimento dos planetas – em torno de uma jovem estrela próxima.
“O que ele viu foi uma série impressionante de anéis e lacunas misteriosas”, disse o Dr. Pinte.
“A origem dessas lacunas tem sido objeto de muito debate”, disse ele.
“Agora temos a primeira evidência direta de que um planeta bebê é responsável por esculpir uma dessas lacunas no disco de poeira e gás que gira em torno da jovem estrela HD97048”.
O co-autor do estudo, o professor associado Daniel Price, disse que a última descoberta se une a apenas um punhado de planetas bebês conhecidos.
“Nosso estudo estabelece pela primeira vez uma ligação firme entre os planetas bebês e as lacunas observadas nos discos em torno das estrelas jovens”, disse Price.
“Há muito debate sobre se os planetas bebês são realmente responsáveis por causar essas lacunas.”
O novo planeta bebê foi encontrado mapeando o fluxo de gás ao redor da estrela, e procurando onde o fluxo é perturbado pela presença de um planeta – como encontrar uma rocha submersa em um rio, desde a perturbação até a água ao redor dele.

Créditos: Socientífica

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Astrônomos da NASA escolhem lugar para pouso no 'asteroide apocalíptico'

Cientistas da NASA consideram o asteróide Bennu "o testemunho silencioso de eventos titânicos na história de 4,6 bilhões de anos do Sistema Solar". O asteróide representa uma rocha gigantesca com cerca de 500 metros de diâmetro e um peso de cerca de 87 milhões de toneladas .
Os especialistas da missão planetária norte-americana OSIRIS-REx escolheram quatro lugares na superfície do asteróide para explorar o corpo celeste mais detalhadamente. Cada área recebeu o nome de uma espécie de ave encontrada no Egito, já que a União Astronômica Internacional decidiu que os nomes oficiais de partes do asteróide devem se referir a aves mitológicas.
A equipe da missão afirmou que a escolha dos lugares foi mais difícil do que se considerava inicialmente. A superfície do asteróide é mais rochosa do que parecia à distância, após a NASA ter obtido uma imagem do asteróide usando sua espaçonave Osiris-Rex de alta tecnologia.
A nave espacial chegou ao asteróide em dezembro de 2018, entrando em órbita de Bennu no final desse ano. Desde então, a nave tem explorado a superfície do asteróide e criado um mapa pormenorizado do corpo celeste. Graças ao mapa, os cientistas podem escolher os lugares mais convenientes para o futuro pouso, com a intenção de realizar a coleta de amostras de solo no segundo semestre de 2020.
O melhor lugar encontrado foi uma cratera com uma substância parecida com areia. Os cientistas esperam começar a estudar o material coletado em setembro de 2023.

Créditos: Sputnik

Esta estrela de nêutrons “bugou” e os astrônomos notaram algo incrível

Uma nova pesquisa da Universidade Monash (Austrália), Universidade da Tasmânia (Austrália) e Universidade McGill (Canadá) revelou segredos fascinantes das estrelas de nêutron, graças ao estudo de um espécime que “bugou”.
Depois que uma estrela chamada Vela mudou seu comportamento de repente e começou a girar muito mais rápido sem causa aparente, lá em 2016, os pesquisadores começaram a examinar o caso e descobriram que estrelas de nêutron são formadas de três camadas diferentes – um achado inédito.
Estrelas de nêutrons são os objetos mais densos do universo. Também giram muito rápido e muito regularmente. Geralmente. Às vezes, alguns destes objetos aceleram de uma hora para outra.
Cerca de 5% das estrelas de nêutrons “bugam” dessa forma. Vela é uma interessante candidata para estudarmos o fenômeno porque passa por ele aproximadamente uma vez a cada três anos. Ela é um pulsar que fica a 1.000 anos-luz de distância de nós.
As observações da estrela foram feitas no Observatório Mount Pleasant da Tasmânia.
Os pesquisadores australianos e canadenses reavaliaram os dados de 2016, interessantes principalmente porque puderam espiar o interior da estrela pela primeira vez, notando que era feito de três diferentes componentes.
Assim, eles propuseram que a aceleração ocorre devido a diferenças nestas camadas da estrela.
“Um desses componentes, uma sopa de nêutrons superfluidos na camada interna da crosta, se move para fora primeiro e atinge a rígida crosta externa da estrela fazendo com que ela gire. Então, uma segunda sopa de superfluido que se move no núcleo alcança a primeira, fazendo com que o giro da estrela diminua”, explicou o astrônomo Paul Lasky, da Universidade Monash, em um comunicado à imprensa.
Os cientistas avançaram seus conhecimentos sobre estrelas de nêutrons, sem dúvida, mas restam ainda alguns mistérios sobre a “falha” que as faz “bugar”.
“Imediatamente antes da falha, notamos que a estrela parece diminuir sua taxa de rotação antes de girar de volta. Na verdade, não temos idéia do motivo, e é a primeira vez que algo assim é visto. Isso pode estar relacionado à causa da falha, mas honestamente não temos certeza”, disse o principal autor do estudo, Dr. Greg Ashton, também da Universidade Monash.
A equipe espera que sua pesquisa inspire novas teorias sobre estrelas de nêutrons e seus “bugs”.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Júpiter teria 'engolido' outro planeta grande, alegam cientistas



