sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Astrônomos descobrem planeta gigante – e ele está "evaporando"

Pela primeira vez na história, cientistas do Chile, Alemanha e Reino Unido descobriram um planeta gigante que orbita uma estrela anã branca - e tudo indica que ele está "evaporando". O astro é muito parecido com Netuno e está fora do nosso Sistema Solar, a cerca de 1,5 mil anos-luz da Terra, na Constelação de Câncer.
A descoberta do planeta gigante será publicada na revista Nature. Os pesquisadores acreditam que ele faz parte de um sistema composto pela anã branca WDJ0914+1914, que é o que restou de uma estrela parecida com o Sol.
Apesar de ser um “resquício” de uma morte estelar, a anã branca alcança temperaturas impressionantes, que chegam a 28.000 ºC (cinco vezes a temperatura do Sol).
Por outro lado, o planeta que orbita a estrela é um gigante com temperaturas congelantes. Ele tem o dobro do tamanho da anã branca e dá uma volta nela a cada 10 dias, com uma velocidade de 10 milhões de quilômetros por hora.
Em troca, a estrela libera prótons de alta energia, interferindo na atmosfera do planeta, que está "evaporando". O gás que escapa da atmosfera forma um disco que se movimenta a 3 mil toneladas de gás por segundo.
“Demorou algumas semanas de pensamento árduo para entender que o único modo de formar esse disco seria a evaporação de um planeta gigante”, disse em comunicado o co-autor do estudo, Matthias Schreiber, da Universidade de Valparaíso, no Chile.
A descoberta do planeta foi feita usando o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). Antes de localizá-lo, primeiro foram analisadas variações na luz da estrela anã branca e sua composição, que revelou gases como hidrogênio, oxigênio e enxofre.
Tais gases não eram próprios da estrela, mas chegaram até ela por meio do disco do planeta. A composição desse disco foi analisada e se mostrou similar à atmosfera de planetas gigantes como Netuno. Em breve, isso pode dar pistas aos pesquisadores sobre a composição de outros planetas que estão fora do nosso Sistema Solar.

Créditos: Galileu

Vibrações em estrelas de nêutrons ajudam astrônomos a repensar idade da Via Láctea

Enquanto o satélite Kepler da NASA estava procurando exoplanetas nos céus, acabou observando cuidadosamente o brilho de uma estrela influenciado por um planeta, relata um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A missão de Kepler já foi finalizada, mas os dados recolhidos continuam dando frutos. Cientistas, liderados por pesquisadores do Centro de Excelência ARC para a Astrofísica de Todos os Céus em 3D (Astro 3D, na sigla em inglês), de Sydney, Austrália, utilizaram os dados para estimar a idade das estrelas e, por conseguinte, também a data de nascimento da galáxia.
A pesquisa descreve como os tremores em estrelas no "disco espesso" da Via Láctea lhes proporcionaram uma estimativa mais precisa da idade da galáxia: 10 bilhões de anos.
"Esta descoberta esclarece um mistério", disse ao portal Phys.org o autor principal, Sanjib Sharma, do Astro 3D e da Universidade de Sydney, Austrália. "Dados anteriores sobre a distribuição etária das estrelas no disco não concordavam com os modelos construídos para descrevê-lo, mas ninguém sabia onde estava o erro, se nos dados ou nos modelos. Agora temos certeza de que o encontremos", acrescentou.
O erro estaria em estrelas de nêutrons, nos núcleos ultradensos de estrelas que morreram, e nas violentas correções periódicas em seus campos magnéticos extremamente poderosos.
"Os terremotos geram ondas sonoras dentro das estrelas que as fazem pulsar ou vibrar", explicou o coautor e professor associado Dennis Stello do Astro 3D e da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália. "As frequências produzidas nos dizem coisas sobre as propriedades internas das estrelas, incluindo suas idades. É um pouco como identificar um violino como um estradivário ouvindo o som que ele faz."
O maior terremoto de estrelas já gravado, visto na estrela de nêutrons SGR 1806-20 em 27 de dezembro de 2004, tinha uma frequência de 94,5 Hertz, com um F nítido ligeiramente plano, equivalente à 22ª tecla de um piano, informou o Space.com.
Nesse momento, um intenso clarão de energia que durou um décimo de segundo liberou mais energia do que o nosso Sol emite em 150.000 anos.
Kepler foi lançado em 2009 e desativado no final de 2018, tendo descoberto cerca de 2.600 planetas fora do nosso Sistema Solar.

