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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Astrônomos descobrem planeta gigante – e ele está "evaporando"

Pela primeira vez na história, cientistas do Chile, Alemanha e Reino Unido descobriram um planeta gigante que orbita uma estrela anã branca - e tudo indica que ele está "evaporando". O astro é muito parecido com Netuno e está fora do nosso Sistema Solar, a cerca de 1,5 mil anos-luz da Terra, na Constelação de Câncer.
A descoberta do planeta gigante será publicada na revista Nature. Os pesquisadores acreditam que ele faz parte de um sistema composto pela anã branca WDJ0914+1914, que é o que restou de uma estrela parecida com o Sol.
Apesar de ser um “resquício” de uma morte estelar, a anã branca alcança temperaturas impressionantes, que chegam a 28.000 ºC (cinco vezes a temperatura do Sol).
Por outro lado, o planeta que orbita a estrela é um gigante com temperaturas congelantes. Ele tem o dobro do tamanho da anã branca e dá uma volta nela a cada 10 dias, com uma velocidade de 10 milhões de quilômetros por hora.
Em troca, a estrela libera prótons de alta energia, interferindo na atmosfera do planeta, que está "evaporando". O gás que escapa da atmosfera forma um disco que se movimenta a 3 mil toneladas de gás por segundo.
“Demorou algumas semanas de pensamento árduo para entender que o único modo de formar esse disco seria a evaporação de um planeta gigante”, disse em comunicado o co-autor do estudo, Matthias Schreiber, da Universidade de Valparaíso, no Chile.
A descoberta do planeta foi feita usando o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). Antes de localizá-lo, primeiro foram analisadas variações na luz da estrela anã branca e sua composição, que revelou gases como hidrogênio, oxigênio e enxofre.
Tais gases não eram próprios da estrela, mas chegaram até ela por meio do disco do planeta. A composição desse disco foi analisada e se mostrou similar à atmosfera de planetas gigantes como Netuno. Em breve, isso pode dar pistas aos pesquisadores sobre a composição de outros planetas que estão fora do nosso Sistema Solar.

Créditos: Galileu

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Observações confirmam exoplaneta mais próximo do que o comum

Pesquisadores de diversas partes do mundo, com o uso de telescópios, confirmaram e caracterizaram um exoplaneta que orbita uma estrela próxima. Para isso, eles contaram com um fenômeno raro conhecido como microlente gravitacional.
O anúncio de um novo objeto na constelação de Touro foi do astrônomo amador Tadashi Kojima, em Gunma no Japão. Astrônomos de todo o mundo começaram suas observações e determinaram que se tratava de um evento de microlente gravitacional.
No caso observado, uma estrela a 1600 anos-luz de distância passou em frente a uma estrela a 2600 anos-luz. Ao estudar a mudança no brilho, os astrônomos determinaram que tem um planeta orbitando a estrela em primeiro plano.
Uma equipe liderada por Akihiko Fukui, da Universidade de Tóquio, com o uso de 13 telescópios de diversas partes do globo, observou o fenômeno por 76 dias. Assim, foram coletados dados suficientes para determinar as características do sistema do exoplaneta.
O exoplaneta tem massa similar a de Netuno, mas sua órbita tem raio orbital semelhante ao da Terra e a estrela hospedeira é mais clara (mais fria) do que o Sol. Ela tem aproximadamente a metade da massa do Sol.
A massa do exoplaneta é cerca de 20% maior que a de Netuno. A região orbital em que ele está, em estrelas frias, coincide com a região onde a água condensa em gelo durante a fase de formação do planeta. Isso torna essa região, teoricamente, favorável à formação de planetas gigantes gasosos.
Cálculos indicam que planetas como o descoberto têm 35% de probabilidade de serem encontrados. Como esse foi encontrado por acaso, é possível que planetas do tamanho de Netuno sejam comuns nessa região orbital.
O exoplaneta está mais próximo e mais brilhante quando visto da Terra do que outros descobertos com o uso do mesmo método. Isso o torna um bom objeto para fazer observações de acompanhamento com o uso dos melhores telescópios disponíveis.
Microlente gravitacional é um evento raro e de curto tempo de duração. Em geral, exoplanetas descobertos com essa técnica ficam no Centro Galáctico, onde há maior quantidade de estrelas. Mas, o sistema desse planeta foi encontrada quase na direção oposta, quando observado da Terra.

Créditos: Hypescience

domingo, 3 de novembro de 2019

Missão espacial TESS revela planeta improvável

Usando dados de asterossismologia obtidos com o satélite TESS da NASA, uma equipe internacional liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Tiago Campante, estudou as estrelas HD 212771 e HD 203949. Estas são as primeiras oscilações em estrelas onde já se conheciam exoplanetas, detectadas pelo TESS.
Tiago Campante (IA e Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) explica que detectar estas oscilações só foi possível porque "as observações do TESS têm precisão suficiente para medir as sutis pulsações à superfície das estrelas. Estas estrelas relativamente avançadas na escala evolutiva têm planetas em redor, proporcionando um 'laboratório de testes' ideal para estudar a evolução de sistemas planetários."
Depois de determinar as propriedades físicas de ambas as estrelas, como a sua massa, tamanho e idade, através de asterossismologia, os investigadores focaram a atenção no estado evolucionário da estrela HD 203949. O objetivo era perceber como é que o seu planeta conseguiu evitar ser engolido pela estrela, já que o envelope desta deveria ter expandido para lá da órbita atual do planeta durante a evolução para a fase de gigante vermelha.
Vardan Adibekyan (IA e Universidade do Porto), um dos coautores do artigo comenta: "Este estudo é a demonstração perfeita de como a astrofísica estelar e exoplanetária estão ligadas. A análise da estrela parece sugerir que a estrela é demasiado evoluída para ainda ter um planeta numa órbita tão próxima, mas a análise exoplanetária mostra que o planeta está lá!"
Depois de realizar múltiplas simulações numéricas, a equipe pensa que os efeitos de maré estrela-planeta terão trazido o planeta da sua órbita original para a órbita mais próxima que ocupa hoje. Adibekyan acrescenta: "A solução para este dilema científico está no 'simples fato' das estrelas e dos seus planetas não só se formarem, como evoluírem em conjunto. Neste caso particular, o planeta conseguiu evitar ser consumido."
Na última década, a asterossismologia teve um impacto significativo no estudo de estrelas do tipo solar e gigantes vermelhas, que têm oscilações do tipo solar provocadas pela convecção da estrela. Estes estudos sofreram um avanço considerável com observatórios espaciais, como o CoRoT (CNES/ESA) e o Kepler (NASA), e continuarão na próxima década com o TESS e o PLATO (ESA).
Tiago Campante explica que "o envolvimento do IA no TESS é ao nível da coordenação científica no consórcio científico asterossísmico do TESS (TESS Asteroseismic Science Consortium - TASC). O TASC é uma colaboração científica única, que junta indivíduos e grupos de investigação de todo o mundo, e que estão ativamente envolvidos na investigação no campo da asterossismologia. Seguindo as passadas do seu predecessor de sucesso, o consórcio científico asterossísmico do Kepler (KASC), o TASC tem como base uma estrutura de grupos de trabalho transparentes e colaborativos, com o objetivo de promover a colaboração entre cientistas."

