sexta-feira, 29 de novembro de 2019

HUBBLE ESTUDA EXPLOSÃO DE RAIOS-GAMA COM A MAIS ALTA ENERGIA JÁ OBSERVADA

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA investigaram a natureza da explosão de raios-gama GRB 190114C.
As explosões de raios-gama são as explosões mais poderosas do Universo. Emitem a maior parte da sua energia sob a forma de raios-gama, radiação que é muito mais energética do que a luz visível que podemos ver com os nossos olhos.
Em janeiro de 2019, um GRB extremamente brilhante e longo foi detectado por um conjunto de telescópios, incluindo os telescópios Swift e Fermi da NASA, bem como pelos telescópios MAGIC (Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov). Conhecido como GRB 190114C, parte da luz detectada do objeto tinha a maior energia já observada: 1 TeV (um Tera elétrons-volt) - cerca de um bilhão de vezes mais energia por fóton do que a luz visível. Os cientistas têm tentado observar uma emissão energética tão alta a partir de GRBs há muito tempo, de modo que esta detecção é considerada um marco na astrofísica de alta energia.
As observações anteriores revelaram que, para atingir esta energia, o material deve ser emitido de uma estrela em colapso a 99,999% da velocidade da luz. Este material é então forçado através do gás que rodeia a estrela, provocando um choque que cria a própria explosão de raios-gama. Pela primeira vez, os cientistas observaram raios-gama extremamente energéticos desta explosão em particular.
Vários observatórios terrestres e espaciais começaram a estudar GRB 190114C. Os astrônomos europeus receberam tempo de observação com o Telescópio Espacial Hubble para observar a explosão de raios-gama, estudar o seu ambiente e descobrir como esta emissão extrema é produzida.
"As observações do Hubble sugerem que esta explosão em particular estava num ambiente muito denso, bem no meio de uma galáxia brilhante a 5 bilhões de anos-luz de distância," explicou um dos autores principais, Andrew Levan do Instituto para Matemática, Departamento de Astrofísica e Física de Partículas da Universidade Radboud na Holanda. "Isto é realmente invulgar e sugere que talvez seja por isso que produziu esta radiação excepcionalmente poderosa."
Os astrônomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, juntamente com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o ALMA (Atacama Large Milimeter/submilimeter Array) para estudar a galáxia hospedeira deste GRB. O instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) foi fundamental para estudar se as propriedades ambientais do sistema hospedeiro, composto por um par próximo de galáxias em interação, podem ter contribuído para a produção destes fótons altamente energéticos. O GRB ocorreu dentro da região nuclear de uma galáxia massiva, um local bastante único. Isto é indicativo de um ambiente mais denso do que aquele onde os GRBs são normalmente observados e poderá ter sido crucial para a produção dos fótons altamente energéticos observados.
"Os cientistas têm tentado observar emissão de energia muito alta a partir de explosões de raios-gama há muito tempo," explicou o autor principal Antonio Ugarte Postigo do Instituto de Astrofísica da Universidade da Andaluzia na Espanha. "Esta nova observação é um passo vital para o entendimento das explosões de raios-gama, dos seus arredores imediatos e de como a matéria se comporta quando se move a 99,999% da velocidade da luz."

Créditos: Astronomia On-line

Nova imagem do enorme cometa interestelar que vai passar bem próximo da Terra

Análises confirmaram que este visitante, avistado pela primeira vez em Agosto, está vindo do espaço profundo. Agora designado 2I/Borisov, ele foi o segundo objeto interestelar detectado em nosso Sistema Solar (e o primeiro cometa). E agora podemos observar a nova imagem.
Uma equipe de astrônomos da Universidade de Yale captou essa imagem impressionante de 2I/Borisov no último domingo, usando o espectrômetro de imagem de baixa resolução do Observatório W.M. Keck no Havaí.
A nuvem branca em torno do cometa gelado – que nesse momento se aproxima da Terra – é chamada de coma. O coma é uma espécie de envelope nebuloso que rodeia do núcleo de um cometa, ele se forma quando o cometa passa perto de uma estrela, em sua órbita altamente elíptica, enquanto o cometa aquece, partes dele são sublimadas. Isso dá a um cometa a aparência “confusa” quando visto em telescópios e ajuda a distingui-los de estrelas.
No caso de 2I / Borisov, grande parte dessa matéria gasosa segue atrás do cometa em uma cauda gigantesca com cerca de 160 mil quilômetros de comprimento – mais de doze vezes o diâmetro da Terra.
“É humilhante perceber como a Terra é pequena ao lado deste visitante de outro sistema solar”, diz um dos membros da equipe de Yale, Pieter van Dokkum.
2l / Borisov, continua a se aproximar da Terra e alcançará sua aproximação mais próxima – cerca de 320 milhões de quilômetros – no início de dezembro. Os pesquisadores acreditam que o cometa se formou em um sistema solar além do nosso e foi ejetado no espaço interestelar como consequência de uma quase colisão com um planeta em seu sistema solar original.

Créditos: SoCientífica

Finalmente podemos ter entendido os momentos antes do Big Bang

A teoria do Big Bang é a mais aceita entre a comunidade científica para explicar como o universo surgiu. O problema é que nossa compreensão dela tem algumas lacunas– existem várias questões envolvendo o fenômeno que os pesquisadores ainda não conseguiram decifrar.
Por exemplo, em um primeiro momento, o universo cresceu a partir de um ponto infinitamente pequeno até cerca de um octilhão de vezes (imagine um número “1” seguido de 27 números “0”) em tamanho em menos de um trilionésimo de segundo.
Esse acontecimento é conhecido como “inflação” e foi seguido por um período de expansão mais gradual conhecido como Big Bang. Foi nesse ponto que surgiram as partículas fundamentais que conhecemos hoje, como prótons, nêutrons e elétrons, que mais tarde formaram os átomos, estrelas e planetas.
Mas o que aconteceu entre o período da inflação cósmica e o Big Bang? Uma equipe do Kenyon College (EUA), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e da Universidade Leiden (Holanda) pode ter a resposta.
Depois da inflação cósmica, toda a matéria existente se espalhou pelo universo, tornando-o frio e vazio. Para haver um Big Bang, no entanto, algo deve ter “esquentado” o ambiente novamente, um fenômeno que os cientistas chamam de “reaquecimento”.
De acordo com a principal autora do novo estudo, Rachel Nguyen, agora na Universidade de Illinois (EUA), a idéia é de que a inflação decaiu em partículas que podem ter se chocado entre si, transferindo impulso e energia e reaquecendo o universo para definir as condições iniciais do Big Bang.
Os pesquisadores chegaram essa conclusão usando um modelo para simular o comportamento de formas exóticas da matéria, chamadas de “ínflatons”. Essas partículas hipotéticas, similares ao bóson de Higgs, podem ter criado a energia que levou à inflação cósmica.
Os resultados da simulação indicaram que, sob as condições certas, a energia dos ínflatons poderia ser redistribuída para criar também a diversidade de partículas necessárias para reaquecer o universo.
Outra questão a ser resolvida sobre o período de reaquecimento é como a gravidade se comportou durante o período da inflação.
Segundo a relatividade geral de Einstein, toda a matéria é afetada pela gravidade da mesma maneira. Já a mecânica quântica dita que, a energias muito altas, a matéria responde à gravidade de maneira diferente.
A equipe utilizou essa segunda suposição em seu modelo, ajustando a força com que as partículas interagiam com a gravidade. O resultado foi condizente com o esperado: quanto maior era a força da gravidade, mais eficientemente os ínflatons transferiam energia para produzir as partículas de matéria quente encontradas durante o Big Bang.
No entanto, os cientistas ainda precisam encontrar evidências para suportar essa hipótese, o que não será nada fácil. Enquanto pode ser que haja sinais desse período de reaquecimento no universo, os resquícios do Big Bang – conhecidos coletivamente como “fundo de microondas cósmico” – oferecem poucas pistas de tal breve momento.
Os pesquisadores esperam que novas observações de ondas gravitacionais forneçam mais peças para o quebra-cabeça.