Créditos: Sputnik

Astrônomos encontram buraco negro "impossível" na Via Láctea

Cientistas da Academia Chinesa de Ciências anunciaram a descoberta de um buraco negro "impossível". Segundo eles, um fenômeno massivo como o que encontraram não poderia existir de acordo com os modelos astronômicos atuais.
Isso porque, até agora, os pesquisadores acreditavam que a massa dos buracos negros da Via Láctea eram de cerca de 20 vezes a do Sol. Entretanto, o fenômeno encontrado tem 70 vezes a massa da nossa estrela – muito mais do que era previso nos modelos matemáticos.
"Achamos que estrelas muito massivas com a composição química típica de nossa galáxia devem derramar a maior parte de seu gás em fortes ventos estelares, à medida que se aproximam do fim de sua vida", explicou LIU Jifeng, líder da pesquisa, em comunicado. "Portanto, não devem deixar para trás um remanescente tão massivo. LB-1 [o buraco-negro encontrado] é duas vezes maior do que pensávamos ser possível. Agora os teóricos terão que aceitar o desafio de explicar sua formação."
Segundo os especialistas, a descoberta só foi possível graças as observações de diversos telescópios ao redor do mundo. Os cientistas identificaram a existência de uma estrela oito vezes mais pesada que o Sol a 15 mil anos-luz da Terra. Quando analisaram melhor, eles perceberam que o astro orbitava um buraco negro de 70 massas solares, a cada 79 dias.
A descoberta do LB-1 ajuda a explicar outro fenômeno. Recentemente, os astrônomos começaram a captar ondas no espaço-tempo causadas por colisões de buracos negros em galáxias distantes. Contudo, essas observações eram incompatíveis com o modelo atual, pois eram correspondentes a buracos negros muito mais massivos do que os que se tinha conhecimento.
"Esta descoberta nos obriga a reexaminar nossos modelos de como os buracos negros de massa estelar se formam", disse o diretor do telescópioo LIGO, David Reitze, em comunicado. "Esse resultado notável, juntamente com as detecções de buracos negros binários do LIGO-Virgo dos últimos quatro anos, realmente apontam para um renascimento em nossa compreensão da astrofísica dos buracos negros."

Créditos: Galileu

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Duas violentas explosões muito distantes produziram recentemente a luz mais brilhante do universo

Pela primeira vez, astrônomos observaram diretamente duas explosões de raios gama extremamente violentas em galáxias a bilhões de anos-luz de distância da Terra.
Essas explosões produziram a luz mais brilhante já observada no universo, estudada em seguida por cerca de 300 cientistas em todo o mundo.
“As explosões de raios gama são as mais poderosas conhecidas no universo e normalmente liberam mais energia em apenas alguns segundos do que o nosso sol durante toda a sua vida”, explicou o cientista David Berge em um comunicado.
Embora ocorram quase todos os dias sem nenhum aviso prévio, elas duram apenas alguns segundos e permanecem um mistério para os astrônomos, que nunca as haviam estudado diretamente – apenas os seus “resquícios”. Tais resíduos brilhantes podem persistir por horas ou dias.
“Muito do que sabemos sobre explosões de raios gama nas últimas décadas veio da observação de suas sequelas em energias mais baixas”, disse a cientista Elizabeth Hays, da NASA, também em um comunicado.
Agora, os pesquisadores tiveram a chance de observar as explosões conforme elas ocorriam. A primeira foi detectada em julho de 2018, e a segunda em janeiro deste ano.
Essa última foi mais poderosa, com cerca de 100 bilhões de vezes tanta energia quanto a luz visível aos olhos humanos. Dois telescópios da NASA a observaram em uma galáxia a 4 bilhões de anos-luz de distância durante 20 minutos.
“Nossas medidas mostram que a energia liberada em raios gama [nesses 20 minutos] é comparável à quantidade irradiada em todas as energias inferiores tomadas em conjunto [no período depois da explosão inicial]. Isso é notável”, afirmou a cientista Konstancja Satalecka no mesmo comunicado.
Os cientistas já suspeitavam que uma espécie de dispersão de elétrons era capaz de aumentar a energia dos fótons durante essas explosões, causando rajadas de raios gama com luz de energia ultra-alta na fase pós-brilho.
As observações dessas duas explosões confirmaram essa teoria pela primeira vez.

