sábado, 28 de setembro de 2019

Missão da NASA detecta buraco negro engolindo estrela com precisão jamais vista


As observações de acompanhamento coordenadas pelo Observatório Swift Neil Gehrels da NASA, em parceria com outros institutos, produziram imagens que podem ser consideradas as mais detalhadas do fenômeno, chamado Evento de Disrupção de Maré, jamais produzidas.
Eventos de estrelas sendo destruídas por buracos negros em disrupção de Maré são muito raros. Em uma galáxia do tamanho da Via Láctea, o fenômeno é observado uma vez em cada 10.000 a 100.000 anos. Em termos de comparação, uma supernova ocorre uma vez a cada dez anos, aproximadamente.
O buraco negro gigante que gerou o fenômeno tem uma massa equivalente a 6 milhões de vezes a do Sol, avaliaram os astrônomos. Ele está localizado em uma galáxia na constelação de Volans, a cerca de 375 milhões de anos-luz da Terra. A estrela destruída pelo gigante teria um tamanho similar ao do Sol.
O programa caçador de supernovas da NASA, ASAS-SN, dotado de uma rede de 20 telescópios robotizados, instalado na Universidade de Ohio (OSU), identificou o evento no dia 29 de janeiro deste ano. Felizmente, o telescópio espacial TESS, em órbita na Terra, havia observado o mesmo evento, informou a NASA.
"Os dados preliminares fornecidos pelo TESS nos permitem ver uma luz muito próxima do buraco negro, muito mais próxima do que jamais havíamos visto", explica Patrick Valley, pesquisador da Universidade de Ohio.
"Os dados também mostram que o aumento da luminosidade no [fenômeno] ASASSN-19bt foi muito suave, o que nos leva a crer que se trata de um evento disruptivo de maré, e não outros tipos de explosão, como a do centro de uma galáxia ou de uma supernova", explicou o pesquisador.
A equipe liderada por Holoien usou os dados de raios ultravioleta fornecidos pelo Observatório Swift para detectar uma queda de temperatura de aproximadamente 50%, de cerca de 40 mil para 20 mil graus Celsius em poucos dias. É a primeira vez que uma queda de temperatura dessa magnitude é observada em um evento disruptivo de maré, apesar de, como ponderou Holoien, isso estar previsto por estimativas teóricas.
Um artigo científico sobre as recentes descobertas, coordenado por Holoien, foi publicado sexta-feira (27) pelo Jornal de Astrofísica.

Créditos: Sputnik

Encontrados três buracos negros em rota de colisão

Os astrônomos descobriram três buracos negros gigantes numa colisão titânica de três galáxias. O sistema invulgar foi capturado por vários observatórios, incluindo três telescópios espaciais da NASA.
"Estávamos na altura apenas à procura de pares de buracos negros e, ainda assim, através da nossa técnica de seleção, deparamos com este sistema incrível," disse Ryan Pfeifle, da Universidade George Mason, em Fairfax, no estado norte-americano da Virgínia, primeiro autor de um novo artigo publicado na revista The Astrophysical Journal que descreve estes resultados. "Esta é a evidência mais forte já encontrada de um sistema triplo de buracos negros supermassivos ativos."
O sistema é conhecido como SDSS J084905.51+111447.2 (ou, abreviando, SDSS J0849+1114) e está localizado a 1 bilhão de anos-luz da Terra.
Para descobrir este grupo raro, os investigadores precisaram de combinar dados de telescópios no solo e no espaço. Primeiro, o telescópio SDSS (Sloan Digital Sky Survey), que varre grandes faixas do céu no visível, situado no estado norte-americano do Novo México, fotografou SDSS J0849+1114. Com a ajuda de cientistas cidadãos que participam num projeto chamado Galaxy Zoo, foi rotulado como um sistema de galáxias em colisão.
Então, dados da missão WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA revelaram que o sistema brilhava intensamente no infravermelho durante uma fase na fusão galáctica em que se espera que mais do que um dos buracos negros estivesse a alimentar-se rapidamente. Para acompanhar estas pistas, os astrônomos voltaram-se para o Chandra e para o LBT (Large Binocular Telescope) no Arizona.
Os dados do Chandra revelaram fontes de raios-X - um sinal revelador de material a ser consumido pelos buracos negros - nos centros brilhantes de cada galáxia em fusão, exatamente onde os cientistas esperam que os buracos negros supermassivos residam. O Chandra e o NusTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA também encontraram evidências de grandes quantidades de gás e poeira em torno de um dos buracos negros, típico de um sistema de buracos negros em fusão.
Entretanto, dados no visível do SDSS e do LBT mostraram assinaturas espectrais características de material sendo consumido pelos três buracos negros supermassivos.
"Os espectros óticos contêm muitas informações sobre uma galáxia", disse a coautora Christina Manzano-King da Universidade da Califórnia, em Riverside. "São usados frequentemente para identificar buracos negros supermassivos em acreção ativa e podem refletir o impacto que têm nas galáxias que habitam."
Uma das razões pelas quais é difícil encontrar um trio de buracos negros supermassivos é que provavelmente estão envoltos em gás e poeira, bloqueando grande parte da sua luz. As imagens infravermelhas do WISE, os espectros infravermelhos do LBT e as imagens de raios-X do Chandra ignoram este problema, porque a luz infravermelha e os raios-X penetram nuvens de gás com muito mais facilidade do que a luz ótica.
"Com a utilização destes importantes observatórios, descobrimos uma nova maneira de identificar buracos negros supermassivos triplos. Cada telescópio dá-nos uma pista diferente do que está a acontecer nestes sistemas," disse Pfeifle. "Esperamos ampliar o nosso trabalho para encontrar mais triplos usando a mesma técnica."
"Os buracos negros duplos e triplos são extremamente raros," disse Shobita Satyapal, também da Universidade George Mason, "mas estes sistemas são na verdade uma consequência natural das fusões galácticas, que pensamos ser como as galáxias crescem e evoluem."
Três buracos negros supermassivos em fusão comportam-se de maneira diferente de apenas um par. Quando existem três buracos negros em interação, um par deve fundir-se num buraco negro maior muito mais depressa do que se os dois estivessem sozinhos. Esta pode ser uma solução para um enigma teórico chamado "problema do parsec final", no qual dois buracos negros supermassivos podem aproximar-se alguns anos-luz um do outro, mas precisariam de uma força extra para se fundirem devido ao excesso de energia que transportam nas suas órbitas. A influência de um terceiro buraco negro, como em SDSS J0849+1114, poderá finalmente reuni-los.
Simulações de computador mostraram que 16% dos pares de buracos negros supermassivos em galáxias em colisão terão interagido com um terceiro buraco negro supermassivo antes de se fundirem. Tais fusões terão produzido ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais. Estas ondas terão frequências mais baixas do que o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) da NSF e o detector europeu de ondas gravitacionais Virgo podem detectar. No entanto, podem ser detectáveis com observações rádio de pulsares, bem como com observatórios espaciais futuros, como o LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da ESA, que detectará buracos negros com até um milhão de massas solares.

Créditos: Astronomia On-line

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Galáxias estão morrendo misteriosamente no universo

Nas regiões mais extremas do universo, as galáxias estão morrendo. Suas estrelas estão sendo desativadas e os astrônomos querem saber por quê.
O primeiro grande projeto liderado por canadenses em um dos principais telescópios do mundo espera fazer exatamente isso. O novo programa, chamado Virgo Environment Traced in Carbon Monoxide survey (VERTICO), está investigando, com detalhes brilhantes, como as galáxias são mortas por seu ambiente.
Como investigador principal da VERTICO, lidero uma equipe de 30 especialistas que estão usando o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) para mapear o gás de hidrogênio molecular, o combustível do qual novas estrelas são feitas, em alta resolução em 51 galáxias em nosso aglomerado galáctico mais próximo, chamado de Aglomerado de Virgem.
Comissionado em 2013, com um custo de US$ 1,4 bilhão, o ALMA é um conjunto de antenas parabólicas conectadas a uma altitude de 5.000 metros no deserto do Atacama, no norte do Chile. É uma parceria internacional entre Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Chile. Maior projeto astronômico terrestre existente, o ALMA é o telescópio de comprimento de onda milimétrico mais avançado já construído e ideal para estudar as nuvens de gás frio denso que formam novas estrelas, que não podem ser vistas com luz visível.
Onde as galáxias vivem no universo e como elas interagem com seus arredores (o meio intergaláctico que as rodeia) e uns aos outros são influências importantes na sua capacidade de formar estrelas. Mas precisamente como este chamado ambiente dita a vida e a morte das galáxias permanece um mistério.
Os aglomerados de galáxias são os ambientes mais massivos e extremos do universo, contendo muitas centenas ou mesmo milhares de galáxias. Onde você tem massa, você também tem gravidade e as enormes forças gravitacionais presentes nos aglomerados aceleram as galáxias a grandes velocidades, muitas vezes milhares de quilômetros por segundo, e superaquecem o plasma entre galáxias a temperaturas tão altas que ele brilha com luz de raios X.
Nos interiores densos e inóspitos desses aglomerados, as galáxias interagem fortemente com seus arredores e entre si. São essas interações que podem matar – ou extinguir – sua formação estelar.
Entender quais mecanismos de extinção impedem a formação de estrelas e como eles o fazem é o foco principal da pesquisa da colaboração VERTICO.
À medida que as galáxias caem através de aglomerados, o plasma intergaláctico pode rapidamente remover seu gás em um processo violento chamado de ram pressure stripping. Quando você remove o combustível para a formação de estrelas, você efetivamente mata a galáxia, transformando-a em um objeto morto no qual nenhuma nova estrela é formada.
Além disso, a alta temperatura dos aglomerados pode impedir o resfriamento do gás quente e a condensação em galáxias. Neste caso, o gás na galáxia não é removido ativamente pelo ambiente, mas é consumido à medida que forma estrelas. Esse processo leva a um desligamento lento e inexorável na formação de estrelas conhecido, um tanto mórbido, como fome ou estrangulamento.
Embora esses processos variem consideravelmente, cada um deixa uma marca única e identificável no gás formador de estrelas da galáxia. A junção dessas impressões para formar uma imagem de como os aglomerados impulsionam mudanças nas galáxias é um dos principais focos da colaboração VERTICO. Com base em décadas de trabalho para fornecer insights sobre como o ambiente impulsiona a evolução das galáxias, nosso objetivo é adicionar uma nova peça crítica do quebra-cabeça.
O aglomerado de Virgem é um local ideal para um estudo bem detalhado do ambiente. É o nosso aglomerado de galáxias massivo mais próximo e está em processo de formação, o que significa que podemos obter um instantâneo das galáxias em diferentes estágios de seus ciclos de vida. Isso nos permite construir um quadro detalhado de como a formação de estrelas é interrompida nas galáxias de aglomerados.
Galáxias no aglomerado de Virgem foram observadas em quase todos os comprimentos de onda no espectro eletromagnético (por exemplo, rádio, luz óptica e ultravioleta), mas observações de gás formador de estrelas (feitas em comprimentos de onda milimétricos) com a sensibilidade e resolução necessárias ainda não existem. Como um dos maiores levantamentos de galáxias do ALMA até hoje, a VERTICO fornecerá mapas de alta resolução do gás hidrogênio molecular – o combustível bruto para a formação de estrelas – para 51 galáxias.
Com os dados do ALMA para esta grande amostra de galáxias, será possível revelar exatamente quais mecanismos de extinção, ram pressure stripping ou fome, estão matando galáxias em ambientes extremos e como.
Ao mapear o gás formador de estrelas em galáxias que são os exemplos de extinção impulsionada pelo ambiente, VERTICO fará avançar nossa compreensão atual de como as galáxias evoluem nas regiões mais densas do universo.

