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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Rota mais rápida e barata para chegar à Lua é patenteada pela NASA


A agência espacial norte-americana NASA registrou recentemente no Escritório de Patentes e Marcas dos EUA a patente de uma série de manobras orbitais, que vai fazer as futuras viagens para a Lua serem mais rápidas e baratas.
A novidade não se destina a grandes espaçonaves que transportam astronautas ou rovers, mas a missões menores, com naves pequenas e de orçamento mais restrito.

"Esta trajetória para a Lua surgiu por necessidade, como essas coisas costumam acontecer. Precisávamos manter os custos de lançamento baixos e encontrar uma maneira barata de chegar à Lua", explica Jack Burns, astrofísico da Universidade do Colorado, EUA, ao portal Business Insider.

A primeira espaçonave a tirar proveito desse novo caminho orbital e que pode fazer descobertas sem precedentes do lado oculto da Lua será o Desbravador de Polarímetro da Idade das Trevas (Dark Ages Polarimeter Pathfinder, no original), projeto liderado por Burns.

Com o tamanho de um micro-ondas, a espaçonave vai registrar, pela primeira vez, ondas de rádio de baixa frequência do lado oculto da Lua, emitidas há bilhões de anos, quando átomos, estrelas, buracos negros e galáxias estavam apenas começando se formar, e onde os cientistas podem detectar os primeiros sinais de matéria escura ainda não vista.

Créditos: Sputnik

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Cápsula da SpaceX chega de volta à Terra

Os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley estão de volta à Terra. Eles chegaram no domingo, 2, a bordo da cápsula da SpaceX e fizeram um mergulho no Golfo do México. Assim que pousaram, avisaram por uma mensagem de rádio que estavam se sentindo bem e então uma equipe para extração da tripulação foi acionada.
O veículo chamado SpaceX Crew Dragon “Endeavour” “desceu” a uma velocidade de 28.500 km/h, usando seu escudo térmico para desacelerar a 560 km/h, antes de adicionar o paraquedas. Para completar, a NASA precisou pensar em um ponto estratégico para a queda, já que a tempestade tropical Isaias está atingindo a Flórida.
A SpaceX é uma empresa do bilionário Elon Musk, que esteve junto com a NASA nesse projeto, levando o primeiro voo tripulado saindo dos Estados Unidos desde 2011. Além disso, foi a primeira vez que uma empresa privada levou astronautas para o espaço.
Behnken e Hurley ficaram por dois meses na Estação Espacial Internacional (ISS), onde estiveram entre os dias 30 de maio e 1º de agosto. A jornada de volta à Terra levou 21 horas, com o pouso acontecendo às 15h49, pelo horário de Brasília. Além disso, a chegada aconteceu na costa de Pensacola, na Flórida.
O grande problema foi a tempestade Isaias, que atingiu a costa sudeste do estado norte-americano. Por isso, a NASA e a SpaceX planejaram diversos possíveis locais para a queda, todos eles longe o suficiente da tempestade. Além disso, navios de resgate ficaram posicionados nas proximidades.
A missão tripulada funcionou como um teste para garantir que a cápsula é segura e que no futuro pode ser utilizada para outras atividades espaciais. Por fim, a SpaceX aguarda para setembro o lançamento da Expedition 65, também para a ISS. Mas, por enquanto ainda não há uma data para lançamento, embora a missão já seja tratada por CREW-1.

Créditos: SoCientífica

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Telescópio Cheops vai ao espaço estudar exoplanetas

Foi lançado com sucesso ao espaço o observatório Cheops, a primeira missão da ESA (Agência Espacial Européia) dedicada ao estudo de planetas extrassolares, ou exoplanetas.
Cheops é uma sigla para CHaracterising ExOPlanet Satellite, ou Satélite de Caracterização de Exoplanetas, uma parceria entre a ESA e a Suíça, com um consórcio próprio liderado pela Universidade de Berna e com contribuições de outros 10 estados membros da agência espacial.
Ao contrário dos telescópios caçadores de exoplanetas anteriores, como a missão Corot e as missões Kepler e TESS da NASA, o observatório Cheops não é uma "máquina de descobertas", mas uma missão de acompanhamento, focada em estrelas individuais que já são conhecidas por abrigar um ou mais planetas. Ele também identificará os melhores candidatos para estudos detalhados por futuros observatórios.
A missão observará estrelas brilhantes, medindo mudanças minúsculas de brilho devido ao trânsito do planeta através do disco da estrela. Os principais alvos são estrelas que possuem planetas na faixa de tamanho entre a Terra e Netuno.
As medições de alta precisão permitirão calcular o tamanho de cada exoplaneta. Juntamente com informações independentes sobre as massas dos planetas, isso permitirá determinar a densidade de cada um, viabilizando uma primeira caracterização desses mundos extrassolares. A densidade de um planeta fornece pistas vitais sobre a sua composição e estrutura, indicando, por exemplo, se é predominantemente rochosa ou gasosa, ou mesmo a presença de oceanos significativos.
A missão Cheops prepara o caminho para a próxima geração de observatórios de exoplanetas da ESA - Plato e Ariel - planejados para a próxima década. Juntas, estas missões ampliarão o conhecimento necessário para responder à pergunta fundamental: Quais são as condições para a formação dos planetas e o aparecimento da vida no Universo?

