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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Se não fosse por Júpiter, Vênus poderia ser um planeta habitável


Vênus é um planeta inóspito, conhecido por ter nuvens ácidas e paisagens desérticas. Mas uma nova pesquisa sugere que o planeta poderia ter sido muito diferente em outras condições. Segundo o estudo, se não fosse pelo planeta Júpiter, Vênus poderia ser habitável.

O novo estudo propõe que a atração gravitacional de Júpiter “empurrou” Vênus para mais perto do Sol. Por causa das temperaturas extremas, os oceanos seriam vaporizados. Além disso, um efeito estufa descontrolado não permitiria a vida. Mas no passado Vênus poderia ter sido um planeta habitável.

Usando um modelo computacional para rastrear a posição dos planetas no Sistema Solar, os cientistas viram algo que chamou a atenção: ao se afastar do Sol cerca de um bilhão de anos atrás, Júpiter levaria Vênus à sua mesma órbita de hoje, quase perfeitamente.

A órbita circular de Vênus é bastante incomum, pois a maioria dos planetas tem uma órbita mais elíptica. Isso significa que as distâncias dos planetas ao Sol costumam variar mais ao longo do ano. Mas isso não ocorre com Vênus, o que é motivo de mistério.

O astrobiólogo Stephen Kane, da Universidade da Califórnia, em Riverside, explicou a idéia que o estudo sugere.

“Com a migração de Júpiter, Vênus passaria por mudanças dramáticas no clima, esquentando, esfriando e perdendo cada vez mais a água da sua atmosfera.” – Stephen Kane.

Júpiter é um planeta enorme: possui uma massa 2,5 vezes maior que a de todos os outros planetas do Sistema Solar combinados. Portanto, a formação de Júpiter e seu movimento ao redor do Sol provavelmente exerceram um papel muito importante na história do sistema solar.

No entanto, os cientistas já sugeriram no passado que Vênus foi habitável em algum momento de sua história. Apesar disso, as suposições se baseiam em vários modelos computacionais, em vez de evidências sólidas encontradas no próprio planeta.

De acordo com os pesquisadores, tudo isso envolve uma matemática incrivelmente complicada e muitas suposições. Ainda existem muitas questões pendentes sobre Vênus, mas o novo estudo mostra que o movimento de Júpiter certamente teria o potencial de impactar na órbita do planeta. Isso, por sua vez, pode ter trazido consequências drásticas para o clima do planeta.

“Eu foco nas diferenças entre Vênus e a Terra, e no que deu errado com Vênus, para que possamos guiar o nosso planeta da melhor maneira.” – Stephen Kane.

A importância do estudo está no fato de que Vênus é muito parecido com a Terra em vários aspectos como tamanho, densidade e composição. Se os cientistas revelarem o que aconteceu com o planeta no passado, poderemos ter uma idéia de como impedir que o mesmo aconteça à Terra.

Créditos: SoCientífica

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O que é a fosfina, o gás encontrado no planeta Vênus?


O que é essa tal fosfina e por que ela indica a possível existência de vida?

Para realizar a detecção, os cientistas utilizaram o telescópio americano James Clark Maxwell, localizado no Havaí, e Atacama Large Millimeter Array (ALMA), que fica no Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.

Nos resultados da pesquisa, publicados na revista Nature Astronomy, os cientistas explicam os detalhes da detecção. No entanto, eles não buscavam exatamente pela fosfina.

“Esta foi uma experiência feita por pura curiosidade, aproveitando a poderosa tecnologia do JCMT, e pensando em instrumentos futuros”, explica em um comunicado Jane Greaves, autora principal.

“Pensei que seríamos capazes de descartar cenários extremos, como as nuvens sendo recheadas de organismos. Quando tivemos os primeiros indícios de fosfina no espectro de Vênus, foi um choque!”, conta.

Fosfina é um nome mais simples para hidreto de fósforo. Trata-se, em temperaturas acima de -88°C, de um gás. Como o próprio nome sugere, portanto, é composto por fósforo e hidrogênio (PH3).

Aqui na Terra, ela possui algumas aplicações. Por exemplo, na forma de pastilhas, serve como agrotóxico, principalmente no papel de evitar pragas durante a armazenagem e estoque de grãos. No entanto, o papel da fosfina vai muito além de um gás incolor, fedido e tóxico. Para a ciência seu papel é bastante importante. E os cientistas já sabiam que ela poderia ser um marcador de vida.

Nem todo ser vivo respira, embora a maior parte dos que podemos ver o façam. Muito microorganismos são anaeróbicos, ou seja, não precisam do oxigênio para sobreviver. Além disso, para alguns deles, inclusive, o oxigênio pode ser tóxico.

O principal papel do oxigênio para nós é na obtenção de energia. Os seres anaeróbios, no entanto, fazem isso através do Sol, do açúcar ou de meios geológicos. As bactérias que fermentam, por exemplo, são anaeróbicas. Aqui na Terra, a fosfina é liberada exatamente por esses seres anaeróbicos. Esse processo ocorre na decomposição da matéria orgânica. Os microrganismos transformam o fosfato (P04) em fosfina (PH3).

Ela é, portanto, uma ótima bioassinatura para a vida microbiana. Embora seja principalmente resultado da fermentação e decomposição, não é gerada apenas por meios biológicos. 

Em 2009 um estudo publicado no periódico Icarus já descreveu a existência de fosfina nas nuvens de Júpiter e de Saturno. No entanto, para a produção da fosfina é necessária uma grande quantidade de energia.

Você se lembra da grande mancha de Júpiter? Essa mancha é uma tempestade muito maior do que a própria Terra. Então podemos afirmar que energia nas nuvens jupiterianas é o que não falta.

No entanto, já que para a fosfina ser criada por meios não biológicos é necessária uma quantidade tão grande de energia, deve ser difícil encontrá-la pelo universo, correto? Sim. É exatamente por isso que no final de janeiro de 2020, em um estudo na revista Astrobiology, propuseram a fosfina como uma forma de bioassinatura, ou seja, uma evidência molecular que somente a vida poderia gerar.

Agora, os cientistas acabaram de detectá-la em Vênus. A vida nas nuvens do planeta já eram cogitadas. Agora resta confirmar a origem do gás.

Créditos: SoCientífica

Existe vida flutuando nas nuvens de Vênus?


Pesquisadores estão considerando a existência de vida em Vênus, organismos vivendo na atmosfera que poderiam explicar a existência deste gás aparentemente inexplicável.

O gás é composto por três átomos de hidrogênio e um de fósforo, chamado fosfina (de fórmula química PH3).

