terça-feira, 22 de julho de 2014

Astrônomos encontram estrutura incomum que parece um colar de pérolas no céu

O Telescópio Espacial Hubble, da agência espacial norte-americana NASA, fotografou uma estrutura incomum no céu, com 100.000 anos-luz de comprimento, que se assemelha a um colar de pérolas em forma de saca-rolhas. A estrutura pode melhorar nosso conhecimento sobre a formação de superaglomerados estelares, que resultam da fusão de galáxias, bem como da dinâmica dos gases neste processo. “Ficamos surpresos ao encontrar esta morfologia deslumbrante. Já há muito tempo que o fenômeno é visto nos braços de galáxias espirais e em pontes entre galáxias que interagem. Entretanto, este arranjo em particular nunca foi visto antes em fusões de galáxias elípticas”, disse Grant Tremblay, do Observatório Europeu do Sul em Garching, Alemanha. Superaglomerados de estrelas jovens azuis são uniformemente espaçados ao longo de uma cadeia através das galáxias, a cada 3.000 anos-luz. Esses aglomerados de estrelas estão dentro de um par de galáxias elípticas, que por sua vez estão dentro de um aglomerado de galáxias denso conhecido como SDSS J1531 3414. A poderosa gravidade do aglomerado deforma as imagens de galáxias em listras azuis e arcos, uma ilusão causada por um efeito conhecido como lente gravitacional. No início, os astrônomos pensaram que o “colar de pérolas” era na verdade uma imagem dessas, mas suas recentes observações com o Nordic Optical Telescope, em Santa Cruz de Tenerife, Espanha, descartaram essa hipótese. A equipe de Tremblay descobriu a sequência bizarra de superaglomerados estelares por acaso, ao rever algumas imagens do Hubble. Os pesquisadores ficaram surpresos com a natureza única da fonte, que impulsionou a equipe a fazer observações de acompanhamento. Os processos físicos subjacentes que dão origem à estrutura do “colar de pérolas” estão relacionados com a “instabilidade de Jeans”, um fenômeno físico que ocorre quando a pressão interna de uma nuvem de gás interestelar não é forte o suficiente para evitar o colapso gravitacional de uma região preenchida com matéria, resultando na formação de estrelas. Atualmente, os cientistas estão trabalhando em uma melhor compreensão da origem dessa cadeia de formação de estrelas. Uma possibilidade é que o gás molecular frio que alimenta a explosão de formação de estrelas pode ter sido nativo das duas galáxias em fusão. Outra possibilidade é o chamado “fluxo de arrefecimento”, em que o gás arrefece a partir da atmosfera ultraquente de plasma que circunda as galáxias, formando piscinas de gás molecular frio que começam a formar estrelas. A terceira possibilidade é que o gás frio alimentando a cadeia de formação de estrelas se origina de uma onda de choque de alta temperatura criada quando as duas galáxias elípticas gigantes colidem. Esta colisão comprime o gás e cria uma folha de plasma densa de arrefecimento. “Seja qual for a origem deste gás de formação de estrelas, o resultado é incrível. É muito emocionante. Não é possível encontrar uma explicação mundana para isso”, disse Tremblay.

Fonte: Hypescience

Descoberto exoplaneta de trânsito com o ano mais longo conhecido

Astrônomos descobriram um exoplaneta em trânsito com o ano mais longo conhecido. Kepler-421b orbita a sua estrela a cada 704 dias. Em comparação, Marte orbita o nosso Sol a cada 780 dias. A maioria dos mais de 1800 planetas extrasolares descobertos até à data estão muito mais perto das suas estrelas e têm períodos orbitais muito mais curtos. "A descoberta de Kepler-421b foi um golpe de sorte," afirma David Kipping, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA), autor principal do artigo que relata o achado. "Quanto mais longe um planeta está da sua estrela, menor a probabilidade de passar à sua frente a partir do ponto de vista da Terra. Tem que estar precisamente alinhado." Kepler-421b orbita uma estrela laranja da classe K, mais fria e tênue que o nosso Sol, a uma distância de aproximadamente 177 milhões de quilômetros. Como resultado, este planeta com o tamanho de Urano tem uma temperatura gelada de -93 graus Celsius. Como o nome implica, Kepler-421b foi descoberto usando dados do telescópio Kepler da NASA. O Kepler foi especialmente desenhado para fazer descobertas deste gênero. Estudou a mesma área do céu durante 4 anos, observando a diminuição de brilho de estrelas, diminuição esta que assinalava o trânsito de planetas. Apesar da sua paciência, o Kepler detectou apenas dois trânsitos de Kepler-421b devido ao seu período orbital extremamente longo. A órbita do planeta coloca-o para lá da "linha de neve" - a linha divisória entre os planetas rochosos e gasosos. Para fora da linha de neve, a água condensa em grãos de gelo que ficam juntos para construir planetas gigantes de gás. "A linha de neve é uma distância crucial na teoria de formação planetária. Nós achamos que todos os gigantes de gás devem ter-se formado para lá desta distância," explica Kipping. Tendo em conta que os gigantes gasosos podem ser encontrados muito perto das suas estrelas, em órbitas de dias ou até mesmo horas, os teóricos acreditam que muitos exoplanetas migram para o interior algum tempo depois da sua formação. Kepler-421b mostra que essa migração não é necessária. Pode ter-se formado exatamente onde o vemos agora. "Este é o primeiro exemplo de um gigante gasoso potencialmente não-migratório, encontrado num sistema de trânsito," comenta Kipping. A estrela hospedeira, Kepler-421, está localizada a cerca de 1000 anos-luz da Terra na direção da constelação de Lira.

