quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Conheça a diferença entre as estrelas antigas e as modernas

Os aglomerados globulares encontram-se entre os objetos mais antigos do Universo, e o NGC 6362 não consegue esconder a sua idade. As muitas estrelas amareladas viveram já a maior parte das suas vidas e tornaram-se estrelas gigantes vermelhas. No entanto, os aglomerados globulares não são relíquias estáticas do passado - alguma atividade estelar bastante interessante ainda tem lugar nestas densas cidades estelares. O NGC 6362, por exemplo, abriga muitas estrelas azuis - estrelas velhas, mas que na realidade parecem ser bastante jovens. Todas elas em um aglomerado formam-se a partir do mesmo material e aproximadamente ao mesmo tempo (tipicamente há cerca de 10 bilhões de anos, para a maioria dos aglomerados). No entanto, os astros azuis são mais azuis e luminosos - consequentemente com maior massa - do que seria de esperar depois de 10 bilhões de anos de evolução estelar. As estrelas azuis são quentes e consomem o seu combustível muito depressa, por isso se estas estrelas se formaram há cerca de 10 bilhões de anos, deveriam ter já desaparecido há muito tempo. Como é que sobreviveram? Os astrônomos procuram entender o segredo da aparência jovem das estrelas azuis. Atualmente, existem duas teorias para explicar este fenômeno: estrelas que colidem e se fundem, e transferência de matéria entre duas estrelas companheiras. A idéia básica por trás destas duas teorias é que as estrelas não nasceram tão grandes como as vemos hoje, mas que receberam sim, uma injeção de material em determinado momento das suas vidas, o que lhes deu claramente uma "vida nova". Embora menos conhecido do que outros aglomerados globulares mais brilhantes, o NGC 6362 é um objeto que suscita interesse na comunidade astronômica, e por isso tem sido bastante estudado ao longo dos anos. Foi selecionado como um dos 160 campos estelares para o rastreio Pre-FLAMES - um rastreio preliminar feito entre 1999 e 2002, com o telescópio de 2,2 metros em La Silla, no intuito de encontrar estrelas adequadas as observações posteriores com o espectroscópio FLAMES do VLT. Esta imagem foi obtida de dados obtidos no âmbito deste rastreio. A nova imagem mostra todo o aglomerado sob um rico fundo de estrelas da Via Láctea. As partes centrais de NGC 6362 foram igualmente estudadas em detalhe pelo Telescópio Espacial Hubble da Nasa/ESA. A imagem do Hubble mostra uma região muito menor do céu, mas muito mais detalhada. As duas imagens - uma de grande angular e outra em zoom - complementam-se perfeitamente. Esta brilhante bola de estrelas situa-se na constelação austral do Altar. Pode ser facilmente observada com um pequeno telescópio. Foi o primeiro aglomerado descoberto em 1826 pelo astrônomo escocês James Dunlop, que utilizou para o efeito um telescópio de 22 centímetros, na Austrália. O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização européia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O observatório é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. Destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas.

Créditos: Terra

Solo de Marte é semelhante ao do Havaí, diz Nasa

Uma sonda enviada pela agência espacial americana Nasa a Marte descobriu que o solo do planeta é semelhante ao do Havaí. Um instrumento chamado CheMin, colocado na sonda Curiosity, analisou com raio-X partículas do terreno marciano. O objetivo é descobrir pistas sobre a história geológica recente do planeta. Como os cientistas já desconfiavam, a maior parte do solo é composta por materiais basálticos de origem vulcânica, exatamente como o terreno das ilhas do Havaí, nos Estados Unidos. As amostras tiradas em Marte contêm tanto poeira que estava a milhares de quilômetros do local da sonda, mas foi trazida por tempestades, quanto areia originária da região. "Até agora, os materiais que a Curiosity analisou são consistentes com nossas idéias iniciais que tínhamos sobre a cratera Gale, mostrando uma transição no tempo de um ambiente úmido para um seco", diz David Bish, um dos pesquisadores do projeto CheMin. A sonda Curiosity chegou no dia 6 de agosto à cratera Gale, um vale enorme na região equatorial de Marte. A missão tem orçamento equivalente a R$ 8 bilhões. Desde a chegada, a sonda já percorreu 480 metros em sentido leste, rumo a um local conhecido como Glenelg. Imagens de satélite revelam que este ponto é uma interseção de três terrenos geológicos diferentes. Por ora, a Curiosity parou em uma região conhecida como "Rocknest", onde fez as primeiras análises do solo. Um dos objetivos, segundo os cientistas, é "limpar o paladar" dos instrumentos de análise, já que eles ainda estavam contaminados com pequenas partículas trazidas da Terra. A análise do material foi a primeira vez que a Nasa conseguiu usar uma técnica chamada de difração de raio-X remotamente, em outro planeta. A técnica já é usada há anos na Terra. As partículas analisadas são "bombardeadas" com raio-X. A forma como o raio é refletido pelas partículas do solo revelam dados sobre a sua composição química e estrutura. Os componentes analisados têm até 150 micrometros - a largura de dois fios de cabelo humano. Foram detectadas quantidades grandes de minerais como feldspato, olivina e piroxena. O próximo passo da sonda será usar o instrumento conhecido como Sample Analysis at Mars (SAM, na sigla em inglês), que procurará detectar materiais orgânicos, para tentar descobrir se é possível haver - ou ter havido - ambiente propício para vida em Marte.

Créditos: Terra

Grupo "caça" Plutão para proteger espaçonave

Em julho de 2015, a sonda americana New Horizons passará zunindo pelas proximidades de Plutão e suas luas. A trajetória coloca a espaçonave a grande proximidade do planeta anão, para maximizar a qualidade das observações científicas. Mas e se houver um erro de cálculo na posição exata do astro? Pode dar zebra? Por incrível que pareça, apesar de Plutão ter sido descoberto no longínquo ano de 1930, e ter sido alvo constante de observações desde então, essa é uma possibilidade. "Nas efemérides [plutonianas] há uma falta de confiabilidade muito grande", explica Roberto Vieira Martins, astrônomo do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. "Isso porque ninguém costuma corrigir os dados em função da refração [causada pela atmosfera]." Para preencher essa lacuna, Vieira Martins e seus colegas fazem sistematicamente um esforço de monitorar Plutão e tentar executar essa correção apropriada dos dados, de forma a dar mais confiança às estimativas de posição e distância do planeta anão. As medições são feitas nas ocasiões em que Plutão passa à frente de outra estrela mais distante. Ao acompanhar a variação de brilho e o sumiço temporário da estrela no céu, os pesquisadores conseguem dados importantes acerca da dinâmica do sistema plutoniano, que, além do planeta anão, inclui pelo menos quatro luas. O trabalho, que até agora envolveu 151 noites de observação no Observatório Pico dos Dias, em Itajubá (MG), e mais 13 noites no telescópio de 2,2 metros do ESO (Observatório Europeu do Sul), compreendendo um período total de 17 anos, foi apresentado por Gustavo Benedetti-Rossi, também do ON, durante a 37ª Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em Águas de Lindoia (SP). Monitorando com precisão e de forma sistemática possíveis interferências causadas pela atmosfera da Terra, ou mesmo interações entre Plutão e Caronte (a maior de suas luas), os pesquisadores brasileiros puderam "filtrar" os erros das observações, permitindo uma determinação mais precisa da posição do astro. Além disso, os pesquisadores notaram uma possível (mas ainda não confirmada) variação periódica na posição de Plutão, que segue sem qualquer explicação. "Pode ser um efeito observacional [ou seja, algum erro que ainda não foi "filtrado" dos dados], pode ser um efeito real da dinâmica do sistema. Não sabemos", diz Vieira Martins. De toda forma, quanto mais consistente for o cálculo da posição de Plutão, mais segurança ele trará para a New Horizons. É fato que a Nasa ligará os sensores da nave quando ela estiver se aproximando, a fim de fazer quaisquer correções de curso de última hora. Contudo, melhorar os dados da órbita do planeta anão ajuda a dar a certeza de que a ligação programada dos sistemas a bordo não aconteça num ponto do vôo em que a correção desejada já seria inviável.

Créditos: Folha

Nave russa Progress M-17M decola rumo à Estação Espacial

O foguete portador Soyuz-U decolou nesta quarta-feira rumo à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) com o cargueiro russo Progress M-17M a bordo, informou a agência espacial russa Roscosmos. A Progress foi lançada a partir da base cazaque de Baikonur e entrará em órbita dentro de poucos minutos, segundo as agências locais. A nave leva 2,5 toneladas de água, oxigênio, alimentos, remédios, componentes de combustível e equipamentos para experimentos científicos. O Progress M-17M se engatará à plataforma orbital cerca de seis horas após a sua separação do foguete portador Soyuz-V, pelo que o acoplamento deverá acontecer às 11h40 de Brasília. Atualmente, a ISS é habitada pelas expedições número 33/34, que são integradas pelos cosmonautas russos Oleg Novitski, Yevgueni Tarelkin e Yuri Malenchenko, os astronautas americanos Kevin Ford e Sunita Williams e o japonês Akihiko Hoshide.

