sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Há compostos orgânicos e gelo abundante em Mercúrio

A NASA acabou de anunciar, em uma conferência de imprensa ao vivo, que novas observações feitas pela sonda Messenger fornecem apoio convincente para a antiga hipótese de que há água congelada abundante, além de outros materiais voláteis congelados, nas regiões polares permanentemente sombreadas de Mercúrio. Ironicamente, Mercúrio é o planeta que orbita mais próximo ao Sol. Messenger vem estudando o planeta de forma intensa desde a sua chegada lá, em março de 2011. Segundo medidas de radar da nave, as evidências de água congelada se concentram na região permanentemente sombreada do pólo norte do planeta. Pensa-se que o gelo tem pelo menos meio metro de profundidade, e possivelmente até 20 metros de profundidade. Cientistas dizem que é provável que o pólo sul de Mercúrio também tenha gelo, embora ainda não haja dados para apoiar essa idéia. A nave Messenger orbita muito mais perto do pólo norte do que do sul. Três linhas independentes de evidências sustentam a conclusão de que há gelo em Mercúrio: as primeiras medidas de excesso de hidrogênio no pólo norte de Mercúrio; as primeiras medidas de refletância dos depósitos polares de Mercúrio em comprimentos de onda quase infravermelhos; e os primeiros modelos detalhados da superfície e temperatura do pólo norte de Mercúrio, usando a topografia real da superfície do planeta. Os resultados foram apresentados em três artigos diferentes publicados online na revista Science Express. Dada a sua proximidade com o Sol, Mercúrio não parece um lugar provável para se encontrar gelo. No entanto, a inclinação do eixo de rotação do planeta é quase zero – menos de um grau -, de forma que alguns “bolsões” (“crateras”) nos pólos do planeta nunca vêem a luz solar. Décadas atrás, os cientistas sugeriram que poderia haver gelo e outros compostos voláteis congelados presos nessas regiões polares. A idéia recebeu um impulso em 1991, quando o telescópio de Arecibo, em Porto Rico, detectou manchas brilhantes nos pólos de Mercúrio, pontos que refletiam as ondas de rádio na forma como se esperaria se houvesse água congelada lá. Muitas dessas manchas correspondiam à localização de crateras de impacto mapeadas pela sonda Mariner 10 em 1970. Mas como a sonda tinha observado menos de 50% do planeta, os cientistas não tinham um diagrama completo dos pólos para comparar com as imagens. A chegada da Messenger em Mercúrio, no ano passado, mudou isso. Imagens da sonda feitas em 2011 e no início deste ano confirmaram que as manchas brilhantes estão dentro das regiões sombreadas na superfície de Mercúrio, e os resultados são consistentes com a hipótese de água congelada. Agora, novos dados indicam fortemente que a água congelada é o constituinte principal dos depósitos no pólo norte de Mercúrio. O gelo está exposto na superfície dos depósitos mais frios, mas está enterrado sob um material excepcionalmente escuro na maior parte do depósitos, áreas onde as temperaturas são “quentes” demais para que o gelo seja estável na superfície. Messenger utilizou espectroscopia de nêutrons para medir as concentrações médias de hidrogênio dentro das manchas. Concentrações consistentes com água congelada foram obtidas. “Os dados indicam que os depósitos polares contêm, em média, uma camada rica de hidrogênio com mais de dezenas de centímetros de espessura abaixo de uma camada superficial de 10 a 20 centímetros de espessura, que é menos rica em hidrogênio”, afirma David Lawrence, da Universidade Johns Hopkins e principal autor de um dos artigos. “A camada enterrada tem um teor de hidrogênio de acordo com água congelada quase pura”. Dados do MESSENGER Laser Altimeter (MLA), que já disparou mais de 10 milhões de pulsos de laser no planeta para fazer mapas detalhados da topografia de Mercúrio, corroboram os resultados de radar e medições de espectrômetro de nêutrons da região polar de Mercúrio. “A correlação de refletância observada com temperaturas modeladas indica que as regiões opticamente brilhantes são consistentes com gelo de superfície”, explica Gregory Neumann, da NASA. O MLA também registrou manchas escuras com refletância diminuída, o que está de acordo com a teoria de que o gelo nas áreas é coberto por uma camada de isolamento térmico. Neumann sugere que impactos de cometas ou asteróides ricos em material volátil podem ter fornecido tanto os depósitos escuros quanto os brilhantes, uma descoberta confirmada em um terceiro estudo, liderado por David Paige, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Paige e seus colegas analisaram os modelos detalhados da superfície e temperatura das regiões polares de Mercúrio utilizando a topografia real do planeta medida pelo MLA. As medidas “mostram que a distribuição espacial das regiões está bem adaptada pela distribuição prevista de água congelada termicamente estável”, disse Paige. O material escuro é provavelmente uma mistura de compostos orgânicos complexos levados a Mercúrio por impactos de cometas e asteróides, os mesmos objetos que provavelmente levaram gelo ao planeta. Esse material pode ter obscurecido por exposição à radiação na superfície de Mercúrio, mesmo em áreas permanentemente sombreadas. Apesar da confirmação, esperada há mais de 20 anos, de que o planeta mais próximo do Sol acolhe gelo abundante em suas regiões polares, as novas observações também levantaram novas questões. Os materiais escuros nos depósitos polares consistem principalmente de compostos orgânicos? Que tipo de reações químicas o material tem experimentado? Há alguma região sobre ou dentro de Mercúrio que pode ter tanto água líquida quanto compostos orgânicos? Só com a exploração contínua de Mercúrio poderemos responder essas novas questões. O jeito é aguardar por mais notícias boas da Messenger.

Créditos: Hypescience

Nova descoberta desafia teorias de formação dos planetas rochosos

Utilizando o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), astrônomos descobriram pela primeira vez que a região exterior de um disco de poeira em torno de uma anã marrom, contém grãos sólidos com tamanhos da ordem de milímetros, comparáveis aos encontrados em discos mais densos situados em torno de estrelas recém nascidas. Esta descoberta surpreendente desafia as teorias de formação dos planetas rochosos do tipo terrestre e sugere que os planetas rochosos podem ser ainda mais comuns no Universo do que o que se esperava. O estudo publicado na revista especializada Astrophysical Journal Letters. Pensa-se que os planetas rochosos se formam a partir de colisões aleatórias e fusão do que são, inicialmente, partículas microscópicas situadas no disco de material em torno de uma estrela. Estes grãos minúsculos, conhecidos como poeira cósmica, são muito semelhantes a fuligem ou areia muito finas. No entanto, nas regiões exteriores em torno de uma anã marrom - um objeto do tipo estelar, mas demasiado pequeno para brilhar como uma estrela - os astrônomos esperavam que os grãos de poeira não pudessem crescer, já que os discos são bastante esparsos e as partículas deslocar-se-iam muito depressa para se poderem fundir após uma colisão. Igualmente, as teorias principais dizem que quaisquer grãos que se consigam formar devem mover-se muito depressa na direção da anã marrom central, desaparecendo assim das regiões mais exteriores do disco, onde poderiam ser detectados. "Ficamos muito surpreendidos ao encontrar grãos de poeira do tamanho do milímetro neste disco pequeno e fino," disse Luca Ricci, do California Institute of Technology, EUA, que liderou a equipa de astrônomos, sediados nos Estados Unidos, Europa e Chile. "Grãos sólidos deste tamanho não deveriam ser capazes de se formar nas regiões exteriores frias de um disco em torno de uma anã marrom, mas aparentemente é o que está a acontecer. Não podemos ter a certeza que um planeta rochoso se forme neste local, ou até que já se tenha formado, mas estamos a ver os primeiros passos deste fenômeno, e por isso mesmo teremos que alterar as nossas suposições sobre as condições necessárias ao crescimento de sólidos," disse ele. A elevada resolução do ALMA comparada com os telescópios anteriores, permitiu também à equipe localizar monóxido de carbono gasoso em torno da anã marrom - é a primeira vez que gás molecular frio é detectado num tal disco. Esta descoberta, juntamente com a dos grãos milimétricos, sugere que o disco é muito mais parecido aos discos que se encontram em torno de estrelas jovens do que o suposto anteriormente. Ricci e colegas fizeram esta descoberta com o auxílio do telescópio ALMA parcialmente completo, situado no deserto chileno a elevada altitude. O ALMA é uma coleção, em crescimento, de antenas de alta precisão, em forma de prato, que trabalham em conjunto, como se de um único telescópio se tratassem, para observar o Universo com imenso detalhe e sensibilidade. O ALMA "vê" o Universo na radiação milimétrica, a qual é invisível ao olho humano. Prevê-se que a construção do ALMA esteja terminada em 2013, mas os astrônomos observam já utilizando uma rede parcial de antenas ALMA, desde 2011. Os astrônomos apontaram o ALMA à jovem anã marrom ISO-Oph 102, também conhecida como Rho-Oph 102, situada na região de formação estelar Rho Ophiuchi, na constelação do Serpentário. Com cerca de 60 vezes a massa de Júpiter mas apenas 0,06 a do Sol, a anã marrom não tem massa suficiente para iniciar as reações termonucleares que fazem brilhar as estrelas. No entanto, emite calor libertado pela sua lenta contração gravitacional e brilha com uma cor avermelhada, embora seja muito menos brilhante que uma estrela. O ALMA coletou a radiação emitida pelo material do disco aquecido pela anã marrom. Os grãos de poeira do disco não emitem muito radiação a comprimentos de onda maiores que o seu próprio tamanho, por isso um decréscimo caraterístico no brilho pode ser medido a comprimentos de onda maiores. O ALMA é o instrumento ideal para medir este decréscimo e deste modo estimar o tamanho dos grãos. Os astrônomos compararam o brilho do disco nos comprimentos de onda de 0,89 mm e 3,2 mm. O decréscimo em brilho de 0,89 mm para 3,2 mm não é tão abrupto quanto se esperava, mostrando que, pelo menos, alguns dos grãos têm um milímetro ou mais de tamanho. "O ALMA é uma ferramenta poderosa para investigar os mistérios dos sistemas planetários em formação," comentou Leonardo Testi do ESO, um membro da equipe de investigação. "Para fazer esta observação com a geração anterior de telescópios, teríamos que ter observado durante praticamente um mês inteiro - o que na prática seria demasiado longo. Mas, utilizando apenas um quarto das antenas do ALMA, pudemos fazer a observação em menos de uma hora!" disse ele. No futuro próximo, o telescópio ALMA completo será suficientemente poderoso para obter imagens detalhadas dos discos em torno da Rho-Oph 102 e outros objetos. Ricci explicou, "Poderemos brevemente detectar, não apenas a presença de pequenas partículas nos discos, mas também mapear como é que elas se distribuem no disco circumstelar e como é que interagem com o gás que também detectamos no disco, o que nos ajudará a compreender melhor como é que os planetas se formam."