Em nosso planeta a fosfina é produzida em ambientes como pântanos, que possuem pouco oxigênio ou no intestino de animais como pinguins por microorganismos.

Essa é a questão que Jane Greaves, professora da Universidade de Cardiff no País de Gales, e seus colegas querem responder.

A equipe publicou um artigo científico na revista Nature Astronomy esmiuçando sua descoberta e as possíveis explicações para uma origem natural, mas que não envolva vida, para a formação do gás.

No entanto a equipe está boquiaberta com as observações. Uma fonte biológica como origem do gás deve ser considerada já que é difícil de explicar de outra maneira a presença da fosfina.

“Durante toda a minha carreira, estive interessado na busca de vida em outras partes do Universo, então estou simplesmente maravilhado com o fato de que isso é possível. Mas, sim, estamos genuinamente encorajando outras pessoas a nos dizer o que pode ter passado despercebido. Nossos artigos e dados são de acesso aberto; é assim que a ciência funciona.”

Foram usados dois instrumentos, um para detectar a presença da fosfina em Vênus e outro para confirmar a descoberta: Telescópio James Clerk Maxwell, localizado no Havaí e o ALMA, no Chile.

A concentração do gás na atmosfera de Vênus fica entre 10 a 20 partes por bilhão — relativamente baixa — e fica entre 50 a 60km de altitude. Mas em contexto planetário é muita fosfina.

Vênus é um dos planetas mais inóspitos do Sistema Solar para a vida como conhecemos na Terra. A maior parte do ar é feito de dióxido de carbono e sua superfície esta a escaldantes 461 ºC, em média.

Qualquer coisa que enviemos para lá não consegue funcionar por mais do que minutos. A 50km de altitude as temperaturas são bem mais frescas e seria mais fácil encontrar vida nesta altitude, se ela realmente existir.

As nuvens de Vênus são compostas em média de 85% de ácido sulfúrico, o que mataria praticamente todos os organismos vivos que conhecemos, com exceção de alguns extremófilos.

A equipe analisou inúmeras combinações de compostos que poderiam ser responsáveis em Vênus para a formação da fosfina. Tanto os meteoritos, raios e vulcões são dez mil vezes mais fracos do que a quantidade de PH3 encontrado no planeta.

Se a fosfina realmente foi produzida por vida biológica ela é muito diferente do que conhecemos para sobreviver ao ácido sulfúrico das grossas nuvens.

O bioquímico William Bains, do MIT (EUA), o membro da equipe que fez as análises, disse que as bactérias deveriam ter uma espécie de concha “mais resistente do que o Teflon” que se fecha totalmente. “Mas como se alimentam? Como trocam gases? É um verdadeiro paradoxo”, disse o cientista a BBC.

Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que não afirmam ter descoberto vida em Vênus, mas que a investigação deveria ser aprofundada.

“Se a vida pode sobreviver nas camadas superiores das nuvens de Vênus – isso é muito esclarecedor, porque significa que talvez a vida seja muito comum em nossa galáxia como um todo. Talvez a vida não precise de planetas muito parecidos com a Terra e possa sobreviver em outros, planetas como Vênus terrivelmente quentes na Via Láctea.”Dr. Lewis Dartnell, astrobiólogo da Universidade de Westminster, Londres.

A NASA já encomendou projetos preliminares de uma possível sonda a ser enviada para Vênus nas próximas décadas. Algumas propostas envolvem balões com sensores ou robôs voadores que possam estudar a atmosfera do planeta em detalhes.

Créditos: Hypescience

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Viagem a Marte: quanto tempo leva para chegar lá?

A busca por vida fora do Planeta Terra é algo que já vem sendo debatido desde muito tempo atrás. No entanto, com os avanços da tecnologia, a hora para embarcar em uma aventura rumo ao planeta vermelho pode estar mais próximo do que imaginamos. Há pouco tempo foi enviado uma sonda até Marte, para que pudesse ser avaliado, de forma ampliada, toda a atmosfera do local. Até o momento, a NASA planeja fazer uma viagem a Marte, com tripulação à borda, apenas em 2030.

Além dos Estados Unidos, diversos outros países desenvolvidos como a Rússia, China e Emirados Árabes Unidos e Europa, entraram na competição para enviar pessoas até o solo marciano. Além desses vários países, existe também uma empresa privada, a SpaceX do Elon Musk, que pretende lançar uma viagem a Marte, com uma tripulação de humanos, até meados de 2024.

Em suas projeções, até o final do século 21, Musk busca a implementação de uma cidade em solo marciano que venha a suportar em média, 1 milhão de pessoas. No entanto, mesmo sendo Vênus o planeta mais próximo à Terra, é o solo marciano que atrai mais o olhar e a curiosidade de cientistas e pesquisadores, são as características e a falta delas, que rodeiam esse planeta, que o faz tão fascinante.

Como já mencionado, Marte é o planeta que está após a Terra, mesmo que seja Vênus o mais próximo, é o solo marciano que pode receber, dentro de alguns anos, uma tripulação humana. A distância que separa o planeta vermelho do Sol é de, aproximadamente, 220 milhões de quilômetros. Enquanto a Terra fica localizada a uma distância de 150 milhões de quilômetros do Astro Rei, o Sol. Assim, a distância que separa à Terra de Marte é de 70 milhões de quilômetros.

Infelizmente, ambos os planetas possuem o seu próprio sistema de rotação o que fazem eles estarem distantes seguindo cada uma de suas órbitas. Assim, as órbitas do sistema solar são elípticas, não circulares, o que dificulta um pouco mais uma rota em linha reta desses dois planetas à uma curta distância.

Por causa dessa constante movimentação, fica complicado para os cientistas calcularem a média exata de uma rota da Terra, para Marte. Nosso planeta demora 1 ano para completar uma volta ao redor do Sol, enquanto o planeta vermelho leva 1,9 anos. Lançar qualquer objeto até Marte é como atirar em um alvo em movimento. No entanto, se não fosse essa diferença entre as rotações dos planetas, a viagem de um para o outro levaria somente 39 dias, em uma nave veloz como a New Horizons.

Além da distância, a velocidade da nave é um outro fator chave para que possa ser planejado uma viagem a Marte. Caso já tenha sido inventado tecnologia que imite a velocidade da luz até 2030, essa ponte entre os 2 planetas iria durar somente, 22 minutos. Mas, como ainda não existe, a rota leva cerca de 260 dias. Uma sonda enviada em 1964 para Marte, a Mariner 4, demorou 228 dias. Enquanto a Viking 1 e 2 chegaram após 304 e 333 dias, e a Curiosity, em 254 dias.