Créditos: Terra

Como o Sistema Solar irá acabar?

Nem todas as partes do Sistema Solar irão acabar da mesma maneira. O Sol irá expandir em uma gigante vermelha. A Terra poderá escapar se a civilização desenvolver tecnologia inacreditavelmente avançada para tal feito. Mercúrio e Vênus, no entanto, não conseguiriam fugir e seriam engolidos pelo Sol, tornando-se vapor, ao menos é o que afirmam as teorias. Outra teoria afirma que, à medida que o Sol se expandir, a órbita de Mercúrio irá ficar irregular, podendo ocorrer colisão com Vênus ou com nosso planeta. A nova órbita de Mercúrio iria exercer forças gravitacionais que, por sua vez, iriam puxar e modificar a órbita da Terra. Os planetas se puxariam o tempo todo, criando excentricidades nas órbitas planetárias. Alguns planetas poderiam “cambalear” pelo Sistema Solar e outros poderiam sair vagando pelo espaço. Em algumas simulações realizadas por computador, vários resultados são possíveis: Mercúrio pode ser engolido pelo Sol, bem como chocar-se com Vênus. Seja qual for o resultado, isso irá afetar todo o Sistema Solar, em uma espécie de efeito dominó. E o que acontecerá com os outros planetas? O Sol irá terminar seus dias como uma anã branca. Recentemente os astrônomos capturaram imagens de um asteróide sendo sugado por uma anã branca, indicando que existe a possibilidade de planetas orbitarem este tipo de estrela que estão em estágio de resfriamento. Geralmente os planetas mais próximos são engolidos ou evaporados, já os exteriores permanecem orbitando a estrela por tempo indeterminado.

Créditos: Jornal Ciência

Nebulosa planetária PK 164 +31.1

A imagem acima mostra o que o nosso Sol se tornará? Bem, possivelmente, sim. A bolha de gás em expansão mostrada acima, é a nebulosa planetária conhecida como PK 164 +31.1, ou seja, a parte remanescente da atmosfera de uma estrela parecida com o Sol, que expeliu essas camadas externas enquanto esgotava o seu combustível interno de hidrogênio responsável pela fusão que a sustenta. Visível perto do centro da nebulosa, está o que lembra o núcleo propriamente dito da estrela, uma estrela quente e azul conhecida como anã branca. Essa nebulosa planetária particularmente fotogênica, mostra intrigantes conchas de gás provavelmente expelidas em diferentes épocas enquanto a estrela caminhava para o fim de sua vida, e cuja a estrutura ainda não é muito bem entendida. Essa imagem profunda da PK 164 +31.1, foi feita pelo Observatório de Calar Alto, na Espanha, e mostra muitas outras estrelas da nossa própria galáxia, bem como algumas outras galáxias mais distantes. A PK 164 +31.1, também conhecida como Jones-Emberson 1, localiza-se a aproximadamente 1.600 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação do gato selvagem, Lynx. Devido a ser muito apagada, magnitude 17 e devido também à seu baixo brilho superficial, o objeto só pode ser visível com bons telescópios. Embora a nebulosa em expansão irá se apagar nos próximos milhares de anos, a anã branca central pode sobreviver por bilhões de anos, até quando provavelmente o universo em que vivemos será um lugar muito diferente.

Créditos: Starship Asterisk

Dragão no seu ninho

A cápsula Dragon da empresa Space Exploration Technologies, a SpaceX, caiu no Oceano Pacífico às 3:22 p.m. EDT do último domingo, dia 28 de Outubro de 2012, algumas centenas de milhas a oeste de Baja California, no México. O mergulho da sonda nas águas do Pacífico, finalizou com sucesso o primeiro vôo de carga contratado pela NASA, junto a SpaceX, para suprir a Estação Espacial Internacional com mantimentos. A cápsula Dragon será levada de barco até um porto perto de Los Angeles, onde será então reparada para retornar até a instalação de teste da SpaceX, em McGregor, no Texas, para ser processada. Junto com a cápsula Dragon, retornou para a Terra também 624 quilos de carga, incluindo 323 quilos de pesquisa científica. Desde as missões realizadas com os ônibus espaciais que uma missão não retornava do espaço com tanta quantidade de material de pesquisa e de amostras para serem analisadas.

Créditos: NASA

Brasileiro descobre "superestrela" rara

Um astrônomo brasileiro conseguiu encontrar, no meio das mais de 200 bilhões de estrelas da Via Láctea, um astro que é particularmente especial: uma grandalhona com pelo menos cem vezes a massa do nosso Sol. E mais: a estrela parece ter sido "expulsa" da região em que se formou, estando agora isolada a cerca de 25 mil anos-luz daqui. Astros tão maciços são difíceis de encontrar, pois são muito raros e têm vida relativamente curta. "É como encontrar um grão de areia especial no meio de uma praia inteira", explica Alexandre Roman Lopes, autor da descoberta e pesquisador da Universidade de La Serena, no Chile. Ele é especialista em encontrar esses monstrengos espaciais. A estrela descoberta, batizada de WR42e, provavelmente tem elementos químicos essenciais à formação e desenvolvimento da vida como a conhecemos. E, na explosão que marca a morte das grandes estrelas, eles deverão se espalhar pelo espaço. Por isso, explica o astrônomo, a descoberta poderá ajudar no "entendimento de como os elementos químicos se formam, e até a evolução da nossa própria galáxia". Apesar de grandalhona, ela é novinha em termos galácticos: tem apenas 1 milhão de anos. Com 4,6 bilhões de anos, nosso Sol, por outro lado, já é um veterano. A vida, no entanto, será bem mais curta para o astro. Quanto maior uma estrela é, mais rápido ela consome o combustível de seu núcleo. Acredita-se que o fim da linha para esse parrudo objeto seja, na melhor das hipóteses, daqui a 1 milhão de anos. Praticamente amanhã quando se trata de astronomia. A superestrela se formou no aglomerado NGC3603, localizado mais ou menos do outro lado da galáxia. A região é uma espécie de berçário estelar, onde vários astros se concentram em um espaço reduzido. Tanta proximidade causa interações gravitacionais poderosas e, para o astrônomo brasileiro, foi numa dessas que a grandalhona acabou "chutada" para a periferia desse sistema. Essa proposição foi publicada agora no "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society", baseada em observações do telescópio Soar, também no Chile. Na opinião de Claudio Bastos, astrônomo do ON (Observatório Nacional) que não está envolvido com o estudo, a descoberta dessa gigante pode ajudar a revisar as teorias de formação estelar. "É uma descoberta interessante, pois se trata de um objeto extremamente raro. A observação sempre coloca em xeque as teorias. Vamos ver até onde os modelos conseguem se encaixar", explica.

Créditos: Folha de São Paulo

Cratera Degas

Apesar de muitas crateras estarem visíveis nessa imagem colorida do limbo do planeta Mercúrio, a cratera Degas ganha um destaque. Localizada perto do centro da imagem, a distinta cor azul do material de baixa refletância associado com a Degas, contrasta com o terreno ao redor e com as crateras vizinhas.

Créditos: MESSENGER

Uma lenta erupção solar

A copa magnética de um grupo de manchas solares sobre o limbo sudoeste do Sol entrou vagarosamente em erupção no dia 28 de Outubro de 2012. Quando a erupção de horas acabou, essa brilhante arcada se formou sobre o local marcando a posição onde a explosão aconteceu. Arcada de loops aparecem depois de muitas flares solares. É como se o campo magnético das manchas solares se deitasse depois de uma erupção significante. Essa erupção em particular emitiu uma massiva CME no espaço, mas a Terra não estava na linha de fogo.

Créditos: Cienctec

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Por que há mais luz no universo do que deveria?

O Universo é cheio de mistérios, e um deles pode estar prestes a ser revelado. Quando você olha para o céu, à noite, o fundo do céu parece ser escuro. Mas se você olhar para o mesmo céu com um telescópio capaz de enxergar a radiação infravermelha, vai descobrir que todo o cosmos apresenta um brilho de luz infravermelha – e não estamos falando da radiação cósmica de fundo. Primeiro, os cientistas tentaram explicar esta luz infravermelha usando as galáxias. No entanto, a quantidade de estrelas e de galáxias é insuficiente para explicar tal luz. As duas outras melhores hipóteses para explicar o que o professor de física e astronomia Edward L. (Ned) Wright chama de “flutuações” eram as galáxias não tão distantes e fracas, ou então galáxias distantes. Porém, como o próprio Ned explica, a primeira hipótese está errada por um fator de 10, e a segunda por um fator de 1.000. Agora, uma nova hipótese apresentada na revista Nature, elaborada por Asantha Cooray, um professor de física e astronomia da Universidade da Califórnia, Irvine (EUA), parece ser a chave para solucionar este mistério. Segundo o professor Asantha e sua equipe, o halo de matéria escura que cerca as galáxias poderia abrigar estrelas órfãs ou estrelas roubadas da galáxia que está no meio do halo. Durante eventos de colisões ou fusões de galáxias, um pequeno número de estrelas pode ser expulso para a borda das galáxias, dentro do halo, e se tornar a origem deste brilho misterioso em infravermelho. Bastaria que algo como 0,1% das estrelas da galáxia fossem expulsas para o halo para explicar tal brilho de infravermelho. Os pesquisadores usaram imagens de 250 horas de observação do telescópio Spitzer na constelação Boötes ou Boieiro para testar sua hipótese, mas esperam mais observações para confirmá-la. Da próxima vez, eles querem usar o James Webb Space Telescope (JWST) para isto. Programado para ser lançado em 2018, com um espelho de 6,5 metros e um escudo protetor do tamanho de uma quadra de tênis, o JWST vai substituir o Hubble para observar o universo na faixa do infravermelho, capturando imagens das mais distantes galáxias e estrelas que se formaram logo após o Big Bang. O telescópio é promessa para finalmente expor o mistério dos objetos que criam a luz infravermelha de fundo.