Créditos: Hypescience

Cientistas descobrem buraco negro que alimenta estrelas em formação em vez de destruí-las

O buraco negro se localiza no centro de uma galáxia a cerca de 9,9 bilhões de anos-luz da Terra que tem pelo menos sete galáxias vizinhas.
"Esta é a primeira vez que vemos um único buraco negro impulsionar o nascimento de estrelas em mais de uma galáxia ao mesmo tempo", disse Roberto Gilli, pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF) em Bolonha, Itália, e autor principal do estudo. "É surpreendente pensar que o buraco negro de uma galáxia pode afetar aquilo que está acontecendo em outras galáxias a bilhões de quilômetros de distância", afirmou o cientista em comunicado.
Anteriormente, os astrônomos tinham descoberto um fluxo de ondas de rádio a partir deste buraco negro através do observatório de radioastronomia VLA (Very Large Array).
No observatório espacial Chandra, os pesquisadores detectaram agora uma fonte brilhante de raios X em torno do buraco negro, tal como uma nuvem difusa de raios X em uma extremidade do fluxo.
Esta nuvem fina de raios X provavelmente representa uma bolha no gás quente da galáxia criada pelo fluxo. À medida que esta bolha se expandiu, provavelmente criou uma onda de choque que desencadeou a formação de estrelas enquanto ela se movia.
Estudando objetos semelhantes, os astrônomos esperam descobrir se este fenômeno é muito comum na formação de grupos e aglomerados de galáxias.

Créditos: Sputnik

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Detectada estrela super-rápida que 'fugiu' de buraco negro

Astrônomos descobriram uma estrela super-rápida voando a uma velocidade de seis milhões de quilômetros por hora, que foi expulsa por um buraco negro supermaciço no centro da Via Láctea há cinco milhões de anos. A descoberta é descrita na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A estrela S5-HVS1, que é dona de uma velocidade sem precedentes, foi descoberta por Sergei Koposov da Carnegie Mellon University, EUA, como parte da Pesquisa Espectroscópica do Fluxo Estelar Sul (projeto S5).
A descoberta foi feita com a ajuda do Telescópio Anglo-Australiano de 3,9 metros, localizado em Nova Gales do Sul, Austrália, e confirmada por observações do telescópio espacial Gaia da Agência Espacial Européia.
Agora a estrela está na constelação Grou, a apenas 29 mil anos-luz da Terra, e se movendo dez vezes mais rápido que a maioria das estrelas da Via Láctea. Sua velocidade é quase duas vezes mais rápida que a das outras estrelas super-rápidas conhecidas hoje. Objetos espaciais desta classe foram descobertos há apenas duas décadas.
"A velocidade da estrela descoberta é tão alta que inevitavelmente deixará a galáxia e nunca mais voltará", disse em um comunicado de imprensa Boubert Douglas (um dos autores do estudo) da Sociedade Astronômica Real (RAS, na sigla em inglês) da Universidade de Oxford.
Com base na velocidade e trajetória da estrela, os astrônomos determinaram que a S5-HVS1 iniciou sua jornada há cinco milhões de anos na área central da Via Láctea, onde está localizado um grande buraco negro, dono de uma massa de quatro milhões de unidades solares, conhecido como Sagittarius A*.
"É imensamente interessante! Há muito tempo suspeitávamos que buracos negros podem expulsar as estrelas em alta velocidade, mas nunca tivemos provas tão claras da origem da estrela a partir do centro da galáxia", apontou Sergei Koposov.
As estrelas super-rápidas podem ser empurradas por buracos negros de acordo com o chamado mecanismo de Hills proposto pelo astrônomo Jack Hills 30 anos atrás. Inicialmente, a estrela S5-HSV1 estava em um sistema dual com uma estrela companheira, mas depois o sistema se aproximou demais do buraco negro, a estrela companheira foi absorvida pelo Sagittarius A*, e a S5-HVS1 foi expulsa do centro da galáxia a uma grande velocidade.
"Esta é a primeira demonstração clara do mecanismo de Hills em ação", afirmou o líder do projeto, S5S Li Ting, da Universidade de Princeton.
"Estou tão entusiasmado que esta estrela super-rápida foi descoberta como parte do projeto S5", diz Kyler Kuehn da Universidade McQuarie na Austrália, um dos autores do estudo e membro do comitê executivo do S5.
"Embora o principal objetivo científico do S5 seja investigar os fluxos estelares, usamos o poder livre do telescópio para detectar objetos interessantes dentro da nossa galáxia. E é este o resultado!"

Créditos: Sputnik

Observações confirmam exoplaneta mais próximo do que o comum

Pesquisadores de diversas partes do mundo, com o uso de telescópios, confirmaram e caracterizaram um exoplaneta que orbita uma estrela próxima. Para isso, eles contaram com um fenômeno raro conhecido como microlente gravitacional.
O anúncio de um novo objeto na constelação de Touro foi do astrônomo amador Tadashi Kojima, em Gunma no Japão. Astrônomos de todo o mundo começaram suas observações e determinaram que se tratava de um evento de microlente gravitacional.
No caso observado, uma estrela a 1600 anos-luz de distância passou em frente a uma estrela a 2600 anos-luz. Ao estudar a mudança no brilho, os astrônomos determinaram que tem um planeta orbitando a estrela em primeiro plano.
Uma equipe liderada por Akihiko Fukui, da Universidade de Tóquio, com o uso de 13 telescópios de diversas partes do globo, observou o fenômeno por 76 dias. Assim, foram coletados dados suficientes para determinar as características do sistema do exoplaneta.
O exoplaneta tem massa similar a de Netuno, mas sua órbita tem raio orbital semelhante ao da Terra e a estrela hospedeira é mais clara (mais fria) do que o Sol. Ela tem aproximadamente a metade da massa do Sol.
A massa do exoplaneta é cerca de 20% maior que a de Netuno. A região orbital em que ele está, em estrelas frias, coincide com a região onde a água condensa em gelo durante a fase de formação do planeta. Isso torna essa região, teoricamente, favorável à formação de planetas gigantes gasosos.
Cálculos indicam que planetas como o descoberto têm 35% de probabilidade de serem encontrados. Como esse foi encontrado por acaso, é possível que planetas do tamanho de Netuno sejam comuns nessa região orbital.
O exoplaneta está mais próximo e mais brilhante quando visto da Terra do que outros descobertos com o uso do mesmo método. Isso o torna um bom objeto para fazer observações de acompanhamento com o uso dos melhores telescópios disponíveis.
Microlente gravitacional é um evento raro e de curto tempo de duração. Em geral, exoplanetas descobertos com essa técnica ficam no Centro Galáctico, onde há maior quantidade de estrelas. Mas, o sistema desse planeta foi encontrada quase na direção oposta, quando observado da Terra.

