sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Cientistas estimam a massa da nossa galáxia

Uma equipe internacional de pesquisadores calculou a massa da Via Láctea. Os cientistas divulgaram artigo no servidor de preprints arXiv descrevendo o trabalho e os resultados.
A partir de pesquisas anteriores, estima-se que Via Láctea se estenda por, aproximadamente, 256 mil anos-luz. Nesse novo trabalho, os pesquisadores estimam que a massa da nossa galáxia seja de 890 bilhões de vezes a do Sol, ou de 1,7 tredecilhões de quilos.
Considerando que medimos a massa, o tamanho e a forma da galáxia de dentro dela, essas não são tarefas fáceis. Como não podemos ver muito da nossa galáxia, os cientistas procuraram outras formas de mapear a Via Láctea.
Para criar um modelo baseado em massa, os cientistas usaram dados sobre como estrelas, gás e outros materiais se movem na galáxia. Com esses dados criaram o que descrevem como “curva de rotação”. Isso foi necessário para entender as distâncias dos objetos galácticos, porque a galáxia não gira de forma uniforme.
Os pesquisadores perceberam que as forças de rotação podem ser relacionadas com as forças gravitacionais. Além disso, eles perceberam que é esse balanço que impede os objetos de serem sugados pelo buraco negro no centro da galáxia, ou de serem arremessados no espaço.
Isso ainda pode ser usado para calcular a massa de objetos. Ao calcular o estado de equilíbrio para todos os objetos na galáxia a equipe pode calcular todas as suas massas. A soma de todas elas deu um total aproximado.
Os cientistas ainda precisaram considerar a matéria escura, que compõe aproximadamente 93% da galáxia, de acordo com pesquisa anterior. Com as duas informações foi possível calcular a massa total da Via Láctea e fazer um cálculo da massa total de matéria escura.
O que dá mais crédito à descoberta é o fato de os pesquisadores concluírem que suas estimativas estão alinhadas com resultados de outros pesquisadores com o mesmo objetivo.

Créditos: Hypescience

Buraco negro do centro da Via Láctea teria um 'amigo'

Um grupo de pesquisadores, liderado pela astrônoma Smadar Naoz, considera que o buraco negro supermaciço Sagitário A*, localizado no centro da Via Láctea, poderia ter um acompanhante.
Esse segundo buraco negro "amigo" ainda não foi registrado, mas sua existência poderia ser comprovada ou destacada através de "uma infinidade de efeitos observáveis", indicam especialistas.
O efeito mais evidente seria o movimento das estrelas mais próximas ao centro da Via Láctea, como a S0-2, que orbita Sagitário A* com um período de 16 anos. Se há um buraco negro acompanhante, seu tamanho não seria maior que um décimo do principal, que é um milhão de vezes maior que o Sol.
As observações permitiram destacar que existe "um segundo buraco negro supermaciço com uma massa 100.000 vezes superior" à do Sol e que se encontra "a 200 vezes a distância” entre essa estrela e a Terra em relação a Sagitário A*, explica Naoz ao portal Space.com.
No entanto, essa circunstancia não descarta que nessa zona se encontra um buraco negro secundário menor que "não altera a órbita da S0-2 de uma maneira que possamos medir com facilidade", agrega a especialista.
Assim, a presença de um segundo buraco negro se detectaria ao observar a emissão da S0-2 no momento de sua máxima aproximação a Sagitário A*, um fenômeno que ocorreria dentro de aproximadamente dezesseis anos e em que "se poderia alterar o resultado esperado".
Finalmente, a interação dos buracos negros deveria liberar ondas gravitacionais de baixa frequência. Os aparatos disponíveis hoje em dia não são capazes de detectar essas flutuações, mas a Antena Espacial de Interferômetro a Laser (LISA, na sigla em inglês), que a NASA espera colocar em serviço em 2034, poderia restringi-las, detalha Smadar Naos.