Créditos: Astronomia On-line

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O que ocorre quando exoplanetas colidem

Durante estudo do sistema estelar BD +20 307, há dez anos, cientistas viram muita poeira quente. Recentemente, ainda mais desse material foi encontrado nas proximidades, quando foi usado o SOFIA, um telescópio posicionado em avião, comandado pela NASA e pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
Essa observação revelou que o brilho infravermelho dos detritos aumentou mais de 10%. Isso pode significar que os astrônomos estão vendo os resíduos de uma colisão relativamente recente, provocada pelo impacto de corpos do tamanho de planetas.
O sistema de duas estrelas está a mais de 300 anos luz da Terra, com estrelas que têm pelo menos um bilhão de anos. A poeira quente de sistemas como esse e o nosso sistema solar, deveriam ter desaparecido há muito tempo. Estudar detritos circundando estelares ajuda os cientistas a entender como o sistema de exoplanetas evolui, mas também a ampliar a compreensão da história do nosso sistema solar.
Os resultados publicados no Astrophysical Journal confirmam que pode ter ocorrido relativamente recentemente uma grande colisão entre exoplanetas rochosos. Esse tipo de colisão pode mudar sistemas planetários. Acredita-se que uma colisão entre um corpo do tamanho de Marte e a Terra, 4,5 bilhões de anos atrás, criou detritos que, eventualmente, formaram a Lua.
Utilizar a observação com infravermelho, como do SOFIA, é essencial para encontrar pistas ocultas em poeira cósmica. Porque, quando utilizado o infravermelho, esse sistema é muito mais brilhante do que o esperado a partir da observação apenas das estrelas. Esse brilho extra é proveniente da poeira de detritos, e não pode ser visto em outros comprimentos de onda.
Embora diversos mecanismos possam fazer com que a poeira espacial brilhe mais, uma colisão planetária pode provocar uma grande quantidade de poeira de forma muito rápida.
Outras possíveis causas seriam a absorção do calor das estrelas ou a aproximação delas, mas isso não poderia acontecer em apenas dez anos, como no caso observado. A equipe ainda analisa dados para ver se há mais alterações no sistema.
Quando as partículas de poeira que circunda uma estrela jovem ficam juntas e crescem ao longo do tempo, é formado um planeta. Os detritos da formação de um novo sistema planetário, em geral, ficam em regiões distantes e frias, como o Cinturão de Kuiper, que fica além de Netuno no nosso sistema solar.
Conforme os sistemas estelares evoluem, as partículas de poeira continuam a colidir. Com o passar do tempo elas ficam suficientemente pequenas e são expulsas do sistema ou atraídas para dentro da estrela.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Esse planeta gigante ao redor de uma minúscula estrela “não deveria existir”

Uma equipe internacional de astrônomos descobriu um planeta gigante em torno de uma estrela minúscula que, de acordo com o que sabemos sobre a teoria de formação dos planetas, não deveria existir.
O sistema fica a 284 trilhões de quilômetros de distância de nós.
O planeta, nomeado GJ 3512b, é semelhante a Júpiter e comparativamente bem maior que sua estrela hospedeira, uma anã vermelha tipo M, uma das mais comuns em nosso universo.
A estrela tem uma massa maior que o seu planeta, mas a diferença entre eles é bem menor do que a que existe entre o Sol e Júpiter. Por exemplo, a anã vermelha é 270 vezes mais massiva que GJ 3512b, enquanto o Sol é 1.050 vezes mais massivo que Júpiter.
“É emocionante, porque há muito tempo nos perguntamos se planetas gigantes como Júpiter e Saturno podem se formar em torno de estrelas tão pequenas”, explicou Peter Wheatley, da Universidade de Warwick (Reino Unido), que não participou do estudo, à BBC.
A descoberta questiona uma teoria amplamente aceita sobre a formação de planetas, conhecida como “acreção central”. De acordo com ela, apenas planetas como a Terra, ou um pouco maiores, deveriam se formar em torno de anãs vermelhas, conforme mais poeira se juntasse ao disco de acreção em torno da estrela.
“GJ 3512b, no entanto, é um planeta gigante com uma massa cerca da metade do tamanho de Júpiter e, portanto, pelo menos uma ordem de magnitude mais massivo que os planetas previstos pelos modelos teóricos para essa estrela tão pequena”, esclareceu Christoph Mordasini, professor da Universidade de Berna (Suíça), à BBC.
Uma hipótese para explicar como isso seria possível é que, ao invés de atrair gás para si e formar planetas em seu torno, parte do disco da estrela se colapsaria rapidamente, formando um planeta gigante.
Isso só poderia ocorrer se o disco de acreção tivesse um décimo da massa da estrela hospedeira, e o fenômeno se passaria mais longe dela do que a formação de planetas por acreção central.
Os pesquisadores, inclusive, argumentam que o GJ 3512b “migrou” uma longa distância até sua posição atual, que é menor do que uma unidade astronômica (150 milhões de quilômetros) de sua estrela.
O novo estudo é muito importante para direcionar pesquisas futuras e a criação de novos modelos, uma vez que o GJ 3512b é o maior planeta que orbita uma estrela tão pequena de perto já descoberto.
Ele possui uma órbita oval de 204 dias em torno da anã vermelha, passando mais tempo perto dela do que Mercúrio do Sol. Isso, por sua vez, pode sugerir a presença de outros planetas gigantes orbitando a estrela de mais longe, o que pode ter distorcido sua órbita.
“Com o GJ 3512b, agora temos um candidato extraordinário para um planeta que poderia ter surgido da instabilidade de um disco em torno de uma estrela com muito pouca massa. Essa descoberta nos leva a revisar nossos modelos”, resumiu um dos autores do estudo, Hubert Klahr, do Instituto Max Planck de Astronomia (Alemanha).

Créditos: Hypescience

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Vídeo mostra planeta gigante orbitando estrela anã vermelha


Em estudo publicado pela revista Science, os pesquisadores analisaram a estrela conhecida como GJ 3512, localizada a aproximadamente 31 anos-luz da Terra.
O corpo celeste é mais leve, menor e menos brilhante do que o Sol. Vale ressaltar que anãs vermelhas são as estrelas mais comuns no Universo e representam mais de 70 de todos os "sóis".
Apesar de comuns, apenas 10% dos exoplanetas descobertos orbitam ao redor de anãs vermelhas.
Os responsáveis pelo estudo encontraram em torno da GJ 3512 um planeta gigante gasoso, chamado GJ 3512b, cuja massa é quase a metade da de Júpiter. Esse exoplaneta orbita sua estrela a uma distância semelhante a que existe entre a Terra e o Sol.
Os cientistas estimam que a GJ 3512 seja apenas 40% maior do que o GJ 3512b. "Em comparação, o Sol é aproximadamente 10 vezes maior do que Júpiter", explicou Juan Carlos Morales, membro do Instituto de Ciências do Espaço da Espanha e autor principal do estudo.
A teoria da formação planetária indica que as estrelas anãs abrigam planetas pequenos como a Terra ou Netuno, ressaltou Morales.
No entanto, a descoberta de um gigante gasoso em torno de seu astro pequeno desafia os modelos sobre como são formados os planetas.
Até agora, acreditava-se que os planetas gigantes gasosos como Júpiter e Saturno se formaram a partir de núcleos rochosos que acumulavam gás. Porém, a nova descoberta sugere que esses gigantes gasosos se formaram depois da ruptura em partes do disco protoplanetário em torno da estrela.

