sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Missão WISE descobre que Terra está rodeada por menos asteróides perigosos do que se pensava

Nesta imagem, os quatro planetas interiores estão em verde, com o Sol no centro. Cada ponto vermelho representa um asteróide. Os tamanhos dos objetos não estão à escala. Novas observações pelo observatório WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) mostram que há significativamente menos asteróides de tamanho médio, vizinhos da Terra, do que se pensava. As descobertas também indicam que a NASA descobriu mais de 90% dos maiores asteróides vizinhos da Terra, alcançando o objetivo acordado com o Congresso americano em 1998. Os astrônomos estimam agora que existam aproximadamente 19.500 - não 35.000 - asteróides de tamanho médio vizinhos da Terra. Os cientistas afirmam que esta melhor compreensão da população indica que o perigo para a Terra parece ser menor do que se pensava. No entanto, a maioria destes asteróides de tamanho médio permanece por descobrir. Será necessária mais pesquisa para determinar se menos objetos de tamanho médio (entre 100 e 1.000 metros de diâmetro) também significa menos asteróides potencialmente perigosos - aqueles que passam perto da Terra. Os resultados vêm do censo mais detalhado até à data de asteróides vizinhos da Terra, rochas espaciais que orbitam até 195 milhões de quilômetros do Sol, a vizinhança orbital da Terra. O WISE observou radiação infravermelha desses asteróides entre tamanho médio e grande. O projeto de estudo, chamado NEOWISE, é a porção caçadora de asteróides da missão WISE. Os resultados do estudo aparecem na revista Astrophysical Journal. "O NEOWISE permitiu-nos olhar com mais atenção para uma amostra mais representativa dos números de asteróides vizinhos da Terra e fazer melhores estimativas acerca do seu universo populacional," afirma Amy Mainzer, autora principal do novo estudo e investigadora do projeto NEOWISE no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "É como os censos das populações, onde recolhemos dados de uma amostra para retirar conclusões acerca da totalidade de um país." O WISE estudou a totalidade do céu duas vezes no infravermelho entre Janeiro de 2010 e Fevereiro de 2011, continuamente capturando imagens de tudo, desde galáxias distantes até asteróides vizinhos da Terra e cometas. O NEOWISE observou mais de 100 mil asteróides na cintura principal entre Marte e Júpiter, em adição a pelo menos 585 asteróides vizinhos da Terra. O WISE capturou uma amostra mais precisa da população de asteróides do que estudos no visível porque os seus detectores infravermelhos podem ver tanto objetos escuros como claros. É difícil para telescópios ópticos ver as poucas quantidades de luz refletidas por asteróides escuros. Os telescópios infravermelhos conseguem detectar o calor de um objeto, que está dependente do tamanho e não das suas propriedades reflectivas. Embora os dados do WISE revelem apenas um pequeno declínio nos números estimados para os maiores asteróides vizinhos da Terra, com mais de 1 quilômetro, mostram que 93% da população estimada já foi descoberta. Estes grandes asteróides têm aproximadamente o tamanho de montanhas pequenas e teriam consequências globais se atingissem a Terra. Os novos dados revêm os números totais de aproximadamente 1.000 para 981, dos quais 911 já foram descobertos. Nenhum deles representa um perigo para a Terra durante os próximos séculos. Acredita-se que todos os asteróides com aproximadamente 10 km, do tamanho do asteróide que matou os dinossauros, já foram descobertos. "O risco de um asteróide muito grande atingir a Terra antes que seja descoberto foi substancialmente reduzido," afirma Tim Spahr, director do Centro de Planetas Menores no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts. A situação é diferente para os asteróides de tamanho médio, que podem destruir uma área metropolitana se atingissem o local errado. Os resultados do NEOWISE descobriram um maior declínio na população estimada para estes corpos do que a observada nos asteróides maiores. Até agora, foram descobertos e estão a ser seguidos mais de 5.200 asteróides vizinhos da Terra com mais de 100 metros, restando por descobrir um número estimado em mais de 15.000. Em adição, os cientistas estimam que existam mais de um milhão de pequenos asteróides vizinhos da Terra, que podem provocar estragos caso colidissem com a Terra. "O NEOWSISE é apenas o mais recente trunfo à disposição da NASA para encontrar os vizinhos mais próximos da Terra," afirma Lindley Johnson, executivo do programa NEOO (Near Earth Object Observation) na sede da NASA em Washington. "Os resultados complementam os esforços observacionais terrestres dos últimos 12 anos, que continuam a vigiar estes objetos e até a descobrir mais."

Créditos: Astronomia On-line

Impacto no lado distante

Crateras de impacto jovens abundam na Lua, e as imagens obtidas pela câmera NAC da sonda LROC das belas morfologias das crateras, das espetaculares coberturas de material ejetado e os impressionantes depósitos de material derretido são suficientes para fazer qualquer geólogo lunar comemorar. Muitas vezes, os impactos recentes no material de mares são notados pois essas crateras se formam através de uma fina camada de regolito e produz pedaços de rochas. Contudo, impactos que ocorrem nas terras altas da Lua podem ser ainda mais espetaculares. A imagem aqui, mostra uma cratera sem nome de idade Copérnica, com aproximadamente 630 metros de diâmetro, localizada nas coordenadas 29.73˚S, 134.07˚E, é um desses exemplo no lado escuro da Lua. Observando a cratera em detalhe, ela apresenta a forma clássica de taça com um anel circular bem definido. No interior da cratera existe um depósito de pedaços de rochas resultante da solidificação de material derretido. Detritos das paredes da cratera deslizaram em direção ao seu interior, mas se esses deslizamentos aconteceram imediatamente após a formação da cratera ou se foi muito tempo depois, é difícil de se dizer. Podemos dar uma olhada no material mais próximo do interior da cratera, no centro da cratera, alguns deslizamentos se misturaram com material derretido pelo impacto, mas outras pilhas de detritos se sobrepõem a esses materiais. Essas relações estratigráficas podem ser usadas para interpretar a idade relativa dos deslizamentos – o material derretido por impacto cobre as pilhas formadas logo após o impacto pois eles são expelidos com o derretimento causado pelo impacto e a sobreposição das pilhas de detritos acontecem depois que o material derretido por impacto se solidifica. Além disso, a cobertura de material ejetado mais perto do anel da cratera é mais uniforme em refletância mas existe espalhamento de pedaços de rochas e correntes de material derretido por impacto de refletância menor que foram expelidos para fora da cratera durante a colocação do material ejetado. Tudo isso mostra mais uma vez as belezas que podem ser encontradas na Lua.

Créditos: LROC

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Yardangs em camadas

Essa imagem feita pela câmera HiRISE da sonda MRO mostra o terreno no interior de uma grande e degradada cratera em Marte. Muitas cadeias afiadas são visíveis através da imagem, todas elas estão alinhadas em uma mesma direção. Existem pedaços de areia escura nas áreas baixas entre as cadeias e os taludes. O que cria essas cadeias tão afiadas? Esse terreno em camadas tem sido esculpido pelo vento. As cadeias alinhadas são chamadas de yardangs, que são formadas nas áreas onde a força de erosão dominante é o vento. Os yardangs são também encontrados na Terra, normalmente em áreas muito secas como os desertos.

Créditos: HiRISE

Nebulosa do Ovo Frito

Os astrônomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO para obter imagens de uma estrela colossal pertencente a uma das mais raras classes de estrelas no Universo, as hipergigantes amarelas. Esta nova imagem é a melhor jamais obtida para uma estrela desta classe e mostra pela primeira vez uma enorme concha dupla de poeira a rodear a hipergigante central. A estrela e a sua concha parecem-se com a clara de um ovo em torno da gema central, o que levou os astrônomos a darem-lhe o nome de Nebulosa do Ovo Frito. A estrela monstruosa, conhecida pelos astrônomos como IRAS 17163-3907 tem um diâmetro de cerca de mil vezes maior do que o do nosso Sol. A uma distância de cerca de 13.000 anos-luz da Terra, é a hipergigante amarela mais próxima de nós encontrada até hoje e as novas observações mostram que brilha cerca de 500.000 vezes mais intensamente do que o Sol. “Sabia-se que este objeto brilhava intensamente no infravermelho mas, surpreendentemente, ninguém o tinha ainda identificado como uma hipergigante amarela”, disse Eric Lagadec (Observatório Europeu do Sul), líder da equipe que produziu estas novas imagens. As observações da estrela e a descoberta das suas conchas envolventes foram feitas pela câmera infravermelha VISIR montada no VLT. As imagens obtidas são as primeiras que mostram claramente o material que rodeia a estrela e revelam claramente duas conchas quase perfeitamente esféricas. Se a Nebulosa do Ovo Frito fosse colocada no centro do Sistema Solar, a Terra ficaria bem no interior da própria estrela e o planeta Júpiter orbitaria mesmo por cima da sua superfície. A concha muito maior que envolve a estrela englobaria todos os planetas, planetas anões e ainda alguns dos cometas que orbitam muito além da órbita de Netuno. A concha exterior tem um raio 10.000 vezes maior que a distância da Terra ao Sol. As hipergigantes amarelas estão numa fase extremamente ativa da sua evolução, sofrendo uma série de eventos explosivos - esta estrela ejetou já quatro vezes a massa do Sol em apenas algumas centenas de anos. O material ejetado durante estas explosões formou a extensa concha dupla da nebulosa, a qual é constituída por poeira rica em silicatos misturada com gás. Esta atividade mostra igualmente que a estrela deverá sofrer brevemente uma morte explosiva – será uma das próximas explosões de supernova na nossa Galáxia. As supernovas fornecem ao meio interestelar circundante muitos químicos necessários e as ondas de choque resultantes podem dar origem à formação de novas estrelas.