Créditos: Sputnik

Telescópio Cheops vai ao espaço estudar exoplanetas

Foi lançado com sucesso ao espaço o observatório Cheops, a primeira missão da ESA (Agência Espacial Européia) dedicada ao estudo de planetas extrassolares, ou exoplanetas.
Cheops é uma sigla para CHaracterising ExOPlanet Satellite, ou Satélite de Caracterização de Exoplanetas, uma parceria entre a ESA e a Suíça, com um consórcio próprio liderado pela Universidade de Berna e com contribuições de outros 10 estados membros da agência espacial.
Ao contrário dos telescópios caçadores de exoplanetas anteriores, como a missão Corot e as missões Kepler e TESS da NASA, o observatório Cheops não é uma "máquina de descobertas", mas uma missão de acompanhamento, focada em estrelas individuais que já são conhecidas por abrigar um ou mais planetas. Ele também identificará os melhores candidatos para estudos detalhados por futuros observatórios.
A missão observará estrelas brilhantes, medindo mudanças minúsculas de brilho devido ao trânsito do planeta através do disco da estrela. Os principais alvos são estrelas que possuem planetas na faixa de tamanho entre a Terra e Netuno.
As medições de alta precisão permitirão calcular o tamanho de cada exoplaneta. Juntamente com informações independentes sobre as massas dos planetas, isso permitirá determinar a densidade de cada um, viabilizando uma primeira caracterização desses mundos extrassolares. A densidade de um planeta fornece pistas vitais sobre a sua composição e estrutura, indicando, por exemplo, se é predominantemente rochosa ou gasosa, ou mesmo a presença de oceanos significativos.
A missão Cheops prepara o caminho para a próxima geração de observatórios de exoplanetas da ESA - Plato e Ariel - planejados para a próxima década. Juntas, estas missões ampliarão o conhecimento necessário para responder à pergunta fundamental: Quais são as condições para a formação dos planetas e o aparecimento da vida no Universo?

Créditos: Inovação Tecnológica

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Capturada melhor imagem de todas do novo visitante interestelar

Um cometa que surgiu de fora do nosso sistema solar foi registrado pelo Telescópio Espacial Hubble quando se aproximou do Sol no início do mês.
As últimas imagens do Hubble do cometa 2I/Borisov exibem o invasor interestelar vagando por nosso sistema solar em 8 de dezembro.
O cometa está fazendo sua única visita ao nosso sistema solar. Sua incrível velocidade de 44,7 quilômetros por segundo é grande demais para que o objeto possa ser capturado pela gravidade do Sol, por isso o cometa deixará nosso sistema solar para nunca mais retornar.
O Hubble tem observado o cometa interestelar há meses. O 2I/Borisov é o segundo objeto interestelar que detectamos visitando nosso sistema solar, mas o primeiro a ser classificado como um cometa.
Um astrônomo amador da Crimeia chamado Gennady Borisov descobriu o objeto em 30 de agosto. Depois de confirmar a origem de fora de nosso sistema solar do cometa, astrônomos profissionais usaram equipamentos potentes para realizar observações mais precisas.
A imagem acima do Hubble, em 19 de novembro, exibiu o cometa passando a 326 milhões de quilômetros da Terra. No entanto, desta vez, o telescópio espacial capturou o cometa passando defronte a uma galáxia espiral distante, exibindo uma perspectiva verdadeiramente singular.
O cometa está se aproximará da Terra no final de dezembro, a uma distância de 289 milhões de quilômetros, e prosseguir sua jornada para fora do sistema solar retornando ao espaço interestelar, ou seja, a região entre as estrelas.
Mesmo o poderoso Hubble não conseguiu identificar o núcleo do cometa, que os cientistas pensam ser composto de uma mistura de gelo e poeira. No entanto eles puderam estimar que o núcleo do cometa deve ter cerca de um quilometro de diâmetro..
“Surpreendentemente, nossas imagens do Hubble mostram que seu núcleo é 15 vezes menor do que as investigações anteriores sugeriram. Nossas imagens do Hubble mostram que o raio é menor que meio quilômetro”, disse o professor de astronomia David Jewitt, da UCLA (EUA).
“Saber o tamanho é potencialmente útil para começar a estimar quão comuns esses objetos podem ser no sistema solar e em nossa galáxia”, afirmou Jewitt. “Borisov é o primeiro cometa interestelar conhecido, e gostaríamos de saber quantos outros existem.”
Observações também mostram que o cometa tem composição química similar à dos cometas que se formam aqui no nosso sistema solar.
Um outro objeto interestelar chamado ʻOumuamua, ou 1I / 2017 U1, foi descoberto em 2017, apenas semanas após fazer sua passagem mais próxima do Sol. Os astrônomos confirmaram que ‘Oumuamua teve origem em outro sistema solar – o primeiro objeto interestelar já observado – e tinha uma forma alongada anômala, como um charuto, talvez um disco.
Embora os cientistas tenham observado apenas dois objetos interestelares viajando pelo nosso sistema solar, os astrônomos pensam que esses invasores são visitantes frequentes. Mas eles normalmente são escuros e se movem com uma velocidade tão alta que são difíceis de detectar.