Créditos: Sputnik

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Astrônomos detectam água e possível chuva em exoplaneta

Astrônomos capturaram sinais de água, e potencialmente chuva, em um exoplaneta na zona habitável de sua estrela.
A superterra K2-18 b tem duas vezes o diâmetro da Terra, uma massa 10 vezes maior e está a 111 anos-luz de distância, na constelação do Leão. Esta é a primeira vez que se detecta água em uma superterra.
Já haviam sido detectados sinais de água em exoplanetas antes, mas a maioria gigantes gasosos, onde há pouca expectativa de encontrar qualquer tipo de vida similar à nossa.
Analisar a atmosfera de planetas menores é bem mais difícil. Duas equipes de astrônomos, do Canadá e do Reino Unido, precisaram analisar nove trânsitos do K2-18 b para verificar como a luz da estrela permeia a finíssima camada de atmosfera do exoplaneta.
Foi esta análise que revelou a existência de água, muita água.
Como a luz da estrela varia de cor conforme ela é filtrada pela atmosfera do planeta, os astrônomos concluíram que o efeito é resultado de vapor de água presente na atmosfera transformando-se em água em estado líquido - eles podem ter flagrado chuva de água ocorrendo no exoplaneta.
As equipes apresentaram três explicações possíveis para os dados, todas igualmente prováveis. No primeiro cenário, o planeta não tem nuvens e sua atmosfera tem entre 20% e 50% de água. No segundo e no terceiro cenários, que envolvem diferentes quantidades de nuvens e outras moléculas na atmosfera, a atmosfera do planeta contém entre 0,01% e 12,5% de água - o que torna a chuva uma possibilidade real.
Contudo, os astrônomos reconhecem que há poucas esperanças de que o K2-18 b seja um ambiente hospitaleiro para a vida como a conhecemos, devido à sua distância da estrela. E sua estrela é uma anã vermelha, o que significa que ele deve estar sujeita a uma chuva de radiação bem mais forte do que a que recebemos do Sol.
Em entrevista à revista Nature, a astrônoma Hannah Wakeford, da equipe do telescópio Hubble, lembra o caso de Vênus: É um planeta do tamanho da Terra, na zona habitável do nosso Sol e que já teve vapor de água na atmosfera - mas os raios do Sol arrancaram grande parte dessa água, deixando sua superfície estéril.
E, embora os dados atuais não sejam conclusivos, o mais provável é que o K2-18 b sequer tenha um núcleo rochoso, sendo principalmente gasoso, o que o tornaria mais parecido com Netuno do que com a Terra.

Créditos: Inovação Tecnológica

domingo, 1 de setembro de 2019

Astrônomos encontram planeta bizarro “diferente de qualquer outro descoberto até agora”


Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, EUA) descobriram um planeta extremamente bizarro, o HR 5183 b, com uma órbita bastante excêntrica, diferente de todas as órbitas circulares que vemos em nosso sistema solar.
A equipe tem observado a estrela anfitriã do exoplaneta, HR 5183, há 20 anos. Foi assim que eles descobriram o HR 5183 b, um planeta três vezes mais massivo que Júpiter. Sua órbita em torno da estrela leva de 45 a 100 anos.
Uma vez que ele viaja para muito longe de sua estrela, os pesquisadores não conseguiram observá-lo diretamente.
Ao invés disso, puderam inferir sua existência através de medições de velocidade radial feitas com três instrumentos: do Observatório Keck (Havaí), do Observatório Lick (Califórnia) e do Observatório McDonald (Texas).
Com medições da velocidade radial, astrônomos podem examinar o movimento de uma estrela no espaço.
Na metade do período de observação da HR 5183, os pesquisadores perceberam que as medições se aceleraram rapidamente e depois voltaram ao “normal” em 2018. Isso os fez considerar que um planeta “super-Júpiter” estava “puxando” a estrela.
“Nós detectamos esse movimento de estilingue. Vimos o planeta se aproximar e agora se afastar”, disse Andrew Howard, professor de astronomia do Caltech, ao Science Alert. “Isso cria uma assinatura tão distinta que podemos ter certeza de que este é um planeta real, apesar de não termos visto uma órbita completa”.
Se fosse no nosso sistema solar, o objeto se aproximaria mais do sol do que Júpiter e depois viajaria além de Netuno.
Os cientistas já detectaram cometas e até mesmo outros planetas com órbitas elípticas como a do HR 5183 b no passado, mas geralmente tais objetos estavam muito mais próximos de sua estrela hospedeira.
“Este planeta é diferente dos planetas do nosso sistema solar, porém, mais do que isso, é diferente de qualquer outro exoplaneta que descobrimos até agora”, resumiu Sarah Blunt, principal autora do estudo.
Os pesquisadores creem que este novo exoplaneta será detectável nos dados da sonda Gaia, da Agência Espacial Européia (EUA), em atividade desde 2013. Ela foi projetada para medir estrelas no cosmos com uma precisão incrível, e pode trazer informações interessantes sobre o HR 5183 b.
“Este planeta recém-descoberto é outro exemplo de um sistema que não é a imagem do nosso sistema solar, mas tem características notáveis que tornam o nosso universo incrivelmente rico em sua diversidade”, concluiu Howard.

Créditos: Hypescience

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Exoplaneta rochoso e do tamho da Terra não tem atmosfera