De acordo com a publicação, a hipótese de absorção de outro protoplaneta por Júpiter poderia finalmente explicar por que o núcleo do planeta é tão difuso e fragmentado e, obviamente, jogar luz sobre juventude do nosso Sistema Solar.
Astrônomos do Japão, China, Suíça e EUA usaram dados da sonda Juno da NASA para investigar a estrutura e composição de Júpiter, e decidiram testar outras possíveis explicações de como o núcleo de Júpiter se tornou tão difuso, observando as possibilidades da erosão gradual causada por ventos de alta velocidade ou pela presença de gás dentro do núcleo desde o início.
No entanto, as profundezas de Júpiter não correspondem ao quadro apresentado. Os pesquisadores analisaram os dados obtidos pela sonda espacial Juno, que estudou o campo gravitacional do planeta para obter informações sobre a estrutura interna e a composição do gigante gasoso.
Segundo estudo, a "desfocagem" do núcleo pode ser melhor explicada pela colisão de Júpiter com outro grande corpo celeste nos estágios iniciais de formação do Sistema Solar.
Um impacto frente a frente poderia ter destruído o núcleo originalmente compacto e misturado elementos pesados com gases.

Créditos: Sputnik News

Planetas mortos enviam sinais “zumbis” que podem ser ouvidos na Terra

Os pesquisadores Dimitri Veras, da Universidade de Warwick (Reino Unido), e Alexander Wolszczan, da Universidade Estadual da Pensilvania (EUA), estão planejando vasculhar os céus em busca de sinais de rádio de bizarros que são os sons de planetas mortos.
Planetas normalmente orbitam estrelas. Uma estrela como o nosso sol, quando morre, se torna uma gigante vermelha. Neste ponto, fica tão quente que queima tudo que a circunda.
Esses planetas, depois de torrados, se tornam apenas núcleos metálicos sem vida orbitando as gigantes vermelhas. Estas, por sua vez, logo se tornarão anãs brancas, uma espécie de última fase de vida de tais objetos espaciais.
Curiosamente, o campo magnético entre uma anã branca e os “cadáveres” de planetas remanescentes em sua órbita pode emitir ondas de rádio capazes de serem captadas por radiotelescópios daqui da Terra.
“Ninguém nunca encontrou apenas o núcleo nu de um grande planeta antes, nem nunca encontrou um grande planeta apenas monitorando assinaturas magnéticas, nem nunca encontrou um planeta grande em torno de uma anã branca. Portanto, qualquer descoberta aqui representaria algo inédito em três sentidos diferentes”, explicou Veras em um comunicado.
Uma descoberta deste tipo seria ainda muito empolgante porque o nosso próprio planeta pode acabar como um zumbi orbitando uma anã branca – mas sem causa para desespero, porque isso só ocorreria daqui alguns bilhões de anos.
Por enquanto, os pesquisadores andam discutindo e definindo quais anãs brancas são as melhores candidatas para procurarmos por tais sinais de rádio.

Créditos: Hypescience

Buraco negro supermassivo pode 'engolir' todo o Universo, alerta astrônomo

O astrônomo David Whitehouse afirma que nosso Universo poderia ser engolido por um gigante buraco negro. Em uma entrevista, ele explicou que um buraco negro supermassivo recentemente descoberto pelos astrônomos na América do Sul forneceu novas perspectivas sobre o quão grandes estes objetos podem ser.
"Começamos a nos dar conta daquilo que achávamos antes que havia um limite quanto ao tamanho dos buracos negros no centro da galáxia, porque eles conseguem engolir muitas estrelas. Os buracos negros aumentam em tamanho tragando a matéria, gás, estrelas e pó", Este [buraco negro recém-descoberto] é enorme, então talvez possam existir buracos negros ainda maiores, disse o astrônomo.
Segundo ele, várias teorias físicas especulam que, a um determinado momento no futuro, um buraco negro pode se tornar suficientemente grande para absorver cada vez mais estrelas e eventualmente engolir o Universo.
"Existem teorias que nos indicam que, possivelmente, em um futuro muito remoto, tudo irá acabar em um buraco negro, todo o Universo", opinou Whitehouse.
O cientista afirma que é importante investigar os buracos negros, porque suas propriedades físicas únicas proporcionam aos cientistas uma "perspectiva diferente sobre o funcionamento do Universo e aquilo que ele é capaz de criar".
"Os buracos negros têm diferentes tipos de formas e tamanhos. Existem buracos negros do tamanho de um átomo, por outro lado, no centro de galáxias, há buracos negros gigantescos que excedem o tamanho do Sol em bilhões de vezes, são objetos fascinantes", salientou o Dr. Whitehouse.
Os buracos negros são tão densos que criam uma força gravitacional capaz de capturar a luz. Nada lhes pode escapar. No entanto, essa incrível massa também deforma o tempo e o espaço nas suas imediações, fazendo com que o tempo decorra de forma totalmente diferente do que decorre para um observador que esteja de fora.
De acordo com equações teoréticas, somente as estrelas muito maiores que o nosso Sol podem formar um buraco negro.
No início deste mês, a NASA informou que, durante uma pesquisa do quasar PSO167-13 e de nove outros quasares com a ajuda do telescópio Chandra, os astrônomos poderiam ter detectado um buraco negro gigantesco e muito distante.