Créditos: Hypescience

ALMA DESCOBRE A GALÁXIA EMPOEIRADA MAIS DISTANTE ESCONDIDA À VISTA DE TODOS

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), astrônomos avistaram a luz de uma galáxia massiva apenas 970 milhões de anos após o Big Bang. Esta galáxia, de nome MAMBO-9, é a galáxia empoeirada mais distante já observada sem a ajuda de uma lente gravitacional.
As galáxias empoeiradas que formam estrelas são os viveiros estelares mais intensos do Universo. Formam estrelas a um ritmo de até alguns milhares de vezes a massa do Sol por ano (o ritmo de formação estelar da nossa Via Láctea é de apenas três massas solares por ano) e contêm grandes quantidades de gás e poeira. Não se espera que estas galáxias monstruosas se tenham formado no início da história do Universo, mas os astrônomos já descobriram várias quando o Universo tinha menos de 1 bilhão de anos. Uma delas é a galáxia SPT0311-58, que o ALMA observou em 2018.
Devido ao seu comportamento extremo, os astrônomos pensam que estas galáxias empoeiradas desempenham um papel importante na evolução do Universo. Mas descobri-las é uma tarefa complexa. "Estas galáxias tendem a esconder-se à vista de todos," disse Caitlin Casey da Universidade do Texas em Austin e autora principal de um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. "Sabemos que existem por aí, mas não são fáceis de encontrar porque a luz das suas estrelas está escondida em nuvens de poeira."
A luz de MAMBO-9 já tinha sido detectada há dez anos atrás pelo coautor Manuel Aravena, usando o instrumento MAMBO (Max-Planck Millimeter BOlometer) acoplado ao telescópio IRAM de 30 metros na Espanha e o PdBI (Plateau de Bure Interferometer) na França. Mas estas observações não foram sensíveis o suficiente para revelar a distância da galáxia. "Estávamos na dúvida se era real, porque não conseguíamos encontrá-la com outros telescópios. Mas, a ser real, tinha que estar muito longe," diz Aravena, que na altura era estudante de doutoramento na Alemanha e atualmente trabalha na Universidade Diego Portales no Chile.
Graças à sensibilidade do ALMA, Casey e a sua equipe foram agora capazes de determinar a distância de MAMBO-9. "Encontramos a galáxia num novo levantamento ALMA projetado especificamente para identificar galáxias empoeiradas que formam estrelas no Universo primitivo," disse Casey. "E o especial desta observação é que esta é a galáxia empoeirada mais distante que já vimos de maneira desobstruída."
A luz de galáxias distantes é frequentemente obstruída por outras galáxias mais próximas de nós. Estas galáxias no plano da frente funcionam como lentes gravitacionais: dobram a luz da galáxia mais distante. Este efeito de lente facilita a identificação de objetos distantes por parte dos telescópios (é assim que o ALMA pôde ver a galáxia SPT0311-58). Mas também distorce a imagem do objeto, dificultando a identificação de detalhes.
Neste estudo, os astrônomos viram MAMBO-9 diretamente, sem lente, e isso permitiu-lhes medir a sua massa. "A massa total de gás e poeira na galáxia é enorme: dez vezes mais do que todas as estrelas da Via Láctea. Isto significa que ainda vai construir a maioria das suas estrelas," explicou Casey. A galáxia tem duas partes e está no processo de fusão.
Casey espera encontrar galáxias empoeiradas mais distantes no levantamento do ALMA, que fornecerá informações sobre quão comuns são, como estas galáxias massivas se formaram tão cedo no Universo e porque é que são tão empoeiradas. "Normalmente, a poeira é um subproduto da morte das estrelas," disse. "Esperamos cem vezes mais estrelas do que poeira. Mas MAMBO-9 ainda não produziu tantas estrelas e queremos descobrir como a poeira pode se formar tão rapidamente após o Big Bang."
"Observações com tecnologia nova e mais capaz podem produzir descobertas inesperadas como MAMBO-9," disse Joe Pesce, executivo da NSF para o NRAO e para o ALMA. "Embora seja um desafio explicar uma galáxia tão grande, tão cedo na história do Universo, descobertas como esta permitem que os astrônomos desenvolvam uma compreensão melhorada e coloquem cada vez mais questões sobre o Universo."
A luz de MAMBO-9 viajou cerca de 13 bilhões de anos até alcançar as antenas do ALMA (o Universo tem aproximadamente 13,8 bilhões de anos). Isto significa que podemos ver como a galáxia era no passado. Hoje, a galáxia provavelmente está ainda maior, contendo cem vezes mais estrelas que a Via Láctea, residindo num enorme enxame de galáxias.

