quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

2018 XC4

O asteróide 2018 XC4, deve passar amanhã a apenas 610 mil km do nosso planeta. A rocha tem 23 metros e se desloca a 25 mil km/h. Apesar da pouca distância não há risco de colisão.
2018 XC4 tem cerca de 19 mil toneladas e um volume estimado em 6371 metros cúbicos. Se atingisse a Terra o asteróide liberaria energia equivalente a explosão de 112 kilotons de TNT ou 6 bombas simliares à de Hiroshima.

Créditos: Apolo 11

Um novo exoplaneta do tamanho de Netuno

As incríveis descobertas exoplanetárias feitas pelas missões Kepler e K2 permitiram aos astrônomos começar a entender a história da Terra e porque difere dos seus diversos primos exoplanetários. Dois quebra-cabeças ainda pendentes incluem as diferenças entre a formação e evolução de planetas pequenos rochosos e não-rochosos, e a razão porque parece haver uma lacuna de tamanho com pouquíssimos exoplanetas mais ou menos com duas vezes o tamanho da Terra (planetas com raios menores são provavelmente rochosos ou parecidos com a Terra em termos de composição). Para estimar a composição de um exoplaneta, é necessária a sua densidade, exigindo uma medição de massa e tamanho. Embora o raio possa ser estimado a partir da forma da curva do trânsito do planeta quanto este passa em frente e bloqueia parte da luz da sua estrela, a massa é mais difícil de determinar. No entanto, a fim de desenvolver uma imagem emergente, são necessárias massas mais precisas para mais planetas semelhantes em tamanho à Terra.
A missão exoplanetária K2 é a versão reavivada da missão exoplanetária Kepler. Juntas, descobriram milhares de exoplanetas e encontraram uma diversidade notável e inesperada na população exoplanetária. A missão K2 só era sensível a planetas de período curto (encontrou apenas alguns planetas com períodos maiores que 40 dias). O exoplaneta K2-263b orbita uma estrela menos massiva que o Sol (0,86 massas solares) localizada a 536 anos-luz de distância, medição esta obtida pelo satélite Gaia. Este exoplaneta tem um raio de 2,41 raios terrestres (com 5% de incerteza). Os astrônomos Maria Lopez-Morales, Dave Charbonneau, Raphaelle Haywood, John Johnson, Dave Latham, David Phillips, e Dimitar Sasselov, do Instituto Harvard-Smithsonian para Astrofísica, utilizaram o espectrômetro HARPS-N de alta precisão, acoplado ao Telescópio Nacional Galileu em La Palma, Espanha, para medir a velocidade periódica do exoplaneta à medida que orbita a sua estrela e, assim, derivar a sua massa.
As medições de velocidade do HARPS-N foram incrivelmente precisas - com uma incerteza de uns meros 17,8 km/h, a velocidade de um ciclista lento. A partir dos detalhes orbitais, os cientistas obtiveram uma massa exoplanetária de 14,8 massas terrestres e uma densidade de aproximadamente 5,6 gramas por centímetro cúbico (em comparação, a densidade da água é uma grama por cada centímetro cúbico e a densidade média da Terra é 5,51 gramas por centímetro cúbico). Os cientistas concluíram que K2-263b provavelmente contém uma quantidade equivalente de gelos em comparação com rocha, mais ou menos consistente com as idéias atuais de formação planetária e com as abundâncias relativas, numa nebulosa circunstelar, dos blocos de construção planetária como ferro, níquel, magnésio, silício, oxigênio, carbono e hidrogênio.

Créditos: Astronomia On-line

Quatro objetos interestelares foram encontrados

Oumuamua foi o primeiro objeto interestelar detectado passando pelo Sistema solar, em outubro de 2018. Sua passagem pegou os cientistas de surpresa, e eles não conseguiram se preparar para coletar dados sobre ele. Mas na época, eles explicaram que provavelmente mais objetos desse tipo passariam em breve pela Terra, e agora quatro deles foram identificados.
Usando modelos computacionais detalhados de objetos que parecem asteróides, entre o Sol e Júpiter, dois pesquisadores de Harvard descobriram pelo menos quatro objetos conhecidos que provavelmente têm origens de fora do nosso sistema solar.
Os co-autores Amir Siraj e Abraham Loeb acreditam que pode haver centenas de objetos do tamanho de Oumuama identificáveis por órbitas como a de objetos Centaur. Eles são uma população de corpos de tamanhos de asteróides, mas com composição parecida com cometas e que orbitam ao redor do Sol entre as orbitas de Júpiter e Netuno.
Os quatro objetos potencialmente interestelares 2011 SP25, 2017 RR2, 2017 SV13 e 2018 TL6 podem ter passado a maior parte de sua existência entre as órbitas de Júpiter e Netuno. Pode haver outros 66 objetos interestelares com diâmetro entre 100 m e 10km.
Todos esses objetos interestelares em potencial poderão ser detectados pelo Large Synoptic Survey Telescope (Chile) em 2021.
“Não temos qualquer evidência de que esses quarto objetos são não-naturais neste momento”, diz Siraj em entrevista para a Forbes.
Eles vão passar perto da Terra nos próximos 20 a 120 anos, portanto levaremos muito tempo para conseguir imagens boas deles, a não ser que uma missão seja enviada com este objetivo.

Créditos: Hypescience

Farout: novo planeta é encontrado nos confins do Sistema Solar

Uma equipe internacional de cientistas descobriu o objeto mais distante já detectado no Sistema Solar. Apelidado de Farout, é um pequeno corpo arredondado, de tonalidade rosada, localizado a quase 18 bilhões de quilômetros do Sol. A cor rosada é comum em objetos ricos em gelo.
Oficialmente batizado de 2018 VG18, Farout tem 500 quilômetros de diâmetro e é o primeiro objeto descoberto além de 100 unidades astronômicas (UA) de nossa estrela, lembrando que 1 UA é a distância sendo entre a Terra e o Sol.
Farout está a uma distância de 120 UA, significativamente mais longe do que o planeta anão Eris, que está a 96 UA de distância. Plutão, por comparação, está a 34 UA.
O objeto detectado através de imagens feitas com o telescópio japonês Subaru, localizado no topo da montanha Mauna Kea, no Havaí, no dia 10 de novembro de 2018. Depois de detectado pelo Subaru, novas observações de acompanhamento foram realizadas a partir do Observatório Las Campanas, no Chile e confirmaram a distância.
"Tudo o que sabemos atualmente sobre o 2018 VG18 é a sua extrema distância do Sol, seu diâmetro aproximado e sua cor", disse o codescobridor David Tholen, da Universidade do Havaí. "Como 2018 VG18 fica muito distante, seu período orbital também é muito lento, provavelmente leva mais de mil anos para completar uma volta ao redor do Sol.
Farout veio somar à família de objetos até agora descobertos além da órbita de Plutão. As órbitas desses objetos, chamados transnetunianos (TNOs) parecem ser influenciadas pela gravidade de um planeta massivo, que teoricamente estaria situado a mais de 200 UA do Sol.
"O 2018 VG18 está muito mais distante e também muito mais lento do que qualquer outro objeto do Sistema Solar observado, então levará alguns anos para determinar completamente sua órbita", acrescentou o codescobridor Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science.
“Farout foi encontrado em um local similar no céu para os outros objetos bem conhecidos do Sistema Solar, o que sugere que poderia ter o mesmo tipo de órbita que a maioria deles faz. As semelhanças orbitais mostradas por muitos dos pequenos e distantes corpos do Sistema Solar foram o catalisador para nossa afirmação original de que há um planeta distante e massivo em várias centenas de UAs que pastoreiam esses objetos menores”, disse Sheppard.