Um novo estudo usando dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA fornece um raro vislumbre das condições à superfície de um planeta rochoso que orbita uma outra estrela que não o Sol. O estudo, publicado esta semana na revista Nature, mostra que a superfície do planeta poderá ser semelhante à da Lua ou à de Mercúrio: o planeta provavelmente tem pouca ou nenhuma atmosfera e pode estar coberto pelo mesmo material vulcânico refrigerado encontrado nas áreas escuras da superfície da Lua, chamadas mares.
Descoberto em 2018 pela missão TESS (Transiting Exoplanet Satellite Survey) da NASA, o planeta LHS 3844b está localizado a 48,6 anos-luz da Terra e tem 1,3 vezes o raio da Terra. Orbita uma estrela pequena e fria, chamada anã M - especialmente interessante porque, dado que é o tipo estelar mais comum e duradouro da Via Láctea, as anãs M podem albergar uma alta percentagem do número total de planetas da nossa Galáxia.
O TESS encontrou o planeta através do método de trânsito, que envolve a detecção de quando a luz observada de uma estrela-mãe escurece por causa de um planeta que orbita entre a estrela e a Terra. A detecção da luz vinda diretamente da superfície do planeta - outro método - é difícil porque a estrela é muito mais brilhante e abafa a luz do planeta.
Mas durante observações de acompanhamento, o Spitzer foi capaz de detectar a luz da superfície de LHS 3844b. O planeta completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira em apenas 11 horas. Com uma órbita tão íntima, LHS 3844b tem muito provavelmente "bloqueio de marés", ou seja, um lado do planeta está permanentemente virado para a estrela. O lado diurno tem uma temperatura de aproximadamente 170º C. Sendo extremamente quente, o planeta irradia muita luz infravermelha e o Spitzer é um telescópio infravermelho. A estrela-mãe do planeta é relativamente fria (embora ainda seja muito mais quente do que o planeta), o que faz com que a observação direta do lado diurno de LHS 3844b seja possível.
Esta observação assinala a primeira vez que os dados do Spitzer foram capazes de fornecer informações sobre a atmosfera de um mundo terrestre em torno de uma anã M.
Ao medir as diferenças de temperatura entre o lado quente e o lado frio do planeta, a equipe descobriu que existe uma quantidade insignificante de calor sendo transferido entre os dois. Se existisse uma atmosfera, o ar quente do lado diurno expandir-se-ia naturalmente, produzindo ventos que transferiam calor em redor do planeta. Num mundo rochoso com pouca ou nenhuma atmosfera, como a Lua, não existe ar para transferir calor.
"O contraste de temperatura neste planeta é quase tão grande quanto possível," disse Laura Kreidberg, investigadora do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts, autora principal do novo estudo. "Isto combina maravilhosamente com o nosso modelo de um planeta rochoso sem atmosfera."
A compreensão dos fatores que podem preservar ou destruir atmosferas planetárias é parte de como os cientistas planejam procurar ambientes habitáveis para lá do nosso Sistema Solar. A atmosfera da Terra é a razão pela qual a água líquida pode existir à superfície, permitindo que a vida prospere. Por outro lado, a pressão atmosférica de Marte é agora inferior a 1% a da Terra e os oceanos e rios que outrora polvilharam a superfície do Planeta Vermelho desapareceram.
"Nós temos muitas teorias sobre o comportamento das atmosferas planetárias em torno de anãs M, mas não temos conseguido estudá-las empiricamente," disse Kreidberg. "Agora, com LHS 3844b, temos um planeta terrestre fora do nosso Sistema Solar onde, pela primeira vez, podemos determinar observacionalmente que uma atmosfera não está presente."
Em comparação com estrelas parecidas com o Sol, as anãs M emitem altos níveis de radiação ultravioleta (embora menos luz no geral), o que é prejudicial à vida e pode erodir a atmosfera de um planeta. São particularmente violentas na sua juventude, expelindo um grande número de proeminências, ou surtos de radiação e partículas que podem arrancar as atmosferas planetárias em desenvolvimento.
As observações do Spitzer descartam uma atmosfera com mais de 10 vezes a pressão da da Terra (medida em bares, a pressão atmosférica da Terra, ao nível do mar, ronda 1 bar). Uma atmosfera entre 1 e 10 bares, em LHS 3844b, foi também quase totalmente descartada, embora os autores notem que poderá haver uma pequena chance de existir caso algumas propriedades estelares e planetárias satisfaçam determinados critérios muito específicos e improváveis. Eles também argumentam que, com o planeta tão perto da estrela, uma atmosfera fina seria arrancada pela intensa radiação e pelo fluxo da estrela (frequentemente chamado "vento estelar").
"Ainda estou esperançosa que outros planetas em torno de anãs M consigam segurar as suas atmosferas," disse Kreidberg. "Os planetas terrestres no nosso Sistema Solar são extremamente diversos e espero que o mesmo seja verdadeiro para os sistemas exoplanetários."
O Spitzer e o Telescópio Espacial Hubble já reuniram informações sobre as atmosferas de vários planetas gasosos, mas LHS 3844b parece ser o menor para o qual os cientistas usaram a luz vinda da sua superfície para aprender mais sobre a sua atmosfera (ou falta dela). O Spitzer usou anteriormente o método de trânsito para estudar os sete mundos rochosos em torno da estrela TRAPPIST-1 (também uma anã M) e para aprender mais sobre a sua possível composição geral; por exemplo, alguns provavelmente contêm água gelada.
Os autores do novo estudo deram um passo em frente, usando o albedo da superfície de LHS 3844b (a sua refletividade) para tentar inferir a sua composição.
O estudo publicado na Nature mostra que LHS 3844b é "bastante escuro", de acordo com o coautor Renyu Hu, cientista do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, que administra o Telescópio Espacial Spitzer. Ele e os seus coautores pensam que o planeta está coberto por basalto, um tipo de rocha vulcânica. "Sabemos que os mares da Lua são formados por vulcanismo antigo," explicou Hu, "e postulamos que isso pode ter sido o que aconteceu neste planeta."

Créditos: Astronomia On-line

domingo, 25 de agosto de 2019

Alguns exoplanetas têm "maiores chances de abrigar vida" do que a Terra: entenda

A Terra parece um planeta feito para a vida sob medida: a temperatura, a presença de água e a atmosfera fazem dela o local ideal para abrigar seres vivos. Mas, durante o congresso de geoquímica Goldschmidt, que ocorreu na capital da Espanha neste mês, cientistas apresentaram um estudo afirmando que talvez planetas fora do Sistema Solar tenham condições ainda melhores para a existência da vida.
“ É uma conclusão surpreendente”, disse a cientista Stephanie Olson, que participou do estudo. “As condições em alguns exoplanetas com padrões de circulação oceânica favorável podem ser melhores para permitir vida que é mais abundante e mais ativa do que a da Terra.”
Para determinar quais mundos tinham melhores chances de abrigar vida, os pesquisadores investigaram os climas e os oceanos dos exoplanetas usando o ROCKE-3D , um software feito pelo Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da NASA.
Os oceanos são muito importantes na regulação dos sinais de vida em outros planetas habitáveis. Marte, inclusive, pode ter um reservatório de água congelada e, há bilhões de anos, teria regiões com água corrente. Porém, quando se trata de oceanos em exoplanetas, o conhecimento que temos ainda é muito rudimentar.
“Quanto mais afloramento [subida das águas ricas em nutrientes], mais suprimento de nutrientes. Isso significa que há mais atividade biológica”, explicou Olson. “É isso que devemos procurar nos exoplanetas.”
Mas há ainda outros fatores relevantes, como a densidade atmosférica maior, rotação mais lenta e a presença de continentes — critérios que também aumentam as chances de habitação nos exoplanetas. “A Terra pode não ser otimamente habitável e a vida em outro local pode usufruir de um planeta que é ainda mais hospitaleiro do que o nosso”, contou a pesquisadora.
Agora, o novo estudo poderá ser usado para o desenvolvimento do design de telescópios que serão usados em futuras missões da NASA, como a do observatório espacial Large UV Optical Infrared Surveyor ( LUVOIR) e do Habitable Exoplanet Observatory (HabEx), que planeja, pela primeira vez, registrar uma imagem de um exoplaneta parecido com a Terra.

Créditos: Galileu

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Astrônomos descobrem novo planeta orbitando estrela da Via Láctea

A Beta Pictoris é uma estrela jovem da Via Láctea que está cercada por um disco de poeira, conforme a revista Nature.
"Falamos de um planeta enorme, aproximadamente 3.000 vezes maior que a Terra, localizado 2,7 vezes mais longe de sua estrela que a Terra do Sol", afirmou à AFP Anne-Marie Lagrange, principal autora do estudo.
O novo planeta, chamado de Beta Pictoris C, possui uma massa nove vezes maior que a de Júpiter e leva 1.200 dias para completar sua órbita, assim como o Beta Pictoris B, que é o primeiro exoplaneta deste sistema, descoberto em 2009. Contudo, o Beta Pictoris C está aproximadamente três vezes mais próximo da estrela que ambos orbitam.
A presença do novo corpo celeste foi determinada depois de analisar mais de dez anos de dados obtidos através do espectógrafo de alta precisão HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), instalado no telescópio europeu ESO do Observatório Astronômico La Silla, no Chile.
Além disso, o estudo indica que serão necessários mais dados para que seja possível alcançar estimativas mais precisas sobre as características do Beta Pictoris C, bem como sobre a dinâmica do sistema.
Os cientistas esperam obter novas informações sobre o planeta a partir dos dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Européia de astrometria, assim como a partir do futuro Telescópio Extremamente Grande, que está sendo construído.
A Beta Pictoris fascina os astrônomos durante os últimos trinta anos, pois permite observar um sistema planetário durante o seu processo de desenvolvimento ao redor de uma estrela.
"Para compreender melhor a fase inicial de formação e evolução, este provavelmente é o melhor sistema planetário que conhecemos", afirmou Lagrange.

