sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ALMA estuda formação exoplanetária no sistema binário GG Tauri-A e descobre uma corrente de gás inédita

Com o auxílio do ALMA astrônomos detectaram, pela primeira vez, uma corrente de gás que flui desde um disco externo massivo até ao interior de um sistema binário de estrelas. Esta configuração, nunca observada até agora, pode ser responsável por manter um segundo disco de formação planetária, menor, que, de outro modo, teria desaparecido completamente há muito tempo. Cerca da metade das estrelas nascem em sistemas binários e, por isso, esta descoberta tem consequências importantes na procura de exoplanetas. Um grupo de pesquisa liderado por Anne Dutrey do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux, em França, e CNRS, utilizaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para observar a distribuição de gás e poeira num sistema estelar múltiplo chamado GG Tau-A. Este objeto tem apenas alguns milhões de anos de idade e situa-se a cerca de 450 anos-luz de distância da Terra na constelação do Touro. Tal como uma roda dentro de outra roda, GG Tau-A contém um disco exterior maior, que circunda todo o sistema, e um disco interior menor que se situa em torno da estrela central. Este segundo disco tem uma massa equivalente à de Júpiter e a sua presença tem constituído um mistério para os astrônomos, uma vez que este objeto se encontra perdendo matéria para a estrela central a uma taxa tal que deveria já ter-se esgotado completamente há muito tempo atrás. Ao observar estas estruturas com o auxílio do ALMA, a equipe descobriu acúmulos de gás na região que se situa entre os dois discos. As novas observações sugerem que existe material que está a ser transferido do disco exterior para o disco interior, criando um tipo de corda de salvamento entre os dois.
Anne Dutrey explicou:
Embora em simulações de computador já se tivesse previsto matéria fluindo na região entre os dois discos, é a primeira vez que tal fenômeno é efetivamente observado. O fato de termos detectado estas acumulações de matéria, indica-nos que o material se desloca entre os dois discos, permitindo que um se alimente do outro. Estas observações demonstram que o material do disco exterior consegue sustentar o disco interior durante muito tempo, fato este que tem consequências importantes na potencial formação planetária do sistema.
Os planetas nascem da matéria que sobra da formação da estrela. Trata-se de um processo lento, o que significa que a presença de um disco que se mantenha durante muito tempo é um pré-requisito para a formação de planetas. Se o processo de “alimentação” do disco interior agora observado pelo ALMA ocorrer em outros sistemas estelares múltiplos, esta descoberta aponta-nos para um vasto número de novas localizações potenciais para encontrar planetas no futuro. A primeira fase da procura de exoplanetas foi dirigida a estrelas individuais, como o Sol. Mais recentemente mostrou-se que uma grande fração de planetas gigantes orbitam sistemas binários de estrelas. Agora, os pesquisadores começaram a investigar a possibilidade de planetas orbitarem estrelas individuais inseridas em sistemas estelares múltiplos. Esta nova descoberta apoia a possível existência de tais planetas, fornecendo aos “caçadores” de exoplanetas novos campos por explorar. Emmanuel Di Folco, coautor do artigo científico que descreveu os resultados, concluiu:
Quase metade das estrelas do tipo solar nasceram em sistemas binários, o que significa que acabamos de descobrir um mecanismo para sustentar a formação planetária que pode ser aplicado a um número significativo de estrelas da Via Láctea. As nossas observações são um enorme passo em frente na verdadeira compreensão da formação planetária.
Este trabalho foi descrito no artigo científico intitulado “Planet formation in the young, low-mass multiple stellar system GG Tau-A”, assinado por A. Dutrey et al., na revista Nature.


Créditos: Eternos Aprendizes

O movimento retrógrado do planeta Marte

Por que o planeta Marte, parece se mover para trás? Na maioria das vezes, o movimento aparente do planeta Marte, no céu da Terra ocorre em uma direção, vagaroso, porém constante na frente do fundo estrelado. A cada dois anos aproximadamente, contudo, a Terra passa Marte, enquanto ela orbita o Sol. Durante a mais recente dessas passagens, que começou no final de 2013, Marte, como sempre, pairava grande e brilhante no céu. Também, durante essa época, Marte parecia se mover para trás, no céu, num fenômeno chamado de movimento retrógrado. Acima, pode-se ver, uma série de imagens empilhadas digitalmente, de modo que todas as estrelas de fundo coincidam. Aqui, Marte parece traçar um loop estreito no céu. No centro do loop, a Terra passou Marte e o movimento retrógrado atingiu seu ponto máximo. O movimento retrógrado também pode ser visto para outros planetas no Sistema Solar.

Créditos: Cienctec

É possível comprovar a aceleração do Universo?