Créditos: Apolo 11

Previsão de Reentrada IRIDIUM 35 [-]

O mapa acima mostra a possível localização da reentrada do lixo espacial IRIDIUM 35 [-], previsto por modelagem de evolução orbital até que o satélite ou fragmento atinja a altura nominal de ruptura.
De acordo com a previsão, a reentrada do objeto ocorrerá Quinta-feira, 20 Dez 2018 as 14:48 UTC, acima das coordenadas mostradas no mapa.

Créditos: Satview

domingo, 16 de dezembro de 2018

Uma serpente cósmica

O VLT do ESO captura detalhes de um elaborado sistema serpenteante esculpido por ventos estelares a colidir.
O instrumento VISIR montado no Very Large Telescope do ESO capturou esta imagem de um sistema estelar triplo massivo recentemente descoberto.
Apelidado Apep, como a antiga divindade egípcia, este sistema pode muito bem ser o primeiro progenitor de explosões de raios gama a ser descoberto.
Esta espiral serpenteante, capturada pelo instrumento VISIR montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), enfrenta um futuro explosivo; trata-se de um sistema de estrelas Wolf-Rayet, uma fonte provável de um dos fenômenos mais energéticos do Universo — uma explosão de raios gama de longa duração.
“Esta é a primeira vez que descobrimos um tal sistema na nossa própria Galáxia,” explica Joseph Callingham, do Instituto Holandês de Rádio Astronomia (ASTRON), autor principal do estudo que descreve este sistema, “Nunca esperamos encontrar um sistema destes no nosso “quintal””.
O sistema, que contém um ninho de estrelas massivas rodeado por uma “girândola” de poeira, está catalogado como 2XMM J160050.7-514245, no entanto os astrônomos optaram por lhe dar o nome de “Apep”.
Apep era uma antiga divindade egípcia, uma serpente gigantesca que personificava o caos — o que se adequa perfeitamente a um sistema estelar tão violento e com uma forma sinuosa, reminiscente de uma serpente enroscada em torno das estrelas centrais. Os antigos egípcios acreditavam que Rá, o Deus-Sol, combatia com Apep todas as noites; rezar e venerar Rá garantia a sua vitória e o regresso do Sol.
As explosões de raios gama encontram-se entre as mais poderosas do Universo. Com uma duração de algumas milésimas de segundo a algumas horas, estas explosões podem libertar tanta energia como a que o Sol libertará durante toda a sua vida. Pensa-se que as explosões de raios gama de longa duração — as que duram mais de 2 segundos — são causadas por estrelas Wolf-Rayet em rotação rápida que explodem sob a forma de supernovas.
Algumas das estrelas mais massivas evoluem para estrelas Wolf-Rayet no final das suas vidas. Esta fase dura pouco, sendo que as Wolf-Rayet sobrevivem neste estado durante apenas algumas centenas de milhares de anos — um mero piscar de olhos em termos cosmológicos. Durante esse tempo, estas estrelas libertam enormes quantidades de matéria sob a forma de poderosos ventos estelares, lançando a matéria para o exterior com velocidades de milhões de km por hora; os ventos estelares de Apep estão a viajar à incrível velocidade de 12 milhões de km por hora.
Estes ventos estelares deram origem a elaboradas plumas que rodeiam o sistema estelar triplo — constituído por um sistema estelar binário e uma estrela individual companheira ligados gravitacionalmente. Apesar de apenas dois objetos do tipo estelar serem visíveis na imagem, a fonte inferior é de facto um binário Wolf-Rayet não resolvido. É precisamente este binário que é responsável por esculpir as espirais serpenteantes que rodeiam Apep, as quais se formam a partir dos ventos estelares em colisão das duas estrelas Wolf-Rayet.
Comparada com a velocidade extraordinária dos ventos de Apep, a girândola de poeira espirala para o exterior mais lentamente, com uma velocidade inferior a dois milhões de km por hora. Pensa-se que esta discrepância entre a velocidade dos ventos rápidos de Apep e da roda de poeira se deve a uma das estrelas do binário estar a lançar, em direções diferentes, tanto um vento rápido como um mais lento.
Isto significaria que a estrela apresenta uma rotação muito próxima da rotação crítica — isto é, roda tão rapidamente que está quase a autodestruir-se neste processo. Pensa-se que uma estrela Wolf-Rayet com tão elevada rotação produza explosões de raios gama de longa duração quando o seu núcleo colapsa no final da sua vida.

Créditos: AstroPT

Hubble encontra planeta desaparecendo a uma velocidade sem precedentes

A velocidade e distância na qual um planeta orbita sua estrela pode determinar o destino desses planetas. Há duas opções: eles podem continuar existindo por muito tempo em seus sistemas solares ou podem evaporar mais rapidamente.
Para aprender mais sobre esses planetas distantes da Terra, além do nosso Sistema Solar, astrônomos descobriram um planeta de tamanho médio (tamanho aproximado de Netuno) chamado GJ 3470b. Ele está evaporando a um ritmo 100 vezes mais rápido do que o observado em um planeta muito semelhante, o GJ 436b.
A descoberta foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics nesta quinta-feira (13).
“Em apenas alguns bilhões de anos, metade do planeta vai se perder”, escreveu David Sing, um dos autores do trabalho e professor da Universidade Johns Hopkins (EUA).
O estudo faz parte do programa Tesouro Exoplaneta Comparativo Pancromático (PanCET), liderado por Sing. O objetivo do programa é medir a atmosfera de 20 exoplanetas com luzes infravermelha, ultravioleta e óptica conforme eles orbitam suas estrelas. A coleta de dados é feita com ajuda do telescópio Hubble, da NASA.
Os astrônomos querem saber como os planetas perdem suas massas através da evaporação. Planetas do tamanho da Terra e Júpiter têm órbita mais próxima de suas estrelas, e portanto são mais quentes, fazendo com que suas atmosferas sejam perdidas por evaporação.
Enquanto os planetas com tamanho aproximado da Terra e de Júpiter são comuns, planetas com tamanho médio semelhante a Netuno (quatro vezes maiores que a Terra) são raros. Pesquisadores acreditam que esses planetas perdem suas atmosferas e massas e acabam virando planetas pequenos.
A dificuldade é observar este evento acontecendo, porque eles só podem ser estudados com luzes UV, que limitam a distância de observação a 150 anos-luz da Terra. O GJ 3470b esta a 96 anos-luz e esta na direção da constelação Câncer.
O GJ 3470b está evaporando muito mais rápido que seu semelhante GJ 436b porque tem menor densidade e recebe mais radiação de sua estrela. Este sol tem a metade da idade do sol do GJ436b, portanto ele muito mais poderoso e tem mais radiação para aquecer a atmosfera do GJ 3470b.
A equipe de Sing estima que o GJ 3470b já perdeu 35% de sua massa total e em alguns bilhões de anos pode perder todo o seu gás, deixando para trás apenas seu núcleo rochoso.
Atualmente esses planetas, que são formados em sua maioria por hidrogênio e hélio, só podem ser estudados ao se rastrear o hidrogênio com luz UV. Com o futuro substituto do Hubble, o James Webb Space Telescope, será possível rastrear o hélio com luz infravermelha. O lançamento deste novo telescópio está agendado para março de 2021.

