terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Este objeto superbrilhante foi encontrado em Marte

Uma rocha extremamente reflexiva chamou atenção dos cientistas da NASA recentemente, e o rover Curiosity logo foi enviado para colher mais informações.
Com o pouso de sucesso da sonda InSight em Marte na última semana, o Curiosity acabou ficando de lado nos meios de comunicação. O veículo tem o tamanho de um carro destinado a explorar a superfície do planeta como parte da missão Mars Science Laboratory, e está em funcionamento desde 2012.
O Curiosity tem trabalhado na colina de Vera Rubin e está investigando o afloramento de rochas Highfield. Ele já esteve na região antes e detectou algumas imagens estranhas de quatro rochas. Por isso, os cientistas o enviou de volta para o local para examinar melhor a rocha que lembra ouro e outras três.
Esta rocha brilhante foi chamada de Little Colonsay, e é possível que ela seja um meteorito. De qualquer forma ela vai passar por uma análise química feita por Curiosity. O rover tem um laboratório portátil para esse tipo de análise.
O Curiosity também vai investigar três outras rochas. Uma delas é chamada Flanders Moss, que tem uma superfície escura. O rover vai fazer um pequeno buraco na superfície dela para analisar uma amostra e determinar sua composição química. As outras duas são Forres e Eidon.
Infelizmente, Curiosity é o único rover ativo em Marte no momento. O Opportunity está fora de funcionamento desde que uma tempestade de areia o obrigou a entrar em modo hibernação. O problema é que ele ficou preso neste estado adormecido, e os cientistas da NASA ainda não conseguiram colocá-lo de novo em atividade. No começo de 2019 deveremos receber mais novidades sobre o estado de saúde do rover.

    Créditos: Hypescience

    Exoplaneta com cauda como um cometa

    Uma equipe internacional de cientistas detectou a evaporação da atmosfera do planeta gigante WASP-69b. O exoplaneta WASP-69b tem a massa similar a Saturno. A sua órbita – ano – demora somente 4 dias. A atmosfera está a perder partículas de hélio, que estão a ser “empurradas” pela radiação da estrela WASP-69. Esta perda de atmosfera faz com que o planeta pareça ter uma cauda (como os cometas).
    Após a radiação extrema da estrela “arrancar” o envelope gasoso de planetas gigantes, o que fica são planetas rochosos similares à Terra e Vênus (os núcleos dos planetas gigantes originais).

    Créditos: AstroPT

    China lança rover para explorar a face oculta da Lua

    A China lançou um rover que vai aterrar no lado oculto da Lua, a primeira vez que tal acontece. A missão da sonda lunar Chang'e 4 - cujo nome honra a deusa da Lua na mitologia chinesa - levantou voo às 18:23 a partir do centro de lançamento Xichang a bordo de um foguetão Long March 3B.
    O lançamento marcou o início de uma longa viagem até ao outro lado da Lua, com aterragem prevista para os primeiros dias do Ano Novo, com o objetivo de realizar experiências e investigar o terreno nunca antes percorrido. "Chang'e 4 é a primeira sonda da humanidade a aterrar e a explorar o outro lado da Lua," disse o comandante da missão, He Rongwei. "Esta missão é também o mais significativo projeto de exploração do espaço profundo do mundo em 2018".
    Ao contrário do lado visível da Lua, que mostra sempre a mesma face para a Terra e tem muitas áreas planas para aterragem, o lado oculto é montanhoso e acidentado. Foi somente em 1959 que a União Soviética captou as primeiras imagens da superfície altamente craterada, desvendando parte do mistério do lado sombrio do nosso satélite natural.
    Ainda nenhum "lander" ou rover tocou a superfície do lado oculto, colocando a China como a primeira nação a explorar a área "in situ".
    Não é um feito tecnológico fácil - a China preparou este momento durante anos. Um dos grandes desafios da missão é comunicar com o veículo robótico: dado que a outra face da Lua aponta sempre na direção oposta à da Terra, não há nenhuma "linha de visão" direta para os sinais. Como solução, a China lançou em maio o satélite Queqiao para órbita lunar, posicionando-o de modo a transmitir dados e comandos entre a missão e a Terra.
    Para complicar ainda mais as coisas, o Chang'e 4 vai pousar na Bacia Aitken na região polar sul da Lua - conhecida pelo seu terreno escarpado e complexo. A missão transporta seis experiências chinesas e quatro estrangeiras. Estas incluem estudos radioastronômicos de baixa frequência - com o objetivo de obter vantagens da falta de interferência no lado oculto - bem como testes de radiação e de minerais.
    Pequim está a realizar um enorme investimento financeiro nestes programas espaciais, na esperança de ter uma estação espacial tripulada em 2022 e de, eventualmente, enviar humanos até à Lua. A missão Chang'e 4 é um passo nessa direção, importante para ganhar a experiência necessária para explorar e colonizar a Lua.
    Chang'e 4 será a segunda sonda chinesa a aterrar no nosso satélite, depois da missão do rover Yutu em 2013. Uma vez à superfície, enfrentará uma série de desafios extremos. Durante a noite lunar - que dura 14 dias terrestres - as temperaturas caem para os -173º C. Durante o dia lunar, também com a duração de 14 dias terrestres, as temperaturas atingem os 127º C. Os instrumentos do rover têm que suportar estas flutuações e têm que gerar energia suficiente para o proteger e sustentar durante a noite longa. O Yutu superou esses desafios e, após alguns obstáculos iniciais, explorou a superfície da Lua durante 31 meses. O seu sucesso proporcionou um grande impulso ao programa espacial da China.
    Pequim planeia enviar outro módulo lunar, Chang'e-5, já no ano que vem para recolher amostras e trazê-las para a Terra. É apenas um dos muitos objetivos ambiciosos da China, que incluem um foguetão reutilizável em 2021, poderoso e capaz de fornecer cargas mais pesadas do que as da NASA e da empresa privada SpaceX, uma base lunar, uma estação espacial permanentemente tripulada e um rover marciano.

