segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Asteroide que poderia acertar a Terra gira tão rápido de deveria ter se desfeito

Nas últimas semanas, rumores sensacionalistas foram divulgados pelo jornal “Telegraph”, que afirmou que um asteróide acabaria com a vida na Terra em 2880. A matéria revoltou membros da comunidade científica, que se apressaram para explicar que o desastre não era tão certeiro – o que não faz com que o asteróide 1950 DA seja desinteressante. “É muito, muito improvável que o asteróide vá nos atingir em 2880″, explica o astrônomo Phil Plait, do blog Bad Astronomy, acrescentando que o caso é um pouco menos simplório que isso. Porém, garante, há uma explicação científica “muito legal”. O 1950 DA tem sido notícia nos últimos tempos porque uma equipe de cientistas analisou a rapidez com que ele gira e descobriu algo extraordinário: o objeto é tão rápido que deveria se despedaçar! Asteróides são pedaços sólidos de rochas monolíticas, mas sabemos que alguns são “pilhas de entulho”, coleções de pedras menores mantidas juntas presumivelmente por sua própria gravidade. Eles provavelmente seriam sólidos a princípio, entretanto repetidas colisões ao longo das eras os deixaram cheios de rachaduras, por isso são mais parecidos com sacos gigantes de pedra quebrada. O 1950 DA é uma dessas pilhas de entulho, com altíssima rotação: um “dia” por lá tem apenas cerca de duas horas de duração. Ele tem aproximadamente 1,3 quilômetros de diâmetro, o que significa que, se você estivesse em seu equador, a força da gravidade para baixo, que o segura à superfície, seria um pouco menor do que a força centrífuga para fora. Ou seja, você seria lançado no espaço. Isso seria estranho o suficiente em uma rocha sólida, mas como o 1950 DA não é sólido, tal fato significa que ele deveria voar por todos os lados. Como não o faz, deve haver alguma outra força mantendo estes pedaços juntos. Os cientistas especulam sobre o que essa força possa ser, sugerindo a força van der Waals – um efeito complicado que pode ser pensado como uma carga eletrostática entre as moléculas (embora isso seja simplificar demais) – como possível responsável. Aprender sobre asteróides é fascinante e cientificamente importante, claro, mas há considerações práticas. Uma delas é que, se encontrarmos um que poderia atingir a Terra algum dia, temos que fazer algo para impedir isso. Uma idéia é bater nele com uma sonda espacial com força suficiente para alterar sua órbita. As características físicas da rocha são importantíssimas para isso; se é de metal, pedra ou uma pilha de escombros, irá reagir de forma diferente ao impacto. Quanto mais estudamos rochas como o 1950 DA, melhor. O 1950 DA é o que chamamos de “asteróide próximo à Terra”, porque a sua órbita, por vezes, chega relativamente perto de nós – “perto” em uma escala cósmica, claro. Nas próximas décadas, uma passagem típica está a dezenas de milhões de quilômetros de distância, chegando tão perto quanto 5 milhões de quilômetros – o que ainda é mais de 10 vezes mais longe do que a Lua! Ainda assim, isso é a nossa vizinhança, o que é uma das razões para este asteróide ser tão bem estudado. Ele fica próximo o suficiente para que possamos ter uma visão decente dele quando passa por nós. Ele pode impactar a Terra? “Meio” que sim. Neste momento, a órbita do asteróide não o traz perto o suficiente para nos atingir. Contudo, existem forças que atuam sobre asteróides ao longo do tempo que sutilmente alteram suas órbitas. Uma delas é o chamado efeito YORP, uma força fraca que surge devido à maneira como o asteróide gira e irradia calor. Os fótons infravermelhos emitidos pelo corpo celeste quando ele está quente podem fazê-lo agir de forma muito parecida com um foguete de incrivelmente baixa propulsão. Ao longo de muitos anos, isto pode alterar tanto a rotação do asteróide, quanto a forma da sua órbita. Prever a posição de um asteróide ao longo dos anos é uma proposta arriscada, na melhor das hipóteses. Pequenas incertezas em sua posição medida propagam-se em erros maiores, de modo que quanto mais além no futuro tenta-se prever onde o asteróide vai estar, mais confusa essa posição fica. No entanto, o 1950 DA é quase uma exceção. Temos observações referentes a muitas décadas (1950 é o ano em que foi ele descoberto) e observações de radar feitas em 2001 que fornecem medidas de posição muito precisas. Isso permite que a órbita do 1950 DA seja determinada num futuro mais distante do que a maioria dos asteróides. No ano passado, outra equipe de cientistas se dedicou a este assunto, medindo uma série de pequenos efeitos sobre o asteróide, incluindo o impulso YORP, a gravidade dos planetas, a gravidade de outros asteróides, e assim por diante. Eles descobriram que a probabilidade de um impacto em 2880 é de cerca de 2,48 x 10-4, que é aproximadamente 1 em 4 mil. Para deixar claro: isso é muito pouco. Essa é uma razão pela qual a manchete do “Telegraph” é sensacionalista – eles até usaram um dado antigo, que diz que probabilidade de colisão é de 1 em 300. Um outro motivo pelo qual a matéria foi infeliz é que levou a reprodução do erro por outros veículos e consequentemente uma propagação irracional do pânico.