Créditos: Hypescience

Uma super-Terra orbita a Estrela de Barnard

A estrela individual mais próxima do Sol alberga um exoplaneta com pelo menos 3,2 massas terrestres — um exoplaneta do tipo super-Terra.
Uma das maiores campanhas de observação, que usou dados de uma grande quantidade de telescópios e instrumentos, incluindo o instrumento caçador de planetas HARPS do ESO, revelou este mundo gelado e fracamente iluminado.
O planeta recém descoberto é o segundo exoplaneta conhecido mais perto da Terra, sendo a Estrela de Barnard a estrela que mais depressa se desloca no céu noturno.
Foi detectado um planeta em órbita da Estrela de Barnard, a uns meros 6 anos-luz de distância da Terra. Esta descoberta — anunciada num artigo publicado na revista Nature — é o resultado das campanhas Pontos Vermelhos e CARMENES, cuja busca de planetas rochosos próximos revelou já um novo mundo em órbita da nossa vizinha mais próxima, a Proxima Centauri.
O planeta, designado Estrela de Barnard b, ocupa o lugar de segundo exoplaneta conhecido mais próximo da Terra. Os dados recolhidos indicam que o planeta pode ser uma super-Terra, com uma massa de, pelo menos, 3,2 vezes a massa da Terra, e que orbita a sua estrela hospedeira com um período de cerca de 233 dias. A Estrela de Barnard é uma anã vermelha, ou seja, uma estrela fria de pequena massa que ilumina pouco o mundo agora descoberto. A luz da estrela dá ao seu planeta apenas 2% da energia que a Terra recebe do Sol.
Apesar de se encontrar relativamente perto da sua estrela progenitora — a uma distância de apenas 0,4 vezes a distância entre a Terra e o Sol — o exoplaneta situa-se próximo da linha de neve, a região onde compostos voláteis, tais como a água, podem condensar-se em gelo sólido. Este mundo gelado e sombrio pode ter uma temperatura de -170º C, o que o tornaria hostil para a vida tal como a conhecemos.
Retirando o seu nome do astrônomo E. E. Barnard, a Estrela de Barnard é a estrela individual situada mais próximo do Sol. Apesar da estrela propriamente dita ser antiga — terá provavelmente o dobro da idade do Sol — e relativamente inativa, é na realidade a estrela com o movimento aparente mais rápido de todo o céu noturno (ela cobre uma distância equivalente ao diâmetro da Lua no céu em 180 anos). As super-Terras são o tipo mais comum de planeta que se forma em torno de estrelas de pequena massa como a Estrela de Barnard, o que dá credibilidade ao recentemente descoberto candidato a planeta. Adicionalmente, as atuais teorias de formação planetária prevêem que a linha de neve é o local ideal para a formação de tais planetas.
Buscas anteriores de um planeta em torno da Estrela de Barnard tiveram resultados decepcionantes — esta descoberta foi agora possível apenas porque se combinaram medições de diversos instrumentos de alta precisão montados em telescópios de todo o mundo.
“Após uma análise cuidada, estamos 99% confiantes de que o planeta é real,” afirma o cientista líder da equipe, Ignasi Ribas (Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e Instituto de Ciências Espaciais, CSIC, Espanha). “No entanto, continuaremos a observar esta estrela rápida para excluir possíveis, mas improváveis, variações naturais do brilho estelar que poderiam ser confundidas com um planeta.”
Entre os instrumentos usados estão os famosos caçadores de planetas do ESO, os espectrógrafos HARPS e UVES. “O HARPS desempenhou um papel vital neste projeto. Combinamos dados de arquivo de outras equipes com medições novas da Estrela de Barnard obtidas por diferentes infraestruturas,” comentou Guillem Anglada-Escudé (Queen Mary University of London), cientista que co-líderou a equipe. “A combinação dos instrumentos foi crucial para verificarmos o nosso resultado.”
Os astrônomos usaram o efeito Doppler para encontrar o candidato a exoplaneta. À medida que o planeta orbita a estrela, a sua atração gravitacional faz com que a estrela oscile ligeiramente. Quando a estrela se afasta da Terra, o seu espectro desvia-se para o vermelho, ou seja, desloca-se para os maiores comprimentos de onda. Do mesmo modo, quando a estrela se aproxima da Terra, a sua luz é desviada para os comprimentos de onda menores, mais azuis.
Os astrônomos usam assim este efeito para medir, com uma precisão extraordinária, as variações na velocidade da estrela devido à existência de um planeta em sua órbita. O HARPS consegue detectar variações na velocidade de uma estrela tão pequenas quanto 3,5 km/hora — o que equivale à velocidade de passo de uma pessoa. Este método de procura de exoplanetas é conhecido por método das velocidades radiais e, até agora, nunca tinha sido usado para detectar um exoplaneta do tipo super-Terra numa órbita tão extensa em torno da sua estrela.
“Usamos observações de sete instrumentos diferentes, correspondentes a 20 anos de medições, o que faz desta a maior e mais extensa base de dados alguma vez utilizada no estudo de velocidades radiais muito precisas,” explica Ribas. “A combinação de todos os dados levou a 771 medições no total — uma quantidade de informação enorme!”
“Trabalhamos muito para chegar a este resultado,” conclui Anglada-Escudé. “Esta descoberta é o resultado de uma extensa colaboração levada a cabo no âmbito do projeto Pontos Vermelhos, que incluiu contribuições de equipas de todo o mundo. Estamos já a proceder a observações de seguimento em vários observatórios.”

