terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mudanças sazonais observadas na superfície marciana provocadas pelo descongelamento de dióxido de carbono gelado

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Investigadores usando a sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA observaram mudanças sazonais nas dunas marcianas a norte do planeta, provocadas pelo aquecimento de um manto de dióxido de carbono gelado. A Terra não tem dióxido de carbono congelado naturalmente, embora pedaços de gelo de dióxido de carbono fabricado, chamado "gelo seco", sublimem diretamente do estado sólido para o gasoso na Terra, assim como vastos mantos de gelo seco em Marte. Um fator determinante nas mudanças sazonais da Primavera, onde revestimentos de gelo seco se formam em Marte, é que o descongelamento ocorre no lado de baixo da camada de gelo, onde está em contato com o solo escuro que é aquecido pelo precoce Sol primaveril através do gelo translúcido. O gás aprisionado ganha pressão e liberta-se de várias maneiras. Os sulcos transitórios formam-se nas dunas quando o gás preso sob a camada de gelo encontra um ponto de fuga e liberta-se, transportando com ele areia. A areia expelida forma áreas escuras ou listas no topo da camada de gelo ao início, mas esta evidência desaparece com o gelo sazonal, e os ventos de Verão apagam a maioria das ranhuras nas dunas antes do Inverno seguinte. Os sulcos são características menores do que as ravinas ligadas, que pesquisas anteriores relacionaram com a sublimação do dióxido de carbono em dunas com encostas mais íngremes. Atividade semelhante foi já documentada e explicada perto do pólo Sul de Marte, onde se formam camadas sazonais de dióxido de carbono gelado e depois descongelam. Os detalhes das diferentes mudanças sazonais a Norte são agora anunciadas num conjunto de três artigos da revista Icarus. As descobertas reforçam a crescente compreensão de que Marte hoje em dia, embora diferente no passado, é ainda um mundo dinâmico, e por mais parecido que seja com a Terra, em alguns aspectos mostra processos bastante sobrenaturais. "É um processo incrivelmente dinâmico," afirma Candice Hansen do Instituto de Ciências Planetárias em Tucson, no estado americano do Arizona. Ela é a autora principal do primeiro dos três estudos. "Nós tínhamos este antigo paradigma de que todas as ações em Marte tinham ocorrido há milhares de milhões de anos. Graças à capacidade de estudar as mudanças com a MRO, um dos novos paradigmas é que Marte tem, atualmente, muitos processos ativos." Com três anos marcianos (seis anos na Terra) de dados obtidos pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda MRO, os cientistas relatam a sequência e variedade de mudanças sazonais. As mudanças primaveris incluem explosões de gás que transporta areia, quebras poligonais do gelo de Inverno cobrindo as dunas, areia que desliza nas faces das dunas, e zonas de areia escura movida para a superfície e para cima do gelo. "É um desafio determinar quando e como estas mudanças ocorrem, são muito rápidas," afirma Ganna Portyankina da Universidade de Berna, na Suíça, autora principal do segundo estudo. "É por isso que só agora começamos a ver que ambos os hemisférios contam, na verdade, histórias semelhantes." O processo de libertação de gás que esculpe ranhuras nas dunas a Norte assemelha-se aos processos de criação de características com a forma de aranhas no extremo Sul de Marte, mas as "aranhas" não foram vistas a Norte. As camadas sazonais de gelo seco sobrepõem tipos diferentes de terreno nos dois hemisférios. No Sul, os diversos terrenos incluem solo plano e erodível, mas no Norte, uma ampla banda de dunas de areia envolvem a permanente calota polar. Outra diferença está no brilho de partes das dunas cobertas de gelo. Este brilho no Norte resulta da presença de geada de água, enquanto no Sul, o brilho é provocado por dióxido de carbono fresco. O terceiro estudo, por Antoine Pommerol da Universidade de Berna e co-autores, fala sobre a distribuição da geada usando o instrumento CRISM (Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars). A leve geada de água é soprada pelos ventos primaveris.

Fonte: Astronomia On-line

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