Fonte: Astronomia On-line

Cientistas dizem que 80% da luz do universo está desaparecida

De acordo com observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, 80% da luz do universo está desaparecida. Os astrônomos estão completamente perplexos. “Nós ainda não sabemos ao certo o que isso significa, mas pelo menos uma coisa que pensávamos que sabíamos sobre o universo não é verdade”, diz um dos autores do novo estudo, David Weinberg, da Universidade Estadual de Ohio (EUA). O telescópio mostrou que os fios de hidrogênio que formam pontes entre as galáxias estão se iluminando muito, mas não podemos ver nem essa luz, nem a fontes de onde ela provém. Quando estes átomos de hidrogênio são atingidos por luz ultravioleta altamente energética, são transformados de eletricamente neutros em carregados com íons. Os astrônomos ficaram surpresos quando descobriram muito mais íons de hidrogênio do que poderia ser explicado pela luz ultravioleta conhecida no universo, que vem principalmente de quasares. A diferença é de deslumbrantes 400%. Os astrofísicos não sabem o que é responsável pelos efeitos observados. Eles só sabem que isso não corresponde a nossa compreensão do hidrogênio no universo, muito menos se encaixa com nossas simulações atuais. O mistério fica ainda mais estranho quando comparamos esses resultados no universo próximo e distante: esse descompasso só aparece nas partes do espaço mais perto de nós, o chamado universo próximo, relativamente bem estudado. Quando telescópios se concentram em galáxias a bilhões de anos-luz de distância (o que mostra aos astrônomos o que estava acontecendo quando o universo era jovem), a conta parece se equilibrar. O fato de que a contabilidade de luz necessária para ionizar o hidrogênio era correta no início do universo, mas cai muito no “presente”, intriga os cientistas. “Se contarmos as fontes conhecidas de fótons ionizantes, temos até cinco vezes menos do que precisamos. Faltam 80% dos fótons ionizantes”, diz outro coautor do estudo, da Universidade de Colorado (EUA), Benjamin Oppenheimer. A questão é: onde eles estão? De onde estão vindo, que não os estamos encontrando? “A possibilidade mais fascinante é que uma nova fonte exótica, que não quasares ou galáxias, é responsável pelos fótons que faltam”, sugere. Esta matéria exótica pode inclusive ser a misteriosa matéria escura, substância que mantém as galáxias juntas, mas que nunca foi vista diretamente. A luz faltando pode ser um produto desta matéria escura deteriorando ao longo do tempo.

Fonte: Hypescience

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O antigo aglomerado na Nuvem

A imagem acima mostra o NGC 121, um aglomerado estelar globular, localizado na constelação de Tucana (O Tucano). Aglomerados globulares são grandes bolas de estrelas velhas que orbitam o centro de suas galáxias como satélites, a Via Láctea, por exemplo, tem cerca de 150. O NGC 121 pertence a uma galáxia vizinha da Via Láctea, a Pequena Nuvem de Magalhães. Ele foi descoberto em 1835 pelo astrônomo inglês John Herschel, e nos anos recente ele tem sido estudado em detalhe pelos astrônomos que desejam aprender mais sobre como as estrelas se formam e se desenvolvem. As estrelas não vivem para sempre – elas se desenvolvem diferentemente dependendo da sua massa. Em muitos aglomerados, todas as estrelas parecem ter se formado no mesmo tempo, embora em outros nós podemos ver distintas populações de estrelas com diferentes idades. Estudando as velhas populações estelares nos aglomerados globulares, os astrônomos podem efetivamente usá-las como marcadores para as populações estelares de suas galáxias hospedeiras. Com um objeto como o NGC 121, que se localiza perto da Via Láctea, o Hubble é capaz de resolver as estrelas individuais e ter uma idéia bem detalhada de como um aglomerado globular é por dentro. O NGC 121 tem cerca de 10 bilhões de anos, fazendo dele o aglomerado mais velho nessa galáxia, todos os aglomerados globulares da Pequena Nuvem de Magalhães são 8 bilhões de anos mais velhos ou mais jovens. Contudo, o NGC 121 ainda é alguns bilhões de anos mais jovem do que seus parceiros na Via Láctea e em outras galáxias próximas da Via Láctea como a Grande Nuvem de Magalhães. A razão para essa diferença de idade não é completamente claro, mas ele poderia indicar que a formação do aglomerado foi iniciada tardiamente por alguma razão na Pequena Nuvem de Magalhães, ou que o NGC 121 é um sobrevivente de um grupo mais velho de aglomerados estelares.

Fonte: Space Telescope

Uma ponte azul de estrelas entre aglomerados de galáxias

Por que existe uma ponte azul de estrelas através do centro desse aglomerado de galáxias? Antes de mais nada o aglomerado, designado como SDSS J1531+3414, contém muitas galáxias elípticas amarelas. O centro do aglomerado, como mostrado acima pelo Telescópio Espacial Hubble, é circundado por muitos filamentos azuis incomuns, finos e curvos, que são na verdade galáxias muito mais distantes, que têm suas imagens ampliadas e alongadas pelo efeito de lente gravitacional do aglomerado massivo. Mais incomum, contudo, é um filamneto azul, localizado perto das duas grandes galáxias elípticas no centro do aglomerado. Uma inspeção cuidadosa do filamento indica que ele é provavelemnte uma ponte criada pelos efeitos de maré entre as duas galáxias elípticas centrais em fusão, do que uma galáxia em segundo plano com uma imagem distorcida pelo efeito de lente gravitacional. Os nós na ponte são regiões condensaçőes que brilham em azul devido à luz emitida por estrelas jovens e massivas. A região central do aglomerado, continuará provavelemnte sendo já que ela é um interessante laboratório para se entender as formações de estrelas.

Fonte: Cienctec