Créditos: Astronomia On-line

Atividade misteriosa no asteróide Bennu deixa cientistas perplexos




A NASA admitiu que não faz idéia de porque um asteróide próximo está expulsando um material misterioso. Desde o ano passado, a nave espacial OSIRIS-REx da NASA tem andado à volta do grande asteróide que foi batizado de Bennu e que passa regularmente perto da Terra. As imagens enviadas de volta do OSIRIS-REx surpreenderam os cientistas esta semana depois que elas mostraram o asteróide lançando aleatoriamente objetos para o espaço.
Com um diâmetro de aproximadamente 493 metros, o asteróide 101955 Bennu é observado extensivamente através do radar planetário do Arecibo Observatory e o Deep Space Network, Goldstone. O asteróide possui potencial de atingir a Terra e está listado na Tabela de Risco Sentry.
À primeira vista, os pesquisadores pensaram que as partículas podiam ser estrelas atrás do asteróide, mas, examinando mais de perto, a equipe percebeu que o asteróide estava ejetando material de sua superfície. Depois de concluir que essas partículas não comprometeram a segurança da espaçonave, a missão começou observações dedicadas para documentar a atividade. Os pesquisadores chamaram estes episódios de “eventos de ejeção de partículas”.
A equipe investigou uma ampla variedade de mecanismos possíveis que podem ter causado os eventos de ejeção e apresentou uma lista de três fortes candidatos: impactos meteoroides, fratura por estresse térmico e liberação de vapor de água.
Muitas das partículas ejetadas pelo asteróide Bennu são pequenas o suficiente para serem coletadas pelo mecanismo de amostragem da sonda, o que significa que a amostra retornada pode conter algum material que foi ejetado e retornado à superfície de Bennu. A coleta de amostras pela sonda está programada para 2020 e a amostra será entregue à Terra por volta de setembro de 2023.
A razão por trás da surpreendente volatilidade da superfície do asteróide permanece incerta, pelo menos por enquanto. Ninguém jamais viu um asteróide ativo tão de perto como acontece agora. Esta é, certamente, uma ótima oportunidade para expandir nosso conhecimento de como os asteróides se comportam.