Créditos: ESO

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O poderoso grupo de manchas solares AR 1302

Um dos mais ativos grupos de manchas solares em anos está atualmente cruzando o Sol. O AR 1302, deu sua primeira volta ao redor do Sol na semana de 20 de Setembro de 2011 e esse é um grupo de manchas tão grande que pode ser visto até mesmo sem telescópios. Ejeções de Massa Coronal provenientes do grupo AR 1302 já causaram fortes tempestades magnéticas incluindo notáveis atividades de auroras ao redor de ambos os pólos da Terra. A foto acima mostra o plasma que magneticamente é mantido acima da superfície do Sol após o grupo AR 1302 ter emitido uma labareda solar de classe X, no dia 22 de Setembro de 2011. A Terra é mostrada no detalhe para que se tenha uma comparação de escalas. Embora outra labareda de classe X tenha sido emitida no dia 24 de Setembro de 2011, nenhuma labareda do grupo AR 1302 foi diretamente direcionada para a Terra. O grupo de manchas solares AR 1302 continuará a evoluir permanecendo ainda visível no Sol durante mais um tempo.

Créditos: APOD

Segundo satélite artificial cairá sobre a Terra em outubro

O satélite UARS caiu, felizmente, sem causar vítimas. Mas vem aí um novo lixo espacial. E, desta vez, um com potencial para causar muitos danos, caso atinja alguma área habitada. O telescópio espacial alemão ROSAT deverá cair no final de outubro ou início de novembro, segundo os melhores cálculos da DLR, a agência espacial alemã. O grande problema, porém, é que o ROSAT foi construído de tal forma que ele deverá resistir à reentrada na atmosfera, não se queimando quase integralmente, como aconteceu com o UARS. Por isso, e devido à sua órbita, a chance de fazer alguma vítima humana é de 1 em 2.000 - a chance do UARS atingir alguém era de 1 em 3.200. O ROSAT (ROentgen SATellite) foi lançado em 1990 e atingiu o fim da sua vida útil em 1999. Ele é menor do que o UARS, pesando 2,4 toneladas. Ele protagonizou descobertas importantes como, por exemplo, testes sobre uma teoria unificada da física. O grande problema é que ele foi construído para observar raios X no espaço. Com isto, seus espelhos tiveram que ser fortemente blindados contra o calor, que poderia atrapalhar suas sensíveis observações. Graças a essa blindagem, é praticamente certo que seus espelhos e praticamente toda a sua estrutura sobrevivam à reentrada. E, como o UARS, o telescópio desativado não tem motores a bordo, que possam ser usados para comandar uma reentrada guiada. O resultado serão outros dias de expectativa. "Até 30 destroços individuais, com uma massa de até 1,6 tonelada deverão atingir a superfície da Terra. O sistema óptico de raios X, com seus espelhos e um suporte mecânico feita com compósito reforçado com fibra de carbono - ou ao menos parte dele - deverão ser os componentes individuais mais pesados a atingir o solo," afirmou a DLR. O momento de reentrada do ROSAT, assim como de qualquer outro lixo espacial, é determinado por dois fatores principais. O primeiro é a geometria do objeto, que pode funcionar como um freio mais ou menos potente, acelerando ou retardando sua queda. O segundo é o comportamento da própria atmosfera, que se expande e se contrai em reação à intensidade da atividade solar. Quanto mais densa a atmosfera, maior é o arrasto imposto sobre o objeto, que cai mais rápido. Desta forma, conforme a atividade solar aumenta ao longo de seu ciclo de 11 anos, é maior o volume de lixo espacial que ameaça cair sobre a Terra. E talvez seja com se acostumar com notícias desse tipo. A maior incidência de quedas que está se verificando agora é resultado de uma intensa atividade espacial na década de 1990, com um número de lançamentos duas vezes maior do que a atual. Os satélites lançados naquela época - que costumavam ser muito grandes - já atingiram ou estão se aproximando do final de sua vida útil. Atualmente, há uma tendência para a construção de satélites menores, mais especializados. Com isto, os futuros lixos espaciais que virão abaixo deverão ser menores, com maiores chances de se queimarem integralmente durante a reentrada.

Os grandes mistérios da Nuvem de Oort

Passando os planetas, mil vezes além até mesmo do misterioso Cinturão de Kuiper, que em si tem mais de 4,83 bilhões de quilômetros de distância, reside a incrivelmente misteriosa, escura e inexplorada Nuvem de Oort. Embora nunca tenhamos visto diretamente um objeto na Nuvem de Oort, os cientistas sabem esse grande enxame esférico de rochas e gelo deve existir com base nos cometas cujas órbitas passeiam neste abismo. Em 2015, os astrônomos conquistarão um olhar mais atento sobre um objeto do Cinturão de Kuiper, Plutão, graças a missão da nave espacial New Horizons da NASA. A missão também poderia ajudar a desvendar muitos dos segredos que se estendem até a Nuvem de Oort, mais distante na borda de nosso sistema solar. Alguns destes mistérios são: A Nuvem de Oort pode ser o lar de muitos objetos surpreendentemente grandes. Mundos maiores que a Terra que se formaram ao lado dos planetas conhecidos poderiam ter sido descartados por aí conforme nossos próprios planetas gigantes – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno – cresceram e migraram mais de 4 bilhões de anos atrás. Em outras palavras, ninguém sabe o que existe na Nuvem de Oort. “É o sótão do sistema solar”, disse Alan Stern, principal investigador da New Horizons e cientista planetário. “Nós sabemos que havia muitos planetas no início, e quando Júpiter e Saturno cresceram, eles expulsaram a maioria das coisas para o espaço interestelar”. A Nuvem de Oort é vasta, estendendo-se um quarto do caminho até a estrela mais próxima do Sol, e provavelmente contém corpos cósmicos que se desenvolveram em torno de outras estrelas. Nosso Sol quase com certeza tinha irmãos, quando se formou mais de 4,5 bilhões de anos atrás, a partir de uma enorme nuvem de gás e poeira. Esses parentes dispersaram alguns de seus materiais planetários, ou mesmo mundos totalmente crescidos, a nossa Nuvem de Oort. “Uma fração considerável da Nuvem de Oort pode ser capturada desde os primeiros dias do sol em um aglomerado de estrelas”, disse Stern. Astrônomos começaram a confirmar detecções anteriores de Cinturões de Kuiper fora do sistema solar, em distâncias esperadas de suas estrelas. Nosso sistema solar continua a parecer menos e menos distinto conforme instrumentos astronômicos melhoram, e isso aumenta a probabilidade de vida como a conhecemos no universo. “Esperamos que, se os sistemas solares como o nosso forem comuns, Nuvens de Oort e Cintos Kuiper também serão”, afirmou Stern. “Então, encontrar estes objetos espaciais ajudará a informar-nos sobre quão comum nosso próprio tipo de sistema é”, completa.

Créditos: Hypescience

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Voando sobre o planeta Terra


Você alguma vez já sonhou em voar sobre a Terra? Os astronautas que moram na Estação Espacial Internacional (ISS), fazem isso todos os dias, circulando o nosso planeta a cada aproximadamente três horas. Um dramático exemplo dessa experiência foi compilado no vídeo mostrado acima montado com imagens obtidas no começo do mês de Setembro de 2011. Enquanto que a ISS entra pela noite, metade do globo, e constelações familiares de estrelas permanecem visíveis acima. Uma névoa da fina atmosfera da Terra é visível no horizonte como um anel fino e multicolorido. Muitas maravilhas aparecem abaixo da ISS durante o seu sobrevôo, incluindo, vastos bancos de nuvens brancas, grandes pedaços de mar azul escuro, terra iluminada pela luz das grandes cidades e das pequenas cidades também, e nuvens de tempestades iluminadas pelos seus raios. O vídeo começa com a ISS sobre o norte do Oceano Pacífico, e então continua com a estação passando sobre o oeste da América do Norte, o oeste da América do Sul e termina perto da Antártica quando o nascer de um novo dia se aproxima.