Créditos: SoCientífica

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Marte pode ter sido coberto de gelo, mostra novo estudo

Em uma pesquisa recente, cientistas descobriram evidências de que Marte pode ter sido, no passado, coberto de gelo. Isso vai contra nossas hipóteses de que ele foi um paraíso para a existência de vida, como a Terra.
Marte é um dos locais onde mais procuramos por evidências de vida. Há mais de um século esse sonho surgiu, e há décadas uma das principais missões de grande parte dos rovers em Marte é procurar por evidências de vida.
A conclusão foi publicada em um artigo na revista Nature Geoscience, pelo trio formado por Anna Grau Galofre, A. Mark Jellinek, ambos da Universidade de British Columbia, no Canadá e Gordon R. Osinski da Universidade de Western Ontario.
Para chegar à conclusão de que Marte pode ter sido coberto de gelo, eles analisaram mais de 10 mil segmentos de vales no planeta vermelho. Eles foram inspirados pela Ilha Devon, no extremo-norte canadense, conforme o Space.com.
A Ilha Devon se localiza em uma região que já fica dentro do ártico, ou seja, do pólo norte. É considerada a ‘Marte terrestre’, e é utilizada até mesmo para treinamentos de astronautas e testes, por ser fria, seca e desértica, muito parecida com Marte.
Os pesquisadores afirmam que os vales em Marte podem ter sido formados de forma semelhante à formação dos vales na Ilha Devon, comparando com os 10 mil segmentos analisados, o que implicaria em uma cobertura de gelo no planeta.
Rios ou gelo?
“Nos últimos 40 anos, desde que os vales de Marte foram descobertos pela primeira vez, a suposição era de que rios já corriam em Marte, corroendo e originando todos esses vales”, diz Galofre em um comunicado.
Esses vales aos quais ela se refere são vales avistados por Giovanni Schiaparelli no final do século XIX. Ele pensou que fossem de origem geológica, causados por rios e canais.
Isso causou uma confusão em Percival Lowell, que pensou que a tradução da palavra italiana ‘canali’ fosse algum canal de origem humana. Ele passou a ser um defensor de que havia vida inteligente em Marte. Na segunda metade do século XIX descobrimos que Marte era, na verdade, deserto.
Interpretação errada?
As evidências, entretanto, ainda apontavam para a existência de canais e outros pontos que aproximam Marte de ter sido como a Terra. Agora, entretanto, eles propõem que esses canais foram causados por gelo, e não por água líquida.
“Mas existem centenas de vales em Marte, e eles parecem muito diferentes um do outro. Se você olha para a Terra a partir de um satélite, vê muitos vales”, conforme explica Galofre.
Sobre os vales, ela explica que “alguns deles [são] feitos por rios, outros feitos por geleiras, outros feitos por outros processos, e cada tipo tem uma forma distinta. Marte é semelhante, em que os vales parecem muito diferentes um do outro, sugerindo que muitos processos funcionavam para esculpi-los”.
Um dos processos é causado quando o gelo passa a derreter e a água passa a correr entre o gelo e o solo. Eles perceberam que 22 das 66 redes de vales parecem seguir o padrão dessa forma de erosão, e não por um rio correndo.
A pesquisa de Galofre e as suas ferramenta pode. ser útil para entender também a Terra. “O trabalho de Anna nos permitirá explorar o avanço e a retirada das calotas de gelo há pelo menos 35 milhões de anos atrás”, diz Jellinek.

Créditos: SoCientífica

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Vídeo mostra como a Terra não orbita exatamente o Sol

Todos sabem que o sistema solar tem, no seu centro, o Sol. Todos os planetas, uma camada de asteróides e cometas orbitam a estrela-mãe. Mas não é tão simples assim. Na realidade tudo que existe no sistema solar, inclusive o Sol, orbita um mesmo centro de massa.
Peraí?! O Sol orbita um centro de massa no sistema solar?
O centro de massa do sistema solar é conhecido como baricentro. Baricentro é o ponto de equilíbrio, o local em que toda a massa está distribuída de maneira uniforme ao seu redor. E, pasme, esse ponto não costuma estar alinhado com o centro do Sol.
O vídeo acima, criado por James O’Donoghue, cientista planetário da Agência espacial Japonesa, mostra o processo em que Saturno e Júpiter puxam o sol como se a estrela tivesse mini-órbitas em volta do baricentro.
Segundo O’Donoghue raramente orbitamos o Sol como pensamos.
Para fins didáticos, a animação acima mostra o movimento do Sol exagerado para ficar mais clara como a estrela faz mini-órbitas ao redor do baricentro. Ele circula a milhões de quilômetros em volta do baricentro, passando por cima dele às vezes.
Apesar de o Sol conter 99,8% da massa de todo o sistema solar Júpiter tem a maior parte dos 0,2% que restam e isso faz com que o Sol seja atraído suavemente. Ou seja, o Sol levemente orbita Júpiter.
A Terra e a Lua também tem o seu próprio baricentro, assim como qualquer outro planeta e sua(s) lua(s). Mas é uma órbita mais simples do que a do Sol, Júpiter e Saturno.
Portanto todo sistema planetário tem um ponto invisível que orbita, incluindo sua própria estrela central. E quando uma estrela observada “rebolando” muito é possível identificar que há um planeta, possivelmente massivo, em sua orbita. Inclusive é possível calcular sua massa. E dessa maneira foram descobertos muitos exoplanetas gigantes.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Local de pouso de rover da NASA pode conter sinais de vida fossilizados

Segundo um estudo recém-publicado, a cratera Jezero, que é a área determinada para o pouso e que tem 45 km de diâmetro, contém vastos depósitos de sílica hidratada e minerais carbonatos.
Pesquisadores agora acreditam que Jezero, outrora local de um lago há mais de 3,5 bilhões de anos, graças a seus suprimentos de carbonato, conteria estruturas que podem sobreviver por bilhões de anos, como conchas, corais e certos tipos de rochas formadas pela vida microbiana.
"Usando uma técnica que desenvolvemos que nos ajuda a encontrar fases minerais raras, difíceis de detectar em dados tirados de naves espaciais em órbita, encontramos dois afloramentos de sílica hidratada na cratera de Jezero", disse o autor principal do estudo, Jesse Tarnas, estudante de doutorado na Universidade Brown (EUA).
Essa fase mineral na Terra é excepcional na preservação de microfósseis e outras bioassinaturas – o que torna esses afloramentos alvos excitantes para o veículo explorar.
"O material que forma a camada inferior de um delta é, às vezes, o mais produtivo em termos de preservação das bioassinaturas. Então, se você conseguir encontrar essa camada de fundo e essa camada tiver muita sílica, isso é um bônus duplo", explicou o professor da Brown e coautor do estudo Jack Mustard.
Os dados sobre o local e o delta circundante, repleto de depósitos minerais, foram fornecidos pelas informações do Espectrômetro de Imagens de Reconhecimento Compacto para Marte (CRISM) que voa a bordo do Orbitador de Reconhecimento de Marte (MRO) da NASA.
O pouso do rover Mars está previsto para 18 de fevereiro de 2021, quando começará a coletar amostras de núcleos de rocha que serão depositadas em tubos de metal na superfície marciana, esperando para serem enviadas de volta à Terra para análise durante uma missão posterior.

