domingo, 2 de outubro de 2011

Equipe de astrônomos e frota de telescópios espaciais revelam segredos de buraco negro turbulento

Buracos negros supermassivos no coração de galáxias ativas engolem grandes quantidades de gás. Durante esse banquete eles derramam muita de sua “comida”, que é descarregada em turbulentas explosões. Uma equipe internacional de astrônomos revelou algumas feições impressionantes de uma dessas explosões ao redor de um buraco negro supermassivo em uma galáxia distante. Eles descobriram uma coroa conversora muito quente flutuando acima do buraco negro e projéteis de gás frio em um gás mais quente e difuso, que atingem velocidades superiores a 700 km/s. Diferente da crença popular, nem toda a matéria ao redor do buraco negro é sugada para dentro dele. Um disco de gás que não cai dentro do buraco negro se forma ao seu redor. Na jornada em direção ao centro do buraco negro, o gás e a poeira emitem grandes quantidades de radiação em forma de raios-X e ultravioleta. Essa radiação pode ser tão forte que ela diverge uma parte do gás que está fluindo. Isso gera ventos com velocidades superiores a algumas centenas de km/s. Uma equipe internacional de astrônomos liderada pelo Dr. Jelle Kaastra do SRON Netherlands Institute for Space Research, teve a oportunidade de observar e mapear esse ambiente extremo que existe ao redor de um dos maiores buracos negros supermassivos conhecido. Esse buraco negro mostruoso, localiza-se na distante galáxia Markarian 509, tem uma massa de 300 milhões de vezes a massa do Sol. O buraco negro da Markarian 509 é envolto por um disco de gás brilhante na luz ultravioleta. Essa emissão varia de modo sincronizado com as emissões observadas na parte final inferior da banda de raios-X, algumas 100 vezes mais energético do que a luz visível. “A única maneira de explicar isso é pela presença de um gás mais quente que o que está no disco, ou seja, a presença de uma então chamada coroa acima do disco”, explica Jelle Kaastra. “Essa coroa absorve e processa novamente a luz ultravioleta do disco, energizando-a e convertendo-a em raios-X. Para isso é necessário uma temperatura de alguns milhões de graus. Usando cinco telescópios espaciais, que nos deram a chance de observar a área com detalhes sem precedentes, nós descobrimos uma coroa de gás muito quente flutuando acima do disco. Essa descoberta nos permite explicar coisas estranhas que temos observados em algumas galáxias ativas”. O espectro de raios-X obtido com o Reflection Grating Spectrometer (RGS) do telescópio espacial XMM-Newton é o melhor já obtido para um sistema desse tipo. Ele revela detalhes nunca antes observados desse ambiente extremo e gasoso. Pela primeira vez foi possível mostrar que o fluxo consiste de no mínimo cinco componentes com temperaturas variando entre 20.000 até um milhão de graus. O soberbo espectro ultravioleta obtido pelo Cosmic Origins Spectrograph do Telescópio Espacial Hubble revela que o gás mais frio na linha de visada em direção a Markarian 509 tem 14 diferentes componentes de velocidade em vários locais nas partes mais internas dessa galáxia. Desses somente sete foram identificados. As medidas combinadas de raios-X e de ultravioleta demonstram que a maior parte visível do fluxo de gás tem origem em um torus de gás empoeirado ao redor da região central a mais de 15 anos-luz de distância do buraco negro. Esse fluxo consiste de densas bolhas frias ou de projéteis de gás mergulhado em um gás mais quente e difuso. “Mesmo a uma distância de 15 anos-luz, a energia lançada perto do buraco negro administra o fluxo de gás do torus empoeirado que envolve o disco do gás”, diz Kaastra. Mais distante, em direção ao exterior, as assinaturas do gás interestelar da galáxia hospedeira são observadas. Esse gás é fortemente ionizado pela fonte de raios-X central, átomos que tem parte ou a maioria de seus elétrons arrancados quando são iluminados pelo poderoso fluxo de raios-X. Mesmo distante, a uma centena de milhares de anos-luz, o raio-X brilha através do gás caindo em direção à Markarian 509 a uma velocidade de 200 km/s. Esse gás pode apontar para uma colisão com uma galáxia menor no passado, que pode ter assim disparado a atividade da Markarian 509. Cinco grandes telescópios espaciais estiveram envolvidos em uma campanha de centenas de dias que aconteceu em 2009. O coração da campanha consistiu de repetidas observações na luz visível, no raio-X e no raio gama, usando os satélites da ESA, o XMM-Newton e o INTEGRAL, que monitoraram a Markarian 509 por seis semanas. Esse monitoramento foi seguido por observações de longo prazo feitas com o satélite de raios-X Chandra da NASA, usando o Low Energy Transmission Grating, e com o Telescópio Espacial Hubble também da NASA usando o novo Cosmic Origins Spectrograph. Antes dessas observações pequenas imagens para monitorar o comportamento da fonte em todos os comprimentos de onda foram feitas com o satélite Swift. O esforço combinado de todos esses instrumentos e dos astrônomos deu uma idéia nunca antes alcançada sobre o interior de uma galáxia ativa. Bem no meio da campanha, pôde-se observar uma explosão da fonte. As mudanças físicas ocorridas devido a essa explosão puderam ser seguidas pelo espectro eletromagnético da luz visível até os raios-X.