Créditos: Socientífica

Vídeo mostra planeta gigante orbitando estrela anã vermelha


Em estudo publicado pela revista Science, os pesquisadores analisaram a estrela conhecida como GJ 3512, localizada a aproximadamente 31 anos-luz da Terra.
O corpo celeste é mais leve, menor e menos brilhante do que o Sol. Vale ressaltar que anãs vermelhas são as estrelas mais comuns no Universo e representam mais de 70 de todos os "sóis".
Apesar de comuns, apenas 10% dos exoplanetas descobertos orbitam ao redor de anãs vermelhas.
Os responsáveis pelo estudo encontraram em torno da GJ 3512 um planeta gigante gasoso, chamado GJ 3512b, cuja massa é quase a metade da de Júpiter. Esse exoplaneta orbita sua estrela a uma distância semelhante a que existe entre a Terra e o Sol.
Os cientistas estimam que a GJ 3512 seja apenas 40% maior do que o GJ 3512b. "Em comparação, o Sol é aproximadamente 10 vezes maior do que Júpiter", explicou Juan Carlos Morales, membro do Instituto de Ciências do Espaço da Espanha e autor principal do estudo.
A teoria da formação planetária indica que as estrelas anãs abrigam planetas pequenos como a Terra ou Netuno, ressaltou Morales.
No entanto, a descoberta de um gigante gasoso em torno de seu astro pequeno desafia os modelos sobre como são formados os planetas.
Até agora, acreditava-se que os planetas gigantes gasosos como Júpiter e Saturno se formaram a partir de núcleos rochosos que acumulavam gás. Porém, a nova descoberta sugere que esses gigantes gasosos se formaram depois da ruptura em partes do disco protoplanetário em torno da estrela.

Créditos: Sputnik

Novo visitante interestelar já tem nome: 2I/Borisov

Foi encontrado no Sistema Solar um novo objeto, vindo do espaço interestelar, apenas a segunda descoberta deste tipo. Os astrônomos estão a voltar os seus telescópios para o visitante, o que fornece um vislumbre tentador do espaço exterior ao Sistema Solar e levanta algumas questões intrigantes. O objeto recebeu o nome 2I/Borisov pela UAI (União Astronômica Internacional).
No dia 30 de agosto de 2019 o astrônomo amador Gennady Borisov, do Observatório MARGO, na Crimeia, descobriu um objeto com uma aparência tipo cometa. O objeto tem uma cabeleira densa e, mais recentemente, foi observada uma cauda curta. Borisov fez esta descoberta com um telescópio de 0,65 metros que ele próprio construiu.
Após uma semana de observações por astrõnomos amadores e profissionais de todo o mundo, o Centro de Planetas Menores da UAI conseguiu calcular uma órbita preliminar, que sugeria que este objeto era interestelar - apenas o segundo objeto conhecido a ter passado pelo Sistema Solar.
A órbita é agora suficientemente bem conhecida e o objeto é de origem inequivocamente interestelar; recebeu a sua designação final como o segundo objeto interestelar, 2I. Neste caso, a UAI decidiu seguir a tradição de nomear objetos cometários em honra aos seus descobridores, de modo que o objeto recebeu o nome 2I/Borisov.
Dos milhares de cometas descobertos até agora, nenhum deles tem uma órbita tão hiperbólica quando a de 2I/Borisov. Esta conclusão é suportada de forma independente pelo Grupo SSD (Solar System Dynamics) do JPL da NASA. Apenas dois anos após a descoberta do primeiro objeto interestelar, 1I/'Oumuamua, o novo achado sugere que estes objetos podem ser suficientemente numerosos para fornecer uma nova maneira de investigar processos em sistemas planetários para lá do nosso.
2I/Borisov fará a sua maior aproximação ao Sol (periélio) no dia 7 de dezembro de 2019, quando estiver a 2 UA (Unidades Astronômicas) do Sol e também a 2 UA da Terra. Em dezembro e janeiro, espera-se que esteja mais brilhante no céu do hemisfério sul. Começará então a sua viagem de saída, deixando o Sistema Solar para sempre.
Os astrônomos estão a observar ansiosamente este objeto e assim farão durante muitos meses, um período mais longo do que o seu antecessor, 1I/'Oumuamua. Os astrônomos estão otimistas sobre as suas chances de estudar em grande detalhe este raro hóspede.
As estimativas dos tamanhos dos cometas são difíceis de fazer porque o pequeno núcleo cometário está incorporado na cabeleira, mas, a partir do brilho observado, 2I/Borisov parece ter cerca de alguns quilômetros de diâmetro. Um dos maiores telescópios do mundo, o GTC (Gran Telescopio Canarias) de 10,4 metros nas Ilhas Canárias, já obteve um espectro de 2I/Borisov e descobriu que se assemelha aos típicos núcleos cometários.
Este novo visitante interestelar levanta questões interessantes: porque é que os objetos interestelares não foram descobertos antes? Qual é a porcentagem esperada destes objetos no Sistema Solar interior? Como é que estes objetos se comparam a corpos parecidos no Sistema Solar? Os grandes levantamentos telescópicos capazes de varrer regularmente grandes frações do céu podem ajudar a responder a estas perguntas, e outras, no futuro próximo.

Créditos: Astronomia On-line

A nova simulação de buraco negro da NASA é fascinante

A primeira fotografia de um buraco negro, gerada com colaboração internacional do Telescópio Event Horizon, é uma das conquistas científicas mais impressionantes da última década. A roda laranja desfocada que fica do outro lado do universo custou uma quantidade colossal de dados e inteligência para ser observada.
Porém, por mais inspirador e assustador que seja, não tem muito o que ver nela. Mas a nova visualização da NASA é absolutamente fascinante.
A assombrosa visualização, gerada por Jeremy Schnittman através um software criado no Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA, lembra o buraco negro Gargantua do filme Interestelar, mesclado com a imagem do Event Horizon, e mostra como a gravidade da galáxia afunda o espaço-tempo ao seu redor.
Buracos negros são locais incrivelmente densos do espaço com gigantesca força gravitacional. Seu poder é tão monstruoso que sequer a luz consegue escapar. Isso mesmo que você leu: quando a luz passa muito perto de um buraco negro ela é puxada para dentro dele. Poeira, gás e detritos atraídos pela gravidade giram ao redor do buraco, como presos a um eixo que gira extraordinariamente rápido e é muito, muito quente. Esse carrossel, uma roda brilhante de matéria chamado de disco de acreção, é a única parte que podemos observar do buraco negro. Dependendo da angulação que o observamos, nossa visão pode ser extremamente distorcida.
O vídeo da NASA mostra a borda do disco, portanto a luz na parte superior da imagem é realmente de trás do buraco negro. Observar esse monstro cósmico nesse ângulo, também mostra que a matéria brilha muito mais no lado esquerdo do que na direita, porque se move na direção do espectador. O fenômeno cósmico nomeado “Efeito Doppler Relativístico” amplia o nível do brilho da luz que se move dessa maneira, e o contrário também é verdadeiro para a luz que se afasta do espectador.
A NASA lançou o vídeo para comemorar a diversidade dos buracos negros nesta Black Hole Week.

Créditos: Hypescience

Asteróides perigosos para Terra estariam escondidos na sombra de Júpiter

Um grupo de asteróides e cometas na sombra de Júpiter poderia se tornar uma grande ameaça ao nosso planeta caso suas órbitas mudem, concluem cientistas.
A conclusão foi feita após análise do movimento de diferentes corpos celestes ao redor de Júpiter.
Sendo o maior planeta do Sistema Solar, Júpiter abriga em sua sombra asteróides e cometas difíceis de visualizar.
Além disso, alguns desses asteróides orbitam o Sol por um caminho semelhante ao que Júpiter percorre. Sendo assim, sua rota seria quase um círculo perfeito, com um ângulo de inclinação relativamente ao plano do Sistema Solar próximo a 40°.
Em um estudo feito por Kenta Oshima, pesquisador do Observatório Astronômico Nacional do Japão, uma mudança na inclinação de tais asteróides poderia ser uma ameaça real ao nosso planeta, publicou o Space.com.
No entanto, em caso de mudança de sua rota, tais asteróides poderiam se tornar visíveis aos nossos telescópios. Para tanto, não podendo se prever qualquer mudança no movimento de tais corpos celestes, astrônomos do mundo todo deverão estar em constante vigilância, segundo Oshima.
Explicando melhor o fenômeno, Carlos de la Fuente Marcos, pesquisador da Universidade Complutense de Madri, comparou o movimento feito pelos asteróides ao voo de um avião.
"É como no caso dos aviões [...] Voando alto eles só podem se chocar com alguma coisa durante a decolagem ou aterrissagem. Mas se eles voam muito baixo, aumenta significativamente a probabilidade de se chocarem com uma montanha ou até um prédio", disse Carlos de la Fuente Marcos.
Desta forma, uma mudança no grau de inclinação e da órbita do movimento de um asteróide tornaria sua rota mais próxima à da Terra, aumentando a probabilidade de choque.