Créditos: Sputnik

domingo, 18 de agosto de 2019

Astrofísicos fazem descoberta pioneira de planeta em formação

Astrofísicos da Universidade Monash, usando o telescópio ALMA, no Chile, fizeram uma das primeiras descobertas mundiais de um segundo planeta “bebê” (duas a três vezes mais pesado que Júpiter) dentro de uma lacuna de gás e poeira.
A equipe responsável pela pesquisa foi a primeira a descobrir um novo planeta dentro de um disco protoplanetário. Estas descobertas foram publicadas no ano passado nas Astrophysical Journal Letters.
Usando os mesmos métodos, os cientistas descobriram agora um novo planeta no meio de uma lacuna dentro do disco circundante.
O autor principal do estudo, Dr. Christophe Pinte, futuro Fellow na Universidade Monash, disse em 2015 que o telescópio ALMA observou primeiro o interior de um ‘disco protoplanetário’ – o local de nascimento dos planetas – em torno de uma jovem estrela próxima.
“O que ele viu foi uma série impressionante de anéis e lacunas misteriosas”, disse o Dr. Pinte.
“A origem dessas lacunas tem sido objeto de muito debate”, disse ele.
“Agora temos a primeira evidência direta de que um planeta bebê é responsável por esculpir uma dessas lacunas no disco de poeira e gás que gira em torno da jovem estrela HD97048”.
O co-autor do estudo, o professor associado Daniel Price, disse que a última descoberta se une a apenas um punhado de planetas bebês conhecidos.
“Nosso estudo estabelece pela primeira vez uma ligação firme entre os planetas bebês e as lacunas observadas nos discos em torno das estrelas jovens”, disse Price.
“Há muito debate sobre se os planetas bebês são realmente responsáveis por causar essas lacunas.”
O novo planeta bebê foi encontrado mapeando o fluxo de gás ao redor da estrela, e procurando onde o fluxo é perturbado pela presença de um planeta – como encontrar uma rocha submersa em um rio, desde a perturbação até a água ao redor dele.

Créditos: Socientífica

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Planetas mortos enviam sinais “zumbis” que podem ser ouvidos na Terra

Os pesquisadores Dimitri Veras, da Universidade de Warwick (Reino Unido), e Alexander Wolszczan, da Universidade Estadual da Pensilvania (EUA), estão planejando vasculhar os céus em busca de sinais de rádio de bizarros que são os sons de planetas mortos.
Planetas normalmente orbitam estrelas. Uma estrela como o nosso sol, quando morre, se torna uma gigante vermelha. Neste ponto, fica tão quente que queima tudo que a circunda.
Esses planetas, depois de torrados, se tornam apenas núcleos metálicos sem vida orbitando as gigantes vermelhas. Estas, por sua vez, logo se tornarão anãs brancas, uma espécie de última fase de vida de tais objetos espaciais.
Curiosamente, o campo magnético entre uma anã branca e os “cadáveres” de planetas remanescentes em sua órbita pode emitir ondas de rádio capazes de serem captadas por radiotelescópios daqui da Terra.
“Ninguém nunca encontrou apenas o núcleo nu de um grande planeta antes, nem nunca encontrou um grande planeta apenas monitorando assinaturas magnéticas, nem nunca encontrou um planeta grande em torno de uma anã branca. Portanto, qualquer descoberta aqui representaria algo inédito em três sentidos diferentes”, explicou Veras em um comunicado.
Uma descoberta deste tipo seria ainda muito empolgante porque o nosso próprio planeta pode acabar como um zumbi orbitando uma anã branca – mas sem causa para desespero, porque isso só ocorreria daqui alguns bilhões de anos.
Por enquanto, os pesquisadores andam discutindo e definindo quais anãs brancas são as melhores candidatas para procurarmos por tais sinais de rádio.

Créditos: Hypescience

sábado, 3 de agosto de 2019

Astrônomos descobrem que misterioso planeta 'infernal' parece uma bola de rugby

O planeta "infernal" WASP-121b, descoberto há quatro anos na constelação Puppis, não é arredondado, mas oval como uma bola de rugby. Cientistas publicaram um artigo na revista Astronomical Journal sobre a descoberta.
"Começamos a observar este planeta pela sua natureza 'extrema'. Tentamos ver vestígios de magnésio, ferro e outros metais nas suas conchas, e ficamos muito surpresos por tê-los encontrado tão longe do planeta. Acontece que a estrela está apenas arrancando sua atmosfera", disse David Sing, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA.
Nos últimos dez anos, astrônomos descobriram milhares de planetas fora do Sistema Solar, alguns dos quais têm tamanho parecido com o do nosso e outros são cópias menores ou maiores do que Júpiter.
Astrônomos estão agora analisando ativamente a atmosfera destes planetas para saber se é possível existir vida neles e para revelar história de formação.
O planeta WASP-121b é o mais inadequado para guardar vida. Foi descoberto em 2015 nas proximidades de uma estrela semelhante ao Sol, localizada na constelação Puppis a 850 anos-luz da Terra.
Observando-o com a ajuda do observatório Hubble, astrônomos descobriram que as camadas superiores de sua atmosfera chegavam a 2.700 graus Celsius devido à presença de vapores de água e substâncias especiais que absorvem ativamente a luz ultravioleta e as convertem em calor. Lá é tão quente que até mesmo ferro derrete ao ponto de ferver.
Sing e seus colegas descobriram outra propriedade surpreendente deste planeta "infernal", tentando calcular a quantidade de "metais" – elementos mais pesados do que hélio e hidrogênio – em diferentes partes de sua atmosfera.
Para isso, os cientistas têm acompanhado a quantidade de luz ultravioleta absorvida e produzida pelas conchas de ar do WASP-121b, e analisado seu espectro, utilizando as ferramentas do Hubble. Eles usaram esses dados para criar uma "cópia" virtual do mundo e analisar suas propriedades.
Vestígios de magnésio
Para grande surpresa dos pesquisadores, eles foram capazes de encontrar vestígios de magnésio e ferro, não apenas na atmosfera mais inferior deste "júpiter quente", mas também no resto de suas camadas de ar localizadas bem mais longe do núcleo do gigante gasoso.
Como explica Sing, a estrela WASP-121 "roubaria" ativamente a atmosfera do planeta companheiro, forçando-o a "inchar" pelo calor e luz, bem como a se esticar devido à sua força da gravidade. Como resultado, o WASP-121b se tornou não só o mais quente e extremo, mas também um planeta de aparência bizarra.