Créditos: APOD

O quinto gigante do Sistema Solar

O Sistema Solar já teve cinco planetas gigantes e gasosos em vez dos quatro que existem hoje. Essa é a conclusão de uma simulação da evolução do Sistema Solar, o que sugere o quinto gigante foi arremessado para o espaço interestelar cerca de 4 bilhões de anos atrás, depois de um encontro violento com Júpiter. Há décadas os astrônomos lutam para explicar a estrutura atual do Sistema Solar. Em particular, Urano e Netuno não poderiam ter sido formados onde eles estão hoje. Um cenário mais provável é que os planetas orbitavam muito próximos quando foram formados e só se afastaram quando seus discos de gás e poeira foram dispersados. Mas os grandes valentões gravitacionais do Sistema Solar, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, não teriam ido tranquilamente para suas novas casas, quer dizer, órbitas. Simulações anteriores mostram que pelo menos um planeta, provavelmente Urano ou Netuno, deveria ter sido expulso do Sistema Solar na confusão. Até então, pesquisadores não sabiam como resolver a questão. Mas agora propuseram uma solução: um gigante de gelo foi sacrificado entre Saturno e Urano, tudo pelos seus irmãos planetários. Se a simulação começa com cinco planetas gasosos, um planeta se perde. E na maioria dos casos, o resultado é um bom Sistema Solar. No total, foram feitas 6 mil simulações de computador, com quatro ou cinco gigantes de gás, em várias posições iniciais em torno do sol. Os testes simulam o início logo após a dispersão do disco de gás e chegam a 100 milhões de anos, tempo suficiente para que os planetas estabeleçam suas órbitas finais. Em 10% das simulações feitas com quatro planetas, sobraram apenas três. Porém, na metade das simulações com cinco planetas o resultado foi um Sistema Solar muito parecido com o nosso. Os melhores resultados ocorreram quando o quinto planeta ficou entre Saturno e Urano e acabou sendo expulso após um encontro com Júpiter. O cenário de cinco planetas gasosos resolve alguns outros mistérios também. Para os planetas rochosos sobreviverem intactos enquanto os gigantes de gás brigavam por uma posição, algumas simulações anteriores mostram que Júpiter deve ter “saltado” de uma posição mais próxima ao sol até sua órbita atual. Esta teoria do salto de Júpiter é muito difícil de ser provada no sistema de quatro planetas, mas é uma consequência natural do sistema de cinco. Se Júpiter atira o gigante de gelo perdido do Sistema Solar, ele perde o momento angular e se afasta do Sol. A reorganização também pode ter perturbado a formação do cinturão de Kuiper e da nuvem de Oort – reservatórios de proto-planetas que estão além da órbita atual de Netuno – arremessando destroços em direção ao interior do Sistema Solar. Isso poderia explicar o período de violência que teria ocorrido há 4 bilhões de anos, quando a lua ganhou a maioria de suas crateras. Este é o período que os astrônomos chamam de “bombardeio pesado atrasado”. O planeta perdido há muito tempo ainda pode estar lá fora. Em maio, astrônomos no Japão anunciaram que tinham visto planetas solitários vagando pelo espaço escuro entre as estrelas. Se o gigante gasoso ainda estiver lá fora, pode ser um dos exoplanetas errantes. Planetas de hoje podem ter outros irmãos perdidos também. Pesquisas anteriores sugeriram que um quinto planeta rochoso pode ter sido expulso de uma órbita entre Marte e Júpiter e que super-Terras podem ter sido engolidas por Júpiter ou Netuno. O nosso Sistema Solar parece calmo e tranquilo agora, mas sabe-se muito bem que ele teve um passado violento. A questão ainda é como e o quanto foi violento.

Créditos: Hypescience

As pedras que rolam na Lua

Impressões claras no solo da Lua mostram a passagem que os pedaços de rochas seguem quando eles rolam de uma montanha ou colina, por exemplo, ao redor do Lacus Mortis (o Lago da Morte). Se você olhar com cuidado, poderá ver os rastros tanto na parte superior como inferior da imagem acima. Também em alguns casos os rastros estão bagunçados, não são linhas retas ordenadas. O que causa esses estranhos padrões é um mistério na exploração da Lua. Como as vezes acontece uma inspeção mais detalhada de uma área mais vasta revela o que nós estamos vendo. O conhecimento da topografia local e um entendimento dos efeitos da gravidade fornecem a explicação. Os pedaços de rochas descansam em um vale atual dentro do pico central duplo da cratera Bürg. Eles rolaram dos cumes dos taludes e se acumularam ao longo do interior do vale. Os blocos maiores têm aproximadamente 23 metros de diâmetro. Pode-se notar a passagem tortuosa de alguns desses pedaços de rochas. Suas passagens são o resultado do movimento lento combinado com as formas irregulares, por exemplo, tente rolar uma bola oval de futebol americano numa linha reta, é praticamente impossível. As passagens mais retas provavelmente representam movimentos mais rápidos pois o momento de um corpo que se desloca mais rapidamente ajuda a manter a sua trajetória durante a sua viagem. Note que no mínimo um deles rebateu ao longo do talude, criando as marcas somente quando ele tocou a superfície. Outros pedaços de rochas nunca fizeram o caminho para a base do talude. Ainda existem outros pedaços de rochas que não parecem ter traços claros no regolito durante o caminho que percorreram. Como isso pode ser? É seguro dizer que alguns desses pedaços chegaram mais recentemente que outros? Quão rapidamente o regolito da Lua foi retrabalhado por impactos de micrometeoritos e quão rapidamente os traços como esses podem ser apagados?

Créditos: Cienctec

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Poços de gelo seco em Marte

Parte de Marte está descongelando. Ao redor do Pólo Sul Marciano, quando se aproxima o final de cada verão, o clima quente faz com que uma seção da enorme camada de gelo de dióxido de carbono evapore.Buracos começam a aparecer e se expandir onde o gelo seco de dióxido de carbono sublima diretamente para a forma de gás. Esses buracos no manto de gelo podem parecer ser revestidos de ouro, mas a composição precisa do pó que destaca as paredes do poço, na verdade, ainda é desconhecida. As depressões circulares em direção ao centro da imagem medem cerca de 60 metros de diâmetro. A câmera HiRISE, a bordo do orbitador marciano "Mars Reconnaissance Orbiter" captou a imagem acima no final de julho. Nos meses seguintes, enquanto Marte continua sua jornada ao redor do Sol, as estações mais frias vão prevalecer, e o ar frio vai se transformar, não só o suficiente para parar o degelo, mas mais uma vez congelando mais camadas de dióxido de carbono sólido.

Créditos: APOD

Uma visão nítida do Sol

Eis uma das visões mais nítidas já feitas do Sol. Esta imagem formidável mostra detalhes incríveis de uma escura mancha solar atravessando a parte de baixo da imagem e numerosos grânulos ferventes que parecem-se com grãos de milho atravessando o topo da imagem. Tirada em 2002, a foto foi feita usando o Telescópio Sueco Solar em operação na Ilha Canária de La Palma. A imagen de alta resolução foi conseguida com o uso de ótica adaptativa, empilhamento digital de imagens e outras técnicas de processamento para compensar o efeito embaçado da atmosfera da Terra. No momento, um grupo de manchas solares está cruzando o Sol e elas são tão grandes que podem ser facilmente vistas pelo observador cauteloso.

Créditos: APOD

NGC 3521: Galáxia numa bolha

A deslumbrante galáxia espiral NGC 3521 está a meros 35 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação do Leão. Relativamente brilhante no céu do planeta Terra, NGC 3521 é facilmente visível em pequenos telescópios, mas frequentemente preterida por astrofotógrafos amadores em prol de outras galáxias espirais em leão, como M66 e M65. Mas é difícil não prestar atenção nela neste colorido retrato cósmico. Estendendo-se por cerca de 50.000 anos-luz, a galáxia exibe braços espirais irregulares característicos e enfeitados com poeira, regiões rosadas de formação estelar e aglomerados de jovens estrelas azuis. Notavelmente, esta imagem profunda também encontra NGC 3521 engastada em gigantes conchas parecidas com bolhas. As conchas provavelmente são fragmentos de maré, fluxos de estrelas arrancadas de galáxias satélites que sofreram fusão com NGC 3521 no passado distante.