Créditos: Sputnik

terça-feira, 24 de setembro de 2019

NASA planeja enviar espaçonave para se chocar contra asteróide

A NASA, junto da empresa privada de sistemas aeroespaciais SpaceX, quer lançar uma espaçonave em direção a um asteróide como parte da missão Double Asteroid Redirection Test (DART), que busca defender a Terra de qualquer possível objeto espacial que venha a se chocar com o nosso planeta.
A intenção é testar se uma espaçonave consegue alterar a trajetória do asteróide Didymos B. O corpo celeste não é realmente uma ameaça para nós, mas é ideal para o teste, pois se trata de um Objeto Próximo à Terra (da singla em inglês, NEO, Near-Earth Object).
Esse tipo de objeto espacial é monitorado pelas agências espaciais. A Agência Espacial Européia (ESA) tem até uma Lista de Risco com os asteróides que tem alguma chance de atingir a Terra. Mas não se preocupe: as chance não são elevadas para nenhum dos casos.
Mesmo assim, os pesquisadores buscam desenvolver uma medida de precaução caso surja no futuro algum objeto realmente perigoso. O lançamento da missão tem previsão para acontecer em julho de 2021 e o choque entre a nave e Didymos B deverá ocorrer em setembro de 2022.
Didymos B orbita ao redor de Didymos A. A nave da missão da NASA deve atingir Didymos B para mudar a trajetória do asteróide.
Os cientistas planejam que a aeronave da DART colida com o asteróide em uma velocidade de 23.760 quilômetros por hora. Ela deve alterar a velocidade do corpo espacial de modo bem discreto — em apenas um centímetro por segundo. Mas essa pequena mudança já conseguirá alterar a órbita do asteróide Didymos B.

Créditos: Galileu

Lenta aniquilação de exolua pode explicar mudanças no brilho da estrela de Tabby

Durante anos, os astrônomos olharam para o céu e especularam sobre o estranho comportamento da Estrela de Tabby. Identificada pela primeira vez há mais de um século, a estrela diminui de brilho durante dias ou semanas antes de recuperar a sua luminosidade prévia. Ao mesmo tempo, a estrela parece lentamente estar a perder o seu brilho geral, deixando os investigadores a coçar a cabeça.
Agora, astrônomos da Universidade de Columbia pensam que desenvolveram uma explicação para esta estranheza.
Num novo artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os astrofísicos Brian Metzger, Miguel Martinez e Nicholas Stone propõem que o escurecimento a longo prazo é o resultado de um disco de detritos - produzido pela fragmentação de uma exolua - que está a acumular-se e a orbitar a estrela, bloqueando a sua luz enquanto o material passa entre a estrela e a Terra.
"A exolua é como um cometa de gelo que está a evaporar-se e a expelir estas rochas para o espaço," disse Metzger, professor associado de astrofísica da Universidade de Columbia e investigador principal do estudo. "Eventualmente, a exolua evaporará completamente, mas levará milhões de anos até que seja completamente consumida pela estrela. Temos a sorte de ver este evento de evaporação a acontecer."
A Estrela de Tabby, também conhecida como KIC 8462852 ou Estrela de Boyajian, recebeu o nome de Tabetha Boyajian, astrofísica da Universidade Estatal do Louisiana que descobriu o comportamento invulgar de escurecimento estelar em 2015. Boyajian descobriu que a Estrela de Tabby diminui ocasionalmente de brilho - às vezes apenas 1% e outras vezes até 22% - durante dias ou semanas antes de recuperar o seu brilho. Um ano depois, o astrônomo Bradley Schaefer, da mesma universidade, descobriu que o brilho da estrela também está a tornar-se mais fraco com o tempo, diminuindo cerca de 14% entre 1890 e 1989.
Cientistas de todo o mundo propuseram uma variedade de teorias, variando de tempestades de cometas a "megaestruturas" alienígenas, para explicar as quedas de brilho a curto prazo, mas só recentemente concordaram num culpado mais mundano - a poeira.
À medida que um exoplaneta é destruído por fortes interações ou colisões com a sua estrela-mãe, explicou Metzger, a exolua em órbita do exoplaneta pode tornar-se vulnerável à atração da estrela central do sistema. A força pode ser tão grande que a estrela arranca a exolua do seu planeta, fazendo com que colida com a estrela ou seja expulsa do sistema.
No entanto, numa pequena percentagem de casos, a estrela rouba a exolua e coloca-a numa nova órbita em seu redor. Nesta nova órbita, a gelada e empoeirada exolua é exposta à radiação da estrela, que rasga as suas camadas exteriores, criando nuvens de poeira que eventualmente são "sopradas" pelo sistema. Quando estas nuvens de poeira passam entre a estrela e a Terra, observam-se quedas intermitentes no brilho estelar.
Isto explica o escurecimento inconsistente a curto prazo da Estrela de Tabby, mas os cientistas tiveram mais dificuldade em explicar a diminuição geral a longo prazo.
A equipe de Columbia sugere que a Estrela de Tabby raptou uma exolua de um planeta vizinho há muito desaparecido e colocou-a em órbita de si própria, onde foi destruída por uma radiação estelar mais forte do que a que existia na sua órbita anterior. Pedaços das camadas exteriores empoeiradas de gelo, gás e rochas carbonáceas têm sido capazes de suportar a pressão de explosão que ejeta nuvens de poeira com grãos mais pequenos, e o material volátil maior herdou a nova órbita da exolua em torno da Estrela de Tabby, onde formou um disco que bloqueia persistentemente a luz da estrela. A opacidade do disco pode mudar lentamente, à medida que nuvens de grãos menores passam e partículas maiores presas em órbita se movem do disco em direção à Estrela de Tabby, eventualmente ficando tão quentes que derretem e caem na superfície da estrela.
Em última análise os astrofísicos sugerem que, após milhões de anos, a exolua em torno da Estrela de Tabby evaporará completamente.
Martinez disse que o modelo da equipe é único na sua hipótese do que leva o planeta original até à estrela. "Naturalmente, resulta em que as exoluas órfãs acabem em órbitas (altamente excêntricas) com exatamente as propriedades que as investigações anteriores mostraram serem necessárias para explicar a diminuição de brilho da Estrela de Tabby. Nenhum outro modelo anterior foi capaz de juntar todas estas peças."
Existem outros sistemas estelares que demonstram quedas invulgares de brilho, acrescentou Martinez, e podem haver outras explicações para o fluxo que sejam igualmente atraentes. A Estrela de Tabby é invulgar porque é muito semelhante ao Sol, mas exibe um comportamento drasticamente diferente. É única entre um milhão de estrelas observadas pelo Kepler, mas há muitos milhões de vezes mais estrelas no Universo que ainda precisam de ser observadas.
O desafio agora é encontrar outras estrelas como a Estrela de Tabby, que sequestraram exoluas e ainda não terminaram de aniquilá-las. Se a explicação da equipe estiver correta, disse Metzger, indica que as luas são uma característica comum dos sistemas exoplanetários, fornecendo assim uma maneira de estudar a existência de exoluas.
"Nós na realidade não temos nenhuma evidência sólida da existência de exoluas para lá do nosso Sistema Solar, mas uma lua destruída pela sua estrela hospedeira não pode ser tão invulgar," disse. "Isto é uma contribuição para a ampliação do nosso conhecimento dos acontecimentos exóticos em outros sistemas solares que não teríamos conhecido há 20 ou 30 anos atrás."

Créditos: Astronomia On-line

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Vênus era habitável há 700 milhões de anos, sugere estudo

Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Ciência Planetária de 2019 sugere que, há 700 milhões de anos, Vênus era um planeta habitável. Segundo os especialistas, um evento desconhecido tornou a atmosfera do planeta extremamente tóxica e quente.
“Nossa hipótese é que Vênus teve um clima estável por bilhões de anos. É possível que um evento de 'recapeamento' quase em escala global tenha sido responsável pela transformação de um clima parecido com o da Terra para a estufa quente que vemos hoje”, diz Michael Way, do Instituto Goddard de Ciência Espacial, em comunicado.
Pesquisas sobre o planeta surgiram 40 anos atrás, quando uma missão da NASA em Vênus encontrou indícios de água por lá. Desde então, estudiosos do mundo todo tentam descobrir evidências que apontem para a existência de um clima estável no planeta, capaz de suportar água líquida.
Foi com isso em mente que Way e seu colega Anthony Del Genio criaram cinco simulações teóricas, cada uma baseada em diferentes níveis de cobertura aquática no astro. Para a surpresa dos especialistas, todas as hipóteses se mostraram possíveis: em todos os cenários, Vênus era capaz de manter temperaturas estáveis, ​​entre 20ºC e 50 ºC.
Os cientistas também concluíram que o clima temperado se manteve por quase 3,5 bilhões de anos. Contudo, por conta de uma série de eventos ainda desconhecidos, houve a liberação do dióxido de carbono armazenado nas rochas do planeta, o que tornou Vênus inabitável.
"Algo aconteceu em Vênus, onde uma enorme quantidade de gás foi liberada na atmosfera e não pôde ser reabsorvida pelas rochas. Na Terra, temos alguns exemplos de descargas em larga escala, mas nada nessa proporção ”, comenta Way.
Para muitos pesquisadores, nosso vizinho está além dos limites da zona habitável do Sistema Solar, pois está muito perto do Sol para suportar água líquida. Os especialistas do Instituto Goddard discordam: “Vênus atualmente tem quase o dobro da radiação solar que temos na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelamos, descobrimos que Vênus ainda poderia suportar temperaturas de superfície favoráveis ​​à água líquida”.
Mesmo assim, os cientistas acreditam que mais estudos são necessários, tal como o envio de uma nova missão astronômica ao planeta. "Nossos modelos mostram que existe uma possibilidade real de que Vênus pode ter sido habitável e radicalmente diferente do planeta que vemos hoje", afirma Way. "Isso abre implicações para todos os exoplanetas encontrados na chamada 'Zona Vênus', que podem, de fato, hospedar água líquida e climas temperados."