Créditos: Sputnik

Cabo preso em asteróide pode estilingar naves espaciais

Um veículo espacial é conectado a um cabo de 100 quilômetros de comprimento, ancorado em um asteróide. Preso por esse cabo espacial, o veículo pode ter sua trajetória direcionada para seu objetivo.
A energia ganha durante o processo de rotação, até o momento em que a nave finalmente se desconecta, pode não apenas impulsioná-la em outra direção sem gastar combustível, mas até mesmo permitir que ela se lance além do Sistema Solar.
A idéia é de Alessandra Ferraz Ferreira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Guaratinguetá, que ganhou o prêmio de projeto mais inovador durante uma conferência realizada na Espanha.
E Alessandra não estava sozinha: Foram mais de 70 trabalhos apresentados sobre o mesmo tema durante Sexta Conferência Internacional sobre Cabos Espaciais, realizada pela Universidade Carlos III, em Madri, na Espanha.
Usar um corpo celeste para acelerar uma nave é algo corriqueiro, com várias naves já tendo usado a chamada "assistência gravitacional", em que a nave passa de raspão por um planeta ou lua, sendo acelerada por sua gravidade.
A manobra proposta por Alessandra é conhecida como "manobra com estilingue com cabo", ou TSSM (Tethered Slingshot Maneuver), e visa aproveitar corpos menores, como asteroides ou mesmo cometas, que receberiam um cabo rígido - a rigor, uma haste muito fina - com 100 quilômetros de comprimento.
"A idéia é fixar uma das pontas de um cabo na superfície de um corpo, como um asteróide, e na outra extremidade ter um dispositivo de recebimento. Então lança-se, por exemplo, um satélite ou outro objeto na direção desse corpo e, quando chegar à posição em que está o dispositivo de recebimento, ele se conecta. A velocidade com que o objeto chega obriga o cabo a fazer uma rotação, gerando um efeito similar ao que temos se girarmos uma pedra amarrada em um barbante," explicou Alessandra.
Depois de impulsionado, o veículo se desconectaria e teria a rota alterada em relação àquela em que foi lançado. "O cabo substitui o efeito que a gravidade teria se aquele fosse um corpo maior, como um planeta, o que também acaba economizando combustível," explicou a pesquisadora.
Os dados indicam que a nave precisaria chegar ao dispositivo de recebimento no asteróide a 68,7 quilômetros por segundo (km/s) - o equivalente a 247.320 quilômetros por hora (km/h) - para se conectar ao cabo, obter o impulso desejado e, então, maximizar o ganho de energia. Isso ocorreria com inclinação da órbita próxima ao plano.
A equipe também analisou outros cenários: No caso de se aproximar a 7,7 km/s (27.720 km/h), por exemplo, a nave teria um ganho de energia mínimo; por volta dos 15 km/s (54.000 km/h), ela seria capturada pela órbita do asteroide, gravitando em torno dele indefinidamente.
"Todos esses cenários precisam ser previstos. Servem, inclusive, para outros fins como, por exemplo, se o objetivo for enviar um satélite para orbitar o asteroide," disse Alessandra.
Além disso, o cabo pode também desviar o veículo espacial da sua rota, naturalmente elíptica. Em vez de orbitar indefinidamente em torno do Sol, ao ser preso ao cabo ele passaria a traçar uma rota hiperbólica, pela qual sairia completamente do Sistema Solar.
O conceito de ancorar objetos em um corpo celeste data de 1895, quando o russo Konstantin Tsiolkovsky (1857-1935) descreveu um elevador espacial, composto por um cabo que levaria cargas para uma estação fora da atmosfera terrestre. A ideia nunca foi testada porque ainda não existem materiais fortes o suficiente: o elevador colapsaria sobre o peso do próprio material antes de alcançar a altitude necessária.
Mas cabos menores já foram usados pela NASA, em missões desde a Gemini 11, lançada em 1967, com cabos espaciais entre 20 m e 1 km. Um muito maior, com 19,6 km de extensão, foi lançado por um ônibus espacial em 1996 a bordo do TTS (Tethered Satellite System), mas um arco voltaico atribuído a uma falha de isolamento fritou o cabo e o satélite foi perdido.
Ou seja, cabos espaciais na escala proposta por Alessandra também não foram ainda testados. Tampouco se sabe como fixar um desses em um asteroide, nem o método e os materiais para a fabricação do cabo e do dispositivo de acoplamento. O objetivo do estudo feito pelos cientistas brasileiros foi estabelecer os parâmetros para que uma manobra do tipo possa ser feita em um cenário em que todas essas questões de engenharia já estiverem resolvidas.
"Usamos como base um sistema de asteroides genérico, mas baseado em dados de um sistema existente. Calculamos os dados de aproximação do satélite a partir dos parâmetros desse sistema. Bastaria alterá-los para os de uma condição real para aplicá-los," disse Alessandra.
O sistema de asteróides usado como referência foi o 99942 Apophis, que muitos temem que possa destruir satélites em 2029 ao passar raspando pela Terra.