Créditos: Hypescience

Galáxia monstruosa possui o maior núcleo já visto, grande demais até para ela

Usando dados do telescópio Hubble, cientistas da NASA descobriram uma galáxia 10 vezes maior que a Via Láctea que possui o maior núcleo já visto (inclusive, três vezes maior do que o esperado para uma galáxia de tal tamanho). A galáxia elíptica A2261-BCG tem 1 milhão de anos-luz de largura e fica a 3 bilhões de anos-luz da Terra. Seu núcleo estranhamente inchado tem cerca de 10.000 anos-luz, o que é três vezes maior do que os centros de outras galáxias extremamente luminosas de mesmo tamanho. Os astrônomos especulam que esse núcleo inesperadamente enorme tenha sido resultado da fusão de dois buracos negros. Porém, esse grande núcleo é também estranhamente difuso: não tem um pico de luz concentrado em torno de um buraco negro central óbvio. Na verdade, os cientistas não conseguiram encontrar seu buraco negro, o que é muito intrigante, já que acredita-se queburacos negros supermassivos se escondem no centro da maioria, se não de todas, as galáxias. “A expectativa de encontrar um buraco negro em cada galáxia é como a expectativa de encontrar um caroço dentro de um pêssego”, explica o coautor do estudo Tod Lauer, do Observatório de Astronomia Óptica Nacional, em Tucson, Arizona (EUA). “Com esta observação do Hubble, nós cortamos o pêssego e não podemos encontrar o caroço. Nós não sabemos com certeza que o buraco negro não existe, mas o Hubble mostra que não há concentração de estrelas no núcleo”. Os astrônomos sugerem que uma fusão de buraco negro, envolvendo objetos que contêm vários bilhões de vezes a massa do nosso Sol, pode ter inchado o núcleo dessa galáxia. Há dois cenários possíveis para essa situação. Em um deles, a fusão gravitacionalmente agitou e espalhou as estrelas, deixando o núcleo difuso. Os buracos negros perderam dinamismo e “caíram” um no outro, formando um buraco negro supermassivo que reside no coração da A2261-BCG. No outro cenário, a fusão dos buracos negros criaram ondas gravitacionais, que são ondulações no espaço-tempo. Essas ondas radiaram mais fortemente em uma direção, “chutando” o buraco negro resultante da fusão para fora da galáxia. “O buraco negro é a âncora para as estrelas”, afirmou Lauer. “Se você tirá-lo de lá, de repente, você tem muito menos massa. As estrelas não são mantidas juntas e se movem para fora, ampliando o núcleo ainda mais”. A galáxia, portanto, pode ser o resultado de vários infortúnios que a deixou com um núcleo gigante e difuso e talvez sem um buraco negro. O próximo passo da pesquisa é procurar por provas de buraco negro ativo em A2261-BCG, se ele existir. Como fazer isso? Se houver um buraco negro na galáxia, os astrônomos esperam que o material caindo nele gere ondas de rádio. Para detectá-las, eles estão sondando a galáxia com o radiotelescópio Very Large Array (VLA), no Novo México (EUA).

Créditos: Hypescience

Phobos – a lua condenada

Essa lua está condenada. Marte, o Planeta Vermelho que recebeu esse nome em homenagem ao deus romano da guerra, possui duas pequenas luas. Phobos e Deimos, que tiveram seus nomes derivados do grego para Medo e Pânico. Essas luas marcianas podem muito bem serem asteróides capturados originados no cinturão principal de asteróides que se localiza entre Marte e Júpiter, ou talvez possam ser originadas de rincões mais distantes ainda do nosso Sistema Solar. A maior lua, Phobos, é vista como um objeto semelhante a um asteróide repleto de crateras nessa bela imagem colorida feita pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, registrada numa resolução de aproximadamente sete metros por pixel. Mas a órbita de Phobos está localizada tão perto de Marte, aproximadamente 5.800 quilômetros acima da superfície (só para se ter um comparativo, a nossa Lua fica a aproximadamente 400.000 km), que as forças gravitacionais de maré estão puxando a lua cada vez mais para baixo, ou seja, para mais próximo do planeta. Em 100 milhões de anos estima-se que Phobos será provavelmente destruída pelas tensões geradas pelas forças de maré, e que os detritos originados dessa destruição formarão um anel de decaimento ao redor do planeta Marte.

Créditos: Cienctec

Astrônomos descobrem crime de proporções galácticas

De acordo com os astrônomos, uma das galáxias mais próximas da Via Láctea é uma ladra estelar. Novas simulações sugerem que a Grande Nuvem de Magalhães arrancou uma corrente de estrelas da sua vizinha, a Pequena Nuvem de Magalhães, quando as duas galáxias colidiram há 300 milhões de anos atrás. Os astrônomos descobriram este crime galáctico durante pesquisas na GNM por evidências de enormes objetos de halo compacto (MACHOs, ou "massive compact halo objects"). Os cientistas não compreendem totalmente a natureza destes objetos, e estavam investigando se poderiam ser um importante componente da matéria escura no Universo. Para a sua investigação, os astrônomos viraram-se para as microlentes gravitacionais, já que a matéria escura não pode ser vista diretamente. Com esta técnica, os cientistas observam o que acontece quando um corpo gigantesco está situado em frente de um objeto mais distante a partir do ponto de vista da Terra. O corpo massivo curva e amplia a luz a partir do objeto mais distante como uma lente, e as características da luz resultante podem fornecer informações sobre o corpo causando a curvatura. Mas os cientistas disseram que o número de eventos de microlentes registados por várias equipes era pequeno demais para explicar a matéria escura, descartando a possibilidade de que a matéria escura está contida nestes objetos. No entanto, existem mais eventos de microlente do que o esperado com base no número conhecido de estrelas na Via Láctea. Os astrônomos disseram que a explicação mais provável para estes eventos foi uma sequência inédita de estrelas roubadas a partir da PNM pela GNM durante uma colisão galáctica. Pensa-se que a massa das estrelas de primeiro plano provoque o efeito de lente gravitacional das estrelas roubadas. "Em vez dos objetos de halo compacto, uma corrente de estrelas removidas da PNM é responsável pelos eventos de microlente. Podemos dizer que descobrimos um crime de proporções galácticas," afirma Avi Loeb do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica. "Ao reconstruir a cena, descobrimos que a GNM e a PNM colidiram violentamente há centenas de milhões de anos atrás. Foi aí que a GNM retirou as estrelas," afirma Loeb. Os investigadores estão agora à procura de mais provas destas estrelas roubadas numa ponte de gás que liga as Nuvens de Magalhães. O estudo foi publicado online na revista Monthly Notices da Sociedade Astronômica Real.

Créditos: Astronomia On-line

sábado, 27 de outubro de 2012

Como será o fim da Terra?

Tecnicamente, a vida na Terra poderia já ter acabado ou nem existido se não fosse sua atmosfera que nos protege e nos recobre. Muitas teorias são discutidas e existem várias possibilidades. Cada vez que o Sol emite luz, um pouco de sua massa é perdida – uma vez que a luz é gerada pela fusão nuclear, na qual átomos se fundem, perdendo um pouco de sua massa na forma de energia. Alguns astrônomos defendem que o Sol, ao longo de bilhões de anos, dissiparia sua massa em uma escala que não poderia mais exercer atração sobre a Terra, e nosso planeta vagaria sem rumo pelo espaço. Outras teorias sugerem que, em no máximo 5 bilhões de anos, a Terra será engolida pelo Sol. Exatamente como isso ocorrerá ainda é uma questão de debate entre os teóricos. Astrônomos dizem que o Sol irá se expandir enormemente em sua fase de gigante vermelha, evento que ocorre quando a fusão nuclear interna “sopra” suas camadas exteriores cada vez mais longe, podendo atingir a órbita da Terra. Alternadamente, as camadas externas do Sol poderiam ser puxadas pela Terra, exatamente como ocorre com as marés, onde a Lua exerce sua atração. Essa atração mútua puxaria a Terra para trás, diminuindo sua órbita até ser engolida por nossa estrela. Alguns cientistas pensam que, se a vida inteligente sobreviver muito tempo, as civilizações podem ser capazes de mover a Terra, deslizando-a para fora do alcance do Sol. Mesmo se isso ocorrer, o Sol entrará em colapso em algum momento e começará a esfriar lentamente. Se os seres humanos conseguirem “empurrar” a Terra fora do alcance de nossa estrela, buscando evitar a morte, certamente irão morrer por falta de energia do Sol e poderão congelar, levando ao fim da raça humana.