Créditos: Galileu

Rover chinês manda mais fotos do gel misterioso achado no lado oculto da Lua

A edição científica chinesa Our Space, que anunciou os resultados em 17 de agosto, usou o termo "gelatinosa" para especificar a substância misteriosa encontrada na Lua, informou Space.com. A classificação despertou grande interesse e especulação entre pesquisadores.
Com novas fotos da substância gelatinosa no lado oculto na Lua, a agência chinesa detalhou como a equipe do Yutu-2 abordou cuidadosamente a cratera para analisar o gel, apesar dos riscos.
Uma das imagens mostra duas das seis rodas do rover e o conteúdo de uma cratera de aproximadamente dois metros de diâmetro.
Depois de obter os primeiros dados do espectrômetro, que foram coletados na cratera em julho, a equipe do Yutu-2 considerou os dados insatisfatórios devido às sombras, então os membros da equipe tentaram uma segunda abordagem e medição durante o dia lunar em agosto.
De acordo com a Our Space, foi feita uma detecção satisfatória, mas os resultados não foram divulgados. O cientista lunar Clive Neal, da Universidade de Notre Dame, afirmou ao Space.com que, embora a imagem não seja grande, ela ainda pode dar pistas da natureza da substância.
Segundo Neal, o material destacado no centro da cratera assemelha-se a vidro derretido encontrado durante a missão Apollo 17, em 1972.
A amostra 70019 foi recolhida pelo astronauta Harrison Schmitt, um geólogo treinado, de uma cratera fresca de 3 metros de diâmetro, semelhante à abordada pelo Yutu-2.
Neal descreve 70019 como sendo de partículas escuras e de fragmentos quebrados de minerais consolidados, ou seja, vidro preto e brilhante.
"Acho que temos aqui uma referência do que Yutu-2 viu", afirmou Neal. Vidro derretido na Lua poderia ter sido resultado de impacto de meteoros com o nosso satélite natural.
Dan Moriarty, pós-doutorando da NASA do Centro de Voo Espacial Goddard de Greenbelt, afirmou ser difícil fazer uma avaliação definitiva da composição química da substância, destacando que o material parece um pouco mais brilhante do que materiais circundantes, embora o brilho real seja difícil de confirmar a partir de fotografias.
"Chang'e-4 desembarcou em uma cratera cheia de basalto, que é tipicamente escura", disse Moriarty. "Materiais cristalizados são tipicamente luminosos, podendo ser um potencial candidato. Vai ser muito interessante conferir o que o espectrômetro vê, ainda mais se surgirem imagens de alta resolução", observa Moriarty.
Chang'e-4 e Yutu-2 estão realizando medições e coletando rochas que poderiam revelar novos detalhes sobre esta área inexplorada do nosso satélite natural.

Créditos: Sputnik

Colisão entre asteroides há 470 milhões de anos foi essencial para a vida na Terra

Há 470 milhões de anos dois asteróides colidiram entre Júpiter e Marte — e isso foi essencial para o desenvolvimento da vida na Terra. Isso é o que indica uma nova pesquisa liderada por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, publicada no Science Advances.
Segundo o estudo realizado pelos astrônomos, um dos objetos espaciais tinha 150 quilômetros de comprimento e, quando houve o choque, a poeira resultante da colisão se espalhou pelo Sistema Solar. “É análogo a ficar no meio da sala e esmagar uma sacola de aspirador cheia de pó, só que em uma escala muito maior”, exemplificou Birger Schmitz, líder da pesquisa, em comunicado.
Esses resíduos bloquearam parcialmente a luz do Sol de atingir a Terra, o que resultou em uma era glacial. A mudança do clima, até então mais ou menos homogêneo, corroborou para a divisão do planeta em zonas climáticas, resultando numa explosão de biodiversidade, principalmente entre os seres invertebrados.
Para realizarem a descoberta, os especialistas executaram a medição do hélio extraterrestre incorporado nos sedimentos petrificados do fundo do mar após a colisão. Eles explicam que, a caminho da Terra, os detritos resultantes do choque foram enriquecidos com hélio quando bombardeados pelo vento solar, o que uma análise do evento mesmo após milhões de anos.
De acordo com os astrônomos, os achados da equipe podem ajudar a humanidade no combate ao aquecimento global. Isso porque, com as emissões de dióxido de carbono e o aumento da temperatura da Terra, a situação do planeta se assemelha às existentes antes da colisão dos asteróides.
Logo, se os esforços humanos para retardarem o aquecimento global não funcionarem, existe a possibilidade de se utilizar alternativas artificiais para resfriar a Terra. Uma delas, para os pesquisadores, seria causar um bloqueio da luz solar, como ocorrida há 470 milhões de anos.
A idéia, portanto, é colocar asteróides ou satélites, por exemplo, em órbitas ao redor da Terra para que liberem partículas exporadicamente, bloqueando parte dos raios do Sol e, assim, esfriar o planeta. “Nossos resultados mostram, pela primeira vez, que esse pó esfriou drasticamente a Terra. Os estudos podem fornecer uma compreensão empírica mais detalhada de como isso funciona, e isso, por sua vez, pode ser usado para avaliar se as simulações de modelos [como o proposto] são realistas”, disse Schmitz.

Créditos: Galileu

O que parecem ser buracos negros podem ser objetos de energia escura

Astrônomos tipicamente consideram que buracos negros são formados por grande estrelas que morrem, mas em 1966 o jovem físico russo Erast Gliner propôs uma hipótese diferente: estrelas muito grandes poderiam entrar em colapso e formar Objetos Genéricos de Energia Escura (GEODEs, na sigla em inglês). Esses objetos podem parecer buracos negros quando são vistos de fora, mas contêm energia escura ao invés de singularidade.
A energia escura é um tipo hipotético de energia que estaria em todo o espaço e que tenderia a acelerar a expansão dele.
No final do último mês de agosto, Kevin Croker e Joel Weiner, da Universidade do Havaí (EUA), publicaram na revista The Astrophysical Journal um estudo que traz novidades importantes para a compreensão da expansão do universo e sobre o que acontece com estrelas no fim da vida delas.
O trabalho é baseado na hipótese de Gliner e na descoberta feita de 1998 de que a expansão do universo está acelerando. O trabalho de 1998 não reconheceu, porém, que os GEODEs poderiam contribuir para a aceleração. O trabalho de Croker e Weiner mostrou que uma fração de estrelas antigas entram em colapso e viram GEODEs ao invés de buracos negros.
Para chegar a esta conclusão, a dupla corrigiu um pequeno erro que era feito na hora de aplicar as equações de Einstein ao modelo de crescimento do universo. Este erro estava na consideração de que um sistema grande como o universo seria insensível a detalhes de pequenos sistemas que o integram.
Os pesquisadores mostraram que esta suposição não funciona em objetos compactos que restam depois do colapso e explosão de grandes estrelas. “Por 80 anos nós operamos sob suposição de que o universo, de forma geral, não era afetado por detalhes particulares de qualquer região pequena”, afirmou Croker.
“Agora está claro que a relatividade geral pode conectar de forma observável estrelas colapsadas – em regiões do tamanho de Honolulu – ao comportamento do universo como todo”.
Croker e Weiner demonstraram que a taxa de crescimento do universo pode se tornar sensível à contribuição média desses objetos compactos. De forma contrária, os próprios objetos podem se conectar ao crescimento do universo, ganhando ou perdendo energia dependendo da composição dos objetos.
Este resultado é significativo já que revela conexões inesperadas entre objetos físicos compactos e cósmicos, o que por sua vez leva a novas previsões observacionais.
Em 2016, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO) observou o que parecia ser uma colisão entre um sistema duplo de buracos negros. O que deixou pesquisadores confusos foi que esses objetos que colidiram eram inesperadamente pesados – cinco vezes mais pesados do que o previsto por simulações de computador.
Utilizando os cálculos corretos, Croker e Weiner sugeriram que a colisão não era entre buracos negros, mas sim entre GEODEs.
Eles descobriram que os GEODEs crescem junto com o universo antes da colisão. Quando ela acontece, as massas dos GEODEs ficam 4 a 8 vezes maiores, em alinhamento com as observações do LIGO. “O que mostramos é que se GEODEs realmente existem, então eles podem facilmente causar fenômenos observados que atualmente não têm explicações convincentes”, dizem os pesquisadores.

