sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Cientistas estimam a massa da nossa galáxia

Uma equipe internacional de pesquisadores calculou a massa da Via Láctea. Os cientistas divulgaram artigo no servidor de preprints arXiv descrevendo o trabalho e os resultados.
A partir de pesquisas anteriores, estima-se que Via Láctea se estenda por, aproximadamente, 256 mil anos-luz. Nesse novo trabalho, os pesquisadores estimam que a massa da nossa galáxia seja de 890 bilhões de vezes a do Sol, ou de 1,7 tredecilhões de quilos.
Considerando que medimos a massa, o tamanho e a forma da galáxia de dentro dela, essas não são tarefas fáceis. Como não podemos ver muito da nossa galáxia, os cientistas procuraram outras formas de mapear a Via Láctea.
Para criar um modelo baseado em massa, os cientistas usaram dados sobre como estrelas, gás e outros materiais se movem na galáxia. Com esses dados criaram o que descrevem como “curva de rotação”. Isso foi necessário para entender as distâncias dos objetos galácticos, porque a galáxia não gira de forma uniforme.
Os pesquisadores perceberam que as forças de rotação podem ser relacionadas com as forças gravitacionais. Além disso, eles perceberam que é esse balanço que impede os objetos de serem sugados pelo buraco negro no centro da galáxia, ou de serem arremessados no espaço.
Isso ainda pode ser usado para calcular a massa de objetos. Ao calcular o estado de equilíbrio para todos os objetos na galáxia a equipe pode calcular todas as suas massas. A soma de todas elas deu um total aproximado.
Os cientistas ainda precisaram considerar a matéria escura, que compõe aproximadamente 93% da galáxia, de acordo com pesquisa anterior. Com as duas informações foi possível calcular a massa total da Via Láctea e fazer um cálculo da massa total de matéria escura.
O que dá mais crédito à descoberta é o fato de os pesquisadores concluírem que suas estimativas estão alinhadas com resultados de outros pesquisadores com o mesmo objetivo.

Créditos: Hypescience

Buraco negro do centro da Via Láctea teria um 'amigo'

Um grupo de pesquisadores, liderado pela astrônoma Smadar Naoz, considera que o buraco negro supermaciço Sagitário A*, localizado no centro da Via Láctea, poderia ter um acompanhante.
Esse segundo buraco negro "amigo" ainda não foi registrado, mas sua existência poderia ser comprovada ou destacada através de "uma infinidade de efeitos observáveis", indicam especialistas.
O efeito mais evidente seria o movimento das estrelas mais próximas ao centro da Via Láctea, como a S0-2, que orbita Sagitário A* com um período de 16 anos. Se há um buraco negro acompanhante, seu tamanho não seria maior que um décimo do principal, que é um milhão de vezes maior que o Sol.
As observações permitiram destacar que existe "um segundo buraco negro supermaciço com uma massa 100.000 vezes superior" à do Sol e que se encontra "a 200 vezes a distância” entre essa estrela e a Terra em relação a Sagitário A*, explica Naoz ao portal Space.com.
No entanto, essa circunstancia não descarta que nessa zona se encontra um buraco negro secundário menor que "não altera a órbita da S0-2 de uma maneira que possamos medir com facilidade", agrega a especialista.
Assim, a presença de um segundo buraco negro se detectaria ao observar a emissão da S0-2 no momento de sua máxima aproximação a Sagitário A*, um fenômeno que ocorreria dentro de aproximadamente dezesseis anos e em que "se poderia alterar o resultado esperado".
Finalmente, a interação dos buracos negros deveria liberar ondas gravitacionais de baixa frequência. Os aparatos disponíveis hoje em dia não são capazes de detectar essas flutuações, mas a Antena Espacial de Interferômetro a Laser (LISA, na sigla em inglês), que a NASA espera colocar em serviço em 2034, poderia restringi-las, detalha Smadar Naos.