Créditos: Inovação Tecnológica

terça-feira, 5 de novembro de 2019

NASA considera realizar missão interestelar em 2030

Um grupo de cientistas do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, está trabalhando com a NASA para realizar uma missão interestelar em 2030. A notícia foi relatada pela revista Wired.
Segundo os especialistas, a idéia é enviar ao espaço uma nave de 770 quilos com a ajuda do foguete Space Launch System, da NASA, que deve ficar pronto em 2021. Se o projeto acontecer, os desafios da equipe residem na tecnologia: eles precisam desenvolver aparelhos que levem a cápsula para fora do Sistema Solar da forma mais econômica possível.
"É hora de termos uma idéia que realmente possamos executar", disse Ralph McNutt, físico do projeto, à Wired. "Até agora, as pessoas não pensavam nisso como um problema de engenharia."
Explorar o que existe além dos horizontes do Sistema Solar será útil para diversas áreas da ciência, mas a equipe está especialmente focada em desenvolver um projeto que possibilite descobrirmos mais informações sobre o lugar do Universo em que vivemos. "Estamos dentro de uma bolha tentando descobrir qual é a sua forma, o que é extremamente difícil", disse Pontus Brandt, outro participante do projeto. "A singularidade de uma sonda interestelar é que podemos sair e tirar uma foto da nossa pequena e habitável bolha no espaço."
Se der certo, essa não será a primeira vez que uma nave espacial cruzará a fronteira do nosso sistema. Em 2012, a Voyager 1 chegou ao espaço interestelar; em 2018, a Voyager 2 realizou o mesmo feito. Entretanto, a nova missão dos especialistas de Johns Hopkins se difere em diversos aspectos do consagrado Projeto Voyager. O objetivo é criar uma sonda que tenha vida útil de pelo menos meio século e viaje 149 bilhões de quilômetros em menos de 15 anos (a Voyager levou quatro décadas para cruzar apenas 21 bilhões de quilômetros).
As antigas missões foram projetadas para ser exploradoras planetárias e, portanto, estavam equipadas para realizar pesquisas científicas nesse ramo. Felizmente, o Projeto Voyager obteve dados referentes a diversas outras áreas da astrofísica, mas muitas perguntas permanecem sem respostas.

Créditos: Galileu

Sonda Voyager 2 chega ao espaço interestelar e observa um salto na densidade de plasma

Segundo pesquisadores da Universidade de Iowa (EUA), a sonda Voyager 2 entrou finalmente no espaço interestelar, tornando-se o segundo objeto feito pelo homem a alcançar o feito atrás de sua colega Voyager 1, que saiu do sistema solar em 2012.
As sondas Voyager 1 e 2 foram lançadas da Terra ao espaço separadas por apenas algumas semanas em 1977, com missões e trajetórias diferentes.
A Voyager 1 entrou no espaço interestelar a uma distância de 122,6 unidades astronômicas (UA, sendo que 1 UA equivale a distância da Terra ao sol), enquanto a Voyager 2 entrou no espaço interestelar a 119,7 UA, ou mais de 17 bilhões de quilômetros de distância do sol.
No novo estudo, os mesmos pesquisadores que confirmaram a entrada da Voyager 1 no espaço interestelar em 2012 o fizeram para a 2.
De acordo com os pesquisadores, a sonda cruzou a linha na data de 5 de novembro de 2018, quando foi notado um “salto” na densidade do plasma por um instrumento colocado na nave pelos cientistas de Iowa.
O aumento acentuado é uma evidência de que a Voyager 2 saiu do ambiente de baixa densidade do vento solar para o plasma frio e de maior densidade do espaço interestelar – um salto semelhante foi experimentado pela Voyager 1, medido oito meses depois de sua entrada sete anos atrás.
Apesar das sondas terem trajetórias diferentes, elas saíram do sistema solar a basicamente a mesma distância do sol. Isso nos dá pistas para a estrutura da heliosfera.
Com seu vento supersônico de plasma ionizado, o Sol forma uma “bolha” ao redor do sistema solar. Essa bolha é chamada de heliosfera, e seu limite – no qual a pressão exercida pelo vento solar não é mais forte o suficiente para empurrar contra o espaço interestelar – é chamada de heliopausa.
“Isso implica que a heliosfera é simétrica, pelo menos nos dois pontos em que as sondas Voyager cruzaram”, disse Bill Kurth, pesquisador da Universidade de Iowa e um dos autores do estudo. “E nos diz que esses dois pontos na superfície estão quase à mesma distância”.
Os dados também fornecem pistas sobre a grossura da heliosheath, a fronteira entre a heliosfera e a heliopausa. Essa região parece ter espessura variada, baseado nos dados que mostram a Voyager 1 navegando 10 UA mais longe que sua parceria para chegar à heliopausa. Os instrumentos da Voyager 2 mostraram uma heliopausa mais suave e fina do que os dados da 1, com um campo magnético mais forte.
O instrumento de raios cósmicos da Voyager 2 também detectou algo que a 1 não viu: evidências de uma camada entre a heliopausa e o espaço interestelar, na qual os dois ventos (solar e interestelar) interagem. Tudo isso indica que a heliopausa não é uma fronteira homogênea, mas sim mais complexa e dinâmica do que pensávamos.
A última medição feita pela Voyager 1 chegou à Terra quando ela estava a 146 UA, ou mais de 21,5 bilhões de quilômetros do Sol. O instrumento de plasma ainda registrava aumento de densidade.
“As duas Voyagers sobreviverão à Terra. Elas estão em suas próprias órbitas ao redor da galáxia por cinco bilhões de anos ou mais. E a probabilidade de encontrarem algo no caminho é quase zero”, afirmou Kurth.
Os dados que estamos coletando agora são valiosos, no entanto, porque isso não significa que elas permanecerão operacionais. Por exemplo, o instrumento de plasma da Voyager 1 se quebrou quando esta atravessou a heliopausa em 2012.

Créditos: Hypescience

terça-feira, 22 de outubro de 2019

NASA apresenta novos trajes espaciais

A agência espacial norte-americana divulgou imagens oficiais dos trajes — e parece que eles vieram diretamente de um filme de ficção científica. São dois modelos: o Orion Crew Survival System, que será usado para decolagem e reentrada na espaçonave Orion, e o Exploration Extravehicular Mobility Unit (xEMU), feito para os astronautas explorarem a Lua.
O xEMU é um pouco parecido com o modelo que os astronautas usam fora da Estação Espacial Internacional, mas ele foi aprimorado para ser mais confortável e melhorar a mobilidade ao explorar a superfície lunar, além de ser moldável para todos os tamanhos. O traje ainda pode ser usado em Marte. A tecnologia ajustável é uma das maiores vantagens dos novos uniformes: será possível reconfigurá-los para se adequarem a determinada condição atmosférica (em Marte, na Lua ou em uma estação espacial). As partes serão facilmente trocáveis para se adaptarem a temperaturas que vão de 120ºC a -156ºC.