Créditos: Hypescience

Rochas "saltitantes" e colapsos de penhascos no cometa 67P/C-G

Cientistas que analisam o tesouro de imagens obtidas pela missão da Rosetta da ESA descobriram mais evidências de curiosas rochas "saltitantes" e quedas dramáticas de penhascos.
A Rosetta operou no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko entre agosto de 2014 e setembro de 2016, recolhendo dados sobre o ambiente de poeira, gás e plasma do cometa, sobre as suas características de superfície e sobre a sua estrutura interior.
Como parte da análise de cerca de 76.000 imagens de alta resolução capturadas com a sua câmera OSIRIS, os cientistas têm procurado mudanças na superfície. Em particular, estão interessados em comparar o período da maior aproximação do cometa ao Sol - conhecido como periélio - com aquele após esta fase mais ativa, para entender melhor os processos que impulsionam a evolução da superfície.
Por todo o cometa existem detritos soltos, mas algumas vezes os pedregulhos são fotografados no ato de serem lançados para o espaço, ou de rolar pela superfície. Um novo exemplo de uma rocha saltitante foi recentemente identificado na região lisa do pescoço que liga os dois lóbulos do cometa, uma área que passou por muitas mudanças visíveis de superfície em larga escala ao longo da missão. Lá, uma rocha com mais ou menos 10 metros aparentemente caiu do penhasco próximo e saltou várias vezes pela superfície sem quebrar, deixando "pegadas" no material superficial pouco consolidado.
"Nós pensamos que caiu do penhasco de 50 metros nas proximidades e é o maior fragmento deste deslizamento de terra, com uma massa de cerca de 230 toneladas," disse Jean-Baptist Vincent do Instituto DLR para Pesquisa Planetária, que apresentou os resultados na conferência EPSC-DPS em Genebra.
"Entre maio e dezembro de 2015 aconteceram tantas coisas neste cometa, quando estava mais ativo, mas infelizmente por causa desta atividade tivemos que manter a Rosetta a uma distância segura. Como tal, não temos uma visão suficientemente próxima para discernir com resolução suficiente as superfícies iluminadas e assim identificar exatamente a localização 'anterior' da pedra."
O estudo de movimentos de rochas como estas, em diferentes partes do cometa, ajuda a determinar as propriedades mecânicas do material em queda e do terreno da superfície em que pousa. O material do cometa é, de modo geral, muito fraco em comparação com o gelo e com as rochas a que estamos habituados cá na Terra: os pedregulhos do Cometa 67P/C-G são cerca de cem vezes mais fracos do que a neve recém-compactada.
Durante a passagem pelo periélio, o hemisfério sul do cometa foi submetido a altos fluxos solares, resultando num aumento dos níveis de atividade e numa erosão mais intensa do que em outras partes do cometa.
"A inspeção das imagens 'antes e depois' permitem-nos verificar que a escarpa estava intacta até pelo menos maio de 2015, pois ainda temos imagens de resolução suficientemente alta dessa região para a ver," explicou Graham, estudante que trabalha com Ramy para investigar o vasto arquivo de imagens de Rosetta.
"Esta região particularmente ativa aumenta a probabilidade de o evento de colapso estar vinculado à explosão ocorrida em setembro de 2015."
A observação detalhada dos detritos em torno da região colapsada sugere que aconteceram aqui no passado outros grandes eventos de erosão. Ramy e Graham descobriram que os detritos incluem blocos que variam até algumas dezenas de metros em tamanho, substancialmente maiores do que a população de rochas após o colapso do desfiladeiro Aswan, que é composto principalmente por rochas com alguns metros de diâmetro.
"Esta variabilidade na distribuição de tamanho dos detritos caídos sugere diferenças na força dos materiais dos materiais em camadas do cometa e/ou nos mecanismos variados de colapso do penhasco," acrescentou Ramy.
O estudo de mudanças no cometa, como estas, não fornecem apenas uma visão da natureza dinâmica destes corpos pequenos em escalas de tempo curtas, mas o colapso de um penhasco a maior escala fornece informações sobre a estrutura interna do cometa, ajudando-nos a juntar o puzzle da evolução do cometa em escalas de tempo mais longas.

Créditos: Astronomia On-line

Enigmático pulso magnético é descoberto em Marte

Geofísico robótico da NASA descobriu que o campo magnético do Planeta Vermelho, às vezes, começa a pulsar de maneira misteriosa à meia-noite.
Além disso, o módulo de pouso InSight da NASA reúne informações para ajudar os cientistas a entenderem melhor cada detalhe e a evolução do planeta, como medir a temperatura da crosta superior, registrar os sons de terremotos extraterrestres e medir a força e a direção do campo magnético de Marte.
Através dessas informações, pesquisadores descobriram um conjunto incomum de dados, encontrando uma série de pulsos magnéticos que ocorrem todos os dias por volta da meia-noite em Marte, segundo o tablóide Express.
O magnetômetro da missão InSight forneceu aos cientistas a melhor visão que já havia tido do campo magnético da crosta. Esse campo magnético próximo ao robô era aproximadamente 20 vezes mais forte do que o previsto em medições orbitais passadas.
A descoberta foi apresentada em um documento no Congresso Europeu de Ciências Planetárias e na reunião da Sociedade Astronômica Americana em Genebra, na Suíça.
O fato mais curioso da descoberta é que as oscilações ocorrem à meia-noite do horário local, como se respondessem às demandas de um temporizador noturno invisível.
A fonte dos pulsos ainda é desconhecida, por isso, os pesquisadores pretendem investigar se eles ocorrem no subsolo ou na superfície.
"A forte magnetização que foi observada nas rochas da superfície indica que é possível aprender muito sobre a dinâmica da crosta dos magnetômetros transportados nas sondas", afirmam os pesquisadores.
Além disso, eles acreditam que essa magnetização poderia revolucionar a compreensão da localização da crosta terrestre da mesma maneira que os estudos magnéticos dos oceanos da Terra revolucionaram a compreensão da tectônica terrestre.

Créditos: Sputnik

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Astrônomos descobrem estrela de nêutrons mais massiva já detectada

Pesquisadores descobriram a estrela de nêutrons mais massiva até o momento. Chamado de J0740+6620, o objeto tem 2,17 vezes a massa do sol (que é 333 mil vezes a massa da Terra) em uma esfera de apenas 20 a 30 quilômetros de diâmetro, aproximando-se dos limites de quão grande e compacto um único objeto pode se tornar antes de acabar em um buraco negro. As descobertas foram feitas por cientistas do NANOGrav Physics Frontiers Center e publicadas na Nature Astronomy.
Apesar de serem estudadas há décadas, as estrelas de nêutrons (que também são chamadas de pulsares) ainda causam muitas dúvidas nos cientistas: elas são as menores do Universo, mas extremamente densas. Por conta disso, calcular a massa de nêutrons é importante para entender como esses objetos estranhos podem existir e, embora os astrônomos geralmente considerem que a massa estelar de nêutrons esteja em torno de 1,4 massa solar, medições recentes revelaram exemplos com dimensões mais avantajadas.
Os pesquisadores encontraram a estrela de nêutrons por acaso enquanto procuravam por ondas gravitacionais. "No [telescópio] Green Bank, estamos tentando detectar ondas gravitacionais de pulsares", diz Maura McLaughlin, autora do estudo. "Para fazer isso, precisamos observar muitos pulsares de milissegundos, que são estrelas de nêutrons em rotação rápida. Este não é um documento de detecção de ondas gravitacionais, mas um dos muitos resultados importantes que surgiram de nossas observações".
A massa da estrela foi medida através de um fenômeno conhecido como "Atraso de Shapiro", baseada na Teoria Geral da Relatividade de Einstein. Neste modelo, enquanto a anã branca fica diretamente na frente do pulsar em relação à Terra, as ondas de rádio do pulsar que chegam até nós devem passar perto da anã branca — proximidade que atrasa a chegada dessas ondas de rádio à Terra por causa da distorção do espaço-tempo produzida pela gravidade da anã branca. Este atraso indica a massa da anã branca, que por sua vez fornece uma medida de massa da estrela de nêutrons.

Créditos: Galileu

Raro asteróide metálico teria tido erupção de ferro, aponta estudo

Pesquisadores da Universidade de Purdue, EUA, analisaram o asteróide metálico Psyche, sugerindo que a rocha espacial pode ter emitido ferro durante sua formação, segundo o Mirror.
Aparentemente, o asteróide é composto em grande parte de ferro e níquel, entretanto, ele é significativamente menos denso do que deveria ser, tornando-se um grande mistério para os pesquisadores, que procuram entender sua formação.
Acredita-se que os asteróides ricos em metais foram formados através da colisão de pequenos planetas, que soltaram grande parte do material exterior deixando para trás os núcleos metálicos internos, que posteriormente arrefeceram e solidificaram.
O estudo sugere que durante o processo de resfriamento uma quantidade residual de ferro fundido derretido, níquel e enxofre teriam fluído para a superfície através de fissuras.
"Nos referimos a estes processos coletivamente como 'ferrovulcanismo'", afirmou o Dr. Brandon C. Johnson, um dos autores do estudo.
"Nossos cálculos sugerem que as erupções ferrovulcânicas possam ser possíveis em corpos pequenos, ricos em metais, especialmente com misturas ricas em enxofre e com mantos mais finos do que 35 quilômetros ou corpos com o manto localmente mais fino devido a grandes crateras de impacto", explicou o autor com relação à profundidade das fissuras.
Por sua vez, a NASA revelou planos de visitar o Psyche na tentativa de aprender mais sobre o misterioso asteróide metálico.
A missão Psyche deve ser lançada em agosto de 2022, com a nave espacial chegando apenas em 2026.
“O objetivo da missão é, entre outras coisas, determinar se o Psyche realmente é o núcleo de um objeto do tamanho de um planeta”, explicou a NASA.

Créditos: Sputnik

Buraco negro da Via Láctea está ficando mais "faminto", dizem astrônomos

O buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, Sagittarius A*, parece estar ficando mais "faminto". Os astrônomos que monitoram o objeto descobriram que, no ano passado, o fenômeno consumiu matéria como nunca antes, segundo um artigo publicado no The Astrophysical Journal Letters.
"Nunca vimos algo assim nos 24 anos em que estudamos o buraco negro supermassivo. Geralmente, é um buraco negro fraco e frágil em uma 'dieta'. Não sabemos o que está motivando esse grande banquete", disse Andrea Ghez, coautora da pesquisa, em comunicado.
A equipe analisou mais de 13 mil registros de observação do fenômeno de 133 noites diferentes desde 2003. As imagens foram feitas pelo Observatório Keck no Havaí e pelo Telescópio Muito Grande do Observatório Europeu do Sul, no Chile.
Dessa forma, os especialistas descobriram que, em 13 de maio, a área externa do "ponto sem retorno" do buraco negro (assim chamada porque quando a matéria é sugada por essa parte do evento não pode mais escapar) era duas vezes mais brilhante que a observação mais luminosa feita até então.
Vale lembrar que o próprio buraco negro não pode ser visto, pois, como atua como uma via de mão única que suga tudo o que vê pela frente, nem a luz consegue escapar. Entretanto, é possível detectar a radiação de gás e poeira situadas fora do "horizonte do evento", o que permite a captura desse brilho pelos pesquisadores.
“A grande questão é se o buraco negro está entrando em uma nova fase”, disse Mark Morris, coautor sênior do artigo. Ele acredita que, se esse for o caso, o tamanho do fenômeno aumentou, o que fez crescer também seu poder de "sucção". Outra idéia do professor é a de que um gás incomum tenha sido atraído para o fenômeno, resultando na emissão de mais brilho.
Morris afirmou que outras possibilidades incluem a atração de grandes asteróides para o buraco negro, ou até a aproximação da estrela S0-2 do fenômeno, que lançaria uma grande quantidade de gás e atingiria o buraco negro.
Há também a hipótese que envolve um objeto bizarro conhecido como G2. Ele se aproximou do buraco negro em 2014 e provavelmente é um conjunto binário de estrelas. Para Ghez, é possível que o buraco tenha sugado a camada externa desse objeto, resultando em um aumento na luminosidade do lado de fora.
Os pesquisadores pretendem continuar observando o buraco negro para tentar entender o que está acontecendo. "Queremos saber como os buracos negros crescem e afetam a evolução das galáxias e do universo", afirmaram. "Queremos saber por que o buraco supermassivo fica mais brilhante e como fica mais brilhante."