Créditos: Socientífica

Resultados de sonda que passou de raspão pelo sol deixam cientistas assombrados

Cientistas começaram a divulgar os resultados da missão Parker Solar Probe, a sonda solar da NASA, e as descobertas poderiam mudar o que sabemos sobre o nascimento e a evolução das estrelas.
Os achados também poderiam ajudar os cientistas a desenvolver formas de proteger os astronautas das condições espaciais, como a radiação, durante viagens de longa distância no sistema solar.
“A complexidade era alucinante quando começamos a analisar os dados”, disse Stuart Bale, um dos cientistas da missão da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).
A Parker Solar Probe foi o objeto que chegou mais perto do Sol até hoje: sua passagem de raspão pela nossa estrela ocorreu em agosto de 2018, momento no qual a sonda angariou muitas informações interessantes.
A primeira descoberta feita pela equipe da missão é de que os campos magnéticos que emanam do Sol parecem “virar para frente e para trás”, causando perturbações. Essas “reviradas” podem ajudar os pesquisadores a entender como a energia se dissipa a partir do Sol para todo o sistema solar.
Outra descoberta é que os ventos solares rotam ao redor do Sol a velocidades cerca de dez vezes maiores do que as previstas pelos modelos.
Essa foi a primeira vez que observamos diretamente a rotação desses ventos, ao invés de enxergá-los a uma velocidade perpendicular a estrela, em uma trajetória reta, da forma que é possível a partir da Terra.
Além das primeiras análises de dados, publicadas em dois artigos na revista científica Nature, muito mais descobertas nos aguardam, não somente a partir das informações já coletadas, mas de novas que virão com a próxima tentativa da sonda de passar ainda mais perto do Sol, em 29 de janeiro do ano que vem.
“O Sol é a única estrela que podemos examinar de perto. Obter dados na fonte já está revolucionando nossa compreensão de nossa própria estrela e estrelas em todo o universo. Nossa pequena espaçonave está passando por condições brutais para enviar para casa revelações surpreendentes e emocionantes”, resumiu Nicola Fox, diretor da Divisão de Heliofísica da NASA, em um comunicado.

Créditos: Hypescience

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Astrônomos descobrem planeta gigante – e ele está "evaporando"

Pela primeira vez na história, cientistas do Chile, Alemanha e Reino Unido descobriram um planeta gigante que orbita uma estrela anã branca - e tudo indica que ele está "evaporando". O astro é muito parecido com Netuno e está fora do nosso Sistema Solar, a cerca de 1,5 mil anos-luz da Terra, na Constelação de Câncer.
A descoberta do planeta gigante será publicada na revista Nature. Os pesquisadores acreditam que ele faz parte de um sistema composto pela anã branca WDJ0914+1914, que é o que restou de uma estrela parecida com o Sol.
Apesar de ser um “resquício” de uma morte estelar, a anã branca alcança temperaturas impressionantes, que chegam a 28.000 ºC (cinco vezes a temperatura do Sol).
Por outro lado, o planeta que orbita a estrela é um gigante com temperaturas congelantes. Ele tem o dobro do tamanho da anã branca e dá uma volta nela a cada 10 dias, com uma velocidade de 10 milhões de quilômetros por hora.
Em troca, a estrela libera prótons de alta energia, interferindo na atmosfera do planeta, que está "evaporando". O gás que escapa da atmosfera forma um disco que se movimenta a 3 mil toneladas de gás por segundo.
“Demorou algumas semanas de pensamento árduo para entender que o único modo de formar esse disco seria a evaporação de um planeta gigante”, disse em comunicado o co-autor do estudo, Matthias Schreiber, da Universidade de Valparaíso, no Chile.
A descoberta do planeta foi feita usando o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). Antes de localizá-lo, primeiro foram analisadas variações na luz da estrela anã branca e sua composição, que revelou gases como hidrogênio, oxigênio e enxofre.
Tais gases não eram próprios da estrela, mas chegaram até ela por meio do disco do planeta. A composição desse disco foi analisada e se mostrou similar à atmosfera de planetas gigantes como Netuno. Em breve, isso pode dar pistas aos pesquisadores sobre a composição de outros planetas que estão fora do nosso Sistema Solar.