Créditos: Terra

NGC 4178 revela um mini buraco negro de grande massa

Um dos menores buracos negros de grande massa observados no meio de uma galáxia foi identificado, graças ao Observatório Chandra de raios-X, bem como vários outros observatórios. A galáxia é de um tipo que não se esperaria que contivesse buracos negros, o que leva a crer que este buraco negro, embora relacionado com os seus primos de grande massa, possa ter uma origem diferente. O buraco negro está localizado no centro da galáxia espiral NGC 4178, que se mostra numa imagem do Sloan Digital Sky Survey, na qual se inseriu uma imagem obtida pelo Chandra revelando no seu centro uma fonte de raios-X. A análise dos dados do Chandra, bem como de dados do infravermelho obtidos pelo Telescópio Espacial Spitzer e de dados do telescópio de rádio Very Large Array, sugere que o buraco negro tenha uma massa próxima do valor mínimo considerado para uma gama de buracos negros de grande massa. Estes resultados foram publicados dia 1 de Julho de 2012 no The Astrophysical Journalpor Nathan Secrest, da Universidade George Mason, em Fairfax, Virgínia, e seus colaboradores. As propriedades desta fonte de raios-X, incluindo brilho e espectro - a quantidade de raios-X em comprimentos de onda diferentes - e o seu brilho no infravermelho, sugerem que no centro da NGC 4178 esteja um buraco negro a capturar de forma rápida matéria à sua volta. Os mesmos dados também sugerem que a luz gerada pela matéria engolida esteja a ser fortemente absorvida pelo gás e pó existentes em torno do buraco negro. Uma relação conhecida entre a massa de um buraco negro e a quantidade de raios-X e de ondas de rádio que ele gera foi utilizada para estimar a massa do buraco negro. Este método avaliou uma massa inferior a cerca de 200.000 vezes a massa do Sol, e está de acordo com estimativas de massa obtidas pelos autores utilizando vários outros métodos. O valor obtido é inferior aos valores típicos para buracos negros de grande massa, que podem ir de milhões a milhares de milhões de vezes a massa do Sol. NGC 4178 é uma galáxia espiral localizada a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra que não contém uma acumulação de estrelas, ou bojo, brilhante na região central. Além de NGC 4178, crê-se que quatro outras galáxias sem acumulação de estrelas na região central devem conter buracos negros de grande massa. Destes quatro buracos negros, dois terão massas aproximadas à do buraco negro de NGC 4178. Observações realizadas pelo XMM-Newton de uma fonte de raios-X descoberta pelo Chandra no centro da galáxia NGC 4561 indicam que a massa deste buraco negro é superior a 20.000 vezes a massa do Sol, mas a massa pode ser substancialmente mais elevada se o buraco estiver a engolir material lentamente, o que fará com que ele gere menos emissão de raios-X. Um artigo descrevendo estes resultados foi publicado na edição de 1 de Outubro de 2012 do The Astrophysical Journal, por Araya Salvo e colaboradores. Estima-se que a massa do buraco negro na galáxia NGC 4395 seja cerca de 360.000 vezes a massa do Sol, tal como foi publicado por Peterson e seus colaboradores a 20 de Outubro de 2005 no The Astrophysical Journal. Anteriormente, os astrônomos tinham descoberto que as observações de um grande número de galáxias estão de acordo com uma estreita correlação entre a massa de um buraco negro de grande massa e a massa do bojo da sua galáxia hospedeira. Os modelos teóricos desenvolvidos para explicar estes resultados recorrem a fusões de galáxias e prevêem que as galáxias sem bojo não sejam capazes de acolher buracos negros de grande massa. Os resultados encontrados para NGC 4178 e para as quatro outras galáxias referidas contrariam estas previsões e podem sugerir que mais de um mecanismo atue na formação de buracos negros de grande massa.  Três outras fontes de raios-X foram encontradas na imagem do Chandra. Se estiverem localizadas em NGC 4178, poderá tratar-se de sistemas binários contendo um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. A mais brilhante das três fontes poderá ser um buraco negro de massa intermédia, cerca de 6.000 vezes maior do que a massa do Sol.

Créditos: Portal do Astrónomo

Astronautas realizarão caminhada extra para reparar vazamento na ISS

A astronauta americana Sunita Williams e o japonês Akihiko Hoshide realizarão no próximo dia 1º de novembro uma caminhada espacial que não estava prevista no programa de sua missão para reparar um vazamento de amoníaco em um radiador da Estação Espacial Internacional (ISS), informou nesta sexta-feira a Nasa (agência espacial americana). A saída deve durar seis horas e meia, segundo indicou o diretor do programa da ISS, Michael Suffredini, em entrevista coletiva junto com o diretor de vôo do Centro Espacial Johnson, Mike Lammers, e uma das responsáveis pelas caminhadas espaciais em terra, Allison Bolinger. O amoníaco é um elemento fundamental que circula através dos sistemas externos de controle térmico da estação para esfriar e manter na temperatura adequada a eletrônica e outros sistemas da estação. O vazamento não é algo novo e a Nasa esteve supervisando-o durante anos. No entanto, recentemente detectaram um aumento no escape que segundo calcularam os controladores de vôo poderia afetar o funcionamento do canal gerador de eletricidade no final de ano. O gerador tem capacidade para alimentar um grande número de componentes da estação e se ficasse fora de serviço poderia provocar um superaquecimento nos sistemas que afetaria todo o complexo espacial. Os astronautas foram avisados há três semanas que teriam que fazer outra caminhada extra, mas os especialistas da Nasa indicaram que realizaram o treinamento necessário, supervisionaram o protocolo e com sua experiência em outras caminhadas espaciais poderão completar a missão sem problemas. Esta será a terceira saída que Williams e Hoshide realizarão durante a atual missão. Inicialmente só tinham previsto realizar uma em agosto para substituir um comutador de energia elétrica. No entanto, a Nasa fixou outra jornada para setembro já que após um longo trabalho conseguiram retirar a peça estragada, mas não instalar a reposição, o que só fizeram nessa segunda caminhada. Precisamente, durante essa saída, Sunita Williams se tornou a mulher que mais tempo permaneceu trabalhando no exterior de uma nave espacial com 44 horas e 2 minutos, ao superar as 39 horas e 46 minutos que tinha estabelecido em novembro de 2009 a astronauta Peggy Whitson.

Créditos: Terra

resultados positivos a partir de visões negativas

A imagem acima mostra uma visão reversa da Lua, o que destaca a visibilidade dos raios e das crateras brilhantes. Como mostrado aqui, a maioria das grandes crateras raiadas do lado visível da Lua, estão perto do equador lunar, a Langrenus, a Copernicus e a Kepler. A cratera Tycho é uma grande exceção, além de outras que estão aglomeradas ao redor da região norte polar. Uma visão negativa como essa chama a atenção para os raios que tem sua cratera fonte como incerta ainda. O raio Bessel que atravessa o Mare Serenitatis é um famoso exemplo. Ele pode vir da Tycho, mas nenhum outro raio da Tycho chega tão longe da sua fonte. Ele pode vir da Menelaus na costa do Serenitatis, mas por que esse raio chegaria a ir tão longe? Raios mais apagados que cruzam a Imbrium também poderiam se longos raios da Tycho, mas eles não são radiais a essa cratera e são normalmente paralelos uns aos outros ao invés de serem divergentes. Essa visão também mostra a distribuição dos raios da Tycho. É bem conhecido que alguns dos raios da Tycho se estendem para oeste, mas aqui nós podemos ver também que alguns raios seguem para sudeste, com duas exceções em direção ao pólo. A imagem acima, como muitas outras imagens da Lua, levantam boas questões que nos encoraja a cada vez querer estudar mais e mais nosso único satélite natural, a Lua.