Fonte: Hypescience

Terra tem "escudo invisível" contra radiação cósmica

Cientistas de uma missão da NASA se dizem perplexos com o que acabam de descobrir: um escudo antirradiação em torno da Terra que é uma verdadeira "barreira impenetrável no espaço" - ao menos para partículas cósmicas de alta energia. Os cinturões de Van Allen, anéis de partículas carregadas mantidos pelo campo magnético da Terra, são conhecidos há décadas. Mais recentemente, as duas sondas gêmeas Van Allen (a missão originalmente se chamava RBSP (Radiation Belt Storm Probes) descobriram um novo cinturão de radiação ao redor da Terra. Embora os cinturões de Van Allen protejam a Terra de grande parte da radiação espacial, os cientistas acreditavam que a radiação mais forte, consistindo de elétrons de energia muito alta, só era barrada aos poucos, conforme as partículas se aproximavam e colidiam com os átomos da atmosfera. O que os instrumentos das duas sondas revelaram é algo bem diferente: há um verdadeiro "escudo invisível" nas imediações dos cinturões de Van Allen que simplesmente não permite a penetração dos elétrons de alta energia - a radiação mais perigosa não apenas para os satélites de comunicação e para os astronautas em órbita da Terra, mas também para a própria vida na superfície. "Esta barreira contra elétrons ultrarrápidos é uma característica surpreendente dos anéis. Nós fomos capazes de estudá-la pela primeira vez porque nós nunca havíamos feito uma medição precisa desses elétrons de alta energia," disse Daniel Baker, da Universidade do Colorado, que chamou a nova barreira protetora de "escudo invisível tipo Jornada nas Estrelas". "É quase como se esses elétrons estivessem batendo em uma parede de vidro no espaço. Mais ou menos como os escudos criados por campos de força em Jornada nas Estrelas eram usados para repelir armas alienígenas, estamos vendo um escudo invisível bloqueando esses elétrons. É um fenômeno extremamente intrigante," disse Baker. Ainda não há uma explicação sobre o que e como se forma essa barreira protetora. A equipe já descartou a ação do campo magnético terrestre que mantém os anéis antirradiação já conhecidos - os elétrons de alta energia são bloqueados à mesma altitude mesmo em pontos onde o campo magnético da Terra é mais fraco -, bem como as ondas eletromagnéticas das transmissões de dados feitas pelo homem e o formato muito pronunciado dos anéis de radiação, que também foi descoberto pelas sondas Van Allen. Segundo nota emitida pela NASA sobre a descoberta, a explicação mais provável para a constituição do "escudo invisível" são outras "partículas espaciais" ainda desconhecidas ou não detectadas.

Fonte: Inovação Tecnológica

domingo, 30 de novembro de 2014

Onde diabos pousou o Philae?