Créditos: Galileu

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Astronautas produzem "carne de laboratório" no espaço pela primeira vez

Astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) usaram a técnica da empresa israelense Aleph Farms para produzir carne no espaço. O experimento foi realizado a 399 km de distância da Terra, no dia 26 de setembro, no segmento russo do laboratório espacial.
Células bovinas cultivadas na Terra foram levadas até à ISS, onde foram usadas para formar tecido muscular com o uso de uma impressora 3D da companhia 3D Bioprinting Solutions. O processo simulou o que acontece naturalmente nos corpos dos bois e das vacas.
Em dezembro de 2018, a Aleph Farms desenvolveu o primeiro bife criado em laboratório. Mas muito do protótipo ainda precisa ser melhorado, como o gosto, por exemplo. Mas se esse método obtiver sucesso quando aplicado em larga escala, isso pode ajudar a alimentar a população mundial, que deve alcançar um total de 10 bilhões de pessoas em 2050.
Um relatório de setembro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), alertou para como a criação de gado pode contribuir para as mudanças climáticas, tornando “uma situação desafiadora que poderá prejudicar a segurança alimentar”.
Segundo um estudo de 2019, feito por pesquisadores das universidades de Oxford e Amsterdã, se toda a humanidade passasse a comer carne cultivada em laboratório, seriam emitidos 80% menos gases do efeito estufa, e 99% menos terra seria ocupada para a pecuária.
No espaço, a tecnologia pode ajudar na nutrição dos astronautas, pois eles coletam moléculas líquidas da vaporização do ar e não contam com grandes quantidades de água para produzir alimentos.
“Estamos provando que a carne cultivada pode ser produzida a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer condição", afirmou o presidente da Aleph Farms, Didier Toubia, ao jornal britânico The Guardian . "Podemos potencialmente fornecer uma solução poderosa para produzir alimentos mais perto das populações que precisam, no momento exato em que for necessário".

Créditos: Galileu

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

China publica informações sobre a primeira planta nascida na Lua

Quando a sonda chinesa Chang’e-4 pousou no lado mais distante da Lua no dia 3 de janeiro de 2019, ela entrou para a história. Ela foi a primeira nave a explorar este lado da lua, e em sua carga estava uma mini-biosfera de 2,5kg chamada Micro Ecossistema Lunar.
Este cilindro tem apenas 18 cm de comprimento e 16 cm de diâmetro, e contém seis formas de vida que foram mantidas por 20 dias em condições parecidas com as da Terra, exceto pela microgravidade e radiação lunar. São elas: sementes de algodão, sementes de batata, semente de canola, levedura, ovos de mosca-das-frutas, e um mato comum da espécie Arabidopsis thaliana.
Apenas as sementes de algodão produziram resultado positivo em janeiro deste ano. O brotamento de duas folhas de uma mudinha foi registrado nos 14 dias terráqueos do primeiro dia lunar que a semente passou na lua. Ao final deste período a região ficou na escuridão e no frio de -190ºC, e a mudinha morreu.
A imagem disponibilizada pela China é uma reconstrução em 3D baseada em analise e processamento de imagem.
O pesquisador responsável por este experimento, Xie Gengxin do Instituto de Pesquisa Tecnológica da Universidade de Chonguing, avisa que não haverá um artigo científico publicado sobre o evento, mas que ele pretende continuar o trabalho.
Na etapa de planejamento, a equipe pretendia enviar um pequeno cágado para a lua, mas acabou optando pelos outros organismos por conta do limite de peso da esfera, que não poderia ser mais do que 3 kg. Caso o animal tivesse sido enviado, ele teria um final sofrido, morrendo de frio e de falta de oxigênio ao final dos 20 dias de suprimento do experimento.
A missão Chanc’e-4 foi a primeira a levar organismos terráqueos para a lua, sem considerar os astronautas das missões lunares de 1969 a 1972.
Xie e sua equipe esperam enviar mais formas de vida nas próximas missões para a lua, mas eles ainda não especificaram que tipos de organismos seriam esses. A China já planejou a Chang’e-6, uma missão de retorno de amostragem que deve acontecer em meados de 2020.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Estamos perto de encontrar vida em Marte. Mas estamos prontos para isso?

Jipe-robô Rosalind Franklin

Existe vida em Marte? De acordo com um dos cientistas-chefe da Nasa, estamos muito perto desta resposta e em breve deveremos absorver as novas descobertas. Mas será que o mundo atual está preparado para isso?No próximo ano, duas missões estão planejadas para levar veículos espaciais a Marte, que deverão vasculhar a superfície do planeta em busca de vida extraterrestre. Isso significa que poderemos encontrar a resposta a essa inquietante pergunta já nos próximos anos, mas deveremos estar preparados para as implicações que isso trará.
De acordo com Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária, da NASA, se tivermos sucesso mudaremos em definitivo o nosso conceito sobre a vida em outros planetas. “Isso dará início a uma nova linha de pensamento, mas acho que não estamos preparados para os resultados", disse Green.
Em 2020, Terra e Marte estarão em uma configuração orbital que os aproxima bastante um do outro e que permite uma janela muito favorável de lançamentos rumo ao planeta Vermelho. Cinco agências espaciais aproveitarão esse momento e farão diversas pesquisas biológicas em Marte.
China e Emirados Árabes Unidos são os novatos dessa campanha e já estão preparando suas primeiras missões, compostas de orbitadores e jipes-robôs.
A NASA e a Agência Espacial Européia (ESA), em parceria com o Roscosmos da Rússia, também estão enviando novos veículos para perfurar amostras, na esperança de encontrar matéria orgânica.
O jipe-robô Mars 2020, da NASA, perfurará formações rochosas para coletar amostras e enviá-las de volta à Terra. Se tudo der certo, essa será a primeira vez que material marciano visitará nosso planeta e poderá ser estudado de maneira muito mais eficiente.
A ESA, por sua vez, enviará o jipe-robô Rosalind Franklin, que perfurará, triturará e analisará as amostras de rocha no laboratório de superfície da Roscosmos, que permanecerá estacionário na superfície de Marte..
Segundo Green, essa enorme quantidade de experimentos que será feita em Marte deverá fornecer inúmeras respostas que podem ser comparadas às palavras de Copérnico, quando nos anos de 1500 afirmou que a Terra girava ao redor do Sol e não o contrário, como se pensava na época
"Depois daquele instante tivemos que reconsiderar tudo o que sabíamos e naquele período o mundo não estava preparado para uma mudança tão profunda no pensamento. Acredito que algo semelhante vai acontecer nos próximos anos", disse o cientista, que completou: "Como você reagiria ao saber que uma forma de vida, mesmo que microscópica, foi encontrada em Marte? Quem a pôs lá? Há quanto tempo está lá? A vida pode passar de planeta para planeta ou acontece a partir de uma centelha e do ambiente certo, capaz de gerar a vida?, questiona Green.
O rover Mars 2020 da NASA deve pousar na superfície do Planeta Vermelho no dia 18 de fevereiro de 2021, com o rover Rosalind Franklin da ESA chegando um mês depois em março de 2021.
Ambos os rovers vasculharão as proximidades de um antigo lago ou leito oceânico que antes continha água e agora parece ser rico em argila. O local escolhido para a aterrissagem da NASA é o delta da Cratera Jezero, uma cratera de 49 quilômetros de largura
A missão ExoMars, da ESA, ainda não definiu seu local de pouso, mas anunciou no ano passado que seu local preferido seria Oxia Planum, outro local rico em argila e ferro-magnésio, um sinal de que uma vez a água esteve presente.