Créditos: Inovação Tecnológica

Astrônomos detectaram 8 novos sinais que se repetem no espaço profundo

Um novo estudo da Universidade McGill (Canadá) descobriu nada menos do que oito sinais de rádio conhecidos como “rajadas de rádio rápidas” (do inglês “fast radio bursts” ou FRBs) que se repetem no espaço profundo.
Estes sinais representam um grande mistério científico já faz muito tempo. Dezenas deles foram descobertos por todo o universo, mas até agora só conhecíamos dois que se repetiam.
Com os novos oito, temos dez FRBs que se repetem no espaço profundo, o que pode deixar os pesquisadores mais perto de descobrir sua origem e causa.
As rajadas de rádio são detectadas como “aumentos repentinos” nos dados que duram apenas alguns milissegundos. Nesse curto período, no entanto, podem liberar mais energia que 500 milhões de sóis.
No começo de 2019, os cientistas descobriram dois FRBs que se repetiam: o FRB 121102 e o FRB 180814.
“Definitivamente há uma diferença entre as fontes, sendo algumas mais prolíficas do que outras. Nós já sabíamos pelo FRB 121102 que as rajadas podiam ser muito agrupadas: às vezes a fonte não explode por horas e horas e então de repente você recebe múltiplas rajadas em um curto período de tempo. Nós observamos a mesma coisa no FRB 180916.J0158 + 65, para o qual relatamos dez explosões neste estudo”, explicou o físico Ziggy Pleunis, da Universidade McGill, ao portal ScienceAlert.
Então, uma das oito rajadas se repetiu dez vezes. Outras seis se repetiram apenas uma vez, e a última se repetiu três vezes no total. A maior pausa entre as repetições foi de cerca de 20 horas.
Os cientistas ainda não sabem o que isso significa, mas uma teoria, criada pelo astrofísico Vikram Ravi, do Centro Harvard-Smithsonian (EUA), é de que todo FRB é um repetidor, só que com periodicidades distintas. Alguns podem ficar muito tempo inativos (como um vulcão dormente), e é por isso que não foram detectados como repetidores.
Essa é uma hipótese interessante, mas talvez não esteja correta, pois houve semelhanças entre os repetidores não vistas nos FRBs observados apenas uma vez: eles parecem durar um pouquinho mais.
E depois tem a questão da frequência. Os dois primeiros repetidores descobertos – FRB 121102 e FRB 180814 – mostraram uma tendência de queda na frequência, com cada rajada sendo sucessivamente mais baixa. A maioria dos oito novos repetidores também demonstrou tal frequência “descendente”.
Usando os dados do CHIME, a comunidade científica agora pode analisar as informações para tentar encontrar pistas sobre o que está produzindo os sinais.
Por exemplo, a equipe de Vikram Ravi conseguiu localizar as galáxias de onde vieram os novos FRBs com base na direção dos sinais, embora não possam ainda definir sua origem exata.
Um dos sinais mais interessantes é o FRB 180916, porque ele tem a menor taxa de “dispersão” vista, o que pode significar que veio de alguma galáxia próxima.
Agora, usando o “Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment”, o telescópio CHIME, do Canadá, a equipe descobriu mais oito que podem estudar e comparar semelhanças e diferenças.
“Mesmo com os maiores telescópios, se estiver mais perto de você, você sempre terá uma visão melhor do que se for algo mais distante”, afirma o astrônomo Keith Bannister, da agência nacional de ciência CSIRO, que não esteve envolvido na pesquisa, ao ScienceAlert. “Então essa medida específica de baixa dispersão é super empolgante, porque há uma boa chance de que esteja por perto. E isso significa que será mais fácil de observar, uma vez que realmente sabemos exatamente onde está no céu”.
As informações de dispersão e frequência são boas pistas, mas ainda não suficientes para detectarmos a origem e causa dos FRBs.
A polarização é mais uma informação a ser considerada nesse estudo: se o sinal é torcido, significa que veio de um ambiente extremamente magnético, por exemplo, próximo de um buraco negro ou estrela de nêutrons. Esse era o caso do FRB 121102, mas não do FRB 180916.
Ou seja, FRBs que se repetem não vêm sempre do mesmo ambiente, e podem existir diferentes classes de objetos produzindo tais sinais.
“Acho (e espero!) que este estudo faça com que outros astrônomos apontem seus telescópios para essas fontes recém-descobertas. Há muita informação aqui para construtores de modelos trabalharem. Acho que isso os ajudará a descobrir o que produz FRBs repetidos. Além disso, nossas descobertas podem influenciar a estratégia de busca de outras equipes que tentam descobrir FRBs que se repetem”, concluiu Pleunis.