Créditos: Hypescience

Quantas galáxias há no universo?

Nosso universo começou pequeno para a ciência: nós só podíamos ver as estrelas próximas, e uma ou outra supernova. Mais adiante, conseguimos ver nebulosas, e descobrimos as galáxias. Mas a visão direta das galáxias no universo estava bloqueada para nós: a poeira da nossa galáxia nos atrapalhava. Mesmo as estrelas próximas impediam uma visão desobstruída. Finalmente, os telescópios-satélites abriram uma janela para enxergarmos locais distantes. Só que o céu parecia ter regiões escuras, sem absolutamente nada. Uma destas regiões foi examinada atentamente pelo Hubble durante 11 dias. Onde não parecia haver absolutamente nada, cerca de 10.000 galáxias foram registradas no Hubble Deep Field (HDF), uma imagem fantástica do nosso universo. E existem mais galáxias escondidas no HDF, galáxias que estão tão longe que sua luz está tão desviada para o vermelho (redshift) que o Hubble não é capaz de percebê-las. Se a região do HDF corresponde a 1/24.000.000 do céu, e se existe a mesma quantidade de galáxias em todas as direções que se possa apontar o telescópio, isto significa que há, no universo, pelo menos 100 bilhões de galáxias. Recentemente os astrônomos combinaram anos de observação de uma única região, um pedacinho do HDF, e criaram o Hubble Extra Deep Field (XDF), que tem cerca de 75% mais galáxias que o HDF. Refazendo as contas, a estimativa obtida multiplicando o número de galáxias naquele trecho (5.500) pelo número de vezes que é preciso repeti-lo para cobrir o céu (32 milhões), chegamos ao número aceito cientificamente como a provável quantidade de galáxias que existem no universo visível: no mínimo 175 bilhões de galáxias.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Descoberto buraco negro com massa de 17 bilhões de sóis

Astrônomos utilizaram o telescópio Hobby-Eberly (HET, na sigla em inglês), no Texas (EUA), para descobrir a massa do que pode ser o buraco negro mais massivo já conhecido - com 17 bilhões de vezes a massa do Sol. A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira na revista especializada Nature. O "monstro" fica na galáxia NGC 1277, a 220 milhões de anos-luz da Terra, e é responsável pelo equivalente a 17% da massa dela. Esta galáxia e outras observadas podem mudar as teorias sobre a formação de buracos negros e a influência em suas galáxias, afirmam os cientistas. NGC 1277 tem apenas 10% da massa da Via Láctea, o que deixa o achado ainda mais estranho. "É realmente uma galáxia excêntrica", diz Karl Gebhardt, da Universidade do Texas em Austin. "É praticamente toda buraco negro. Este pode ser o primeiro objeto em uma nova classe de sistemas galáxias-buracos negros". O tamanho do gigantesco buraco negro é o equivalente a 11 vezes o diâmetro da órbita de Netuno - o último planeta do Sistema Solar - ao redor do Sol. "Atualmente, existem três (teorias de) mecanismos completamente diferentes que reivindicam a explicação para a ligação entre a massa de buraco negro e as propriedades de suas galáxias hospedeiras. Nós não entendemos ainda qual dessas teorias é melhor", diz Remco van den Bosch, líder do estudo, que começou o estudo na universidade americana e atualmente está no Instituto Max Planck de Astronomia, em Heidelberg, na Alemanha. O maior problema é a falta de dados, já que se conhece a massa de menos de 100 buracos negros - e descobri-las é uma tarefa difícil, pois é necessário muito tempo para se fazer as observações. Para descobrir a massa do buraco negro de NGC 1277, os astrônomos utilizaram observações anteriores do Hubble, que mediu a luminosidade a diferentes distâncias de seu centro, com novas feitas pelo HET. Ao colocar os dados em modelos através de supercomputadores, o resultado foi 17 bilhões de massas solares, muito mais que o esperado.

Créditos: Terra

Como sabemos a idade da Terra?

Discussões religiosas de lado, a ciência estabeleceu claramente que a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Quem definiu isso? O geofísico Clair Patterson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (conhecido como Caltech), em 1955. Naquele ano, Patterson publicou um estudo no periódico “Geochimica et Cosmochimica Acta”, que relatava proporções de chumbo encontradas em um meteorito em Canyon Diablo (um cânion que fica em Arizona, EUA). Os meteoritos de ferro encontrados nesta região são pedaços que sobraram de um único grande meteorito que criou a Cratera de Meteoro no Arizona cerca de 50.000 anos atrás. Mais importante ainda, eles são também restos da formação do sistema solar, que antes da publicação do trabalho de Patterson, não tinha data mais exata do que “bilhões de anos atrás”. Conforme Patterson explicou em uma entrevista no ano em que morreu, os meteoritos de Canyon Diablo não continham qualquer urânio, um metal que radioativamente decai em chumbo em taxas já bem estabelecidas pela ciência, que levam centenas de milhões de anos. Outras rochas continham chumbo e urânio, o que anteriormente tinha atrapalhado as estimativas de idade da Terra. Assim, ao relatar a proporção de taxa de chumbo encontrada nesses meteoritos “imaculados” e comparando-os com as proporções encontradas nas outras rochas e meteoritos da Terra, Patterson foi capaz de calcular a idade do sistema solar quando a Terra se formou: 4,55 bilhões de anos, com uma margem de erro de 70 milhões de anos. Essa estimativa sobrevive correta já faz cinco décadas. Ao longo do tempo, foi refinada e confirmada por outras investigações e só ficou mais sólida. Argumentos e discussões sobre a idade da Terra (seja por motivos religiosos ou por “negadores”) irritam e decepcionam muito geoquímicos como Francis Albarede, da École Normale Supérieure, na França, um especialista sobre a geologia dos planetas. “Eu entendo que temos de ser sensíveis aos sentimentos das pessoas, mas, com toda a honestidade, não há nenhum cientista sério que não reconheça todas as evidências de que a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos”, diz. “Não há desculpa para ensinar qualquer coisa diferente a nossas crianças”. Clair Cameron Patterson (1922 – 1995) foi mais do que um geoquímico americano. Apesar de ter descoberto a idade da Terra – o que com certeza é um grande feito -, ele se importava mais com outras coisas, como o meio ambiente e a saúde das pessoas. Tanto que creditou o seu trabalho (e a descoberta) aos cientistas que vieram antes dele. Ao invés de se focar em ser o “bam bam bam”, ele se dedicou a luta contra o chumbo em produtos como tinta e gasolina por décadas. Seu principal interesse era química ambiental. A capacidade de detectar traços de chumbo em rochas de bilhões de anos de idade permitiu que Patterson percebesse que a Era Industrial estava inundada em chumbo. Em 1965, ele relatou que o chumbo na gasolina, solda, pintura e pesticidas aumentava os níveis da substância na corrente sanguínea da maioria dos americanos em 100 vezes mais do que o normal, um resultado que levou a audiências no Congresso americano e desacordos com os cientistas empregados pela indústria do petróleo. Analisando múmias peruanas de 1.600 anos, ele denunciou, em 1975, que as pessoas modernas estavam expostas a milhares de vezes mais chumbo do que no passado – níveis próximos de serem venenosos, com efeitos debilitantes sobre o cérebro, rins e quase todos os outros órgãos. A luta levou à remoção do chumbo em muitos produtos modernos. E, nas décadas desde suas descobertas, os cientistas só chegam à conclusão de que o chumbo parece cada vez mais perigoso. A Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças diz que a exposição, mesmo que pouca, à chumbo pode afetar a inteligência das crianças. Pó de chumbo também já foi ligado à violência. Se hoje a indústria tem que limitar seu uso de chumbo, o mundo todo tem que agradecer a Patterson por isso. “Patterson é um exemplo muito claro da ligação entre a ciência básica que parece sem relação com a vida cotidiana, a idade da Terra e a ciência que faz uma diferença crucial em cada momento em nossas vidas diárias”, afirma o geólogo John Eiler, do Caltech.