Créditos: Sputnik

Mais um mistério em Marte: Oxigênio aparece e some sem explicações

Com o mistério do metano de Marte ainda sem solução à vista, o robô espacial Curiosity trouxe aos cientistas um novo enigma: o oxigênio marciano.
A informação veio com a medição dos níveis sazonais de todos os gases na atmosfera diretamente acima da superfície da Cratera Gale, onde está o Curiosity. O resultado é desconcertante.
Em Marte, o oxigênio, o gás que a maioria das criaturas da Terra usa para respirar, se comporta de uma maneira que até agora os cientistas não conseguem explicar através de nenhum processo químico conhecido.
Ao longo de três anos marcianos (quase seis anos da Terra), um instrumento do Curiosity, chamado SAM (Sample Analysis at Mars), inalou o ar da Cratera Gale e analisou sua composição.
Os resultados confirmaram a composição da atmosfera superficial marciana: 95% em volume de dióxido de carbono (CO2), 2,6% de nitrogênio molecular (N2), 1,9% de argônio (Ar), 0,16% de oxigênio molecular (O2), e 0,06% de monóxido de carbono (CO).
As medições também revelaram como as moléculas no ar marciano se misturam e circulam com as mudanças na pressão do ar ao longo do ano. Essas mudanças são induzidas quando o gás CO2 congela nos pólos no inverno, diminuindo a pressão do ar em todo o planeta após a redistribuição do ar para manter o equilíbrio da pressão. Quando o CO2 evapora na primavera e no verão e se mistura em Marte, a pressão do ar aumenta.
Nesse ambiente, os dados mostram que o nitrogênio e o argônio seguem um padrão sazonal previsível, com sua concentração aumentando e diminuindo ao longo do ano em relação à quantidade de CO2 existente no ar.
Os cientistas esperavam que o oxigênio seguisse o mesmo ritmo, mas não é isso o que acontece. Em vez disso, a quantidade de oxigênio no ar aumenta ao longo de toda a primavera e verão em até 30%, e depois volta aos níveis previstos pela química conhecida no outono. Esse padrão se repete a cada primavera, embora a quantidade de oxigênio adicionada à atmosfera varie, implicando que algo está produzindo o oxigênio e depois levando-o embora.
"A primeira vez que vimos isso, ficamos quebrando a cabeça," contou Sushil Atreya, professor de ciências climáticas e espaciais da Universidade de Michigan.
A equipe partiu em busca de possíveis explicações, começando por considerar a possibilidade de que moléculas de CO2 ou água (H2O) pudessem liberar oxigênio quando se separam na atmosfera, levando à breve elevação do oxigênio. Mas isso consumiria cinco vezes mais água do que a que existe na atmosfera de Marte, além do que o CO2 se decompõe muito lentamente para gerá-lo em tão pouco tempo. E quanto à diminuição do oxigênio? A radiação solar não poderia quebrar as moléculas de oxigênio em dois átomos, que então vazariam no espaço? Não, concluíram os cientistas, já que levaria pelo menos 10 anos para o oxigênio desaparecer por esse processo.
"Estamos nos debatendo para explicar isso," disse Melissa Trainer, cientista planetária do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA. "O fato de o comportamento do oxigênio não se repetir perfeitamente a cada estação nos faz pensar que não é um problema que tem a ver com a dinâmica atmosférica. Tem que ser uma fonte química e um sumidouro que ainda não podemos explicar".
A história do oxigênio é curiosamente semelhante ao mistério do metano de Marte. O metano está constantemente no ar dentro da Cratera Gale em quantidades tão pequenas (0,00000004% em média) que quase passa despercebido pelos instrumentos mais sensíveis já enviados à Marte. Embora o metano aumente e diminua sazonalmente, ele aumenta em abundância em cerca de 60% nos meses de verão por razões inexplicáveis - na verdade, o metano também dispara de forma aleatória e dramática, mas ninguém tem ainda alguma idéia do porquê.
Com as novas descobertas de oxigênio em mãos, a equipe da NASA se pergunta se uma química semelhante à que está gerando as variações sazonais naturais do metano também pode explicar as variações do oxigênio - os dois gases até flutuam em conjunto, mas apenas ocasionalmente.
"Estamos começando a ver essa correlação tentadora entre metano e oxigênio durante boa parte do ano em Marte," disse Atreya. "Acho que há algo aí. Ainda não tenho as respostas. Ninguém tem."
O oxigênio e o metano podem ser produzidos biologicamente (a partir de micróbios, por exemplo) e abioticamente (a partir de produtos químicos relacionados à água e às rochas). Os cientistas estão considerando todas as opções, embora não tenhamos nenhuma evidência convincente de atividade biológica em Marte.
O robô Curiosity não possui instrumentos que possam dizer definitivamente se a fonte de metano ou oxigênio em Marte é biológica ou geológica. Com os dados atuais, as explicações não biológicas são mais prováveis.

Créditos: Inovação Tecnológica

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Se prepare para evento astronômico que não voltará a se repetir até 2023

Na próxima segunda-feira (11), Mercúrio passará entre a Terra e o Sol e, desta forma, será protagonista de um raro evento astronômico que não se repetirá em 13 anos.
Durante o espetáculo, que durará cerca de cinco horas e meia, Mercúrio será visível como um ponto preto movendo-se em frente ao Sol. No entanto, o pequeno tamanho deste planeta torna impossível desfrutar do evento sem o uso de binóculos ou telescópios de filtro solar.
Entretanto, a empresa meteorológica AccuWeather detalhou que eventos como este ocorrem "aproximadamente 13 vezes a cada 100 anos" e indicou que o próximo só se registrará em 13 de novembro de 2032.
Neste ano, o fenômeno será observado em quase todos os lugares da América do Norte e do Sul, e também na Europa, África e Sudoeste Asiático.
"Da nossa perspectiva terrestre, só podemos ver como Mercúrio e Vênus passam em frente ao Sol, é por isso que é um evento raro que você não vai querer perder", proferiu a NASA em uma declaração.
Os especialistas recordam que a observação direta do Sol sem equipamento de proteção especial pode causar danos aos olhos, bem como levar à perda de visão.