Créditos: Apolo 11

Revelada a espaçonave que irá levar os primeiros humanos a Marte

Elon Musk revelou uma nave espacial SpaceX concebida para transportar uma tripulação e carga até à Lua, Marte ou qualquer outro lugar no sistema solar e aterrar na Terra perpendicularmente.
Em um discurso ao vivo das instalações de lançamento da SpaceX, no Texas, Musk disse no sábado que a nave espacial deve decolar pela primeira vez em cerca de um ou dois meses e chegar a 19.800 metros antes de pousar de volta na Terra.
Ele diz que é essencial para a viabilidade da viagem espacial ser capaz de reutilizar as naves espaciais e que é importante tomar medidas para estender a consciência além do nosso planeta.
Uma multidão observou como Musk falava de um palco em frente à grande nave espacial, que tem um exterior metálico e refletivo.
Musk diz que o sábado marcou o 11º aniversário de um foguete SpaceX atingindo a órbita pela primeira vez.

Créditos: Socientífica

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

NASA: sonda corajosa faz terceira passagem rasante pelo sol

A ousada sonda Parker Solar Probe, da NASA, começou seu terceiro voo rasante pelo Sol no último domingo (1).
Os cientistas puderam ativar os instrumentos da sonda mais cedo do que previsto, graças a uma quantidade inesperada de dados liberada pela espaçonave – os operadores da missão receberam muita informação da sonda nos primeiros dois voos rasantes, e fizeram até observações adicionais durante a segunda aproximação.
Agora, para a terceira rodada, os instrumentos da Parker Solar Probe trabalharão sem parar por 35 dias, três vezes mais do que os primeiros dois voos. Isso significa que a sonda fará medições duas vezes mais distante da superfície visível do sol.
Esses dados podem ajudar os cientistas a resolver alguns mistérios de como nossa estrela afeta o sistema solar.
A sonda foi projetada para ajudar os astrônomos a entender melhor o Sol, principalmente uma camada de sua atmosfera chamada corona, com milhões de graus Celsius, muito acima da superfície da estrela.
De acordo com o planejamento, a Parker Solar Probe fará 24 voos rasantes na corona até o final de sua missão, em 2025. Cada voo vai deixar a sonda mais apta a resolver os mistérios solares.
O quarto rasante, programado para 29 de janeiro de 2020, deve incluir uma manobra em torno de Vênus usando a gravidade do planeta para empurrar a sonda para mais perto do Sol.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O telescópio espacial mais poderoso já criado pela humanidade está 100% montado

O poderoso telescópio espacial James Webb, da agência norte-americana NASA, está finalmente 100% montado. Seu lançamento só deve ocorrer em março de 2021, no entanto.
“A montagem do telescópio e seus instrumentos científicos, proteção solar e espaçonave em um observatório representa uma conquista incrível para toda a equipe. Este marco simboliza os esforços de milhares de indivíduos dedicados por mais de 20 anos na NASA, na Agência Espacial Européia, na Agência Espacial Canadense, na Northrop Grumman e no resto de nossos parceiros industriais e acadêmicos”, disse Bill Ochs, do Centro Espacial Goddard da NASA, em um comunicado.
“É um momento emocionante ver todas as partes do Webb finalmente unidas em um único observatório pela primeira vez”, disse Gregory Robinson, diretor do programa Webb na sede da NASA em Washington, no mesmo comunicado. “A equipe de engenharia deu um grande passo à frente e em breve seremos capazes de ter novas e incríveis visões de nosso universo”.
Todo o projeto custou cerca de US$ 9,7 bilhões (cerca de R$ 40,2 bi, no câmbio atual).
A montagem de todo o complexo estava atrasada por quase sete anos, tendo sido iniciada em 2009. Depois de uma série de retrocessos e de um gasto quase o dobro do esperado, o James Webb está enfim totalmente pronto – embora os técnicos ainda precisem testar as conexões elétricas entre as peças.
O protetor solar dobrável do James Webb, que manterá os instrumentos do telescópio refrigerados, já estava conectado à espaçonave. A obra final e mais recente – o elemento do telescópio – ocorreu nas instalações da Northrop Grumman em Redondo Beach, na Califórnia, a principal empresa contratada do projeto.
Sucessor do Hubble, o poderoso Webb é otimizado para ver o universo em luz infravermelha, o que irá permitir aos astrônomos decifrar algumas das maiores questões cósmicas quando estiver em funcionamento no Ponto de Lagrange 2, um ponto gravitacionalmente estável no espaço a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Dentre as possíveis missões do Webb, os cientistas pretendem utilizá-lo para procurar planetas com vida alienígena e para estudar a formação das primeiras estrelas e galáxias do universo.