Créditos: Hypescience

Região polar

Devido ao fato do eixo de rotação de Mercúrio ser próximo da vertical, o pólo norte de Mercúrio nunca é totalmente iluminado pelo Sol. Se ele fosse, ele pareceria algo como mostra na imagem acima, que é na verdade uma projeção ortográfica, de um mosaico global. A área escura em direção ao centro da imagem é o local do pólo norte de Mercúrio. Dia 29 de Novembro de 2012, a NASA irá fazer uma conferência de imprensa onde irá discutir as novas descobertas feitas pela sonda MESSENGER em Mercúrio, sobre as regiões polares do planeta.

Créditos: MESSENGER

A nebulosa do homem correndo no espaço

Você consegue enxergar um homem correndo nesta imagem? Bem, astrônomos conseguiram. É por esse motivo que a NGC 1977 ficou conhecida como a nebulosa “Running Man” (ou nebulosa do Homem Correndo). Essa nebulosa de reflexão está localizada a 35° ao norte da M42, a Grande Nebulosa de Órion. Ela é visível a olho nu, distante e difusa no céu, perto das três estrelas que formam o Cinturão de Órion. A grande parte azul da imagem é a luz das estrelas vizinhas refletidas em NGC 1977. A reflexão contrasta nitidamente com o avermelhado e com as grossas nuvens escuras de poeira situadas entre a NGC 1977 e Grande Nebulosa de Órion.

Créditos: Hypescience

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Júpiter e Io

No dia 3 de Dezembro de 2012, o planeta Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, estará em oposição, ou seja, no lado oposto do Sol no céu do planeta Terra, brilhando intensamente e nascendo enquanto o Sol se põe. Essa configuração resulta do fato do planeta Júpiter estar quase na sua maior aproximação anual da Terra. Assim, perto da oposição, o gigante gasoso oferece aos observadores da Terra que utilizarem seus telescópios uma visão maravilhosa de sua atmosfera bandada e tempestuosa, além de uma excelente visão das chamadas Luas Galileanas. Por exemplo, essa série de imagens mostrada acima, registrada na noite de 16/17 de Novembro de 2012, desde a Ilha da Sardenha, perto de Dolianova, na Itália, apresenta uma nítida visão de Júpiter. Nas imagens, o norte está para cima e pode-se ver claramente a famosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter, e as feições claras e escuras dos cinturões e dos sistemas de nuvens da atmosfera de Júpiter. Pode-se ver na série de imagens acima, a lua vulcânica Io, de Júpiter, realizando um trânsito na frente do planeta, o interessante é ver claramente a sombra escura do planeta cruzando o topo das nuvens Jovianas à medida que as imagens foram obtidas da esquerda para a direita.

Créditos: APOD

Nebulosa Papillon

A Nebulosa Papillon (N159-5) é uma chamada High Excitation Blob, ou HEB, em forma de borboleta com menos de 2 anos-luz de diâmetro dentro da nebulosa N159, uma turbulenta região de formação de estrelas com mais de 150 anos-luz de diâmetro. Ela está localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a uma distância aproximada de 170.000 anos-luz na direção da constelação de Dorado. As HEBs são regiões H II compactas, uma classe rara de nebulosas ionizadas localizadas nas Nuvens de Magalhães. Elas são caracterizadas pela alta excitação, tamanho pequeno, alta densidade, e grande extinção se comparadas com as regiões H II típicas das Nuvens de Magalhães. Esses objetos são totalmente ligados aos estágios iniciais de formação de estrelas massivas quando as estrelas começam a se desacoplar de suas nuvens moleculares parentais. Essa bolha ionizada compacta está enterrada no centro de um turbilhão de gases brilhantes e de poeira escura na N159. Essa imagem mostra detalhes nunca antes observados da estrutura e da morfologia interna da Nebulosa Papillon, só lembrando que Papillon em francês, quer dizer Borboleta. Uma possível explicação para a forma bipolar é fluxo de gás gerado pelos fortes ventos estelares das estrelas massivas recém nascidas, com massa mais de 10 vezes a massa do Sol, escondidas na zona de absorção central. Essas estrelas são tão quentes que sua pressão de radiação segura a queda de gás e direciona esse gás para longe da estrelas em duas direções opostas. Presumivelmente, um denso disco equatorial formado por matéria ainda tenta cair dessas estrelas concentrando o fluxo nas direções bipolares. Esse tipo de objeto é tão raro que podemos ver estrelas massivas logo depois de terem sido formadas.

Créditos: Cienctec

A linha do tempo do universo

O que você sabe sobre a história do universo? Conheça a linha do tempo do mundo em que vivemos, desde o passado mais remoto até o futuro mais remoto ainda:
O universo passa por uma “inflação” super-rápida, expandindo do tamanho de um átomo para o tamanho de uma laranja em uma fração minúscula de tempo (10^-43 segundos). É o chamado “Tempo de Planck” ou “Era de Planck”. A matéria só pode ser descrita segundo as leis da Mecânica Quântica, mas o universo tem que ser descrito pela Teoria da Relatividade, por causa da extrema densidade e gravidade. Não dá para definir “antes” e “depois” sem ambiguidades. As noções tradicionais de “espaço” e “tempo” não servem para descrever a realidade. O universo é muito quente para que os quarks se combinem. Esta “sopa” de quarks, elétrons e outras partículas existe nos primeiros 10^-32 segundos. A temperatura do universo está em torno de 10^27 graus Celsius. Um milionésimo de segundo depois do Big Bang, o universo resfria rapidamente, e os quarks começam a se combinar em prótons e nêutrons. As interações fundamentais da gravitação, o eletromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca tomam a forma que têm hoje. Nos três primeiros minutos, o universo ainda é quente demais para formar átomos. Os elementos que existem – hidrogênio, hélio e lítio – estão ionizados (sem elétrons), e as partículas carregadas – elétrons e prótons – impedem que a luz brilhe: o universo é um nevoeiro superquente. Até cerca de 300.000 anos depois do Big Bang, a energia na matéria e a energia na radiação são iguais. Conforme a expansão prossegue, as ondas de luz são esticadas para energias cada vez menores, enquanto a matéria viaja praticamente sem ser afetada. Mais ou menos nesta época, os átomos neutros são formados, quando os elétrons se ligam com os núcleos de hidrogênio e hélio. A radiação cósmica de fundo reflete esta época, e nos dá uma imagem da distribuição da matéria neste tempo. É muito difícil definir a idade da Via Láctea, mas a estrela mais velha descoberta na galáxia, HE 1523-0901, tem cerca de 13,2 bilhões de anos. Ela se formou cerca de 0,5 bilhões de anos depois do Big Bang. 300 milhões de anos depois do Big Bang, a gravidade amplifica as pequenas irregularidades na densidade do gás primordial. Enquanto o universo expande, bolsões de gás se tornam mais e mais densos. As estrelas começam a queimar nestes bolsões, e grupos de estrelas se tornam as primeiras galáxias. São os pequenos pontos azuis no Campo Profundo do Hubble. O Sol é a estrela no centro do nosso sistema solar. Todos os planetas (incluindo a Terra), asteróides, meteoróides, cometas e poeira orbitam o Sol. O Sol foi formado cerca de 4,57 bilhões de anos atrás, quando uma nuvem de hidrogênio molecular entrou em colapso em um dos braços espirais da Via Láctea. Um disco imenso de gás e detritos que gira em torno da nova estrela dá origem aos planetas, luas e asteróides. A Terra, também conhecida como Planeta Azul, é o lar de milhões de espécies, incluindo a espécie humana. A Terra é o único lugar do universo que sabemos ter vida. Os primeiros organismos vivos povoaram o planeta cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. 700 milhões de anos atrás, surgiram os primeiros animais. A maioria era vermes, águas-vivas e algas. 570 milhões de anos atrás, um grande número de criaturas com casca dura aparece em poucas centenas de milhares de anos. Há cerca de 200 milhões de anos aparecem os primeiros mamíferos, uma espécie que se separa dos répteis, apresentando mandíbula segmentada e uma série de ossos que fazem o ouvido interno. Um asteróide ou cometa atinge o norte da Península do Yucatán, no México. Um cataclismo global acaba com a longa era dos dinossauros, dando aos mamíferos uma oportunidade para se diversificar e expandir seu domínio. Nossos ancestrais mais antigos evoluíram na África, a partir de uma linhagem de criaturas descendentes de macacos. 170.000 anos atrás, uma estrela explode em uma galáxia anã conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, logo ao lado da Via Láctea. Era uma supergigante azul 25 vezes mais massiva que o Sol. O Sol não tem massa suficiente para explodir como supernova. Em vez disso, em cerca de 5 bilhões de anos ele vai entrar na fase de gigante vermelha. Nesta fase, o Sol vai lentamente esfriar e desvanecer em uma Anã Branca depois de bilhões de anos. É nesta época que a colisão da Via Láctea com Andrômeda vai acontecer. 100 trilhões de anos no futuro, o universo deve expandir tanto a ponto de por um fim à era estelar. A maior parte da energia gerada no universo virá de estrelas queimando hidrogênio e outros elementos em seus núcleos. De 100 trilhões a 10 trilhões de trilhões de trilhões de anos após o Big Bang (10^37 anos), toda a matéria deve estar presa em estrelas degeneradas (as que entraram em colapso e se tornaram buracos negros ou estrelas de nêutrons, ou então em anãs brancas). A energia desta era será gerada pelo decaimento dos prótons e a aniquilação de partículas. Esta era se estenderá até os 10 mil trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de trilhões de anos depois do Big Bang (10^100 anos). Depois da era do decaimento dos prótons, os únicos objetos estelares restantes serão buracos negros, de massas bem diferentes, que estarão evaporando ativamente. Os prótons decaíram, os buracos negros evaporaram. Só sobraram os restos destes processos: fótons com comprimento de onda colossal, neutrinos, elétrons e pósitrons. O universo, como conhecemos, foi dissipado.