Créditos: Galileu

Vibrações em estrelas de nêutrons ajudam astrônomos a repensar idade da Via Láctea

Enquanto o satélite Kepler da NASA estava procurando exoplanetas nos céus, acabou observando cuidadosamente o brilho de uma estrela influenciado por um planeta, relata um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A missão de Kepler já foi finalizada, mas os dados recolhidos continuam dando frutos. Cientistas, liderados por pesquisadores do Centro de Excelência ARC para a Astrofísica de Todos os Céus em 3D (Astro 3D, na sigla em inglês), de Sydney, Austrália, utilizaram os dados para estimar a idade das estrelas e, por conseguinte, também a data de nascimento da galáxia.
A pesquisa descreve como os tremores em estrelas no "disco espesso" da Via Láctea lhes proporcionaram uma estimativa mais precisa da idade da galáxia: 10 bilhões de anos.
"Esta descoberta esclarece um mistério", disse ao portal Phys.org o autor principal, Sanjib Sharma, do Astro 3D e da Universidade de Sydney, Austrália. "Dados anteriores sobre a distribuição etária das estrelas no disco não concordavam com os modelos construídos para descrevê-lo, mas ninguém sabia onde estava o erro, se nos dados ou nos modelos. Agora temos certeza de que o encontremos", acrescentou.
O erro estaria em estrelas de nêutrons, nos núcleos ultradensos de estrelas que morreram, e nas violentas correções periódicas em seus campos magnéticos extremamente poderosos.
"Os terremotos geram ondas sonoras dentro das estrelas que as fazem pulsar ou vibrar", explicou o coautor e professor associado Dennis Stello do Astro 3D e da Universidade de Nova Gales do Sul, Austrália. "As frequências produzidas nos dizem coisas sobre as propriedades internas das estrelas, incluindo suas idades. É um pouco como identificar um violino como um estradivário ouvindo o som que ele faz."
O maior terremoto de estrelas já gravado, visto na estrela de nêutrons SGR 1806-20 em 27 de dezembro de 2004, tinha uma frequência de 94,5 Hertz, com um F nítido ligeiramente plano, equivalente à 22ª tecla de um piano, informou o Space.com.
Nesse momento, um intenso clarão de energia que durou um décimo de segundo liberou mais energia do que o nosso Sol emite em 150.000 anos.
Kepler foi lançado em 2009 e desativado no final de 2018, tendo descoberto cerca de 2.600 planetas fora do nosso Sistema Solar.

Créditos: Sputnik

Astrônomos encontram buraco negro "impossível" na Via Láctea

Cientistas da Academia Chinesa de Ciências anunciaram a descoberta de um buraco negro "impossível". Segundo eles, um fenômeno massivo como o que encontraram não poderia existir de acordo com os modelos astronômicos atuais.
Isso porque, até agora, os pesquisadores acreditavam que a massa dos buracos negros da Via Láctea eram de cerca de 20 vezes a do Sol. Entretanto, o fenômeno encontrado tem 70 vezes a massa da nossa estrela – muito mais do que era previso nos modelos matemáticos.
"Achamos que estrelas muito massivas com a composição química típica de nossa galáxia devem derramar a maior parte de seu gás em fortes ventos estelares, à medida que se aproximam do fim de sua vida", explicou LIU Jifeng, líder da pesquisa, em comunicado. "Portanto, não devem deixar para trás um remanescente tão massivo. LB-1 [o buraco-negro encontrado] é duas vezes maior do que pensávamos ser possível. Agora os teóricos terão que aceitar o desafio de explicar sua formação."
Segundo os especialistas, a descoberta só foi possível graças as observações de diversos telescópios ao redor do mundo. Os cientistas identificaram a existência de uma estrela oito vezes mais pesada que o Sol a 15 mil anos-luz da Terra. Quando analisaram melhor, eles perceberam que o astro orbitava um buraco negro de 70 massas solares, a cada 79 dias.
A descoberta do LB-1 ajuda a explicar outro fenômeno. Recentemente, os astrônomos começaram a captar ondas no espaço-tempo causadas por colisões de buracos negros em galáxias distantes. Contudo, essas observações eram incompatíveis com o modelo atual, pois eram correspondentes a buracos negros muito mais massivos do que os que se tinha conhecimento.
"Esta descoberta nos obriga a reexaminar nossos modelos de como os buracos negros de massa estelar se formam", disse o diretor do telescópioo LIGO, David Reitze, em comunicado. "Esse resultado notável, juntamente com as detecções de buracos negros binários do LIGO-Virgo dos últimos quatro anos, realmente apontam para um renascimento em nossa compreensão da astrofísica dos buracos negros."