Créditos: Hypescience

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Astrônomos descobriram um novo tipo de estrela pulsante e estranha

Você pode até pensar que não falta mais nada a ser descoberto no universo, mas ele tem a mania de nos surpreender constantemente.
Um estudo da Universidade da Califórnia (EUA) encontrou um novo tipo de estrela pulsante muito pequena e muito quente que se ilumina e se apaga a cada poucos minutos.
Ele foi chamado de “subanã pulsador quente”, e pode ser parente de um outro tipo raro de estrela, a “azul pulsador de grande amplitude”.
Uma estrela variável, como o nome sugere, é uma estrela cuja luminosidade varia em uma escala de tempo menor que 100 anos. Existem as variáveis pulsantes, com oscilações periódicas ou semiperiódicas que vão de alguns minutos ou horas até anos e séculos.
“Muitas estrelas pulsam, mesmo nosso sol em uma escala muito pequena. Aquelas com as maiores mudanças de brilho são geralmente pulsadores radiais, ‘inspirando e expirando’ enquanto a estrela inteira muda de tamanho”, explica o físico Thomas Kupfer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.
O nosso sol não é um pulsador uma vez que seu ciclo leva 11 anos e sua luminosidade varia apenas 0,1%. As estrelas do tipo pulsador podem variar até 10% em brilho devido a mudanças em tamanho e temperatura.
As quatro novas estrelas descobertas pulsam a cada 200 e 475 segundos, variando cerca de 5% em luminosidade.
Uma vez que os pesquisadores descartaram que se tratavam de estrelas binárias eclipsantes, que poderiam ter tal variação de brilho, notaram que estavam diante de um novo tipo de objeto – talvez uma nova classe de estrelas subanãs B.
Uma subanã B é uma estrela com 10% do tamanho do sol, mas com 20 a 50% de sua massa. Além de pequenas e densas, são muito quentes e brilhantes. Os cientistas pensam que se formam quando uma estrela com oito vezes a massa do nosso sol morre.
Quando acaba o hidrogênio destas estrelas, elas começam a fundir hélio e se tornam gigantes vermelhas. Se perder todo o seu hidrogênio antes da fusão de hélio começar, no entanto, a estrela acaba se tornando uma subanã B. Como? Isso ainda não sabemos – talvez uma companheira em um sistema binário roube esse hidrogênio.
O que sabemos é que algumas dessas estrelas pulsam. O mecanismo por trás do fenômeno ainda não foi bem definido, mas a pulsação pode ser resultado de um acúmulo de ferro que produz a energia necessária para tanto na estrela.
Enquanto subanãs B estão provavelmente fundindo hélio, os pesquisadores acreditam que as subanãs pulsadoras quentes perderam seu material externo antes que o hélio estivesse quente e denso o suficiente para a fusão.
Os pesquisadores descobriram ainda que a pulsação dessas subanãs se assemelha à das azuis pulsadoras de grande amplitude, um tipo de estrela classificada apenas em 2017.
Isso significa que os dois tipos poderiam estar relacionados.
O próximo passo será estudar melhor o mecanismo que ocorre dentro dessas estrelas para produzir as pulsações, e descobrir precisamente onde elas se encaixam nos modelos de evolução estelar.

Créditos: Hypescience

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Asteróide do tamanho da Pirâmide de Gizé estaria se dirigindo para Terra

Espera-se que um asteróide enorme, conhecido por 2019 OU, se aproxime da Terra no dia 28 de agosto a uma distância curta de apenas 0,00687 unidades astronômicas, ou mais de um milhão de quilômetros, afirmaram cientistas do Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA.
Estima-se que o objeto celeste da classe Apollo, que representa a maioria dos Objetos Potencialmente Perigosos (PHO), tenha uma largura de 150 metros e passe pelo nosso planeta com a velocidade de 13 quilômetros por segundo.
A classe de asteróides Apollo agrupa os asteróides com órbitas próximas à da Terra. O exemplo mais famoso de um asteróide deste tipo é o meteorito que explodiu na atmosfera da Terra perto da cidade russa de Chelyabinsk em fevereiro de 2013. Em consequência da explosão, mais de 1.000 pessoas ficaram feridas, sobretudo por causa de vidros quebrados de janelas ou por causa da onda de choque.
Os cientistas supõem que este asteróide tenha o tamanho da Pirâmide de Gizé, informa o jornal Daily Star.
Algumas semanas atrás, o asteróide denominado 2019 OK, de tamanho semelhante, passou perto da Lua. Considera-se que a rocha colossal tinha a potência de uma bomba atômica capaz de arrasar uma cidade.