Créditos: AstroPT

NASA: chances de encontrar vida em Marte são boas

A próxima missão da NASA à Marte deve pousar no Planeta Vermelho em 2021 com o objetivo específico de tentar identificar evidências biológicas de vida marciana.
E quais são as chances de finalmente a encontrarmos, desta vez?
Boas. Segundo cientistas da agência espacial norte-americana, pode ser mais fácil detectar sinais de vida antiga em Marte do que na Terra.
O robô da NASA estará em busca de pistas em rochas com talvez 3,9 bilhões de anos.
Confirmar a vida na Terra nessa idade é bastante difícil, mas Marte pode ter uma melhor preservação do que nosso planeta.
Tudo se resume aos processos dinâmicos que constantemente agitam e reciclam rochas na Terra – processos que podem apagar os vestígios de vida, mas que provavelmente não existiam no Planeta Vermelho no início de sua história.
“Não acreditamos, por exemplo, que Marte tivesse placas tectônicas da maneira que a Terra teve na maior parte de sua história”, disse Ken Williford, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA na Califórnia (EUA). “A maior parte do registro de rochas da Terra foi destruída por subducção sob a crosta oceânica. Até mesmo a rocha deixada na superfície é aquecida e espremida de formas que não devem ocorrer em Marte. Então, paradoxalmente, pode ser que as rochas mais antigas de Marte estejam melhor preservadas do que as rochas mais jovens da Terra”.
A missão
O novo robô pousará na Cratera Jezero, no equador marciano, onde observações por satélite sugerem que havia um lago profundo no passado.
Se micróbios um dia viveram dentro ou em torno desse corpo de água, as assinaturas de sua presença devem estar retidas em sedimentos que podem ser facilmente perfurados hoje.
Um dos principais alvos da missão serão os depósitos de carbonato que parecem se alinhar ao que teria sido a costa do lago. “Carbonatos são um tipo de mineral que se precipita na água. O que é realmente bom durante esse processo é que prendem tudo o que está na água. Então, tudo o que vive lá pode ficar preso dentro do mineral”, explicou Briony Horgan, da Universidade de Purdue em Indiana (EUA).
O ideal seria encontrar formações que se pareçam com estromatólitos, estruturas de carbonato que na Terra foram construídas por micróbios. O rover escolherá o local mais adequado ao longo da costa para coletar amostras que serão estudadas posteriormente na Terra.
Ken Farley, cientista-chefe da missão, disse que a rota que o rover tomará após o pouso já está planejada.
O robô será equipado com um sistema de navegação sofisticado que lhe dará autonomia para trabalhar o melhor e mais direto curso entre os pontos de interesse.
Isso deve acelerar drasticamente a chegada a diferentes alvos científicos. “Em um bom terreno, estaremos dirigindo mais de 100 metros por dia”, disse à BBC News.
A NASA e sua contraparte européia, a ESA, estão atualmente planejando uma missão conjunta para recuperar as amostras do rover até 2040, provavelmente no início da década de 2030.

Créditos: Hypescience

Descoberto o maior proto-superenxame de galáxias

Uma equipe de astrônomos, liderada por Olga Cucciati do Istituto Nazionale di Astrofisica (INAF), Bologna, em Itália, utilizou o instrumento VIMOS montado no Very Large Telescope do ESO (VLT) para identificar um gigantesco proto-superenxame de galáxias a formar-se no Universo primordial — apenas 2,3 bilhões de anos após o Big Bang. Esta estrutura, à qual os astrônomos deram o nome de Hyperion, trata-se da maior e mais massiva estrutura encontrada tão cedo na formação do Universo. Calcula-se que a enorme massa do proto-superenxame seja mais de um milhar de bilhões de vezes a do Sol (1015 massas solares, em notação científica). Esta massa colossal é semelhante à das maiores estruturas observadas no Universo atual, no entanto a descoberta de um tal objeto tão massivo no Universo primordial foi surpreendente.
O nome Hyperion foi escolhido com base num titã da mitologia grega, devido ao enorme tamanho e massa do proto-superenxame. A inspiração para esta nomenclatura mitológica vem de um proto-enxame anteriormente descoberto no interior de Hyperion, ao qual se chamou Colosso. Às regiões individuais de alta densidade no Hyperion foram dados nomes mitológicos tais como Teia, Eos, Selene e Hélios.
“Trata-se da primeira vez que uma estrutura tão grande foi identificada a um desvio para o vermelho tão elevado, correspondente a um pouco mais de 2 bilhões de anos após o Big Bang,” explicou Olga Cucciati, primeira autora do artigo científico que descreve estes resultados. “Normalmente este tipo de estruturas são conhecidas mas a desvios para o vermelho mais baixos, o que corresponde a uma altura em que o Universo teve muito mais tempo para se desenvolver e construir algo tão grande. Foi uma surpresa encontrar uma estrutura tão evoluída quando o Universo era ainda relativamente jovem!”
Situado no campo COSMOS na constelação do Sextante, o Hyperion foi identificado ao analizar uma enorme quantidade de dados obtidos durante o Rastreio Ultra-profundo do VIMOS, liderado por Olivier Le Fèvre (Aix-Marseille Université, CNRS, CNES). Este rastreio fornece-nos um mapa tridimensional sem precedentes da distribuição de mais de 10 000 galáxias no Universo longínquo.
A equipe descobriu Hyperion possui uma estrutura muito complexa, que contém pelo menos sete regiões de alta densidade ligadas por filamentos de galáxias, e que o seu tamanho é comparável ao de superenxames próximos, apesar da estrutura ser muito diferente.
“Os superenxames mais próximos da Terra tendem a apresentar uma distribuição de massas muito mais concentrada, com estruturas bem definidas,” explica Brian Lemaux, astrónomo na Universidade da California, Davis, e LAM, e membro da equipa responsável por esta descoberta. “Mas no Hyperion, a massa encontra-se distribuída de forma muito mais uniforme numa série de nodos ligados, populados por associações pouco agregadas de galáxias.”
Esta diferença deve-se muito provavelmente ao facto dos superenxames próximos terem tido milhares de milhões de anos para juntar a matéria em regiões mais densas por efeito da gravidade — um processo que atua há muito menos tempo no jovem Hyperion.
Dado o enorme tamanho que apresenta já tão cedo na história do Universo, espera-se que o Hyperion se desenvolva em algo semelhante às imensas estruturas do Universo local, tais como os superenxames que compõem a Grande Muralha Sloan ou o Superenxame da Virgem, que contém a nossa própria galáxia, a Via Láctea. “Compreender o Hyperion e ver como se compara a estruturas semelhantes recentes pode dar-nos pistas sobre como é que o Universo se desenvolveu no passado e como evoluirá no futuro, dando-nos ainda a oportunidade de desafiar alguns modelos de formação de superenxames,” conclui Cucciati. “A descoberta deste titã cósmico ajuda-nos a descobrir a história destas estruturas de larga escala.”