Créditos: Hypescience

domingo, 25 de agosto de 2019

Telescópio espacial pode transformar a Terra em uma lente de aumento gigante

Quando terminar em algum momento da próxima década, o Europe’s Extremely Large Telescope será o maior do mundo, com um espelho de quase 40 metros de altura. Mas um astrônomo propôs um telescópio espacial ainda mais poderoso – um com o equivalente a um espelho de 150 metros – que usaria a própria atmosfera da Terra como uma lente natural para reunir e focar a luz. O astrônomo David Kipping, da Universidade de Colúmbia, descobriu que um telescópio espacial de 1 metro, posicionado além da Lua, poderia usar o poder de focagem do anel da atmosfera, que é observado ao redor da borda do planeta, para amplificar o brilho de objetos escuros por dezenas de milhares de vezes.
A atmosfera é muito variável para um Terrascópio, como diz Kipping, para produzir belas imagens para rivalizar com as do Telescópio Espacial Hubble. Mas poderia descobrir objetos muito mais fracos do que agora é possível, incluindo pequenos exoplanetas ou asteroides que ameaçam a Terra. Kipping reconhece que mais trabalho é necessário para provar a ideia, mas a tecnologia necessária já existe.
Os astrônomos que leram o paper que Kipping publicou na semana passada no arXiv ficaram encantados e cautelosos. Matt Kenworthy, da Universidade de Leiden, na Holanda, diz que ficou “deslumbrado com o quanto de trabalho e pensamento ele tinha colocado nele”, mas quer mais evidências de que ele funcionará. “Eu gostaria de sentar e fazer um modelo mais realista”, diz ele. Bruce Macintosh, da Universidade Stanford, em Palo Alto, Califórnia, acrescenta: “É um experimento mental interessante, mas há muitos detalhes para se pensar”.
Kipping é bem conhecido por liderar pesquisas por luas em outros sistemas planetários e revelou um forte candidato à primeira exolua no ano passado. Ele diz que o germe da ideia do Terrascópio veio 13 anos atrás, quando ele estava estudando um raro fenômeno atmosférico chamado green flash (flash verde, em português), que aparece exatamente quando o Sol se põe abaixo do horizonte, quando a refração e a dispersão na atmosfera trabalham juntas para selecionar momentaneamente o verde da luz do Sol. Ele percebeu que, do ponto de vista do espaço, você poderia ver um anel verde inteiro, quando o Sol passasse por trás da Terra e sua luz fosse refratada pelo anel de ar em torno da circunferência do planeta.
Kipping também se inspirou na ideia de que o próprio Sol poderia ser usado como uma lente, com sua gravidade focalizando a luz em direção a um detector baseado no espaço. Essa lente solar ampliaria a luz 1 milhão de bilhão de vezes, potencialmente trazendo as superfícies de exoplanetas em vista. A ideia levou à missão Fast Outgoing Cyclopean Astronomical Lens, proposta pela Agência Espacial Europeia em 1993. Mas nunca ganhou força porque o detector teria de ser posicionado 550 vezes a distância entre a Terra e o Sol no espaço, quase 20 vezes mais distante do que Netuno – uma distância que exigiria um século para uma nave espacial alcançar.
Mas o Terrascópio poderia estar muito mais perto de casa, diz Kipping. Ele calculou que a luz superficial de um objeto diretamente atrás da Terra é desviada para um foco de 85% da distância até a lua. É provável que a luz que atinge esse ponto focal encontre nuvens e muita turbulência ao passar pela atmosfera inferior. Mas mova o detector a 1,5 milhão de quilômetros de distância, para um foco quatro vezes mais distante do que a lua, e ele experimentaria a luz que passou pela estratosfera muito mais calma e livre de nuvens a uma altitude de 13,7 quilômetros.
Um telescópio de 1 metro a essa distância, observando por uma noite inteira, veria um objeto impulsionado para 22.500 vezes seu brilho original, ele calcula – o equivalente ao uso de um telescópio de 150 metros. A poderosa amplificação do Terrascópio significa que ele se sobressairia na detecção de objetos muito tênues ou em mudanças mínimas no brilho, diz Kipping, permitindo que ele escaneie o céu em busca de asteroides muito pequenos e escuros ou meça as pequenas quedas de brilho à medida que pequenos exoplanetas passam na frente de estrelas brilhantes.
Para evitar que seja ofuscado pelo disco brilhante da Terra, o telescópio precisaria de uma máscara, conhecida como coronógrafo, para bloqueá-lo. Kipping também diz que ele ainda não levou em conta o impacto do “airglow”, uma luz fraca emitida na atmosfera superior por luminescência e outros processos. Mas ele observa que o brilho poderia ser removido com filtros ou digitalmente, aproveitando o fato de que é constante, enquanto objetos de interesse estão mudando constantemente. O conceito do Terrascópio poderia ser testado, diz ele, com uma missão CubeSat.
Kenworthy diz que a variabilidade da atmosfera poderia degradar seriamente a qualidade da imagem do Terrascópio. Para avaliar o impacto, ele diz: “O próximo passo seria traçar raios com um modelo realista da atmosfera da Terra”. Idealmente, a lente gigante deveria focar a luz em um ponto. “Na realidade, você provavelmente teria um padrão de bolhas”.
Macintosh concorda. “A atmosfera da Terra é uma lente bonita, mas não é a ideal, porque produz imagens muito borradas”, diz ele. Mas ele poderia encontrar uma função ao estudar mudanças de brilho em objetos muito tênues, ao explorar sua função como um enorme “balde de luz”.
De qualquer forma, Kipping tem astrônomos falando sobre a ideia. “Eu não lançaria um satélite com base apenas nesse paper”, diz Kenworthy. “Mas é um excelente primeiro passo”.

Créditos: Universo Racionalista

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Robô humanóide será lançado ao espaço nesta semana


A agência espacial russa Roscosmos vai enviar um robô humanóide até a Estação Espacial Internacional (ISS) na próxima quinta-feira, (22). Chamado de Skybot F-850, o andróide irá voar junto da nave Soyuz MS-14 e passará mais de duas semanas no espaço, com retorno marcado para o dia 7 de setembro.
Segundo a Roscosmos, o robô será transferido para a parte russa da ISS, onde será conduzido pelo astronauta Alexander Skvortsov. “Será um vôo único pois, pela primeira vez, um robô irá sentar no assento do comandante, e não no compartimento de carga”, escreveu a agência espacial russa, em comunicado.
O humanóide eletrônico é uma versão aprimorada de outro equipamento criado em 2016, no projeto Final Experimental Demonstration Object Research (FEDOR). Em 2017, foi divulgado um vídeo do robô praticando tiro ao alvo e até mesmo dirigindo um carro.
O diretor geral na Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse na época que eles não estavam “criando um exterminador, mas uma inteligência artificial que será de grande significado em vários campos”. Um dos objetivos do robô será fazer testes antes de novas missões tripuladas à Lua.
O equipamento poderá ainda gravar o lançamento e sua estada na ISS. Além de ter equilíbrio e conseguir fazer tarefas motoras, movendo objetos, o robô pode funcionar em “modo avatar”, o que permite que ele seja comandado por um operador para fins científicos. “Esse lançamento será a primeira fase do trabalho com sistemas antropomórficos, permitindo-nos investigar mais longe no espaço”, disse Skvortsov.