Créditos: Sputnik

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Satélite descobre Superterra que poderia ser habitável

Uma equipe internacional de astrônomos liderado por Lisa Kaltenegger, da Universidade Cornell (EUA), encontrou o primeiro planeta potencialmente habitável fora de nosso sistema solar. A informação foi publicada na revista científica Astrophysical Journal Letters.
Ele está a 31 anos-luz de nós, e foi chamado de GJ 357 d. O Transiting Exoplanet Survey Satellite(TESS) da NASA o localizou no começo de 2019 em uma missão que procurava por exoplanetas.
O exoplaneta é muito maior que o nosso, e se tiver uma atmosfera grossa, ele poderia manter água líquida em sua superfície como a Terra.
“Isso é empolgante, já que esta é primeira Superterra próxima da humanidade que pode abrigar vida – descoberta por TESS, nossa pequena e poderosa missão que tem um alcance enorme”, diz Kaltenegger, que além de professora de astronomia e diretora do Instituto Carl Sagan da universidade, ainda é parte da equipe científica do TESS.
“Nós poderemos receber sinais de vida com telescópios que logo vão estar online”, diz ela.
O sistema solar distante onde o GJ 357 d fica tem um sol anão chamado GJ 357, de cerca de um terço do tamanho no nosso sol. Ele também tem outros dois planetas, o GJ 357 b e DJ 357 c. Enquanto os planetas b e c estão muito perto do sol e têm temperaturas muito altas, o d está em uma zona habitável.
Em fevereiro de 2019, o satélite TESS observou que o sol GJ 357 parecia levemente mais escuro a cada 3,9 dias, evidência de que havia um planeta passando na frente dele. Este planeta era o GJ 357 b, também chamado de “Terra Quente”, com temperatura de 254°C. Ele é cerca de 22% maior que a Terra, e conforme orbitava ao redor da estrela, sua força da gravidade fazia com que o sol se movesse levemente.
Já o planeta GJ 357 c tosta a 126°C e tem pelo menos 3,4 vezes a massa da Terra. O GJ 257 d, por sua vez, orbita o sol a cada 55,7 dias terráqueos a uma distância de um quinto da distância entre a Terra e o nosso sol. Como este sol é muito mais fraco que o nosso, este planeta recebe menos energia que a Terra. Ainda não se sabe a composição do GJ 257 d, mas seu tamanho pode ser entre uma a duas vezes o da Terra.
Kaltenegger e o candidato a doutorado Jack Madden e o aluno de graduação Zifan Lin simularam modelos de como esse mundo seria. “Só de saber que a água líquida pode existir na superfície deste planeta motiva cientistas a encontrar formas de detectar sinais de vida”, diz Madden.
Já Lin conta como é trabalhar em uma pesquisa tão importante mesmo sendo tão jovem e iniciante na carreira científica: “trabalhar com um planeta recentemente descoberto é como um sonho que se realiza. Eu estava entre o primeiro grupo de pessoas a modelar este espectro, e pensar nisso me emociona”.
Este trabalho também contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade do México, Universidade de La Laguna e do Instituto de Astronomia Max Planck da Alemanha.
Os planetas desse tipo são definidos como aqueles que têm até 10 vezes a massa da nossa Terra, mas são menores que gigantes de gelo como Urano e Netuno. Eles são os candidatos perfeitos para a vida extraterrestre.
A Superterra mais próxima de nós orbita a estrela Barnard, a apenas seis anos-luz de nós. Mas este planeta não recebe energia de sua estrela apagada, e é gelado e sem potencial de ser habitável.

Créditos: Hypescience

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Zona orbital inesperada: 'planeta proibido' é descoberto no Deserto de Netuno

Um exoplaneta com uma atmosfera menor que a de Netuno foi descoberto por um grupo internacional de astrônomos liderado pela Universidade de Warwick, no Reino Unido.
O NGTS-4b foi nomeado "planeta proibido" pelos pesquisadores porque, apesar de ter uma atmosfera gasosa, ele está localizado em uma área conhecida como "Deserto de Netuno" – uma região considerada inóspita para planetas gasosos semelhantes a Netuno.
Esta área recebe calor e radiação tão fortes que se pensava que os planetas não seriam capazes de reter sua atmosfera gasosa e que ela simplesmente evaporaria, deixando apenas um núcleo rochoso, revela o estudo publicado pela Royal Astronomical Society.
Os pesquisadores acreditam que o planeta pode ter entrado nessa zona há relativamente pouco tempo, no último milhão de anos. Além disso, o exoplaneta está posicionado a 920 anos-luz de distância do nosso planeta, tem uma massa 20 vezes superior à da Terra e um raio 20% menor que Netuno.
Daniel Bayliss, da Universidade de Warwick, que trabalhou no estudo, disse que o planeta está "muito, muito perto da sua estrela" e que "a orbita a cada 1,3 dia".
"Quando se está tão perto de uma estrela, acaba-se recebendo muita radiação da estrela e é o suficiente para remover as camadas de uma atmosfera em um planeta que tem aproximadamente o tamanho de Netuno. Achamos que a temperatura é provavelmente de cerca de 1.000 graus Celsius neste planeta”, ressaltou.
O pesquisador explica que ninguém imaginava que um planeta "do tamanho de Netuno, tão perto da estrela hospedeira", poderia manter sua integridade e não se evaporar.
"E é por isso que ele foi apelidado de 'Deserto de Netuno' ou 'Zona Proibida'. Assim, esta descoberta veio como uma surpresa para nós", enfatizou Bayliss.
"Para que este 'planeta proibido' exista, deve haver algo mais acontecendo que ainda não tenha sido descoberto. É possível que o sistema seja muito jovem e não tenha tido tempo de evaporar o planeta. Ou talvez o planeta tenha se mudado para lá recentemente", complementou.
Ele também sugere que há a possibilidade que a "estrela simplesmente não está emitindo a radiação" anteriormente imaginada e que, de alguma forma, ela "não tem sido suficiente para evaporar o planeta".
A descoberta do exoplaneta foi feita pelo Observatório Paranal, localizado no deserto de Atacama, no Chile.