Créditos: Galileu

Cometa recém-descoberto é provavelmente visitante interestelar

Um cometa recém-descoberto empolgou a comunidade astronômica a semana passada porque parece ter tido origem fora do Sistema Solar. O objeto - designado C/2019 Q4 (Borisov) - foi descoberto no dia 30 de agosto de 2019 por Gennady Borisov no Observatório MARGO em Nauchnij, Crimeia. A confirmação oficial de que o Cometa C/2019 Q4 é um cometa interestelar ainda não foi feita, mas se for interestelar, seria apenas o segundo objeto detectado dessa classe. O primeiro, 'Oumuamua, foi observado e confirmado em outubro de 2017.
O novo cometa, C/2019 Q4, ainda está a dirigir-se em direção ao Sol, mas permanecerá para lá da órbita de Marte e não chegará a menos de 300 milhões de quilômetros da Terra.
Após as detecções iniciais do cometa, o sistema Scout, localizado no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, sinalizou automaticamente o objeto como possivelmente interestelar. Davide Farnocchia do CNEOS (Center for Near-Earth Object Studies) da NASA, no JPL, trabalhou com astrónomos e com o NEOCC (Near-Earth Object Coordination Center) da ESA em Frascati, Itália, para obter observações adicionais. Trabalhou de seguida com o Centro de Planetas Menores em Cambridge, Massachusetts, para estimar a trajetória precisa do cometa e determinar se teve origem dentro do nosso Sistema Solar ou se veio de outro lugar da Galáxia.
Atualmente, o cometa está a 420 milhões de quilômetros do Sol e vai alcançar o seu ponto mais próximo, ou periélio, no dia 8 de dezembro de 2019, a uma distância de 300 milhões de quilômetros.
"A velocidade atual do cometa é alta, cerca de 150.000 km/h, bem acima das velocidades típicas de objetos que orbitam o Sol a essa distância," disse Franocchia. "A alta velocidade indica não apenas que o objeto provavelmente teve origem fora do nosso Sistema Solar, mas também que irá sair e voltar para o espaço interestelar."
Atualmente numa trajetória de entrada, o cometa C/2019 Q4 está a dirigir-se para o Sistema Solar interior. No dia 26 de outubro, passará pelo plano da eclíptica - o plano no qual a Terra e os outros planetas orbitam o Sol - vindo de cima, aproximadamente a um ângulo de 40 graus.
C/2019 Q4 foi estabelecido como sendo cometário devido à sua aparência difusa, o que indica que o objeto tem um corpo central gelado que está a produzir uma nuvem circundante de poeira e partículas à medida que se aproxima do Sol e aquece. A sua localização no céu (a partir do ponto de vista da Terra) coloca-o perto do Sol - uma área do céu geralmente não examinada por grandes levantamentos terrestres de asteróides ou pela sonda caçadora de asteróides NEOWISE da NASA
C/2019 Q4 só poderá ser observado com telescópios profissionais nos próximos meses. "O objeto terá o seu pico de brilho em meados de dezembro e continuará a ser observável com telescópios de tamanho médio até abril de 2020," acrescentou Farnocchia. "Depois, só será observável com telescópios profissionais maiores até outubro de 2020."
As observações concluídas por Karen Meech e pela sua equipe na Universidade do Hawaii indicam que o núcleo do cometa tem entre 2 e 16 quilômetros em diâmetro. Os astrônomos vão continuar a recolher observações para caracterizar ainda mais as propriedades físicas do cometa (tamanho, rotação, etc.) e vão também continuar a melhor identificar a sua trajetória.

Créditos: Astronomia On-line

sábado, 14 de setembro de 2019

Explosões podem ter criado os lagos de Titã, a maior lua de Saturno

A maior das mais de sessenta luas de Saturno é Titã, que possui grandes lagos e rios feitos de metano e etano. Um novo estudo, publicado na revista Nature Geoscience, mostrou que esses grandes volumes líquidos podem ter surgido a partir de uma explosão causada por mudanças climáticas similares às que ocorrem na Terra atualmente.
Os pesquisadores acreditam que nitrogênio líquido pode ter saído da crosta da lua devido ao aumento das mudanças atmosféricas do satélite, resultando em crateras que depois foram preenchidas por metano.
“Isso é uma evidência de que Titã passou por pelo menos um episódio de mudanças climáticas de um período mais gelado do passado”, contou à Revista Astronomy, o co-autor do estudo, Giuseppe Mitri, da Universidade G. d'Annunzio, na Itália.
Assim como têm ocorrido com a Terra, Mitri acredita que Titã aqueceu devido à um aumento dos níveis de metano, gás do efeito estufa. A hipótese, no entanto, ainda está em debate, pois os lagos podem ter se formado por outros processos químicos e físicos.
Os cientistas começaram a estudar os lagos da lua de Saturno intrigados por dados da sonda Cassini-Huygens da NASA, que registrou rios com bordas que não podiam ser explicadas por teorias anteriores acerca da formação dos volumes de água.
Mais dados sobre a lua podem chegar pelo drone Dragonfly, que a NASA planeja lançar em 2026 para chegar em Titã em 2034. Somente sondas e robôs podem chegar ao satélite. Por enquanto, não é possível que um humano visite Titã.
Mas o pesquisador Jonathan Lunine, que fez parte do estudo sobre a lua, já imagina como seria uma visita. "Um dia eu poderei sentar em uma parte alta e beber um ótimo vinho italiano e olhar para o lago imaginando que estou em Roma”, ele disse. “Mas estou em Titã e não há água lá, mas metano líquido.”

Créditos: Galileu

Mistério do núcleo interno da Terra pode finalmente ser explicado

Sabemos que o núcleo interno da Terra é sólido, mas está cercado por uma camada fluida separada do manto e da crosta acima dela. Até aí, tudo bem. Ops, não está tudo bem.
Esse arranjo causa alguns problemas, mistérios para os quais os cientistas ainda não têm explicações.
Por exemplo, se o núcleo interno superquente de ferro sólido não está ligado ao manto devido à camada de fluido que o circunda, como isso afeta sua rotação?
Alguns pesquisadores gostam de trabalhar com uma hipótese chamada de “super-rotação”. Ela sugere que o núcleo da Terra gira a uma taxa diferente da própria Terra (como você sabe, ou deveria saber, a rotação do planeta é de 24 horas em relação ao Sol). Mas qual seria essa taxa?
Diversos estudos já tentaram desvendar qual seria essa taxa de rotação do núcleo do planeta. Agora, uma nova pesquisa conduzida por John Vidale da Universidade do Sul da Califórnia (EUA) se propôs a atualizar o número usando os cálculos e processos mais avançados que temos até à data.
Para chegar ao resultado, Vidale examinou as ondas sísmicas detectadas em dois testes nucleares realizados pela União Soviética no arquipélago Novaya Zemlya, no norte da Rússia, em 1971 e em 1974.
Essas explosões são tão fortes que suas ondas podem ser captadas no mundo todo, e de fato foram por um instrumento chamado Large Aperture Seismic Array (LASA), localizado em Montana, nos EUA.
O que Vidale fez foi medir o movimento do núcleo interno da Terra com base nos dados das ondas sísmicas informados pelo LASA. A estimativa é de que núcleo gira aproximadamente 0,07 graus a mais do que o resto do planeta a cada ano.
“Se essa taxa estiver correta, significa que se você ficasse parado em um ponto no equador por um ano, a parte do núcleo [da Terra] que estava abaixo de você acabaria em um ponto a 7,7 quilômetros de distância”, explicou Maya Wei-Haas na National Geographic.
Infelizmente, esse campo de pesquisa é impreciso porque é altamente teórico – não temos como visitar a fornalha que é o núcleo interior do planeta para fazer medições mais exatas.
Na verdade, pode ser que nem mesmo a hipótese da super-rotação esteja correta. Outros cientistas sugerem diferentes explicações para o fato de nossas leituras e estimativas sobre as taxas de rotação do núcleo serem distintas.
Por exemplo, um estudo sugeriu que as discrepâncias poderiam estar relacionadas a variações na superfície do próprio núcleo, o que poderia explicar as inconsistências nas leituras. Se este for o caso, apenas indica que sabemos ainda menos sobre o núcleo do que pensamos.