Crédito: AstroPT

Recém-chegada OSIRIS-REX já descobriu água no asteróide Bennu

Dados recentemente analisados da missão OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA revelaram água em argilas que compõem o seu alvo científico, o asteroide Bennu.
Durante a fase de aproximação da missão, entre meados de agosto e o início de dezembro, a sonda viajou 2,2 milhões de quilômetros na sua jornada da Terra para alcançar uma posição a 19 km de Bennu no dia 3 de dezembro. Durante esse tempo, a equipe de cientistas na Terra apontou três dos instrumentos da nave para Bennu e começou a fazer as primeiras observações científicas do asteróide. A OSIRIS-REx é a primeira missão da NASA de retorno de amostras de um asteróide.
Dados obtidos a partir de dois espectrómetros da sonda, o OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) e o OTES (OSIRIS-REx Thermal Emission Spectrometer), revelaram a presença de moléculas que contêm átomos de oxigênio e hidrogênio ligados, conhecidos como "hidroxilos". A equipe suspeita que estes grupos hidroxilos existam globalmente no asteroide em minerais argilosos, o que significa que, em algum momento, o material rochoso de Bennu interagiu com água. Embora o próprio Bennu seja pequeno demais para abrigar água líquida, a descoberta indica que a água líquida estava presente num determinado ponto da história do corpo parente de Bennu, um asteróide muito maior.
"A presença de minerais hidratados no asteróide confirma que Bennu, um remanescente do início da formação do Sistema Solar, é um exemplo excelente para a missão OSIRIS-REx estudar a composição de voláteis e materiais orgânicos primitivos," afirma Amy Simon, cientista do instrumento OVIRS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Quando as amostras deste material chegarem à Terra em 2023, os cientistas receberão um tesouro de novas informações sobre a história e evolução do nosso Sistema Solar."
Além disso, os dados obtidos pela OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) corroboram as observações telescópicas terrestre de Bennu e confirmam o modelo original desenvolvido em 2013 pelo chefe da equipe científica da OSIRIS-REx, Michael Nolan, e colaboradores. Esse modelo previu com bastante precisão a forma real do asteróide: o diâmetro de Bennu, a rotação, a inclinação e a forma geral são quase como modelados.
Um "outlier" do modelo previsto da forma é o tamanho da grande rocha perto do polo sul de Bennu. O modelo, desenvolvido com base em observações terrestres, calculou que a rocha teria pelo menos 10 metros de altura. Os cálculos preliminares das observações da OCAMS mostram que o pedregulho está mais próximo dos 50 metros de altura, com uma largura de aproximadamente 55 metros.
O material à superfície de Bennu é uma mistura de regiões muito rochosas, cheias de pedregulhos e algumas regiões relativamente planas que não têm pedregulhos. No entanto, a quantidade de pedras à superfície é maior do que o esperado. A equipe fará observações adicionais a distâncias menores para avaliar com mais precisão o local onde poderá ser obtida a amostra para envio posterior para a Terra.
"Os nossos dados iniciais mostram que a equipe escolheu o asteróide correto como alvo da missão OSIRIS-REx. Ainda não descobrimos nenhum problema insuperável em Bennu," comenta Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson. "A sonda está bem de saúde e os instrumentos científicos estão a funcionar melhor do que o necessário. Agora é hora da nossa aventura começar."
A missão está atualmente a realizar um levantamento preliminar do asteroide, fazendo com que a sonda passe pelo polo norte, equador e polo sul de Bennu a distâncias de até 7 km para melhor determinar a massa do asteróide. Os cientistas e engenheiros da missão têm que conhecer a massa do asteróide a fim de projetar a inserção da nave em órbita porque a massa afeta a atração gravitacional do objeto. A determinação da massa de Bennu também ajudará a equipe científica a compreender a estrutura e composição do asteróide.
O levantamento também fornece a primeira oportunidade para o OLA (OSIRIS-REx Laser Altimeter), um instrumento fornecido pela Agência Espacial Canadiana, fazer observações, agora que a sonda está perto de Bennu.
A primeira inserção orbital da sonda está programada para dia 31 de dezembro e a OSIRIS-REx permanecerá em órbita até meados de fevereiro de 2019, quando sair para dar início a outra série de "flybys" para a próxima fase do levantamento. Durante a primeira fase orbital, a nave orbitará o asteróide a uma distância de 1,4-2 km do centro de Bennu - estabelecendo novos recordes para o menor corpo já orbitado por uma nave e a órbita mais próxima de um corpo planetário por qualquer sonda.

Créditos: Astronomia On-line

Selfie enviada pela InSight traz boas notícias para a NASA

Segundo matéria publicada no site da NASA, cientistas e engenheiros passarão as próximas semanas decidindo onde, neste espaço de trabalho, os instrumentos da espaçonave devem ser colocados. “Eles então comandarão o braço robótico da InSight para definir cuidadosamente o sismômetro (chamado de Experimento Sísmico para Estrutura Interna, ou SEIS) e a sonda de fluxo de calor (conhecida como Pacote de Fluxo de Calor e Propriedades Físicas, ou HP3) nos locais escolhidos. Ambos funcionam melhor em terreno plano e os engenheiros querem evitar colocá-los em rochas maiores que 1,3 cm”, diz o texto.
O local, a princípio, parece adequado para a exploração da InSight. “A quase ausência de rochas, colinas e buracos significa que será extremamente seguro para nossos instrumentos. Esse pode parecer um pedaço de terra bem simples se não estivesse em Marte, mas ficamos felizes em vê-lo”, diz na matéria da NASA o pesquisador principal da missão InSight, Bruce Banerdt, do Laboratório de Propulsão a Jato da agência.
Segundo a agência espacial, o pouso neste local em particular não foi por acaso. A equipe de pouso da InSight escolheu deliberadamente uma região de pouso em Elysium Planitia, um terreno relativamente livre de rochas. Mesmo assim, o local de aterrissagem foi ainda melhor do que eles esperavam. A espaçonave fica no que parece ser uma “cavidade” quase livre de rochas – uma depressão criada por um impacto de meteoro que mais tarde se encheu de areia. “Isso deve tornar mais fácil para um dos instrumentos da InSight, a sonda de fluxo de calor, atingir sua meta de 5 metros abaixo da superfície”, aponta o texto.

Créditos: Hypescience

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Este objeto superbrilhante foi encontrado em Marte

Uma rocha extremamente reflexiva chamou atenção dos cientistas da NASA recentemente, e o rover Curiosity logo foi enviado para colher mais informações.
Com o pouso de sucesso da sonda InSight em Marte na última semana, o Curiosity acabou ficando de lado nos meios de comunicação. O veículo tem o tamanho de um carro destinado a explorar a superfície do planeta como parte da missão Mars Science Laboratory, e está em funcionamento desde 2012.
O Curiosity tem trabalhado na colina de Vera Rubin e está investigando o afloramento de rochas Highfield. Ele já esteve na região antes e detectou algumas imagens estranhas de quatro rochas. Por isso, os cientistas o enviou de volta para o local para examinar melhor a rocha que lembra ouro e outras três.
Esta rocha brilhante foi chamada de Little Colonsay, e é possível que ela seja um meteorito. De qualquer forma ela vai passar por uma análise química feita por Curiosity. O rover tem um laboratório portátil para esse tipo de análise.
O Curiosity também vai investigar três outras rochas. Uma delas é chamada Flanders Moss, que tem uma superfície escura. O rover vai fazer um pequeno buraco na superfície dela para analisar uma amostra e determinar sua composição química. As outras duas são Forres e Eidon.
Infelizmente, Curiosity é o único rover ativo em Marte no momento. O Opportunity está fora de funcionamento desde que uma tempestade de areia o obrigou a entrar em modo hibernação. O problema é que ele ficou preso neste estado adormecido, e os cientistas da NASA ainda não conseguiram colocá-lo de novo em atividade. No começo de 2019 deveremos receber mais novidades sobre o estado de saúde do rover.

    Créditos: Hypescience

    Exoplaneta com cauda como um cometa

    Uma equipe internacional de cientistas detectou a evaporação da atmosfera do planeta gigante WASP-69b. O exoplaneta WASP-69b tem a massa similar a Saturno. A sua órbita – ano – demora somente 4 dias. A atmosfera está a perder partículas de hélio, que estão a ser “empurradas” pela radiação da estrela WASP-69. Esta perda de atmosfera faz com que o planeta pareça ter uma cauda (como os cometas).
    Após a radiação extrema da estrela “arrancar” o envelope gasoso de planetas gigantes, o que fica são planetas rochosos similares à Terra e Vênus (os núcleos dos planetas gigantes originais).