Créditos: Sputnik

terça-feira, 23 de abril de 2019

TESS descobre o seu primeiro planeta do tamanho da Terra

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu o seu primeiro exoplaneta do tamanho da Terra. Com o nome HD 21749c, é o menor mundo para lá do nosso Sistema Solar já identificado pela missão TESS.
Num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, uma equipe de astrônomos liderada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) relata que o novo planeta orbita a estrela HD 21749 - uma estrela muito próxima, a apenas 52 anos-luz da Terra. A estrela também hospeda um segundo planeta - HD 21749b - um "sub-Netuno" quente com uma órbita mais longa de 36 dias, que a equipe relatou anteriormente e agora divulga em mais detalhe no presente artigo científico.
O novo planeta do tamanho da Terra é provavelmente um mundo rochoso, porém inabitável, pois orbita a sua estrela em apenas 7,8 dias - uma órbita relativamente íntima que daria ao planeta temperaturas superficiais na ordem dos 427º C.
A descoberta deste mundo do tamanho da Terra, no entanto, é excitante, pois demonstra a capacidade do TESS em encontrar planetas pequenos em redor de estrelas próximas. No futuro próximo, a equipe do TESS espera que o satélite revele planetas ainda mais frios, com condições mais adequadas para abrigar vida.
"Para as estrelas que estão muito próximas e que são muito brilhantes, esperávamos encontrar até duas dúzias de planetas do tamanho da Terra," diz Diana Dragomir, autora principal e membro do TESS, pós-doc no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. "E aqui estamos - este seria o nosso primeiro e é um marco para o TESS. Define o caminho para encontrar planetas mais pequenos em torno de estrelas ainda mais pequenas, e esses planetas podem ser, potencialmente, habitáveis."
O TESS caça planetas para lá do nosso Sistema Solar desde o seu lançamento a 18 de abril de 2018. O satélite foi projetado para observar quase todo o céu em sectores que se sobrepõem mês a mês enquanto orbita a Terra. À medida que circula o nosso próprio planeta, o TESS concentra as suas quatro câmaras no céu a fim de monitorizar as estrelas mais próximas e brilhantes, procurando quedas periódicas na luz estelar que possam indicar a presença de um exoplaneta enquanto este passa em frente da sua estrela hospedeira.
Ao longo da sua missão de dois anos, o TESS visa identificar, para a comunidade científica, pelo menos 50 planetas pequenos e rochosos, juntamente com estimativas das suas massas. Até à data, a missão descobriu 10 planetas mais pequenos que Netuno, quatro dos quais tiveram a sua massa estimada, incluindo π Men b, um planeta com o dobro da tamanho da Terra e com uma órbita de seis dias em torno da sua estrela; LHS 3844b, um mundo quente e rochoso ligeiramente maior que a Terra e que orbita a sua estrela-mãe em apenas 11 horas; e TOI 125b e c - dois "sub-Netunos" que orbitam a mesma estrela, ambos com um período de translação de aproximadamente uma semana. Todos estes quatro planetas foram identificados a partir de dados obtidos durante os dois primeiros sectores de observação do TESS - uma boa indicação, escreve a equipa no seu artigo, de que "podem ser encontrados muitos mais."
Dragomir selecionou este recém-descoberto planeta do tamanho da Terra a partir dos primeiros quatro sectores de observações do TESS. Quando ficaram disponíveis, sob a forma de curvas de luz, ou intensidades da luz estelar, colocou-os num software que procura sinais periódicos interessantes. O software identificou pela primeira vez um possível trânsito que a equipa posteriormente confirmou como o quente sub-Netuno que anunciaram no início deste ano.
Como é normalmente o caso para planetas pequenos, onde há um, é provável que existam mais, e Dragomir e colegas decidiram vasculhar novamente as mesmas observações para ver se conseguiam localizar outros mundos pequenos escondidos nos dados.
"Sabemos que estes planetas geralmente vêm em famílias," explica Dragomir. "De modo que estudámos os dados novamente e este sinal pequeno 'veio ao de cima'."
A equipe identificou uma pequena queda na luz de HD 21749 que ocorria a cada 7,8 dias. Por fim, os investigadores identificaram 11 destes mergulhos periódicos, ou trânsitos, e determinaram que a luz da estrela estava a ser momentaneamente bloqueada por um planeta do tamanho da Terra.
Embora este seja o primeiro planeta do tamanho da Terra descoberto pelo TESS, já foram descobertos exoplanetas de tamanho idêntico, principalmente pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA, um telescópio já reformado que monitorizou mais de 530.000 estrelas. No final, a missão Kepler detetou 2662 planetas, muitos dos quais eram do tamanho da Terra, e um punhado desses encontram-se na zona habitável da sua estrela - onde um equilíbrio de condições favorece a presença de vida.
No entanto, o Kepler observou estrelas muito mais distantes do que aquelas monitorizadas pelo TESS. Portanto, Dragomir diz que o acompanhamento de qualquer um dos longínquos planetas do Kepler, do tamanho da Terra, será muito mais complexo do que o estudo de planetas em órbita de estrelas muito mais próximas e brilhantes, que o TESS está a estudar.
"Dado que o TESS monitoriza estrelas muito mais próximas e brilhantes, podemos medir a massa deste planeta num futuro muito próximo, enquanto que para planetas do tamanho da Terra descobertos pelo Kepler, isso estava fora de questão," acrescenta Dragomir. "Esta nova descoberta pelo TESS pode levar à primeira medição da massa de um planeta do tamanho da Terra. E estamos entusiasmados com esse valor. Será um valor parecido com o da Terra? Ou mais pesado? Não sabemos."

Créditos: Astronomia On-line

sexta-feira, 29 de março de 2019

Astrônomos encontram sinais de planeta 13 vezes maior que Júpiter

Nas últimas três décadas, foram descobertos quase 4 mil objetos semelhantes a planetas situados fora do Sistema Solar - e por isso chamados de exoplanetas - orbitando estrelas isoladas. Já a partir de 2011, por meio do satélite Kepler, da agência espacial norte-americana (Nasa), foi possível observar os primeiros exoplanetas girando em torno de sistemas binários jovens, compostos por duas estrelas vivas, em cujos núcleos ainda há queima de hidrogênio.
Agora, um grupo de astrônomos brasileiros encontrou as primeiras evidências da existência de um exoplaneta ao redor de um sistema binário mais velho ou evoluído, em que uma das duas estrelas está morta.
"Conseguimos obter indicações bastante sólidas da existência de um exoplaneta gigante, com massa quase 13 vezes maior que a de Júpiter em um sistema binário evoluído. É a primeira confirmação de um exoplaneta em um sistema desse tipo", disse Leonardo Andrade de Almeida, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e primeiro autor do estudo.
Esses planetas gigantes turvam a fronteira entre estrelas e planetas porque se considera que, a partir de cinco vezes a massa de Júpiter já seria possível que um corpo celeste sustente a fusão nuclear que caracteriza as estrelas.
Os pesquisadores encontraram sinais da existência de um exoplaneta em um sistema binário evoluído chamado KIC10544976, localizado na constelação do Cisne, no hemisfério celeste norte, o que foi indicado pela variação no tempo do eclipse - o período em que um das estrelas binárias passa na frente da outra - e o ciclo de atividade magnética da estrela viva do sistema binário.
O sistema binário KIC10544976 é composto por uma anã branca - a estrela morta, menor e com alto brilho devido à sua temperatura superficial elevada - e uma anã vermelha - a estrela viva, com massa pequena em comparação à do Sol e baixa luminosidade. As duas estrelas foram monitoradas por telescópios terrestres entre 2005 e 2017 e pelo satélite Kepler entre 2009 e 2013, que geraram dados minuto a minuto.
"Esse sistema é único. Nenhum outro sistema similar possui dados suficientes que nos permitam calcular a variação do período orbital e o ciclo de atividade magnética da estrela viva," disse Leonardo.
Por meio dos dados obtidos pelo satélite Kepler foi possível estimar o ciclo magnético da estrela viva - a anã vermelha - pela frequência e energia das explosões nos campos magnéticos e pelas manchas na superfície da estrela associadas a essas ejeções de energia.
As análises dos dados indicaram que o ciclo de atividade magnética da anã vermelha é de 600 dias - o que está de acordo com os ciclos magnéticos medidos para estrelas isoladas de massa baixa. Já a variação do período orbital do sistema binário KIC10544976 foi de 17 anos.
"Isso afasta totalmente a hipótese de que a atividade magnética gere essa variação do período orbital. A explicação mais plausível é a presença de um planeta gigante ao redor desse sistema binário, com massa próxima a 13 vezes à de Júpiter," disse Leonardo.
Ainda não se sabe como o planeta em torno do sistema binário teria sido formado. Uma das hipóteses é a de que o objeto se desenvolveu ao mesmo tempo que as duas estrelas, há bilhões de anos. Nesse caso, seria um planeta de primeira geração. Outra hipótese é a de que foi gerado a partir do gás ejetado durante a morte da anã branca - sendo, portanto, um planeta de segunda geração e muito mais jovem.
A confirmação de que se trata de um planeta de primeira ou segunda geração e a sua detecção direta ao redor desse sistema poderão ocorrer quando entrar em operação a nova geração de telescópios gigantes com espelhos primários maiores do que 20 metros, entre eles, o Telescópio Gigante Magalhães (GMT, em inglês), no deserto do Atacama, no Chile, previsto para coletar sua primeira luz em 2024.
"Estamos sondando 20 sistemas com possibilidade de gravitar corpos externos, como o KIC10544976, e a maioria só é observável a partir do Hemisfério Sul. O GMT permitirá fazer a detecção direta desses objetos e obter respostas importantes sobre a formação, a evolução e a possibilidade de vida nesses ambientes exóticos", disse Leonardo.