Créditos: Galileu

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Duas violentas explosões muito distantes produziram recentemente a luz mais brilhante do universo

Pela primeira vez, astrônomos observaram diretamente duas explosões de raios gama extremamente violentas em galáxias a bilhões de anos-luz de distância da Terra.
Essas explosões produziram a luz mais brilhante já observada no universo, estudada em seguida por cerca de 300 cientistas em todo o mundo.
“As explosões de raios gama são as mais poderosas conhecidas no universo e normalmente liberam mais energia em apenas alguns segundos do que o nosso sol durante toda a sua vida”, explicou o cientista David Berge em um comunicado.
Embora ocorram quase todos os dias sem nenhum aviso prévio, elas duram apenas alguns segundos e permanecem um mistério para os astrônomos, que nunca as haviam estudado diretamente – apenas os seus “resquícios”. Tais resíduos brilhantes podem persistir por horas ou dias.
“Muito do que sabemos sobre explosões de raios gama nas últimas décadas veio da observação de suas sequelas em energias mais baixas”, disse a cientista Elizabeth Hays, da NASA, também em um comunicado.
Agora, os pesquisadores tiveram a chance de observar as explosões conforme elas ocorriam. A primeira foi detectada em julho de 2018, e a segunda em janeiro deste ano.
Essa última foi mais poderosa, com cerca de 100 bilhões de vezes tanta energia quanto a luz visível aos olhos humanos. Dois telescópios da NASA a observaram em uma galáxia a 4 bilhões de anos-luz de distância durante 20 minutos.
“Nossas medidas mostram que a energia liberada em raios gama [nesses 20 minutos] é comparável à quantidade irradiada em todas as energias inferiores tomadas em conjunto [no período depois da explosão inicial]. Isso é notável”, afirmou a cientista Konstancja Satalecka no mesmo comunicado.
Os cientistas já suspeitavam que uma espécie de dispersão de elétrons era capaz de aumentar a energia dos fótons durante essas explosões, causando rajadas de raios gama com luz de energia ultra-alta na fase pós-brilho.
As observações dessas duas explosões confirmaram essa teoria pela primeira vez.