Créditos: APOD

domingo, 25 de setembro de 2011

UARS reentrou na atmosfera, porém o local e o momento exatos permanecem desconhecidos

O satélite aposentado da NASA, UARS, ou Upper Atmosphere Research Satellite, caiu na Terra entre as 00:23 e as 2:09 do dia 24 de Setembro de 2011, na hora de Brasília, 20 anos e nove dias depois de ter sido lançado numa missão de 14 anos que produziu um dos primeiros registros de longo prazo das medidas sobre a química da atmosfera terrestre. A hora precisa da reentrada e localização dos impactos dos seus detritos não foram determinadas. Durante o período de reentrada, o satélite passou da costa leste da África sobre o Oceano Índico, então cruzou o Oceano Pacífico, o norte do Canadá, o norte do Oceano Atlântico apontando assim para o oeste da África. A maior parte do trânsito orbital do satélite ocorreu sobre a água, com uma pequena parte passando sobre o norte do Canadá e o Oeste da África. Seis anos depois do fim da sua vida produtiva científica, o UARS se quebrou em pedaços durante a reentrada, e grande parte de suas partes se queimou na atmosfera. Os dados indicam que o satélite muito provavelmente se quebrou e caiu no Oceano Pacífico longe da costa americana. Vinte e seis componentes do satélite, poderiam ter sobrevivido à reentrada e alcançado a superfície da Terra. Contudo, a NASA não relatou nenhum problema de danos materiais ou humanos. O Centro de Operações para o JFCC-Space, o Joint Functional Component Command na Base da Força Aérea de Vandenberg na Califórnia, que trabalha sem parar detectando, identificando e rastreando todos os objetos feitos pelos humanos que orbitam a Terra, rastreou os movimentos do UARS através das órbitas finais do satélite dando a confirmação da reentrada. “Nós temos que estender nossos agradecimentos ao Joint Space Operations Center, por ter monitorado o UARS não somente nessa última semana, mas também através de todos os seus 20 anos de vida em órbita”, disse Nick Johnson, cientista chefe da NASA para detritos espaciais que trabalha no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston. “Essa não foi uma reentrada fácil de se prever devido às forças naturais que agiram no satélite à medida que a sua órbita decaia. Vários países ao redor do mundo também monitoraram a descida da órbita do satélite nas duas horas finais e todas as previsões foram bem dentro do intervalo estimado pelo JSpOC”. Para se ter certeza que um desses satélites realmente caiu na Terra, são feitas três tentativas de comunicação com o satélite para obter respostas por três sensores dessa rede. “Nesse caso em particular levou um tempo para que o satélite fosse rastreado por mais de três sensores”, disse Johnson, “algumas vezes isso acontece, não é algo pouco comum”. Por essa razão, levaram horas até que a NASA pudesse confirmar que o satélite havia reentrado na atmosfera da Terra e mesmo assim a agência não consegue apontar o local exato da queda. Se o UARS caiu às 01:16, hora de Brasília, então ele pode ter caído sobre o Canadá. Contudo, enquanto a NASA não receber relatórios confiáveis das pessoas em solo que possam confirmar isso, o local de queda dos detritos do UARS permanecerá desconhecido. O UARS foi lançado no dia 12 de Setembro de 1991, a bordo da missão STS-48 do Ônibus Espacial Discovery, e foi colocado em órbita no dia 15 de Setembro de 1991. Ele foi o primeiro satélite multinstrumentado a observar os numerosos componentes químicos da atmosfera para entender melhor a fotoquímica. Os dados obtidos pelo UARS marcaram o começo dos registros de longo prazo da química na atmosfera. O satélite também forneceu dados importantes sobre a quantidade de luz que vem do Sol nos comprimentos de onda da luz visível e do ultravioleta. O UARS terminou a sua vida científica em 2005. Pelo fato da órbita do satélite, os componentes do UARS que sobreviveram a reentrada devem ter caído na Terra em uma zona entre as latitudes de 57 graus norte e 57 graus sul. É impossível, porém apontar onde dentro dessa zona os detritos atingiram a Terra, mas a NASA estima que os detritos deixem uma marca de 800 quilômetros de comprimento. Provavelmente nunca se saberá exatamente onde o UARS caiu. A NASA e o JSpOC continuarão investigando a queda do UARS, mas as autoridades já afirmaram que algum mistério poderá ficar sem solução. “Esse não é um evento pouco comum”, disse Johnson, “nós nem sempre sabemos com precisão onde essas reentradas ocorrem e essa não é uma situação única para o UARS”.

sábado, 24 de setembro de 2011

Satélite UARS cai na Terra

Após dias de espera, noites sem dormir, a NASA disse que o seu satélite “morto” do tamanho de um ônibus caiu na Terra e existem alguns relatos não confirmados ainda de que pedaços do UARS podem ter aterrissado na parte oeste do Canadá. A NASA postou em seu canal oficial na rede social Twitter que o UARS se chocou com a atmosfera da Terra iniciando sua reentrada no início da manhã de sábado, dia 24 de Setembro de 2011. A localização onde o UARS caiu não é conhecida de imediato. Contudo, existem inúmeros relatos nas redes sociais dizendo que detritos caíram sobre Okotoks, uma cidade ao sul de Calgary no Canadá. O UARS, ou Upper Atmospheric Research Satellite, foi o maior satélite ou sonda da NASA a se perder na órbita e ficar fora de controle em 32 anos. O UARS, pesando mais de 5 toneladas foi lançado ao espaço pelo ônibus espacial Discovery em 1991. A NASA encerrou as atividades com o satélite em 2005, isso aconteceu depois que a agência moveu o UARS para uma órbita inferior o que reduziu sua expectativa de vida no espaço em duas décadas. Pedaços de lixo espacial entram na atmosfera virtualmente todos os dias. Até o momento nenhum caso sério de acidente, morte de alguém foi relatado. O satélite UARS carregava uma parte de tecnologia canadense, que agora se queimou na atmosfera. Robert Dick, que ensina astronomia na Universidade Carleton em Ottawa, desenvolveu alguns dos equipamentos que viajavam a bordo do satélite. Ele trabalhou numa câmera, parte do instrumento de pesquisa canadense que teve um custo de 40 milhões de dólares e que era chamado de Wind Imaging Interferometer, ou WINDII. O instrumento permitiu aos cientistas medirem os movimentos de certos tipos de moléculas na atmosfera superior. “A razão para construir o satélite, foi adquirir dados, e isso o UARS fez muito bem”, disse Dick para a rede CBC. Dick trabalhou em outros satélites que ainda circulam a Terra. Ele disse que quando um satélite está numa órbita mais alta ele pode permanecer quase que para sempre em atividade.

Créditos: Cienctec

Raios da cratera Debussy

Os extensos raios da cratera Debussy se espalham através dessa imagem do limbo de Mercúrio feita pela sonda MESSENGER. A cratera e os seus raios parecem mais brilhantes do que a superfície ao redor em sua maior parte pelo fato da cratera ser relativamente nova. Os materiais escavados não permaneceram na superfície tempo suficiente para terem escurecido de maneira substancial devido ao intemperismo espacial.

Créditos: MESSENGER

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Satélite UARS da NASA deve cair entre hoje e amanhã

Espera-se que o satélite da NASA de 6 toneladas conhecido como Upper Atmosphere Research Satellite, ou UARS, caia na Terra no final da noite dessa sexta-feira, 23 de Setembro de 2011, ou no começo do sábado, dia 24 de Setembro de 2011. A entrada do satélite na atmosfera da Terra irá gerar uma chuva de dezenas de grandes pedaços e detritos que atingirão a superfície. Mas nem pense em pegar um pedaço e levar com você. O público em geral deve encontrar partes do satélite onde eles caírem, ou como as atuais projeções sugerem a queda deve acontecer no oceano, de modo que os pedaços serão capturados depois que chegarem nas costas, e NASA aconselha às pessoas a manterem distância dessas partes, por motivos de segurança e por motivos legais. “Se você encontrar algo que pensa que pode ser um pedaço do satélite UARS, não toque. Contate um oficial local para a ajuda específica”, escreveu a NASA em sua página na internet há duas semanas atrás quando tornou-se evidente que a queda do UARS se aproximava. Os cientistas que estudam os detritos orbitais predizem que mais de 26 partes do satélite de 10.6 metros sobreviverão à reentrada na atmosfera da Terra e tocaram a terra ou mergulharão no oceano. Uma antena de alto ganho, tanques de combustível, baterias e anéis de reação estão entre os componentes que devem atingir a Terra. No total a previsão é de que os detritos do UARS somem 500 kg, do total de 5.7 toneladas do satélite sendo que os fragmentos mais massivos devem ter um pouco mais de 150 kg. O UARS foi descomissionado em 2005 depois de 14 anos de serviço, não tendo mais combustível ou nenhum outro material ameaçador à primeira vista, o público deve entrar em contato com seus detritos. Nenhuma dessas partes deve estar pegando fogo quando estiver na terra. “Os pedaços do UARS que pousaram na Terra não estarão muito quentes. O calor se dissipará a uma altura de 30 quilômetros da Terra”, escreveu a NASA em seu canal no Twitter nessa sexta-feira, dia 23 de Setembro de 2011. Do ponto de vista da segurança, a principal razão para não tocar nos detritos, diz a NASA, é que existe a chance de se machucar no metal afiado. Não é algo pouco comum que bordas afiadas se formem à medida que o satélite se desintegre na reentrada e então caia na Terra. Mas mesmo se você tomar todos os cuidados ao tocar as partes do satélite, existe outra razão por que a NASA quer que o público chame as autoridades: cada peça do UARS pertence aos EUA. “Pelo fato dele ser um satélite do governo americano, qualquer objeto que atingir a Terra e que deverá ser encontrado ainda é propriedade dos EUA”, disse Nick Johnson, cientista chefe do Orbital Debris Program Office da NASA no Johnson Space Center em Houston. “Nós não temos a intenção de tentar vender as peças no eBay”. Pedaços do satélite UARS devem cair nos EUA e nesse caso não tem problema, pois as leis americanas serão aplicadas. Qualquer parte encontrada será devolvida ao governo. As pessoas que guardarem peças como lembranças estarão violando leis propriedade do governo. Se os detritos caírem fora dos EUA, ou se chocar com o oceano, e depois aparecer nas costas de países estrangeiros, então o tratado Outer Space Treaty das Nações Unidas assegura aos EUA a opção de requerer os pedaços do UARS. Qualquer uma das 100 nações que fazem parte da convenção de 1967 pode ser requerida para ajudar, e os EUA serão responsáveis pelos custos de transporte. O interesse da NASA em recuperar as partes do UARS tem mais a ver com a proteção do público do que um desejo de estudar os fragmento, apesar de que os cientistas de detritos espaciais dizem que as menores partes que serão encontradas podem ser usadas para eles entenderem o que pode sobreviver a uma reentrada na atmosfera controlada e não controlada.