Créditos: Hypescience

Descoberta maior ejeção de matéria de um buraco negro

Os quasares são centros de galáxias distantes muito luminosos, alimentados por enormes buracos negros. Este novo estudo observou um destes objetos energéticos, conhecido por SDSS J1106+1939, utlizando o instrumento X-shooter, montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. Embora os buracos negros sejam conhecidos por atraírem material, a maioria dos quasares também acelera alguma desta matéria em torno de si mesmo, ejetando-a depois a altas velocidades. "Descobrimos o jato de quasar mais energético conhecido até hoje. A taxa à qual a energia é dissipada por esta enorme massa de material ejetado a altas velocidades pelo SDSS J1106+1939 é, pelo menos, equivalente a dois trilhões de vezes a energia liberada pelo Sol, o que é, por sua vez, cerca de 100 vezes mais do que a energia total liberada pela galáxia da Via Láctea - é, de fato, um jato monstruoso", diz o chefe da equipe Nahum Arav (Virginia Tech, EUA). "Esta é a primeira vez que um jato de quasar mostra ter as altas energias previstas pela teoria." Muitas simulações teóricas sugerem que o impacto destes jatos nas galáxias que os rodeiam pode resolver vários enigmas da cosmologia moderna, incluindo como é que a massa de uma galáxia se encontra ligada ao seu buraco negro central, e porque é que existem tão poucas galáxias muito grandes no Universo. No entanto, até agora permanecia incerto se os quasares conseguiam ou não produzir jatos de matéria suficientemente poderosos para dar origem a estes fenômenos. O novo jato recentemente descoberto situa-se a cerca de mil anos-luz de distância do buraco negro de elevada massa, no coração do quasar SDSS J1106+1939. Este jato é, pelo menos, cinco vezes mais energético do que o último detentor do recorde. A análise efetuada pela equipe mostra que uma massa de aproximadamente 400 vezes a do Sol é liberada pelo quasar por ano, deslocando-se a uma velocidade de 8.000 quilômetros por segundo. "Não poderríamos obter os dados de alta qualidade necessários a esta descoberta sem o espectrógrafo X-shooter," diz Benoit Borguet (Virgina Tech, EUA), autor principal do novo artigo científico que descreve os resultados. "Pela primeira vez conseguimos explorar a região em torno do quasar com grande detalhe." Além de SDSS J1106+1939, a equipe observou também um outro quasar e descobriu que ambos os objetos possuem jatos poderosos. Uma vez que estes são exemplos típicos de um tipo de quasares, comum mas pouco estudado até agora, estes resultados devem poder aplicar-se, de modo geral, aos quasares luminosos em todo o Universo. Borguet e colegas estão atualmente a estudar uma dúzia de objetos similares para ver se este é efetivamente o caso. "O ano de 2012 marca o quinquagésimo aniversário da fundação do Observatório Europeu do Sul (ESO). O ESO é a mais importante organização européia intergovernamental para a pesquisa em astronomia e é o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 15 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e funcionamento de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação nas pesquisas astronômicas. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta, no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. O ESO está planejando o European Extremely Large Telescope, E-ELT, um telescópio de 39 metros que observará na banda do visível e infravermelho próximo. O E-ELT será “o maior olho no céu do mundo”.," diz Nahum Arav, "por isso é muito excitante encontrar finalmente um destes jatos monstruosos, previstos pela teoria!"

Créditos: ESO

Como a NASA poderá construir o primeiro motor de dobra espacial, mais rápido que a luz

Recentemente, o físico Harold White e sua equipe na NASA anunciaram que estavam trabalhando no desenvolvimento de um motor de dobra capaz de viajar mais rápido do que a luz. O projeto é inspirado em uma equação formulada pelo físico Miguel Alcubierre em 1994, e pode, eventualmente, resultar em um motor que poderia transportar uma nave espacial para a estrela mais próxima de nós em questão de semanas – sem violar a lei da relatividade de Einstein. O trabalho de Alcubierre, “The Warp Drive: Hyper-Fast Travel Within General Relativity” (em português, algo como “Dobra espacial: viagem hiper-rápida dentro da relatividade geral), sugere um mecanismo pelo qual o espaço-tempo pode ser “deformado”, tanto na frente quanto atrás de uma nave espacial. Esse mecanismo tira proveito de um “truque cosmológico” que permite a expansão e contração do espaço-tempo, e poderia permitir viagens hiper-rápidas entre destinos interestelares. Essencialmente, o espaço vazio atrás de uma nave seria feito para poder expandir-se rapidamente, empurrando a nave para a frente. Eventuais passageiros perceberiam isso como movimento, apesar da completa falta de aceleração. White especula que isso poderia resultar em “velocidades” que poderiam levar uma nave espacial para Alfa Centauri (o sistema estelar mais próximo de nós) em apenas duas semanas, mesmo que o sistema esteja a 4,3 anos-luz de distância. A título de comparação, com a nave espacial mais rápida do mundo existente atualmente, a sonda Helios-2, o trajeto a Alfa Centauri levaria 19.000 anos. Com nossas tecnologias de propulsão atuais, o vôo interestelar é impossível. Algumas tecnologias experimentais, como propulsores de íons ou naves explodindo bombas atômicas na cauda, oferecem esperança, mas simplesmente não são práticas. Isso porque elas exigem quantidades enormes de combustível e de massa para chegar a qualquer estrela próxima, depois de décadas ou até mesmo séculos de viagem. O que a nova proposta tem de diferente, ou seja, de melhor que as outras? Ela oferece um meio de chegar a um destino distante de forma bastante rápida, sem quebrar nenhuma lei da física, e ainda tem o potencial de solucionar o problema da energia (da quantidade exorbitante necessária hoje para alcançarmos lugares tão além do nosso planeta). Em termos de mecânica do motor, a idéia depende basicamente de um objeto esferóide colocado entre duas regiões do espaço-tempo (uma expansão e uma contratação). Uma “bolha de dobra” geraria o que se move no espaço-tempo ao redor do objeto, efetivamente reposicionando-o. O resultado final seria viagem com velocidade mais rápida do que a luz, sem o objeto esférico (a nave espacial) ter que se mover com respeito à sua estrutura local de referência. Ou seja, através da criação de uma “bolha de dobra”, o motor da nave irá comprimir o espaço à frente e expandir o espaço atrás de si, movendo-o para um outro lugar sem sofrer nenhum dos efeitos adversos dos métodos de viagem mais rápida que a luz. “Nada localmente excede a velocidade da luz, mas o espaço pode se expandir e contrair em qualquer velocidade”, explica White. Ainda assim, criar esse efeito de expansão e contração do espaço-tempo de forma a chegarmos a destinos interestelares em períodos de tempo razoáveis exige muita energia. Avaliações iniciais sugeriam quantidades de energia monstruosas, basicamente iguais à massa-energia do planeta Júpiter (que é de 1,9 × 10 elevado a 27 quilos ou 317 massas terrestres). Como resultado, a idéia tinha sido posta de lado no passado. Mesmo que a natureza permitisse uma velocidade de dobra, nunca seríamos capazes de criá-la. No entanto, White afirma que, com base na análise que fez nos últimos 18 meses, pode haver esperança. A chave, segundo ele, pode estar em alterar a geometria da dobra espacial propriamente dita. White percebeu que, se otimizasse a espessura da bolha de dobra (mudando sua forma de anel para uma forma de rosca), e oscilasse sua intensidade para reduzir a rigidez do espaço-tempo, poderia reduzir a energia necessária para fazê-la funcionar. White ajustou a forma de anel feita inicialmente por Alcubierre, transformando o esferóide de algo que parecia um halo plano para algo mais grosso e curvo. O novo design pode reduzir significativamente a quantidade de matéria necessária; White diz que a velocidade de dobra pode ser alimentada por uma massa ainda menor do que a sonda Voyager 1. A redução da massa de um planeta do tamanho de Júpiter a um objeto que pesa apenas 725 kg redefiniu completamente a plausibilidade do projeto. Essa plausibilidade é muito interessante, mas ainda é teórica. Agora, White e a equipe da NASA buscam provar que o conceito pode ser prático. Para tanto, eles estão fazendo diversos testes, como a medição das perturbações microscópicas no espaço-tempo a partir de uma versão modificada do interferômetro de Michelson-Morley. Ou seja, os pesquisadores estão tentando simular uma bolha de dobra em miniatura usando lasers para perturbar o espaço-tempo. E então: uma nave que viaja além da velocidade da luz sem perturbar as leis do universo pode ou não ser construída? “Matematicamente, as equações de campo prevêem que isso é possível, mas ainda temos que reduzir esta idéia à prática”, afirma White. Ou seja, antes de dizermos que tal coisa é possível, precisamos de algo chamado de “prova de existência”, que White apelidou de “Pilha de Chicago”, em uma referência a um grande exemplo prático. No final de 1942, a humanidade ativou o primeiro reator nuclear do mundo em Chicago (EUA), gerando meio Watt, energia que não era suficiente para alimentar uma lâmpada – mas foi uma prova de que ele era possível. Pouco menos de um ano depois, nós ativamos um reator que gerava energia suficiente para abastecer uma pequena cidade. White está confiante. “Esta brecha na relatividade geral nos permite ir a lugares de forma muito rápida, medida da mesma forma por observadores na Terra e observadores a bordo do navio – viagens medidas em semanas ou meses ao invés de décadas e séculos”, disse. Só que, no momento, a realização de tal projeto está no “modo de ciência”. “Eu não estou pronto para discutir a proposta muito além da matemática e de abordagens modestas controladas em laboratório”, conclui.