Créditos: Galileu

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Cabo preso em asteróide pode estilingar naves espaciais

Um veículo espacial é conectado a um cabo de 100 quilômetros de comprimento, ancorado em um asteróide. Preso por esse cabo espacial, o veículo pode ter sua trajetória direcionada para seu objetivo.
A energia ganha durante o processo de rotação, até o momento em que a nave finalmente se desconecta, pode não apenas impulsioná-la em outra direção sem gastar combustível, mas até mesmo permitir que ela se lance além do Sistema Solar.
A idéia é de Alessandra Ferraz Ferreira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Guaratinguetá, que ganhou o prêmio de projeto mais inovador durante uma conferência realizada na Espanha.
E Alessandra não estava sozinha: Foram mais de 70 trabalhos apresentados sobre o mesmo tema durante Sexta Conferência Internacional sobre Cabos Espaciais, realizada pela Universidade Carlos III, em Madri, na Espanha.
Usar um corpo celeste para acelerar uma nave é algo corriqueiro, com várias naves já tendo usado a chamada "assistência gravitacional", em que a nave passa de raspão por um planeta ou lua, sendo acelerada por sua gravidade.
A manobra proposta por Alessandra é conhecida como "manobra com estilingue com cabo", ou TSSM (Tethered Slingshot Maneuver), e visa aproveitar corpos menores, como asteroides ou mesmo cometas, que receberiam um cabo rígido - a rigor, uma haste muito fina - com 100 quilômetros de comprimento.
"A idéia é fixar uma das pontas de um cabo na superfície de um corpo, como um asteróide, e na outra extremidade ter um dispositivo de recebimento. Então lança-se, por exemplo, um satélite ou outro objeto na direção desse corpo e, quando chegar à posição em que está o dispositivo de recebimento, ele se conecta. A velocidade com que o objeto chega obriga o cabo a fazer uma rotação, gerando um efeito similar ao que temos se girarmos uma pedra amarrada em um barbante," explicou Alessandra.
Depois de impulsionado, o veículo se desconectaria e teria a rota alterada em relação àquela em que foi lançado. "O cabo substitui o efeito que a gravidade teria se aquele fosse um corpo maior, como um planeta, o que também acaba economizando combustível," explicou a pesquisadora.
Os dados indicam que a nave precisaria chegar ao dispositivo de recebimento no asteróide a 68,7 quilômetros por segundo (km/s) - o equivalente a 247.320 quilômetros por hora (km/h) - para se conectar ao cabo, obter o impulso desejado e, então, maximizar o ganho de energia. Isso ocorreria com inclinação da órbita próxima ao plano.
A equipe também analisou outros cenários: No caso de se aproximar a 7,7 km/s (27.720 km/h), por exemplo, a nave teria um ganho de energia mínimo; por volta dos 15 km/s (54.000 km/h), ela seria capturada pela órbita do asteroide, gravitando em torno dele indefinidamente.
"Todos esses cenários precisam ser previstos. Servem, inclusive, para outros fins como, por exemplo, se o objetivo for enviar um satélite para orbitar o asteroide," disse Alessandra.
Além disso, o cabo pode também desviar o veículo espacial da sua rota, naturalmente elíptica. Em vez de orbitar indefinidamente em torno do Sol, ao ser preso ao cabo ele passaria a traçar uma rota hiperbólica, pela qual sairia completamente do Sistema Solar.
O conceito de ancorar objetos em um corpo celeste data de 1895, quando o russo Konstantin Tsiolkovsky (1857-1935) descreveu um elevador espacial, composto por um cabo que levaria cargas para uma estação fora da atmosfera terrestre. A ideia nunca foi testada porque ainda não existem materiais fortes o suficiente: o elevador colapsaria sobre o peso do próprio material antes de alcançar a altitude necessária.
Mas cabos menores já foram usados pela NASA, em missões desde a Gemini 11, lançada em 1967, com cabos espaciais entre 20 m e 1 km. Um muito maior, com 19,6 km de extensão, foi lançado por um ônibus espacial em 1996 a bordo do TTS (Tethered Satellite System), mas um arco voltaico atribuído a uma falha de isolamento fritou o cabo e o satélite foi perdido.
Ou seja, cabos espaciais na escala proposta por Alessandra também não foram ainda testados. Tampouco se sabe como fixar um desses em um asteroide, nem o método e os materiais para a fabricação do cabo e do dispositivo de acoplamento. O objetivo do estudo feito pelos cientistas brasileiros foi estabelecer os parâmetros para que uma manobra do tipo possa ser feita em um cenário em que todas essas questões de engenharia já estiverem resolvidas.
"Usamos como base um sistema de asteroides genérico, mas baseado em dados de um sistema existente. Calculamos os dados de aproximação do satélite a partir dos parâmetros desse sistema. Bastaria alterá-los para os de uma condição real para aplicá-los," disse Alessandra.
O sistema de asteróides usado como referência foi o 99942 Apophis, que muitos temem que possa destruir satélites em 2029 ao passar raspando pela Terra.