Créditos: Hypescience

Telescópio da NASA captura explosão nunca antes vista em cometa

Essa foi a primeira vez que a humanidade conseguiu imagens tão nítidas de um evento desse tipo.
"Esta é a observação mais completa e detalhada até hoje da formação e dissipação da explosão em um cometa ocorrendo naturalmente", disse a NASA em um comunicado.
O pequeno corpo celeste teve seu momento de maior aproximação à Terra em dezembro de 2018, quando passou a 11,5 milhões de quilômetros de distância. Contudo, a explosão começou em 26 de setembro do mesmo ano, dissipando-se durante 20 dias seguidos.
Segundo estimativas aproximadas dos cientistas da Universidade de Maryland (EUA), o fenômeno expulsou cerca de um milhão de quilos de material, criando uma cratera de cerca de 20 metros em sua superfície.
"Como o TESS obtinha imagens detalhadas e compostas a cada 30 minutos, a equipe conseguiu visualizar cada fase com detalhes minuciosos", afirmou a agência norte-americana.
"Com 20 dias de imagens muito frequentes, pudemos avaliar facilmente as alterações de luminosidade", comentou o autor principal do estudo, Tony Farnham, do Departamento de Astronomia da universidade.
Os pesquisadores também conseguiram detectar pela primeira vez o rastro do cometa, que, ao contrário da cauda, é um campo de detritos maiores que traça sua trajetória orbital enquanto se move ao redor do Sol. "Quando a Terra encontra o rastro de poeira de um cometa, temos chuvas de meteoros", explicou o coautor Michael Kelley.
Em maio, descobriu-se que o cometa 46P/Wirtanen contém água "semelhante à de um oceano". Esta descoberta reforçou a idéia de que estes corpos gelados desempenharam um papel fundamental na chegada do líquido à Terra.
Por razões ainda desconhecidas dos cientistas, muitos cometas ocasionalmente experimentam explosões espontâneas. O estudo do processo desse fenômeno pode ajudar a compreender melhor as propriedades desses corpos.

Créditos: Sputnik

Chuva de meteoros Geminídeos é a maior atração astronômica em dezembro

Mais um ano vai chegando ao fim, mas sempre há tempo para belas observações do céu. O mês de dezembro traz magníficas constelações de verão, com destaque para as brilhantes estrelas de Touro, Órion e Cão Maior.
A maior atração, porém, é a sempre marcante chuva de meteoros Geminídeos, que tem pico na noite de 13 para 14 de dezembro. Esta será a chuva de melhor visibilidade nas latitudes brasileiras – caso a noite esteja sem nuvens, você não deve perder.
Para observar meteoros, é preciso paciência: reserve pelo menos uma hora, preferencialmente em um local afastado das luzes da cidade.

Dia 14As primeiras horas desse sábado são a melhor oportunidade para observar meteoros no Brasil. Quem fizer uma vigília poderá ver dezenas deles durante a madrugada. Olhe na direção da Constelação de Gêmeos e aprecie o show.

Dia 22O Solstício de Dezembro acontece à 1h19 (hora de Brasília). Nesse instante, o Sol atinge a posição mais ao sul na Esfera Celeste. É o início do verão no Hemisfério Sul e do inverno no Hemisfério Norte. Aproveite este que será o dia mais longo do ano!

Dia 23Atividade de meteoros acima da média, resultado da poeira deixada pelo cometa 8P/Tuttle. É uma chuva de difícil visualização no Brasil, pois seu radiante é próximo ao polo celeste norte. Olhe para o norte no final da madrugada.

Dia 28Encerrando o ano, uma bela visão ao entardecer. O fino crescente da Lua encontra o brilhante Vênus em uma magnífica conjunção. Olhe para o oeste logo após o pôr do Sol.

Por Gustavo Rojas Físico da Universidade Federal de São Carlos.


Créditos: Galileu

Asteróide passará perto da Terra a 27.000 km/h na sexta-feira, alerta NASA

De acordo com as estimativas da NASA, o asteróide 2019 WR3 mede entre 72 e 160 metros de diâmetro e se move a uma velocidade de 27.036 km/h.
Para efeito de comparação, a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, mede 139 metros de altura.
Além disso, a agência espacial americana calcula que o corpo rochoso passará no dia 6 de dezembro por volta das 17h52, do horário de Brasília.
Apesar de a notícia parecer alarmante, o asteróide em questão não representa um perigo para nós, já que o ponto máximo de aproximação será de aproximadamente 5,4 milhões de quilômetros, ou seja, cerca de 14 vezes a distância entre a Lua e a Terra.
O 2019 WR3 pertence ao grupo de asteróides Apolo, que tem uma órbita muito ampla ao redor do nosso planeta. Ocasionalmente, a órbita dos corpos celestes neste grupo atravessa a da Terra.

Créditos: Sputnik