Créditos: Hypescience

Refinaria cósmica na nebulosa Cabeça de Cavalo

O que parece ficção científica é afinal realidade: usando o telescópio de 30 metros do Instituto para Radioastronomia para observações astronômicas no comprimento de onda milimétrica, os astrônomos detectaram, pela primeira vez, a molécula interestelar C3H+, na nossa Galáxia. Pertence à família dos hidrocarbonetos e é, portanto, parte dos recursos energéticos principais do nosso planeta, ou seja, petróleo e gás natural. A descoberta desta molécula no coração da famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo na direção da constelação de Órion também confirma que esta região é uma ativa refinaria cósmica. A Nebulosa Cabeça de Cavalo, a 1.300 anos-luz da Terra, está localizada na constelação de Órion, nesta altura do ano já visível nos nossos céus noturnos. Devido à sua forma famosa e facilmente reconhecível, que deu o nome à nebulosa, é um dos objetos mais fotografados pelos astrônomos. Mas a Nebulosa Cabeça de Cavalo é também um fantástico laboratório químico interestelar, onde o gás de alta densidade e a intensa luz estelar interagem continuamente e desencadeiam reações químicas em muitos níveis. Usando o radiotelescópio de 30 metros perto do Pico del Veleta na Sierra Nevada, Espanha, o astrônomo Jérôme Pety e a sua equipe do IRAM (Institut de Radioastronomie Milimétrique) realizaram pela primeira vez um estudo sistemático da composição química da crina da Cabeça de Cavalo. O projeto internacional, denominado "Whisper", não teria sido possível sem as recentes atualizações técnicas dos instrumentos do telescópio. "No início, tal estudo compreensivo teria levado pelo menos um ano em observações. Agora nós podemos completar as medições após uma semana," afirma Arnaud Belloche do Instituto Max Planck para Radioastronomia. Isto abre novas possibilidades para a classificação dos diferentes tipos de gás no Universo, com base nas moléculas que contêm. Na sua pesquisa atual, os cientistas foram capazes de detectar 30 moléculas na região, incluindo muitos hidrocarbonetos pequenos, as moléculas mais pequenas que compõem o petróleo e o gás natural. Os investigadores ficaram surpresos com os níveis inesperadamente elevados de hidrocarbonetos. "A nebulosa contém 200 vezes mais hidrocarbonetos do que a quantidade total de água na Terra!", afirma a astrônoma Viviana Guzman, também do IRAM. Além disso, um destes hidrocarbonetos de pequeno porte, o íon C3H+, foi observado pela primeira vez no espaço como parte deste estudo - embora este íon com carga positiva seja uma peça fundamental nas reações químicas que ligam os hidrocarbonetos pequenos. Mas como é que estes hidrocarbonetos são formados? No seu artigo, Jérôme Pety e colegas propõem que resultam da fragmentação de gigantes moléculas carbonáceas denominadas PAHs. Estas moléculas gigantes podem sofrer erosão graças à radiação ultravioleta, produzindo uma grande quantidade de hidrocarbonetos pequenos. Este mecanismo seria particularmente eficiente em regiões como a Nebulosa Cabeça de Cavalo, onde o gás interestelar está diretamente exposto à luz de uma gigantesca estrela vizinha. "Observamos a operação de uma gigantesca refinaria natural de petróleo," conclui Jérôme Pety.

Créditos: Astronomia On-line

NASA observa asteróide 2007 PA8

No passado dia 05 de Novembro, o asteróide 2007 PA8 aproximou-se a apenas 0,043 UA da Terra (cerca de 17 vezes a distância média Terra-Lua), uma distância que o tornou num alvo favorável para uma série de observações com as antenas de radar do Deep Space Network de Goldstone, na Califórnia, EUA. Os dados recolhidos durante a campanha permitiram aos cientistas da NASA diminuir drasticamente as incertezas da sua órbita, e assim recalcular a sua trajetória com grande precisão para os próximos 632 anos, período no qual não constituirá qualquer ameaça ao nosso planeta. A passagem deste ano foi a mais próxima da Terra desde 1880, e não terá paralelo pelo menos até 2488, quando o asteróide se aproximar a apenas 5,8 milhões de quilômetros (cerca de 15 vezes a distância Terra-Lua). As imagens de radar obtidas em Goldstone mostram que 2007 PA8 é um objeto alongado com 1,5 a 2 quilômetros de diâmetro, com um período de rotação excepcionalmente longo (entre 3 a 4 dias). Em algumas imagens é possível vislumbrar alguns pormenores da sua superfície, incluindo possíveis crateras, cristas e rochedos.

Créditos: AstroPT

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Brilhante Júpiter em Touro

Essa brilhante estrela que você tem recentemente notado nascer logo depois do pôr-do-Sol, não é uma estrela propriamente dita. Ela é na verdade o planeta Júpiter que está perto de sua oposição que irá ocorrer no dia 3 de Dezembro de 2012, quando ele estará na constelação de Touro e do lado oposto do Sol, no céu do planeta Terra. claramente superando o brilho amarelado da estrela Aldebaran, a estrela alpha da constelação de touro, Júpiter aparece bem no centro dessa paisagem celeste, feita no dia 14 de Novembro de 2012, e que também mostra os aglomerados estelares das Plêiades e das Hiades, sinais celestes familiares enquanto o inverno no hemisfério norte se aproxima. Essa imagem é uma versão anotada da imagem principal onde é possível identificar os objetos que estarão visíveis ao mesmo tempo em que Júpiter atinge sua oposição. Pequeno e apagado, o asteróide Vesta e o planeta anão Ceres estão a aproximadamente 10 graus de Júpiter, na parte esquerda da imagem. Claro que você pode imaginar que a sonda Dawn da NASA também está nessa imagem. Tendo deixado o asteróide Vesta em Setembro de 2012, o motor de íons da sonda Dawn está agora a levando para órbita de Ceres, onde deve se encontrar com esse planeta anão no mês de Fevereiro de 2015.

Créditos: APOD

LH 95

A LH 95 é um berçário estelar com aproximadamente 150 anos-luz de diâmetro, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a aproximadamente 160.000 anos-luz de distância na constelação do sul de Dorado. A LH 95 é apenas um dos centenas de sistemas de formação de estrelas, chamado de associações, localizado na Grande Nuvem de Magalhães. Essa pequena galáxia satélite da via Láctea tem uma quantidade relativamente pequena de elementos mais pesados do que o hidrogênio que dá aos astrônomos uma idéia sobre a formação de estrelas em ambientes diferentes da nossa Via Láctea. Uma vez que as estrelas massivas, com no mínimo 3 vezes a massa do Sol, se formam, elas geram fortes ventos estelares e altos níveis de radiação ultravioleta, que ioniza o gás interestelar ao redor. O resultado é uma nebulosa de hidrogênio brilhante que irá se expandir na nuvem molecular que originalmente colapsou para formar essas estrelas. A névoa azul vista nessa imagem ao redor da LH 95 é na verdade parte dessa nebulosa brilhante, conhecida como DEM L 252. Algumas partes densas dessa região de formação de estrelas não foram completamente erodidas pelos ventos estelares e podem ainda ser vistas como filamentos escuros empoeirados na imagem. Essas linhas de poeira absorvem parte da luz azul das estrelas atrás delas, fazendo com que pareçam mais avermelhadas. Outras partes da nuvem molecular já tinham se contraído para transformar grupos brilhantes de estrelas infantis, a mais apagada delas tem uma alta tendência para o aglomerado. Existem no mínimo dois aglomerados compactos com esses grupos, um a direita, acima do centro da imagem e outro à esquerda. Esses berçários estelares abrigam centenas de estrelas recém nascidas de baixa massa. Essas estrelas também tem sido encontradas na parte principal da LH 95, entre seus membros estelares mais brilhantes. Normalmente somente as estrelas mais brilhantes, azuis e massivas na região de formação de estrelas são visíveis, mas essa imagem foi feita em alta resolução e em cores específicas que muitas estrelas recentemente formadas que são mais amarelas, mais apagadas e menos massivas mas que também são discerníveis. Um total de mais de 2.500 estrelas pré-sequência principal com massas menores que 0.3 massas solares tem sido contadas na LH 95, dando uma imagem detalhada de como deve ser uma típica associação estelar na Grande Nuvem de Magalhães.