Créditos: Sputnik News

sábado, 2 de novembro de 2019

Foto mostra turbulentas nuvens de Júpiter captadas pela NASA

A imagem captura padrões coloridos e intrincados em uma região de corrente de jato do hemisfério norte do planeta, também conhecida como Jet N3, segundo a revista Planeta.
​O que você vê nesta imagem do hemisfério norte de Júpiter? Estes são os padrões coloridos, realizados pelo cientista cidadão Gerald Eichstädt, em uma corrente de jato através dos dados da JunoCam, da nossa sonda espacial Juno.
Com base nos dados coletados pela sonda Juno, os cientistas teriam descoberto que a atmosfera de Júpiter possui faixas de turbilhão com uma profundidade de aproximadamente três mil quilômetros.
A imagem em cores foi criada pelo cientista amador Gerald Eichstadt utilizou os dados do gerador de imagens JunoCam da sonda, que havia captado a imagem a aproximadamente 9.700 quilômetros do topo das nuvens e a 35 graus norte de latitude.

Créditos: Sputnik

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Sonda da NASA encontra obstáculo e retrocede das profundezas de Marte

O dispositivo encarregado de escavação na superfície do planeta recuou subitamente a cerca de meio caminho após ter encontrado um obstáculo.
"Marte continua nos surpreendendo", escreveu a equipe do InSight da NASA em um tweet publicado no domingo (27).
Nas imagens é possível ver o progresso do módulo de pouso, mostrando a sonda de calor inexplicavelmente saltando do buraco.
​Marte continua nos surpreendendo. Enquanto escavava neste fim de semana, a toupeira voltou a cerca de metade do terreno. A avaliação preliminar aponta para propriedades inesperadas do solo como a principal razão. A equipe está estudando os próximos passos
Apelidado de "toupeira", o dispositivo deve atingir uma profundidade de 5 metros como parte da pesquisa sobre a formação de planetas rochosos como Marte.
A NASA disse que acredita que "propriedades inesperadas do solo" são a causa do frustrante revés.
A escavação começou em fevereiro, vários meses depois o módulo de pouso aterrissar no Planeta Vermelho em novembro de 2018.

Créditos: Sputnik

Antigo oásis é encontrado em Marte

Marte hoje é um planeta empoeirado, mas cientistas têm cada vez mais certeza de seu passado molhado.
Um novo estudo liderado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) descobriu rochas ricas em sais minerais na Cratera Gale, uma bacia marciana explorada pela sonda Curiosity, que podem indicar a presença de lagoas rasas com períodos de cheias e de secas, como um antigo oásis marciano.
Os depósitos são uma possível marca das flutuações climáticas ao longo de milhões de anos no ambiente do Planeta Vermelho, sinal do período em que ele estava se transformando no mundo seco que é atualmente.
Um dos objetivos dos cientistas é entender como ocorreu e quanto tempo durou essa transição climática marciana.
A Cratera Gale é provavelmente o resultado de um enorme impacto em Marte. Sedimentos transportados por água e pelo vento preencheram o chão da cratera camada por camada.
Esse incrível registro de sedimentos é um excelente campo de pesquisa para a sonda Curiosity. Cada camada revela um detalhe diferente e interessante da história marciana.
“Fomos à Cratera Gale porque ela preserva esse registro único de um planeta em mudança. Entender quando e como o clima de Marte começou a evoluir é uma peça de outro quebra-cabeça: quando e por quanto tempo Marte foi capaz de suportar a vida microbiana na sua superfície?”, explicou o principal autor do estudo, William Rapin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
Os cientistas encontraram os sais em uma seção da cratera com 150 metros de altura chamada de “Sutton Island”, que a sonda Curiosity examinou em 2017.
A equipe já sabia que a área tinha períodos secos e molhados intermitentes, mas os sais de Sutton sugerem que a água também era salgada. Se um lago seca completamente, ele deixa cristais de sal puro para trás. No caso de Sutton, ficaram sais minerais misturados com sedimentos, o que indica que eles se cristalizaram em um ambiente úmido.
Os pesquisadores comparam esse ambiente com os lagos salgados do Altiplano andino, na América do Sul. Córregos fluindo das montanhas para o platô árido de alta altitude formaram bacias fechadas, fortemente influenciadas pelo clima, provavelmente semelhantes às da antiga Cratera Gale.
“Durante períodos mais secos, os lagos do Altiplano se tornam mais rasos e alguns podem secar completamente. O fato de não possuírem vegetação até os faz parecer um pouco com Marte”, afirma Rapin.
Conforme a sonda Curiosity continua a investigar a paisagem marciana, os cientistas têm a chance de entender melhor o passado climático do planeta.
“Ao escalarmos o Monte Sharp, vemos uma tendência geral de uma paisagem úmida para uma mais seca”, disse Ashwin Vasavada, cientista da missão Curiosity, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena (EUA). “Mas essa tendência não ocorreu necessariamente de maneira linear. Mais provavelmente ocorreu de maneira confusa, incluindo períodos mais secos, como o que estamos vendo em Sutton Island, seguido por períodos mais úmidos, como o que estamos vendo na ‘clay-bearing unit’ que a Curiosity está explorando hoje”.
A sonda chegou a uma região nova chamada pelos pesquisadores de “unidade que contém argila”. Nessa área, a Curiosity se deparou com grandes estruturas rochosas que só poderiam ter se formado em um ambiente com bastante vento e/ou córregos.
“Encontrar tais camadas representa uma grande mudança, onde a paisagem não está mais completamente debaixo d’água. Podemos ter deixado para trás a era dos lagos profundos”, disse Chris Fedo, membro da equipe Curiosity e especialista no estudo de camadas sedimentares da Universidade do Tennessee (EUA).
O próximo passo da equipe é estudar melhor estas grandes estruturas rochosas para determinar se elas se formaram em condições secas que persistiram por um período maior de tempo, o que poderia significar que a região representa uma fase “intermediária” na história “molhada” da Cratera Gale.