Créditos: Hypescience

Local de pouso de rover da NASA pode conter sinais de vida fossilizados

Segundo um estudo recém-publicado, a cratera Jezero, que é a área determinada para o pouso e que tem 45 km de diâmetro, contém vastos depósitos de sílica hidratada e minerais carbonatos.
Pesquisadores agora acreditam que Jezero, outrora local de um lago há mais de 3,5 bilhões de anos, graças a seus suprimentos de carbonato, conteria estruturas que podem sobreviver por bilhões de anos, como conchas, corais e certos tipos de rochas formadas pela vida microbiana.
"Usando uma técnica que desenvolvemos que nos ajuda a encontrar fases minerais raras, difíceis de detectar em dados tirados de naves espaciais em órbita, encontramos dois afloramentos de sílica hidratada na cratera de Jezero", disse o autor principal do estudo, Jesse Tarnas, estudante de doutorado na Universidade Brown (EUA).
Essa fase mineral na Terra é excepcional na preservação de microfósseis e outras bioassinaturas – o que torna esses afloramentos alvos excitantes para o veículo explorar.
"O material que forma a camada inferior de um delta é, às vezes, o mais produtivo em termos de preservação das bioassinaturas. Então, se você conseguir encontrar essa camada de fundo e essa camada tiver muita sílica, isso é um bônus duplo", explicou o professor da Brown e coautor do estudo Jack Mustard.
Os dados sobre o local e o delta circundante, repleto de depósitos minerais, foram fornecidos pelas informações do Espectrômetro de Imagens de Reconhecimento Compacto para Marte (CRISM) que voa a bordo do Orbitador de Reconhecimento de Marte (MRO) da NASA.
O pouso do rover Mars está previsto para 18 de fevereiro de 2021, quando começará a coletar amostras de núcleos de rocha que serão depositadas em tubos de metal na superfície marciana, esperando para serem enviadas de volta à Terra para análise durante uma missão posterior.

Créditos: Sputnik

Mais um mistério em Marte: Oxigênio aparece e some sem explicações

Com o mistério do metano de Marte ainda sem solução à vista, o robô espacial Curiosity trouxe aos cientistas um novo enigma: o oxigênio marciano.
A informação veio com a medição dos níveis sazonais de todos os gases na atmosfera diretamente acima da superfície da Cratera Gale, onde está o Curiosity. O resultado é desconcertante.
Em Marte, o oxigênio, o gás que a maioria das criaturas da Terra usa para respirar, se comporta de uma maneira que até agora os cientistas não conseguem explicar através de nenhum processo químico conhecido.
Ao longo de três anos marcianos (quase seis anos da Terra), um instrumento do Curiosity, chamado SAM (Sample Analysis at Mars), inalou o ar da Cratera Gale e analisou sua composição.
Os resultados confirmaram a composição da atmosfera superficial marciana: 95% em volume de dióxido de carbono (CO2), 2,6% de nitrogênio molecular (N2), 1,9% de argônio (Ar), 0,16% de oxigênio molecular (O2), e 0,06% de monóxido de carbono (CO).
As medições também revelaram como as moléculas no ar marciano se misturam e circulam com as mudanças na pressão do ar ao longo do ano. Essas mudanças são induzidas quando o gás CO2 congela nos pólos no inverno, diminuindo a pressão do ar em todo o planeta após a redistribuição do ar para manter o equilíbrio da pressão. Quando o CO2 evapora na primavera e no verão e se mistura em Marte, a pressão do ar aumenta.
Nesse ambiente, os dados mostram que o nitrogênio e o argônio seguem um padrão sazonal previsível, com sua concentração aumentando e diminuindo ao longo do ano em relação à quantidade de CO2 existente no ar.
Os cientistas esperavam que o oxigênio seguisse o mesmo ritmo, mas não é isso o que acontece. Em vez disso, a quantidade de oxigênio no ar aumenta ao longo de toda a primavera e verão em até 30%, e depois volta aos níveis previstos pela química conhecida no outono. Esse padrão se repete a cada primavera, embora a quantidade de oxigênio adicionada à atmosfera varie, implicando que algo está produzindo o oxigênio e depois levando-o embora.
"A primeira vez que vimos isso, ficamos quebrando a cabeça," contou Sushil Atreya, professor de ciências climáticas e espaciais da Universidade de Michigan.
A equipe partiu em busca de possíveis explicações, começando por considerar a possibilidade de que moléculas de CO2 ou água (H2O) pudessem liberar oxigênio quando se separam na atmosfera, levando à breve elevação do oxigênio. Mas isso consumiria cinco vezes mais água do que a que existe na atmosfera de Marte, além do que o CO2 se decompõe muito lentamente para gerá-lo em tão pouco tempo. E quanto à diminuição do oxigênio? A radiação solar não poderia quebrar as moléculas de oxigênio em dois átomos, que então vazariam no espaço? Não, concluíram os cientistas, já que levaria pelo menos 10 anos para o oxigênio desaparecer por esse processo.
"Estamos nos debatendo para explicar isso," disse Melissa Trainer, cientista planetária do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA. "O fato de o comportamento do oxigênio não se repetir perfeitamente a cada estação nos faz pensar que não é um problema que tem a ver com a dinâmica atmosférica. Tem que ser uma fonte química e um sumidouro que ainda não podemos explicar".
A história do oxigênio é curiosamente semelhante ao mistério do metano de Marte. O metano está constantemente no ar dentro da Cratera Gale em quantidades tão pequenas (0,00000004% em média) que quase passa despercebido pelos instrumentos mais sensíveis já enviados à Marte. Embora o metano aumente e diminua sazonalmente, ele aumenta em abundância em cerca de 60% nos meses de verão por razões inexplicáveis - na verdade, o metano também dispara de forma aleatória e dramática, mas ninguém tem ainda alguma idéia do porquê.
Com as novas descobertas de oxigênio em mãos, a equipe da NASA se pergunta se uma química semelhante à que está gerando as variações sazonais naturais do metano também pode explicar as variações do oxigênio - os dois gases até flutuam em conjunto, mas apenas ocasionalmente.
"Estamos começando a ver essa correlação tentadora entre metano e oxigênio durante boa parte do ano em Marte," disse Atreya. "Acho que há algo aí. Ainda não tenho as respostas. Ninguém tem."
O oxigênio e o metano podem ser produzidos biologicamente (a partir de micróbios, por exemplo) e abioticamente (a partir de produtos químicos relacionados à água e às rochas). Os cientistas estão considerando todas as opções, embora não tenhamos nenhuma evidência convincente de atividade biológica em Marte.
O robô Curiosity não possui instrumentos que possam dizer definitivamente se a fonte de metano ou oxigênio em Marte é biológica ou geológica. Com os dados atuais, as explicações não biológicas são mais prováveis.