Créditos: Cienctec

Agência brasileira lança passeio no espaço por US$ 107 mil

Uma operadora brasileira de turismo começou a oferecer nesta semana viagens ao espaço em parceria com a holandesa Space Expedition Curaçao (SXC), que já vende este pacote em países como Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Reino Unido. "Destinos Especiais e Espaciais" é o nome do pacote que a agência de viagens Sanchat Tour, com sede em São Paulo, começou a oferecer pela internet a um preço de US$ 107 mil por uma viagem de 60 minutos a bordo da nave espacial Lynx. A primeira decolagem comercial da Lynx, projetada pela empresa americana XCor Aerospace e com capacidade para duas pessoas, o piloto e o turista, está prevista para março de 2014. Fontes da Sanchat Tour disseram nesta quarta-feira à agência Efe que o pacote foi lançado oficialmente ontem e que já há alguns turistas interessados. Segundo algumas versões, cinco brasileiros já compraram sua passagem para o espaço. O presidente da SXC, Reinhard Spronk, explicou na apresentação em São Paulo que o Lynx decola como um avião convencional de qualquer aeroporto e que, já no ar, se posiciona com uma inclinação a 90 graus para alcançar sua velocidade máxima e sair da atmosfera terrestre. Uma vez no espaço, a aeronave flutuará em gravidade zero durante cinco minutos a uma altura de 100 km e depois planará em círculos até retornar a seu ponto de partida, que inicialmente é a base aérea da ilha caribenha de Curaçao. A empresa holandesa planeja realizar quatro vôos diários para atender a demanda de turistas espaciais no mundo todo. Segundo a Sanchat Tour, para fazer a viagem o turista espacial deverá demonstrar com um exame médico que está em perfeitas condições de saúde e realizar um treinamento prévio. "Esperamos ter muitos clientes brasileiros porque sabemos que são muito aventureiros e gostam de velocidade", declarou Ben Droste, um dos fundadores da SXC na apresentação do projeto em São Paulo. Os pacotes oferecidos pela agência brasileira incluem a aventura no espaço, o treinamento, a viagem e a hospedagem em Curaçao. A empresa americana Virgin Galactic também oferece viagens espaciais, neste caso a bordo da cápsula Space Ship Two, mas até agora nenhum turista viajou.

Créditos: Terra

Escuras cascatas de areia em Marte

Essas feições podem até parecer árvores em Marte, mas não são. Grupos de listras na cor marrom escura têm sido fotografados pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, derretendo em dunas de areias rosadas cobertas com gelo claro. A imagem acima foi feita em Abril de 2008, perto do pólo norte de Marte. Naquela época, a areia escura, localizada no interior das dunas de areia de Marte, tornavam-se cada vez mais visíveis à medida que o Sol da primavera derretia o gelo de dióxido de carbono que tem uma coloração mais clara. Quando esse derretimento acontecia perto do topo da duna, a areia escura podia cair em forma de cascata duna abaixo, deixando para trás listras escuras na superfície, listras essas, que numa primeira olhada, podem parecer árvores localizadas na frente das regiões mais claras, mas sem gerar sombras. Objetos com até 25 centímetros de diâmetros podem ser observados nessa imagem que se espalha por aproximadamente 1 km.

Créditos: APOD

Nasa fala em descoberta histórica, mas reduz expectativa

A excitação foi total nesta quarta-feira quando um cientista da Nasa mencionou uma descoberta "digna de entrar nos livros de história" feita pela sonda Curiosity em Marte, mas em seguida a agência espacial americana reduziu as expectativas em torno do feito. "Esta descoberta vai entrar nos livros de história, parece realmente excelente", afirmou à rádio NPR John Grotzinger, diretor da missão Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) em Pasadena (Califórnia, oeste dos Estados Unidos). Segundo a entrevista, divulgada na terça-feira, análises feitas pela sonda enviada ao planeta vermelho teriam apontado para uma descoberta incrível. Mas os cientistas não poderiam antecipar nada mais antes de confirmar seus estudos preliminares, o que poderá levar várias semanas. Nesta quarta-feira, no entanto, Guy Webster, responsável pelas relações com a imprensa do JPL, reduziu a expectativa em torno de uma descoberta revolucionária. "No que diz respeito ao seu comentário sobre os 'livros de história', a missão em seu conjunto tem uma natureza (que a torna candidata) a entrar nos livros de história (...), não há nada específico no futuro que seja revolucionário", disse à AFP. "John (Grotzinger) estava encantado com a qualidade das análises das amostras provenientes do veículo robótico quando estava com um jornalista em seu escritório na semana passada", explicou Webster. "Já tinha ficado entusiasmado no passado com resultados anteriores e estará de novo no futuro", acrescentou. "A equipe científica analisa os dados de uma amostra do solo marciano, mas não se pode falar disso neste momento", continuou. "Isto não muda os procedimentos habituais: deve-se confirmar os primeiros resultados antes de torná-los públicos", afirmou. No final de setembro, a Curiosity descobriu cascalho proveniente do leito de um antigo riacho, sustentando a hipótese da existência de água no planeta vermelho. A sonda, dotada de vários instrumentos de medição e análise, encontrou no mês passado "objetos brilhantes" na superfície do solo, o que deixou os especialistas perplexos.

Créditos: Terra

Perto da maior galáxia já encontrada a nossa Via Láctea é um grão de areia

Não é novidade que a Terra (ou seja, nós) fica em uma galáxia chamada Via Láctea. Também não é novidade que essa galáxia é enorme – precisamente, tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro. Caso você esteja se perguntando, um ano-luz equivale a aproximadamente 10 trilhões de quilômetros. Aham. Para colocar os números em perspectiva, pense na Voyager 1, a sonda da NASA com a maior capacidade de viagem espacial que atingiu o ponto mais distante a partir da Terra até hoje: ela viajou um total de 18,19 bilhões de quilômetros nos últimos 35 anos. É por isso que com certeza nunca visitaremos IC 1101, que fica na constelação de Serpens, uma enorme galáxia lenticular que reside no centro do aglomerado de galáxias Abell 2029, composto de milhares delas. Ela tem nada mais, nada menos que cerca de 5,5 milhões de anos-luz de diâmetro, e está a mais de um bilhão de anos-luz de distância da Terra. Finalmente, se você acha o Sol um troço gigante – e é -, saiba que ele também é apenas uma estrela de cerca de 100 a 200 bilhões na Via Láctea. E quantas existem em IC 1101? 100 trilhões. A IC 1101 não se tornou a maior galáxia conhecida do universo do dia para noite. O processo provavelmente levou bilhões de anos. Os cientistas afirmam que galáxias menores tornaram-se atraídas umas pelas outras e colidiram. Este processo, apesar de longo e árduo, acabou criando uma galáxia exponencialmente gigante, cheia de novos materiais e estrelas no processo. A galáxia foi observada como parte do programa XMM-Newton Slew Survey Programme. O aglomerado Abell 2029 pode ser visto em raios-X porque está envolto em uma gigantesca nuvem de gás quente. Devido a sua elevada temperatura, ela emite fótons de raios-X. O aglomerado também está envolto em uma quantidade de matéria escura equivalente a mais de uma centena de trilhões de sóis. Ao medir com precisão a distribuição da temperatura e da intensidade dos raios-X em Abell 2029, os astrônomos tiveram uma idéia da distribuição de matéria escura na região interna do aglomerado de galáxias. Os dados de raios-X sugerem que a densidade de matéria escura aumenta suavemente conforme se aproxima da gigante galáxia central. Esta descoberta está de acordo com as previsões dos modelos de matéria escura fria, e é contrária a outros modelos de matéria escura que predizem um nivelamento da quantidade de matéria escura no centro do aglomerado. Se Abell 2029 for uma amostra representativa do universo, os novos dados indicam que 70 a 90% da massa do universo consistem de matéria escura fria – partículas misteriosas, “sobras” de um universo jovem e denso, que interagem umas com as outras e com matéria “normal” apenas através da gravidade. A matéria escura fria recebeu o seu nome a partir da suposição de que suas partículas estavam se movendo lentamente quando galáxias e aglomerados de galáxias começaram a se formar. A natureza exata dessas partículas é ainda desconhecida.

Créditos: Hypescience

sábado, 24 de novembro de 2012

Quantos anos tem esta cratera?

Como todos nós sabemos, a superfície da Lua é dominada por crateras que têm desde tamanhos sub-microscópicos até tamanhos de bacias. Nós podemos medir seus diâmetros e profundidades, descrever os processos de formação e modificação e até dar nomes, mas só podemos dizer a idade de poucas dessas crateras. A razão é que determinar a idade absoluta da formação de uma cratera necessita de se aplicar uma técnica de datação radiométrica de determinadas amostras derretidas pelo impacto ou de rochas fortemente alteradas pela formação da cratera ou determinando a idade num pedaço de rocha ejetado e exposto durante a formação da cratera. Os astronautas da missão Apollo trouxeram para a Terra, 382 kg de amostras lunares representando milhares de eventos, mas os cientistas não sabem exatamente quais eventos estão relacionados com a maior parte das amostras. Nós pensamos que a cratera Tycho e a Copernicus tem aproximadamente 109 milhões de anos e 800 milhões de anos respectivamente, porém ninguém pode provar que as amostras usadas para chegar a essa idade, são realmente dessas crateras. Os astronautas da Apollo 16 coletaram rochas de um anel de 890 metros de largura da Cratera North Ray e a sua idade foi determinada como sendo de 50 milhões de anos. A Cratera South Ray, levemente maior é muito mais jovem, com somente 2 milhões de anos. A uma segunda maneira de datar as crateras é contando o número de crateras subsequentes que se formaram nela. Essa técnica nos dá um modelo de idade que obviamente depende de se saber a taxa com a qual as crateras se formaram. Surpreendentemente, poucos modelos de idade tem sido publicados para crateras individuais, mas eles têm sido feitos para muitos fluxos de lava dos mares da Lua. Num artigo de 2010, (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012821X10002207) Werner e Medvedev, determinaram o modelo de idade para as crateras raiadas. Eles determinaram que as crateras raiadas considerando a população, têm menos que 750 milhões de anos, sendo as menores crateras consideravelmente mais jovens. As crateras raiadas com diâmetros entre 0.5 e 1 km são na média 5 milhões de anos mais velhas. Seguindo esse modelo, a Cratera South Ray se ajusta perfeitamente, mas a North Ray, com 50 milhões de anos, não. Por que essa diferença?