    Créditos: AstroPT

    China lança rover para explorar a face oculta da Lua

    A China lançou um rover que vai aterrar no lado oculto da Lua, a primeira vez que tal acontece. A missão da sonda lunar Chang'e 4 - cujo nome honra a deusa da Lua na mitologia chinesa - levantou voo às 18:23 a partir do centro de lançamento Xichang a bordo de um foguetão Long March 3B.
    O lançamento marcou o início de uma longa viagem até ao outro lado da Lua, com aterragem prevista para os primeiros dias do Ano Novo, com o objetivo de realizar experiências e investigar o terreno nunca antes percorrido. "Chang'e 4 é a primeira sonda da humanidade a aterrar e a explorar o outro lado da Lua," disse o comandante da missão, He Rongwei. "Esta missão é também o mais significativo projeto de exploração do espaço profundo do mundo em 2018".
    Ao contrário do lado visível da Lua, que mostra sempre a mesma face para a Terra e tem muitas áreas planas para aterragem, o lado oculto é montanhoso e acidentado. Foi somente em 1959 que a União Soviética captou as primeiras imagens da superfície altamente craterada, desvendando parte do mistério do lado sombrio do nosso satélite natural.
    Ainda nenhum "lander" ou rover tocou a superfície do lado oculto, colocando a China como a primeira nação a explorar a área "in situ".
    Não é um feito tecnológico fácil - a China preparou este momento durante anos. Um dos grandes desafios da missão é comunicar com o veículo robótico: dado que a outra face da Lua aponta sempre na direção oposta à da Terra, não há nenhuma "linha de visão" direta para os sinais. Como solução, a China lançou em maio o satélite Queqiao para órbita lunar, posicionando-o de modo a transmitir dados e comandos entre a missão e a Terra.
    Para complicar ainda mais as coisas, o Chang'e 4 vai pousar na Bacia Aitken na região polar sul da Lua - conhecida pelo seu terreno escarpado e complexo. A missão transporta seis experiências chinesas e quatro estrangeiras. Estas incluem estudos radioastronômicos de baixa frequência - com o objetivo de obter vantagens da falta de interferência no lado oculto - bem como testes de radiação e de minerais.
    Pequim está a realizar um enorme investimento financeiro nestes programas espaciais, na esperança de ter uma estação espacial tripulada em 2022 e de, eventualmente, enviar humanos até à Lua. A missão Chang'e 4 é um passo nessa direção, importante para ganhar a experiência necessária para explorar e colonizar a Lua.
    Chang'e 4 será a segunda sonda chinesa a aterrar no nosso satélite, depois da missão do rover Yutu em 2013. Uma vez à superfície, enfrentará uma série de desafios extremos. Durante a noite lunar - que dura 14 dias terrestres - as temperaturas caem para os -173º C. Durante o dia lunar, também com a duração de 14 dias terrestres, as temperaturas atingem os 127º C. Os instrumentos do rover têm que suportar estas flutuações e têm que gerar energia suficiente para o proteger e sustentar durante a noite longa. O Yutu superou esses desafios e, após alguns obstáculos iniciais, explorou a superfície da Lua durante 31 meses. O seu sucesso proporcionou um grande impulso ao programa espacial da China.
    Pequim planeia enviar outro módulo lunar, Chang'e-5, já no ano que vem para recolher amostras e trazê-las para a Terra. É apenas um dos muitos objetivos ambiciosos da China, que incluem um foguetão reutilizável em 2021, poderoso e capaz de fornecer cargas mais pesadas do que as da NASA e da empresa privada SpaceX, uma base lunar, uma estação espacial permanentemente tripulada e um rover marciano.

    Créditos: Astronomia On-line

    quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

    Cientistas medem toda a luz estelar já produzida pelo universo observável

    A partir dos seus laboratórios, num planeta rochoso superado pela vastidão do espaço, cientistas da Universidade de Clemson conseguiram medir toda a luz estelar já produzida ao longo da história do Universo observável.
    Os astrofísicos pensam que o nosso Universo, que tem cerca de 13,7 bilhões de anos, começou a formar as primeiras estrelas quando tinha algumas centenas de milhões de anos. Desde então, o Universo tornou-se numa verdadeira máquina de fazer estrelas. Existem agora aproximadamente 2 trilhões de galáxias (2x10^12) e um quatrilhão (10^24) de estrelas. Usando novos métodos de medição de luz estelar, o astrofísico Marco Ajello e a sua equipe analisaram dados do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi da NASA para determinar a história da formação estelar durante a maior parte do tempo de vida do Universo.
    O artigo colaborativo foi publicado na edição de 30 de novembro da revista Science e descreve os resultados e as ramificações do novo processo de medição da equipe.
    "A partir dos dados recolhidos pelo telescópio Fermi, fomos capazes de medir a quantidade total de luz estelar já emitida. Isto nunca tinha sido feito antes," realça Ajello, autor principal do artigo. "A maior parte dessa luz é emitida por estrelas que vivem em galáxias. E, assim, isso permitiu-nos entender melhor o processo de evolução estelar e obter percepções cativantes sobre como o Universo produziu o seu conteúdo luminoso."
    Colocar um número na quantidade de luz estelar já produzida tem várias variáveis que dificultam a quantificação em termos simples. Mas, de acordo com a nova medição, o número de fótons (partículas de luz visível) que escaparam para o espaço após serem emitidos pelas estrelas traduz-se em 4x10^84.
    Dito de outra forma: 4.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000. 000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 fótons.
    Apesar deste número estupendamente grande, é interessante notar que, à exceção da luz que vem do nosso próprio Sol e da Galáxia, o resto da luz estelar que alcança a Terra é extremamente fraca - equivalente a uma lâmpada de 60 watts, vista em completa escuridão, a cerca de 4 km de distância. Isto porque o Universo é quase incompreensivelmente grande. É também por isso que o Universo é escuro à noite, além da luz da Lua, das estrelas visíveis do brilho fraco da Via Láctea.
    O Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi foi lançado para órbita no dia 11 de junho de 2008 e recentemente comemorou o seu 10.º aniversário. É um poderoso observatório que forneceu quantidades enormes de dados sobre raios-gama (a forma mais energética de luz) e sobre a sua interação com a luz extragalática de fundo, que é uma névoa cósmica composta por toda a luz ultravioleta, visível e infravermelha emitida por estrelas ou poeira na sua vizinhança. Ajello e o colega de pós-doutoramento Vaidehi Paliya analisaram quase nove anos de dados referentes a sinais de raios-gama de 739 blazares.
    Os blazares são galáxias contendo buracos negros que são capazes de libertar jatos estreitamente colimados de partículas energéticas que saltam das suas galáxias e cruzam o cosmos quase à velocidade da luz. Quando um desses jatos está, fortuitamente, apontado diretamente para a Terra, é detectável mesmo quando tem uma origem muito distante. Os fotões de raios-gama produzidos dentro dos jatos eventualmente colidem com a névoa cósmica, deixando uma impressão observável. Isso permitiu que a equipe de Ajello medisse a densidade do nevoeiro, não apenas num determinado local, mas também num determinado momento da história do Universo.
    "Os fótons de raios-gama que viajam através de um nevoeiro de luz estelar têm uma grande probabilidade de serem absorvidos," afirma Ajello, que é professor assistente no departamento de física e astronomia. "Ao medir o número de fótons absorvidos, fomos capazes de medir a espessura da névoa e medir também, em função do tempo, quanta luz havia em toda a faixa de comprimentos de onda."
    Usando levantamentos galáticos, a história da formação estelar do Universo é estudada há décadas. Mas um obstáculo enfrentado por investigações anteriores era que algumas galáxias estavam muito distantes, ou eram muito fracas, para qualquer telescópio atual as detectar. Isto obrigou os cientistas a estimar a luz das estrelas produzida por essas galáxias distantes, em vez de a registar diretamente.
    A equipe de Ajello conseguiu contornar isso usando os dados do LAT (Large Area Telescope) do Fermi para analisar a luz extragalática de fundo. A luz estelar que escapa das galáxias, incluindo as mais distantes, acaba eventualmente por se tornar parte da luz extragalática de fundo. Portanto, as medições precisas dessa névoa cósmica, que só recentemente foram possíveis, eliminaram a necessidade de estimar as emissões de luz de galáxias ultradistantes.
    Paliya realizou a análise de raios-gama de todos os 739 blazares, cujos buracos negros são milhões a milhares de milhões de vezes mais massivos que o nosso Sol.
    "Usando blazares a distâncias diferentes, medimos a luz das estrelas em diferentes períodos de tempo," explica Paliya do departamento de física e astronomia. "Nós medimos a luz estelar total de cada época - há bilhões de anos, há dois bilhões de anos, seis bilhões de anos, etc. - até à formação das primeiras estrelas. Isto permitiu-nos reconstruir a luz extragalática de fundo e determinar a história da formação estelar do Universo de uma maneira mais eficaz do que havia sido alcançada antes."
    Quando os raios-gama altamente energéticos colidem com luz visível de baixa energia, transformam-se em pares de elétrons e protons. Segundo a NASA, a capacidade do Fermi em detetar raios-gama através de uma ampla gama de energias torna-o especialmente adequado para mapear a névoa cósmica. Estas interações de partículas ocorrem ao longo de distâncias cósmicas imensas, o que permitiu que o grupo de Ajello investigasse mais profundamente do que nunca a produtividade de formação estelar no Universo.
    "Os cientistas há muito tempo que tentam medir a luz extragalática de fundo. No entanto, fontes muito luminosas no plano da frente, como a luz zodiacal (que é luz espalhada pela poeira no Sistema Solar) tornavam esta medição muito complexa," afirma o coautor Abhishek Desai, assistente de pesquisa no departamento de física e astronomia. "A nossa técnica é insensível a qualquer primeiro plano e, assim, superou essas dificuldades de uma só vez."
    A formação estelar, que ocorre quando regiões densas de nuvens moleculares colapsam e formam estrelas, atingiu o pico há 11 bilhões de anos. Mas embora o nascimento de novas estrelas tenha diminuído desde então, nunca cessou. Por exemplo, na nossa Via Láctea nascem cerca de sete novas estrelas por ano.
    De acordo com o membro da equipe Dieter Hartmann, professor no departamento de física e astronomia de Clemson, o estabelecimento, não apenas da luz extragalática de fundo atual, mas da revelação da sua evolução ao longo da história cósmica, é um grande avanço neste campo.
    "A formação estelar é um grande ciclo cósmico de reciclagem de energia, matéria e metais. É o motor do Universo," salienta Hartmann. "Sem a evolução estelar, não teríamos os elementos fundamentais necessários para a existência da vida."
    A compreensão da formação estelar também tem ramificações para outras áreas de estudo astronômico, incluindo investigações sobre a poeira cósmica, evolução galática e matéria escura. A análise da equipe irá fornecer missões futuras com uma diretriz para explorar os primeiros dias da evolução estelar - como o Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021 e que vai permitir com que os cientistas cacem a formação de galáxias primordiais.
    "Os primeiros milhares de milhões de anos da história do nosso Universo é uma época muito interessante que ainda não foi investigada pelos satélites atuais," conclui Ajello. "A nossa medição permite-nos espiar esta época. Talvez um dia possamos encontrar uma maneira de olhar até ao Big Bang. Este é o nosso objetivo final."