Já passaram duas semanas desde que o módulo Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, mas a ESA ainda não sabe se conseguiu perfurar com sucesso a superfície do astro. Nem sequer ainda se sabe o seu local de aterragem final. Entretanto, a companheira Rosetta continua a sua missão. As leituras do CONSERT, um instrumento de radar que ligou o Philae com a Rosetta antes do "lander" ter ficado sem energia, reduziram os potenciais pontos de aterragem até uma faixa de 350 por 30 metros na cabeça do cometa. A determinação da zona de aterragem está dependente do modelo da forma do cometa, razão pela qual existem duas regiões candidatas. Os cientistas da ESA estão agora à procura do Philae em imagens capturadas pelas câmaras da Rosetta, mas se este se encontra em zonas à sombra é apenas suscetível de aparecer quando a luz for refletida pelos seus painéis solares. Quanto à broca do Philae, foi um dos últimos instrumentos a ser ativado antes do módulo ter ficado sem energia. Os gestores da missão sabem que a broca funcionou como o esperado, mas tendo em conta que o "lander" aterrou numa posição inclinada, não sabem se entregou amostras ao instrumento COSAC. Este foi desenhado para estudar moléculas do cometa ao aquecer material num forno e ao medir os gases resultantes. Os dados do COSAC são inconclusivos. Pode não ter havido uma amostra, ou a amostra pode ter sido muito seca, ou seja, apenas podem ter sido libertadas pequeníssimas quantidades de gás. "Teria gostado de ver um sinal claro de uma amostra," afirma Fred Goesmann, líder da equipe do COSAC. "A minha opinião pessimista é que nunca saberemos." Tal resultado pode permanecer mesmo que a ESA consiga contactar novamente com o Philae, caso este consiga acordar quando mais luz incidir nos seus painéis solares. A broca do módulo não tem nenhuma maneira direta de confirmar se obteve uma amostra e não existe nenhuma câmera no forno que recebe a amostra. Goesmann diz que os cientistas discutiram outros sensores para confirmar uma amostra durante o planejamento da missão, mas que descartaram a idéia por causa dos rigorosos limites de peso do módulo Philae. Não são esperados mais dados do Philae, a não ser que acorde em 2015, mas depois de libertar o "lander", a Rosetta está agora a dedicar-se exclusivamente à sua missão científica. A ESA colocou a sonda novamente numa órbita mais elevada, 30 km acima do cometa, mas vai descer até aos 20 km no dia 3 de Dezembro e durante 10 dias para recolher dados sobre o aumento de poeira e gás expelidos pelo cometa à medida que este se aproxima do Sol. O plano é ficar o mais próximo possível do cometa sem colocar a sonda em risco devido à atividade crescente do 67P/C-G.

Fonte: Astronomia On-line

Astronautas da Estação Espacial encontram vida no vácuo

Traços de plâncton e outros micro-organismos foram encontrados vivendo no exterior da Estação Espacial Internacional, de acordo com autoridades espaciais russas. A questão é: como eles foram parar lá? Ou, melhor, como eles sobreviveram ao passeio? Segundo os especialistas, o plâncton não foi dar uma voltinha no espaço no lançamento da nave, pois simplesmente não existem plânctons de onde os módulos russos da estação foram lançados – a teoria mais forte até agora é que eles tenham sido soprados por correntes de ar na Terra. Incrivelmente, os minúsculos organismos foram capazes de sobreviver no vácuo do espaço, apesar das baixas temperaturas, da falta de oxigênio e da radiação cósmica. A descoberta foi feita durante uma caminhada espacial de rotina pelos cosmonautas russos Olek Artemyez e Alexander Skvortsov, que estavam lançando nanosatélites no espaço. Após os lançamentos, eles usaram lenços para polir a superfície das janelas – também conhecidas como iluminadores – no segmento russo da estação quando decidiram analisar a sujeira que estava lá. Surpreendentemente, encontraram a presença de plâncton e outros micro-organismos usando equipamentos de alta precisão. “Os resultados são absolutamente únicos”, afirma o chefe da missão orbital russa, Vladimir Solovyev. “Nós encontramos vestígios de plâncton marinho e partículas microscópicas na superfície do iluminador. Isso deve ser estudado”, sugere. O plâncton não é natural de Baikonur, no Cazaquistão, de onde os módulos russos da estação decolaram. Solovyev não está absolutamente certo como essas partículas microscópicas podem ter aparecido na superfície da estação espacial. Ele acha que eles podem ter sido “elevados” até a estação, a uma altitude de 420 quilômetros. “Plâncton nestes estágios de desenvolvimento podem ser encontrados na superfície dos oceanos. Isso não é típico de Baikonur. Isso significa que existem algumas correntes de ar que chegam à estação e se instalam em sua superfície”, sugere. A Nasa ainda não comentou se resultados semelhantes foram encontrados no passado.


Fonte: Hypescience