segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Saiba tudo o que pode acontecer com o cometa C/2012 S1 ISON

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Apesar de todos os cálculos indicarem que a magnitude do cometa C/2012 S1 ISON será extremamente baixa durante o periélio, fazendo-o brilhar mais forte que a Lua cheia, nenhum astrônomo amador ou profissional em sã consciência coloca a mão no fogo por isso. Muito pelo contrário. Veja por quê. De todos os corpos celestes conhecidos, os cometas são sem sombra de dúvida os mais temperamentais. Enquanto estão distantes e bem longe do Sistema Solar são bastante previsíveis e se comportam exatamente como o calculado pelas equações astronômicas, mas na medida em que começam a sentir a presença do Sol as coisas começam a mudar. E tudo pode acontecer. Os cometas são formados essencialmente de gelo e sua evaporação devido à presença do Sol cria ao redor do seu núcleo uma espécie de atmosfera, que os astrônomos chamam de coma ou cabeleira. Quanto mais se aproxima do Sol, a ação dos ventos solares sopra a coma em sentido oposto formando a cauda do cometa, que não raras vezes pode ultrapassar 100 milhões de quilômetros. Essa evaporação devido ao calor da estrela faz com que os cometas percam parte de sua massa, fazendo com que as suas características orbitais também mudem ligeiramente. E quanto mais perto do Sol, maior a evaporação do gelo e consequentemente maior a perda da massa cometária e maior também a coma e cauda criadas. No caso do cometa C/2012 S1 ISON as coisas também funcionam dessa maneira, mas a grande aproximação solar - o periélio - prevista para o dia 28 de novembro de 2013 é que chama a atenção dos astrônomos. Estima-se que neste dia ISON deverá chegar a apenas 1.1 milhão de quilômetros da superfície escaldante do Sol e ninguém sabe exatamente como o cometa vai se comportar.
Possibilidade 1
Se o cometa seguir exatamente o que é previsto pela mecânica celeste, deverá contornar o Sol e seguir seu rumo para dentro do Sistema Solar, mas com muito menos massa do que quando se aproximou. Se isso acontecer, a trilha de poeira deixada para trás permanecerá vagando no espaço até encontrar a Terra pelo caminho nos dias 14 e 15 de janeiro de 2014, provocando uma nova chuva meteoros.
Possibilidade 2
Outra possibilidade é que a interação gravitacional do Sol atraia ISON de tal maneira que sua velocidade de deslocamento não seja mais suficiente para impedir sua queda. Isso pode resultar na pulverização total do cometa antes de atingir a superfície solar ou então o choque contra a alta atmosfera da estrela.
Possibilidade 3
Outra possibilidade bastante forte é o rompimento do cometa provocado pelas forças de maré geradas antes de atingir o periélio, situação esta que poderá criar um espetáculo à parte caso o cometa já apresente grande brilho (baixa magnitude). Durante o rompimento, o cometa pode se despedaçar em dezenas de partes, da mesma forma que fez Shoemaker-levy 9 antes de atingir o planeta Júpiter em julho de 1994.
Possibilidade 4
Além dessas possibilidades, não seria incomum se ISON entrasse em processo de Outburst, um evento ainda não perfeitamente explicado e que faz com que um cometa repentinamente perca muita massa e passa a brilhar centenas de vezes. Isso aconteceu no ano de 2007, quando o cometa periódico17P/Holmes passou repentinamente da magnitude 17 para 2.8, aumentado seu brilho em 600 vezes, sendo visível até mesmo à vista desarmada.
Apesar de existirem inúmeras possibilidades que não podem ser descartadas, é preciso deixar claro que não há qualquer risco do cometa C/2012 S1 ISON colidir contra a Terra, principalmente no dia 27 de dezembro de 2013, quando chegará a apenas 63 milhões de quilômetros de distância. Se tudo correr como o previsto, ISON poderá ser visto do Brasil nas pré-manhãs antes do periélio de 28 de novembro. Quanto mais próximo do Hemisfério Norte, melhores serão as condições para a observação do cometa, uma vez que a órbita de ISON favorece mais aos observadores daquele hemisfério. Se ISON contornar o Sol como o descrito na possibilidade 1, ambos os hemisférios serão contemplados. Apesar de mais fraco, ainda assim a longa cauda cometária será o verdadeiro show do final do ano. Até lá, cruzar os dedos é a melhor opção!

Fonte: Apolo 11

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