Créditos: Inovação Tecnológica

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Israel lançará satélite para estudar cantos escondidos do Universo

O Instituto Weizmann de Ciência e a Agência Espacial de Israel (ISA) vão unir esforços para desenvolver um novo pequeno satélite, que será capaz de operar na faixa de radiação ultravioleta, informa o jornal The Times of Israel.
O novo satélite deverá ser lançado em 2023, sendo destinado ao estudo das explosões cósmicas e dos buracos negros.
Israel observa o lançamento de um satélite da próxima geração para estudar o Universo na nova faixa de luz.
A cápsula espacial, chamada ULTRASAT (Ultraviolet Transient Astronomy Sattelite), pesará 160 quilogramas e levará um telescópio, "desenvolvido para observar o Universo como nunca foi visto antes", segundo a declaração dos desenvolvedores.
Como muitos dos processos ocorrem na faixa de luz ultravioleta, com uma grande quantidade de objetos espaciais também a emitindo, um satélite operando em tais condições será especialmente útil, acreditam os pesquisadores.
O chefe da Agência Espacial de Israel, Avi Balsberger, elogiou o empreendimento, sublinhando que o ULTRASAT, desenvolvido e construído em Israel, vai pôr o país e a comunidade científica israelense "na frente do movimento global para explorar o Universo com pequenos satélites acessíveis", disse ele na declaração.
Tanto Israel, como os EUA, a Rússia e a China, possuem tecnologias avançadas de exploração do espaço, sendo concorrentes entre si. Em abril, a empresa israelense SpaceIL com apoio do Estado e do consórcio militar Israel Aerospace Industries, lançou a primeira sonda Beresheet em direção à Lua. A sonda percorreu mais de 6,5 milhões de quilômetros, alcançou a órbita lunar e se acidentou em abril, durante a realização da última etapa da missão, devido a problemas técnicos durante o pouso.
Graças ao voo da Beresheet, Israel se tornou o sétimo país no mundo a alcançar a órbita da Lua.

Créditos: Sputnik

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Índia lança missão para confirmar gelo no polo sul da Lua

A agência espacial indiana (ISRO) lançou com sucesso o foguete Mk-III, levando a bordo a missão Chandrayaan 2 (Veículo Lunar 2).
Será a primeira missão a pousar em um dos locais considerados mais promissores para uma base espacial na Lua, o Polo Sul do satélite, onde o frio e a escuridão das crateras criam condições para a existência de gelo de água.
Em vez de um voo direto, como feito pelas naves da missão Apolo, a nave indiana ficará circulando a Terra em órbitas cada vez mais abertas, até ser capturada pela gravidade da Lua, quando então iniciará uma série de órbitas "de descida" em direção ao seu destino.
Assim, em vez de três ou quatro dias de viagem, a Chandrayaan 2 levará cerca de seis semanas, devendo chegar à Lua em 7 de Setembro.
A grande vantagem é que isso permitiu o projeto de uma missão completa pesando menos de 2,5 toneladas, dispensando a grande quantidade de combustível que seria necessária para frear uma nave chegando em velocidade mais alta.
A missão envolve três veículos: um orbitador, um veículo de pouso, chamado Vikram (sobrenome do fundador da ISRO), pesando 1.471 kg, e um pequeno rover, chamado Pragyan (sabedoria), de 27 kg.
A expectativa é que o robô ande pelo menos 500 metros durante 14 dias.
Os experimentos do módulo de pouso e do robô incluem um estudo detalhado da topografia, sismografia, identificação de minerais e sua distribuição, composição química da superfície lunar, características termofísicas do solo superficial e composição da atmosfera lunar.
Os resultados mais esperados sem dúvida são os da área de mineralogia, que incluirão a eventual confirmação da presença de gelo de água no polo sul da Lua.
Os instrumentos científicos do orbitador, que deverá funcionar por pelo menos um ano, realizarão observações de sensoriamento remoto a partir de uma órbita de 100 km de altitude.

Créditos: Inovação Tecnológica

segunda-feira, 15 de julho de 2019

NASA lançará drone para procurar sinais de vida na lua Titã

A NASA anunciou uma muito esperada missão para explorar Titã, a lua de Saturno que é a única do Sistema Solar que possui uma atmosfera significativa.
Sua superfície é formada por hidrocarbonetos gelados, com imensos mares de metano - condições chamadas de pré-bióticas, pois são semelhantes às da Terra em tempos primordiais.
Supõe-se que, centenas de quilômetros abaixo da capa gelada de hidrocarboneto, haja oceanos líquidos. Se esses ambientes (hidrocarbonetos e água) interagirem na presença de energia geotérmica, haveria condições teóricas de geração de formas rudimentares de vida (microrganismos) - a temperatura média na superfície fica por volta dos -180º C.
Já pousamos em Titã antes, com o módulo Huygens, da missão Cassini-Huygens, que estudou o sistema de Saturno durante 13 anos.
Mas foi uma missão curta, com poucas fotos e medições. Por isso, a próxima missão usará uma sonda robótica bem mais versátil e capaz de visitar múltiplos locais.
A missão Dragonfly (libélula, em português) anunciada agora será realizada por um drone de oito rotores alimentado por energia atômica.
O drone venceu a proposta de enviar um submarino a Titã porque é mais seguro estabelecer contato com ele e o conhecimento sobre as partes eventualmente líquidas da lua ainda é muito limitado.
Um robô voador parece promissor porque a atmosfera de Titã é densa, mais do que a da Terra, e a gravidade é muito baixa, menor do que a da Lua. O programa inicial prevê uma missão de 2 anos e 8 meses, período no qual o robô poderia percorrer 175 quilômetros em uma série de "saltos", com voos de até 8 quilômetros de distância.
Essa é a grande vantagem de um robô voador, em comparação com um robô com rodas - 175 km é mais do que o dobro da distância percorrida por todos os robôs marcianos somados. A idéia é dar um salto a cada dia de Titã, que corresponde a 16 dias da Terra.
A exploração começará na região equatorial conhecida como Shangri-La, uma série de dunas que lembram as dunas dos desertos da Namíbia, na África, onde será fácil e seguro visitar vários locais para coleta e análise de amostras.
Outros locais poderão ser selecionados quando a missão estiver operando, mas o plano é alcançar a cratera de impacto Selk, onde há indícios de ter havido água líquida no passado e produtos orgânicos, as moléculas complexas que contêm carbono, combinadas com hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Se houver energia disponível, essa é a receita ideal para a formação da vida como a conhecemos.
Se não houver atrasos, o drone Dragonfly será lançado em 2026 e chegará a Titã em 2034 - Saturno está a 1,4 bilhão de quilômetros do Sol, o que é 10 vezes mais do que a distância do Sol à Terra.
Essa distância também implica que não dá para usar painéis solares. Em vez disso, o drone usará um gerador termoelétrico de radioisótopos, do mesmo tipo usado pelo robô marciano Curiosity. Os voos, a transmissão de dados e a maioria das operações científicas serão planejadas durante as horas do dia em Titã (oito dias terrestres), dando ao helicóptero muito tempo durante a noite de Titã para recarregar suas baterias.