Créditos: LPOD

Hubble observa galáxia espiral com braços soltos

O Telescópio Espacial Hubble registrou a galáxia espiral ESO 499-G37, que pode ser vista na imagem acima contra um fundo repleto de galáxias mais distantes, pontilhado com estrelas mais próximas. A galáxia é vista de um ângulo, que permite que o Hubble revele sua natureza espiral de forma clara. Os braços espirais apagados e soltos, podem ser distinguidos enquanto que feições azuladas giram ao redor do núcleo da galáxia. Essa tonalidade azul emana das estrelas jovens e quentes, localizadas nos braços espirais. Os braços da galáxia espiral têm uma grande quantidade de gás e poeira, e são as vezes áreas onde novas estrelas estão se formando constantemente. A principal característica da galáxia é o brilhante e alongado núcleo. O bulbo central normalmente contém a maior densidade de estrelas na galáxia, onde normalmente um grande grupo de estrelas velhas e comparativamente frias, é empacotado nessa região compacta e esferoidal. Uma feição comum a muitas galáxias espirais, é a presença de uma barra correndo através do centro da galáxia. Essas barras acreditam-se, agem como um mecanismo que canaliza o gás dos braços espirais para o centro realçando a formação de estrelas.

Créditos: NASA

Sortuda observação de uma nuvem enigmática

A pouco conhecida nebulosa IRAS 05437+2502, se destaca entre as brilhantes estrelas e nuvens escuras de poeira que envolve essa impressionante imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble. Ela está localizada na constelação de Taurus, o touro, perto do plano central da Via Láctea. Diferente de muitos alvos já fotografados pelo Hubble, esse objeto não tem sido estudado em detalhe e a sua natureza exata é incerta. Numa primeira olhada, ela parece ser uma pequena e isolada, região de formação de estrelas e pode-se assumir que o efeito da violenta radiação ultravioleta das jovens estrelas brilhantes, provavelmente foi a causa das interessantes formas tomadas pelo gás. Contudo, a brilhante feição em forma de bumerangue pode nos dizer algo ainda mais dramático. A interação da estrela jovem de alta velocidade e da nuvem de gás e poeira pode ter criado esse arco brilhante com forma muito bem definida. Essa estrela pode ter sido ejetada de um distante aglomerado jovem onde ela nasceu e estaria viajando a uma velocidade de 200.000 km/h ou mais, através da nebulosa. Essa apagada nuvem foi originalmente descoberta em 1983 pelo Infrared Astronomical Satellite (IRAS), o primeiro telescópio espacial a pesquisar todo o céu no comprimento de onda do infravermelho. O IRAS foi operado pelos EUA, pela Holanda e pelo Reino Unido e encontrou um grande número de objetos que eram invisíveis do solo com os instrumentos que somente captam a luz na parte visível do espectro. Essa imagem foi feita com o Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys, do Hubble. Essa imagem é parte de uma chamada pesquisa snapshot. Essas são listas de observações que são ajustadas ao ocupadíssimo calendário do Hubble e que são feitas quando possíveis, sem qualquer garantia de que a observação será mesmo realizada, então ela depende realmente da sorte para ser feita. Essa imagem foi criada a partir de imagens feitas através do filtro amarelo, o F606W, e o filtro de infravermelho próximo, o F814W. Os tempos de exposição foram de aproximadamente onze minutos por filtro e o campo de visão é de aproximadamente 100 arcos de segundos de diâmetro

Créditos: Space Telescope

Meteoritos raros surgem após colisão com protoplaneta

Os meteoritos palasitos parecem mel em um favo, vindos diretamente do espaço. Essas rochas são formadas por belos e translúcidos cristais verdes encrustados numa estrutura esponjosa que parece ser um favo, compostos de ferro e níquel. Esses raros e belíssimos meteoritos fascinam pesquisadores e curiosos desde que foram identificados pela primeira vez, mais de 200 anos atrás. Apenas 61 palasitos foram registrados no mundo. A beleza desses meteoritos é tanta que muita gente paga caro por pedaços mínimos dessa rocha espacial em leilões. Só agora os pesquisadores começam a entender de onde surgiram esses meteoritos. E essa origem é bem mais dramática do que se imaginava, conforme aponta um novo estudo publicado no periódico Science. Utilizando um laser de dióxido de carbono e outros dispositivos sofisticados, uma equipe de geofísicos, coordenados por John Tarduno da Universidade de Rochester (EUA), descobriu que os palasitos provavelmente foram formados quando um pequeno asteróide colidiu com um corpo planetário, cerca de 30 vezes menor que a Terra. Isso teria resultado na mistura de materiais que compõe esses distintos meteoritos. Pesquisadores acreditam que o objeto que colidiu com o meteoro tinha um raio de cerca de 200 quilômetros, o suficiente para ser considerado um protoplaneta, ou seja, um pequeno corpo celeste com potencial para se tornar um planeta. Esse estudo mostra que é possível compreender como esse tipo de objeto cósmico é formado nos primórdios do sistema solar. O trabalho ajuda também a esclarecer como pequenos objetos celestes podem ter uma atividade dinâmica no universo.

Créditos: Hypescience

Descobertas galáxias sem estrelas nos limites do universo como teoricamente previsto

Galáxias escuras são galáxias que praticamente não têm estrelas (por isto são chamadas de escuras). Pela teoria, antes de se formarem as primeiras estrelas, enormes massas de gás deveriam se reunir em gigantescas nuvens, formando assim as primeiras galáxias. Encontrar estas galáxias, previstas teoricamente, até hoje tem se mostrado um desafio e tanto. Para buscá-las, Sebastiano Cantalupo, astrônomo da Universidade da Califórnia, Santa Cruz (EUA), e sua equipe resolveram se aproveitar de uma das mais brilhantes fontes de luz no cosmo, um quasar conhecido como HE0109-3518. Localizado a 11 bilhões de anos-luz de distância, HE0109-3518 brilha com a intensidade de cem trilhões de sóis e ilumina sua vizinhança galáctica em um raio de dez milhões de anos-luz. Utilizando o VLT – Very Large Telescope (“Telescópio Bem Grande”), no Chile, os astrônomos fizeram imagens de longa exposição da área em torno do quasar, e detectaram uma dúzia de objetos que podem ser as galáxias escuras. Na figura, vemos o quasar marcado com um círculo vermelho, e os candidatos a galáxia escura marcados com círculos azuis. O trabalho de Sebastiano Cantalupo, Simon Lilly e Richard Book deve ser publicado em uma edição futura do Monthly Notices of the Royal Astronomy Society (Notícias Mensais da Sociedade Astronômica Real). Outro mistério que os cientistas têm tentado desvendar é por que ninguém consegue detectar o hidrogênio que estaria formando estrelas nas regiões mais antigas e distantes do universo. Enquanto a teoria dita que uma certa quantidade do gás deve estar presente nessas regiões, os pesquisadores só eram capazes de detectar um número muito menor. O Dr. Stephen Curran, da Escola de Física da Universidade de Sydney, e o Dr. Matthew Whiting, da Ciência Espacial e Astronomia do CSIRO (“Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation” – Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial, a agência espacial da Austrália) criaram um modelo que mostra como buracos negros supermassivos, escondidos no centro de cada galáxia ativa (quasares), podiam ionizar todo o gás no seu entorno, até mesmo nas maiores galáxias sem estrelas. Quando ionizado, o hidrogênio perde um elétron, e fica agitado demais para permitir o colapso da nuvem de gás, que daria origem a uma estrela. Além disso, o hidrogênio ionizado não pode ser detectado através das ondas de rádio de 21 cm (que os cientistas estavam usando para procurá-lo). A ionização das nuvens de hidrogênio é causada pela radiação ultravioleta extrema emitida pela matéria que está caindo no buraco negro a velocidades próximas da da luz, e é um ultravioleta tão poderoso que consegue ionizar todo o gás mesmo nas maiores galáxias. O resultado é que as nuvens de gás nesta situação não formam estrelas. Para começarem a formar estrelas, é preciso um evento externo, como uma fusão com outra nuvem de gás.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Planeta anão Makemake não tem atmosfera