Créditos: Luna Cientista

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Astrônomos da Austrália buscam pistas sobre primeiras estrelas do Universo

Muitos mistérios ainda circundam os primórdios do Universo — e por isso mesmo os 3 bilhões de anos seguintes ao Big Bang são apelidados de "Era das Trevas Espacial". Entretanto, uma equipe de astrônomos da Austrália quer mudar essa situação — e já entrou em ação.
Os especialistas estão procurando pistas sobre um estranho sinal que viaja pelo universo há pelo menos 12 bilhões de anos. Para eles, o fenômeno pode aumentar a compreensão sobre a vida e a morte das estrelas mais antigas que já existiram.
Em um artigo que será publicado no Astrophysical Journal, o grupo relata algumas descobertas feitas graças aos dados coletados pelo Murchison Widefield Array (MWA). O equipamento é uma coleção de 4096 antenas instaladas no interior da Austrália Ocidental.
Segundo os especialistas, o observatório foi projetado em 2013 com o objetivo de estudar a chamada "época da reionização" (EoR), que é justamente o período em que as primeiras estrelas se formaram. "Definir a evolução da EoR é extremamente importante para a nossa compreensão da astrofísica e cosmologia", explicou Nichole Barry, líder das pesquisas, em comunicado.
Cerca de 380 mil anos após o Big Bang, o Universo esfriou o suficiente para que os prótons e elétrons formassem átomos de hidrogênio neutro — que, eventualmente, se reuniram em nuvens e formaram estrelas. A luz emitida por esses astros era tão intensa que provocou a ionização da substância, que a fez irradiar a um comprimento de onda de 21 centímetros.
Esse sinal existe até hoje, mas cresceu com a expansão do universo: tem cerca de 2 metros. "O sinal que procuramos tem mais de 12 bilhões de anos. É excepcionalmente fraco e há muitas outras galáxias entre ele e nós que atrapalham e dificultam a extração das informações que buscamos", disse Cathryn Trott, que fez parte do estudo.
Contudo, graças ao MWA, os australianos conseguiram explorar novas técnicas e refinar a análise, excluindo fontes de contaminação do sinal captado e incluindo interferência ultrafraca gerada por transmissões de rádio na Terra. "Não podemos realmente dizer que esse artigo nos aproxima mais de datar com precisão o início ou o fim da EoR, mas exclui alguns dos modelos mais extremos", apontou Trott.
Mesmo assim, os astrônomos estão empolgados com os resultados obtidos e pretendem continuar estudando. “Temos cerca de 3 mil horas de dados da MWA”, contou Barry. "Nossa abordagem nos permitirá identificar quais bits [de informação] são mais promissores e analisá-los melhor do que jamais poderíamos antes."

Créditos: Galileu

Cientistas detectam pela primeira vez ruído de nascimento de buraco negro

Segundo a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, um buraco negro formado a partir de colisões de dois buracos negros massivos deve zumbir logo em seguida, produzindo ondas gravitacionais parecidas com a reverberação de um sino.
Einstein até chegou a prever que o tom e o declínio dessas ondas gravitacionais seriam bastante específicos da formação do buraco negro.
Agora, físicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, conseguiram “ouvir” este zumbido pela primeira vez, e o padrão do som parece seguir o previsto por Einstein.
A descoberta foi publicada nesta quinta-feira (11), na revista Physical Review Letters. Esta novidade parece apoiar a idéia de que os buracos negros exibem apenas três propriedades: massa, giro e carga elétrica. Qualquer outra propriedade é chamada pelos cientistas de “cabelo”.
Os cientistas identificaram o padrão do zumbido do buraco negro, e usando as equações de Einstein, calcularam a massa e giro que o buraco negro deve ter. Esses cálculos bateram com medições da massa do buraco e giro feito anteriormente por outros pesquisadores.
Se os cálculos tivessem sido diferentes das medições feitas anteriormente, isso poderia sugerir que o ruído dele poderia codificar outras informações além da massa, giro e carga elétrica.
“Todos esperamos que a relatividade geral esteja correta, mas esta é a primeira vez que a confirmamos dessa maneira”, diz o autor principal do estudo, Maximiliano Isi, do MIT. “Esta é a primeira medição experimental que tem sucesso em testar diretamente o teorema sem-cabelo. Não significa que buracos negros não podem ter cabelo. Significa que a imagem dos buracos negros sem cabelo sobrevive por mais um dia”.
A teoria de Einstein prevê que o tom e o declínio das ondas gravitacionais do buraco negro devem ser um produto direto de sua massa e giro. Isso significa que um buraco negro de determinada massa e giro só pode produzir tons de um certo tipo e decadência.
Isi também diz que os pesquisadores conseguem usar as partes mais detectáveis dos sinais de onda gravitacional para encontrar o ruído do novo buraco negro. Até agora, os cientistas acreditavam que este som só poderia ser detectado na parte mais fraca do sinal gravitacional, e com instrumentos muito mais sensíveis do que os que existem atualmente. “Isso é empolgante para a comunidade porque mostra que esse tipo de estudo é possível agora, e não em 20 anos”, diz ele.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Satélite da NASA capta fenômeno misterioso em outra galáxia

O observatório espacial NuSTAR da NASA capturou imagens explosões de luz de cores azul e verde no espaço. O fenômeno ocorreu na galáxia dos Fireworks (NGC 6946) e desapareceu em questão de semanas. Agora, um estudo publicado no Astrophysical Journal oferece algumas explicações sobre o evento espacial misterioso.
Em comunicado, a NASA explica que o objetivo principal das observações do NuSTAR era estudar a supernova — a explosão de uma estrela muito mais massiva que o Sol. Esses eventos podem produzir luz visível suficiente para ofuscar galáxias inteiras por um breve período.
A agência espacial afirma que bolha verde perto do fundo da galáxia não era visível durante a primeira observação do NuSTAR, mas estava brilhando fortemente no início de uma segunda observação, dez dias depois. Essa fonte de raios X recebeu o nome de ULX-4, porque é o quarto do tipo identificado nessa galáxia.
Também existe a possibilidade de a luz vir de um buraco negro: quando um objeto, como uma estrela, se aproxima demais de um buraco negro, a gravidade pode quebrá-lo, lançando os detritos em uma órbita próxima.
Outra teoria diz que a fonte do ULX-4 poderia ser uma estrela de nêutrons, objetos extremamente densos formados a partir da explosão de uma estrela que não era massiva o suficiente para formar um buraco negro. Com aproximadamente a mesma massa do nosso Sol, só que mais compacta, as estrelas de nêutrons podem, como buracos negros, atrair material e criar um disco de detritos que se move rapidamente.
"Esse resultado é um passo para entender alguns dos casos mais raros e extremos em que a matéria se acumula em buracos negros ou estrelas de nêutrons", diz Hannah Earnshaw, pesquisadora de pós-doutorado do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e principal autora do estudo.

Créditos: Galileu

Descoberto buraco negro assustador que devora 12 luas por dia

Ele está localizado no centro da galáxia GSN 069, a aproximadamente 250 milhões de anos-luz. Sua variabilidade na emissão de raios X pode ajudar no entendimento de aspectos desconcertantes, informa a revista Nature.
Uma equipe de astrônomos da NASA e da ESA encontrou dados que indicavam que o buraco negro estava consumindo grandes quantidades de material aquecido a cada nove horas.
Esse é um tipo de comportamento jamais visto em um buraco negro, declara Giovanni Miniutti, cientista da ESA.
"Este buraco negro está em uma dieta alimentar como nunca vimos antes", afirmou.
Os pesquisadores acreditam que o buraco negro faminto esteja consumindo material equivalente aproximadamente a quatro luas, três vezes ao dia, o que equivale a quase 500 mil bilhões de bilhões de quilos por refeição.
A atividade do buraco negro "esganado" foi descoberta pela primeira vez pelo observatório espacial de raios X da ESA conhecido como XMM-Newton.
Em dezembro de 2018, o XMM-Newton detectou momentos periódicos de emissão de raios X procedentes do buraco negro como nunca foram vistos antes.
"Não esperávamos encontrar algo assim", afirmou Miniutti em comunicado do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha.
Richard Sazton, coautor e cientista da ESA, afirmou que "combinando os dados dos dois observatórios de raios X, essas explosões periódicas foram rastreadas durante ao menos 54 dias".
"Isso nos proporciona uma oportunidade única de testemunhar o fluxo de matéria para dentro de um buraco negro supermassivo, acelerando e reduzindo repetidamente", ressaltou.
Essas erupções quase periódicas observadas no buraco negro da GSN 069 são um fenômeno completamente novo.
Agora, a equipe pretende estudá-lo profundamente para obter explicações para o interessante fenômeno envolvendo o buraco negro.

Créditos: Sputnik

Asteróide passou pertinho da Terra a quase 26 Km/s e ninguém viu

Dia 5, uma rocha espacial passou a uma distância do nosso planeta menor do que em que muitos satélites de comunicação se encontram em órbita e adivinhe: ninguém viu a aproximação! Por sorte, não se tratava de nenhum cometa ou asteróide colossal e o pedregulho seguiu adiante em suas andanças pelo Sistema Solar sem causar problemas – mas o incidente reforça o alerta que já foi dado por muitos cientistas, de que é apenas uma questão de tempo até que um desses objetos colida conosco.
De acordo com Eric Mack, do site C|Net, a rocha espacial foi batizada de 2019 RP1 e teve o seu tamanho estimado entre 7 e 17 metros. Segundo o pessoal da NASA, o objeto passou a 37,4 mil quilômetros do nosso planeta – o que, em termos astronômicos, significa que ele passou raspando por nós – e a uma velocidade de 25,9 km/s, o que faz desse asteróide o 2º mais rápido a viajar dentro de uma distância lunar da Terra e o 3º que mais se aproximou do nosso mundo neste ano.
E como é que ninguém viu o pedregulho – se existem tantos cientistas e astrônomos amadores de olho no céu? Desta vez, a aproximação do 2019 RP1 passou despercebida porque o asteróide veio de uma posição em que era dia no nosso planeta, dificultando a observação, especialmente em se tratando de um objeto pequeno como esses.
Mas não pense que, mesmo sendo de dimensões reduzidas, um asteróide como o 2019 RP1 não poderia causar estragos! Apenas a título de comparação, a rocha especial que desintegrou sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, gerou uma onda choque que causou a destruição de milhares de janelas e danos em inúmeras edificações na região, além de deixar mais de mil feridos leves, e só tinha 17 metros de diâmetro.

Créditos: Megacurioso

Asteróide 2010 RM82

O asteróde 2010 RM82, deve passar amanhã a apenas 625 mil km do nosso planeta. A rocha tem 28 metros e se desloca a 50 mil km/h. Apesar da pouca distância não há risco de colisão.
2010 RM82 tem cerca de 34 mil toneladas e um volume estimado em 11494 metros cúbicos. Se atingisse a Terra o asteróide liberaria energia equivalente a explosão de 808 kilotons de TNT ou 41 bombas similares à de Hiroshima.