Créditos: Hypescience

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Pesquisador declara estar convencido de que encontramos evidências de vida em Marte nos anos 1970

Na publicação Scientific American foi divulgado texto de Gilbert V. Levin, que participou de experimento de detecção de vida chamado Labeled Releasse (LR) na missão Viking da Nasa para Marte, em 1976. O autor da publicação é engenheiro, inventor e foi o principal pesquisador do experimento LR na década de 1970.
Os resultados iniciais enviados de Marte foram positivos. Duas sondas pousaram 6 mil quilômetros distantes uma da outra e enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis. Os dados indicaram a detecção de respiração microbiana. As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos da Terra.
Entretanto, quando o Experimento de Análise Molecular da Viking não detectou matéria orgânica, a NASA concluiu que o LR havia encontrado uma substância que apenas imitava a vida. Nos próximos 43 anos a NASA enviou missões a Marte para apenas identificar se lá havia habitat adequado à vida sem, no entanto, carregar instrumento de detecção de vida.
O administrador da NASA, Jim Bridenstine falou, em fevereiro deste ano, que poderia ser encontrada vida microbiana em Marte. A detecção de vida naquele planeta ganhou importância com a intenção, dos Estados Unidos, de enviar astronautas para lá, uma vez que a presença de vida pode ameaçar aqueles que forem enviados a Marte, e os que estão aqui, quando eles voltarem.
Embora possa parecer difícil ter vida em Marte, cada vez que um cometa ou meteorito atinge um planeta, material daquele lugar é lançado ao espaço. Isso quer dizer que vida microbiana pode ter passado da Terra para Marte. Além disso, em laboratório, já foi comprovado que há microorganismos que conseguem sobreviver no ambiente característico de Marte.
Tanto antes quanto depois da Viking, diversas execuções foram realizadas com solo terrestre e culturas microbianas, em laboratório e também em ambientes naturais. Nunca foram obtidos resultados falso positivos ou falso negativos. Esses dados conferem confiabilidade aos dados obtidos pela LR em Marte, mesmo que a interpretação ainda seja debatida.
Outros fatores indicam a possibilidade de existir vida microbiana em Marte. Essas evidências foram obtidas pela Viking, por missões subsequentes ou descobertas na Terra:
  • Águas superficiais foram encontradas em quantidade suficiente para sustentar microorganismos em Marte pelas missões Viking, Pathfinder, Phoenix e Curiosity;
  • A ativação ultravioleta (UV) do material da superfície marciana não causou, como proposto inicialmente, a reação detectada no LR: uma amostra colhida sob uma rocha de proteção UV era tão ativa no LR como amostras de superfície;
  • Foi relatada a presença de materiais orgânicos complexos, em Marte, pelos cientistas da Curiosity, possivelmente incluindo o querogênio, que poderia ser de origem biológica;
  • As missões Phoenix e Curiosity encontraram evidências de que o antigo ambiente marciano pode ter sido habitável;
  • O excesso de carbono-13 em relação ao carbono-12 na atmosfera de Marte representa indício de atividade biológica, que prefere ingerir o último;
  • A atmosfera de Marte está em desequilíbrio: o CO2 do planeta deveria ter sido convertido em CO pela luz UV do Sol. Consequentemente o CO2 é regenerado, possivelmente, por microorganismos como na Terra;
  • Microrganismos terrestres sobreviveram no espaço exterior fora da ISS;
  • Provavelmente micróbios viáveis ​​ejetados da Terra chegaram a Marte;
  • Metano foi medido na atmosfera marciana; a fonte pode ser metanógenos microbianos;
  • O rápido desaparecimento do metano da atmosfera marciana exige um sumidouro, possivelmente fornecido por metanotróficos que possam coexistir com metanogênios na superfície marciana;
  • Luzes fantasmagóricas em movimento formadas por ignição espontânea de metano, foram registradas em vídeo na superfície de Marte;
  • Há alegações de que formaldeído e a amônia, possivelmente indicativos de biologia, estão presentes na atmosfera marciana;
  • Uma análise de complexidade independente do sinal LR positivo identificou-o como biológico;
  • As análises espectrais de seis canais realizada pelo sistema de imagens da Viking encontraram líquen terrestre e manchas verdes nas rochas de Marte com a mesma cor, saturação, matiz e intensidade;
  • Uma figura que lembra um verme estava em imagem registrada pelo Curiosity;
  • Grandes estruturas semelhantes a estromatólitos terrestres (formadas por microorganismos) foram encontradas pelo Curiosity. De acordo com análise estatística das características complexas dessas estruturas, há menos de 0,04% de probabilidade de que a similaridade tenha sido causada somente pelo acaso;
Nenhum fator adverso à vida foi encontrado em Marte.

Créditos: Hypescience

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Estamos perto de encontrar vida em Marte. Mas estamos prontos para isso?

Jipe-robô Rosalind Franklin

Existe vida em Marte? De acordo com um dos cientistas-chefe da Nasa, estamos muito perto desta resposta e em breve deveremos absorver as novas descobertas. Mas será que o mundo atual está preparado para isso?No próximo ano, duas missões estão planejadas para levar veículos espaciais a Marte, que deverão vasculhar a superfície do planeta em busca de vida extraterrestre. Isso significa que poderemos encontrar a resposta a essa inquietante pergunta já nos próximos anos, mas deveremos estar preparados para as implicações que isso trará.
De acordo com Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária, da NASA, se tivermos sucesso mudaremos em definitivo o nosso conceito sobre a vida em outros planetas. “Isso dará início a uma nova linha de pensamento, mas acho que não estamos preparados para os resultados", disse Green.
Em 2020, Terra e Marte estarão em uma configuração orbital que os aproxima bastante um do outro e que permite uma janela muito favorável de lançamentos rumo ao planeta Vermelho. Cinco agências espaciais aproveitarão esse momento e farão diversas pesquisas biológicas em Marte.
China e Emirados Árabes Unidos são os novatos dessa campanha e já estão preparando suas primeiras missões, compostas de orbitadores e jipes-robôs.
A NASA e a Agência Espacial Européia (ESA), em parceria com o Roscosmos da Rússia, também estão enviando novos veículos para perfurar amostras, na esperança de encontrar matéria orgânica.
O jipe-robô Mars 2020, da NASA, perfurará formações rochosas para coletar amostras e enviá-las de volta à Terra. Se tudo der certo, essa será a primeira vez que material marciano visitará nosso planeta e poderá ser estudado de maneira muito mais eficiente.
A ESA, por sua vez, enviará o jipe-robô Rosalind Franklin, que perfurará, triturará e analisará as amostras de rocha no laboratório de superfície da Roscosmos, que permanecerá estacionário na superfície de Marte..
Segundo Green, essa enorme quantidade de experimentos que será feita em Marte deverá fornecer inúmeras respostas que podem ser comparadas às palavras de Copérnico, quando nos anos de 1500 afirmou que a Terra girava ao redor do Sol e não o contrário, como se pensava na época
"Depois daquele instante tivemos que reconsiderar tudo o que sabíamos e naquele período o mundo não estava preparado para uma mudança tão profunda no pensamento. Acredito que algo semelhante vai acontecer nos próximos anos", disse o cientista, que completou: "Como você reagiria ao saber que uma forma de vida, mesmo que microscópica, foi encontrada em Marte? Quem a pôs lá? Há quanto tempo está lá? A vida pode passar de planeta para planeta ou acontece a partir de uma centelha e do ambiente certo, capaz de gerar a vida?, questiona Green.
O rover Mars 2020 da NASA deve pousar na superfície do Planeta Vermelho no dia 18 de fevereiro de 2021, com o rover Rosalind Franklin da ESA chegando um mês depois em março de 2021.
Ambos os rovers vasculharão as proximidades de um antigo lago ou leito oceânico que antes continha água e agora parece ser rico em argila. O local escolhido para a aterrissagem da NASA é o delta da Cratera Jezero, uma cratera de 49 quilômetros de largura
A missão ExoMars, da ESA, ainda não definiu seu local de pouso, mas anunciou no ano passado que seu local preferido seria Oxia Planum, outro local rico em argila e ferro-magnésio, um sinal de que uma vez a água esteve presente.