Créditos: Sputnik

Telescópio Cheops vai ao espaço estudar exoplanetas

Foi lançado com sucesso ao espaço o observatório Cheops, a primeira missão da ESA (Agência Espacial Européia) dedicada ao estudo de planetas extrassolares, ou exoplanetas.
Cheops é uma sigla para CHaracterising ExOPlanet Satellite, ou Satélite de Caracterização de Exoplanetas, uma parceria entre a ESA e a Suíça, com um consórcio próprio liderado pela Universidade de Berna e com contribuições de outros 10 estados membros da agência espacial.
Ao contrário dos telescópios caçadores de exoplanetas anteriores, como a missão Corot e as missões Kepler e TESS da NASA, o observatório Cheops não é uma "máquina de descobertas", mas uma missão de acompanhamento, focada em estrelas individuais que já são conhecidas por abrigar um ou mais planetas. Ele também identificará os melhores candidatos para estudos detalhados por futuros observatórios.
A missão observará estrelas brilhantes, medindo mudanças minúsculas de brilho devido ao trânsito do planeta através do disco da estrela. Os principais alvos são estrelas que possuem planetas na faixa de tamanho entre a Terra e Netuno.
As medições de alta precisão permitirão calcular o tamanho de cada exoplaneta. Juntamente com informações independentes sobre as massas dos planetas, isso permitirá determinar a densidade de cada um, viabilizando uma primeira caracterização desses mundos extrassolares. A densidade de um planeta fornece pistas vitais sobre a sua composição e estrutura, indicando, por exemplo, se é predominantemente rochosa ou gasosa, ou mesmo a presença de oceanos significativos.
A missão Cheops prepara o caminho para a próxima geração de observatórios de exoplanetas da ESA - Plato e Ariel - planejados para a próxima década. Juntas, estas missões ampliarão o conhecimento necessário para responder à pergunta fundamental: Quais são as condições para a formação dos planetas e o aparecimento da vida no Universo?

Créditos: Inovação Tecnológica

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Capturada melhor imagem de todas do novo visitante interestelar

Um cometa que surgiu de fora do nosso sistema solar foi registrado pelo Telescópio Espacial Hubble quando se aproximou do Sol no início do mês.
As últimas imagens do Hubble do cometa 2I/Borisov exibem o invasor interestelar vagando por nosso sistema solar em 8 de dezembro.
O cometa está fazendo sua única visita ao nosso sistema solar. Sua incrível velocidade de 44,7 quilômetros por segundo é grande demais para que o objeto possa ser capturado pela gravidade do Sol, por isso o cometa deixará nosso sistema solar para nunca mais retornar.
O Hubble tem observado o cometa interestelar há meses. O 2I/Borisov é o segundo objeto interestelar que detectamos visitando nosso sistema solar, mas o primeiro a ser classificado como um cometa.
Um astrônomo amador da Crimeia chamado Gennady Borisov descobriu o objeto em 30 de agosto. Depois de confirmar a origem de fora de nosso sistema solar do cometa, astrônomos profissionais usaram equipamentos potentes para realizar observações mais precisas.
A imagem acima do Hubble, em 19 de novembro, exibiu o cometa passando a 326 milhões de quilômetros da Terra. No entanto, desta vez, o telescópio espacial capturou o cometa passando defronte a uma galáxia espiral distante, exibindo uma perspectiva verdadeiramente singular.
O cometa está se aproximará da Terra no final de dezembro, a uma distância de 289 milhões de quilômetros, e prosseguir sua jornada para fora do sistema solar retornando ao espaço interestelar, ou seja, a região entre as estrelas.
Mesmo o poderoso Hubble não conseguiu identificar o núcleo do cometa, que os cientistas pensam ser composto de uma mistura de gelo e poeira. No entanto eles puderam estimar que o núcleo do cometa deve ter cerca de um quilometro de diâmetro..
“Surpreendentemente, nossas imagens do Hubble mostram que seu núcleo é 15 vezes menor do que as investigações anteriores sugeriram. Nossas imagens do Hubble mostram que o raio é menor que meio quilômetro”, disse o professor de astronomia David Jewitt, da UCLA (EUA).
“Saber o tamanho é potencialmente útil para começar a estimar quão comuns esses objetos podem ser no sistema solar e em nossa galáxia”, afirmou Jewitt. “Borisov é o primeiro cometa interestelar conhecido, e gostaríamos de saber quantos outros existem.”
Observações também mostram que o cometa tem composição química similar à dos cometas que se formam aqui no nosso sistema solar.
Um outro objeto interestelar chamado ʻOumuamua, ou 1I / 2017 U1, foi descoberto em 2017, apenas semanas após fazer sua passagem mais próxima do Sol. Os astrônomos confirmaram que ‘Oumuamua teve origem em outro sistema solar – o primeiro objeto interestelar já observado – e tinha uma forma alongada anômala, como um charuto, talvez um disco.
Embora os cientistas tenham observado apenas dois objetos interestelares viajando pelo nosso sistema solar, os astrônomos pensam que esses invasores são visitantes frequentes. Mas eles normalmente são escuros e se movem com uma velocidade tão alta que são difíceis de detectar.

Créditos: Hypescience