Créditos: Cienctec

Sonda MESSENGER mostra planícies inundadas em Mercúrio

Essa imagem feita pela sonda MESSENGER, mostra uma área das planícies do hemisfério norte de Mercúrio que foram inundadas por extenso vulcanismo. A cadeia dobrada que corre do topo para a base da imagem, marca a borda da Bacia Goethe, parte da qual é vista no canto superior esquerdo da imagem. Muitas das crateras inundadas posteriormente observadas nessa cena abrigam as chamadas feições brilhantes de radar.

Créditos: Cienctec

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

3C305: O intrigante brilho de uma galáxia

A atividade de um buraco negro supermassivo é responsável pela intrigante aparência dessa galáxia, a 3C305, localizada a aproximadamente 600 milhões de anos-luz de distância da Terra. As estruturas em vermelho e a luz azul, são imagens feitas usando o comprimento de ondas de raio-X e a luz óptica do Observatório de Raios-X Chandra e do Telescópio Espacial Hubble, respectivamente. Os dados ópticos são provenientes somente da emissão de oxigênio, e devido a isso a completa extensão da galáxia não pode ser vista. Dados obtidos usando as ondas de rádio são mostrados em azul escuro e foram obtidos pelo Very Large Array da National Science Foundation no Novo México, bem como pelo Multi-element Radio-Linked Interferometer Network no Reino Unido. Uma inesperada feição dessa imagem feita com múltiplos comprimentos de onda da 3C305 é que a emissão de rádio, produzida por um jato de seu buraco negro central, não se sobrepõem com o dado de raios-X. A emissão de raios-X, contudo, parece estar associada com a emissão óptica. Usando essa informação, os astrônomo acreditam que a emissão de raios-X poderia ser causada por pelo menos um dos dois seguintes efeitos. Uma opção são os jatos provenientes do buraco negro supermassivo, que não é visível nessa imagem, que estão interagindo com o gás interestelar na galáxia e aquecendo-o o suficiente para emitir raios-X. Nesse cenário, o gás aquecido por ondas de choque se localizaria na frente dos jatos. A outra possibilidade, é que a radiação brilhante proveniente de regiões próximas ao buraco negro emitem energia suficiente no gás interestelar para causar o seu brilho. Dados de raios-X mais profundos serão necessários para que se possa decidir entre as duas hipóteses.

Créditos: Chandra

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Missão WISE da NASA registra jatos flamejantes de um buraco negro

Astrônomos usando o Wide-field Infrared Survey Explorer, ou WISE da NASA, registraram dados raros de um buraco negro reluzente, revelando novos detalhes sobre esses poderosos objetos e seus jatos flamejantes. Os cientistas estudarem os jatos para aprender mais sobre o ambiente extremo que existe ao redor dos buracos negros. Muito já se aprendeu sobre o material que alimenta os buracos negros, chamados de discos de crescimento, e sobre os jatos propriamente dito, através de estudos usando raios-X, raios gama e ondas de rádio. Mas as medidas fundamentais da parte brilhante dos jatos localizadas em suas bases, são difíceis de serem feitas apesar das décadas de estudo. O WISE está oferecendo uma nova janela nesse elo perdido através de observações feitas no infravermelho. “Imagine o que seria se o nosso Sol passasse por súbitas explosões aleatórias, tornando-se três vezes mais brilhante em questão de horas e então se apagando novamente. Esse tipo de fúria é que nós estamos observando nesses jatos”, disse Poshak Gandhi, um cientista da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA). Ele é o principal autor de um novo estudo que apresenta os resultados no Astrophysical Journal Letters. “Com a visão infravermelha do WISE, nós somos capazes de estudar em detalhe as regiões internas próximas da base dos jatos do buraco negro de massa estelar pela primeira vez e podemos também ver a física dos jatos em ação”. O buraco negro, chamado de GC 339-4, já havia sido observado anteriormente. Ele está localizado a mais de 20.000 anos-luz de distância da Terra próximo do centro da nossa galáxia. Ele tem uma massa que é no mínimo seis vezes maior que a massa do Sol. Como outros buracos negros, ele é uma coleção ultra densa de matéria, com gravidade que é tão forte que nem mesmo a luz pode escapar. Nesse caso, o buraco negro está sendo orbitado por uma estrela companheira que o alimenta. A maior parte do material da estrela companheira é puxado para dentro do buraco negro, mas uma parte, é cuspida para fora na forma de jatos que viajam na velocidade da luz. “Para ver a atividade flamejante de um buraco negro, você precisa olhar para o lugar certo na hora certa”, disse Peter Eisenhardt, cientista de projeto do WISE no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena na Califórnia. “O WISE faz imagens infravermelhas a cada 11 segundos por um ano, cobrindo todo o céu, isso permite registrar esse raro evento”. Observar a variabilidade dos jatos foi possível pois várias imagens foram feitas do mesmo pedaço do céu com o passar do tempo, esse tipo de monitoramento do céu faz parte da missão NEOWISE, a missão do WISE destinada à caça de asteróides e cometas. Os dados do WISE permitiu à equipe de cientistas olhar em detalhe uma região bem compacta ao redor da base do jato que estava fluido do buraco negro. O tamanho da região é equivalente à largura de uma moeda observada a uma distância da Terra ao Sol. Os resultados surpreenderam a equipe, mostrando flutuações grandes e erráticas nas atividades dos jatos em escala de tempo que variou de 11 segundos até algumas horas. As observações são como uma dança de cores infravermelhas e mostram que o tamanho da base dos jatos varia. Seu raio é de aproximadamente 24.140 km com dramáticas mudanças que chegam até a um fator de 10 vezes ou mais. “Se você pensar os jatos do buraco negro como um extintor de incêndio, então é como se nós descobríssemos que o fluxo está intermitente e o extintor está variando em tamanho”, disse Poshak. Os novos dados também permitem aos astrônomos fazerem medidas melhores do campo magnético do buraco negro, que é 30.000 vezes mais poderoso do que o campo magnético gerado pela Terra na sua superfície. Esse campo magnético forte é necessário para acelerar e canalizar o fluxo de matéria em um jato estreito. Os dados do WISE estão fazendo com que os astrônomos entendam muito melhor como esses fenômenos exóticos ocorrem no buraco negro.

Créditos: JPL




Hoje é o aniversário do meu grande pai. Parabéns paizão!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Canal cortando cratera em Marte

Essa imagem de Marte mostra uma cratera de impacto localizada na parte leste da Elysium Planitia. A região é uma planície suave localizada ao longo do equador de Marte, entre as terras altas e acidentadas do sul e a região vulcânica de Elysium. As planícies foram repetidamente cobertas por fluxos de lava que preencheram na sua maioria as áreas mais baixas, resultando em uma região impressionantemente plana. Essa cratera em particular tem sido envolvida por um grande fluxo de lava mais novo conhecido em Marte, a inundação de lava de Athabasca Valles. As lavas que fluíram para dentro da cratera, através do ponto mais baixo no anel, formaram um canal de transbordamento. A base do canal é coberta com dunas de areia, desse modo é difícil dizer quanto de lava entrou na cratera. O que é preservado aqui é um passo no processo que tem sido apagado por muitas outras crateras existentes em Elysium Planitia à medida que a lava preencheu as crateras e outros baixos topográficos.

Créditos: HiRISE

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Réia iluminado pelo brilho de Saturno

O terreno sul da lua de Saturno, Réia, é iluminado levemente pelo brilho do próprio planeta Saturno e é registrado nessa imagem feita pela sonda Cassini da NASA do lado escuro do satélite. A câmera da sonda Cassini estava olhando na direção do lado noturno de Réia, que tem 1.528 quilômetros de diâmetro, mas a luz do Sol que é refletida pelo gigantesco Saturno é brilhante o suficiente para iluminar as crateras vistas na imagem acima. Essa imagem está centrada nos 23 graus de latitude sul e 315 graus de longitude oeste. Quatro estrelas são visíveis no primeiro plano da imagem. A imagem acima foi feita utilizando os comprimentos de onda da luz visível pela câmera da sonda Cassini conhecida como Wide-Angle Camera, ou WAC no dia 1 de Agosto de 2011. A imagem foi obtida a uma distância de aproximadamente 6.000 quilômetros de Réia e com o conjunto, Sol-Réia-Cassini em fase com ângulo de 113 graus. A escala na imagem original era de 800 metros por pixel. A imagem teve então o contraste realçado e foi ampliada, aumentando assim a visibilidade das feições na superfície de Réia.