Créditos: Apolo 11

Astrônomos detectam água e possível chuva em exoplaneta

Astrônomos capturaram sinais de água, e potencialmente chuva, em um exoplaneta na zona habitável de sua estrela.
A superterra K2-18 b tem duas vezes o diâmetro da Terra, uma massa 10 vezes maior e está a 111 anos-luz de distância, na constelação do Leão. Esta é a primeira vez que se detecta água em uma superterra.
Já haviam sido detectados sinais de água em exoplanetas antes, mas a maioria gigantes gasosos, onde há pouca expectativa de encontrar qualquer tipo de vida similar à nossa.
Analisar a atmosfera de planetas menores é bem mais difícil. Duas equipes de astrônomos, do Canadá e do Reino Unido, precisaram analisar nove trânsitos do K2-18 b para verificar como a luz da estrela permeia a finíssima camada de atmosfera do exoplaneta.
Foi esta análise que revelou a existência de água, muita água.
Como a luz da estrela varia de cor conforme ela é filtrada pela atmosfera do planeta, os astrônomos concluíram que o efeito é resultado de vapor de água presente na atmosfera transformando-se em água em estado líquido - eles podem ter flagrado chuva de água ocorrendo no exoplaneta.
As equipes apresentaram três explicações possíveis para os dados, todas igualmente prováveis. No primeiro cenário, o planeta não tem nuvens e sua atmosfera tem entre 20% e 50% de água. No segundo e no terceiro cenários, que envolvem diferentes quantidades de nuvens e outras moléculas na atmosfera, a atmosfera do planeta contém entre 0,01% e 12,5% de água - o que torna a chuva uma possibilidade real.
Contudo, os astrônomos reconhecem que há poucas esperanças de que o K2-18 b seja um ambiente hospitaleiro para a vida como a conhecemos, devido à sua distância da estrela. E sua estrela é uma anã vermelha, o que significa que ele deve estar sujeita a uma chuva de radiação bem mais forte do que a que recebemos do Sol.
Em entrevista à revista Nature, a astrônoma Hannah Wakeford, da equipe do telescópio Hubble, lembra o caso de Vênus: É um planeta do tamanho da Terra, na zona habitável do nosso Sol e que já teve vapor de água na atmosfera - mas os raios do Sol arrancaram grande parte dessa água, deixando sua superfície estéril.
E, embora os dados atuais não sejam conclusivos, o mais provável é que o K2-18 b sequer tenha um núcleo rochoso, sendo principalmente gasoso, o que o tornaria mais parecido com Netuno do que com a Terra.

Créditos: Inovação Tecnológica

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

NASA: sonda corajosa faz terceira passagem rasante pelo sol

A ousada sonda Parker Solar Probe, da NASA, começou seu terceiro voo rasante pelo Sol no último domingo (1).
Os cientistas puderam ativar os instrumentos da sonda mais cedo do que previsto, graças a uma quantidade inesperada de dados liberada pela espaçonave – os operadores da missão receberam muita informação da sonda nos primeiros dois voos rasantes, e fizeram até observações adicionais durante a segunda aproximação.
Agora, para a terceira rodada, os instrumentos da Parker Solar Probe trabalharão sem parar por 35 dias, três vezes mais do que os primeiros dois voos. Isso significa que a sonda fará medições duas vezes mais distante da superfície visível do sol.
Esses dados podem ajudar os cientistas a resolver alguns mistérios de como nossa estrela afeta o sistema solar.
A sonda foi projetada para ajudar os astrônomos a entender melhor o Sol, principalmente uma camada de sua atmosfera chamada corona, com milhões de graus Celsius, muito acima da superfície da estrela.
De acordo com o planejamento, a Parker Solar Probe fará 24 voos rasantes na corona até o final de sua missão, em 2025. Cada voo vai deixar a sonda mais apta a resolver os mistérios solares.
O quarto rasante, programado para 29 de janeiro de 2020, deve incluir uma manobra em torno de Vênus usando a gravidade do planeta para empurrar a sonda para mais perto do Sol.

Créditos: Hypescience

Astrônomos surpresos com “cadeias de montanhas cósmicas” que se projetam da Via Láctea

A Via Láctea é uma galáxia em espiral que tem um formato que lembra o de um ovo frito, com uma distribuição de estrelas no formato de um cata-vento. Mas quando as estrelas são examinadas mais de perto, é possível ver uma distribuição bastante curiosa. As estrelas formam estruturas que lembram cadeias de montanhas da Terra.
Desde 2013, a Agência Espacial Européia tem conduzido uma missão chamada Gaia que faz um tipo de censo na galáxia, catalogando mais de um bilhão de estrelas. De 2018 para cá eles já catalogaram mais 500 milhões de objetos. Agora os astrônomos conseguem explorar a Via Láctea com uma nova dimensionalidade.
Essas explorações permitiram a visualização de novas “montanhas estelares”, mas os cientistas ainda não sabem explicar como elas se formam. Uma equipe de pesquisadores liderada por astrônomos da Universidade de Sydney (Austrália) decidiu tentar recriar com modelos computacionais algumas características que vimos nessas estrelas.
Eles focaram em uma série de oito cumes na Via Láctea que se dobram como uma cadeia de montanhas. Esses montanhas ficam ensanduichadas juntas em uma camada intermediária da Via Láctea, com coleções únicas de estrelas formando os seus cumes.
Analisando a composição dessas estrelas eles constataram que elas têm formação semelhante à do nosso sol. Isso indica que elas são jovens, e ajudam a explicar a formação desses cumes.
Teorias sobre a criação dessas cadeias caem em duas categorias: internas e externas. Algumas teorias propõem que mecanismos internos da galáxia são muito importantes para a formação da geografia galáctica. As interações da gravidade podem gerar ondas ressonantes que criam amontoados de matéria.
A fricção entre as estrelas, gases e poeira espacial também pode acabar criando essas geografia, da mesma forma que as roupas se embolam em uma máquina de lavar. Também é possível que forças externas podem ter enrugado o tecido de estrelas, como a passagem próxima de uma galáxia anã, da mesma forma que um pé se arrastando em um tapete fino faria.
O resultado das simulações foi que as cadeias observadas parecem ter se formado com um processo interno chamado mistura de fases, em que grupos de estrelas gradualmente se misturam. Aparentemente elas não se formaram por conta de forças externas, já que simulações desse tipo resultaram em cumes muito mais altos dos que os que existem.
Então a altura dos cumes “pode ajudar a discriminar entre processos internos e externos”, disse Shourya Khanna, astrônomo da Universidade de Sidney e pesquisado principal do trabalho, que foi enviado para publicação na revista Monthy Notices of the Royal Astronomical Society e que já está disponível no arquivo para preprints eletrônicos de artigos científicos arXiv.
Os pesquisadores ainda têm que adicionar em suas simulações o papel dos gases nessas interações. Ainda faltam muitas estrelas para serem catalogadas, e Gaia ainda deve continuar oferecendo aos pesquisadores mais pistas sobre as forças que modelam a nossa galáxia.

Créditos: Hypescience

À beira da destruição: 'mundo vulcânico' é descoberto em exoplaneta

O mundo coberto de lava é uma lua que orbita o planeta extrassolar (ou exoplaneta) WASP-49, ou seja, ao invés de girar ao redor do Sol, como os planetas do nosso Sistema Solar, o corpo celeste orbita uma estrela localizada a 550 anos-luz da Terra, na constelação de Lepus.
De acordo com os cientistas suíços, o fato de que a lava borbulhante pode fluir na superfície dessa lua extrassolar se deve aos altos níveis de gás de sódio detectados no sistema planetário, conforme o portal Space.com.
"Provavelmente é um mundo vulcânico perigoso, com uma superfície fundida de lava. Um lugar onde os ‘jedis’ morrerão, perigosamente familiar para Anakin Skywalsker", afirmou Apurva Oza, coautor da pesquisa, mencionando a semelhança do local com o filme "Star Wars".
O planeta da saga Star Wars mencionado pelo autor é Mustafar, um corpo celeste vulcânico onde Anakin Skywalker foi mutilado em uma batalha de sabres de luz com seu mentor, Obi-Wan Kenobi e, posteriormente estabeleceu um castelo como Darth Vader.
A lua extrassolar seria uma versão extrema da quinta lua de Júpiter, considerada o corpo com maior atividade vulcânica do nosso Sistema Solar: a sua superfície conta com centenas de vulcões ativos.

Créditos: Sputnik

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

'Edscottite', o mineral que veio do espaço e está intrigando cientistas

No ano de 1951, ao lado de uma estrada na remota cidade de Wedderburn, na Austrália, caiu do espaço um misterioso meteorito de 210 gramas. Quase sete décadas depois, um estudo finalmente revelou que o objeto trouxe consigo um mineral extraterrestre jamais visto.
Cientistas da Califórnia, nos Estados Unidos, viram que o mineral cristalino tem a forma de um tipo de carboneto de ferro que nunca foi registrado na natureza. Ele ganhou o nome de edscottite, em homenagem ao cosmoquímico Edward Scott, da Universidade do Havaí. O mineral ainda ganhou o reconhecimento da Associação Internacional de Mineralogia.
A pedra onde a substância foi detectada é preta e avermelhada, e os pesquisadores acreditam que pode ter sido formada no início do Sistema Solar. O meteorito poderia ter formado um planeta, mas se desintegrou após a colisão com outro objeto no espaço – um asteróide, uma lua ou um planeta.
Os destroços do choque entre os objetos espaciais caiu no cinturão de asteróides, que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter. Assim, o meteorito sofreu atração de outros planetas e satélites.
Aqui na Terra, diversos cientistas o estudaram incansavelmente de modo que resta apenas um terço da peça original, que pertence hoje à coleção da entidade de museus australiana Museums Victoria. “Nós descobrimos de 500 mil a 600 mil minerais [que vieram com o meteorito] no laboratório. Menos de 6 mil deles são feitos pela natureza sozinha”, disse o curador de geociência Stuart Mills, da Museums Victoria.

Créditos: Galileu