Créditos: Inovação Tecnológica

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Antiga nuvem de gás mostra que as primeiras estrelas devem ter se formado muito rapidamente

Astrônomos liderados por Eduardo Bañados do Instituto Max Planck para Astronomia descobriram uma nuvem de gás que contém informação sobre uma fase inicial da formação estelar e galáctica, apenas 850 milhões de anos após o Big Bang. A nuvem foi encontrada por acaso durante observações de um quasar distante e possui as propriedades que os astrônomos esperam dos precursores das galáxias anãs atuais. Quando se trata de abundância relativa, a química da nuvem é surpreendentemente moderna, mostrando que as primeiras estrelas do Universo devem ter se formado muito rapidamente após o Big Bang.
Quando os astrônomos observam objetos distantes, olham necessariamente para trás no tempo. A nuvem de gás descoberta por Bañados, está tão distante que a sua luz levou quase 13 bilhões de anos para chegar até nós; por outro lado, a luz que nos chega agora diz-nos como era o seu aspecto há quase 13 bilhões de anos, não mais do que 850 milhões de anos após o Big Bang. Para os astrônomos, esta é uma época extremamente interessante. Nas primeiras centenas de milhões de anos do Universo, formaram-se as primeiras estrelas e galáxias, mas os detalhes desta evolução complexa ainda são amplamente desconhecidos.
Esta nuvem de gás muito distante foi uma descoberta fortuita. Bañados, na altura no Instituto Carnegie para Ciência, e colegas estavam a acompanhar vários quasares num levantamento de 15 dos mais distantes quasares conhecidos, que havia sido preparado por Chiara Mazzucchelli como parte da sua investigação de doutoramento no Instituto Max Planck para Astronomia. Ao início, os investigadores apenas observaram que o quasar P183+05 tinha um espectro bastante invulgar. Mas quando Bañados analisou um espectro mais detalhado, obtido com os Telescópios Magalhães no Observatório Las Campanas, no Chile, ele reconheceu que algo mais se passava aqui: as estranhas características espectrais eram os traços de uma nuvem de gás muito próxima do quasar distante - uma das nuvens de gás mais distantes que os astrônomos conseguiram identificar.
Os quasares são os núcleos ativos extremamente brilhantes de galáxias distantes. A força por trás da sua luminosidade é o buraco negro supermassivo central da galáxia. A matéria que gira em torno deste buraco negro (antes de cair) é aquecida até temperaturas de centenas de milhares de graus, emitindo enormes quantidades de radiação. Isto permite que os astrônomos usem quasares como fontes de fundo para detectar hidrogênio e outros elementos químicos na absorção: se uma nuvem de gás estiver diretamente entre o observador e um quasar distante, parte da luz do quasar será absorvida.
Os astrônomos podem detectar esta absorção estudando o espectro do quasar, isto é, a decomposição do "arco-íris" da luz do quasar nas diferentes regiões de comprimento de onda. O padrão de absorção contém informação sobre a composição química, temperatura, densidade e até a distância da nuvem (até nós e até ao quasar). Por trás disto está o fato de que cada elemento químico possui uma "impressão digital" de linhas espectrais - regiões específicas de comprimentos de onda nos quais os átomos desses elementos podem emitir ou absorver luz particularmente bem. A presença de uma impressão digital característica revela a presença e abundância de um elemento químico específico.
Do espectro da nuvem de gás, os investigadores puderam perceber imediatamente a distância da nuvem e que estavam a observar os primeiros bilhões de anos da história cósmica. Também encontraram traços de vários elementos químicos, incluindo carbono, oxigênio, ferro e magnésio. No entanto, a quantidade destes elementos era minúscula, cerca de 1/800 vezes a abundância na atmosfera do nosso Sol. Os astrônomos sumariamente chamam todos os elementos mais pesados do que o hélio de "metais"; esta medição torna a nuvem de gás um dos sistemas mais pobres em metais (e distantes) conhecidos do Universo. Michael Rauch do Instituto Carnegie para Ciência, coautor do novo estudo, disse: "Depois de ficarmos convencidos de que estávamos a observar este gás primitivo apenas 850 milhões de anos após o Big Bang, começamos a querer saber se este sistema ainda podia reter assinaturas químicas produzidas pela primeira geração de estrelas."
A descoberta desta primeira geração, a chamada "população III" de estrelas, é um dos objetivos mais importantes na reconstrução da história do Universo. No universo posterior, elementos químicos mais pesados do que o hidrogênio desempenham um papel importante ao permitir que as nuvens de gás colapsem para formar estrelas. Mas estes elementos químicos, principalmente o carbono, são produzidos em estrelas e expelidos para o espaço por explosões de supernovas. Para as primeiras estrelas, estes facilitadores químicos simplesmente não estariam lá, já que logo após a fase do Big Bang, havia apenas átomos de hidrogênio e hélio. É isso que torna as primeiras estrelas fundamentalmente diferentes de todas as estrelas posteriores.
A análise mostrou que a composição química da nuvem não era quimicamente primitiva, mas que as abundâncias relativas eram surpreendentemente semelhantes às abundâncias químicas observadas nas nuvens de gás intergalácticas de hoje. As proporções das abundâncias de elementos mais pesados estão muito próximas das proporções no Universo moderno. O fato desta nuvem de gás do Universo primitivo já conter metais com abundâncias químicas relativas modernas coloca desafios importantes para a formação da primeira geração de estrelas.
Este estudo implica que a formação das primeiras estrelas neste sistema deve ter começado muito antes: os rendimentos químicos esperados das primeiras estrelas já haviam sido "apagados" pelas explosões de pelo menos mais uma geração de estrelas. Uma restrição de tempo específica vem das supernovas do tipo Ia, explosões cósmicas que seriam necessárias para produzir metais com as abundâncias relativas observadas. Tais supernovas geralmente precisam de mais ou menos 1 bilhão de anos para acontecer, o que coloca uma séria restrição em quaisquer cenários da formação das primeiras estrelas.
Agora que os astrônomos encontraram esta nuvem muito antiga, estão sistematicamente à procura de exemplos adicionais. Eduardo Bañados comentou: "É empolgante poder medir a metalicidade e as abundâncias químicas tão cedo na história do Universo, mas se queremos identificar as assinaturas das primeiras estrelas, precisamos observar ainda cedo na história cósmica. Estou otimista de que vamos encontrar nuvens de gás ainda mais distantes, o que poderá ajudar a entender como as primeiras estrelas nasceram."