Créditos: LPOD

O halo da NGC 6164

A bela nebulosa de emissão NGC 6164, foi criada por uma rara, quente e luminosa estrela do tipo-O, que é 40 vezes mais massiva que o Sol. Vista no centro da nuvem cósmica, a estrela tem somente entre 3 e 4 milhões de anos de vida. Em mais três ou quatro milhões de anos, a estrela massiva chegará ao fim de sua vida numa explosão de supernova. Se espalhando por 4 anos-luz de diâmetro, a nebulosa propriamente dita, apresenta uma simetria bipolar. Isso faz com que ela se pareça com as familiares nebulosas planetárias, os escudos gasosos que envolvem estrelas moribundas parecidas com o Sol. Também, como muitas nebulosas planetárias, a NGC 6164 possui um extenso halo apagado, que é revelado nessa imagem telescópica profunda da região. Se expandindo pelo meio interestelar, o material no halo é provavelmente originado de uma fase ativa anterior da estrela. A bela cena cósmica mostrada acima, é na verdade uma composição de imagens de bandas curtas destacando o gás brilhante, e dados de banda larga que mostram o campo estelar ao redor. A NGC 6164 está a 4.200 anos-luz de distância da Terra na constelação do sul da Norma.

Créditos: APOD

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Novo estudo traz exoplaneta duvidoso de "volta dos mortos"

Um segundo olhar para os dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA está a reanimar a alegação de que a estrela Fomalhaut hospeda um exoplaneta massivo. O estudo sugere que o planeta, com o nome de Fomalhaut b, é um objeto raro e possivelmente único que está completamente encoberto por poeira. Em Novembro de 2008, astrônomos do Hubble anunciaram a descoberta do exoplaneta, chamado Fomalhaut b, como o primeiro observado diretamente no visível em torno de outra estrela. O objeto foi fotografado dentro de um vasto anel de detritos em torno, mas afastado da estrela-mãe. A localização do planeta e a sua massa - não mais do que três vezes a massa de Júpiter - pareciam as corretas para a sua gravidade explicar a aparência do anel. Estudos recentes afirmaram que esta interpretação planetária estava incorreta. Com base no movimento aparente do objeto e a falta de uma detecção infravermelha pelo Telescópio Espacial Spitzer, os cientistas argumentaram que o objeto era uma nuvem de poeira de curta duração sem qualquer relação com um planeta. Uma nova análise, no entanto, traz a primeira conclusão exoplanetária de volta à vida. "Embora os nossos resultados desafiem seriamente o artigo da descoberta original, fazem-no de uma forma que realmente torna a interpretação do objeto muito mais limpa e deixa intacta a conclusão final, que Fomalhaut b é de fato um planeta enorme," afirma Thayne Currie, astrônomo anteriormente do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, e agora na Universidade de Toronto. O estudo relata que o brilho de Fomalhaut b varia por um fator de aproximadamente dois e citou isto como evidência de que o planeta estava a atrair gás. Estudos seguintes interpretaram esta variabilidade como evidência de que o objeto era na realidade uma nuvem transitória de poeira. No novo estudo, Currie e a sua equipe reanalisaram observações da estrela feitas com o Hubble em 2004 e 2006. Facilmente recuperaram o planeta em observações feitas em comprimentos de onda visíveis perto dos 600 e 800 nanômetros, e fizeram uma nova detecção na luz violeta perto dos 400 nanômetros. Em contraste com a pesquisa anterior, a equipe descobriu que o planeta permaneceu com brilho constante. A equipe tentou detectar Fomalhaut b no infravermelho usando o Telescópio Subaru no Hawai, mas foi incapaz de o fazer. As não-detecções com o Subaru e Spitzer significam que Fomalhaut b deve ter menos de duas vezes a massa de Júpiter. Outra questão controversa tem sido a órbita do objeto. Se Fomalhaut b é responsável pela borda do anel interior, então ele deve seguir uma órbita alinhada com o anel e agora deve estar movendo-se na sua velocidade mais lenta. A velocidade implícita no estudo original parecia ser muito mais rápida. Além disso, alguns pesquisadores argumentaram que Fomalhaut b segue uma órbita inclinada, que passa através do plano do anel. Usando dados do Hubble, a equipe de Currie estabeleceu que Fomalhaut b move-se com uma velocidade e direção consistentes com a idéia original de que a gravidade do planeta modifica o anel. "O que temos visto nas nossas análises é que a distância mínima do objeto a partir do disco quase não mudou nos últimos dois anos, o que é um bom sinal de que está numa órbita que esculpe o anel," explicou Timothy Rodigas, estudante pós-graduado na Universidade do Arizona e membro da equipe. A equipe de Currie também abordou estudos que interpretam Fomalhaut b como uma nuvem de poeira compacta não gravitacionalmente ligada a um planeta. Perto do anel de Fomalhaut, a dinâmica orbital espalharia ou dissiparia completamente tal nuvem em coisa de 60.000 anos. Os grãos de poeira experimentariam forças adicionais, que operam em escalas de tempo muito mais rápidas, à medida que interagem com a luz da estrela. "Dado o que sabemos acerca do comportamento da poeira e do ambiente onde o planeta está localizado, pensamos que estamos vendo um objeto planetário completamente embebido em poeira em vez de uma nuvem de poeira flutuando livremente," afirma o membro da equipe, John Debes, astrônomo do STSI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. Um artigo descrevendo os achados foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters. Dado que os astrônomos detectam Fomalhaut b graças à luz da poeira em redor e não graças à luz ou calor emitido pela sua atmosfera, já não é classificado como um "exoplaneta observado diretamente". Mas porque tem a massa ideal e está no local ideal para esculpir o anel, a equipe de Currie acha que deve ser considerado um "planeta identificado a partir de imagens diretas." Fomalhaut foi novamente alvo do Hubble em maio passado mas por outra equipe científica. Essas observações estão atualmente sob análise e devem ser publicadas em breve.

Créditos: Astronomia On-line

A Nebulosa da Medusa

Filamentos entrelaçados e em forma de serpentina de gás brilhante, sugere o nome popular para essa nebulosa, a Nebulosa da Medusa. Também conhecida como Abell 21, essa medusa é uma antiga nebulosa planetária localizada a 1.500 anos-luz de distância, na direção da constelação Gemini. Como o ser mitológico que dá nome a essa nebulosa, ela está associada com uma transformação dramática. A fase de nebulosa planetária representa o estágio final na evolução de estrelas de pouca massa como o Sol, à medida que elas se transformam de gigantes vermelhas para anãs brancas e no processo de expelir suas camadas externas. A radiação ultravioleta proveniente da estrela quente, abastece o brilho nebular. A estrela em transformação da Medusa, está perto do centro da forma crescente com brilho geral. Nessa imagem telescópica profunda, filamentos mais apagados claramente se estendem abaixo e para a esquerda da região brilhante crescente. Estima-se que a Nebulosa da Medusa tenha mais de 4 anos-luz de diâmetro.

Créditos: APOD

Moai e a Grande Nuvem de Magalhães

A foto acima foi feita no sítio arqueológico de Ahu Akivi, na Ilha de Páscoa, no Chile. A estátua Moai, (o nome Maori para essas famosas esculturas) parece estar contemplando o nascer da Grande Nuvem de Magalhães. Essas figuras humanas foram esculpidas a partir de tufas vulcânicas e foram levantadas a mais de 500 anos atrás, entre os anos de 1250 e 1500. A estátua mais alta da ilha tem 9.8 metros. A Grande Nuvem de Magalhães, facilmente visível a olho nu, é uma galáxia satélite da Via Láctea e está localizada a 160.000 anos-luz de distância. A foto acima foi feita por uma equipe que visitou a Ilha de Páscoa pela primeira vez durante o eclipse total do Sol de 2010. Depois disso eles retornaram para fotografar o céu do hemisfério sul. Estar sozinho na noite, num dos locais mais escuros do planeta, perto de pedras gigantes como essas, realmente deve ser uma experiência fascinante. Os cavalos selvagens que existem na ilha foram as únicas companhias da equipe. A foto acima foi feita no dia 12 de Agosto de 2012.

Créditos: EPOD

NGC 206 e as nuvens de estrelas de Andrômeda

A grande associação estelar catalogada como NGC 206 está abrigada dentro dos braços empoeirados da nossa vizinha cósmica, a Galáxia de Andrômeda, ou M31, localizada a 2.5 milhões de anos-luz de distância. Vistas perto do centro da imagem acima que é um espetacular detalhe da extensão sudoeste do disco da Andrômeda, as estrelas azuis e brilhantes da NGC 206 indicam sua juventude. As estrelas mais jovens massivas possuem menos de 10 milhões de anos de vida. Muito maior do que os aglomerados de jovens estrelas encontrados no disco da nossa Via Láctea conhecidos como aglomerados abertos ou aglomerados galácticos, NGC 206 se espalha por 4.000 anos-luz. Isso é algo comparável em tamanho aos gigantescos berçários estelares NGC 604, na galáxia espiral próxima M33 e à Nebulosa da Tarântula, localizada na Grande Nuvem de Magalhães.