Créditos: JPL

domingo, 18 de setembro de 2011

A galáxia M87 abriga o buraco negro mais massivo conhecido até o momento

O buraco negro localizado no centro da galáxia elíptica supergigante M87 no Aglomerado de Galáxias de Virgo a uma distância estimada de 50 milhões de anos-luz da Terra é o buraco negro mais massivo que se tem a massa medida com precisão, resultando num monstro que tem 6.6 bilhões de massas solares. Orbitando a galáxia existe uma população anormalmente grande de aproximadamente 12.000 aglomerados globulares, comparado com os 150 ou 200 aglomerados globulares que orbitam a Via Láctea, esse é um número realmente elevado. Usando o Telescópio Frederick C. Gillett Gemini em Mauna Kea, no Havaí, uma equipe de astrônomos calculou a massa do buraco negro, que é muito maior que o buraco negro existente no centro da Via Láctea que tem uma massa estimada de 4 milhões de massas solares. O evento de horizonte do buraco negro, com 20 bilhões de quilômetros de diâmetro poderia engolir com facilidade todo o nosso Sistema Solar. Para calcular a massa do buraco negro, os astrônomos medem a velocidade com a qual as estrelas ao redor orbitam o buraco negro. Eles encontram assim, uma média, nesse caso, as estrelas orbitam o buraco negro a velocidades aproximadas de 500 km/s, só para se ter uma comparação, o Sol orbita o buraco negro no centro da Via Láctea a uma velocidade de 220 km/s. A partir dessas observações, os astrônomos puderam então dizer que essa é a melhor estimativa, ou seja, a que tem maior precisão para a massa de um buraco negro supermassivo. A equipe defende a teoria de que o buraco negro de M87 cresceu e atingiu tal massa a partir de fusões com alguns outros buracos negros. A M87 é a maior, e mais massiva galáxia conhecida no chamado universo próximo, e acredita-se que ela tenha se formado a partir da fusão de 100 ou mais galáxias menores. Devido ao tamanho do buraco negro da M87 e devido também à proximidade, os astrônomos acreditam que esse poderia ser o primeiro buraco negro que pudesse ser visto de verdade. Pesquisas posteriores a essa, estão tentando calcular e medir o tamanho de outro buraco negro, com uma massa grosseiramente ainda estimada em 18 bilhões de massas solares, e que está localizado em uma galáxia a 3.5 bilhões de anos-luz de distância da Terra. Mas por enquanto, o buraco negro da M87 é o maior que tem a massa determinada com precisão.

Créditos: Cienctec

sábado, 17 de setembro de 2011

Opportunity explora mais uma rocha em Endeavour

A sonda da NASA Mars Exploration Rover Opportunity está usando os seus instrumentos no seu braço robótico para inspecionar alvos em uma rocha chamada de Chester Lake. Essa é a segunda rocha que a sonda examina com seu imageador microscópioco e com seu espectrômetro desde que ela alcançou o seu destino a muito desejado, o anel da vasta cratera Endeavour, em Agosto de 2011. Diferente da primeira rocha estudada, que era um pedaço de rocha que foi arremessado pela escavação de uma pequena cratera no anel da Endeavour, Chester Lake é um afloramento que representa o embasamento. As rochas na cratera Endeavour aparentemente vieram de um período anterior na história de Marte do que as outras rochas que a sonda Opportunity examinou durante os primeiros sete anos e meio de missão em Marte. A Opportunity e a sua irmã gêmea, a sonda Spirit completaram seus três meses de missões iniciais em Marte em Abril de 2004. Ambas as sondas continuaram por anos a explorar o planeta como bônus para a missão. Ambas fizeram importantes descobertas sobre os ambientes úmidos e antigos de Marte que podem ter sido favoráveis para o desenvolvimento da vida na forma microbiana. A sonda Spirit encerrou as comunicações com a Terra em 2010. A NASA lançará a próxima geração de sondas para Marte, a sonda do tamanho de um carro, a Curiosity, partirá dentro de alguns meses para a sua viagem até Marte, onde deve chegar em Agosto de 2012.

Créditos: JPL

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O pólo sul de Vesta

Vejam esta imagem incrível obtida pela sonda Dawn e que mostra o pólo sul de Vesta. A imagem foi obtida a uma distância de 2.700 quilômetros e tem uma resolução de 260 metros por píxel.

Créditos: AstroPT

NASA confirma descoberta de primeiro exoplaneta orbitando duas estrelas

A existência de um mundo com um duplo pôr-do-Sol, como mostrado no filme de Guerra nas Estrelas a mais de 30 anos atrás, é agora um fato científico. A missão Kepler da NASA fez a primeira detecção sem ambigüidade de um planeta chamado de circumbinário – ou seja, um planeta que orbita duas estrelas – localizado a 200 anos-luz de distância da Terra. Diferente do planeta Tatooine do filme Guerra nas Estrelas, o planeta é frio, gasoso e não deve suportar vida, mas a descoberta demonstra que a nossa galáxia é povoada com uma grande variedade de planetas. Pesquisas anteriores já tinham identificado pistas sobre a existência de planetas circumbinários, mas a confirmação clara era elucida. O Kepler detectou esse planeta, conhecido como Kepler-16b, observando os trânsitos, onde o brilho da estrela aparente era reduzido devido à passagem do planeta em frente de seu disco. “Essa descoberta confirma uma nova classe de sistemas planetários que poderiam abrigar vida”, disse o pesquisador principal do Kepler William Borucki do Ames Research Center da NASA em Moffett Field na Califórnia. “Dado que a maior parte das estrelas na nossa galáxia fazem parte de sistemas binários, isso significa que a oportunidade da vida existir nesse tipo de ambiente é muito maior do que se os planetas orbitassem uma única estrela. Essa descoberta é um marco e confirma a teoria que os cientistas tinham por décadas mas que não podiam provar até o momento”. Uma equipe de pesquisa liderada por Laurence Doyle do SET Institute em Mountain View, Califórnia, usou dados do Kepler, que mede as variações de brilho de mais de 150.000 estrelas, para buscar por planetas que executassem um trânsito em frente a elas. O Kepler é a primeira missão da NASA capaz de encontrar planetas do tamanho da Terra próximo da chamada zona habitável, a região do sistema planetário onde a água líquida poderia existir na superfície do planeta. Os cientistas detectaram o novo planeta no sistema Kepler-16, um par de estrelas que se eclipsam, ou seja, uma passa em frente da outra, e a Terra nesse caso encontra-se num ponto de vista privilegiado. Quando a estrela menor bloqueia parcialmente a estrela maior, um eclipse primário ocorre, e um eclipse secundário ocorre quando a estrela menor é ocultada ou completamente bloqueada pela estrela maior. Os astrônomos observaram que o brilho do sistema variava mesmo quando as estrelas não estavam se eclipsando, dando a pista então de que deveria existir ali um terceiro corpo. A diminuição adicional nos eventos de brilho, chamados de eclipses terciários e quaternários, reaparecendo em intervalos irregulares de tempo, indicando que as estrelas estavam em diferentes posições em suas órbitas cada vez que o terceiro corpo passava. Isso mostrou que esse terceiro corpo estava circulando não só uma, mas ambas as estrelas, numa grande órbita circumbinária. A força gravitacional nas estrelas, medida pelas mudanças nos tempos dos eclipses, foi um bom indicador da massa do terceiro corpo. Somente uma força gravitacional bem pequena foi detectada, o que só poderia ser causado por um corpo de pequena massa. “A maior quantidade de informações que temos sobre o tamanho das estrelas vêem de sistemas binários eclipsantes, e as maiores informações que temos sobre o tamanho dos planetas vêem do trânsito”, disse Doyle que é o principal autor do artigo. “O sistema Kepler-16 combina o melhor dos dois mundos, com eclipses estelares e trânsitos planetários, tudo num só sistema”. Essa descoberta confirma que o Kepler-16b é um mundo inóspito, frio, do tamanho aproximado de Saturno e acredita-se que seja constituído metade de rocha e metade de gás. As estrelas do sistema são menores que o Sol. Uma delas tem 69% da massa do Sol e a outra apenas 20%. O Kepler-16b orbita as estrelas com um período de 229 dias, período semelhante ao de Vênus, que gasta 225 dias para completar uma volta ao redor do Sol, mas localiza-se fora da zona habitável do sistema, onde a água líquida poderia existir na superfície, pois as estrelas são mais frias que o Sol. “Trabalhando em um filme, nós muitas vezes somos pressionados a criar algo que nunca havia sido visto antes”, disse o supervisor de efeitos visuais John Knoll da Industrial Light & Magic, uma divisão da Lucasfilm Ltd., em San Francisco. “Contudo, quase sempre, as descobertas científicas provam ser mais espetaculares do que qualquer coisa que possamos imaginar. Não há dúvida de que essas descobertas influenciam e inspiram os diretores, produtores, escritores, etc… A nossa própria existência e a nossa vivência servem como causa para se sonhar alto e abrir as nossas mentes para as novas possibilidades além daquilo que pensamos que conhecemos”.