Créditos: Hypescience

Telescópio da NASA captura explosão nunca antes vista em cometa

Essa foi a primeira vez que a humanidade conseguiu imagens tão nítidas de um evento desse tipo.
"Esta é a observação mais completa e detalhada até hoje da formação e dissipação da explosão em um cometa ocorrendo naturalmente", disse a NASA em um comunicado.
O pequeno corpo celeste teve seu momento de maior aproximação à Terra em dezembro de 2018, quando passou a 11,5 milhões de quilômetros de distância. Contudo, a explosão começou em 26 de setembro do mesmo ano, dissipando-se durante 20 dias seguidos.
Segundo estimativas aproximadas dos cientistas da Universidade de Maryland (EUA), o fenômeno expulsou cerca de um milhão de quilos de material, criando uma cratera de cerca de 20 metros em sua superfície.
"Como o TESS obtinha imagens detalhadas e compostas a cada 30 minutos, a equipe conseguiu visualizar cada fase com detalhes minuciosos", afirmou a agência norte-americana.
"Com 20 dias de imagens muito frequentes, pudemos avaliar facilmente as alterações de luminosidade", comentou o autor principal do estudo, Tony Farnham, do Departamento de Astronomia da universidade.
Os pesquisadores também conseguiram detectar pela primeira vez o rastro do cometa, que, ao contrário da cauda, é um campo de detritos maiores que traça sua trajetória orbital enquanto se move ao redor do Sol. "Quando a Terra encontra o rastro de poeira de um cometa, temos chuvas de meteoros", explicou o coautor Michael Kelley.
Em maio, descobriu-se que o cometa 46P/Wirtanen contém água "semelhante à de um oceano". Esta descoberta reforçou a idéia de que estes corpos gelados desempenharam um papel fundamental na chegada do líquido à Terra.
Por razões ainda desconhecidas dos cientistas, muitos cometas ocasionalmente experimentam explosões espontâneas. O estudo do processo desse fenômeno pode ajudar a compreender melhor as propriedades desses corpos.

Créditos: Sputnik

Chuva de meteoros Geminídeos é a maior atração astronômica em dezembro

Mais um ano vai chegando ao fim, mas sempre há tempo para belas observações do céu. O mês de dezembro traz magníficas constelações de verão, com destaque para as brilhantes estrelas de Touro, Órion e Cão Maior.
A maior atração, porém, é a sempre marcante chuva de meteoros Geminídeos, que tem pico na noite de 13 para 14 de dezembro. Esta será a chuva de melhor visibilidade nas latitudes brasileiras – caso a noite esteja sem nuvens, você não deve perder.
Para observar meteoros, é preciso paciência: reserve pelo menos uma hora, preferencialmente em um local afastado das luzes da cidade.

Dia 14As primeiras horas desse sábado são a melhor oportunidade para observar meteoros no Brasil. Quem fizer uma vigília poderá ver dezenas deles durante a madrugada. Olhe na direção da Constelação de Gêmeos e aprecie o show.

Dia 22O Solstício de Dezembro acontece à 1h19 (hora de Brasília). Nesse instante, o Sol atinge a posição mais ao sul na Esfera Celeste. É o início do verão no Hemisfério Sul e do inverno no Hemisfério Norte. Aproveite este que será o dia mais longo do ano!

Dia 23Atividade de meteoros acima da média, resultado da poeira deixada pelo cometa 8P/Tuttle. É uma chuva de difícil visualização no Brasil, pois seu radiante é próximo ao polo celeste norte. Olhe para o norte no final da madrugada.

Dia 28Encerrando o ano, uma bela visão ao entardecer. O fino crescente da Lua encontra o brilhante Vênus em uma magnífica conjunção. Olhe para o oeste logo após o pôr do Sol.

Por Gustavo Rojas Físico da Universidade Federal de São Carlos.


Créditos: Galileu

Asteróide passará perto da Terra a 27.000 km/h na sexta-feira, alerta NASA

De acordo com as estimativas da NASA, o asteróide 2019 WR3 mede entre 72 e 160 metros de diâmetro e se move a uma velocidade de 27.036 km/h.
Para efeito de comparação, a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, mede 139 metros de altura.
Além disso, a agência espacial americana calcula que o corpo rochoso passará no dia 6 de dezembro por volta das 17h52, do horário de Brasília.
Apesar de a notícia parecer alarmante, o asteróide em questão não representa um perigo para nós, já que o ponto máximo de aproximação será de aproximadamente 5,4 milhões de quilômetros, ou seja, cerca de 14 vezes a distância entre a Lua e a Terra.
O 2019 WR3 pertence ao grupo de asteróides Apolo, que tem uma órbita muito ampla ao redor do nosso planeta. Ocasionalmente, a órbita dos corpos celestes neste grupo atravessa a da Terra.

Créditos: Sputnik