Créditos: APOD

Foguete russo explode e produz toneladas de lixo espacial

Autoridades espaciais estadunidenses confirmaram que o estágio superior de um foguete russo Proton explodiu violentamente, injetando no espaço centenas de fragmentos de lixo que podem colidir com diversos satélites científicos, militares e também com a Estação Espacial Internacional. Até agora, já foram contados pelo menos 500 pedaços do foguete. A explosão aconteceu no dia 16 de outubro e foi provocada por uma falha no propulsor Breeze M, que equipava o foguete russo Proton, de 3 estágios. O foguete foi lançado no dia 6 de agosto e tinha como objetivo colocar em órbita dois satélites de comunicação, Telkon 3 da Indonésia e MD2, da Rússia. Ambos os satélites deveriam ser inseridos em orbita geoestacionária a 36 mil km de altitude, mas uma falha na ignição do terceiro estágio impediu o êxito da missão e o estágio Breeze M permaneceu muito abaixo da altitude programada, repleto com 22 toneladas de hidrazina e tetróxido de nitrogênio, uma mistura hipergólica altamente inflamável que não pode ser colocada em contato. No caso de um foguete Proton, o procedimento padrão em caso de falha ou final da missão é despressurizar os tanques propulsores, tornando-os inertes. Segundo as investigações preliminares, a explosão provavelmente aconteceu devido a uma falha neste procedimento, que inadvertidamente colocou em contato os dois propelentes, ocasionando a explosão. Segundo a tenente-coronel da força aérea americana, Monica Matoush, porta-voz junto ao Pentágono, os militares americanos estão rastreando de perto o lixo espacial produzido na explosão e de acordo com a nota divulgada, pelo menos 500 objetos já foram catalogados. "Acreditamos que esse número deve aumentar à medida em que avançam os trabalhos de análise do campo de fragmentos", disse Matoush. Antes da explosão, o estágio Breeze M estava posicionando em uma orbita elíptica entre 270 km de altura de perigeu e 4.960 km de apogeu, com 49.9 graus de inclinação. Segundo o JSOC (Joint Space Operations Center), órgão militar que mantém vigilância sobre satélites e lixo espacial, até agora não foram detectados fragmentos próximos à Estação Espacial, mas em boletim divulgado diariamente pela Nasa os controladores da missão mencionaram os fragmentos como "não insignificantes". Para rastrear os satélites e lixo espacial o JSOC utiliza um grande arranjo de radares, telescópios óticos e câmeras a bordo de satélites. Juntos, esses equipamentos são capazes de detectar objetos de pelo menos o tamanho de uma bola de tênis. Fragmentos menores, como os gerados por explosões antigas ou do Breeze M não são detectados. A explosão de 16 de outubro é a terceira de uma série de desintegrações ocorridas com estágios do tipo Breeze M após falha de lançamento. Em 2011, uma falha de lançamento manteve em órbita outro estágio desse tipo, que ainda está intacto. Para rastrear o lixo espacial que está em volta da Terra e saber quando os fragmentos poderão reentrar na atmosfera, utilize o Satview.org. Você poderá se surpreender.

Créditos: Apolo 11

Novos astronautas chegam com peixes à Estação Espacial

Três astronautas - dois novatos da Rússia e um veterano dos EUA - chegaram na quinta-feira à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), levando consigo 32 peixes de aquário. Oleg Novitskiy, Evgeny Tarelkin e Kevin Ford atracaram na estação às 10h29 (hora de Brasília), após dois dias de viagem na nave Soyuz. Após verificar a vedação entre as duas naves, o trio se juntou à comandante da estação, a americana Sunita Williams, ao japonês Akihiko Hoshide e ao cosmonauta Yuri Malenchenko. Desde 16 de setembro, por causa do rodízio normal dos astronautas, a estação estava com apenas metade da sua tripulação completa. "É ótimo ver vocês seis em órbita e ver seus rostos sorridentes", disse William Gerstenmaier, administrador-associado da Nasa para vôos espaciais, falando por rádio no controle russo da missão, perto de Moscou. Ford, que havia ido à estação em 2009 num ônibus espacial dos EUA, disse que notou ruídos e vibrações diferentes na nave Soyuz, mas que a viagem foi agradável. Já seus dois colegas russos, novatos, tiveram alguma dificuldade para se adaptar à falta de gravidade. "Tenho de admitir que foi um pouco difícil no primeiro dia, mas aí ficou melhor e mais fácil", disse um dos cosmonautas.

Créditos: Hypescience

Curiosity dispara seu laser contra Marte

O laser da sonda Curiosity pode não ser uma arma mortal, mas é poderosa o suficiente para vaporizar rochas. Recentemente, o aparelho foi usado para estudar o solo marciano. À primeira vista, o resultado não é muito impressionante (um buraco com 3 milímetros de largura), mas uma análise cuidadosa pode revelar informações de grande importância para os cientistas. Ao ser atingido pelo laser, a amostra esquenta tanto que começa a brilhar. A cor do brilho depende do material – e, ao analisá-la, os pesquisadores conseguem descobrir do que é feita a amostra. O solo escolhido como “vítima” do laser é composto por grãos de areia de materiais diversos, e a análise por meio do laser pode facilitar o processo. Durante os próximos dois anos, a Curiosity ainda vai vaporizar muitos materiais em Marte (e nos ajudar a conhecer melhor a história e a geologia do planeta).

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Telescópio observa atividade do buraco no centro da Via Láctea

O Telescópio Nuclear Epectroscópico, o NuSTAR, em sua sigla em inglês, realizou sua primeira observação para a Nasa (a agência espacial americana): o gigantesco buraco negro situado no centro de nossa galáxia. As observações do NuSTAR mostram o buraco negro que está em meio a uma etapa de atividade, que surpreendeu os pesquisadores da Nasa e que servirá para lançar luz sobre este fenômeno. "Demos a sorte de ter capturado uma explosão de um buraco negro durante nossa campanha de observação", afirmou Fiona Harrison, pesquisadora principal da missão no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. "Estes dados nos ajudarão a entender melhor este gigante que está no centro de nossa galáxia e por que às vezes sua atividade se recrudesce durante horas e depois volta a dormir", explicou em comunicado. A imagem feita em luz infravermelha mostra a localização do buraco negro gigantesco no centro da Via Láctea, chamado Sagitário A. O NuSTAR é o único telescópio capaz de produzir imagens focalizadas de raios-X de alta energia, o que dá aos astrônomos uma nova ferramenta para sondar objetos como os buracos negros. Lançado no último dia 13 de junho, durante os próximos dois anos o NuSTAR buscará gigantescos buracos negros e outros fenômenos na Via Láctea e em outras galáxias. Sua meta científica é uma observação profunda do espaço na busca por buracos negros bilhões de vezes maiores que o Sol e um entendimento melhor da forma como as partículas se aceleram nas galáxias ativas.

Créditos: Terra

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Astrônomos criam o maior catálogo existente do centro da Via Láctea

Utilizando uma imagem de vários gigapixels, feita pelo telescópio de rastreio infravermelho Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy (Vista), localizado no Observatório do Paranal do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), uma equipe internacional de astrônomos criou um catálogo de mais de 84 milhões de estrelas situadas nas partes centrais da Via Láctea. Esta base de dados contém dez vezes mais estrelas que estudos anteriores e, segundo o órgão, representa um enorme passo em frente na compreensão da nossa galáxia. A maioria das galáxias espirais, incluindo a Via Láctea, possui uma grande concentração de estrelas velhas que rodeiam o centro, zona a que os astrônomos chamam de bojo. Compreender a formação e evolução do bojo da Via Láctea é vital para compreender a galáxia como um todo. No entanto, obter observações detalhadas desta região não é tarefa fácil. "Ao observar em detalhe as miríadas de estrelas que circundam o centro da Via Láctea, podemos aprender mais sobre a formação e evolução, não só da nossa galáxia, mas também das galáxias espirais duma maneira geral," explica Roberto Saito (Pontificia Universidad Católica de Chile, Universidad de Valparaíso e The Milky Way Millennium Nucleus, Chile), autor principal do estudo. "Observar o bojo da Via Láctea é muito difícil porque este se encontra obscurecido por poeira," diz Dante Minniti (Pontificia Universidad Catolica de Chile), coautor do estudo. "Para espreitar para o coração da galáxia, temos que observar no infravermelho, radiação que é menos afetada pela poeira." O espelho, grande campo de visão e detectores infravermelhos sensíveis do telescópio Vista, que tem 4,1 m, facilitam o estudo. A equipe de astrônomos utiliza dados do programa Variáveis Vista na Via Láctea (VVV) 1, um dos seis rastreios públicos levados a cabo pelo Vista. Os dados foram usados para criar uma imagem a cores de 54 mil por 40,5 mil pixels, o que corresponde a um total de 2 bilhões de pixels. Esta é a maior imagem astronômica já feita. A equipe utilizou estes dados para compilar o maior catálogo até hoje da concentração central de estrelas na Via Láctea. Para ajudar a analisar o catálogo, é calculado o brilho de cada estrela em função da cor, para as cerca de 84 milhões de estrelas, de modo a criar um diagrama cor-magnitude. Esta é a primeira vez que um gráfico como esse é calculado para todo o bojo. Os diagramas cor-magnitude são ferramentas indispensáveis utilizadas pelos astrônomos para estudar as diferentes propriedades físicas das estrelas, tais como temperaturas, massas e idades. "Cada estrela ocupa um lugar particular no diagrama em cada momento da sua vida. Este lugar depende de quão brilhante e quente é. Uma vez que estes novos dados nos dão uma fotografia instantânea de todas as estrelas de uma só vez, conseguimos fazer um censo de todas as estrelas nesta zona da Via Láctea," explica Dante Minniti. O novo diagrama cor-magnitude do bojo contém imensa informação sobre a estrutura e o conteúdo da Via Láctea. Um resultado interessante revelado por estes novos dados é a existência de um grande número de estrelas anãs vermelhas de fraca luminosidade. Estas estrelas são boas candidatas à procura de pequenos exoplanetas na sua órbita, pelo método de trânsito. "Uma das outras coisas fantásticas acerca do rastreio VVV é que se trata de um dos rastreios públicos do Vista do ESO, o que significa que estamos a tornar públicos todos os dados através do arquivo de dados do ESO. Esperamos, por isso, que saiam daqui muitos outros resultados interessantes," conclui Roberto Saito.