Créditos: Astronomia On-line

Físicos anunciam técnica para detectar um buraco de minhoca

A existência dos buracos de minhoca é prevista pela teoria, mas sua existência real continua em debate. Portanto, uma receita prática para detectar esses caminhos cósmicos parece ser uma ótima notícia.
Os buracos de minhoca podem conectar uma área do nosso Universo a um local diferente - ou a um tempo diferente - em nosso próprio Universo, ou mesmo a um universo completamente diferente, defendem alguns.
O que De-Chang Dai (Universidade de Yangzhou, na China) e Dejan Stojkovic (Universidade de Búfalo, nos EUA) se deram conta é que, se há um caminho aberto, então o entorno da entrada do buraco de minhoca deve ser de algum modo influenciado pelo que está do outro lado - e essas influências podem ser detectadas.
"Se um buraco de minhoca conecta suavemente dois espaços-tempos diferentes, então o fluxo não pode ser conservado separadamente em nenhum desses espaços individualmente. Então, objetos que se propagam nas proximidades de um buraco de minhoca em um espaço devem sentir a influência de objetos que se propagam no outro espaço. Mostramos isso nos casos dos campos escalar, eletromagnético e gravitacional.
"O caso da gravidade é talvez o mais interessante. Nomeadamente, estudando as órbitas das estrelas ao redor do buraco negro no centro da nossa galáxia, em breve poderemos dizer se esse buraco negro abriga um buraco de minhoca atravessável," escreve a dupla.
Então, vamos à receita prática proposta pelos dois físicos.
Eles sugerem procurar um buraco de minhoca em torno de Sagitário A*, um objeto que se acredita ser um buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea. Embora não haja evidências de um buraco de minhoca lá, é um bom lugar para procurar por um porque se espera que os buracos de minhoca exijam condições gravitacionais extremas, como as presentes em buracos negros supermassivos.
Se existe um buraco de minhoca em Sagitário A*, as estrelas próximas seriam influenciadas pela gravidade das estrelas no outro extremo da passagem. Como resultado, seria possível detectar a presença de um buraco de minhoca procurando pequenos desvios na órbita esperada dessas estrelas.
"Se você tem duas estrelas, uma de cada lado do buraco de minhoca, a estrela do nosso lado deve sentir a influência gravitacional da estrela que está do outro lado. O fluxo gravitacional passará pelo buraco de minhoca. Portanto, se você mapear a órbita esperada de uma estrela em torno de Sagitário A*, você deve ver desvios dessa órbita se houver um buraco de minhoca com uma estrela do outro lado," detalha Stojkovic.
A dupla recomenda que a busca comece procurando perturbações no caminho de S2, uma estrela que os astrônomos observaram orbitando Sagitário A*.
Embora as técnicas atuais ainda não sejam precisas o suficiente para revelar a presença de um buraco de minhoca, Stojkovic afirma que a coleta de dados de S2 por um longo período de tempo, ou o desenvolvimento de técnicas para rastrear seu movimento com mais precisão, tornariam essa detecção possível.
Esses avanços não estão muito longe e podem acontecer dentro de uma ou duas décadas, diz Stojkovic.

Créditos: Inovação Tecnológica

terça-feira, 5 de novembro de 2019

NASA considera realizar missão interestelar em 2030

Um grupo de cientistas do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, está trabalhando com a NASA para realizar uma missão interestelar em 2030. A notícia foi relatada pela revista Wired.
Segundo os especialistas, a idéia é enviar ao espaço uma nave de 770 quilos com a ajuda do foguete Space Launch System, da NASA, que deve ficar pronto em 2021. Se o projeto acontecer, os desafios da equipe residem na tecnologia: eles precisam desenvolver aparelhos que levem a cápsula para fora do Sistema Solar da forma mais econômica possível.
"É hora de termos uma idéia que realmente possamos executar", disse Ralph McNutt, físico do projeto, à Wired. "Até agora, as pessoas não pensavam nisso como um problema de engenharia."
Explorar o que existe além dos horizontes do Sistema Solar será útil para diversas áreas da ciência, mas a equipe está especialmente focada em desenvolver um projeto que possibilite descobrirmos mais informações sobre o lugar do Universo em que vivemos. "Estamos dentro de uma bolha tentando descobrir qual é a sua forma, o que é extremamente difícil", disse Pontus Brandt, outro participante do projeto. "A singularidade de uma sonda interestelar é que podemos sair e tirar uma foto da nossa pequena e habitável bolha no espaço."
Se der certo, essa não será a primeira vez que uma nave espacial cruzará a fronteira do nosso sistema. Em 2012, a Voyager 1 chegou ao espaço interestelar; em 2018, a Voyager 2 realizou o mesmo feito. Entretanto, a nova missão dos especialistas de Johns Hopkins se difere em diversos aspectos do consagrado Projeto Voyager. O objetivo é criar uma sonda que tenha vida útil de pelo menos meio século e viaje 149 bilhões de quilômetros em menos de 15 anos (a Voyager levou quatro décadas para cruzar apenas 21 bilhões de quilômetros).
As antigas missões foram projetadas para ser exploradoras planetárias e, portanto, estavam equipadas para realizar pesquisas científicas nesse ramo. Felizmente, o Projeto Voyager obteve dados referentes a diversas outras áreas da astrofísica, mas muitas perguntas permanecem sem respostas.

Créditos: Galileu

Sonda Voyager 2 chega ao espaço interestelar e observa um salto na densidade de plasma