Créditos: Sputnik News

Estrelas mais estranhas já vistas deixam astrônomos confusos

Estas podem ser as estrelas mais estranhas já observadas. Um par de estrelas, localizadas a cerca de 360 anos-luz de distância, apresentou 28 diminuições na intensidade de sua luz ao longo de 87 dias.
Medições desse tipo normalmente indicariam um sistema orbital de planetas - exceto que os tempos das quedas no brilho parecem totalmente aleatórias.
As estrelas, coletivamente chamadas de HD 139139, foram vistas se comportando de forma estranha pelo telescópio espacial Kepler, antes que ele ficasse sem combustível e interrompesse as observações. O telescópio caçava exoplanetas observando diminuições regulares na luz das estrelas causadas por um planeta passando entre a estrela e o telescópio - essas passagens são chamados de trânsitos.
As quedas na luz da HD 139139 parecem com trânsitos, todas semelhantes em tamanho e forma. Mas quando Saul Rappaport e Andrew Vanderburg, da Universidade do Texas em Austin, analisaram mais de perto os dados, descobriram que os trânsitos pareciam totalmente aleatórios - não mais do que quatro deles poderiam ser causados pelo mesmo corpo celeste em órbita.
Se os trânsitos são causados por planetas, os pesquisadores calcularam que teria de haver muitos deles, muito mais do que qualquer outro sistema planetário já descoberto. "Eu poderia construir para você um sistema de planetas que explicaria essas quedas [no brilho], mas seria realmente imaginário," disse Vanderburg.
Algo estranho está acontecendo no sistema, por isso os pesquisadores tentaram encontrar, dentre todas as explicações possíveis, uma que pudesse se encaixar.
Uma explicação potencial seria um planeta em desintegração ou um disco de asteróides espalhando poeira à medida que passa na frente das estrelas, o que bloquearia alguma luz e depois se dissiparia. Mas um planeta em desintegração ainda produziria padrões nos tempos de trânsito, e os asteróides teriam que estar todos emitindo nuvens de poeira do mesmo tamanho e da mesma densidade, o que é improvável.
Manchas solares e variações internas na luz das estrelas também não se encaixam porque elas teriam que aparecer e desaparecer em questão de horas. As manchas escuras que vemos em nosso próprio sol duram de dias a meses, então isso exigiria um novo tipo de mancha solar nunca visto.
Com todas as explicações simples descartadas, é tentador considerar que as variações na luz podem ser causadas por uma enorme estrutura alienígena construída em torno das estrelas para coletar sua energia, conhecida como esfera de Dyson. Isso não pode ser descartado definitivamente, mas os astrônomos também consideram essa explicação altamente improvável.
"Em astronomia, temos uma longa história de não entender alguma coisa, pensar que é alienígena e, mais tarde, descobrir que é outra coisa", disse Vanderburg. "As chances são muito boas de que esse será outro desses casos."

Créditos: Inovação Tecnológica

Júpiter acaba de ser atingido por algo tão grande que conseguimos ver daqui

Ethan Chappel, um astrônomo amador, flagrou alguma coisa espetacular acontecendo em Júpiter nesta quarta-feira (7). Ele usava seu telescópio doméstico para observar o planeta, e registrou um brilho em sua superfície. Alguns momentos depois, o brilho desapareceu, o que reforça a idéia de que foi um impacto.
Ele fez as imagens acima, que ainda precisam ser confirmadas por um segundo observador. Aparentemente um asteróide gigantesco se chocou contra o planeta de gás gigante.
É importante ressaltar que a bolinha branca registrada pelo telescópio de Ethan tem o tamanho do planeta Terra, que é minúsculo em comparação com o planeta gigante. A título de comparação, caberiam três Terras na Grande Mancha Vermelha, que também está visível nas imagens.
Claro que isso não significa que algo do tamanho da Terra atingiu Júpiter, e sim que a colisão parece ter liberado muita energia. Se confirmado, este poderá ser o sétimo impacto registrado em Júpiter, e o primeiro nos últimos dois anos.

Créditos: Hypesccience

Israel lançará satélite para estudar cantos escondidos do Universo

O Instituto Weizmann de Ciência e a Agência Espacial de Israel (ISA) vão unir esforços para desenvolver um novo pequeno satélite, que será capaz de operar na faixa de radiação ultravioleta, informa o jornal The Times of Israel.
O novo satélite deverá ser lançado em 2023, sendo destinado ao estudo das explosões cósmicas e dos buracos negros.
Israel observa o lançamento de um satélite da próxima geração para estudar o Universo na nova faixa de luz.
A cápsula espacial, chamada ULTRASAT (Ultraviolet Transient Astronomy Sattelite), pesará 160 quilogramas e levará um telescópio, "desenvolvido para observar o Universo como nunca foi visto antes", segundo a declaração dos desenvolvedores.
Como muitos dos processos ocorrem na faixa de luz ultravioleta, com uma grande quantidade de objetos espaciais também a emitindo, um satélite operando em tais condições será especialmente útil, acreditam os pesquisadores.
O chefe da Agência Espacial de Israel, Avi Balsberger, elogiou o empreendimento, sublinhando que o ULTRASAT, desenvolvido e construído em Israel, vai pôr o país e a comunidade científica israelense "na frente do movimento global para explorar o Universo com pequenos satélites acessíveis", disse ele na declaração.
Tanto Israel, como os EUA, a Rússia e a China, possuem tecnologias avançadas de exploração do espaço, sendo concorrentes entre si. Em abril, a empresa israelense SpaceIL com apoio do Estado e do consórcio militar Israel Aerospace Industries, lançou a primeira sonda Beresheet em direção à Lua. A sonda percorreu mais de 6,5 milhões de quilômetros, alcançou a órbita lunar e se acidentou em abril, durante a realização da última etapa da missão, devido a problemas técnicos durante o pouso.
Graças ao voo da Beresheet, Israel se tornou o sétimo país no mundo a alcançar a órbita da Lua.