    Créditos: Astronomia On-line

    2013 VX4

    No próximo dia 9, o asteróide 2013 VX4 passará a apenas 1 milhão de km da Terra. O objeto se desloca a 6 km/s e tem cerca de 78 metros de comprimento.
    2013 VX4 tem cerca de 745 mil toneladas e um volume estimado em 248468 metros cúbicos. Se atingisse a Terra o asteróide liberaria energia equivalente a explosão de 3207 kilotons de TNT ou 161 bombas simlares à de Hiroshima.

    Créditos: Apolo 11

    Hubble encontra milhares de enxames globulares espalhados entre galáxias

    Olhando através de 300 milhões de anos-luz para uma cidade monstruosa de galáxias, os astrônomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para fazer um censo abrangente de alguns dos seus menores membros: 22.426 enxames globulares encontrados até à data.
    O levantamento, publicado na edição de 9 de novembro da revista The Astrophysical Journal, permitirá aos astrônomos usar o campo de enxames globulares para mapear a distribuição de matéria e matéria escura no enxame galático de Coma, que contém mais de 1000 galáxias.
    Dado que os enxames globulares são muito menores que galáxias inteiras - e muito mais abundantes - são um muito melhor indício de como a estrutura do espaço é distorcida pela gravidade do enxame de Coma. De fato, o enxame de Coma é um dos primeiros lugares onde as anomalias gravitacionais observadas foram consideradas indicativas de uma grande quantidade de massa invisível no Universo - que depois seria chamada de "matéria escura".
    Entre os primeiros "lares" do Universo, os enxames globulares são "ilhas" em forma de globo de neve com várias centenas de milhares de estrelas antigas. São parte integrante do nascimento e crescimento de uma galáxia. Existem cerca de 150 na nossa Galáxia e, dado que contêm as estrelas mais antigas conhecidas do Universo, estavam presentes nos primeiros anos de formação da Via Láctea.
    Alguns dos enxames globulares da Via Láctea são visíveis a olho nu como "estrelas" de aparência difusa. Mas, à distância do enxame de Coma, os seus enxames globulares aparecem como pontos de luz até mesmo para a visão supernítida do Hubble. O levantamento encontrou os enxames globulares espalhados no espaço entre as galáxias. Ficaram órfãos das suas galáxias hospedeiras devido a quasi-colisões galáticas no interior deste denso aglomerado de galáxias. O Hubble revelou que alguns dos enxames globulares alinham-se como padrões semelhantes a pontes. Esta é uma evidência reveladora de interações entre as galáxias, onde se puxam gravitacionalmente umas às outras.
    O astrônomo Juan Madrid do ATNF (Australian Telescope National Facility) em Sydney, Austrália, pensou sobre a distribuição dos enxames globulares em Coma quando examinava imagens do Hubble que mostravam enxames globulares que se estendiam até à orla de qualquer fotografia de galáxias no aglomerado galático de Coma.
    Ele estava ansioso por obter mais dados de um dos levantamentos do legado Hubble que foi projetado para recolher dados de todo o enxame de Coma, de nome "Coma Cluster Treasury Survey". No entanto, a meio do programa, em 2006, o poderoso instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble teve uma falha eletrônica (O ACS foi posteriormente reparado por astronautas durante uma missão de manutenção do Hubble em 2009).
    Para preencher as lacunas do levantamento, Madrid e a sua equipe obtiveram arduamente várias imagens do enxame galáctico, pelo Hubble, a partir de diferentes programas de observação do telescópio espacial. Estas são armazenadas no Arquivo Mikulski do STScI (Space Telescope Science Institute) para Telescópios Espaciais em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Ele compôs um mosaico da região central do enxame, trabalhando com alunos do programa estudantil do NSF (National Science Foundation). "Este programa dá uma oportunidade aos alunos universitários, com pouca ou nenhuma experiência em astronomia, de ganhar experiência no campo," comenta Madrid.
    A equipe desenvolveu algoritmos para filtrar as imagens do mosaico Coma que tivessem pelo menos 100.000 fontes potenciais. O programa usou a cor dos enxames globulares (dominados pelo brilho das estrelas vermelhas envelhecidas) e a forma esférica para eliminar objetos estranhos - principalmente galáxias de fundo não associadas com o enxame de Coma.
    Embora o Hubble tenha excelentes detectores com sensibilidade e resolução inigualáveis, a sua principal desvantagem é que têm campos de visão minúsculos. "Um dos aspetos mais interessante da nossa investigação é que mostra a incrível ciência que será possível com o planeado WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA, que terá um campo de visão muito maior que o Hubble," comenta Madrid. "Seremos capazes de visualizar enxames galáticos inteiros de uma só vez."