Segundo pesquisadores da Universidade de Iowa (EUA), a sonda Voyager 2 entrou finalmente no espaço interestelar, tornando-se o segundo objeto feito pelo homem a alcançar o feito atrás de sua colega Voyager 1, que saiu do sistema solar em 2012.
As sondas Voyager 1 e 2 foram lançadas da Terra ao espaço separadas por apenas algumas semanas em 1977, com missões e trajetórias diferentes.
A Voyager 1 entrou no espaço interestelar a uma distância de 122,6 unidades astronômicas (UA, sendo que 1 UA equivale a distância da Terra ao sol), enquanto a Voyager 2 entrou no espaço interestelar a 119,7 UA, ou mais de 17 bilhões de quilômetros de distância do sol.
No novo estudo, os mesmos pesquisadores que confirmaram a entrada da Voyager 1 no espaço interestelar em 2012 o fizeram para a 2.
De acordo com os pesquisadores, a sonda cruzou a linha na data de 5 de novembro de 2018, quando foi notado um “salto” na densidade do plasma por um instrumento colocado na nave pelos cientistas de Iowa.
O aumento acentuado é uma evidência de que a Voyager 2 saiu do ambiente de baixa densidade do vento solar para o plasma frio e de maior densidade do espaço interestelar – um salto semelhante foi experimentado pela Voyager 1, medido oito meses depois de sua entrada sete anos atrás.
Apesar das sondas terem trajetórias diferentes, elas saíram do sistema solar a basicamente a mesma distância do sol. Isso nos dá pistas para a estrutura da heliosfera.
Com seu vento supersônico de plasma ionizado, o Sol forma uma “bolha” ao redor do sistema solar. Essa bolha é chamada de heliosfera, e seu limite – no qual a pressão exercida pelo vento solar não é mais forte o suficiente para empurrar contra o espaço interestelar – é chamada de heliopausa.
“Isso implica que a heliosfera é simétrica, pelo menos nos dois pontos em que as sondas Voyager cruzaram”, disse Bill Kurth, pesquisador da Universidade de Iowa e um dos autores do estudo. “E nos diz que esses dois pontos na superfície estão quase à mesma distância”.
Os dados também fornecem pistas sobre a grossura da heliosheath, a fronteira entre a heliosfera e a heliopausa. Essa região parece ter espessura variada, baseado nos dados que mostram a Voyager 1 navegando 10 UA mais longe que sua parceria para chegar à heliopausa. Os instrumentos da Voyager 2 mostraram uma heliopausa mais suave e fina do que os dados da 1, com um campo magnético mais forte.
O instrumento de raios cósmicos da Voyager 2 também detectou algo que a 1 não viu: evidências de uma camada entre a heliopausa e o espaço interestelar, na qual os dois ventos (solar e interestelar) interagem. Tudo isso indica que a heliopausa não é uma fronteira homogênea, mas sim mais complexa e dinâmica do que pensávamos.
A última medição feita pela Voyager 1 chegou à Terra quando ela estava a 146 UA, ou mais de 21,5 bilhões de quilômetros do Sol. O instrumento de plasma ainda registrava aumento de densidade.
“As duas Voyagers sobreviverão à Terra. Elas estão em suas próprias órbitas ao redor da galáxia por cinco bilhões de anos ou mais. E a probabilidade de encontrarem algo no caminho é quase zero”, afirmou Kurth.
Os dados que estamos coletando agora são valiosos, no entanto, porque isso não significa que elas permanecerão operacionais. Por exemplo, o instrumento de plasma da Voyager 1 se quebrou quando esta atravessou a heliopausa em 2012.

Créditos: Hypescience

Se prepare para evento astronômico que não voltará a se repetir até 2023

Na próxima segunda-feira (11), Mercúrio passará entre a Terra e o Sol e, desta forma, será protagonista de um raro evento astronômico que não se repetirá em 13 anos.
Durante o espetáculo, que durará cerca de cinco horas e meia, Mercúrio será visível como um ponto preto movendo-se em frente ao Sol. No entanto, o pequeno tamanho deste planeta torna impossível desfrutar do evento sem o uso de binóculos ou telescópios de filtro solar.
Entretanto, a empresa meteorológica AccuWeather detalhou que eventos como este ocorrem "aproximadamente 13 vezes a cada 100 anos" e indicou que o próximo só se registrará em 13 de novembro de 2032.
Neste ano, o fenômeno será observado em quase todos os lugares da América do Norte e do Sul, e também na Europa, África e Sudoeste Asiático.
"Da nossa perspectiva terrestre, só podemos ver como Mercúrio e Vênus passam em frente ao Sol, é por isso que é um evento raro que você não vai querer perder", proferiu a NASA em uma declaração.
Os especialistas recordam que a observação direta do Sol sem equipamento de proteção especial pode causar danos aos olhos, bem como levar à perda de visão.

Créditos: Sputnik News

Asteróide 2019 UM12

No próximo dia 8, o asteróide 2019 UM12 passará a apenas 487 mil km da Terra. O objeto se desloca a 13 km/s e tem cerca de 49 metros de comprimento.
2019 UM12 tem cerca de 185 mil toneladas e um volume estimado em 61600 metros cúbicos. Se atingisse a Terra o asteróide liberaria energia equivalente a explosão de 3.733 kilotons de TNT ou 187 bombas similares à de Hiroshima.

Créditos: Apolo 11

domingo, 3 de novembro de 2019

Pesquisadores americanos descobrem por que supernovas explodem

Uma das peças-chave desta explosão, presente virtualmente em todos os modelos, é a formação de uma onda de reação supersônica chamada detonação, que pode viajar mais rápido que a velocidade do som e é capaz de queimar todo o material de uma estrela antes que ela se disperse no vácuo do espaço.
Pela primeira vez, os pesquisadores foram capazes de demonstrar o processo de formação da detonação a partir de uma chama subsônica lenta usando experiências e simulações numéricas realizadas em alguns dos maiores supercomputadores dos EUA, publicou o portal Phys.org.
Os cientistas também aplicaram com sucesso os resultados para prever as condições de formação desta detonação em um dos cenários teóricos clássicos de explosão de supernova do Tipo Ia.
As explosões de supernovas do Tipo Ia acontecem quando o carbono e o oxigênio, compactados a uma densidade de aproximadamente 1.000 toneladas por centímetro cúbico no núcleo da estrela, queimam em reações termonucleares rápidas. A explosão resultante destrói a estrela em questão de segundos e ejeta a maior parte de sua massa, emitindo uma quantidade de energia igual à energia emitida pela estrela durante toda a sua vida útil.
Geralmente, para haver uma detonação, a queima deve ocorrer em um cenário confinado com barreiras, obstáculos ou fronteiras, que podem conter as ondas de pressão liberadas pela queima. No entanto, as estrelas não têm barreiras ou obstáculos, o que torna a formação de uma detonação enigmática.
Neste estudo, a equipe desenvolveu uma teoria unificada de deflagração-detonação induzida por turbulência, que descreve o mecanismo e as condições para desencadear a detonação em explosões químicas não confinadas e termonucleares.
De acordo com a teoria, se tomarmos uma mistura reativa, que queima e libera energia, e a agitarmos para criar turbulência intensa, isso pode resultar em uma instabilidade catastrófica, o que aumenta rapidamente a pressão no sistema, produzindo choques fortes e desencadeando uma detonação. Esta teoria explica assim as condições de formação de detonações em supernovas do Tipo Ia.
Os pesquisadores foram capazes de obter informação sobre os aspectos fundamentais dos processos físicos que controlam as explosões de supernovas porque as ondas de combustão termonuclear são semelhantes às ondas de combustão química na Terra, na medida em que são controladas pelos mesmos mecanismos físicos.
Devido às semelhanças, os resultados podem ser aplicados a vários sistemas de combustão terrestre em que se podem formar detonações, tais como no contexto de acidentes industriais envolvendo explosões gasosas, bem como novas aplicações de propulsão e conversão de energia, tais como motores baseados em detonação.