Créditos: Sputnik

Astrônomos encontram estrela da segunda geração após o Big Bang

Cientistas da Universidade Nacional Australiana descobriram uma estrela gigante vermelha com o menor nível de ferro já observado na galáxia.
Isso significa que a SMSS J160540.18–144323.1 é uma das antigas estrelas do universo, provavelmente pertencente à segunda geração criada após o Big Bang, há 13,8 bilhões de anos.
“Esta estrela incrivelmente anêmica, que provavelmente se formou apenas algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang, tem níveis de ferro 1,5 milhão de vezes menores que o do sol. Isso é como uma gota de água em uma piscina olímpica”, disse o astrônomo Thomas Nordlander, um dos autores do estudo.
O início do universo era um lugar sem metais. As primeiras estrelas eram feitas principalmente de hidrogênio e hélio, eram muito massivas e quentes e tinham vidas curtas. Tais objetos são conhecidos como “População III”, e nunca vimos um deles.
Conforme estrelas grandes, como as da População III, realizavam fusões, elementos como silício e ferro podem ter sido criados. Uma vez que elas morreram e explodiram em supernovas, tais estrelas liberaram esses metais para o universo.
Por sua vez, novas estrelas formadas em seguida capturaram e incorporaram esses elementos – e é por isso que a quantidade deles pode nos dizer a idade de uma estrela.
Por exemplo, baseado em sua metalicidade, nosso sol foi criado cerca de 100.000 gerações após o Big Bang, ao passo que SMSS J160540.18–144323.1 só pode ser muito antiga dada a sua quantidade de ferro.
A SMSS J160540.18–144323.1 não deve ser uma estrela da População III, pois nenhuma destas provavelmente conseguiu sobreviver até os dias de hoje.
Segundo os cientistas, ela pode ter derivado de uma estrela com massa relativamente baixa (dez vezes menor que a do sol) a ponto de produzir uma estrela de nêutron e uma subsequente supernova fraca.
Desta, suficiente ferro escapou para ser absorvido por SMSS J160540.18–144323.1, provavelmente um dos primeiros membros da segunda geração de estrelas do universo.
Infelizmente, ela está morrendo. Como gigante vermelha, está gastando seus últimos estoques de hidrogênio antes de passar para a fusão de hélio. Devemos estudá-la enquanto pudermos, no entanto, pois ela pode ser muito importante para entendermos a População III.

Créditos: Hypescience

sábado, 3 de agosto de 2019

Astrônomos descobrem que misterioso planeta 'infernal' parece uma bola de rugby

O planeta "infernal" WASP-121b, descoberto há quatro anos na constelação Puppis, não é arredondado, mas oval como uma bola de rugby. Cientistas publicaram um artigo na revista Astronomical Journal sobre a descoberta.
"Começamos a observar este planeta pela sua natureza 'extrema'. Tentamos ver vestígios de magnésio, ferro e outros metais nas suas conchas, e ficamos muito surpresos por tê-los encontrado tão longe do planeta. Acontece que a estrela está apenas arrancando sua atmosfera", disse David Sing, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA.
Nos últimos dez anos, astrônomos descobriram milhares de planetas fora do Sistema Solar, alguns dos quais têm tamanho parecido com o do nosso e outros são cópias menores ou maiores do que Júpiter.
Astrônomos estão agora analisando ativamente a atmosfera destes planetas para saber se é possível existir vida neles e para revelar história de formação.
O planeta WASP-121b é o mais inadequado para guardar vida. Foi descoberto em 2015 nas proximidades de uma estrela semelhante ao Sol, localizada na constelação Puppis a 850 anos-luz da Terra.
Observando-o com a ajuda do observatório Hubble, astrônomos descobriram que as camadas superiores de sua atmosfera chegavam a 2.700 graus Celsius devido à presença de vapores de água e substâncias especiais que absorvem ativamente a luz ultravioleta e as convertem em calor. Lá é tão quente que até mesmo ferro derrete ao ponto de ferver.
Sing e seus colegas descobriram outra propriedade surpreendente deste planeta "infernal", tentando calcular a quantidade de "metais" – elementos mais pesados do que hélio e hidrogênio – em diferentes partes de sua atmosfera.
Para isso, os cientistas têm acompanhado a quantidade de luz ultravioleta absorvida e produzida pelas conchas de ar do WASP-121b, e analisado seu espectro, utilizando as ferramentas do Hubble. Eles usaram esses dados para criar uma "cópia" virtual do mundo e analisar suas propriedades.
Vestígios de magnésio
Para grande surpresa dos pesquisadores, eles foram capazes de encontrar vestígios de magnésio e ferro, não apenas na atmosfera mais inferior deste "júpiter quente", mas também no resto de suas camadas de ar localizadas bem mais longe do núcleo do gigante gasoso.
Como explica Sing, a estrela WASP-121 "roubaria" ativamente a atmosfera do planeta companheiro, forçando-o a "inchar" pelo calor e luz, bem como a se esticar devido à sua força da gravidade. Como resultado, o WASP-121b se tornou não só o mais quente e extremo, mas também um planeta de aparência bizarra.