    Créditos: Astronomia On-line

    segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

    Goblin

    Foi descoberto um novo objeto no sistema solar. É o objeto mais longínquo dentro do sistema solar.
    O objeto foi denominado oficialmente 2015 TG387, e apelidado de Goblin.
    Ele deverá ser um planeta-anão, com somente 300 quilômetros de diâmetro.
    Ele encontra-se atualmente a 80 UA (Unidades Astronômicas), ou seja, 80 vezes mais longe do Sol, do que a Terra está do Sol.
    Na sua muito alongada órbita, o seu periélio (quando está mais próximo do Sol) é a 65 UA.
    O objeto 2012 VP113 tem um periélio a 80 UA. Sedna tem o periélio a 76 UA. Lembremo-nos que Plutão está atualmente a 34 UA.
    No entanto, no seu afélio (o ponto mais longe do Sol), Goblin está a 2.300 UA. Isto é verdadeiramente longe! Mas ainda dentro do sistema solar.
    Ele poderá ser um objeto da Nuvem de Oort, que poderá ter vindo para o “interior” do sistema solar.
    Os autores da investigação especulam que poderão existir milhares destes objetos nos subúrbios do sistema solar. Mas só os detectamos quando vêm para locais mais “próximos” do Sol (mesmo assim, muito mais longe que Plutão). Ou seja, em 99% da sua órbita de 40.000 anos, não os conseguimos detectar.
    A localização do seu periélio, próxima dos periélios de Sedna, de 2012 VP113 e de outros objetos transneptunianos distantes, sugere que poderá existir um outro planeta (super-Terra) naquela zona com uma órbita que os afeta.
    Esta investigação durou vários anos, porque como estes objetos estão tão longe, movem-se muito lentamente na sua órbita e por isso é muito difícil detectar o seu movimento.

    Créditos: AstroPT

    Astrônomos encontram vários pares de buracos negros em colisão

    Pela primeira vez, uma equipe de astrônomos observou vários pares de buracos negros na fase final da colisão entre duas galáxias (em que formam uma única e grande galáxia). Os buracos negros aproximam-se ao ponto de coalescerem num único buraco negro super-supermassivo.
    A luz infravermelha vê através das nuvens densas de gás e poeira que envolvem a colisão de duas galáxias. Ou seja, a radiação infravermelha observa os centros ativos das galáxias.
    A equipe de astrônomos pesquisou várias centenas de galáxias relativamente próximas da Via Láctea (cerca de 330 milhões de anos-luz de distância), utilizando imagens feitas pelo Observatório Keck (Hawaii) e pelo Telescópio Espacial Hubble durante mais de 20 anos.
    E encontrou vários pares de buracos negros em galáxias que estão em colisão. Surpreendentemente, 17% das galáxias tinham pares de buracos negros no seu centro.
    Quando os buracos negros finalmente se unem, eles enviam uma poderosa energia na forma de ondas gravitacionais.
    Os astrônomos suspeitam que estas colisões eram mais frequentes quando o Universo era mais novo.

    Créditos: AstroPT

    Astrônomos detectam nuvem espessa pairando sobre o vulcão marciano extinto

    Novas imagens feitas pela Agência Espacial Européia mostram uma nuvem de quilômetros de comprimento posicionada sobre um vulcão marciano extinto há milhões de anos.
    Marte é um planeta seco e empoeirado que parece uma rocha sem vida em quase todas as imagens que vemos. Logo, uma cobertura espessa de nuvens não é algo com que estamos acostumados no Planeta Vermelho.
    A nuvem foi observada pairando sobre o vulcão Arsia Mons. Plumas grossas sobre tal característica geográfica são geralmente um sinal de atividade vulcânica, se não uma erupção iminente.
    Acontece que Arsia Mons está desativado e silencioso há dezenas de milhões de anos. Então, o que está ocorrendo aqui?
    Após uma inspeção cuidadosa da nuvem, cientistas determinaram que ela é composta de partículas de gelo, não de poeira ou detritos do planeta.
    A nuvem está posicionada logo atrás do vulcão, de forma que, em última análise, os pesquisadores pensam que se trata de um fenômeno chamado de nuvem orográfica.
    Tais nuvens são regularmente observadas na Terra perto de características geográficas particularmente altas, como montanhas. Elas já foram vistas em Marte antes, incluindo vulcões mortos há muito tempo.
    A aparência da nuvem varia ao longo do dia marciano, crescendo em comprimento durante a manhã, alcançando um tamanho tão impressionante que poderia torná-la visível até mesmo para telescópios terrestres.
    De longe, parece que o vulcão está acordando, mas nada poderia estar mais distante da verdade. A nuvem é meramente um resultado de mudanças sazonais e poeira marciana.
    Uma recente tempestade de poeira em todo o planeta deu a essas nuvens um impulso, permitindo que as partículas de gelo criassem raízes na atmosfera e permanecessem no ar por longos períodos de tempo.

    Créditos: Hypescience

    Descoberta estrela rara e antiga

    Uma equipe de astrônomos descobriu uma das estrelas mais antigas conhecidas: ela tem cerca de 13,5 bilhões de anos de idade!
    Como se sabe que é bastante antiga? Porque é composta quase totalmente por hidrogênio e hélio (e pequenas quantidade de lítio), formados no Big Bang, praticamente não tendo metais.
    Como a estrela pode ser mais antiga que a Via Láctea?
    Talvez a Via Láctea seja mais antiga do que se pensa atualmente. Em vez de 10 bilhões de anos, talvez a nossa Galáxia tenha 13 bilhões de anos de idade.
    A estrela 2MASS J18082002-5104378 B é bastante pequena e tem uma pequena massa (cerca de 14% do Sol).
    Até há algumas décadas atrás, pensava-se que as primeiras estrelas no Universo seriam desprovidas de metais (elementos químicos mais pesados que o hélio), seriam bastante maciças e, por isso, morreram muito rapidamente.
    Mais recentemente começou-se a perceber, através de modelos computacionais, que os primeiros grupos de estrelas podem ter consistido de uma estrela maciça cercada por diversas estrelas menores.
    Essas estrelas menores e pouco maciças duram muito tempo, bilhões de anos. Por isso, é normal que ainda existam.
    Talvez 2MASS J18082002-5104378 B seja uma dessas estrelas.


    Créditos: AstroPT