    Créditos: Astronomia On-line

    quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

    Cientistas medem toda a luz estelar já produzida pelo universo observável

    A partir dos seus laboratórios, num planeta rochoso superado pela vastidão do espaço, cientistas da Universidade de Clemson conseguiram medir toda a luz estelar já produzida ao longo da história do Universo observável.
    Os astrofísicos pensam que o nosso Universo, que tem cerca de 13,7 bilhões de anos, começou a formar as primeiras estrelas quando tinha algumas centenas de milhões de anos. Desde então, o Universo tornou-se numa verdadeira máquina de fazer estrelas. Existem agora aproximadamente 2 trilhões de galáxias (2x10^12) e um quatrilhão (10^24) de estrelas. Usando novos métodos de medição de luz estelar, o astrofísico Marco Ajello e a sua equipe analisaram dados do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi da NASA para determinar a história da formação estelar durante a maior parte do tempo de vida do Universo.
    O artigo colaborativo foi publicado na edição de 30 de novembro da revista Science e descreve os resultados e as ramificações do novo processo de medição da equipe.
    "A partir dos dados recolhidos pelo telescópio Fermi, fomos capazes de medir a quantidade total de luz estelar já emitida. Isto nunca tinha sido feito antes," realça Ajello, autor principal do artigo. "A maior parte dessa luz é emitida por estrelas que vivem em galáxias. E, assim, isso permitiu-nos entender melhor o processo de evolução estelar e obter percepções cativantes sobre como o Universo produziu o seu conteúdo luminoso."
    Colocar um número na quantidade de luz estelar já produzida tem várias variáveis que dificultam a quantificação em termos simples. Mas, de acordo com a nova medição, o número de fótons (partículas de luz visível) que escaparam para o espaço após serem emitidos pelas estrelas traduz-se em 4x10^84.
    Dito de outra forma: 4.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000. 000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 fótons.
    Apesar deste número estupendamente grande, é interessante notar que, à exceção da luz que vem do nosso próprio Sol e da Galáxia, o resto da luz estelar que alcança a Terra é extremamente fraca - equivalente a uma lâmpada de 60 watts, vista em completa escuridão, a cerca de 4 km de distância. Isto porque o Universo é quase incompreensivelmente grande. É também por isso que o Universo é escuro à noite, além da luz da Lua, das estrelas visíveis do brilho fraco da Via Láctea.
    O Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi foi lançado para órbita no dia 11 de junho de 2008 e recentemente comemorou o seu 10.º aniversário. É um poderoso observatório que forneceu quantidades enormes de dados sobre raios-gama (a forma mais energética de luz) e sobre a sua interação com a luz extragalática de fundo, que é uma névoa cósmica composta por toda a luz ultravioleta, visível e infravermelha emitida por estrelas ou poeira na sua vizinhança. Ajello e o colega de pós-doutoramento Vaidehi Paliya analisaram quase nove anos de dados referentes a sinais de raios-gama de 739 blazares.
    Os blazares são galáxias contendo buracos negros que são capazes de libertar jatos estreitamente colimados de partículas energéticas que saltam das suas galáxias e cruzam o cosmos quase à velocidade da luz. Quando um desses jatos está, fortuitamente, apontado diretamente para a Terra, é detectável mesmo quando tem uma origem muito distante. Os fotões de raios-gama produzidos dentro dos jatos eventualmente colidem com a névoa cósmica, deixando uma impressão observável. Isso permitiu que a equipe de Ajello medisse a densidade do nevoeiro, não apenas num determinado local, mas também num determinado momento da história do Universo.
    "Os fótons de raios-gama que viajam através de um nevoeiro de luz estelar têm uma grande probabilidade de serem absorvidos," afirma Ajello, que é professor assistente no departamento de física e astronomia. "Ao medir o número de fótons absorvidos, fomos capazes de medir a espessura da névoa e medir também, em função do tempo, quanta luz havia em toda a faixa de comprimentos de onda."