Créditos: Terra

Feita de míssil nazista, 1ª foto no espaço completa 66 anos

A centenas de quilômetros de altitude, em 1961, o astronauta russo Yuri Gagarin se tornou o homem que, até então, mais longe havia chegado. Quando vislumbrou de cima o nosso planeta, porém, só pensou na beleza do que observava. "A Terra é azul" foi a frase que mais marcou a aventura. Apesar do pioneirismo, a imagem que o astronauta viu não foi uma surpresa completa, já que a primeira fotografia feita no espaço foi tirada bem antes, em 24 de outubro de 1946. Dela, não se podia, no entanto, elogiar as cores, já que era em tons de cinza, granulada e pouco nítida. O registro fotográfico ocorreu quando um grupo de militares e cientistas da base de White Sands, no Novo México, lançou uma câmera de filmagem de 35 mm, acoplada a um míssil alemão V-2 - capturado na Segunda Guerra Mundial -, a de pouco mais de 100 km de altitude - o que já é considerado espaço. A câmera tirou dezenas de fotos e se espatifou ao voltar à superfície. O filme foi preservado, pois estava protegido em uma caixa de aço. A foto não exibia a coloração azulada do globo, mas foi o ponto de partida para o desenvolvimento de tecnologias que nos proporcionam até hoje extraordinárias imagens da Terra e de outros planetas e astros.

Créditos: Terra

Por que os planetas são redondos?

Tudo bem, eles não são exatamente redondos, mas por enquanto vamos fazer de conta que são. A causa da “redondeza” dos planetas é a gravidade. É assim que funciona: a gravidade atrai tudo de forma uniforme em todas as dimensões espaciais. Quanto mais matéria um planeta em formação atrai, mais forte se torna a atração gravitacional em direção ao centro do mesmo. O resultado natural desta situação é uma esfera. Qualquer desvio da forma esférica tem que contar com alguma força não gravitacional para suportar a puxada da gravidade para baixo. Todos os pequenos desvios fazem isto, desde montanhas até o teu corpo. Mas este ainda não é o fim da história. As leis do movimento de Newton afirmam que um corpo em movimento tende a continuar em movimento, e a matéria no equador do planeta pode estar viajando com velocidade suficiente para criar um dilatação, como a da Terra. Então, os planetas não são perfeitamente redondos. Sua redondeza depende da sua massa, tamanho e velocidade de rotação. Os cientistas podem deduzir a massa de um planeta facilmente se ele tiver um satélite (uma lua) aplicando as leis do movimento de Newton à órbita da lua, leis que estabelecem uma relação simples entre a massa do planeta e a velocidade do satélite.

Créditos: Hypescience

Curiosity devora areia marciana pela primeira vez

O robô Curiosity fez a sua primeira análise do solo marciano. No caso, significou literalmente “comer terra”. Assim que o robô chegou ao local de exame, algumas pedrinhas brilhantes de cerca de um milímetro de largura chamaram a atenção dos cientistas. As imagens em close feitas pela sonda mostraram grãos completamente diferentes dos grãos vermelhos que eles já haviam examinado. Na semana anterior, as câmeras do Curiosity já haviam encontrado algo diferente, que os cientistas concluíram tratar-se de um detrito plástico do próprio robô (isso os deixou bastante paranóicos com a possibilidade de colocarem amostras contaminadas no laboratório da sonda). Depois de examinar bastante, eles chegaram à conclusão que, desta vez, se trata de algo do próprio solo marciano, o que levou a outra questão: por que este material brilha? A primeira hipótese levantada é de que as pedras eram minerais que foram cortados durante sua formação, criando assim superfícies achatadas e brilhantes que refletem a luz do Sol melhor do que a areia marciana típica. A segunda hipótese é de que se trata de um mineral diferente, misturado com a areia comum marciana. A análise de raio-X de um dos instrumentos do Curiosity, junto com as leituras adicionais a laser, devem revelar qual delas (ou se nenhuma) é verdade. Para fazer a análise das pedras, a sonda derrubou uma pazinha de material sobre o sistema de amostragem, para limpá-lo. Uma segunda pazinha também foi usada desta forma para garantir que não havia contaminação. A terceira pazinha foi sacudida pelo sistema, e parte da areia foi desviada para análise na sonda. A análise mineralógica é uma parte importante da missão de dois anos da Curiosity, para determinar se Marte possui os recursos químicos necessários para ser habitável. Outro laboratório a bordo do Curiosity é o “Análise de Superfície de Marte”, ou SAM, que deve receber sua primeira amostra nas próximas semanas. Posteriormente, o Curiosity deve também usar sua furadeira pela primeira vez em uma rocha marciana. Todas estas análises devem demorar algumas semanas, revelando boa parte dos segredos de Glenelg, região onde três formações geologicamente distintas se encontram. Mais perto do fim do ano, a nave Curiosity deve dirigir-se a uma montanha de 5 km de altura, no meio da Cratera Gale, a 10 km de distância.

Créditos: Hypescience

Sombras

Na Lua, sempre se soube que os Apennines, bem como os Caucusus e os Alpes geravam grandes e longas sombras, dependendo da iluminação, mas nunca se imaginou que o Mare Crisium também poderia gerar essas sombras. A imagem acima feita pelo astrônomo Rik Hill, mostra que o Mare Crisium pode também gerar essas sombras. De fato, se pensarmos bem, qualquer montanha ou cadeia de montanha localizada perto de uma planície, pode gerar sombras dependendo logicamente da iluminação. Se a iluminação é suficiente, então, essas sombras provavelmente serão geradas. Além de longas sombras, sombras estreitas revelam as cadeias concêntricas das cadeias que marcam a borda do banco do Mare Crisium. Usando a ferramenta do QuickMap, pode-se olhar para a cadeia perto da Peirce e da Swift, que a topografia se eleva vagarosamente por aproximadamente 100 metros, se aproximando da cadeia e então rapidamente cai por 400 metros ou mais, o banco é então 300 metros mais baixo e a cadeia é uma falha.

Créditos: LPOD

terça-feira, 23 de outubro de 2012

NASA pretende usar o “Martelo de Thor” para lançar nanosatélites no espaço

Conta a lenda que Thor, o deus nórdico, girava o seu poderoso martelo, Mjölnir, e o arremessava a velocidades estupendas, um feito que o homem só pode sonhar. A NASA está financiando um projeto que usa uma idéia similar para lançar minúsculos satélites em direção a outros planetas. O nome do projeto é “NanoTHOR”, e funcionará assim: no último estágio do lançamento de um foguete, ele solta um fio com alguns quilômetros de comprimento, com o nanosatélite na extremidade. Usando o resto do combustível reservado para este feito, ele começa a girar, e quando estiver no apogeu de sua trajetória, o fio solta o satélite, arremessando-o a altas velocidades em direção ao espaço. Esta idéia da Tethers Unlimited Inc recebeu US$ 100.000 (cerca de R$ 200.000,00) de financiamento do programa Innovative Advanced Concepts (Conceitos Avançados Inovadores, o mesmo programa que concedeu outros US$ 100.000 para o projeto da asa supersônica reversível) para começar a rodar simulações de computador e projetar o equipamento. O objetivo é lançar CubeSats, uma classe de nanosatélites, como sondas interplanetárias. Este tipo de satélite não carrega combustível, por isto a necessidade de um mecanismo de lançamento como o NanoTHOR, que usará os restos de propelente no último estágio do foguete, além do momentum. A equipe da Tether já experimentou durante anos vários materiais para fazer o cabo de lançamento, como o Zylon ou Spectra, que são usados em roupas à prova de balas. O desafio atual é descobrir como fazer o sistema de lançamento. A alternativa a este sistema seria o uso de um motor de foguete para dar o impulso inicial no CubeSat. O financiamento da NASA não será suficiente para construir o sistema completo, mas a Tethers planeja usar simulações de computador para testar a idéia em um espaço virtual. Este não é o único projeto da Tethers que ganhou o financiamento privado. Outro projeto deles recebeu incentivo, o de uma espaçonave que se constrói no espaço, usando tecnologia de impressão 3D, a “SpiderFab".