Créditos: Inovação Tecnológica

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Três naves ficarão de guarda vigiando cometa desconhecido

Agora que você já sabe quase tudo sobre defesa planetária, é tranquilizador acrescentar que não estamos parados, reforçando essas defesas continuamente.
A Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Japonesa (JAXA) acabam de aprovar a missão "Interceptador de Cometas" (Comet Interceptor), passando o projeto para a fase de detalhamento, prévio ao início da construção das naves.
O objetivo é investigar cometas ou outros objetos interestelares desconhecidos que se aproximem do Sol pela primeira vez, a exemplo do 'Oumuamua, que alguns cientistas desconfiaram que fosse uma sonda alienígena.
Se esses objetos desconhecidos calharem de vir em direção à Terra, haverá então tempo suficiente para nos prepararmos.
Mesmo se não for esse o caso, a missão estará preparada para dirigir-se rapidamente até o corpo celeste e estudá-lo em detalhes. Projetar, construir e lançar uma sonda espacial leva anos, o que significa que o corpo celeste já teria seguido seu caminho, afastando-se de nós.
E, ao contrário da sonda Rosetta, que estudou o cometa 67P, será possível estudar objetos ainda não afetados pela proximidade do Sol, o que altera drasticamente não apenas sua superfície, mas também seu interior. A expectativa é que isso melhore nossa compreensão das origens do nosso Sistema Solar e do universo mais amplo.
A missão Interceptador de Cometas consistirá em três naves em uma, que ficarão estacionadas no ponto de Lagrange Sol-Terra L2, cerca de 1,5 milhão de quilômetros "atrás" da Terra - considerando a Terra vista do Sol.
Depois que a sonda chegar em L2, a nave principal (A), que funcionará como o central de comunicações, e as duas subnaves (B1 e B2), ficarão de prontidão à espera de um cometa desconhecido ou outro corpo celeste alienígena.
Uma vez que um alvo adequado seja localizado usando telescópios baseados na Terra, as três naves se dirigirão a ele. Pouco antes de chegar ao cometa, as três sondas espaciais se separarão e, juntas, caracterizarão a composição da superfície, a forma, a estrutura e os gases liberados pelo cometa, tudo de diversos pontos de vista.
O novo LSST (Telescópio de Levantamento Sinóptico Grande), atualmente em construção no Chile, deverá dar uma contribuição importante ao projeto, uma vez que ele fará a varredura de todo o céu visível a cada poucas noites e deverá descobrir cometas vindos do Sistema Solar externo a distâncias muito maiores do que os telescópios atuais são capazes.
A missão Interceptador de Cometas deverá ser lançada em 2028.

Créditos: Inovação Tecnológica

domingo, 23 de junho de 2019

Telescópio espacial eRosita vai mapear céu inteiro em raios X

Se tudo correr como previsto, um foguete Proton M partirá nesta sexta-feira do espaçoporto de Baikonur, na Rússia, levando ao espaço o telescópio eRosita.
O observatório espacial alemão tem como principal objetivo mapear o céu inteiro na faixa média de raios X, o que inclui energias de até 10 KeV.
"A resolução espectral e espacial sem precedentes [do eRosita] nos permitirá estudar a distribuição de enormes aglomerados de galáxias e descobrir mais sobre a misteriosa energia escura," disse Peter Predehl, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre.
As emissões de raios X dos aglomerados de galáxias fornecem insights sobre como o universo está se expandindo, uma expansão que está se acelerando graças ao que se convencionou chamar de "energia escura", pelo fato de não sabermos do que se trata.
Os raios X também fornecem informações sobre a proporção de matéria visível do Universo - cerca de 4% do total -, bem como sobre as flutuações que provavelmente ocorreram imediatamente após o Big Bang. As pequenas flutuações no vácuo quântico que prevaleciam naquela época parecem estar por trás da origem dos aglomerados de galáxias e de toda a arquitetura do cosmos.
O telescópio eRosita deverá observar cerca de 100.000 aglomerados galácticos, com uma atenção especial no meio intergaláctico - os espaços entre as galáxias. Em grande escala, esse meio apresenta "fios de matéria" que dão ao cosmos a estrutura de uma rede, com os aglomerados de galáxias se organizando nos nós dessa rede.
Os astrônomos também esperam que o telescópio de raios X detecte milhões de núcleos galácticos ativos, contendo buracos negros maciços.
Dentro da nossa Via Láctea, o eRosita deverá revelar muitas fontes de raios X, incluindo estrelas duplas e restos de explosões estelares, as supernovas. Objetos raros, como estrelas de nêutrons isoladas, também estão no plano de observação.
Os raios X não podem ser coletados e focalizados com espelhos parabólicos normais, como os usados nos telescópios ópticos, porque os fótons de raios X têm uma energia muito elevada - ao chegar ao espelho, eles são transmitidos ou absorvidos, mas não refletidos. Para refleti-los a partir de uma superfície espelhada, os raios devem entrar no coletor em um ângulo muito baixo.
O eRosita é de um tipo conhecido como telescópio Wolter, no qual longos tubos reúnem os espelhos para aumentar o número de fótons coletados. O eRosita consiste em sete módulos espelhados idênticos, cada um com 54 conchas espelhadas aninhadas. Essas conchas são extremamente lisas e banhados a ouro para alcançar a refletividade necessária. No foco de cada módulo de espelho há uma câmera de raios X, CCDs especiais que funcionam abaixo dos 90º C para eliminar o ruído ao máximo.
Ao contrário do seu antecessor, o Rosat, que reentrou na atmosfera em 2011, depois de 21 anos no espaço, o eRosita não irá circular em órbita da Terra. Ele ficará estacionado a 1,5 milhão de km de distância, no ponto de libração Lagrange 2.
Assim, o telescópio não permanecerá estacionário, circunavegando este ponto em uma órbita estendida. Uma das vantagens é que o telescópio mantém sua orientação em relação ao Sol e à Terra, simplificando muito sua blindagem da radiação solar.
A missão eRosita deve durar cerca de sete anos.

Créditos: Inovação Tecnológica