Créditos: Sputnik

Missão espacial TESS revela planeta improvável

Usando dados de asterossismologia obtidos com o satélite TESS da NASA, uma equipe internacional liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Tiago Campante, estudou as estrelas HD 212771 e HD 203949. Estas são as primeiras oscilações em estrelas onde já se conheciam exoplanetas, detectadas pelo TESS.
Tiago Campante (IA e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) explica que detectar estas oscilações só foi possível porque "as observações do TESS têm precisão suficiente para medir as sutis pulsações à superfície das estrelas. Estas estrelas relativamente avançadas na escala evolutiva têm planetas em redor, proporcionando um 'laboratório de testes' ideal para estudar a evolução de sistemas planetários."
Depois de determinar as propriedades físicas de ambas as estrelas, como a sua massa, tamanho e idade, através de asterossismologia, os investigadores focaram a atenção no estado evolucionário da estrela HD 203949. O objetivo era perceber como é que o seu planeta conseguiu evitar ser engolido pela estrela, já que o envelope desta deveria ter expandido para lá da órbita atual do planeta durante a evolução para a fase de gigante vermelha.
Vardan Adibekyan (IA e Universidade do Porto), um dos coautores do artigo comenta: "Este estudo é a demonstração perfeita de como a astrofísica estelar e exoplanetária estão ligadas. A análise da estrela parece sugerir que a estrela é demasiado evoluída para ainda ter um planeta numa órbita tão próxima, mas a análise exoplanetária mostra que o planeta está lá!"
Depois de realizar múltiplas simulações numéricas, a equipe pensa que os efeitos de maré estrela-planeta terão trazido o planeta da sua órbita original para a órbita mais próxima que ocupa hoje. Adibekyan acrescenta: "A solução para este dilema científico está no 'simples fato' das estrelas e dos seus planetas não só se formarem, como evoluírem em conjunto. Neste caso particular, o planeta conseguiu evitar ser consumido."
Na última década, a asterossismologia teve um impacto significativo no estudo de estrelas do tipo solar e gigantes vermelhas, que têm oscilações do tipo solar provocadas pela convecção da estrela. Estes estudos sofreram um avanço considerável com observatórios espaciais, como o CoRoT (CNES/ESA) e o Kepler (NASA), e continuarão na próxima década com o TESS e o PLATO (ESA).
Tiago Campante explica que "o envolvimento do IA no TESS é ao nível da coordenação científica no consórcio científico asterossísmico do TESS (TESS Asteroseismic Science Consortium - TASC). O TASC é uma colaboração científica única, que junta indivíduos e grupos de investigação de todo o mundo, e que estão ativamente envolvidos na investigação no campo da asterossismologia. Seguindo as passadas do seu predecessor de sucesso, o consórcio científico asterossísmico do Kepler (KASC), o TASC tem como base uma estrutura de grupos de trabalho transparentes e colaborativos, com o objetivo de promover a colaboração entre cientistas."

Créditos: Astronomia On-line

Novo tipo de buraco negro que não atrai matéria é descoberto na Via Láctea

Um novo tipo de buraco negro foi descoberto por uma equipe de cientistas da Universidade Estadual de Ohio.
Além disso, os pesquisadores também teriam encontrado um novo método para localizar buracos negros de outras dimensões. Durante décadas, os astrônomos vêm buscando buracos negros "com força gravitacional tão forte que nada, nem matéria nem radiação, pode escapar". Entretanto, o objeto encontrado não atrai matéria de uma estrela próxima.
Todd Thompson, líder da pesquisa e professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio, observou que os estudos feitos até agora só contemplavam os buracos negros massivos, mas, segundo ele, pode haver outros bem menores.
Assim, Thompson ressaltou no estudo publicado na revista Science, que os objetos recém-descobertos são menores que os buracos negros menos massivos já registrados.
O objeto foi encontrado orbitando uma estrela gigante vermelha a 10 mil anos-luz da Terra, na constelação Auriga, e possui um tamanho aproximado de 3,3 vezes a massa do Sol, o que indica que ele também poderia ser uma grande estrela de nêutrons.
A equipe de Thompson utilizou os dados do experimento APOGEE, que é um banco de dados com espectros de luz de aproximadamente 100 mil estrelas na Via Láctea. Os cientistas começaram a procurar por estrelas que apresentassem variações de ondas azuis para ondas vermelhas, o que poderia indicar que a estrela estaria orbitando algo invisível.
Dessa forma, a equipe separou os dados de 200 estrelas, que, posteriormente, foram analisadas com os dados da ASAS-SN, que possui informações sobre mais de 1.000 supernovas. Os pesquisadores chegaram à conclusão que uma estrela vermelha gigante estaria orbitando algo menor que os buracos negros conhecidos em nossa galáxia. Esse "algo" seria, ao mesmo tempo, maior que as estrelas de nêutrons.
Com isso, Thompson e sua equipe realizaram cálculos com dados do Tillinghast Reflector Echelle Spectrograph e do satélite Gaia, até concluir que o tamanho do buraco negro é de aproximadamente 3,3 vezes a massa do Sol.
"Provavelmente identificamos um dos primeiros buracos negros de um novo tipo de baixa massa que os cientistas não conheciam anteriormente", concluiu Thompson.

Créditos: Sputnik

sábado, 2 de novembro de 2019

Uma das primeiras imagens do telescópio caçador de energia escura

Em um evento no Instituto Max Planck de Física (Alemanha), cientistas divulgaram as primeiras imagens feitas com o telescópio de raios-X eROSITA, do Centro Aeroespacial Alemão.
O telescópio deve fornecer insights importantes sobre a energia escura, que compõe quase 70% do universo, através do mapeamento de todo o cosmos.
“A luz visível mostra a estrutura de uma galáxia rastreada por suas estrelas, mas os raios-X são dominados por buracos negros supermassivos que crescem em seus centros”, explica Kirpal Nandra, diretora de astrofísica do Instituto Max Planck. “E onde vemos aglomerados de galáxias com telescópios ópticos, os raios-X revelam os enormes reservatórios de gás que preenchem o espaço entre eles e traçam a estrutura de matéria escura do universo”.
Acima, você confere a imagem de raios-X feitas pelo eROSITA.
Essa, tirada entre 18 e 19 de outubro, mostra nossa vizinha galáctica, a Grande Nuvem de Magalhães:
Os cientistas acreditam que as observações de raios-X podem nos oferecer dados relevantes sobre a existência e a natureza da energia escura.
“Agora sabemos que o eROSITA pode cumprir sua promessa e criar um mapa de todo o céu de raios-X com profundidade e detalhes sem precedentes”, disse um dos cientistas do projeto, Andrea Merloni.
Outras equipes estão à caça da energia escura, como a do dispositivo “Dark Energy Spectroscopic Instrument” (DESI), adaptado do telescópio Mayall no observatório Kitt Peak, no Arizona, EUA.
Esse instrumento contém 5.000 “minitelescópios” e pode fazer a imagem uma galáxia a cada 20 minutos. Em apenas um ano, os cientistas terão observado mais galáxias do que todos os outros telescópios do mundo juntos. E o programa deve durar cinco.
O objetivo final é mapear a distância que tais galáxias ficam da Terra (serão selecionadas 35 milhões delas como alvos para o DESI), medindo quanto o universo se expandiu à medida que essa luz viajava até nós. Uma vez que a energia escura foi proposta para explicar a expansão do universo, essa pesquisa pode finalmente juntar as peças do quebra-cabeça.
Enquanto existem projetos semelhantes, o DESI cobrirá um volume muito maior de espaço e medirá a aceleração da expansão do universo com três vezes mais precisão.