Créditos: Hypescience

Vídeo da NASA mostra modelo computacional da evolução completa de um disco galáctico


A simulação cosmológica mostrada acima, segue o desenvolvimento de um disco simples de uma galáxia por mais de 13.5 bilhões de anos, desde um tempo logo depois do Big Bang, até os dias de hoje. As cores indicam estrelas velhas (vermelho), estrelas jovens (branco e azul claro) e a distribuição da densidade do gás (azul pálido). A imagem mostra um disco galáctico com 300.000 anos-luz de diâmetro. A simulação foi rodada no supercomputador Plêiades, do Ames Research Center, da NASA, em Moffet Field, na Califórnia. Essa simulação assumi um universo dominado pela energia escura e pela matéria escura.

Créditos: Cienctec

Nave russa Soyuz é lançada em direção à ISS com 3 tripulantes

Segundo o Centro de Controle de Vôos Espaciais (CCVE) da Rússia, a nave foi lançada às 8h51 (de Brasília) com a ajuda de um foguete portador Soyuz-FG, uma operação que foi realizada com sucesso e sem contratempos, informaram as agências russas. A tripulação da Soyuz TMA-06M, composta pelos cosmonautas russos Oleg Novitski e Evgeny Tarelkin e pelo astronauta americano Kevin Ford, completará uma missão de 148 dias a bordo da plataforma orbital. Para Novitski e Tarelkin, que realizarão mais de 50 experimentos científicos durante sua permanência na ISS, este é o primeiro vôo ao espaço. Já Ford esteve na plataforma orbital em agosto de 2009, quando pilotou a nave espacial Discovery na missão STS-128. Durante seus quase cinco meses de estadia na plataforma, entre outras funções, a tripulação receberá quatro cargueiros russos Progress e um europeu ATV-4, os quais levarão oxigênio, alimentos e combustível. O acoplamento da nave russa com a ISS está programado para ocorrer nesta quinta-feira. Segundo o plano de vôo, a Soyuz TMA-06M se conectará ao módulo Poisk, um segmento russo da plataforma. Atualmente, a Estação Espacial Internacional conta com três tripulantes: a americana Sunita Williams, comandante da missão, o russo Yuri Malenchenko e o japonês Akihiko Hoshide.

Créditos: Terra

Rara galáxia em anel é fotografada

Galáxias em anel são das mais estranhas e belas galáxias que se conhece. Também são muito raras; apenas um punhado delas é conhecida. E como são raras, a maneira como elas se originam é cercada de mistérios. A grande maioria das galáxias em anel parece ser resultante de uma colisão de galáxias. O núcleo tem uma forma lenticular, uma forma espiral primitiva. O anel normalmente é perpendicular ao plano da parte central, ou seja, cruzando os pólos, por isto recebe também o nome de anel polar. Para criar uma estrutura destas, as galáxias que colidiram tem que ter seus planos perpendiculares também, criando o anel através das interações gravitacionais entre elas. Um dos sinais da colisão é a presença de dois buracos negros gigantescos no núcleo, às vezes até mesmo dois núcleos galácticos. Mas a NGC 660, da foto acima, é diferente. O seu núcleo apresenta a forma lenticular, mas do tipo antigo. Seu anel não está bem perpendicular, mas a 45°, aproximadamente, do plano da parte central. E ela apresenta um núcleo só. Por conta de tudo isso, ela não parece ser o resultado de uma colisão. Também por isso ela é o foco da criação de uma segunda hipótese para a formação deste tipo de objeto: não uma colisão, mas apenas uma passagem próxima. Uma galáxia rica em gases teria passado por perto da NGC 660 e deixado um anel de gás e poeira. A maioria das estrelas detectadas no anel de gás, que tem 40.000 anos-luz de diâmetro, são estrelas gigantes azuis e gigantes vermelhas, de vida curta. A mais nova delas tem cerca de 7 milhões de anos. Isto é um indício de que o anel é bastante ativo, de que há muita formação de estrelas nele. Outro ponto interessante nesta galáxia é que seu núcleo é especialmente brilhante na faixa do rádio, o que indica uma região de formação de estrelas no núcleo da galáxia, provavelmente também provocada pela passagem galáctica. A interação entre as duas galáxias próximas pode ter provocado ondas de choque, que causaram a formação de estrelas gigantescas, que por sua vez explodiram em pouco tempo também, gerando mais ondas de choque e causando a formação de mais estrelas ainda. Essa bonita galáxia fica a 40 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Peixes. Em resumo, ela é provavelmente o resultado da interação com outra galáxia, que gerou um anel cheio de berços estelares, tudo fruto da influência invisível da gravidade. A imagem é uma combinação de fotos de longa exposição acumulando 1.620 segundos, feita pelo astrônomo Travis Rector, da Universidade de Alaska Anchorage, usando o telescópio de 8 metros de diâmetro do observatório Gemini Norte, em Mauna Kea no Havaí.

Créditos: Hypescience

Astrônomos descobrem surpreendente tendência na evolução galáctica

Um estudo detalhado de centenas de galáxias observadas pelos telescópios Keck no Hawai e pelo Telescópio Espacial Hubble revelou um padrão inesperado de mudança que se estende a mais de 8 bilhões de anos, ou mais de metade da idade do Universo. "Os astrônomos pensavam que as galáxias em forma de disco no Universo próximo tinham sido estabelecidas na sua forma atual há cerca de 8 bilhões de anos atrás, com pouco desenvolvimento adicional desde então," afirma Susan Kassin, astrónoma do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland, investigadora principal do estudo. "A tendência que temos observado mostra o contrário, que as galáxias estavam constantemente mudando ao longo deste período de tempo." Hoje, as galáxias com formação estelar assumem a forma de sistemas ordenados em disco, como a Galáxia de Andrômeda ou a Via Láctea, onde a rotação domina sobre outros movimentos internos. As galáxias mais distantes no estudo tendem a ser muito diferentes, exibindo movimentos desorganizados em múltiplas direções. Existe uma mudança constante em direção a uma maior organização no tempo presente, à medida que os movimentos desorganizados dissipam-se e as velocidades de rotação aumentam. Estas galáxias estão gradualmente estabelecendo-se em discos "bem comportados." As galáxias azuis - a cor indica formação estelar dentro delas - mostram movimentos menos desorganizados e rotação cada vez mais rápida quanto mais perto estão do presente. Esta tendência vale para as galáxias de todas as massas, mas os sistemas mais massivos mostram sempre o mais alto nível de organização. Os cientistas dizem que as galáxias distantes azuis estudadas estão gradualmente transformando-se em galáxias em disco tal como a nossa Via Láctea. "Estudos anteriores removeram as galáxias que não se pareciam com os discos bem ordenados e rotativos agora comuns no Universo de hoje em dia," afirma o co-autor Benjamin Weiner, astrónomo da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. "Ao negligenciá-las, estes estudos examinaram apenas as galáxias raras no Universo distante, que são bem-comportadas e concluíram que as galáxias não mudavam." Em vez de limitar a sua amostra a certos tipos de galáxias, os pesquisadores ao invés estudaram todas as galáxias com linhas de emissão brilhantes o suficiente para serem usadas para determinar movimentos internos. As linhas de emissão são os comprimentos de onda discretos caracteristicamente emitidas pelo gás dentro de uma galáxia. São reveladas quando a luz de uma galáxia é separada nas cores que a compõem. Estas linhas de emissão também transportam informações sobre os movimentos internos da galáxia e a sua distância. A equipe estudou uma amostra de 544 galáxias azuis do estudo DEEP2 (Deep Extragalactic Evolutionary Probe 2), um projeto que utiliza o Hubble e os telescópios gêmeos de 10 metros do Observatório Keck no Hawai. Localizadas entre 2 bilhões e 8 bilhões de anos-luz de distância, as galáxias têm massas que variam entre os 0,3% e 100% da massa da nossa Galáxia. O artigo que descreve estes achados foi publicado na edição de 20 de Outubro da revista The Astrophysical Journal. A Via Láctea deve ter passado pela mesma evolução tumultuosa que as galáxias na amostra DEEP2, e gradualmente assentou-se no seu estado atual à medida que o Sol e o Sistema Solar estavam sendo formados. Nos últimos 8 bilhões de anos, o número de fusões entre galáxias grandes e pequenas tem diminuído drasticamente. Tal tem acontecido também com a taxa de formação estelar e perturbações de explosões de supernova associadas com a formação estelar. Os cientistas especulam que estes fatores podem desempenhar um papel na criação da tendência evolutiva que observam. Agora que os astrônomos conseguem ver este padrão, podem ajustar as simulações de computador da evolução galáctica até que os seus modelos sejam capazes de replicar a tendência observada. Isto irá guiar os cientistas aos processos físicos responsáveis pela mesma.

Créditos: Astronomia On-line