Depois dos questionamentos lançados sobre a inflação pós-Big Bang, agora é a vez de os astrofísicos tentarem se livrar dos incômodos ligados à aceleração cósmica. O principal suporte observacional para a teoria da aceleração do Universo vem de dados coletados de supernovas. Em 1998, astrônomos detectaram que algumas supernovas emitem uma luz fraca demais - portanto, estão mais distantes de nós do que seria esperado. Isso implica que o Universo está se acelerando, e não desacelerando, como as interações gravitacionais normais levavam a prever. No entanto, esta conclusão pressupõe tanto a validade da relatividade geral de Einstein, quanto uma hipótese não comprovada - a de que o Universo seria homogêneo - a fim de derivar equações que relacionam a distância à velocidade e à luminosidade. Três pesquisadores chineses afirmam agora que é possível escapar dessas indefinições usando radiotelescópios, que podem fornecer uma "observação mais direta" da aceleração do Universo medindo variações de velocidade em nuvens de hidrogênio intergalácticas. Eles propõem algumas modificações na coleta de dados desses radiotelescópios, que seriam necessárias para alcançar uma medição da aceleração suficientemente precisa. Hao-Ran Yu e seus colegas da Universidade Normal de Pequim e da Universidade de Toronto (Canadá), afirmam que é possível fazer uma medição direta da aceleração - se ela estiver mesmo ocorrendo - observando nuvens de hidrogênio muito densas. Essas nuvens, situadas entre as galáxias, são detectadas porque absorvem emissões de rádio vindas de quasares situados por detrás delas em relação à Terra. A velocidade dessas nuvens pode ser então medida pela observação do desvio para o vermelho do hidrogênio em um comprimento de onda muito preciso, de 21 centímetros. Como a linha de absorção de 21 centímetros é muito estreita em comparação com as linhas de emissão das galáxias, torna-se possível observar mudanças de velocidade muito pequenas. Os pesquisadores lembram que rastreios já programados pelos radiotelescópios vão medir a velocidade de centenas de milhares de nuvens de hidrogênio. Se esses rastreios receberem as adaptações propostas pelo trio, bem como tiverem um aumento na frequência observacional de cada nuvem, dizem os físicos chineses, então eles poderão detectar acelerações cosmicamente relevantes - de cerca de um milímetro por segundo por ano - em observações realizadas ao longo de uma década. Se tudo isto for feito, e se a esperada aceleração for realmente detectada, então mais um dos fundamentos da cosmologia moderna poderá passar da incômoda classe de hipótese para a categoria dos fenômenos diretamente observados.

Créditos: Inovação Tecnológica

Será que o Sol está emitindo matéria escura?

Há um estranho sinal vindo do espaço, na faixa de raio-X. Quer dizer, o raio-X não é estranho; já sabemos há muito que o espaço é rico em radiação eletromagnética em muitas faixas que são invisíveis. O que é estranho é que esta radiação pode conter a assinatura de partículas de matéria escura. A descoberta foi feita pelos astrônomos da Universidade de Leicester (Inglaterra). Eles encontraram a assinatura de partículas de matéria escura, os áxions, nessa radiação. Áxios foram propostos em 1977 para resolver alguns problemas da física quântica, e mais tarde elevados à categoria de candidatos à matéria escura. De acordo com a teoria, os áxions são capazes de “perceber” interações eletromagnéticas, apesar de não terem carga eletromagnética. Uma das implicações é que, em contato com um campo magnético, um áxion explode em fótons de raio-X, que são coisas que podemos detectar. Mais ainda, se estes áxions realmente existem, o núcleo do Sol é um dos lugares em que eles seriam produzidos. A descoberta, que ainda tem que ser confirmada por outros laboratórios, foi feita em cima de 14 anos de dados coletados pelo observatório de raio-X da ESA (Agência Espacial Européia), o XMM-Newton. O que os astrônomos buscavam eram fótons de raio-X que fossem gerados quando os áxions no núcleo do Sol atingissem o campo magnético terrestre. Utilizando estes dados, os cientistas descobriram uma variação sazonal nos raios-X de fundo sem explicação. Quando todas as teorias convencionais falharam, os cientistas se voltaram às extraordinárias, como esta dos áxions. Pela teoria, o satélite deveria observar mais raios-X quando estivesse passando pelo lado do planeta que está apontando para o Sol – e uma diferença de 10% foi encontrada. Quais as implicações desta descoberta? Bom, teríamos uma partícula de matéria escura para analisar, uma que é produzida a 8 minutos-luz de nós. Outra implicação seria uma melhor compreensão da radiação de raio-X que permeia o céu. Mas os cientistas estão indo com calma. Ninguém ainda anunciou que esta pode ser a primeira detecção de partículas de matéria escura do mundo, já que toda cautela é necessária nessa hora. É preciso esperar que outros astrônomos e laboratórios examinem os dados e façam seus próprios testes, para confirmar ou refutar o trabalho primeiro. Pode ser que leve mais de dez anos até aparecer alguma confirmação. Por enquanto, apesar de promissora, esta é apenas uma possível detecção de matéria escura.

Créditos: Hypescience