Créditos: Sputnik

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Esta estrela bizarra viajando para fora da galáxia é a mais rápida do seu tipo já encontrada

Uma equipe de astrônomos da Universidade Macquarie (Austrália) e da Universidade Carnegie Mellon (EUA) descobriu a mais rápida estrela de sequência principal escapando do centro da nossa galáxia a nada menos do que 1.700 quilômetros por segundo.
A equipe estava conduzindo uma pesquisa do céu chamada S5 para observar estruturas criadas em nossas galáxias por aglomerados de estrelas. Como projeto colateral, o professor da Carnegie Mellon Sergey Koposov começou a medir a velocidade de algumas das estrelas descobertas. Foi quando se deparou com a inacreditável S5-HVS1.
Uma estrela de sequência principal é uma estrela “viva” que ainda está no estágio evolutivo em que gera energia pela fusão de átomos de hidrogênio em hélio em seu núcleo.
A S5-HVS1, é muito interessante. É relativamente nova: viveu “apenas” 500 milhões de anos de uma expectativa de vida de um bilhão. É uma estrela do tipo A com cerca de 2,35 a massa do nosso sol, e fica a cerca de 29.000 anos-luz de distância da Terra.
Pela velocidade com que está se movendo, isso indica que ela foi “chutada” do centro da galáxia há aproximadamente 4,8 milhões de anos com uma grande força. A S5-HVS1 é a primeira estrela descoberta que os astrônomos puderam confirmar ter sido ejetada do centro da galáxia.
As características da S5-HVS1 a tornam verdadeiramente “atípica” entre as nomeadas estrelas de hipervelocidade.
As estrelas de sequência principal que costumam viajar a grandes velocidades são geralmente do tipo O e B, estrelas muito quentes que vivem pouco – apenas algumas centenas de milhões de anos. O recorde anterior era da US 708, com uma rapidez de 1.200 quilômetros por segundo.
E depois existem as estrelas hipervelozes “mortas” – estrelas de nêutrons que já passaram do estágio de fundir hidrogênio. Ano passado, duas anãs brancas viajando a cerca de 2.200 quilômetros por segundo foram descobertas.
Os astrônomos sabem como estrelas hipervelozes mortas atingem suas rapidezes absurdas: quando falecem e se tornam supernovas, a explosão pode ser assimétrica e ejetar a estrela para o espaço em velocidades surpreendentes.
Mas e quanto a estrelas de sequência principal, como a S5-HVS1? Sem uma explosão, a hipótese dos cientistas envolve o que é chamado de “interação de três corpos”, neste caso, um buraco negro supermassivo e duas estrelas em um sistema binário.
Um cenário possível é que havia uma estrela de massa relativamente baixa, menor que a do sol, “presa” em uma órbita de curto período com a S5-HVS1 (de duração entre 3 e 40 dias). Esta, por sua vez, foi lançada para fora da galáxia depois de uma interação com o buraco negro no centro da nossa galáxia, o Sagittarius A*.
Embora tal sistema binário seja raro, ele é possível – um evento de acreção ocorrido alguns milhões de anos atrás poderia ter iniciado a formação dessas estrelas no centro galáctico, produzindo a dupla S5-HSV1. A trajetória do objeto está alinhada com um disco dessas estrelas, o que poderia indicar que se originou de lá.
“A ideia básica (às vezes chamada de mecanismo Hills) é que um sistema estelar binário (duas estrelas orbitando uma à outra) se aproxima de um buraco negro supermassivo, e uma das estrelas é capturada pelo buraco negro”, explicou o astrônomo Daniel Zucker, da Universidade Macquarie. “Quando a estrela capturada é colocada em órbita ao redor do buraco negro, a outra é lançada no espaço em alta velocidade – no caso de um buraco negro com uma massa de vários milhões de vezes a do sol, a estrela ejetada pode atingir uma velocidade de 1.000 km/s ou mais”.
Outra possibilidade seria se um buraco negro de massa intermediária tivesse sido engolido pelo Sagittarius A* alguns milhões de anos atrás, causando fricção que poderia ter lançado estrelas em grandes velocidades pelo espaço.
Embora haja pouca evidência de tal evento, encontrar mais estrelas hipervelozes como a S5-HSV1 poderia confirmar esta teoria.
Próximos passos
Uma nova leva de dados do Projeto Gaia, que mapeia a galáxia em três dimensões com a maior precisão já alcançada até hoje, pode ajudar os cientistas a descobrir mais sobre a S5-HSV1 e outras estrelas semelhantes.
Essas informações só devem chegar em 2021, no entanto.
“Outras observações da estrela e, em particular, a próxima liberação de dados do Gaia, nos permitirão medir a posição 3D e a velocidade da estrela com maior concisão e, portanto, modelar melhor sua órbita; isso nos permitirá identificar com exatidão a origem da estrela”, esclareceu Zucker.

Créditos: Hypescience