    Usando levantamentos galáticos, a história da formação estelar do Universo é estudada há décadas. Mas um obstáculo enfrentado por investigações anteriores era que algumas galáxias estavam muito distantes, ou eram muito fracas, para qualquer telescópio atual as detectar. Isto obrigou os cientistas a estimar a luz das estrelas produzida por essas galáxias distantes, em vez de a registar diretamente.
    A equipe de Ajello conseguiu contornar isso usando os dados do LAT (Large Area Telescope) do Fermi para analisar a luz extragalática de fundo. A luz estelar que escapa das galáxias, incluindo as mais distantes, acaba eventualmente por se tornar parte da luz extragalática de fundo. Portanto, as medições precisas dessa névoa cósmica, que só recentemente foram possíveis, eliminaram a necessidade de estimar as emissões de luz de galáxias ultradistantes.
    Paliya realizou a análise de raios-gama de todos os 739 blazares, cujos buracos negros são milhões a milhares de milhões de vezes mais massivos que o nosso Sol.
    "Usando blazares a distâncias diferentes, medimos a luz das estrelas em diferentes períodos de tempo," explica Paliya do departamento de física e astronomia. "Nós medimos a luz estelar total de cada época - há bilhões de anos, há dois bilhões de anos, seis bilhões de anos, etc. - até à formação das primeiras estrelas. Isto permitiu-nos reconstruir a luz extragalática de fundo e determinar a história da formação estelar do Universo de uma maneira mais eficaz do que havia sido alcançada antes."
    Quando os raios-gama altamente energéticos colidem com luz visível de baixa energia, transformam-se em pares de elétrons e protons. Segundo a NASA, a capacidade do Fermi em detetar raios-gama através de uma ampla gama de energias torna-o especialmente adequado para mapear a névoa cósmica. Estas interações de partículas ocorrem ao longo de distâncias cósmicas imensas, o que permitiu que o grupo de Ajello investigasse mais profundamente do que nunca a produtividade de formação estelar no Universo.
    "Os cientistas há muito tempo que tentam medir a luz extragalática de fundo. No entanto, fontes muito luminosas no plano da frente, como a luz zodiacal (que é luz espalhada pela poeira no Sistema Solar) tornavam esta medição muito complexa," afirma o coautor Abhishek Desai, assistente de pesquisa no departamento de física e astronomia. "A nossa técnica é insensível a qualquer primeiro plano e, assim, superou essas dificuldades de uma só vez."
    A formação estelar, que ocorre quando regiões densas de nuvens moleculares colapsam e formam estrelas, atingiu o pico há 11 bilhões de anos. Mas embora o nascimento de novas estrelas tenha diminuído desde então, nunca cessou. Por exemplo, na nossa Via Láctea nascem cerca de sete novas estrelas por ano.
    De acordo com o membro da equipe Dieter Hartmann, professor no departamento de física e astronomia de Clemson, o estabelecimento, não apenas da luz extragalática de fundo atual, mas da revelação da sua evolução ao longo da história cósmica, é um grande avanço neste campo.
    "A formação estelar é um grande ciclo cósmico de reciclagem de energia, matéria e metais. É o motor do Universo," salienta Hartmann. "Sem a evolução estelar, não teríamos os elementos fundamentais necessários para a existência da vida."
    A compreensão da formação estelar também tem ramificações para outras áreas de estudo astronômico, incluindo investigações sobre a poeira cósmica, evolução galática e matéria escura. A análise da equipe irá fornecer missões futuras com uma diretriz para explorar os primeiros dias da evolução estelar - como o Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021 e que vai permitir com que os cientistas cacem a formação de galáxias primordiais.
    "Os primeiros milhares de milhões de anos da história do nosso Universo é uma época muito interessante que ainda não foi investigada pelos satélites atuais," conclui Ajello. "A nossa medição permite-nos espiar esta época. Talvez um dia possamos encontrar uma maneira de olhar até ao Big Bang. Este é o nosso objetivo final."

    Créditos: Astronomia On-line