Créditos: Apolo 11

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Vênus era habitável há 700 milhões de anos, sugere estudo

Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Ciência Planetária de 2019 sugere que, há 700 milhões de anos, Vênus era um planeta habitável. Segundo os especialistas, um evento desconhecido tornou a atmosfera do planeta extremamente tóxica e quente.
“Nossa hipótese é que Vênus teve um clima estável por bilhões de anos. É possível que um evento de 'recapeamento' quase em escala global tenha sido responsável pela transformação de um clima parecido com o da Terra para a estufa quente que vemos hoje”, diz Michael Way, do Instituto Goddard de Ciência Espacial, em comunicado.
Pesquisas sobre o planeta surgiram 40 anos atrás, quando uma missão da NASA em Vênus encontrou indícios de água por lá. Desde então, estudiosos do mundo todo tentam descobrir evidências que apontem para a existência de um clima estável no planeta, capaz de suportar água líquida.
Foi com isso em mente que Way e seu colega Anthony Del Genio criaram cinco simulações teóricas, cada uma baseada em diferentes níveis de cobertura aquática no astro. Para a surpresa dos especialistas, todas as hipóteses se mostraram possíveis: em todos os cenários, Vênus era capaz de manter temperaturas estáveis, ​​entre 20ºC e 50 ºC.
Os cientistas também concluíram que o clima temperado se manteve por quase 3,5 bilhões de anos. Contudo, por conta de uma série de eventos ainda desconhecidos, houve a liberação do dióxido de carbono armazenado nas rochas do planeta, o que tornou Vênus inabitável.
"Algo aconteceu em Vênus, onde uma enorme quantidade de gás foi liberada na atmosfera e não pôde ser reabsorvida pelas rochas. Na Terra, temos alguns exemplos de descargas em larga escala, mas nada nessa proporção ”, comenta Way.
Para muitos pesquisadores, nosso vizinho está além dos limites da zona habitável do Sistema Solar, pois está muito perto do Sol para suportar água líquida. Os especialistas do Instituto Goddard discordam: “Vênus atualmente tem quase o dobro da radiação solar que temos na Terra. No entanto, em todos os cenários que modelamos, descobrimos que Vênus ainda poderia suportar temperaturas de superfície favoráveis ​​à água líquida”.
Mesmo assim, os cientistas acreditam que mais estudos são necessários, tal como o envio de uma nova missão astronômica ao planeta. "Nossos modelos mostram que existe uma possibilidade real de que Vênus pode ter sido habitável e radicalmente diferente do planeta que vemos hoje", afirma Way. "Isso abre implicações para todos os exoplanetas encontrados na chamada 'Zona Vênus', que podem, de fato, hospedar água líquida e climas temperados."

Créditos: Galileu

Enigmático pulso magnético é descoberto em Marte

Geofísico robótico da NASA descobriu que o campo magnético do Planeta Vermelho, às vezes, começa a pulsar de maneira misteriosa à meia-noite.
Além disso, o módulo de pouso InSight da NASA reúne informações para ajudar os cientistas a entenderem melhor cada detalhe e a evolução do planeta, como medir a temperatura da crosta superior, registrar os sons de terremotos extraterrestres e medir a força e a direção do campo magnético de Marte.
Através dessas informações, pesquisadores descobriram um conjunto incomum de dados, encontrando uma série de pulsos magnéticos que ocorrem todos os dias por volta da meia-noite em Marte, segundo o tablóide Express.
O magnetômetro da missão InSight forneceu aos cientistas a melhor visão que já havia tido do campo magnético da crosta. Esse campo magnético próximo ao robô era aproximadamente 20 vezes mais forte do que o previsto em medições orbitais passadas.
A descoberta foi apresentada em um documento no Congresso Europeu de Ciências Planetárias e na reunião da Sociedade Astronômica Americana em Genebra, na Suíça.
O fato mais curioso da descoberta é que as oscilações ocorrem à meia-noite do horário local, como se respondessem às demandas de um temporizador noturno invisível.
A fonte dos pulsos ainda é desconhecida, por isso, os pesquisadores pretendem investigar se eles ocorrem no subsolo ou na superfície.
"A forte magnetização que foi observada nas rochas da superfície indica que é possível aprender muito sobre a dinâmica da crosta dos magnetômetros transportados nas sondas", afirmam os pesquisadores.
Além disso, eles acreditam que essa magnetização poderia revolucionar a compreensão da localização da crosta terrestre da mesma maneira que os estudos magnéticos dos oceanos da Terra revolucionaram a compreensão da tectônica terrestre.