Créditos: Cienctec

sábado, 1 de outubro de 2011

Satélite Pandora e os raios fantasmas dos anéis de Saturno

A lua de Saturno, Pandora, compartilha o palco com os raios fantasmagóricos do Anel B do planeta nessa cena observada pela sonda Cassini da NASA. Pandora, com 81 km de diâmetro, está à esquerda na imagem. Os raios são marcas radiais visíveis na parte direita da imagem.

Créditos: Cienctec

Galáxia suas bolhas brilhantes

As famosas imagens de galáxias feitas pelo Telescópio Espacial Hubble normalmente mostram elegantes galáxias espirais ou galáxias elípticas de lado. Mas essas belas formas não representam somente as grandes galáxias. Galáxias menores como a galáxia anã e irregular Holmberg II se apresentam em diferentes formas e tipos que são difíceis de serem classificados. Essa indistinta forma de galáxia é pontilhada com imensas bolhas brilhantes de gás, que foram capturadas nessa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble. As intrigantes conchas brilhantes de gás observadas na Holmberg II foram criadas pelo ciclo de vida energético de muitas gerações de estrelas. Estrelas de grande massa se formaram em uma densa região de gá e posteriormente na vida expeliram fortes ventos estelares que sopraram para longe o material ao redor. Na parte final de suas vidas, elas explodiram como supernovas. Ondas de choque produzidas nessa explosão passaram através dessas regiões menos densas soprando e aquecendo o gás, formando assim as delicadas conchas que podemos observar hoje. A Holmberg II é uma colcha de retalhos formada por densas regiões de formação de estrelas e extensas áreas com menos material, que podem se espalhar por milhares de anos-luz. Como numa galáxia anã, a Homberg II não possui os belos braços espirais típicos de galáxias como a Via Láctea, e nem o núcleo denso de uma galáxia elíptica. Isso faz da Holmberg II, gravitacionalmente falando, um porto seguro, onde estruturas frágeis como essas bolhas podem assumir seus espaços. Enquanto a galáxia Holmberg II tem um tamanho pequeno, ela possui muitas feições intrigantes. Além da sua aparência, que garantiu a ela um lugar de honra no Atlas of Peculiar Galaxies de Halton Arp, e além de ser um tesouro de objetos estranhos e maravilhosos, a galáxia hospeda uma fonte de raios-X ultraluminosa no meio das três bolhas de gás observadas na parte superior direita da imagem. Existem algumas teorias que tentam explicar essa poderosa fonte de radiação, uma possibilidade intrigante é que exista ali um buraco negro de massa intermediária que está puxando material de suas redondezas.

Créditos: Space Telescope

Poeiras fantasmas em Marte

Toda a área mostrada nessa imagem de Marte foi cruzada recentemente por múltiplas poeiras fantasmas. Essa área provavelmente inicialmente foi coberta por uma camada de poeira brilhante. As poeiras fantasmas, pequenos vórtices parecidos com tornados são comuns em muitos locais de Marte, esses vórtices levantam a poeira deixando-as em suspensão atmosférica enquanto elas se movem ao longo da superfície, expondo o material mais escuro e menos empoeirado localizado abaixo. Algumas áreas nessa imagem tem mais pedaços de rochas do que outras, mas os rastros criados pela poeira fantasma cruzam esses pedaços de rocha sem afetá-los muito.

Créditos: HiRISE