Créditos: Hypescience

Hígia pode ser o menor planeta anão do Sistema Solar conhecido até hoje

Com o auxílio do instrumento SPHERE, montado no telescópio VLT, no Chile, astrônomos revelaram que o asteróide Hígia pode ser classificado como planeta anão.
Este corpo celeste é o quarto maior do cinturão de asteróides, depois de Ceres, Vesta e Pallas.
Pela primeira vez foram feitas observações com resolução suficiente para estudar a sua superfície e determinar a sua forma e tamanho. Os astrônomos descobriram que Hígia é um asteróide esférico, podendo potencialmente destronar Ceres da sua posição de menor planeta anão do Sistema Solar.
Tal como os objetos do cinturão principal de asteróides, Hígia atende imediatamente três dos quatro requisitos para ser classificado como um planeta anão: orbita em torno do Sol, não é satélite de nenhum planeta e, contrariamente aos planetas, não "limpou" o espaço em torno da sua órbita.
O requisito final é que ele tenha massa suficiente para que a sua própria gravidade lhe permita ter uma forma mais ou menos esférica. Foi isto que as observações obtidas com o VLT revelaram agora sobre Hígia.
A equipe também usou as observações para restringir o tamanho de Hígia, colocando o seu diâmetro em pouco mais de 430 km. Plutão, o mais famoso dos planetas anões, tem um diâmetro de cerca de 2.400 km, enquanto Ceres apresenta cerca de 950 km de diâmetro.
Surpreendentemente, as observações revelaram também que Hígia não apresenta a enorme cratera de impacto que se esperava ver na sua superfície.
Hígia é o membro principal de uma das maiores famílias de asteróides, a qual é composta por cerca de 7.000 membros, todos com origem no mesmo corpo celeste. Os astrônomos esperavam que o evento que levou à formação dessa numerosa família tivesse deixado uma marca grande e profunda em Hígia.
"Esse resultado foi uma verdadeira surpresa, já que esperávamos ver uma enorme cratera de impacto, como é o caso de Vesta," disse Pierre Vernazza, do Laboratório de Astrofísica de Marselha, na França. Apesar de os astrônomos terem observado 95% da superfície de Hígia, foram apenas identificadas inequivocamente duas crateras.
"Nenhuma destas duas crateras poderia ter sido causada pelo impacto que deu origem à família de asteróides Hígia, cujo volume é comparável a um objeto com uma dimensão da ordem dos 100 km. As crateras observadas são muito pequenas," explica Miroslav Broz, da Universidade Charles em Praga, na República Tcheca.

Créditos: Inovação Tecnológica

Foto mostra turbulentas nuvens de Júpiter captadas pela NASA

A imagem captura padrões coloridos e intrincados em uma região de corrente de jato do hemisfério norte do planeta, também conhecida como Jet N3, segundo a revista Planeta.
​O que você vê nesta imagem do hemisfério norte de Júpiter? Estes são os padrões coloridos, realizados pelo cientista cidadão Gerald Eichstädt, em uma corrente de jato através dos dados da JunoCam, da nossa sonda espacial Juno.
Com base nos dados coletados pela sonda Juno, os cientistas teriam descoberto que a atmosfera de Júpiter possui faixas de turbilhão com uma profundidade de aproximadamente três mil quilômetros.
A imagem em cores foi criada pelo cientista amador Gerald Eichstadt utilizou os dados do gerador de imagens JunoCam da sonda, que havia captado a imagem a aproximadamente 9.700 quilômetros do topo das nuvens e a 35 graus norte de latitude.

Créditos: Sputnik

Sonda New Horizons revela imagens do lado oculto de Plutão

Uma equipe de astrônomos da missão New Horizons da NASA revelou uma visão inédita do lado oculto de Plutão, que não pôde ser observada pela sonda durante seu histórico sobrevoo sobre o planeta-anão em julho de 2015.
Na época, o que se viu foi um dos hemisférios de Plutão em alta resolução, porque o sobrevoo durou apenas algumas horas, enquanto o planeta levava 6,4 dias terrestres para fazer sua rotação. Dessa forma, quado a New Horizon passou, um lado daquele corpo celeste estava iluminado pelo sol, enquanto o outro estava oculto nas trevas.
No entanto, usando imagens capturadas pela sonda espacial quando já se encontrava a uma distância de seis milhões de quilômetros, a equipe conseguiu, através de ferramentas de processamento de imagem, revelar o hemisfério oculto de Plutão.
O novo estudo, publicado no arquivo de preprints eletrônicos arXiv no dia 19 de outubro passado, apresenta a primeira compilação dos dados de baixa resolução da New Horizons, além de oferecer a primeira análise geológica desse conjunto de dados.
A resolução final é 100 vezes melhor do que as imagens obtidas pelo telescópio espacial Hubble, que havia fornecido as melhores imagens daquele hemisfério anteriormente.
Nesse novo trabalho, a New Horizons também conseguiu tirar fotos de Plutão enquanto ele eclipsava o Sol, revelando a borda do planeta-anão a partir desse ângulo específico.
Os conjuntos de imagens foram combinados como um grande mosaico. Os resultados foram fascinantes e mostraram características similares, porém diferentes entre os hemisférios.
Uma característica bizarra e jamais vista antes ao longo das regiões mais a leste do lado próximo de Plutão foram grandes cumes íngremes de gelo do tamanho de arranha-céus. Chamadas “terrenos de lâminas”, essas estruturas são compostas principalmente de gelo de metano e chegam a atingir mais de 300 metros de altura. Os cientistas nunca viram nada parecido antes, mas estes terrenos com lâminas também parecem estar espalhados pelo lado distante de Plutão.
O. L. White, um dos autores, afirmou que “Este artigo tem a intenção de ser ‘o’ artigo sobre o lado distante de Plutão”, reconhecendo que tiraram tudo o que era possível dos dados disponíveis.

Créditos: Megacurioso

Observações finais revelam presença inédita de água no 2º cometa interestelar

Pesquisadores norte-americanos divulgaram uma montagem de imagens de alta resolução onde um marcador chave da presença de água poderia ser detectado.
Trata-se de emissões de oxigênio acompanhando suas ejeções de gás, informou um artigo publicado pela ArXiv.
De acordo com a IFLScience, estas observações permitiram estabelecer que o cometa libera bilhões de toneladas de água por segundo.
Observações anteriores tinham detectado conclusivamente a presença de cianeto. A relação entre a quantidade de cianeto e a liberação de água é de aproximadamente 3 a 9 partes por mil. Este intervalo se afasta da média de um "cometa típico" e dirige-se para um ligeiramente mais ativo.
O corpo celeste foi detectado em 30 de agosto pelo astrônomo amador Gennady Borisov, residente da Crimeia (Rússia), com a ajuda de um telescópio de 0,65 metro de diâmetro de fabricação própria.
Este cometa é o segundo objeto interestelar descoberto na história, depois do asteróide conhecido como Oumuamua, que foi avistado em 2017.
Segundo cientistas, a observação de objetos interestelares oferece uma oportunidade rara de estudar sistemas distantes.

Créditos: Sputnik