Créditos: JPL

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As escarpas em forma de lobos na Lua

As escarpas em forma de lobos observadas na Lua, são estruturas longas, curvilíneas e que podem também ser encontradas em outros corpos planetários. Elas são interpretadas como sendo de natureza tectônica, o resultado de falhas desenvolvidas nas rochas que por outro lado têm uma natureza estrutural. As falhas, ou também chamadas de fraturas planas, aparecem em diferentes estilos. Elas podem ser falhas normais que se desenvolvem quando um lado da rocha escorrega para um nível mais baixo do que o lado vizinho. Elas podem ser também falhas reversas, que ocorrem quando acontece um comportamento oposto ao observado nas falhas normais. Ao invés de um bloco escorregar para baixo de outro, esse bloco é empurrado, ou comprimido sendo levado para cima do bloco de rocha adjacente. De maneira geral, as falhas normais resultam de extensões locais ou regionais, enquanto que as falhas reversas mostram evidências de compressão. Assim sendo, que mecanismo produz as escarpas em forma de lobo? Em Mercúrio, esse tipo de escarpa são grandes e globalmente distribuídas, e são interpretadas como sendo o resultado da contração global do planeta. O que poderia fazer um planeta inteiro contrair? Isso seria possível devido ao vagaroso resfriamento do interior do objeto. Dados da sonda LRO indicam que as escarpas em forma de lobos na Lua são também distribuídas globalmente. Contudo, elas também são pequenas e deformam o regolito localmente. Pelo fato dessas falhas estarem localizadas em um material relativamente não consolidado, elas precisam ser muito jovens, pois o regolito é constantemente agitado por impactos de pequenos asteróides e cometas. Os cientistas têm então interpretado as escarpas observadas na Lua como sendo o resultado do último estágio e não do primeiro estágio do processo de contração global experimentado pela Lua.

Créditos: Cienctec

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A evolução das primeiras galáxias se deu pela presença de gás e não devido às colisões

A formação de estrelas no início do universo não foi um processo dirigido primariamente pelas colisões galácticas como se penava anteriormente, mas sim pela quantidade de gás presente. O Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Europeia (ESA), coletou dados de mais de 1.000 galáxias, cobrindo 80% da vida do cosmos, incluindo aí informações no infravermelho. A taxa de nascimento de estrelas observada por volta de 10 bilhões de anos atrás quando apenas algumas galáxias haviam se formado é mais de 100 vezes mais rápida que a taxa observada hoje em dia. Atualmente, as altas taxas são raras e normalmente são disparadas pelas colisões galácticas levando assim à se pensar que para que a taxa de nascimento de estrelas fosse alta, uma premissa era a existência da colisão entre galáxias. Porém, ao invés disso, uma equipe de pesquisadores internacional encontrou que a velocidade da formação das estrelas está associada com a quantidade de gás disponível – gás é o material bruto no processo de formação de estrelas – sem respeitar as colisões. “Somente naquelas galáxias que ainda não tinham uma quantidade de gás suficiente que as colisões eram necessárias para fornecer esse gás e então disparar o processo de formação de estrelas com altas taxas”, disse David Elbaz no CEA Saclay da França. Os cientistas podem agora visualizar antigas galáxias evoluindo de acordo com a quantidade de gás existente ao redor, muitas vezes um processo muito mais calmo do que se imaginava antes. “O Herschel foi concebido para estudar a história da formação das estrelas com o decorrer do tempo no universo”, disse Goran Pilbratt, cientista do Projeto Herschel da ESA. “Essas novas observações estão mudando agora a nossa percepção sobre a história do universo”.

Makemake

Makemake foi descoberto em 2005. O tamanho do planeta anão ainda não é conhecido com clareza pelos astrônomos, mas eles acreditam que deva ter cerca de três quartos do tamanho de Plutão. É, portanto, provável que o Makemake seja o terceiro maior planeta anão, ficando apenas atrás de Éris e Plutão. Makemake orbita o sol com um pouco mais de distância do que Plutão, a cerca de 6,85 bilhões de quilômetros, e completa uma órbita a cada 310 anos, ou algo próximo a isso. Makemake é o segundo objeto mais brilhante do Cinturão de Kuiper (depois de Plutão), e pode ser visto de um telescópio amador. Como Haumea, Makemake recebeu o nome de uma divindade polinésia – neste caso, o criador da humanidade e o deus da fertilidade no panteão dos rapanui, o povo nativo da Ilha de Páscoa. Como Plutão e Éris, Makemake parece ter uma cor avermelhada no espectro de luz visível. Os cientistas acreditam que sua superfície é coberta por uma camada de metano congelado, e ainda não foi observada nenhuma lua no mundo distante.

Éris

Éris foi descoberto em 2005, e foi o corpo que estimulou a UAI a tirar Plutão da lista de “planetas” e criar a categoria “planeta anão”, um ano depois. A decisão permanece controversa ainda hoje, tornando o nome de Éris mais do que apropriado: Éris é a deusa grega da discórdia, que despertou o ciúme e a inveja entre as deusas, levando à Guerra de Tróia. A única lua conhecida de Éris não deixa por menos: é a Dysnomia, nome da filha da deusa, caracterizada pelo espírito da anarquia. Éris tem praticamente o mesmo tamanho de Plutão, mas tem 25% mais massa, o que sugere que Éris tenha consideravelmente mais rocha (e menos gelo). No entanto, as superfícies dos dois planetas anões parecem similares, compostas principalmente por gelo de nitrogênio. Como Plutão, Éris tem uma órbita extremamente elíptica, e é ainda mais distante, ficando em média a 10,1 bilhões de quilômetros de distância do sol – e levando 557 anos para completar uma volta em torno dele.

Estrela envia tempestade de raios-X para exoplaneta CoRoT-2b

Um exoplaneta próximo da Terra, localizado a 880 ano-luz de distância está sendo bombardeado intensamente por raios-X emitidos da sua estrela mãe, uma característica que é típica de muitas estrelas. Conhecido como CoRoT-2b, a massa do planeta é aproximadamente 1.000 vezes maior que a massa da Terra, e orbita de maneira próxima a estrela CoRoT-2a, a uma distância igual a aproximadamente 10 vezes a distância entre a Terra e a Lua. A radiação de raios-X é 100.000 vezes mais poderosa que a energia que o Sol envia em direção à Terra, e que vaporiza por volta de 5 milhões de toneladas de matéria do CoRoT-2b por segundo. “Esse planeta está sendo absolutamente fritado pela sua estrela”, disse Sebastian Schroeter, da Universidade de Hamburgo na Alemanha. “O que pode ser ainda mais estranho é que esse planeta pode estar afetando o comportamento da estrela que está o devastando”. Aparentemente o planeta pode estar ativando os campos magnéticos da estrela e aumentando a sua taxa de rotação graças a sua proximidade com a estrela. Isso explicaria por que uma estrela com idade entre 100 e 300 milhões de anos está exibindo o comportamento de uma estrela bem jovem. “Se não fosse pelo planeta, essa estrela teria deixado a volatilidade de sua juventude milhões de anos atrás”, disse o co-autor Stefan Czesla, também da Universidade de Hamburgo na nota a imprensa. “Nós não temos certeza absoluta de todos os efeitos que esse tipo de tempestade pesada de raios-X teria no planeta, mas poderia ser ela a responsável pela dilatação que nós observamos no CoRoT-2b”, disse Schroeter. “Nós estamos apenas começando a aprender sobre o que acontece a exoplanetas em seus ambientes extremos”.