Créditos: Inovação Tecnológica

domingo, 17 de março de 2019

Telescópio espacial Kepler confirma primeira deteção, 10 anos depois

Uma equipe internacional, que incluiu Tiago Campante do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), confirmou o primeiro candidato a exoplaneta identificado pelo telescópio espacial Kepler (NASA), observado há cerca de 10 anos. A confirmação do exoplaneta Kepler-1658 b foi aceito para publicação na revista The Astronomical Journal.
Para Tiago Campante (IA & Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) “A confirmação da natureza planetária de Kepler-1658 b, dez anos após o lançamento do satélite Kepler, é um exemplo de como não é de todo trivial a validação de novos exoplanetas, especialmente aqueles que são detectados pelo método dos trânsitos.”
O Kepler detectou milhares de candidatos a exoplanetas, através do método dos trânsitos. Como há vários fenômenos astronmicos que podem imitar um trânsito planetário, as suas detecções são classificadas como “candidatos”, sendo necessária uma análise posterior mais detalhada para confirmar se não são falsos positivos.
Apesar de ter sido a primeira detecção do telescópio espacial Kepler, o caminho para a confirmação do Kepler-1658 b, também conhecido por KOI4b (Kepler Object of Interest 4b) foi complicado. A estimativa inicial do tamanho do planeta estava errada, pois era baseada no tamanho da sua estrela mãe, cujo diâmetro estava subestimado. Mais tarde foi considerado como falso positivo quando os efeitos detectados na estrela não correspondiam ao que se esperava para uma estrela daquele tamanho. Para Campante: “Esta é mais uma prova de que, para compreendermos melhor os planetas, temos primeiro de conhecer a sua estrela mãe em detalhe.”
O trabalho de doutoramento de Ashley Chontos (Universidade do Havai), a primeira autora do artigo, consiste precisamente em reanalisar as estrelas observadas pelo Kepler. Tiago Campante explica que: “Através da análise das ondas sonoras retidas no interior da estrela, técnica designada de asterossismologia, foi possível reavaliar com precisão o tamanho da estrela.”
Esta técnica permitiu a Chontos determinar que a estrela era afinal maior do que se pensava. “O fato de a estrela ser três vezes maior do que originalmente se pensava significa que o seu planeta também é três vezes maior. Podemos assim afirmar com elevado grau de confiança que o planeta Kepler-1658 b é um júpiter quente, orbitando a estrela em 3,8 dias.” esclarece Campante.
A estrela Kepler-1658 é 50% mais massiva e três vezes maior do que o Sol, com o planeta Kepler-1658 b a orbitar a uma distância de apenas 0,05 unidades astronômicas (cerca de 8 vezes mais próximo do que Mercúrio está do Sol), o que o torna num dos planetas mais próximos de uma estrela mais velha do que o Sol. Este tipo de planetas é raro, e o porquê do seu reduzido número é ainda pouco compreendido.
A natureza extrema deste sistema planetário irá permitir aos astrônomos perceber melhor os limites físicos da interação que provoca a queda em espiral de um planeta para a superfície da sua estrela. Os dados preliminares apontam para que este processo seja mais lento do que se pensava, e que por isso não será a principal causa da escassez deste tipo de planetas.

Créditos: AstroPT

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Um novo exoplaneta do tamanho de Netuno

As incríveis descobertas exoplanetárias feitas pelas missões Kepler e K2 permitiram aos astrônomos começar a entender a história da Terra e porque difere dos seus diversos primos exoplanetários. Dois quebra-cabeças ainda pendentes incluem as diferenças entre a formação e evolução de planetas pequenos rochosos e não-rochosos, e a razão porque parece haver uma lacuna de tamanho com pouquíssimos exoplanetas mais ou menos com duas vezes o tamanho da Terra (planetas com raios menores são provavelmente rochosos ou parecidos com a Terra em termos de composição). Para estimar a composição de um exoplaneta, é necessária a sua densidade, exigindo uma medição de massa e tamanho. Embora o raio possa ser estimado a partir da forma da curva do trânsito do planeta quanto este passa em frente e bloqueia parte da luz da sua estrela, a massa é mais difícil de determinar. No entanto, a fim de desenvolver uma imagem emergente, são necessárias massas mais precisas para mais planetas semelhantes em tamanho à Terra.
A missão exoplanetária K2 é a versão reavivada da missão exoplanetária Kepler. Juntas, descobriram milhares de exoplanetas e encontraram uma diversidade notável e inesperada na população exoplanetária. A missão K2 só era sensível a planetas de período curto (encontrou apenas alguns planetas com períodos maiores que 40 dias). O exoplaneta K2-263b orbita uma estrela menos massiva que o Sol (0,86 massas solares) localizada a 536 anos-luz de distância, medição esta obtida pelo satélite Gaia. Este exoplaneta tem um raio de 2,41 raios terrestres (com 5% de incerteza). Os astrônomos Maria Lopez-Morales, Dave Charbonneau, Raphaelle Haywood, John Johnson, Dave Latham, David Phillips, e Dimitar Sasselov, do Instituto Harvard-Smithsonian para Astrofísica, utilizaram o espectrômetro HARPS-N de alta precisão, acoplado ao Telescópio Nacional Galileu em La Palma, Espanha, para medir a velocidade periódica do exoplaneta à medida que orbita a sua estrela e, assim, derivar a sua massa.
As medições de velocidade do HARPS-N foram incrivelmente precisas - com uma incerteza de uns meros 17,8 km/h, a velocidade de um ciclista lento. A partir dos detalhes orbitais, os cientistas obtiveram uma massa exoplanetária de 14,8 massas terrestres e uma densidade de aproximadamente 5,6 gramas por centímetro cúbico (em comparação, a densidade da água é uma grama por cada centímetro cúbico e a densidade média da Terra é 5,51 gramas por centímetro cúbico). Os cientistas concluíram que K2-263b provavelmente contém uma quantidade equivalente de gelos em comparação com rocha, mais ou menos consistente com as idéias atuais de formação planetária e com as abundâncias relativas, numa nebulosa circunstelar, dos blocos de construção planetária como ferro, níquel, magnésio, silício, oxigênio, carbono e hidrogênio.

Créditos: Astronomia On-line