Créditos: Sputnik

sábado, 14 de setembro de 2019

Mistério do núcleo interno da Terra pode finalmente ser explicado

Sabemos que o núcleo interno da Terra é sólido, mas está cercado por uma camada fluida separada do manto e da crosta acima dela. Até aí, tudo bem. Ops, não está tudo bem.
Esse arranjo causa alguns problemas, mistérios para os quais os cientistas ainda não têm explicações.
Por exemplo, se o núcleo interno superquente de ferro sólido não está ligado ao manto devido à camada de fluido que o circunda, como isso afeta sua rotação?
Alguns pesquisadores gostam de trabalhar com uma hipótese chamada de “super-rotação”. Ela sugere que o núcleo da Terra gira a uma taxa diferente da própria Terra (como você sabe, ou deveria saber, a rotação do planeta é de 24 horas em relação ao Sol). Mas qual seria essa taxa?
Diversos estudos já tentaram desvendar qual seria essa taxa de rotação do núcleo do planeta. Agora, uma nova pesquisa conduzida por John Vidale da Universidade do Sul da Califórnia (EUA) se propôs a atualizar o número usando os cálculos e processos mais avançados que temos até à data.
Para chegar ao resultado, Vidale examinou as ondas sísmicas detectadas em dois testes nucleares realizados pela União Soviética no arquipélago Novaya Zemlya, no norte da Rússia, em 1971 e em 1974.
Essas explosões são tão fortes que suas ondas podem ser captadas no mundo todo, e de fato foram por um instrumento chamado Large Aperture Seismic Array (LASA), localizado em Montana, nos EUA.
O que Vidale fez foi medir o movimento do núcleo interno da Terra com base nos dados das ondas sísmicas informados pelo LASA. A estimativa é de que núcleo gira aproximadamente 0,07 graus a mais do que o resto do planeta a cada ano.
“Se essa taxa estiver correta, significa que se você ficasse parado em um ponto no equador por um ano, a parte do núcleo [da Terra] que estava abaixo de você acabaria em um ponto a 7,7 quilômetros de distância”, explicou Maya Wei-Haas na National Geographic.
Infelizmente, esse campo de pesquisa é impreciso porque é altamente teórico – não temos como visitar a fornalha que é o núcleo interior do planeta para fazer medições mais exatas.
Na verdade, pode ser que nem mesmo a hipótese da super-rotação esteja correta. Outros cientistas sugerem diferentes explicações para o fato de nossas leituras e estimativas sobre as taxas de rotação do núcleo serem distintas.
Por exemplo, um estudo sugeriu que as discrepâncias poderiam estar relacionadas a variações na superfície do próprio núcleo, o que poderia explicar as inconsistências nas leituras. Se este for o caso, apenas indica que sabemos ainda menos sobre o núcleo do que pensamos.

Créditos: Luna Cientista

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

NASA tira foto incrível de avalanche maciça de gelo caindo em Marte

Esse evento incomum foi notado pelos cientistas quando uma nuvem de poeira deslizou pelo lado de uma montanha.
A imagem espetacular mostra uma pluma de poeira bem acima da superfície de Marte, escreve o Daily Mail.
Acredita-se que essa maravilha natural tenha acontecido em maio, quando enormes blocos de gelo no Polo Norte do planeta se deslocaram e caíram de um penhasco de 500 metros.
"A cada primavera, o Sol brilha sobre o lado de um monte de camadas no Polo Norte de Marte conhecido como depósitos de camadas polares do norte", diz Candy Hansen, da Universidade do Arizona.
O calor desestabiliza o gelo e os blocos soltam-se, então eles atingem o fundo do penhasco com mais de 500 metros de altura.
As camadas embaixo são de cores e texturas diferentes, dependendo da quantidade de poeira misturada com gelo.
As missões da sonda Mars Reconnaissance Orbiter analisam minerais, procuram águas subterrâneas, registram como a poeira e a água estão distribuídas na atmosfera de Marte e monitoram o clima diário em apoio aos seus objetivos científicos. Ela foi lançada pela primeira vez em agosto de 2005.

Créditos: Sputnik

domingo, 25 de agosto de 2019

Análise de mudança climática de Marte enche pesquisadores de esperança sobre vida passada

Nós já sabemos que houve água em Marte, no passado distante, que formou rios e lagos na superfície do planeta. Mas não há consenso sobre se o Planeta Vermelho teria sido sempre tão frio como agora.
Uma nova pesquisa, baseada na suposição que o clima de Marte poderia ter sido tão quente, que permitiria a queda de chuvas e que rios corressem, aumenta a possibilidade de ter existido vida no Planeta Vermelho.
"Nós sabemos que houve períodos em que a superfície de Marte esteve congelada, nós sabemos que houve períodos em que a água fluía livremente. Mas nós não sabemos exatamente quando foram estes períodos e por quanto tempo duraram", disse a professora Briony Horgan, da Universidade Purdue, em Indiana, durante a apresentação dos resultados na conferência de geoquímica em Barcelona na terça-feira (20).
A equipe de cientistas liderada por Briony Horgan estudou os dados sobre depósitos de minerais em Marte usando o rover Curiosity e o espectrômetro CRISM da NASA, que detecta minerais na superfície que podem indicar a existência de água liquida no passado.
Depois os cientistas compararam os dados com a informação de vários lugares da Terra para entender se haveria quaisquer semelhanças entre Marte antigo e a Terra antiga.
"Nossa pesquisa do intemperismo em condições climáticas totalmente diferentes, tais como o Oregon, Havaí, Islândia e outros lugares na Terra, pode nos mostrar como o clima afeta os padrões de depósitos minerais tal como os vemos em Marte", disse a professora Horgan.
Segundo ela, as descobertas indicam uma "tendência geral lenta" do clima quente ao frio em Marte entre três e quatro bilhões anos atrás. Aproximadamente o mesmo tempo em que a vida apareceu na Terra.
"Se é assim, então isso é importante na busca por uma possível vida em Marte", adiciona ela.
Professora Horgan é copesquisadora na missão Mars 2020, que vai coletar amostras minerais em Marte e levá-las para Terra para buscar evidências de ambientes habitáveis e de vida no passado do planeta.

Créditos: Sputnik

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Júpiter teria 'engolido' outro planeta grande, alegam cientistas



De acordo com a publicação, a hipótese de absorção de outro protoplaneta por Júpiter poderia finalmente explicar por que o núcleo do planeta é tão difuso e fragmentado e, obviamente, jogar luz sobre juventude do nosso Sistema Solar.
Astrônomos do Japão, China, Suíça e EUA usaram dados da sonda Juno da NASA para investigar a estrutura e composição de Júpiter, e decidiram testar outras possíveis explicações de como o núcleo de Júpiter se tornou tão difuso, observando as possibilidades da erosão gradual causada por ventos de alta velocidade ou pela presença de gás dentro do núcleo desde o início.
No entanto, as profundezas de Júpiter não correspondem ao quadro apresentado. Os pesquisadores analisaram os dados obtidos pela sonda espacial Juno, que estudou o campo gravitacional do planeta para obter informações sobre a estrutura interna e a composição do gigante gasoso.
Segundo estudo, a "desfocagem" do núcleo pode ser melhor explicada pela colisão de Júpiter com outro grande corpo celeste nos estágios iniciais de formação do Sistema Solar.
Um impacto frente a frente poderia ter destruído o núcleo originalmente compacto e misturado elementos pesados com gases.

Créditos: Sputnik News