Créditos: Cienctec

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cinquenta novos exoplanetas descobertos pelo HARPS

Utilizando o caçador de exoplanetas HARPS do ESO, uma equipe de astrônomos anunciou ontem uma rica colheita de mais de 50 novos exoplanetas, incluindo 16 super-Terras, uma das quais orbita no limite da zona de habitabilidade da sua estrela. Estudando as propriedades de todos os planetas HARPS encontrados até agora, a equipe descobriu que cerca de 40% das estrelas semelhantes ao Sol possuem pelo menos um planeta mais leve que Saturno. O espectrógrafo HARPS montado no telescópio de 3,6 metros instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, é o descobridor de planetas mais bem-sucedido de todo o mundo. Este é o maior número de planetas deste tipo anunciado de uma só vez. As novas descobertas estão a ser anunciadas num congresso científico internacional sobre Sistemas Solares Extremos, que juntou 350 especialistas de exoplanetas no Wyoming, EUA. "A colheita de descobertas obtida pelo HARPS excedeu todas as expectativas e inclui uma população excepcionalmente rica em planetas do tipo super-Terra e do tipo de Netuno, que orbitam estrelas muito semelhantes ao nosso Sol. Mais ainda - os novos resultados mostram que a taxa de descobertas está aumentando," diz Mayor. Nos últimos oito anos, desde que começou a observar estrelas do tipo do Sol utilizando o método das velocidades radiais, o HARPS foi usado para descobrir mais de 150 novos planetas. Cerca de dois terços de todos os exoplanetas conhecidos com massas menores que Netuno foram descobertos pelo HARPS. Estes resultados excepcionais são o fruto de várias centenas de noites de observação do HARPS. Trabalhando com observações HARPS de 376 estrelas do tipo solar, os astrônomos conseguiram estimar muito melhor qual a probabilidade de uma estrela como o Sol albergar planetas de pequena massa (em oposição a planetas gigantes gasosos). Descobriu-se que cerca de 40% destas estrelas possuem em órbita pelo menos um planeta de massa menor que Saturno. A maioria dos exoplanetas com massas da ordem de Netuno ou menores parecem encontrar-se em sistemas que apresentam planetas múltiplos. Com sistemas de hardware e de software em processo de atualização, o HARPS está sendo preparado para o próximo nível de estabilidade e sensibilidade no intuito de procurar planetas rochosos que possam suportar vida. Dez estrelas próximas semelhantes ao Sol foram selecionadas para um novo rastreio. Estas estrelas já tinham sido observadas pelo HARPS e sabia-se serem adequadas para medições de velocidades radiais extremamente precisas. Após dois anos de trabalho a equipe de astrônomos descobriu cinco novos planetas com massas menores que cinco vezes a massa da Terra. "Estes planetas estarão entre os alvos principais dos futuros telescópios espaciais, que procurarão sinais de vida nas atmosferas dos planetas procurando assinaturas químicas tais como evidência de oxigênio," explica Francesco Pepe (Observatório de Genebra, Suíça), o autor principal de um dos recentes artigos científicos. Para um destes novos planetas recentemente anunciados, HD 85512 b, estima-se uma massa de apenas 3,6 vezes a massa da Terra. O planeta situa-se no limite da zona de habitabilidade - uma zona estreita em torno de uma estrela na qual, se as condições forem as correctas, a água pode estar presente sob a forma líquida. "Este é o planeta de menor massa descoberto pelo método das velocidades radiais que se encontra potencialmente na zona de habitabilidade da sua estrela, e o segundo planeta de menor massa descoberto pelo HARPS dentro da zona de habitabilidade," acrescenta Lisa Kaltenegger (Instituto Max Planck para a Astronomia, Heidelberg, Alemanha e Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, Boston, EUA), especialista em habitabilidade de exoplanetas. A precisão cada vez maior do novo rastreio do HARPS permite agora detectar planetas abaixo das duas massas terrestres. O HARPS tem atualmente uma sensibilidade que torna possível detectar amplitudes de velocidade radial significativamente menores que 4 km/hora - menores que a velocidade de marcha humana. "A detecção do exoplaneta HD 85512 b está longe do limite observacional do HARPS, o que demonstra bem a possibilidade de descobrir outras super-Terras em zonas de habitabilidade situadas em torno de estrelas semelhantes ao Sol," acrescenta Mayor. Estes resultados tornam os astrônomos confiantes de que estarão próximo de descobrir outros pequenos planetas rochosos habitáveis em torno de estrelas semelhantes ao nosso Sol. Para este efeito planeiam-se novos instrumentos, nos quais se inclui uma cópia do HARPS a ser instalada no Telescopio Nazionale Galileo nas ilhas Canárias, que fará um rastreio das estrelas no céu setentrional, e um descobridor de planetas novo e mais poderoso, chamado ESPRESSO, a ser instalado no Very Large Telescope do ESO em 2016. Olhando ainda para mais longe no futuro, também o instrumento CODEX previsto para o European Extremely Large Telescope (E-ELT) levará esta técnica muito mais além. "Nos próximos dez a vinte anos deveremos ter uma primeira lista de planetas potencialmente habitáveis na vizinhança do Sol. Uma tal lista torna-se essencial antes que experiências futuras possam procurar possíveis assinaturas de vida nas atmosferas dos exoplanetas, através de espectroscopia," conclui Michel Mayor, que descobriu em 1995 o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela normal.

Créditos: Astronomia On-line

Astrônomos detectam atmosfera dinâmica de anã marrom

Uma equipe de astrônomos liderada por Jacqueline Radigan (Universidade de Toronto) observou variações extremas no brilho de uma anã marrom próxima que parecem indicar a existência de grandes tempestades na sua atmosfera. A anã castanha em causa, designada por 2MASS J21392676+0220226 (2MASS = Two Micron All-Sky Survey), é antiga e portanto teve tempo para arrefecer substancialmente libertando grande parte do calor acumulado na sua formação. Os modelos teóricos mostram que as atmosferas destas anãs marrons frias deverá ser muito semelhante à dos Júpiteres Quentes. A explicação mais simples para estas variações de brilho consiste na formação de nuvens na atmosfera da anã marrom que aumentam a sua reflectividade (albedo) temporariamente. As nuvens formam-se quando pequenos grãos de poeira formados por silicatos e metais se condensam na atmosfera tórrida destes corpos. Outra explicação possível consiste na formação de zonas transparentes na atmosfera que permitem temporariamente observar as suas camadas mais interiores e quentes. As observações, realizadas no telescópio de 2.5 metros do observatório de Las Campanas, no Chile, mostram que a anã marrom varia de brilho de forma evidente e por vezes muito rapidamente, por exemplo, aumentando o brilho em 30% em pouco menos de 8 horas. As variações são visíveis nos dados obtidos ao longo de semanas e meses pela equipe, sugerindo uma atmosfera muito dinâmica.

Créditos: AstroPT

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Exoplanetas

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Uma infografia da Space.com que compara alguns sistemas planetários com o nosso Sistema Solar. Dá para ver, sobretudo, a quantidade de planetas encontrados próximos das estrelas – a uma distância menor que Mercúrio está do Sol.

Créditos: AstroPT

Qual a origem do ouro no Universo?

De onde vem o ouro que você encontra nas joalherias? Ninguém sabe ao certo. A relativa abundância desse elemento no nosso Sistema Solar parece ser mais alta do que poderia ser encontrado no começo do Universo, nas estrelas, e até mesmo em típicas explosões de supernovas. Alguns astrônomos sugeriram recentemente que elementos pesados ricos em nêutrons, como o ouro pode ter facilmente sido criado em raras explosões ricas em nêutrons como a colisão entre estrelas de nêutrons. Acima, o que se vê é um desenho artístico que tenta reproduzir duas estrelas de nêutrons em movimento espiral uma em direção a outra, pouco antes de colidirem. Como as colisões entre as estrelas de nêutrons são pensadas como sendo a fonte das emissões das explosões de raios-gama de curta dureação, é possível que quando você compra um anel de ouro, ou um brinco, esteja também adquirindo uma parte do que é o resultado de uma das mais poderosas explosões no universo.

Créditos: APOD

domingo, 11 de setembro de 2011

Satélite cairá na Terra

Um satélite artificial de 6 toneladas vai cair em algum lugar da Terra entre o final de Setembro e o início de Outubro. Isto é tudo o que a NASA sabe dizer a respeito do UARS (Upper Atmosphere Research Satellite), um satélite de observação atmosférica colocado em órbita em 1991 pelo ônibus espacial Discovery. O UARS chegou ao fim de sua vida útil em 2005, transformando-se em mais um lixo espacial. Aos poucos, o atrito com o ambiente rarefeito da órbita baixa da Terra vai sendo suficiente para trazê-lo de volta. Finalmente, em algum momento entre o final de Setembro e o início de Outubro, ele atingirá as camadas superiores da atmosfera e começará seu turbulento caminho de reentrada. Mas o satélite é grande demais e não se queimará todo. A NASA calcula que 26 pedaços grandes atingirão a superfície, o maior deles com cerca de 150 quilogramas. A agência espacial norte-americana só não sabe onde: pode ser virtualmente em qualquer ponto do planeta, habitado ou não, excluindo-se as regiões polares - na verdade acima dos 57° de latitude norte ou sul. A chance de que um desses pedaços atinja um ser humano é de 1 em 3.200. Mas esse é um cálculo para "qualquer ser humano". Se o cálculo for feito para um ser humano específico - você, por exemplo - a chance é de 1 em 22 trilhões. Se isto acontecer, o que é muito improvável, será a primeira vez que um artefato espacial fará uma vítima humana. Como não há como saber quando a reentrada começará, não é possível calcular o local exato da queda, que deverá arremessar pedaços por uma área de 800 km, segundo a Força Aérea do Estados Unidos, que irá rastrear a queda por radar. De acordo com os técnicos, só será possível ter alguma informação mais precisa sobre o local da queda cerca de duas horas antes do evento. Na prática, isso significa que só saberemos onde o UARS vai cair quando ele cair. A NASA vai postar atualizações semanais até quatro dias antes da reentrada. Daí em diante, diariamente, até cerca de 24 horas antes da reentrada e, finalmente, 12 horas, 6 horas e 2 horas antes da reentrada.