O planeta anão Makemake tem cerca de dois terços do tamanho de Plutão e viaja em torno do Sol numa órbita distante, que se situa além de Plutão, mas mais próximo do Sol do que Éris, o planeta anão de maior massa conhecido no Sistema Solar. Observações anteriores do gélido Makemake mostraram que este corpo é similar aos outros planetas anões, o que levou os astrônomos a pensarem que ele possuiria uma atmosfera semelhante à de Plutão. No entanto, este novo estudo mostra que, tal como Éris, Makemake não se encontra rodeado por uma atmosfera significativa. A equipe liderada por José Luis Ortiz (Instituto de Astrofísica de Andalucía, CSIC, Espanha), combinou várias observações obtidas por três telescópios situados nos observatórios de La Silla e Paranal do ESO, no Chile - o Very Large Telescope (VLT), o New Technology Telescope (NTT) e o TRAPPIST (sigla do inglês para TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope) - com dados de outros telescópios menores situados na América do Sul, para olhar para Makemake à medida que este passava em frente a uma estrela distante. "Quando Makemake passou em frente da estrela, a radiação emitida por esta foi bloqueada, a estrela desapareceu e apareceu muito abruptamente, em vez de desaparecer lentamente e depois ficar gradualmente mais brilhante. Isto significa que o pequeno planeta anão não tem uma atmosfera significativa," diz José Luis Ortiz. "Pensava-se que Makemake tivesse desenvolvido uma atmosfera - o fato de não haver sinais de uma, mostra apenas o quanto temos ainda a aprender sobre estes corpos misteriosos. Descobrir as propriedades de Makemake pela primeira vez é um grande passo em frente no estudo deste grupo seleto de planetas anões gélidos." A ausência de luas do Makemake e a grande distância a que se encontra de nós, tornam-no difícil de estudar, por isso o pouco que sabemos dele é apenas aproximado. As novas observações da equipe acrescentam muito mais detalhes ao nosso conhecimento deste objeto - determinando o seu tamanho de forma mais precisa, impondo limites a uma possível atmosfera e estimando a densidade do planeta anão pela primeira vez. Os dados também permitiram medir qual a quantidade de luz solar que é refletida pela superfície do planeta - o seu albedo. O albedo de Makemake é cerca de 0,77, comparável ao da neve suja, maior que o de Plutão, mas menor que o do Éris. Conseguiu-se observar Makemake com tanto detalhes, apenas porque este passou em frente de uma estrela - um fenômeno conhecido como uma ocultação estelar. Estas oportunidades raras permitem aos astrônomos descobrir muitas coisas sobre as atmosferas, muitas vezes tênues e delicadas, que se encontram em torno destes distantes, mas importantes membros do Sistema Solar e fornecem informações precisas sobre as suas outras propriedades. As ocultações são particularmente incomuns no caso de Makemake, já que este é um objeto que se move numa região do céu com relativamente poucas estrelas. Predizer de forma precisa e detectar estes eventos raros é extremamente difícil, e a observação bem sucedida levada a cabo por uma equipe de observação bem coordenada, espalhada por diversos locais em toda a América do Sul, é uma façanha extraordinária."Plutão, Éris e Makemake estão entre os maiores exemplos dos inúmeros corpos gélidos que orbitam muito longe do Sol," diz José Luis Ortiz. "As nossas novas observações fizeram avançar muito o conhecimento sobre um dos maiores, Makemake. Poderemos agora usar esta informação para explorar mais a fundo os intrigantes objetos que se situam nesta região do espaço."

Créditos: ESO

Duplo aglomerado e a pulseira de Greg

Se você observar a região do Duplo Aglomerado, na constelação de Cassiopeia, através de um binóculo ou com um telescópio de baixa potência, o que te chamará a atenção é o impressionante brilhante anel de estrelas que pode ser visto emanando do próprio aglomerado. Essa região parece com uma Pulseira com o Duplo Aglomerado preso como uma pedra preciosa. O que é mais estranho é que se você olhar em programas de planetário ou até mesmo em outras imagens de céu profundo da região, a “pulseira” não é tão destacada, de modo que esse grande contraste só acontece graças ao olho humano, que visualmente realça as imagens de maneira espetacular. A imagem acima foi processada com o objetivo de tentar imitar ao máximo a experiência visual de observar essa região do céu, mas mesmo assim ela ainda é menos expressiva do que quando observada com o olho humano. Assim, a próxima vez que você tiver uma noite clara sem Lua e ter acesso à constelação da Cassiopeia, pegue um par de binóculos e procure pela Pulseira de Greg. O Duplo Aglomerado está tecnicamente na constelação de Perseus. Mas para encontrá-lo, observe a região um pouco a esquerda e abaixo da segunda estrela no W da Cassiopeia. Greg Parker o autor dessa foto desenvolveu um sistema de imageamento do céu profundo amador, que ele apelidou de sistema de imageamento mini-WASP (Wide Angle Search for Planets). Esse nome foi dado em homenagem ao sistema conhecido como SuperWASP array.

Créditos: EPOD

Dunas de inverno em Marte

A imagem acima documenta novos processos sazonais que ocorrem em dunas localizadas nessa latitude do planeta Marte, além de outros fenômenos interessantes. As tonalidades brilhantes são interpretadas como dióxido de carbono ou água congelada. Essas tonalidades claras aparecem geralmente concentradas no talude da face leste das dunas, que estão na sombra e por isso são mais frias. Alguns pontos escuros nas dunas, podem ser áreas que descongelaram mais do que o terreno ao redor. Deslizamentos de terra e faixas escuras são vistas em grande parte do talude da face oeste das dunas. A morfologia geral das dunas, indica que elas foram formadas por ventos de oeste. Contudo ao dar um zoom na imagem, é possível ver ondas em menor escala que parecem ter se formado por ventos que foram soprados de sul para norte.

Créditos: Cienctec

Ponte de gás

O Planck descobriu uma ponte de gás quente que conecta os aglomerados de galáxias Abell 399 (na parte inferior central) e o Abell 401 (na parte superior esquerda). O par de galáxias está localizado a aproximadamente um bilhão de anos-luz da Terra, e a ponte de gás se estende por aproximadamente 10 milhões de anos-luz entre eles. A imagem mostra os dois aglomerados de galáxias como são vistos no comprimento de onda da luz óptica com telescópios na Terra e através do efeito Sunyaev-Zel’dovich (em laranja) com o satélite Planck.

Créditos: NASA

Descobertas supernovas superluminosas e distantes

Foram descobertas duas supernovas “superluminosas”, 10 a 100 vezes mais brilhantes que as outras supernovas, nas partes mais distantes do universo. As supernovas, descobertas pela equipe do astrofísico Dr. Jeffrey Cooke, da Universidade de Tecnologia Swinburne (Austrália), além de serem extremamente brilhantes, também detém o recorde das mais distantes já encontradas, com redshift (desvio para o vermelho) maior que dois (z>2), o que corresponde a mais de 10 bilhões de anos no passado. Para que uma estrela exploda em uma supernova superbrilhante, é preciso que ela seja gigantesca, pelo menos 100 a 250 vezes mais massivas que o nosso Sol. Este tipo de estrela só era possível nos primeiros bilhões de anos depois do início do Big Bang, ou seja, essas são estrelas de primeira geração, que se formaram direto das nuvens de hidrogênio produzidas pela nucleossíntese do Big Bang. O mecanismo que faz com que elas brilhem tanto não é muito bem conhecido, mas se supõe que a explosão começa quando fótons se transformam em pares elétron-pósitron, ou seja, quando a energia transformava-se em matéria e antimatéria. Estas características, o brilho alto e o redshift maior que 2, encorajaram o dr. Cooke e sua equipe a procurar as supernovas usando o gigantesco telescópio Keck, no Havaí. Eles monitoraram dezenas de milhares de galáxias jovens, as mais prováveis a abrigar as estrelas em questão. A pesquisa rendeu estas duas supernovas, em redshifts de 2,05 e 3,90, batendo o recorde anterior de uma supernova “normal”, que tinha o redshift de 2,36. Quer ver o trabalho completo? Ele leva o título de “Super-luminous Supernova Discoveries at z=2.05 and z=3.90″ (“Descoberta de Supernovas Superluminosas em z=2,05 e z=3,90″) e está online (em inglês) no periódico Nature.

Créditos: Hypescience

Terá Curiosity encontrado sinais de vida em Marte? NASA está em silêncio (por enquanto)

Uma análise detalhada do solo marciano pode trazer revelações surpreendentes… ou não: a NASA decidiu manter as informações em sigilo enquanto não tiver evidências sólidas que confirmem os resultados já obtidos. Usando um laboratório portátil (chamado SAM) da sonda Curiosity, cientistas da NASA estão investigando a composição de uma amostra de solo coletada em Marte. Os dados chegam gradualmente e, nas palavras de John Grotzinger, o principal pesquisador da missão, “a equipe de ciência está ocupada ‘mastigando’ conforme eles vêm”. Por que tanto segredo? Uma experiência anterior mostrou como a cautela é importante quando se trata de estudos cercados de especulações e expectativa: ao analisar uma amostra de ar no planeta vermelho, a equipe encontrou traços de metano (gás que pode ser produzido por organismos vivos e, assim, poderia indicar que houve vida em Marte); contudo, os cientistas decidiram “segurar” a novidade. “Nós sabíamos desde o começo que havia o risco de ter trazido ar da Flórida [de onde a sonda foi lançada]“, explica Grotzinger. “Nós tínhamos que diminuir isso, então fizemos uma nova medição”. Desta vez, não havia qualquer sinal de metano, e a NASA escapou de divulgar uma informação incorreta e ter que voltar atrás. No caso da análise atual, Grotzinger diz que pode levar semanas até que a equipe possa divulgar informações precisas. Até lá, curiosos de plantão têm que ficar na espera. Em 1996, um grupo de pesquisadores afirmou ter encontrado compostos orgânicos em um meteoro vindo de Marte que atingiu a Antártida. Apesar da comoção gerada pela notícia, a equipe não podia divulgar dados mais precisos, pois muitos periódicos científicos proibiam os autores de falar sobre suas pesquisas antes de sua publicação – que aconteceria naquele mesmo ano. Como havia a possibilidade de os resíduos terem sido produzidos por processos inorgânicos, o estudo não chegou a comprovar que eram indícios de que houve vida em Marte. Para o químico Richard Zare, que fez parte da equipe, manter o sigilo foi um desafio. “A grande alegria da ciência é poder compartilhá-la”. Zare compara pesquisadores a artistas, para quem o compartilhamento é essencial. “Quantos compositores iriam realmente compor se lhes dissessem que ninguém poderia ouvir suas obras? Quantos pintores iriam pintar quadros se soubessem que ninguém poderia vê-los?”.

Créditos: Hypescience